O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017

Hoje, 20 de Setembro, é dia de Sto. André Kim Taegon, S. Paulo Chong Hassan e seus Companheiros mártires, Sto. Eustáquio e Sta. Teopista, e S. José María Yarres Pales.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:46

Terça-feira, 19 de Setembro de 2017

 

  1. No seu ministério episcopal, D. António Francisco dos Santos foi guiado por um lema explícito e norteado por um lema implícito.

Como é sabido, a divisa do Bispo do Porto era «in manus Tuas» (cf. Lc 23, 46), o mesmo, por exemplo, de D. Hélder Câmara, que ele muito admirava.

 

  1. Jesus entregara-Se totalmente nas mãos do Pai pela salvação da humanidade. D. António Francisco quis entregar-se inteiramente nas mãos de Deus ao serviço das pessoas.

 

  1. À semelhança de Jesus (cf. Jo 5, 17), também D. António Francisco não parou e (praticamente) não repousou.

Evocando Antero, dir-se-ia que só «na mão de Deus […] descansou, afinal, o seu coração».

 

  1. Era o efeito de um outro lema que, apesar de não escrito, esteve sempre inscrito na sua vida: «Omnia omnibus» (cf. 1Cor 9, 22).

Quem pode negar que D. António Francisco foi, até ao fim, «tudo para todos»?

 

  1. Foi pastor, foi confidente, foi sorriso, foi abraço, foi regaço.

Tudo isto — e muito mais — ele foi para os que o procuravam, para os que ele procurava, para os que estão dentro e também para os que se sentem fora. Mas que se mantinham dentro dele: na sua alma, na sua oração, no seu afecto e no seu (irreprimível) afago.

 

  1. É por isso que, não tendo sido «professor de Teologia», D. António Francisco conseguiu ser um eminente «professante da Teologia» (Xavier Zubiri).

As áreas da sua especialização eram a Filosofia e a Sociologia. Mas o campo da sua intervenção foi, genuinamente, a Teologia. Que ele não leccionava, mas professava.

 

  1. Acompanhando a Teologia como ciência, a sua prioridade era, inquestionavelmente, a Teologia como vivência.

Não deixou obras de Teologia publicada. Mas legou-nos uma luminosa obra de Teologia vivida.

 

  1. Nele, o «logos conceptual» estava profundamente radicado no «logos testemunhal», especialmente no «logos afectivo», no «logos cordial».

A «Teologia da Visitação» era a grande especialidade de D. António Francisco. As suas palavras convenciam e os seus gestos cativavam porque chegavam depressa ao coração.

 

  1. Daí que a sua morte tenha sido um belo retrato da sua bela vida.

Nem a morte afastou aquele que, em vida, de todos se aproximou. Não se apagou em nós quem sempre se apegou a nós.

 

  1. Amando a todos durante a vida, foi por todos amado até à morte.

Não consigo dizer-lhe adeus porque o sinto cada vez mais perto. Em Deus!

publicado por Theosfera às 10:29

Hoje, 19 de Setembro, é dia de S. Januário, Sto. Afonso de Orozco, Sta. Emília Rodat e S. Francisco Maria de Comporosso.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:16

Segunda-feira, 18 de Setembro de 2017

Hoje, 18 de Setembro, é dia de S. José de Cupertino e S. João Masías.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:40

Domingo, 17 de Setembro de 2017

Dois dias depois de ter estado no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, Dois dias antes de estar no Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, Tu, Mãe, vieste buscar o Teu filho António Francisco.

Ouvimos o que ele de Ti disse na Cova da Iria. Preparávamo-nos para ouvir o que sobre Ti ele iria dizer, aqui, em Lamego. Mas foi nesse dia que o seu corpo desceu à terra, Quando a sua vida já tinha entrado no Céu.

À Tua beira, ele ficará a eternidade inteira. Porque é que não nos alegramos com esta passagem? Porque é que choramos com esta viagem?

Entrar na eternidade devia encher-nos de felicidade. Perdoa, Mãe, a nossa fragilidade. Mas somos humanos e gostamos de sentir a presença dos que amamos.

António Francisco era uma pessoa que amava a todos e por todos era amado. O seu coração não se cansou de amar. O seu coração «explodiu» com tanto amor.

Já não cabia na terra o seu amor. Por isso, vieste buscá-lo com tanto ardor.

Sentimos a sua falta. Mas sentiremos, ainda mais, a sua presença.

Não foi longa a sua vida, Mas é eterno o seu legado. Não deixemos que ele passe ao nosso lado.

Nestas horas, difícil é evitar lugares comuns, ainda que estejamos perante um homem notavelmente incomum. Mas D. António era mesmo um homem bom, que gostava de estar com as pessoas, levando-lhes a contagiante bondade de Deus.

Aonde chegava, parecia que sempre lá tinha estado, tal era a empatia que gerava.

A sua morte foi um belo retrato da sua bela vida. Nem a morte afastou aquele que, em vida, de todos se aproximou. Não se apagou em nós quem sempre se apegou a nós. Amando a todos durante a vida, foi por todos amado até à morte.

Nas mãos de Deus se entregou desde o início da sua missão.  Nas mãos de Deus se entregou até ao fim da sua vida.

Obrigado, Mãe, por nos teres dado uma pessoa assim. Ajuda-nos a, como ele, sermos sinais do Teu amor sem fim.

O senhor D. António deixou muito de si.  O senhor D. António leva seguramente muito de nós.

Nunca estará longe porque sempre soube ser próximo. Não lhe dizemos adeus porque o sentimos cada vez mais perto. Em Deus!

publicado por Theosfera às 15:41

Obrigado, Senhor,

pela largueza do Teu coração.

 

Na Tua Casa, ao pé de Ti,

há lugar para todos.

 

Na Tua Casa, ao pé de Ti,

não há preferidos nem preteridos.

 

Todos têm um lugar,

todos são tratados pelo nome,

todos são acolhidos com delicadeza e alegria.

 

Junto de Ti, Senhor,

é sempre festa,

é sempre alegria, contentamento e paz.

 

Porquê, então, Senhor,

a inveja e o ciúme,

o ressentimento e o rancor?

 

Porque é que queremos tudo para nós?

Porque é que fazemos da Igreja um clube onde só alguns parecem ter lugar?

 

Que o nosso coração seja como o Teu

e como o de Tua (e nossa) Mãe.

 

Que no nosso coração,

haja lugar para todos,

especialmente para os pobres e os que sofrem.

 

Que na nossa língua só haja amor,

que no nosso olhar só haja paz,

que na nossa alma só haja esperança.

 

Que aquilo que celebramos cá dentro, no templo,

possa ser vivido lá fora, no tempo.

 

Nós já sabemos que podemos contar conTigo

hoje, amanhã e sempre,

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:04

A. Deus não quer a ofensa, mas também não aprova a vingança

 

  1. Neste mundo, não faltam «profissionais da ofensa». Também abundam «profissionais da vingança». O que escasseia são os «profissionais do perdão».

Há, de facto, quem não perdoe o mal e há até quem não perdoe o bem. Há mesmo quem perdoe menos o bem que se faz do que o mal que se pratica. Tão contaminados estamos pelo mistério da maldade que até o bem nos causa perplexidade.

 

  1. Deus não suporta o mal. Mas também não aprova a vingança, que, no fundo, só contribui para alastrar o mal. Algum mal é extinto pela vingança? Custa, sem dúvida, sofrer o mal. Mas fazer mal a quem nos faz mal apaga o mal que nos é feito? Como alerta a Primeira Leitura, Deus não aprova a vingança (cf. Eclo 28, 1). Para Ele, «o rancor e a ira são coisas detestáveis» (Eclo 27, 30).

Acresce que, como refere a Escritura, «o mau prejudica-se a si mesmo» (Eclo 27, 24). Não é necessário, pois, afundar no mal quem já está no mal. O que todos deveríamos fazer era ajudar quem está no mal a sair do mal. É por isso que já a sabedoria do Antigo Testamento nos exorta a perdoar ao próximo pelo mal que nos fez (cf. Eclo 28, 2).

 

B. Não podemos confundir vingança com justiça

 

3. Perdoar a quem faz o mal não é branquear o mal. Perdoar é, desde logo, não ficar dominado pelo mal que nos é feito. E é também contribuir para que quem faz o mal possa sair do mal que faz. Não é fácil, mas não podemos presumir que seja impossível. E mesmo se for impossível para nós, nunca é impossível para Deus. É neste sentido que devemos responder à maldade dos homens com a bondade de Deus.

Daí a pertinência do apelo de São Paulo: «Se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor. Quer vivamos quer morramos, é ao Senhor que pertencemos» (Rom 14, 8). Se pertencemos ao Senhor, é o Seu amor que nos deve possuir. Não é o nosso ressentimento que nos há-de nortear. Até podemos ter mil razões para a vingança. Mas não podemos invocar a aprovação de Deus para nos vingarmos.

 

  1. Não podemos confundir vingança com justiça. Para muitos, a justiça não passa de vingança. A justiça consiste em reparar o mal realizado urgindo a sua substituição pelo bem. Daí o carácter pedagógico de muitas penas, como é o caso do serviço cívico. Quem praticou algum mal à comunidade é instado, pela autoridade, a praticar o bem na mesma comunidade. Se o bem não é praticado por iniciativa própria, a autoridade impõe a sua prática.

Já a vingança é apenas devolver o mal a quem faz o mal. Isso pode satisfazer durante uns instantes. Mas não muda nada a longo prazo. Vingar-se do mal não atrai o bem. Vingar-se do mal não é bem. Vingar-se do mal é resignar-se a permanecer no mal.

 

C. O perdão é sobretudo para quem o não merece

 

5. É em todo este contexto que percebemos a insistência de Jesus para que perdoemos sempre e de forma ilimitada. O que Pedro pergunta a Jesus é se deve, ou não, perdoar sempre. E Jesus responde que não só deve perdoar sempre, mas de forma ilimitada. De facto, ao dizer a Pedro que não deve perdoar «sete vezes, mas setenta vezes sete» (Mt 18, 22), Jesus não está a recomendar que se perdoe 490 vezes. Indo mais longe, o que Jesus quer não é que se perdoe muito, mas que se perdoe sempre e de forma ilimitada: se «sete vezes» quer dizer sempre, «setenta vezes sete» quer dizer sempre e ilimitadamente.

Para Jesus, o perdão é para todos, especialmente para quem o não merece. De facto, se alguém tem méritos, não necessita de ser perdoado. Pelo que o perdão é para quem o não merece. É claro que o perdão pode não ser pedido nem aceite. Mas, mesmo assim, tem de ser disponibilizado e oferecido.

 

  1. Enquanto discípulos de Jesus, somos também discípulos do Seu perdão. Ser cristão é, pois, o mesmo que ser «profissional do perdão», «esbanjador de perdão». Segundo o ensinamento de Jesus, a grandeza de uma pessoa está na sua disponibilidade para perdoar. Não é maior quem mais se vinga; maior é quem mais perdoa.

O credor de dez mil talentos (o equivalente a 36 quilos em ouro ou prata) perdoou ao seu devedor (cf. Mt 18, 23-27). Perdoou-lhe porque foi sensível à sua súplica e porque era generoso, magnânimo e misericordioso. No fundo, estamos perante uma eloquente imagem de Deus. Deus é Senhor porque dá, porque doa, porque «per-doa». Sucede que aquele que foi perdoado não perdoou uma pequena dívida (cf. Mt 18, 28-30). Com efeito, «cem denários» não correspondia a mais de 12 gramas de prata. Tratava-se, portanto, de uma insignificância em comparação com a quantia que lhe foi perdoada.

 

D. Não é fácil — mas é sumamente belo — perdoar

 

7. Na vida, há quem seja assim. Há quem reclame o perdão de muito e há quem não seja capaz de perdoar nada. Acresce que, pelo desenvolvimento do texto do Evangelho, dá a impressão de que não terá o perdão de Deus quem não for capaz de perdoar ao seu próximo. «Não devias ter compaixão do teu companheiro como eu tive compaixão de ti? Então o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos até que pagasse tudo o que lhe devia» (Mt 18, 32-33).

Sabemos que perdoar é difícil para o homem. E, olhando para a Bíblia, parece (insisto: «parece») que também não é fácil para Deus. Após o pecado original, Deus surge a «expulsar o homem do paraíso» (Gén 3, 23). Quando a corrupção corroeu a humanidade, decidiu «eliminar» o homem da terra (cf. Gén 6, 8). Na própria enunciação do Pai-Nosso, o apelo ao perdão contém uma ressalva: «Se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará. Mas se não perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai não vos perdoará as vossas faltas» (Mt 6, 14-15).

 

  1. Parece que só há perdão de Deus se houver perdão da parte do homem. Se não houver perdão entre os homens, parece que não haverá perdão da parte de Deus. E a verdade é que foi preciso Jesus pedir a Deus que perdoasse a quem O ia matar: «Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem» (Lc 23, 24).

Tendo, porém, em conta que Jesus é o rosto definitivo de Deus (cf. Jo 14, 9), então salta à vista que o Deus de Jesus (o nosso Deus) nunca devolve o mal; derrama sempre o bem. É por isso que propõe o amor aos amigos, mas sem excluir os inimigos. Ele fala de um Deus que «faz com que o sol se levante sobre bons e maus» (Mt 5, 45).

 

E. Aprendamos a perdoar com Deus

 

9. A esta luz, a entrega aos verdugos do servo que não perdoou (cf. Mt 18, 34) não é uma imagem de um Deus sem perdão. Não se trata de que Deus pague na mesma moeda e castigue quem não for capaz de perdoar. Olhemos para Deus como Ele é. Não é preciso muito para concluir que a vingança não faz parte maneira de ser de Deus. Se Deus é infinito, perdoa infinitamente. Aliás e como dizia Heinrich Heine, «é o trabalho d’Ele».

O que o Evangelho faz é usar imagens fortes (quase no limite da contradição) para sublinhar que o perdão é absolutamente necessário e urgente. É tão necessário e tão urgente o perdão que dele depende a construção de uma vida nova. Nada é novo sem perdão.

 

  1. Diante de tantos «profissionais da ofensa e da vingança», disponhamo-nos, então, a sermos «profissionais do perdão». Não deve haver coisa que custe tanto como perdoar. Mas não há nada tão belo como o perdão. É preciso aprender a perdoar com o Mestre do Perdão. Perdoar, como notou Isaac de l' Étoile no século XII, é próprio de Deus. Só com Deus aprenderemos a perdoar.

Ao contrário do que se diz, perdoar não é esquecer. Como é possível perdoar o que não lembramos? Acresce que esquecer — ou lembrar — não depende da nossa vontade; depende da nossa memória. Perdoar o que recordamos é que depende da nossa vontade, da nossa vontade em aprender com o perdão de Deus. Aprendamos, pois, a perdoar com Deus. Ele também está sempre a perdoar-nos, como filhos Seus. Não fiquemos na «lama» que nos queiram atirar. E nunca aceitemos que o «veneno» da vingança nos possa dominar. É pelo perdão que nos será aberta a porta da salvação!

publicado por Theosfera às 05:18

Hoje, 17 de Setembro (24º Domingo do Tempo Comum), é dia de S. Roberto Belarmino, Sta. Hildegarda, Sto. Alberto de Jerusalém e Impressão das Chagas de S. Francisco.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:40

Sábado, 16 de Setembro de 2017

Hoje, 16 de Setembro, é dia de S. Cornélio e S. Cipriano.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:44

Sexta-feira, 15 de Setembro de 2017

 

Hoje, 15 de Setembro, é dia de Nossa Senhora das Dores, S. Rolando e S. Paulo Manna.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 14 de Setembro de 2017

Hoje, 14 de Setembro, é dia da Exaltação da Sta. Cruz e de S. Materno.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:07

Quarta-feira, 13 de Setembro de 2017

Hoje, 13 de Setembro, é dia de S. João Crisóstomo, Sto. Amado e Sta. Maria de Jesús López de Rivas.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 09:37

Terça-feira, 12 de Setembro de 2017

Hoje, 12 de Setembro, é dia do Santíssimo Nome de Maria, Sto. Apolinário Franco, S. Tomás de Zumárraga e seus Companheiros mártires, Sta. Maria Vitória Forláni e Sta. Maria de Jesus.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 10:43

 

  1. À hora em que menos se pensa (cf. Mt 24, 44), eis que vem a ordem para partir. 

Ninguém pensava que o senhor D. António Francisco dos Santos partisse tão cedo. Nós, em Lamego, até esperávamos que ele chegasse nesta quarta-feira.

 

  1. No passado sábado, tinha reunido uma multidão no Santuário de Fátima. 

Amanhã iria, com certeza, congregar muita gente no Santuário de Nossa Senhora dos Remédios.

 

  1. Nestas horas, é difícil evitar lugares comuns, ainda que estejamos perante um homem notavelmente incomum. 

Mas o senhor D. António era mesmo um homem bom, que gostava de estar com as pessoas, levando-lhes a contagiante bondade de Deus.

 

  1. Recordo uma quadra (de António Aleixo) que ele nos mandou comentar no primeiro teste de Filosofia que nos deu, há 37 anos.

«Eu não tenho vistas largas/Nem grande sabedoria/Mas dão-me as horas amargas/Lições de Filosofia».

 

  1. Como é amarga esta hora! E que lições nos são dadas por esta amarga hora! 

Não são só lições de Filosofia. São impagáveis lições que a vida dá à própria Filosofia. Para Montaigne, «filosofar é aprender a morrer». E, segundo Zubiri, «viver é estar perante a morte».

 

  1. Nós, muitas vezes, evitamos estar diante da morte. Mas a morte não evita estar diante de nós. E, um dia, acaba por nos levar.

Ficamos «desarmados» pelo torpor e pelo espanto. O espanto é o início de toda a aprendizagem. Foi o que ensinou Karl Jaspers num livro que o senhor D. António nos recomendou.

 

  1. O espanto paralisa-nos em horas como esta.

Apesar de a morte andar sempre próxima, nós insistimos em imaginá-la distante. Só que ela teima em vir. E começa por levar os melhores, como se a eternidade tivesse pressa em desfrutar da sua companhia.

 

  1. O senhor D. António era uma pessoa de bem em graus de excelência.  Aonde chegava, parecia que sempre lá tinha estado, tal era a empatia que gerava.

Nas mãos de Deus se entregou desde o início da sua missão. Nas mãos de Deus se entregou até ao fim da sua vida.

 

  1. Ainda esperávamos muito dele. Mas o que ele nos deixou é (mais que) suficiente para imortalizar a sua passagem pelo mundo.

O senhor D. António deixou muito de si.  O senhor D. António leva seguramente muito de nós.

 

  1. Sentimos a sua falta. Continuaremos a sentir a sua presença.

Nunca estará longe quem de todos esteve (tão) perto!

publicado por Theosfera às 10:03

Segunda-feira, 11 de Setembro de 2017

Dois dias depois de ter estado no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, Dois dias antes de estar no Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, Tu, Mãe, vieste buscar o Teu filho António Francisco.

Ouvimos o que ele de Ti disse na Cova da Iria. Preparávamo-nos para ouvir o que sobre Ti ele iria dizer, aqui, em Lamego. Mas foi nesse dia que o seu corpo desceu à terra, Quando a sua vida já tinha entrado no Céu.

À Tua beira, ele ficará a eternidade inteira. Porque é que não nos alegramos com esta passagem? Porque é que choramos com esta viagem?

Entrar na eternidade devia encher-nos de felicidade. Perdoa, Mãe, a nossa fragilidade. Mas somos humanos e gostamos de sentir a presença dos que amamos.

António Francisco era uma pessoa que amava a todos e por todos era amado. O seu coração não se cansou de amar. O seu coração «explodiu» com tanto amor.

Já não cabia na terra o seu amor. Por isso, vieste buscá-lo com tanto ardor.

Sentimos a sua falta. Mas sentiremos, ainda mais, a sua presença.

Não foi longa a sua vida, Mas é eterno o seu legado. Não deixemos que ele passe ao nosso lado.

Nestas horas, difícil é evitar lugares comuns, ainda que estejamos perante um homem notavelmente incomum. Mas D. António era mesmo um homem bom, que gostava de estar com as pessoas, levando-lhes a contagiante bondade de Deus.

Aonde chegava, parecia que sempre lá tinha estado, tal era a empatia que gerava.

A sua morte foi um belo retrato da sua bela vida. Nem a morte afastou aquele que, em vida, de todos se aproximou. Não se apagou em nós quem sempre se apegou a nós. Amando a todos durante a vida, foi por todos amado até à morte.

Nas mãos de Deus se entregou desde o início da sua missão.  Nas mãos de Deus se entregou até ao fim da sua vida.

Obrigado, Mãe, por nos teres dado uma pessoa assim. Ajuda-nos a, como ele, sermos sinais do Teu amor sem fim.

O senhor D. António deixou muito de si.  O senhor D. António leva seguramente muito de nós.

Nunca estará longe porque sempre soube ser próximo. Não lhe dizemos adeus porque o sentimos cada vez mais perto. Em Deus!

publicado por Theosfera às 15:44

Hoje, 11 de Setembro, é dia de S. Jacinto, S. Proto e S. João Gabriel Perboyre.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 10 de Setembro de 2017

Senhor Jesus, ajuda-me no meu trabalho.

Sê o meu Mestre e a minha Luz.

Eu dou o meu esforço,

dá-me a Tua inspiração.

Ajuda-me a estar atento e a ser concentrado.

 

Não Te peço para ser o melhor,

só Te peço que me ajudes a dar o meu melhor,

a trabalhar todos os dias.

 

Que eu não queira competir com ninguém

e que esteja disponível para ajudar os que mais precisam.

Que eu seja humilde, que nunca me envaideça,

que nunca me deslumbre no êxito,

nem me deixe abater na adversidade.

 

Que eu nunca desista.

Que eu acredite sempre.

Que eu aprenda a ciência e a técnica,

mas que não esqueça que o mais importante é a bondade, a solidariedade e o amor.

Que eu seja sempre uma pessoa de bem.

 

Ilumina, Senhor, o meu entendimento

e transforma o meu coração.

Dá-me um entendimento para compreender o mundo

e um coração capaz de amar os que nele vivem,

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:13

 A. Cada pessoa é bastante, mas não é o bastante

  1. Confesso que nunca gostei de ouvir chamar a alguém «deficiente». Tal (des)qualificativo pressupõe que, por contraste, haja quem seja «suficiente». Mas haverá alguém verdadeiramente «suficiente»? Haverá quem seja «suficiente» para nascer, para receber educação e saúde? Cada pessoa é bastante, mas não é o bastante. Nenhuma pessoa se basta a si mesma.

Não faltará quem se considere «auto-suficiente», isto é, quem se considere «suficiente» em si mesmo, por si mesmo. Acontece que a experiência está sempre a mostrar que todos nós somos seres incompletos e, nessa medida, carentes e insuficientes. Sozinhos, nada conseguimos. Precisamos dos outros para nascer, para crescer, para receber educação e saúde. Se não houvesse tu, haveria eu?

 

  1. Sozinhos, nem sequer nos conhecemos. O povo até diz que «ninguém é bom juiz em causa própria». E se o fundamental objectivo do conhecimento é cada um conhecer-se a si mesmo, a vida mostra que é sempre necessário que alguém no-lo recorde.

O Salmo 36 (v. 10) proclama que só na luz de Deus encontramos a luz. Só em Deus nos conhecemos verdadeiramente. É no mesmo sentido que o Concílio Vaticano II sustentou que só Jesus Cristo, Deus feito homem, revela o homem ao homem. Como observou Karl Rahner, «Cristo é a resposta total à pergunta total»: à pergunta total sobre Deus e à pergunta total sobre o homem. Por conseguinte, se queremos saber quem é Deus, a resposta é Cristo; se queremos saber quem é o homem, a resposta é Cristo. Em Cristo, sentimo-nos perto de Deus e do que Deus é para nós.

 

B. O amor faz bem até àquele que faz (o) mal

 

3. Ao contrário do que possamos presumir, nós, cidadãos (e, ainda mais, cidadãos com fé), não temos créditos, só temos débitos, só temos dívidas. O que somos devemo-lo a tantos: desde logo, a Deus; depois, aos nossos pais e, no fundo, a todos os membros da sociedade. E porque estamos em dívida, devemos ser dádiva. Saldamos a nossa dívida sendo dádiva. Saldamos a nossa dívida pela dádiva do amor. Daí a exortação de São Paulo: «Não tenhais qualquer dívida a ninguém senão a de vos amardes uns aos outros» (Rom 13, 8). Só o amor é capaz de saldar as nossas dívidas. E é por isso que, como nota o mesmo São Paulo, «quem ama o próximo cumpre a Lei» (Rom 13, 8).

Na sua sabedoria simples — e na sua simplicidade sábia —, o povo diz que «amor com amor se paga». Mas, mesmo que não haja amor para connosco, há-de haver sempre amor a partir de nós. Ou, melhor, a partir de Deus em nós. Pois quando há autenticamente amor, não somos nós que amamos; é Deus que ama através de nós. São Paulo adverte que o amor é «o pleno cumprimento da Lei» (Rom 8, 10). O amor não faz mal (cf. Rom 8, 10). O amor faz bem até àquele que faz (o) mal.

 

  1. O amor consiste em oferecer o bem. E, correspondentemente, consiste também em afastar do mal. Cada um de nós foi colocado na vida como o profeta foi colocado em Israel: como «sentinela» (Ez 33, 7). De acordo com Isaías, a função da sentinela é anunciar a chegada da manhã no meio da escuridão da noite (cf. Is 21, 11-12). Ser sentinela não é ser polícia. Não é policiar nem controlar, é acompanhar: é acompanhar a vida dos outros.

Comentando a afirmação de Ezequiel, S. Gregório Magno recorda que «a sentinela está sempre num lugar alto, a fim de perscrutar tudo o que possa vir ao longe». Este lugar alto onde, hoje, se encontra a sentinela é o Evangelho. É a partir do Evangelho que nos tornamos responsáveis por nós e corresponsáveis pelos nossos irmãos.

 

C. A maledicência é um «desporto» com muitos «praticantes»

 

5. Todos nós somos chamados a ser sentinelas e todos precisamos de alguém que seja sentinela para nós. É que, às vezes, olhamos mas não vemos; outras vezes, vemos mas não reparamos; e, outras vezes ainda, reparamos, mas parece que ignoramos. Não podemos ignorar que o mal nos tenta, que o mal nos assedia, que o mal nos assalta. Anunciar o bem implica denunciar o mal. Não pensemos que o mal dos outros não nos afecta.

O mal devemos evitar, mas de quem faz o mal não podemos fugir. Quem faz o mal continua a ser nosso irmão, um irmão em perigo, por isso mais necessitado de apoio e ainda mais carecido de auxílio. Não chega ser recto em si, é preciso ser correcto para com os outros. A correcção do mal é uma superior demonstração de amizade. Incorrecto é ver o mal e deixar que o mal alastre. Mal é ser indiferente diante do mal. A indiferença é, decididamente, o oitavo pecado capital e, seguramente, não o menos grave.

 

  1. Nunca devemos falar mal, mas, muitas vezes, somos obrigados a falar do mal. Devemos falar do mal com quem o cometeu e não falar de quem o praticou. Aqui, a forma é tão importante como o conteúdo. O Evangelho é claro: «Se teu irmão te ofender, vai repreendê-lo a sós» (Mt 18, 15). Este é o primeiro — e decisivo — passo: falar com a pessoa e não falar da pessoa.

Não só hoje, mas sobretudo hoje, há uma grande tentação para falar dos outros, para falar mal dos outros. A maledicência é um «desporto» que, infelizmente, tem muitos «praticantes». Não temos em conta que grave não é só roubar coisas. Grave é também roubar o bom-nome, a boa fama, a boa reputação.

 

D. Se não pudermos dizer bem, não digamos nada

 

7. É sumamente perturbador o clima de intriga que prospera no mundo e que nem a Igreja deixa de fora. Sim, a Igreja que Paulo VI queria «perita em humanidade», também se deixa arrastar por fortes vendavais de desumanidade.

Quando não pudermos dizer bem de alguém, o melhor é não dizer nada. Só que, por absurdo que pareça, as pessoas parecem consumir mais a má notícia do que a boa notícia. A boa notícia não vende, só a má notícia rende.

 

  1. São muitos os que dizem ser frontais, mas o que são é maledicentes. Passam a vida — e gastam o tempo — a exibir hipotéticos feitos seus e supostos defeitos dos outros. Para nosso pesar, há quem só se sinta bem a dizer mal. Será assim que conseguiremos vencer o mal e combater a maldade?

Façamos, então, uma limpeza dos nossos lábios, dos nossos ouvidos, das nossas leituras, das nossas conversas, das nossas redes sociais. Procuremos estar mais com os outros em vez de falar mal dos outros. Troquemos a maledicência pela beneficência. Fazer bem sempre, falar mal nunca. Não enterremos as pessoas no mal. Falemos do mal com as pessoas, mas nunca falemos mal das pessoas.

 

E. O que não conseguirmos por nós, Deus o conseguirá em nós

 

9. Se não conseguirmos fazer a correcção fraterna em privado, peçamos — como preceitua o Evangelho (cf. Mt 18, 16) — a ajuda de mais alguém, mas sempre discretamente, sempre com recato.

Se nem assim for possível, confiemos o caso à Igreja, que deve ser sempre a casa da verdade e a morada do amor.

 

  1. E, sobretudo em Igreja, dediquemo-nos à oração. «Se dois de vós, sobre a terra, juntarem as suas vozes para pedirem seja o que for, hão-de obtê-lo de Meu Pai que está nos Céus. Pois onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, Eu aí estarei no meio deles» (Mt 18, 19-20).

Façamos oração em comunidade e procuremos superar os problemas em comunidade. O que não conseguirmos por nós, Deus o conseguirá em nós, connosco. Deus é o nosso maior aliado na luta contra o mal. Com Ele, o mal não nos vencerá. Com Ele, o mal será vencido por nós!

publicado por Theosfera às 05:32

Hoje, 10 de Setembro (23º Domingo do Tempo Comum), é dia de S. Nicolau de Tolentino, S. Francisco Gárate e Sta. Pulquéria.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 09 de Setembro de 2017

Hoje, 09 de Setembro, é dia de S. Pedro Claver, S. Tiago Laval e Sta. Serafina.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:44

Sexta-feira, 08 de Setembro de 2017

A fé consegue prodígios.

Terminadas as celebrações em honra de Nossa Senhora dos Remédios, fica uma saudade muito grande.

Essa saudade emerge estampada em tantos rostos lacrimejantes.

Todo este itinerário, que começou com a Novena e que culminou com a Eucaristia e Procissão, é mais impressivo que cansativo.

Apesar do cansaço, avulta a vontade de mais.

Mas a Mãe não Se despediu de nós. E

la continua à nossa espera para nos dar o Seu Filho!

publicado por Theosfera às 23:09

Hoje, 08 de Setembro, é dia do Natal de Nossa Senhora (em Lamego, Nossa Senhora dos Remédios) e S. Frederico Ozanam.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 07 de Setembro de 2017
  1. A Procissão de Nossa Senhora dos Remédios não é a única com bois.

Mas talvez seja uma das poucas a ter autorização para incluir bois.

 

  1. Desde que começou, nunca os bois dispensou.

Sabemos que estiveram na primeira Procissão (em 1894) por causa de um desentendimento com o decorador dos carros e «dos arreios dos bois». Este queria receber 20 mil réis. Mas a Irmandade só lhe entregou metade.

 

  1. Foi em 1925 que a presença dos bois esteve em perigo.
  2. Agostinho de Jesus e Sousa, cumprindo orientações dimanadas da Santa Sé, emitiu um decreto em que proibia «os bois nas procissões».

 

  1. A Irmandade ficou apreensiva e toda a cidade terá entrado em alvoroço.

É neste entretanto que emerge a figura do Dr. Alfredo de Sousa. É a sua sugestão que vai «salvar» a Procissão.

 

  1. Entre uma estrita obediência à lei e uma indesejável violação da lei, alvitra uma terceira via.

Porque não investir na alteração da lei ou, pelo menos, numa excepção à lei?

 

  1. Ao Bispo de Lamego faz chegar a seguinte proposta: «Apesar de os católicos deverem respeitar as leis da Igreja, esta também pode modificar as suas leis por meio de uma portaria».

«Peça-se à Santa Sé esse rescrito, alegando costume antiquíssimo e dificuldade de transporte por causa de os andores serem muito pesados».

 

  1. É claro que a invocação de um «costume antiquíssimo» constitui uma hiperbolização da linguagem para tornar o argumento mais convincente.

Em 1925, a Procissão contava 31 anos (começou, de forma regular, em 1894) e 28 edições (não saiu em 1899, 1909 e 1912).

 

  1. O pedido seguiu para Roma em nome da Irmandade: não através do Juiz que estava em funções, Joaquim Rodrigues dos Santos, mas pela mão do Juiz eleito, Padre Avelino Monteiro.

O destinatário era o Papa Pio XI e o texto era acompanhado de uma carta de recomendação de D. Agostinho de Jesus e Sousa.

 

  1. No dia 27 de Abril de 1925, foi remetida a esperada resposta.

Era assinada pelo Prefeito (Cardeal Antonio Vico) e pelo Secretário (D. Alexandre Verde) da Sagrada Congregação dos Ritos.

 

  1. Atendendo às circunstâncias particulares expostas na petição, a Santa Sé acedeu às preces lamecenses.

E os bois, com todo o esmero e dedicação, continuaram a integrar a Procissão!

publicado por Theosfera às 12:07

  1. Quando Nossa Senhora a Fátima desceu, os Seus preciosos Remédios nos ofereceu. Não esqueçamos, pois, a oração, a penitência e a conversão. São elas as «vias» que nos levam à salvação. Com os Seus Remédios, Maria em Fátima nos veio alertar. Mas não foi só em Fátima que quis ficar. Para todos, Nossa Senhora é luz e aconchego. O eco da Sua voz também chegou a Lamego.

Ao longo destes cem anos, a nossa terra muito tem vibrado. Entre Lamego e Fátima, há passos que jamais têm parado. Como a Senhora é só uma — a Mãe de Deus e mais nenhuma —, sentimos que Nossa Senhora dos Remédios também está em Fátima e que Nossa Senhora de Fátima também está em Lamego.

 

  1. Em Fátima e em Lamego, sentimos o eco do que a Mãe nos diz. A Sua Mensagem é a que Deus para nós quis. Neste Santuário, concluímos mais um itinerário. Esta Novena, vivida com tanto fervor, atesta como pela Mãe é grande o nosso amor. Não podemos apagar a partir de agora a luz que nos iluminou até agora. Cem anos mais tarde, a mensagem de Fátima continua a ser uma chama que em nós arde. Fátima terá sempre actualidade porque ao Evangelho guarda perene fidelidade.

Foi por isso que o dia 13 de Maio deste ano também ficou para a história. Ao Céu chegaram cânticos de glória. Foi bela a festa naquele Santuário. Todo o povo vibrou com o centenário. Era grande o cansaço. Mas ninguém arredou pé daquele espaço.

 

  1. Dois novos santos nos foram dados para que os nossos caminhos sejam (ainda) mais abençoados. São Francisco e Santa Jacinta foram dois meninos que coloriram a nossa vida com tons divinos. Da Mãe de Deus foram interlocutores. Agora, tornaram-se nossos protectores.

Fátima continua a fazer descer o Céu à Terra, que muito sofre com a injustiça e a guerra. Fátima continua a ser altar de paz, daquela paz que só Jesus traz. Fátima é manto de luz, que nos ilumina com a presença de Jesus. Na alegria ou na aflição, ao encontro da Mãe vamos em peregrinação. A alma do nosso país é junto da Mãe que se sente feliz. Mas não somos só nós. Todo o mundo em Fátima faz ouvir a sua voz.

 

  1. Em Maio e em Setembro, em Fátima ou em Lamego, há que repetir sem medo: «Temos Mãe! Temos Mãe! Temos Mãe!» Foi o Santo Padre quem o disse. Ainda haverá alguém que não o ouvisse? «Temos Mãe!» Eis o que, aparentemente, todos sabemos. Mas eis o que também, pelos vistos, esquecemos.

Às vezes, parece que só temos Mãe para pedir. É verdade que «temos Mãe» para pedir. Mas também «temos Mãe» para nos conduzir. «Temos Mãe» à nossa beira, ao longo da vida inteira. «Temos Mãe» que nos segura enquanto a nossa vida dura. E, quando o nosso fim chegar, «temos Mãe» para, na porta do Céu, nos esperar. «Temos Mãe» quando d’Ela nos lembramos. E «temos Mãe» quando do Seu Filho nos afastamos.

 

  1. Não podemos deixar Fátima em Fátima. Não podemos deixar Fátima ao sair de Fátima. Aquela que a Fátima veio também está aqui, no nosso meio. Assim sendo, a «hora de Fátima» não se esgota em Fátima. A «hora de Fátima» também ressoa em Lamego. Em toda a parte — e em cada tempo —, a «hora de Fátima» tem de ser a «hora de Maria», a «hora de Cristo», a «hora de Deus». Como notou São João Paulo II, a Igreja, ao aceitar Fátima, reconheceu que a sua mensagem «contém uma verdade e umchamamentoque, no seu conteúdo fundamental, são a verdade e o chamamento do próprio Evangelho».

Tal como o Evangelho nos traz o apelo de Jesus à mudança (cf. Mc 1, 15), também Fátima nos faz chegar o chamamento de Maria à conversão. A missão de Maria não consiste em completar Jesus, mas em atrair para Jesus. Fátima não é um acrescento do Evangelho. A sua função — como adverte o Catecismo — é «ajudar a vivê-lo mais plenamente». O Evangelho não carece de complemento, mas de cumprimento. O concreto de Fátima faz ressoar o perene do Evangelho.

 

  1. São várias as propostas concretas que nos chegam de Fátima. 1) Fazer peregrinação e não apenas turismo: Nossa Senhora pediu aos pastorinhos que, em cada dia 13 (de Maio a Outubro), fizessem peregrinação ao encontro do Seu Coração. 2) Entrega da vida a Deus: logo em Maio, Nossa Senhora propõe aos pastorinhos que ofereçam a sua vida a Deus, suportando todos os sofrimentos e adversidades. 3) Acabar com as ofensas a Deus: é o pedido que ressoa na última aparição: «Não ofendam mais a Nosso Senhor que já está muito ofendido!» 4) Penitência e Sacrifício: Nossa Senhora, por várias vezes, pede sacrifícios pela conversão dos pecadores.

5) Oração, especialmente a recitação do Terço: Nossa Senhora, em Agosto, pede aos pastorinhos que rezem, que rezem muito; e o único pedido que repete em todas as aparições é a recitação do Terço, do Terço diário pela paz. 6) Devoção ao Imaculado Coração: em Junho, Nossa Senhora afirma que Jesus quer estabelecer no mundo a devoção ao Seu Imaculado Coração. 7) Comunhão reparadora nos cinco Primeiros Sábados: em Julho, Nossa Senhora anuncia que virá pedir a comunhão reparadora nos primeiros sábados; oito anos depois, em 1925, concretiza esse pedido.

 

  1. A resposta a estas propostas não é para ser dada só em Fátima. Também pode — deve — ser dada em Lamego, em qualquer momento da nossa vida. É por isso que Fátima não pode acontecer só quando se chega nem somente quando se está. Fátima também tem de acontecer quando se parte. É natural que nos «vistamos» com a nossa vida para chegar a Fátima. Mas é vital que nos «revistamos» de Fátima para retomar a nossa vida.

Fátima não pode ser apenas uma experiência diferente no meio de uma vida indiferente. Há que acolher a chama da transformação que Fátima vem acender nesta nossa (humana) peregrinação. A Fátima não é admissível ir só em passeio. Foi para nos converter que a Mãe à nossa terra veio. Os «cristãos de Fátima» terão de ser sempre «cristãos do Evangelho», «cristãos do Domingo», enfim, «cristãos da vida».

 

  1. Nós também não vamos ser apenas «cristãos de Setembro» nem somente «cristãos da Novena». A Novena, que está a chegar ao final, não nos conduzirá a um qualquer terminal. A Novena, mais que um acontecimento, é um itinerário que nos liga para sempre ao Santuário. Aqui a Mãe nos espera. Daqui a Mãe nos acompanha. A Mãe espera-nos, em romaria, para connosco rezar o Terço e participar na Eucaristia.

A Eucaristia é obrigatória uma vez por semana. Mas não será necessária todos os dias? Será que nós devemos limitar-nos ao mínimo obrigatório? A Eucaristia é uma constante. A Eucaristia é para sempre. É a Eucaristia que faz a Igreja. Só na Eucaristia cresceremos em Igreja. É na Igreja que encontramos realmente Jesus. É na Eucaristia que reencontramos maximamente a Mãe de Jesus. A Procissão, que é bela, só se torna belamente deslumbrante quando está ligada ao mais importante. Não sendo vivida em ligação com a Eucaristia, a Procissão não passará de um desfile sem consistência e harmonia.

 

  1. Nós, que tanto amamos Maria, não Lhe neguemos a maior alegria. Sigamos sempre os passos de Jesus. É para Ele que Ela nos conduz. «Temos Mãe», a Mãe de Cristo. Haverá coisa mais bela do que isto? «Temos Mãe», nunca o esqueçamos. E que os passos de Seu Filho sempre sigamos. O que deixa esta Mãe feliz é que façamos o que Jesus diz. Ouçamos, então, a nossa Mãe. Ela, que tudo guardava dentro de Si, continua connosco, hoje e aqui.

«Temos Mãe», nunca A deixemos. Com a nossa Mãe, muito mais felizes seremos!

publicado por Theosfera às 08:00

Hoje, 07 de Setembro (9º Dia da Nossa Senhora dos Remédios), é dia de S. Vicente de Santo António e S. Clodoaldo.

Um santo e abençoado dia para todos.

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 06 de Setembro de 2017

Que seria Lamego sem Nossa Senhora dos Remédios?

Continuaria a ser, sem dúvida, uma cidade bela.

Mas não seria tão bela.

Por que não seria inteiramente ela.

Toda a urbe parece um palco que recebe o brilho que sopra lá do alto!

Escadório novo.jpg

 

publicado por Theosfera às 13:49

  1. A Procissão do dia 8 começou por ser no dia 7 e era para ter sido no dia 6.

Foi em menos de um mês que tudo ficou delineado e resolvido.

 

  1. A 15 de Agosto de 1894, a Mesa da Irmandade reuniu-se, sob a presidência do Coronel Joaquim José da Costa Júnior.

Foi então que se deliberou realizar, «no dia 6 de Setembro, uma “procissão de triunfo”, conduzindo a imagem da Virgem dos Remédios do Convento das Chagas».

 

  1. Só há notícia de sete procissões antes desta. A última fora em 1885, igualmente no dia 6 de Setembro. Partiu da Sé para o Santuário.

Nove anos depois, a «procissão de triunfo» iria entrar, definitivamente, no programa da Festa de Nossa Senhora dos Remédios.

 

  1. Acontece que o tempo era escasso para a preparação.

Como se isto não bastasse, a 28 de Agosto, surge um imprevisto, determinado «por circunstâncias superiores à vontade da Mesa». A data da Procissão passou «para o dia 7, véspera de Nossa Senhora».

 

  1. No dia 29 de Agosto, várias figuras foram convidadas. Foi o caso do Presidente da Câmara, dos Vereadores e dos Bombeiros Municipais.

Às forças militares foi pedido que formassem uma guarda de honra com 30 praças. As irmandades, as associações e o Asilo da Infância Desvalida também receberam convite.

 

  1. A organização coube ao Cónego João José Teixeira Fafe.

Além do «carro triunfal» de Nossa Senhora dos Remédios, desfilou um carro com a Sagrada Família.

 

  1. A Procissão percorreu as principais artérias da cidade, a caminho do Santuário.

Só a partir de 1897 é que começou a parar na Igreja de Santa Cruz, seguindo para o Santuário no Domingo a seguir ao dia 8.

 

  1. Os andores foram, desde o início, puxados por juntas de bois.

Em 1895, a Procissão passou para o dia 8 de Setembro.

 

  1. Em 1904, chegou uma nova imagem, executada na Casa Fânzeres, de Braga. Foi oferecida pelo industrial lamecense Maximiano da Costa Cardoso, a residir no Porto.

Só por três vezes não se fez a «procissão de triunfo»: em 1899 (devido à peste bubónica), em 1909 (na sequência de fortes chuvadas) e em 1912 (por decisão da Irmandade).

 

  1. Não é possível conhecer Lamego sem visitar o Santuário da Senhora.

E é inteiramente impossível cartografar a fé das gentes de Lamego sem acompanhar a Procissão da Senhora do Santuário!

publicado por Theosfera às 10:05

Hoje, 06 de Setembro (8º Dia da Novena de Nossa Senhora dos Remédios), é dia de Sto. Eleutério e S. Magno.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 05 de Setembro de 2017
  1. A Procissão de Nossa Senhora dos Remédios não é a única com bois.

Mas talvez seja uma das poucas a ter autorização para incluir bois.

 

  1. Desde que começou, nunca os bois dispensou.

Sabemos que estiveram na primeira Procissão (em 1894) por causa de um desentendimento com o decorador dos carros e «dos arreios dos bois». Este queria receber 20 mil réis. Mas a Irmandade só lhe entregou metade.

 

  1. Foi em 1925 que a presença dos bois esteve em perigo.
  2. Agostinho de Jesus e Sousa, cumprindo orientações dimanadas da Santa Sé, emitiu um decreto em que proibia «os bois nas procissões».

 

  1. A Irmandade ficou apreensiva e toda a cidade terá entrado em alvoroço.

É neste entretanto que emerge a figura do Dr. Alfredo de Sousa. É a sua sugestão que vai «salvar» a Procissão.

 

  1. Entre uma estrita obediência à lei e uma indesejável violação da lei, alvitra uma terceira via.

Porque não investir na alteração da lei ou, pelo menos, numa excepção à lei?

 

  1. Ao Bispo de Lamego faz chegar a seguinte proposta: «Apesar de os católicos deverem respeitar as leis da Igreja, esta também pode modificar as suas leis por meio de uma portaria».

«Peça-se à Santa Sé esse rescrito, alegando costume antiquíssimo e dificuldade de transporte por causa de os andores serem muito pesados».

 

  1. É claro que a invocação de um «costume antiquíssimo» constitui uma hiperbolização da linguagem para tornar o argumento mais convincente.

Em 1925, a Procissão contava 31 anos (começou, de forma regular, em 1894) e 28 edições (não saiu em 1899, 1909 e 1912).

 

  1. O pedido seguiu para Roma em nome da Irmandade: não através do Juiz que estava em funções, Joaquim Rodrigues dos Santos, mas pela mão do Juiz eleito, Padre Avelino Monteiro.

O destinatário era o Papa Pio XI e o texto era acompanhado de uma carta de recomendação de D. Agostinho de Jesus e Sousa.

 

  1. No dia 27 de Abril de 1925, foi remetida a esperada resposta.

Era assinada pelo Prefeito (Cardeal Antonio Vico) e pelo Secretário (D. Alexandre Verde) da Sagrada Congregação dos Ritos.

 

  1. Atendendo às circunstâncias particulares expostas na petição, a Santa Sé acedeu às preces lamecenses.

E os bois, com todo o esmero e dedicação, continuaram a integrar a Procissão!

publicado por Theosfera às 11:23

  1. Parece uma redundância, mas é uma das verdades mais importantes: tudo começa no princípio.


  1. O dia mais importante para estudar não é a véspera do teste, o dia mais importante é cada dia.


  1. O estudo deve começar logo no primeiro dia. Mesmo que o teste ainda esteja longe, o trabalho tem de estar perto.


  1. Nem sempre é possível estudar o que se gosta nem gostar do que se estuda, mas é sempre possível estudar, goste-se ou não.


  1. É necessário estudar muito as matérias de que se gosta e, ainda mais, as matérias de que não se gosta.


  1. O segredo do êxito é a persistência e a repetição; se não se perceber à primeira vez, insiste-se pela segunda vez; se não perceber à décima vez, insiste-se pela décima primeira vez; quanto mais cedo se começar a estudar, tanto mais — e melhor — se pode repetir e compreender.


  1. No estudo, a atenção é decisiva e a calma é preciosa.


  1. O êxito no estudo começa na atenção na sala de aula e culmina com a serenidade no teste.


  1. Para obter calma, pensar mais no trabalho do que no resultado e ter presente que quem trabalhou mais está mais perto de alcançar melhores resultados.


  1. Antes do estudo e dos testes, fechar um pouco os olhos e pedir a Deus inspiração e serenidade; Deus não falta a quem trabalha e a quem confia!
publicado por Theosfera às 11:21

  1. Quando Nossa Senhora a Fátima voltou, desanimados os pastorinhos encontrou. Não tinha sido fácil o último mês. O descrédito geral abateu-se sobre eles. Sobretudo a mãe de Lúcia sentia a honra da família afectada. Por todos os meios tentou que a filha dissesse que nada tinha acontecido. As pressões foram constantes, mas nem a intervenção do pároco fez vacilar a criança. Foi ameaçada de, num quarto, ficar fechada. Até a agressão aconteceu. A mãe, com um cabo de vassoura, em Lúcia bateu.

Não admira, portanto, o pedido que, a 13 de Junho (uma quarta-feira), a pastorinha fez. Se, antes, tinha perguntado à Senhora se iria para o Céu, desta vez pede-Lhe que a leve para o Céu. Como São João de Brito no século XVII, também os pastorinhos «queriam mais o Céu do que a Terra».

 

  1. Em resposta, a Senhora diz que ao Francisco e à Jacinta os levaria «em breve». A Lúcia iria ficar «cá mais algum tempo». Efectivamente, Francisco foi para o Céu (com 10 anos) a 04 de Abril de 1919 e Jacinta (com 09 anos) partiu a 20 de Fevereiro de 1920. Lúcia ficou por cá mais 88 anos, tendo falecido a 13 de Fevereiro de 2005. Ir para o Céu era a sua vontade. Mas Deus tinha outros planos e o que conta são os planos de Deus, não os nossos. Para Lúcia, ainda não era a hora de ir para o Céu. Era a hora de preparar — e ajudar o mundo a preparar — o caminho para o Céu.

Iria ficar incumbida de uma missão muito concreta: «fazer conhecer e amar» a Mãe de Deus, através da devoção ao Seu Imaculado Coração. A Mãe de Deus não iriam abandonar Lúcia. «Eu nunca te deixarei», diz Maria. «Eu nunca te deixarei», diz-nos Maria. Ela nunca nos deixa. Ela é o «nosso refúgio» e, em Cristo, o caminho que «nos conduz até Deus».

 

  1. Dito isto, a Senhora abre as mãos, projectando uma luz imensa. Nessa luz, os pastorinhos sentiam-se submersos na luz que é Deus (cf. Sal 36, 10). Como que antecipando o destino de cada um deles, a Jacinta e o Francisco pareciam estar na parte da luz que se elevava para o Céu e Lúcia na que se derramava sobre a Terra. À frente da palma da mão direita de Nossa Senhora, estava um coração cercado de espinhos que parecia estarem cravados. Era o Imaculado Coração de Maria, «ultrajado pelos pecados da humanidade».

Depois de ponderar não voltar mais à Cova da Iria, por pressão do próprio pároco, Lúcia, acompanhada pelos primos Francisco e Jacinta, volta ao encontro da Senhora a 13 de Julho, uma sexta-feira. Milhares de pessoas estavam na sua companhia. Eis um novo apelo ao sacrifício: «Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes e, em especial, quando fizerdes alguns sacrifícios: "Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria"».

 

  1. Esta é a «aparição do segredo» ou das «verdades inconvenientes», mas que não deixam de ser importantes. Desta vez, ao abrir as mãos, a Senhora mostra um «grande mar de fogo», inundado de figuras e gritos. Com «bondade e tristeza», Nossa Senhora descreve o sentido da visão e do segredo: 1) o «mar de fogo» é imagem do inferno; 2) para dele nos salvar, Deus anuncia o estabelecimento da devoção ao Imaculado Coração; e 3) a visão dos sofrimentos do «Bispo vestido de branco», que os pastorinhos identificaram como sendo o Santo Padre.

As primeiras duas partes do segredo são conhecidas desde 1941. A terceira parte foi revelada, como ainda nos lembramos, no ano 2000. Entretanto, para cada mistério do Terço, Nossa Senhora propõe esta súplica: «Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as alminhas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem».

 

  1. Em Agosto, não houve aparições no dia 13 porque os três pastorinhos foram detidos pelo Administrador de Ourém, Artur de Oliveira Santos, latoeiro de profissão. Foram mantidos, por três dias, debaixo de apertada vigilância. O Administrador, com chantagens, enganos e ameaças (como a de matar as crianças numa caldeira de azeite a ferver), queria arrancar os segredos a eles confiados. Durante a detenção, os pastorinhos começaram a rezar o Terço. Vários detidos os acompanharam, incluindo um homem que tinha o chapéu na cabeça. Quando em tal reparou, Francisco foi ter com ele e retirou-lhe o chapéu. Infelizmente, hoje em dia, até na Casa de Deus, há quem entre com o chapéu na cabeça. Não é por mal. Mas será bem?

Foi por tudo isto que os videntes não puderam comparecer na Cova da Iria, no dia 13 de Agosto. Mesmo assim, alguns dos 18.000 presentes testemunharam a ocorrência de um trovão e o surgimento da pequena nuvem, leve e branca, a pairar sobre a azinheira.

 

  1. Recuperada a liberdade, os pastorinhos voltaram à sua actividade. A 19 de Agosto, um Domingo, estavam nos Valinhos. Lúcia e Francisco sentiram uma atmosfera sobrenatural a envolvê-los. Acontece que Jacinta não se encontrava com eles. Pediram, então, ao seu irmão João que, a troco de dois vinténs, fosse chamá-la. Lúcia e Francisco viram o reflexo da luz como um relâmpago. Mal Jacinta chegou, Nossa Senhora apareceu sobre uma azinheira parecida com a da Cova da Iria.

Ela queria que viessem no próximo dia 13 e que rezassem o Terço todos os dias. Pediu que, com o dinheiro que tinham conseguido, comprassem dois andores. O que sobrasse seria para ajudar na construção de uma capela. No fim, nova insistência na oração: «Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores».

 

  1. Em Setembro, o ambiente era de muita agitação. Calcula-se que cerca de 30.000 pessoas estariam naquele dia 13, uma quinta-feira, na Cova da Iria. Eram muitos os pedidos de cura que faziam aos pastorinhos. Nossa Senhora insistiu na recitação diária do Terço e recomenda que as crianças tragam o cilício só durante o dia. Até então, dormiam com ele. Lúcia oferece duas cartas e um vidro com água-de-cheiro. Nossa Senhora declina a oferta: «Isso não é conveniente, lá para o Céu».

Por ocasião desta visita de Nossa Senhora, como das outras vezes, ocorreram diversos fenómenos. Observaram, perto do sol, um globo luminoso, que começou a descer em direcção ao poente e que voltou a subir de novo em direcção ao sol. Acresce que a atmosfera tomou uma cor amarelada, verificando-se uma diminuição da luz solar, ao ponto de se ver a lua e as estrelas. Do céu choviam como que pétalas de rosas ou flocos de neve, que se desfaziam um pouco acima das cabeças dos peregrinos.

 

  1. O Outono já tinha começado e aquele início de Outubro estava a ser chuvoso e frio. Mesmo assim, no dia 13, um sábado, cerca de 70.000 pessoas estavam firmes no lamaçal da Cova da Iria. Logo que chegaram os videntes, Lúcia pediu que fechassem os guarda-chuvas para rezarem o Terço. Pouco depois, houve um reflexo de luz e Nossa Senhora apareceu. Depois de insistir na construção da capela, apresenta-Se como Nossa Senhora do Rosário. No final, os pastorinhos vêem-n’A como Nossa Senhora das Dores e Nossa Senhora do Carmo. Segue-se um pedido muito concreto: «Não ofendam mais a Nosso Senhor que já está muito ofendido».  

Quando Nossa Senhora começou a elevar-Se, as nuvens entreabriram-se, dando lugar ao sol. Ao lado do sol, surgem três quadros que simbolizam os mistérios gozosos, dolorosos e gloriosos. O primeiro mostra Nossa Senhora (com veste branca e manto azul) e São José com o Menino, que pareciam abençoar o mundo. O segundo quadro apresenta Nosso Senhor e Nossa Senhora sob a forma de Nossa Senhora das Dores. O terceiro quadro permitia ver Nossa Senhora como Nossa Senhora do Carmo, Rainha dos Céu e da Terra.

 

  1. Foi então que a multidão viu o sol a «dançar». Depois, parou. A seguir, voltou a girar sobre si mesmo. Finalmente, os bordos tornaram-se escarlates e espalharam chamas pelo firmamento. Uma luz estranha projectou-se sobre a Terra. Tinha tons vermelhos, verdes, azuis, alaranjados e violetas. Por três vezes, este globo de fogo parecia precipitar-se sobre a multidão.

Um grito de terror se ouviu. Muitos actos de contrição foram proferidos. Dez minutos depois, o sol voltou à «aparência» normal. Era o sol de todos os dias. A conclusão era unânime: «As crianças tinham razão. Bendito seja Deus. Bendita seja Nossa Senhora!»

 

  1. Mas se, a 13 de Outubro, foi o «Seu adeus», a Virgem Maria, que «voltou para o Céu», não deixou de continuar a enviar as Suas maternais mensagens. A 10 de Dezembro de 1925, em Pontevedra, aparece a Lúcia com o Menino. Este pede à vidente que repare no Coração de Maria «coberto de espinhos». Depois, é Nossa Senhora que solicita a devoção dos Cinco Primeiros Sábados, através da Confissão, Comunhão, recitação do Terço e meditação durante 15 minutos.

A 15 de Fevereiro de 1926, também em Pontevedra, o Menino insiste com Lúcia para que divulgue os Cinco Primeiros Sábados. Finalmente, a 13 de Junho de 1929, em Tuy, Lúcia é visitada pela Santíssima Trindade e Nossa Senhora. A Mãe de Deus, sob o braço esquerdo, trazia uma inscrição: «Graça e Misericórdia». Pede que faça chegar ao Papa o Seu desejo de que proceda à consagração da Rússia ao Seu Imaculado Coração». São estes os Remédios que, em Fátima (e a partir de Fátima), Maria traz para nossa salvação. Fazendo o que Ela diz, a nossa vida será feliz!

 

publicado por Theosfera às 08:00

Hoje, 05 de Setembro (7º Dia da Novena de Nossa Senhora dos Remédios), é dia de Sta. Teresa de Calcutá, S. Bertino e S. Vitorino.

Um santo e abençoado dia para todos.

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 04 de Setembro de 2017

Devemos dar. E devemos, acima de tudo, dar-mo-nos.

Mas há coisas que é melhor ficarem em nós: os nossos aborrecimentos, por exemplo.

Para Georges Simenon, «é necessário que nunca nos aborreçamos; caso contrário, aborrecemos os outros».

De facto, diz a experiência que quem se aborrece, aborrece.

Mas como é praticamente impossível que nunca nos aborreçamos, o mais recomendável é que guardemos os nossos aborrecimentos.

Não tenhamos ilusões. Não conseguimos gerar simpatias (nem comiserações) com os nossos aborrecimentos.

Regra geral, quem partilha aborrecimentos acaba por aborrecer.

Não mostremos o que não somos. Mas evitemos partilhar tudo o que sentimos.

Deixemos na intimidade o que é íntimo!

publicado por Theosfera às 09:48

Entre o ser e o fazer, haverá sempre uma interacção simbiótica e um compromisso vital.

No que somos revelamos o que fazemos, no que fazemos mostramos o que somos.

É por isso que falamos mais com a vida do que com os lábios.

Eduardo Galeano percebeu que «somos o que fazemos». Mas acrescentou que «somos principalmente o que fazemos para mudar o que somos».

Insatisfeitos por natureza e por vontade, a mudança nas nossas atitudes tipifica as mudanças no nosso ser.

Que essas mudanças possam ser para melhor. A mudança tem de desaguar sempre na conversão!

publicado por Theosfera às 09:39

1. Com os Seus Remédios (oração, penitência e conversão), Maria, há cem anos, entrou directamente no nosso coração. Ela veio do Céu à Terra para sacudir um mundo que estava em guerra. Começou por dizer que do Céu era e deu a entender que no Céu está à nossa espera. Por seis — ou, como veremos, sete — vezes apareceu e uma importante mensagem nos deu.

Deixou-nos recomendações e fez alguns pedidos, olhando-nos como Seus filhos queridos. Tudo o que em Fátima aconteceu tem uma moldura quase poética, mas a linguagem é precisa, concreta e profética. Maria disse claramente o que é necessário deixar e apontou o caminho que devemos trilhar. É imperioso vencer o pecado e é urgente viver o Evangelho a toda a hora, em todo o lado.

 

  1. Tudo começou a 13 de Maio, um Domingo, após a Eucaristia. Os pastorinhos tinham participado na Santa Missa. Os pais de Jacinta e Francisco tinham ido à Batalha. Os filhos foram ao encontro da prima Lúcia. Em conjunto, foram para os pastos que o pai desta última possuía na Cova da Iria. Enquanto as ovelhas pastavam, as crianças entretinham-se em pequenos — e pueris — trabalhos.

Eis quando, de forma totalmente inopinada (pois o céu brilhava de azul), surge um raio de luz, à maneira de um relâmpago. Imediatamente, os pastorinhos deixaram o que estavam a fazer e correram na direcção do clarão. Ao chegar, um segundo clarão reluziu. Nessa altura, afastaram-se cerca de cem metros. Foi então que viram, na copa de uma azinheira, uma esfera de luz. Ao centro, estava uma Senhora «vestida de branco».

 

  1. Qual era o Seu aspecto? Segundo palavras de Lúcia, era uma Senhora «mais brilhante que o sol, espargindo luz mais clara e intensa que um copo de cristal […], atravessado pelos raios do sol mais ardente».O Seu rosto era de uma de uma indescritível beleza, «nem triste, nem alegre, mas sério». Como descrever mais concretamente as Suas feições: a cor dos olhos e do cabelo? Lúcia nunca soube responder porque era impossível fixar o olhar naquele rosto. A luz que de tal rosto vinha cegava de tanto brilhar!

O vestido era de cor branca. Fechado no pescoço, tinha mangas estreitas e descia até aos pés, os quais, envolvidos por uma nuvem, quase não eram vistos, tanto mais que roçavam a ramagem da azinheira. Um manto cobria a cabeça. A cor também era branca. Dourado nas margens, o manto parecia ter o mesmo comprimento que o vestido, envolvendo-lhe quase todo o corpo.

 

  1. A posição das mãos de Nossa Senhora merece igualmente ser reflectida e imitada. Nossa Senhora não traz as mãos abertas. Abrir as mãos na oração é uma atitude especificamente sacerdotal. Nossa Senhora, em atitude de oração, aparece com as mãos juntas, apoiadas na zona do coração.

Da mão direita pendia um Terço de contas brilhantes como pérolas, que terminava com uma pequena cruz de luz prateada. O único adereço era um colar de «ouro-luz», pendente sobre o peito, e rematado, quase à cintura, por uma pequena esfera do mesmo metal.

 

  1. Meio fascinadas e meio assustadas, as crianças viram-se dentro do círculo luminoso que acompanhava tão deslumbrante aparição. Mas foram logo tranquilizadas pelas palavras que ouviram: «Não tenhais medo». Curiosamente, estas primeiras palavras de Maria foram exactamente as mesmas que, 59 anos mais tarde, foram usadas por um grande devoto de Maria. Em 1978, São João Paulo II inaugurava o seu pontificado com este mesmo convite: «Não tenhais medo».

O receio passou e o diálogo começou. Lúcia era a única que ouvia, via e falava. Jacinta ouvia e via. E Francisco apenas ouvia. Curiosamente, Lúcia não perguntou à Senhora «quem era», mas «donde era» e «que lhe queria». A resposta não se fez esperar. Aquela Senhora vinha do Céu e queria que as crianças fossem àquele lugar — e àquela hora — durante seis meses seguidos.

 

  1. Anunciou que haveria de vir uma sétima vez. Foi a 15 de Junho de 1921, quando Lúcia hesitava acerca da proposta do Bispo de Leiria no sentido de ir para uma casa das Doroteias, no Porto. Nossa Senhora disse-lhe: «Aqui estou pela sétima vez; vai, segue o caminho por onde o senhor Bispo te quiser levar, essa é a vontade de Deus». E Lúcia foi, mudando de nome. Passou a chamar-se, durante alguns anos, Maria das Dores.

Voltando a Maio de 1917, ficaram logo bem vincados os grandes Remédios de Nossa Senhora em Fátima: conversão, penitência e oração. Ou, precisando um pouco melhor, a conversão através da penitência e oração. A Senhora pergunta aos pastorinhos se queriam «oferecer-se a Deus para suportar todos os sofrimentos». Perante a resposta afirmativa, assegurou que «iriam ter muito que sofrer». No entanto, a graça de Deus iria ser sempre o seu conforto. Como já notara Santo Agostinho, é nas adversidades do mundo que mais encontramos as «consolações de Deus».

 

  1. Quem foge dos problemas humanos não estará também a fugir das consolações divinas? Custa sofrer, mas haverá amor longe da dor? Para Santa Teresa de Calcutá, «amar é dar até doer». Sacrifício é «ofício sagrado». Haverá algo mais — comoventemente — sagrado do que aceitar sofrer para aliviar um sofrimento maior? Verdadeiramente, só se dá quando dói. Só quem aceita sofrer é capaz de reparar no quanto dói sofrer. Só quem aceita sofrer evitará fazer sofrer. O mundo não entende e, pelos vistos, não aprende. Mas não é preciso tocar nas feridas para curar todas as feridas (cf. Is 53, 5; 1Ped 2, 24; Jo 20, 27)?

Juntamente com a penitência, aparece o apelo à oração. A Senhora pede uma oração muito simples, mas muito eficaz: o Terço. É o meio proposto para «alcançar a paz no mundo e o fim da guerra». Refira-se que a humanidade vivia sobressaltada com a Primeira Guerra Mundial. A 5 de Maio, em Roma, o Papa Bento XV suplicava a Maria que apontasse um caminho para a paz. A resposta veio oito dias depois, mas não em Roma nem ao Papa. A 13 de Maio, em Fátima, Maria responde, apontando o caminho para a paz: «rezar o Terço todos os dias». Do Céu à Terra vem, assim, o Remédio para acabar com a guerra.

 

  1. O Terço é — quiçá, para nosso espanto — o único pedido que Maria repete por seis vezes, de Maio a Outubro. Como é possível que a oração tenha tanto poder? Já São João Crisóstomo defendia que «o homem mais poderoso é o que reza porque se torna participante do poder de Deus». E o antigo Presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan foi ao ponto de reconhecer que «pessoas simples como os pastorinhos de Fátima têm mais poder que os grandes exércitos e estadistas do mundo».

A oração é a «arma» dos «desarmados». Com esta «arma», os «desarmados» não estão «desamados». Pelo contrário, os «desarmados» são os que se sentem mais «amados» por Deus. E o amor de Deus é mais forte que a maior força. O certo é que, um ano após este pedido do Céu, a guerra terminou. Como alerta o Papa Francisco, o Terço ajuda-nos a reviver «gestos concretos em que se desenvolve a acção de Deus em nosso favor». Contemplando Aquele que dá a vida por todos, como é que ousaremos tirar a vida a alguém?

 

  1. Foi após o pedido da recitação do Terço que a Senhora começou a elevar-Se em direcção ao nascente, até desaparecer no horizonte. As crianças ficaram, muito tempo, a meditar. Mas, ao longo daquela tarde, a Jacinta começou a exclamar: «Ai que Senhora tão bonita».

Combinaram nada dizer, mas, logo nesse dia, a mesma Jacinta não se conteve e contou à mãe: «Ó mãe, hoje vi Nossa Senhora na Cova da Iria». A estupefacção foi geral e as incompreensões não se fizeram esperar. A própria família e o pároco mostraram um grande cepticismo.

 

  1. Com a aproximação do 13 de Junho, dia de Santo António, houve quem esperasse que as crianças optassem por ficar na festa. Mas nada as demoveu. E cumpriram o que prometeram à Senhora «mais brilhante que o sol». Partiram para a Cova da Iria. Como a notícia da aparição de Maio se espalhou com rapidez, entre 50 a 60 pessoas marcaram presença em Junho. Em Julho, o número aumentou para 5.000. Em Agosto, fala-se de 18.000 peregrinos. Só que, no dia 13, os pastorinhos estavam presos. Só estiveram com Nossa Senhora no dia 19, nos Valinhos. Em Setembro, devem ter estado 30.000 pessoas. E em Outubro, há quem fale de 70.000.

Todo este «mar de gente» mostra que, desde o princípio, Fátima não deixou ninguém indiferente. Dir-se-ia que a humanidade fez da Cova da Iria um ponto de encontro com Maria. Os Remédios que Maria nos traz são o único caminho para alcançar a paz. É pela oração, penitência e conversão que o mundo (re)encontrará a salvação. Ouçamos sempre o que Maria nos diz e a nossa vida voltará a ser feliz!

publicado por Theosfera às 08:00

Hoje, 04 de Setembro (6º Dia da Novena de Nossa Senhora dos Remédios), é dia de Nossa Senhora da Consolação, S. Moisés, Sta. Rosa de Viterbo, Sta. Rosália e Sta. Maria de Santa Cecília Romana.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 03 de Setembro de 2017

Senhor Jesus,

Nós Te louvamos no começo deste dia

e no início de um tempo que, conTigo, queremos que seja novo.

 

Agradecemos o dom da vida

e pedimos-Te pela saúde, pela paz e pela justiça entre todos.

 

Agradecemos especialmente

o dom de Tua Mãe,

que nos deste como nossa Mãe também.

 

Ela é, para nós, a Senhora dos Remédios,

a senhora da Luz em tempos de escuridão,

a senhora da Esperança em tempos de desespero,

a senhora da Alegria em tempos de tristeza,

a senhora da Fé em tempos de descrença.

 

Adoramos, Senhor, a Tua presença eucarística

e louvamos-Te no Teu primeiro Sacrário que foi o ventre de Tua Mãe.

 

Acompanha-nos, Senhor, nesta manhã

e ajuda-nos a viver na Tua presença ao longo do resto do dia.

 

Que cada passo que dermos

possa ser uma irradiação do Teu amor e da Tua (infinita) paz!

publicado por Theosfera às 10:43

  1. Em Nazaré, «o Anjo do Senhor anunciou a Maria». E, em Fátima, foi o Anjo do Senhor que preparou a vinda de Maria. Enquanto criaturas espirituais, os anjos excedem em perfeição todas as outras criaturas. Em razão dos chamados dons preternaturais, são imortais. E, apesar de incorpóreos, fazem-se aparecer de formar corporal para melhor se fazerem entender pelas criaturas corporais.

É por isso que «anjo» designa uma função, não uma natureza. A natureza dos anjos é espiritual. A função dos anjos é serem mensageiros. Recorde-se que «anjo» vem do grego «angelos», que significa precisamente «mensageiro». Santo Agostinho oferece-nos a síntese perfeita a este respeito: «Anjo é nome de ofício, não de natureza. Desejas saber o nome da natureza? Espírito. Desejas saber o [nome] do ofício? Anjo. Pelo que é, é espírito: pelo que faz, é anjo», ou seja, mensageiro.

 

  1.  Presentes na História da Salvação, os anjos são abundantemente referidos no Antigo e no Novo Testamento. Basta pensar em Gabriel (nome que significa «fortaleza de Deus»), incumbido de anunciar o nascimento de João (cf. Lc 1, 5-25) e de Jesus (cf. Lc. 1, 26-35). O próprio Jesus é apresentado como o centro do mundo dos anjos. É o que acontece na passagem do Juízo Final: «Quando o Filho do Homem vier na Sua glória, acompanhado por todos os Seus anjos» (Mt 25, 31). Daqui se infere que os anjos são d’Ele, são de Jesus.

Estando assim presentes em Jesus, como haveriam os anjos de estar ausentes da Igreja de Jesus? O Catecismo ensina que «a Igreja beneficia da ajuda misteriosa e poderosa dos anjos». É por isso que ela se associa «aos anjos para adorar a Deus três vezes santo». É por isso que ela invoca a sua assistência para cada um dos defuntos: «Conduzam-te os anjos ao paraíso». E é por isso que ela festeja de modo particular a memória de certos anjos, como São Miguel, São Gabriel, São Rafael e os Anjos da Guarda. Nós acreditamos, com efeito, que «cada fiel tem a seu lado um anjo como protector e pastor para o guiar na vida».

 

  1. Sucede que, além do Anjo da Guarda de cada um de nós, o nosso país celebra também o Anjo de Portugal (a 10 de Junho), por causa precisamente das aparições aos pastorinhos. De facto, foi como Anjo de Portugal — e também como Anjo da Guarda e Anjo da Paz — que o enviado celeste então se apresentou. Como é que tudo começou?

Na Primavera de 1916, na Loca do Cabeço, estavam Lúcia, Francisco e Jacinta na companhia do seu rebanho. Tendo começado a chover, foram à procura de um abrigo. Aí passaram o dia, mesmo depois de a chuva haver terminado. Comeram a merenda, rezaram o Terço e deram início ao jogo das «pedrinhas». Foi quando sentiram um vento forte a sacudir as árvores. Viram, então, «a figura de um jovem dos seus 14 a 15 anos», mais branco do que a neve e de uma grande beleza.

 

  1. Ao chegar junto das crianças, disse: «Não temais! Sou o Anjo da Paz». Logo a seguir, vem um convite à oração: «Orai comigo. E, ajoelhando em terra, curvou a fronte até ao chão e fez-nos repetir três vezes estas palavras: “Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam”».

Quando se ergueu, o Anjo insistiu: «Orai assim. Os Corações de Jesus e de Maria estão atentos à voz das vossas súplicas».

 

  1. Passado bastante tempo, em pleno Verão, os pastorinhos brincavam em cima de um poço no quintal dos pais de Lúcia. De repente, visualizaram a mesma figura que os interpelou com um novo apelo à oração: «Que fazeis? Orai, orai muito. Os Corações de Jesus e de Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente, ao Altíssimo, orações e sacrifícios».

«De tudo que puderdes, oferecei a Deus sacrifício em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e súplica pela conversão dos pecadores. Atraíreis, assim, sobre a vossa Pátria, a paz». Dito isto, apresenta-se como «o Anjo da Guarda, o Anjo de Portugal».

 

  1. Passado algum tempo, por alturas de Setembro ou Outubro, estavam os pastorinhos numa propriedade dos pais de Lúcia, acima dos Valinhos. Depois da merenda, começaram a repetir a oração que o Anjo lhes ensinara: «Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos». A certa altura, viram o próprio Anjo, com um cálice na mão esquerda, sobre o qual estava suspensa uma Hóstia, donde caíam algumas gotas de Sangue.

O Anjo deixou o cálice suspenso no ar, ajoelhou-se junto dos pastorinhos e ensinou-lhes uma nova oração: «Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E, pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores».

 

  1. Depois levantou-se e pegou no Cálice e na Hóstia. Deu a sagrada Hóstia à Lúcia e o Sangue do Cálice distribuiu-o pela Jacinta e pelo Francisco: «Tomai e bebei o Corpo e Sangue de Jesus Cristo, horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus».

Prostrando-se de novo por terra, repetiu, mais três vezes, a oração que antes lhes ensinara: «Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo». De seguida, desapareceu. Entretanto, as crianças continuaram a rezar.

 

  1. Já doente, Jacinta continuava a rezar as orações do Anjo. Nessa altura já não se prostrava, mas continuava a ajoelhar-se. Foi preciso que um sacerdote lhe mandasse dizer que «não queria que descesse mais da cama para rezar; que, deitada, rezasse só o que pudesse, sem se cansar».

Noutra ocasião, Lúcia levou-lhe uma estampa que tinha o sagrado cálice com uma hóstia. Jacinta pegou nela, beijou-a e, radiante de alegria, dizia: «É Jesus escondido! Gosto tanto d’Ele! Quem me dera recebê-Lo na igreja! No Céu não se comunga? Se lá se comungar, eu comungo todos os dias. Se o Anjo viesse trazer-me outra vez a Sagrada Comunhão! Que contente que eu ficava!» Também Francisco viveu com intensidade as Aparições do Anjo.

 

  1. O Mensageiro do Céu criou, assim, o ambiente para que as crianças acolhessem devidamente Maria. Preparou — e enquadrou — a chegada de Maria através da oração e sobretudo da Eucaristia. É preciso não esquecer que, antes do Terço, a maior oração a Maria é a Eucaristia. O Terço é uma pertinente preparação — e pode funcionar como uma bela irradiação — da Eucaristia. Mas o centro do louvor a Maria está — estará sempre — na Eucaristia.

A Eucaristia mostra como Maria está «amarrada» a Jesus. Daí que a Oração Eucarística faça uma importante referência à Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus.

 

  1. A atmosfera eucarística das aparições do Anjo mostra como a Eucaristia é o ambiente natural para encontrar Maria. Não espanta, por isso, que o lugar mais importante de um Santuário seja sempre o Altar com o Sacrário.

É no Altar e no Sacrário que estão os grandes Remédios que a Senhora oferece no Santuário. É para Jesus que Maria nos conduz. Rezemos, pois, com o Anjo de Portugal para que Deus nos livre sempre de todo o mal!

 

 

publicado por Theosfera às 08:00

A. Os discípulos nem sempre sabem tudo sobre o Mestre

  1. Para avançar, temos, por vezes, de recuar. Propunha, por isso, que voltássemos um pouco atrás. Que voltássemos um pouco atrás no tempo e que voltássemos um pouco atrás no texto. Retomemos, então, o final do texto que, no passado Domingo, nos era proposto na proclamação do Evangelho. É quando Jesus «ordena aos Seus discípulos que não dissessem a ninguém que Ele era o Messias» (Mt 16, 20).

Pode parecer estranho que, estando os discípulos destinados a falar de Jesus (cf. Lc 10, 16), surja uma ordem que proíbe tal missão. Sucede que, também na missão, deve existir um tempo de calar antes de falar. Diria até que, como alerta Ruben Alves, na missão deve haver cursos não só de oratória, mas também — e sobretudo — de escutatória.

 

  1. Mas porque é que Pedro e os outros discípulos não podiam dizer que Jesus era o Messias (cf. Mt 16, 20)? O problema é que eles já sabiam muito, mas ainda precisavam de aprender mais. A concepção dos discípulos sobre o Messias era não só diferente, mas também oposta à concepção de Jesus.

Para eles, Jesus era um Messias triunfador e haveria de ser aquele que iria libertar o povo de Israel da ocupação romana. Ou seja, Jesus seria não um servidor, mas um lutador e um potencial dominador. Na cabeça de Pedro e dos outros discípulos, um Messias vinha para ser servido, não para servir. Nem, muito menos, para sofrer e ser morto (cf. Mt 16, 21).

 

B. Jesus também foi «escândalo» para Pedro

 

3. É por isso que, antes de Pedro ser fonte de escândalo para Jesus, Jesus também é fonte de escândalo para Pedro. Não foi só Pedro a ser um estorvo para a missão de Jesus. Jesus também parecia ser um estorvo para as ambições de Pedro (cf. Mt 20, 21). Tudo somado, percebe-se que Pedro ainda não estivesse preparado para falar de Jesus.

Decididamente, à pergunta «quem é Jesus?» não se responde com os lábios, só se responde com o testemunho de vida. Só conhece Jesus quem procura fazer sua a vida de Jesus, quem está disposto a dar a vida como Jesus.

 

  1. Jesus não Se encaixava, portanto, nas expectativas de Pedro acerca de Jesus e do messianismo de Jesus. Aconteceu a Pedro o que, tantas vezes, acontece a nós: queremos um Jesus à nossa imagem, à nossa medida. De facto, há por aí tantos Cristos que estão longe de Jesus, do autêntico Jesus, do inteiro Jesus.

Essa foi a grande tentação de Pedro. Também ele estava focado em si, preocupado consigo. Estaria, sem dúvida, a pensar na libertação de Israel da ocupação romana, mas não deixaria de pensar em algum lugar importante para si. Aliás em Mt 19, 27, ele faz a pergunta directa: «Nós que deixámos tudo, que recompensa teremos?» E também ele ficou indignado por a mãe de Tiago e João solicitar os dois principais lugares para os filhos no reinado de Jesus (cf. Mt 20, 21).

 

C. Jesus não tem lugares para distribuir

 

5. Todavia, Jesus é muito claro. Ele não tem lugares para assegurar nem sinecuras para distribuir. Ele tem uma proposta para fazer: segui-Lo. E quem O seguir terá de estar preparado para beber do Seu cálice (cf. 20, 23). Isto é, terá de estar preparado para a condenação e até para a morte. Enfim, Jesus não vem para dominar, mas para servir e ensinar a servir (cf. Mt 20, 28).

Só que os discípulos ainda não estavam preparados. E Pedro vai mesmo ao ponto de repreender Jesus: «Deus Te livre de tal, Senhor. Isso não Te há-de acontecer» (Mt 16, 22). O certo é que Jesus — que pouco antes elogiara Pedro — aparece agora a censurar o mesmo Pedro: «Vai-te da Minha frente, Satanás!» (Mt 16, 23).

 

  1. Pedro comportara-se como um acusador, que é o significado etimológico de Satanás, «aquele que acusa». Jesus parecia afastar-se daquilo que Pedro considerava ser o mais autêntico conceito de Messias.

Pedro, que há pouco estava inspirado por Deus, agora parece estar permeável a Satanás. Razão tem, pois, S. Paulo quando recomenda a quem está de pé para ter cuidado já que depressa pode cair (cf. 1Cor 10, 12). E ninguém está livre de uma queda.

 

D. Ser discípulo é ir atrás (não à frente) do Mestre

 

7. Creio que foi Lutero quem avisou que onde Deus constrói uma «igreja», o diabo constrói uma «capela». A função do diabo é a que decorre da etimologia do seu nome: separar. A sua pretensão é, em tudo, separar-nos de Deus. É importante, pois, que estejamos precavidos.

É evidente que, como adverte S. Paulo, «nada nos separará do amor de Deus» (Rom 8, 38). Mas só em Jesus Cristo estaremos unidos a Deus. Sem Ele, como Ele avisou, nada podemos fazer (cf. Jo 15, 5). Sem Ele, não valemos nada. Sem Ele, não somos nada.

 

  1. Pedro, que andava perto de Jesus, ainda não estava próximo de Jesus. Não espanta, por isso, que, com linguagem dura (como, muitas vezes, é a linguagem da verdade), Jesus ponha Pedro no seu lugar, ou seja, no lugar de discípulo. Dizer «sai da Minha frente» equivale a dizer «põe-te atrás de Mim». Só assim é que o discípulo segue o Mestre, pois se o discípulo for à frente do Mestre, como é que poderá olhar para o Mestre? Não é o discípulo que tem de mostrar o caminho ao Mestre; o Mestre é que tem de mostrar o caminho ao discípulo.

Caso contrário, o discípulo tropeça e pode levar outros a tropeçar. O objectivo do discípulo é seguir em frente com o Mestre e não pôr-se à frente do Mestre. Se se colocar à frente do Mestre, bloqueia o caminho. Só o Mestre sabe a direcção do caminho. Só o Mestre é o caminho (cf. Jo 14, 6). O caminho do discípulo há-de ser sempre o caminho do Mestre.

 

E. Não há cristão sem Cristo e não há Cristo sem Cruz

 

9. O que se espera de um discípulo é que seja fiel, fiel ao seu Mestre (cf. 1Cor 4, 1). Pedro não estava a ser fiel. E, sem fidelidade, Pedro não era pedra de construção, mas pedra de tropeço, pedra de escândalo (cf. Mt 16, 23). «Escândalo» significa precisamente tropeço, aquilo que dificulta o caminho.

Tantas vezes, isto (nos) tem acontecido. Tantas vezes, isto (nos) pode acontecer. Nem Pedro escapou à tentação. No «chek up» que Jesus faz a Pedro e, em Pedro, a todos os discípulos, a doença que mais avulta é o egoísmo. A maior doença do discípulo é não dar a Deus o lugar que merece: o lugar primeiro, o lugar central.

 

  1. Jesus, ao revelar Pedro ao próprio Pedro, não oculta as suas debilidades. Mas aponta logo o meio para as superar: sair de si mesmo. Se o problema do discípulo são os interesses pessoais, a solução é renunciar a esses interesses: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo» (Mt 16, 24). O maior adversário do discípulo pode ser ele mesmo quando se desliga de Cristo. Ao contrário do que achava Jean-Paul Sartre, o inferno não são os outros. Como bem notou o Abbé Pierre, «inferno é viver sem os outros», contra os outros.

O discípulo é aquele que não vive de si nem para si; é o que faz sua a vida do Mestre (cf. Gál 2, 20). Sucede que a totalidade de Cristo inclui a Cruz. Não há cristão sem Cristo e não há Cristo sem Cruz. É preciso pegar na Cruz todos os dias (cf. Mt 16, 24). A Cruz foi onde Cristo disse totalmente não a Si, para dizer totalmente sim ao Pai (cf. Mt 26, 39). Neste contexto, menos que tudo é nada. Se Deus Se dá totalmente a nós, é de esperar que nós nos demos totalmente a Ele e, n’Ele, aos irmãos. Deus é quem mais irmana os homens. Deus é quem mais faz de nós irmãos. Façamos, pois, da vida uma festa de encontro. Deixemo-nos encontrar por Deus. E nunca deixemos de nos reencontrar em Deus!

publicado por Theosfera às 05:44

Hoje, 03 de Setembro (22º Domingo do Tempo Comum e 5º Dia da Novença de Nossa Senhora dos Remédios), é dia de S. Gregório Magno e S. Remáculo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 02 de Setembro de 2017
  1. Como insinuou Fausto Guedes Teixeira, foi mesmo Nossa Senhora dos Remédios quem veio a Fátima. Na verdade, foi Nossa Senhora que veio a Fátima com os Seus Remédios, com os Seus três grandes Remédios: a oração, a penitência e a conversão. Até iconograficamente podemos conferir a profunda afinidade entre estas duas invocações.

Fixemo-nos no rosto da imagem que está na Capelinha das Aparições e no rosto da imagem que, em Lamego, sai nas procissões. Não é preciso grande esforço para colher algumas semelhanças e para vislumbrar traços comuns. Não admira. Elas têm uma única proveniência. Ambas foram esculpidas na Casa Fânzeres, de Braga.

 

  1. A imagem de Nossa Senhora dos Remédios é de 1904 e a de Nossa Senhora de Fátima é de 1920. O autor não foi seguramente o mesmo. José Ferreira Thedim, que esculpiu a imagem de Nossa Senhora de Fátima, tinha apenas 12 anos em 1904. Nunca se soube ao certo quem esculturou a imagem de Nossa Senhora dos Remédios. Muitos anos depois, foi dito que teria sido um artista cujo sobrenome era Marçal.

É possível, porém, que a inspiração de ambas as obras tenha sido haurida nas mesmas correntes artísticas. Até a altura é praticamente igual: 1,30m no caso da Senhora dos Remédios e 1,37m no caso de Nossa Senhora de Fátima. As duas imagens foram oferecidas: a de Nossa Senhora dos Remédios por Maximiano da Costa Cardoso (a residir no Porto) e a de Nossa Senhora de Fátima por Gilberto Fernandes dos Santos (de Torres Novas).

 

  1. Este enlace entre Fátima e os Remédios leva-nos a pensar, como foi dito, nos três grandes Remédios de Fátima: a oração, a penitência e a conversão. É esta a «medicação» que há-de «curar» o nosso (humano) coração. Refira-se que Deus começou a preparar, com a devida antecedência, a vinda de Sua Mãe à terra portuguesa. Não foram só as aparições do Anjo em 1916.

Em 1915, já houve uma — digamos — «pré-aparição». Pouca gente sabe, mas, nesse ano, Lúcia viu, por três vezes, uma «nuvem mais branca que a neve, algo transparente, com forma humana». Sintomaticamente, classifica essa nuvem como sendo também «mais brilhante que o sol». É o que ela conta nas suas memórias, escritas a partir de 1937. Esta «pré-aparição» foi presenciada na companhia de outras três pastorinhas: não Francisco e Jacinta, mas Maria Rosa Matias, Teresa Matias (irmãs) e Maria Justino.

 

  1. Seria Nossa Senhora? Seria um Anjo? Nas suas «Memórias» de 1937, a Irmã Lúcia faz a descrição: «Mal tínhamos começado a rezar o Terço, vemos, diante de nossos olhos, como que suspensa no ar, sobre o arvoredo, uma figura como se fosse uma estátua de neve que os raios de sol tornavam algo transparente.

“Que é aquilo”? – perguntaram as minhas companheiras, meias assustadas. “Não sei”! Continuámos a nossa reza, sempre com os olhos fitos na dita figura que, assim que terminámos, desapareceu».

 

  1. A mãe da Irmã Lúcia, ouvira, no ano anterior ao das Aparições, a filha e outras dizerem que tinham visto, noutro lugar, uma «pessoa embrulhada num lençol». Mas não fez caso de tais palavras. Acompanhemos, então, a descrição da principal vidente: «Subimos, com os nossos rebanhos, até quase ao cimo do Monte do Cabeço. Um pouco mais ou menos pelo meio-dia, comemos a nossa merenda e, depois dela, convidei as minhas companheiras para rezarem comigo o Terço, ao que elas anuíram com gosto. Mal tínhamos começado, quando, diante dos nossos olhos, vemos, como que suspensa no ar, sobre o arvoredo, uma figura como se fosse uma estátua de neve que os raios do sol tornavam algo transparente».

Acrescenta que o facto se deu mais duas vezes. Nas suas «Memórias» de 1941, a Irmã Lúcia afirma tratar-se do Anjo: «Pelo que posso mais ou menos calcular, parece-me que se deu essa aparição do que julgo ser o Anjo, que não ousou, por então, manifestar-se de todo. Pelo aspecto do tempo, penso que se deveram dar nos meses de Abril até Outubro de 1915».

 

  1. «Na encosta do cabeço que fica voltada para o sul, ao tempo de rezar o terço, na companhia de três companheiras, de nome Teresa Matias, Maria Rosa Matias, sua irmã, e Maria Justino, do lugar da Casa Velha, vi que sobre o arvoredo do vale que se estendia a nossos pés, pairava uma como que nuvem, mais branca que neve, algo transparente, com forma humana. As minhas companheiras perguntaram-me o que era. Respondi que não sabia. Em dias diferentes, repetiu-se mais duas vezes».

«Esta aparição deixou-me no espírito uma certa impressão que não sei explicar. Pouco e pouco, essa impressão ia-se desvanecendo; e creio que, se não são os factos que se lhe seguiram, com o tempo a viria a esquecer por completo».

 

  1. Nos «Apelos da Mensagem de Fátima», ultimados em 1997 e editados, no ano 2000, a Irmã Lúcia dá mais alguns esclarecimentos sobre este assunto. Levanta até a hipótese de tais manifestações poderem ter sido em 1914. Diz a pastorinha: «Devia ser pelos anos 1914 e 1915, logo que comecei a pastorear o pequeno rebanho pertencente a meus pais, porque eu andava entretida na humilde vida pastoril e na companhia de outras meninas da terra, quando fomos surpreendidas por uma aparição que não soubemos definir».

«Encontrando-nos na encosta do chamado Monte do Cabeço, vimos como se fosse uma nuvenzinha branca com forma humana, que tinha descido do firmamento e lentamente passava na nossa frente, sobre a copa do arvoredo que se estendia pelo vale a nossos pés, como que querendo atrair a nossa atenção e fascinar o nosso olhar».

 

  1. E acrescenta Lúcia: «Algumas das meninas presentes contaram em casa aos pais o que tinham visto, enquanto eu guardei silêncio, limitando-me a confirmar o caso, quando era interrogada. Muitas perguntas me têm sido feitas sobre esta aparição (…). Ainda hoje, respondo como então: Não sei o que era nem o que significava. Mas uma convicção íntima me ficou na alma e não quero ocultá-la: ela fez-me crer que fosse o Anjo da Guarda».

«Talvez desta forma, sem falar, ele tenha querido fazer sentir a sua presença e preparar assim as almas para a realização dos desígnios de Deus. Até agora não tenho querido falar destas aparições, mais do que o indispensável, para responder a algumas perguntas. Hoje, porém, faço-o, não para vos certificar se foram ou não do Anjo da Guarda, mas para vos dizer que é certa a existência dos Anjos da Guarda, que foram criados por Deus para O servir, adorar, louvar e amar».

 

  1. No opúsculo «Como vejo a Mensagem» — publicado já postumamente, em 2006 —, a Irmã Lúcia escreveu: «Iniciou Deus a preparação dos instrumentos que escolheu, quando eles, despreocupados, rezavam e brincavam, fazendo passar na sua frente, suave e lentamente, como se fora uma nuvenzinha branca de neve, mais brilhante que o sol, com figura humana, que houvesse descido desprendendo-se do firmamento, atraindo-lhes o olhar e chamando-lhes a atenção».

«”Que é aquilo?”, interrogavam-se entre si as pobres crianças: “Não sei”. E, com certeza, ainda hoje não sei, mas os acontecimentos que se lhe seguiram levam-me a crer que seria o nosso Anjo da Guarda que, sem se manifestar claramente, nos ia preparando para a realização dos planos de Deus».

 

  1. Como não ficar espantado com tanta maturidade? A atenção aos planos de Deus é o objectivo de toda a nossa existência. São muitos os sinais de tais planos. Os pastorinhos foram preparados para ser como que os «embaixadores» dos celestiais primores: do primor da presença e do primor da mensagem.

Esta presença e esta mensagem são os grandes Remédios para a nossa debilidade. Que sejam também remédio para nutrir a nossa fidelidade!

publicado por Theosfera às 08:00

Hoje, 02 de Setembro (4º Dia da Novena de Nossa Senhora dos Remédios), é dia de S. Luís José François, S. João Henrique Gruyer, S.Pedro Renato Rogue, S. Francisco Luís Hebert, S. Francisco Lefranc, S. Pedro Cláudio Pottier, S. Justo, S. Viator e S. João Beyzim.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 01 de Setembro de 2017

Seremos nós apenas em nós?

Seremos os melhores condutores para nós mesmos?

Há quem confunda autonomia com desligação.

Quem procura direcção espiritual hoje?

É curioso notar que um laico como Charles de Gaulle reconheceu que «ter um guia é tão necessário como comer, beber e dormir».

Acontece que nós temos um guia. Mas raramente nos dispomos a segui-Lo.

Quando perceberemos que só na divina luz encontramos a luz (cf. Sal 36, 10)?

publicado por Theosfera às 11:46

  1. Com os Seus remédios, Nossa Senhora tem descido à terra que, tão frequentemente, na maldade emperra. Ela vem, com os Seus remédios, ao mundo para a todos nos envolver com o Seu amor profundo.

Não é fácil compreender e, por isso, há quem não hesite em questionar. Se Nossa Senhora está no Céu, como pode ser vista na Terra? Se Ela subiu ao Céu com mais de 50 anos, como é que surge habitualmente com o aspecto de uma jovem? Se a Sua língua era o aramaico, como é ouvida a falar francês, espanhol ou português? Será que aquilo que nós classificamos como «aparições» serão mais que humanas projecções? Alega-se que, se Nossa Senhora tivesse realmente aparecido, todas as pessoas (e não apenas os pastorinhos) A teriam visto e ouvido.

 

  1. É preciso perceber, antes de mais, que Deus é Deus e que, por conseguinte, o que é impossível para nós não é impossível para Deus. Para Deus, «nada é impossível» (Lc 1, 37). É claro que nós estamos habituados a ver Deus a partir do homem. Mas não nos deveríamos habituar a reconhecer Deus a partir de Deus? Se Deus só conseguisse o que nós conseguimos, onde estaria a Sua diferença em relação a nós? Se Deus não conseguisse mais que o homem, onde estaria a Sua divindade? O reconhecimento da transcendência de Deus não será o mínimo para quem crê?

Estar no Céu e vir à Terra não está, de facto, ao alcance de nenhum ser humano. Do mesmo modo, estar num local com muitas pessoas e só ser visto por três delas não é concebível para nós. Mas é exequível para Deus e para quem está em Deus. Aliás, o povo, na sua sabedoria simples (e na sua simplicidade sábia), atesta o poder divino em Maria quando canta: «Tu podes; és Mãe de Deus». O que Maria pode é o que Deus Lhe concede, mesmo que nós não compreendamos.

 

  1. Sucede que, como é sabido, a Igreja costuma ser prudente ao falar de aparições. O seu discernimento é muito cuidadoso, muito ponderado, muito estudado e, acima de tudo, muito rezado. Salta, entretanto, à vistaque a Igreja rejeita duas posições extremas. Rejeita o tudo e rejeita o nada. Ou seja, olhando para tantas notícias de aparições, a Igreja não diz «todas» nem «nenhuma».

O que a Igreja faz — como, aliás, é seu estrito dever — é seguir o que está na Bíblia. E, com efeito, a Bíblia testemunha algumas aparições. Sabemos que «o Senhor apareceu a Abraão nos carvalhos de Mambré» (Gén 18, 1). Apareceu também a Moisés no episódio da sarça ardente (cf. Êx 3, 2-6) e na entrega da Lei (cf. Êx 19, 18; 20, 18). O Anjo do Senhor aparece várias vezes, quer no Antigo, quer no Novo Testamento, como aconteceu quando anunciou a Maria que ia ser Mãe (cf. Lc 1, 26-38). Aparece igualmente uma voz vinda do Céu, na companhia de uma pomba, no Baptismo de Jesus (cf. Mt 3, 16-17). Outra voz vinda do Céu faz-se ouvir na Transfiguração (cf. Mt 17, 5). E, no Pentecostes, ouve-se um som semelhante a uma rajada de vento vinda do Céu (cf. Act 2, 2).

 

  1. As aparições de Deus (ou «teofanias») são, portanto, manifestações visíveis de Deus através de uma forma que impressiona os sentidos. É Deus — não nós — quem determina as formas de Se manifestar. Pelo que nos diz a Bíblia, Deus, para Se manifestar, escolhe formas humanas ou fenómenos da natureza. Isto é, na Sua transcendência, Deus escolhe o que é mais imanente a nós para Se fazer entender por nós. Deus pode vir até nós de uma forma tão humana que alguns humanos nem O reconhecem como divino.

Se Deus pode aparecer no tempo testemunhado pela Bíblia, como é que não haveria de aparecer no tempo posterior à Bíblia? Neste caso, as aparições não vêm acrescentar nada. A Bíblia transmite-nos a Revelação definitiva de Deus ao homem. Daí que, como nota Constituição Dogmática «Dei Verbum» do Concílio Vaticano II, nós não esperamos «nenhuma outra revelação pública antes da gloriosa manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo».

 

  1. As aparições que têm ocorrido ao longo dos séculos não pretendem «aperfeiçoar» ou «completar» a Revelação definitiva de Cristo, mas ajudar a vivê-la mais plenamente. Não se trata de corrigir — nem de ultrapassar — a Revelação de que Cristo é a plenitude. Pelo contrário, trata-se de nos despertar para a sua vivência. O critério é sempre a Sagrada Escritura, sobretudo o Evangelho. Como exemplificou São João Paulo II, a Igreja aceita Fátima porque reconhece que Fátima está profundamente radicada no Evangelho.

Deus serve-Se de qualquer meio para nos alertar. Tendo em conta os dados da antropologia cristã, podemos dizer que há duas grandes formas de contacto entre o divino e o humano: as aparições e as visões. Nas aparições, as imagens encontram-se no exterior dos videntes, no seu espaço circundante. Nas visões, tudo acontece no interior, havendo visões com imagens (as chamadas «visões imaginativas») e as visões sem imagens (as denominadas «visões espirituais» ou «intelectuais»).

 

  1. Há quem diga que o que aconteceu em Fátima não foram visões espirituais nem aparições. Ou seja, foram vistas imagens, mas estas imagens não estariam no espaço exterior. Tratar-se-ia de uma situação intermédia, isto é, de uma visão interior com imagens. Acontece que, se fosse um fenómeno meramente interior, as crianças falariam apenas do que sabiam. Por exemplo, elas não faziam ideia do que era a Rússia. Pensavam que se tratavam de uma cadela que havia na aldeia, chamada «Russa»!

Por outro lado, a Igreja, a começar pelos Papas, tem-se referido ao que aconteceu em Fátima como tratando-se de «aparições» e não simplesmente de «visões». Reconhecendo que houve uma presença que se tornou sensível aos pastorinhos, o Papa Bento XVI, em 2010, falava de uma «visita feita pela Senhora “vinda do Céu”». E acrescentava: «Veio do Céu a nossa bendita Mãe oferecer-Se para transplantar no coração de quantos se Lhe entregam o Amor de Deus que arde no Seu».

 

  1. Estamos, assim, perante um «celeste contacto» (C.H. do Carmo Silva) de uma «realidade corporal» num «espaço exterior». A presença da Virgem foi tão exterior como a das árvores ou das casas. Com uma diferença, porém. Trata-se de uma presença sobrenatural, de origem milagrosa, mas inteiramente real. Tão real que Lúcia foi, por várias vezes, obrigada a baixar os olhos, para não cegar, tal era a intensidade da luz que vinha da Virgem Maria.

Acresce que, em Fátima, houve uma série de fenómenos físicos, presenciados por muita gente. Se fosse uma visão interior de apenas algumas pessoas, esses fenómenos não se teriam produzido.

 

  1. É certo que Nossa Senhora só foi vista por três pastorinhos. Mas os fenómenos que acompanharam as aparições foram testemunhados por milhares de pessoas. Se na segunda aparição, estavam cerca de 50 pessoas, na terceira já estavam quatro mil. E o número foi crescendo chegando a 70 mil na aparição de Outubro.

Estas pessoas advertiram diversos fenómenos que não podem ser provocados por visões meramente interiores. Tais fenómenos foram observados por um grande número de testemunhas.

 

  1. É o caso dos relâmpagos que antecederam sempre as aparições. É o caso dos trovões no momento — ou no fim — de cada aparição e cuja proveniência parecia vir da azinheira. É o caso, ocorrido na segunda aparição, da árvore inclinada, com todas as folhas viradas na mesma direcção. Outras ocorrências poderiam ser apontadas.

No Milagre do Sol, na última aparição, o Sol torna-se opaco, sem que tivesse havido nuvens ou qualquer eclipse. Assistiu-se a uma irradiação de cores. E foi visto um movimento do disco solar, dando a sensação de se precipitar sobre a terra.

 

  1. Tudo isto nos permite chegar à conclusão de que, em Fátima, houve uma Teofania de pendor mariofânico. Ou seja, houve uma manifestação de Deus através de Maria. Não pertencendo à Revelação pública (contida na Bíblia), é uma preciosíssima ajuda para a Sua vivência.

Não tenhamos, pois, receio de dizer o que aconteceu. Em Fátima foi Nossa Senhora que apareceu. É por isso que, também em Fátima, com nossos males e tédios, vamos à procura dos Seus remédios. Nossa Senhora, que em Fátima nos visitais, muito obrigado pelos remédios que nos dais. Tomai o nosso coração. Conduzi-o sempre pelos caminhos da conversão!

publicado por Theosfera às 08:00

Hoje, 01 de Setembro (3º Dia da Novena de Nossa Senhora dos Remédios), é dia de S. Miguel Ghébré e Sta. Margarida de Riéti.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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