O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 25 de Julho de 2017

É importante que o país seja bom para quem vem. Mas é fundamental que o mesmo país não seja mau para quem está.

É meritório facilitar a presença de quem nos visita. Mas, já agora, é decisivo que não se complique (mais) o dia-a-dia de quem aqui vive.

O turismo deve ser uma fonte de receita, não de (mais) problemas.

Faz bem atrair os outros, mas é prioritário que não afugentemos os nossos.

Temos de saber conviver com quem chega. Mas não podemos esquecer a nossa identidade.

Daí a necessidade de apelar ao respeito pelos espaços, pelas actividades e pelas pessoas.

Visitar não é sobrepor-se.

Não alteremos a nossa realidade. Até para que os outros vejam o que é nosso e não alterações de última hora.

E não nos habituemos a depender (só) do turismo. É que os fluxos por ele gerados são, por natureza, voláteis.

Tão depressa vêm como vão. E quem pode garantir que voltem a vir?

publicado por Theosfera às 10:48

Cuidado com as «neofilias».

O culto do novo nem sempre ajuda a renovar. Às vezes, até contribui para enquistar.

Não raramente, o novo é só espuma, fumaça, aparência e aparato.

É preciso perceber que nem tudo o que é novo é bom e que nem tudo o que é bom é novo.

Elias Canetti achava que o importante não é «que uma ideia seja nova, mas que se torne nova».

O que é bom nunca envelhece. O que é bom é sempre novo.

Procuremos sempre o bom e a bondade.

E mesmo que os anos passem, nunca nos sentiremos gastos nem desgastados!

publicado por Theosfera às 10:25

  1. Há sinais de que continua a haver crentes como sempre.

Mas, ao mesmo tempo, crescem os indícios de que a humanidade está a tornar-se ateia como nunca.

 

  1. Já Xavier Zubiri, com vendavais de lucidez e espamos de provocação, tinha notado que «o homem actual é, em boa medida, ateu».

É óbvio que não estava a pensar apenas nos que se assumem ateus. Estava seguramente a olhar também para tantos que se confessam crentes.

 

  1. Há pessoas que dizem crer em Deus, mas, no fundo, não se deixam conduzir por Deus.

Conduzem-se por si mesmas: pelas suas aspirações, pelas suas capacidades, pelos seus recursos.

 

  1. No limite, não seguem o Deus revelado, mas um «deus» fabricado.

Parafraseando Feuerbach, dir-se-ia que o homem está a chegar ao ponto de se tornar «deus» para ele próprio.

 

  1. Não estamos perante um «ateísmo-contra», mas perante um «ateísmo-sem».

Ou seja, estamos perante um ateísmo feito não de negação, mas de ausência.

 

  1. Não é que Deus Se tenha ausentado do homem. É o homem que se tem ausentado de Deus.

Só que este é o ateísmo radical. Não é um ateísmo postulatório, agressivo. Mas é um ateísmo profundamente invasivo. Não se confere pelo contacto com um pensamento ateu; sente-se pelo pulsar de toda uma vida ateia, sem Deus.

 

  1. Uma «vida ateia» não se posiciona «contra» Deus; limita-se a remar «sem» Deus.

Para Xavier Zubiri, uma «vida ateia» não se afirma «contra nada nem contra ninguém». Afirma-se meramente «por si mesma»: na companhia dos seus fracassos e dos seus êxitos.

 

  1. O certo é que este solipsismo existencial vai fazendo o seu caminho.

São cada vez mais os que se resignam a permanecer «aposentados na sua vida». O seu horizonte parece ser mais a técnica do que a eternidade. A humanidade descobre-se «imersa na técnica, que quase não põe limites ao domínio da natureza pelo homem».

 

  1. Não espanta, por isso, que o homem actual tenha dificuldade em aceitar «a ideia de um ser supremo».

Sem se aperceber, ele coloca o divino ao nível do humano e coloca o humano ao nível do divino.

 

  1. São muitos os que, hoje em dia, se comportam como «pós-crentes». Não negam. Até dizem que crêem. Mas vivem como se não cressem.

Desistiram de Deus? Ainda bem que Deus não desiste de ninguém!

publicado por Theosfera às 10:05

Hoje, 25 de Julho (faltam apenas cinco meses para o Natal), é dia de S. Tiago e S. Cristóvão.

O nome Tiago resulta de uma evolução do hebraico Jacob, que tem como equivalentes Jacques, James, Jácome, Jaume e Jaime. No ocidente da Península Ibérica, começou a ser conhecido como Iago. Daí Sant'Iago, Santiago e S. Tiago. Foi o primeiro dos Doze a receber o martírio.

Cristóvão (ou Cristófero) significa «aquele que transporta Cristo». Este santo é padroeiro dos archeiros, dos que fazem fretes, dos carregadores dos mercados, dos pisoeiros, dos negociantes de frutas, dos automobilistas; é invocado contra a morte súbita, as tempestades, o granizo, as dores de dentes e a impenitência final.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 24 de Julho de 2017

Consta que o Papa tem, à porta do seu gabinete, um cartaz em que se diz ser «proibido lamentar-se».

De facto, nós costumamos multiplicar queixas de tudo e de todos. Queixamo-nos das pessoas, das situações e até da vida.

É certo que a vida não é fácil.Mas serão as dificuldades que impedirão a vida de ser bela?

Já Alexandre Dumas notou que «a vida é fascinante; o importante é olhá-la através das lentes correctas». E não há dúvida de que as melhores «lentes» são as da fé.

Habituemo-nos a olhar para a vida com os olhos de Deus.

Como assinala o salmista, só na Sua luz veremos a luz (cf. Sal 36, 10)!

publicado por Theosfera às 10:03

Hoje, 24 de Julho, é dia de Sta. Cristina Admirável, Sta. Luísa de Sabóia, S. João Soreth, S. Sarbélio Makhluf, Sta. Maria Mercês, Sta. Teresa, Sta. Maria Pilar e Sta. Maria Ângeles.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 23 de Julho de 2017

Neste tempo de férias,

pensamos, Senhor, naqueles que estão a repousar

e lembramos aqueles que não podem sequer descansar.

 

Neste tempo de contrastes,

pensamos naqueles que estão a trabalhar

e lembramos aqueles que nem sequer conseguem encontrar trabalho,

nem pão, nem casa.

 

Tu, Senhor, queres o nosso descanso.

Tu, Senhor, és o nosso descanso.

 

Como há dois mil anos,

Tu convida-nos a descansar,

a descansar conTigo,

a descansar em Ti.

 

Tu fazes-nos descansar quando nos ensinas.

Tu fazes-nos descansar quando nos acompanhas.

Tu fazes-nos descansar quando nos envolves com a Tua compaixão,

com o Teu amor, com a Tua infinita paz.

 

Fica connosco, Senhor,

como ficaste com os Teus discípulos quando a barca parecia afundar-se na tempestade.

 

Dá-nos luz para vermos que só Tu és a vida, a paz e tranquilidade

mesmo que tudo ameace ruína.

 

Ensina-nos, Senhor, a perdoar e a pedir perdão,

a amar e a sermos amados,

a louvarmos as virtudes e a sermos tolerantes com os defeitos e os limites.

 

Fica connosco, Senhor.

Sê Tu mesmo o nosso confidente,

a nossa praia e o nosso passeio dominical,

o nosso travesseiro e o nosso sonhar.

Sê Tu mesmo, hoje e sempre,

o nosso amanhecer e o nosso acordar.

 

Queremos viver em Ti.

Queremos amar em Ti,

sorrir para Ti, chorar conTigo.

 

Queremos ir sempre ao Teu encontro,

toda a vida, hora a hora,

até que, um dia, Tu nos chames

e nos convides a repousar definitivamente

e a permanecer em Ti para sempre,

JESUS!

publicado por Theosfera às 10:42

Hoje, 23 de Julho (16º Domingo do Tempo Comum), é dia de Sta. Brígida (Padroeira da Europa), Sto. Apolinário, Sta. Cunegundes e S. Nicéforo e seus Companheiros mártires.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:05

A. A vida cristã não é um «passeio», mas um «combate»

  1. Desengane-se quem pensar que a vida cristã é uma espécie de «passeio» por um mundo sem obstáculos nem acidentes. A vida cristã não é um «passeio», mas um «combate». Aliás, é o próprio São Paulo que confessa a Timóteo ter «combatido o bom combate» (2 Tim 4, 7).

Tal como aconteceu com São Paulo, também nós temos de contar com problemas. Só que os problemas existem não para nos vencerem, mas para serem vencidos por nós com a ajuda de Deus. E nem sequer é o tamanho dos problemas que nos há-de fazer desfalecer ou recuar. O teólogo Eberhard Jüngel reconhecia que «quanto maiores são as dificuldades, tanto maiores são as possibilidades». Deus, com efeito, é maior que a maior das dificuldades. É por isso que, parafraseando alguém, não digamos apenas a Deus que temos grandes problemas; digamos, sobretudo, aos nossos problemas que temos um grande Deus.

 

  1. Fundamental é que tenhamos consciência das dificuldades e que estejamos dispostos a combater os obstáculos. Mau, muito mau, seria que tomássemos as dificuldades como apoios e que nos demitíssemos da missão de ser sal, fermento e luz. Importa que nunca esqueçamos que o nosso lugar no mundo é ser alternativa, não redundância.

Pensadores houve que, há muitos anos, vaticinaram que haveria de chegar um tempo em que tomaríamos o mal como bem e o bem como mal. Nessa altura, os fiéis seriam considerados infiéis e os infiéis seriam apontados como fiéis. Não nos podemos resignar, pois. Há que ser lúcido, deixando-nos guiar pela luz do Espírito Santo, a única que não ensombra, escurece ou engana.

 

B. A «má semente» conflitua com a «boa semente»

 

3. Deus envia o Seu Filho para semear a «boa semente» neste «campo» que é o mundo. É por isso que é no mundo que devemos procurar a semente, fazendo-a crescer para poder frutificar. O mundo, que muitas vezes se comporta como adversário de Cristo, é obra de Deus. Arnold Toynbee até o apresentou como «província do Reino de Deus».

A «boa semente» lançada no mundo pelo Filho do Homem são os «filhos do Reino» (Mt 13, 38). Acontece que, no meio da «boa semente», encontra-se também a «má semente», descrita como joio (cf. Mt 13, 26). Esta «má semente» são os «filhos do Maligno» (Mt 13, 38).

 

  1. É assim que os «dados estão lançados». Como alguém referiu, onde Deus constrói uma Igreja, o Diabo não descansa enquanto não constrói uma capela. Para nosso espanto, Deus não elimina logo a «má semente». Daí que ela cresça juntamente com a «boa semente». É na altura da «ceifa» — o fim do mundo (cf. Mt 13, 39) — que será feita a grande triagem.

A nós cabe-nos discernir e optar. Nós, que somos o terreno onde Deus deposita a «boa semente», também somos o campo onde o Maligno tenta depositar a «semente má».

 

C. É preciso evangelizar o mundo sem «mundanizar» o Evangelho

 

5. É a este mundo — cheio de «boa semente» e, ao mesmo tempo, exposto à «má semente» — que Deus nos envia. Deus não quer que constituamos um mundo à parte, mas que sejamos parte do mundo: para o perceber, para o transformar, para o converter. Deus não quer salvar o mundo à distância, mas pela proximidade, com todos os riscos que isso possa acarretar.

Percebemos, assim, que o Cristianismo tenha nascido peregrino e inconformado. Os primeiros cristãos, em obediência ao mandato de Cristo (cf. Mc 16, 15), viam-se como residentes em qualquer lugar e como habitantes de toda a terra. Não se sentindo distantes dos mais próximos, cedo aprenderam a sentir-se próximos dos mais distantes.

 

  1. Não foram as dificuldades que travaram a determinação dos primeiros cristãos: eles queriam mesmo levar Cristo a todo o mundo e trazer todo o mundo a Cristo. Assim sendo, não procuravam apresentar Cristo segundo os critérios do mundo. Procuravam, antes, construir um mundo segundo os critérios de Cristo. Tentaram, em suma, evangelizar o mundo sem «mundanizar» o Evangelho.

Esta ânsia de anunciar o Evangelho ao mundo não impediu, contudo, que encontrassem focos de incompreensão no mundo. Um escrito do século II — «A Carta a Diogneto» — assinala que os cristãos «amavam a todos, mas eram perseguidos por todos»; «faziam o bem, mas eram punidos como maus». Enfim, notavam que «o mundo odiava os cristãos, que não lhe faziam nenhum mal».

 

D. A alternativa não é a fuga, mas uma nova presença

 

7. Nenhum obstáculo, todavia, os demoveu do seu propósito ou amoleceu o seu discurso. Apesar dos contratempos, persistiram em mudar o mundo em nome do Evangelho. O que nunca admitiram foi mudar o Evangelho por causa do mundo. Quando as perseguições terminaram, o inconformismo manteve-se.

O desafio já não era dar a vida num momento, mas dar a vida a cada instante. No fundo, dar a vida é dar-se na vida. E não só no fim da vida. O Cristianismo, que amava o mundo, não se revia no mundo. Foi por isso que não desistiu de corporizar uma verdadeira alternativa ao mundo.

 

  1. Os cristãos não estavam a fugir do mundo, mas a corporizar uma nova presença no mundo. A opção pelo deserto e a proliferação de mosteiros mostram que houve quem percebesse que o Cristianismo transporta consigo o gérmen da insatisfação. Só que essa insatisfação não está ausente do mundo. Afinal, o deserto e os mosteiros não estão fora do mundo.

Eles são a prova de que é possível centrar a vida em Deus e não apenas por alguns dias. Deus é o centro da vida em cada dia. Daí o encanto. Daí a surpresa. Daí a contínua — e saudável — (pro)vocação!

 

E. Procuremos ser um «campo» (sempre) fecundo

 

9. A semente pode ser pequena quando é lançada à terra. Não espanta, pois, que Jesus compare o Reino dos Céus a um «grão de mostarda» (cf, Mt 13, 31). É a mais pequena de todas as sementes, mas, depois, torna-se a maior de todas as plantas (cf. Mt 13,32).

É muito significativa a reiterada atracção que Jesus tem pelo pequeno e pelos pequenos (cf. Mt 25, 40). Afinal, só o que é pequeno pode crescer. Quem já se julga grande que disponibilidade tem para crescer? É por isso que os supostamente grandes não crescem; rebentam. Ser pequeno não é ser inútil; é estar aberto e disponível. Ser pequeno é deixar-se trabalhar pelo verdadeiramente grande, tão grande que até vem ao encontro da nossa pequenez.

 

  1. O pequeno cresce por acção do «fermento» (cf. Mt 13, 33). Deixemo-nos, então, fermentar por Deus. Pelo Seu Espírito, Ele vem sempre em auxílio da nossa fraqueza (cf. Rom 8, 26). É por tal motivo que, como notou Agostinho da Silva, «mais alta que a grandeza é a humildade».

Não nos sintamos diminuídos na nossa pequenez. Nela, Deus fará o que sempre fez. É Ele que nos conduz pelos caminhos abertos por Jesus. Acolhamos a «boa semente» que Deus espalha no coração de toda a gente. Não tenhamos medo da «ceifa» final. O bem triunfará sobre o mal. Procuremos ser um campo fecundo e tudo começará a mudar. Neste nosso mundo!

publicado por Theosfera às 05:43

Sábado, 22 de Julho de 2017

Hoje, 22 de Julho, é dia de Sta. Maria Madalena e Sto. Agostinho Fangi.

Refira-se que Sta. Maria Madalena é invocada como padroeira dos vendedores de perfumes, dos surradores de peles finas, dos luveiros e dos arrependidos.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 02:05

Sexta-feira, 21 de Julho de 2017

Hoje, 21 de Julho, é dia de S. Lourenço de Brindes, Sta. Praxedas, Stos. Mártires Escilitanos e S. Daniel.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 20 de Julho de 2017

Que adianta falar se não se escuta?

A comunicação precisa tanto do silêncio como das palavras.

É que o diálogo não se faz só com os lábios; também se faz (e bastante) com os ouvidos.

Acontece que nós transformamos a comunicação em ruído. Como todos falam, quase ninguém ouve.

Importa, por isso, que passemos das palavras sobrepostas à palavra interposta.

É preciso calibrar a palavra com o silêncio.

Temos, pois, de activar o silêncio: não só para ouvir o que se diz, mas também para escutar o que não é dito.

Pertinente é, sem dúvida, o conselho de Paul Valéry: «Escuta o que se ouve quando nada se faz ouvir».

Definitivamente, chegou a hora de escutar o que (ainda) não foi ouvido!

publicado por Theosfera às 11:00

Sentimos, hoje em dia, a falta de uma certa subtileza, de uma certa elegância.

Há quem esteja sempre a exibir-se e não necessariamente pelos melhores motivos.

Parafraseando Paul Valéry, diria que a elegância é a arte de intervir sem se fazer notar.

No fundo, esta atitude corresponde ao que defendia Santo António. Mais do que falar por palavras, o importante é falar com a vida!

publicado por Theosfera às 10:26

Hoje, 20 de Julho, é dia de Sto. Apolinário, Sto. Elias, Sta. Margarida, Sto. Aurélio e Sta. Vilgeforte ou Liberata ou Comba.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 19 de Julho de 2017

Santo António Maria Claret costumava recordar o que Santo Agostinho dizia: “Aut facies quod Deus vult, aut patieris quod tu non vis — ou fazes o que Deus quer ou sofrerás o que tu não queres”».

Nem sempre o que nós queremos é o melhor.

Podemos não entender o que Deus quer de nós. Mas temos a obrigação de perceber que aquilo que Ele quer de nós é (sempre) o melhor para nós!

publicado por Theosfera às 11:01

Hoje, 19 de Julho, é dia de Nossa Senhora da Divina Graça, Sta. Justa. Sta. Rufina, Sto. Arsénio e Sta. Áurea.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 18 de Julho de 2017

A igualdade tem de ser assegurada. Mas a diferença também merece ser defendida.

Todos participamos de uma igual humanidade. Mas cada um dá-lhe uma fisionomia diferente.

 

  1. Todos somos iguais a todos. E, ao mesmo tempo, ninguém é igual a ninguém.

Foi o que notou Carlos Drummond de Andrade, que acrescentou: «Todo o ser humano é um estranho ímpar».

 

  1. Sim, estranho porque, enquanto o igual é conhecido, o diferente surpreende-nos como inesperado.

Daí a dificuldade em aceitar as diferenças. Mesmo quando se tornam conhecidas, é difícil que sejam devidamente reconhecidas.

 

  1. E, no entanto, a igualdade não contende com a diferença.

No fundo, aquilo em que somos mais iguais é no facto de todos sermos diferentes. Sendo diferentes na igualdade, acabamos por ser iguais na incorporação de diferenças.

 

  1. Acontece que ainda não percebemos que só promovemos a igualdade favorecendo as diferenças.

Para Augusto Cury, não há dúvida de que «o sonho da igualdade só cresce no respeito pelas diferenças».

 

  1. O problema é que, à força de tanto insistirmos na igualdade, quase degolamos as diferenças.

As diferenças estão a ser sufocadas. E a igualdade tende a ser cada vez mais imposta.

 

  1. Como estamos todos mais perto — embora nem sempre nos sintamos mais próximos —, facilmente clonamos formas de comunicar e maneiras de agir.

Na «cultura-standard» em que nos encontramos, propendemos a reproduzir o mesmo padrão de pensamento e de conduta.

 

  1. Uma vez que o padrão da nossa convivência está secularizado, não espanta que as nossas atitudes sejam cada vez mais secularizadas.

A pouco e pouco, deixámos de trazer a serenidade das igrejas para o mundo. Pelo contrário, começámos a levar a agitação do mundo para as igrejas.

 

  1. Até as igrejas se vão convertendo em lugares mais de passagem do que de paragem.

Quando se pára, a posição dominante é a posição sentada, não de joelhos. E o ambiente que prevalece é o ruído, não o silêncio.

 

  1. Será que já nos desabituamos de parar, de ajoelhar e de calar? É pena que não compreendamos como é importante parar, como é belo ajoelhar (para quem pode) e como é decisivo saber calar.

Afinal, nós, que tanto nos queixamos de ser tudo tão igual, que estamos dispostos a fazer para que alguma coisa possa ser diferente?

publicado por Theosfera às 10:37

No geral, temo-nos em grande conta. Mas depois, no concreto, resvalamos com espantosa facilidade.

Já o Padre António Vieira questionava: «Se nos vendemos tão baratos, porque é que nos avaliamos tão caros?»

Sejamos mais modestos na avaliação que fazemos sobre nós.

E estejamos mais atentos para que sejamos mais coerentes e fiéis!

publicado por Theosfera às 09:33

Hoje, 18 de Julho, é dia do Bem-Aventurado D. Frei Bartolomeu dos Mártires e de S. Frederico.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 17 de Julho de 2017

Cuidado com a nova forma de iliteracia.

Trata-se das leituras disruptivas e das hermenêuticas conspirativas que vamos fazendo.

Há, com efeito, cada vez mais gente que não lê o que se escreve nem ouve o que se diz.

Antes de mais e acima de tudo, procura ver «contra» quem se escreve e «contra» quem se fala.

Precisamos de voltar a Husserl e de regressar às «coisas mesmas», à realidade em si.

Limpemos a alma e purifiquemos o olhar.

Porque é que falar bem de A há-de equivaler a falar mal de B?

publicado por Theosfera às 10:01

Quem quer ter a certeza do resultado antes de agir corre o risco de cair na inacção.

Mas o calculismo está muito em voga. É por isso que sentimos falta de grandes feitos.

Neil Armstrong já notou que «não existem grandes feitos sem grandes riscos».

É quando se enfrenta o risco de tudo correr mal que se pode conseguir o maior bem.

É fundamental ousar. Só quem se dispõe a tudo perder merece tudo ganhar!

publicado por Theosfera às 09:33

Hoje, 17 de Julho, é dia do Bem-Aventurado Inácio Azevedo e seus companheiros mártires, Sta. Teresa de Sto. Agostinho e suas companheiras mártires e Sto. Aleixo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 16 de Julho de 2017

Na vida, há chegadas e há partidas,

há começos e recomeços.

 

Neste tempo de férias, Senhor,

nós não Te vamos deixar,

até porque Tu também nunca nos deixas.

 

Queremos que estas sejam férias com Deus e não férias de Deus.

Queremos escutar, ainda mais, a Tua voz

e sentir sempre a Tua presença.

 

Na Palavra, na Oração e sobretudo na Santa Missa,

nós queremos continuar sempre conTigo,

pois sabemos e sentimos que Tu estás sempre connosco.

 

Vem, Senhor, connosco.

Acompanha os nossos passos.

Liberta-nos da pior doença: o egoísmo.

Cura-nos com a mais preciosa vitamina:

a vitamina C, a vitamina Cristo!

 

Nossa Senhora dos Remédios,

o Teu santuário não é só neste monte.

O Teu santuário será também o nosso coração.

 

Onde Tu estiveres, nós estaremos.

Onde nós estivermos, também Tu estarás.

 

Toma conta da nossa vida.

E dá-nos sempre o Teu querido Filho:

Jesus!

publicado por Theosfera às 10:43

Há frases feitas que estão certas, mas que escondem verdades dolorosamente ainda mais certas.

Toda a gente diz que «errar é humano».

Afinal e paradoxalmente, o erro é uma grande verdade. Todos erramos.

O que não se diz, mas é igualmente verdade é o que Millôr Fernandes acrescentou: «Atribuir a culpa aos outros também é humano».

O problema é que, enquanto o erro se torna inevitável, atribuir as culpas pelos erros é deliberado.

Com os erros devíamos aprender. Mas há ensinamentos que teimamos em desaproveitar!

publicado por Theosfera às 08:51

Eis uma das frases feitas, que quase ninguém discute e praticamente toda a gente repete: «Não me arrependo de nada».

Com alguma acidez, mas ainda maior pertinência, Joel Neto qualifica essa frase como «tonta».

Não digo o mesmo, mas confesso que me sinto arrepiado.

Quem não se arrepende que entende?

Afinal, quem não se arrepende só se defende.

No fundo, quem não arrepende não quer mudar e dificilmente tem vontade de melhorar!

publicado por Theosfera às 08:43

Hoje, 16 de Julho (15º Domingo do Tempo Comum), é dia de Nossa Senhora do Carmo, S. Sisenando, Sta. Madalena Alberici, S. Cláudio e S. Lázaro.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:39

A. A semente é lançada em toda a terra

  1. Afinal, que tipo de terra somos nós? Seremos a «terra boa» que dá fruto (cf. Mt 13, 8)? Ou não seremos a terra à «beira do caminho» (Mt 13, 4), a «terra pedregosa» (cf. Mt 13, 5) e a terra «entre espinhos» (Mt 13, 7)? Porventura, ao longo da vida, já teremos sido um pouco de todos estes tipos de terreno.

Jesus propõe esta parábola — a parábola do semeador — para nos certificar, desde logo, de que Deus distribui os Seus dons por todos. Não deixa ninguém de fora. O problema é que nem todos recebem esses dons do mesmo modo nem produzem frutos da mesma maneira. Jesus quer frutos. Jesus quer-nos frutificados, não fortificados. Ou seja, o importante não são as nossas forças, mas os frutos que deixamos que Deus produza em nós.

 

  1. Há três respostas insuficientes, correspondentes a três tipos de terreno improdutivos. A terra «à beira do caminho» é a imagem de uma vida sem consistência, sem profundidade. Vêm as aves e comem as sementes, isto é, às primeiras adversidades, a tentação é para fenecer, estiolar e desistir.

No seu célebre «Sermão da Sexagésima», o Padre António Vieira afirma que aqui estão «os corações inquietos e perturbados com a passagem […] das coisas do mundo: umas que vão, outras que vêm, outras que atravessam, e todas passam; e nestes é pisada a Palavra de Deus, porque a desatendem ou a desprezam».

 

B. Adequar o mundo a Deus e não Deus ao mundo

 

3. A «terra pedregosa» é a imagem de uma vida feita de entusiasmos, mas sem perseverança. Não há raízes e, por isso, às primeiras investidas do sol, tudo seca. De facto, há quem não aguente as tribulações e as perseguições. Há quem se mostre inconstante adequando Deus ao mundo em vez de adequar o mundo a Deus.

Para o Padre António Vieira, cabem aqui «os corações duros e obstinados; nestes seca a Palavra de Deus e, se nasce, não cria raízes».

 

  1. A terra «entre espinhos» é a imagem de uma vida agitada, sem noção das prioridades. Daí que os espinhos sufoquem as sementes. Já o Padre António Vieira se apercebeu «dos corações embaraçados com cuidados, com riquezas, com delícias; nestes, afoga-se a Palavra de Deus».

Na verdade, tantas vezes, a nossa agenda está tão preenchida com o urgente que não arranjamos tempo — nem disponibilidade — para o verdadeiramente importante. Jesus alude, concretamente, aos «cuidados deste mundo» e à «sedução da riqueza». É isto que nos agita e é isto que também nos paralisa. Dizemos que Deus é primeiro, mas será que Deus é mesmo prioritário?

 

C. Que se passa com a «terra» que somos nós?

 

5. Hoje em dia, não faltam acções nem escasseiam multidões. Estas acções — que arrastam multidões — costumam ter muito impacto. Mas será que têm muito efeito? Há bastante alegria e enorme entusiasmo. Mas que fica quando as acções terminam e as multidões se desfazem?

Não basta acolher a semente. É fundamental cuidar da semente. Há-de ser prioridade estar disponível para fazer crescer a semente. Que se passa, afinal, com a nossa terra, com a terra que somos nós? Onde está a falha?

 

  1. A semente, como sabemos, é a Palavra de Deus. O caminho, as pedras e os espinhos são os corações dos homens. É nestes que «ardem» as maiores resistências. Mas se a Palavra de Deus é eficaz — como reconhece a Carta aos Hebreus (cf. Heb 4, 12 —, como explicar a persistência de tantas resistências? Voltando ao Padre António Vieira, é caso para perguntar: «Se a Palavra de Deus é tão eficaz […], como vemos tão pouco fruto da Palavra de Deus?»

O referido Padre António Vieira considerava três possíveis causas para este pouco fruto: o pregador, o ouvinte ou Deus. É claro que Deus só figura aqui hipoteticamente pois «Deus não falta nem pode faltar». Deus está sempre pronto: «com o sol para aquentar e com a chuva para regar; com o sol para alumiar e com a chuva para amolecer, se os nossos corações quiserem». 

 

D. Porque é que a «semente» não produz?

 

7. É curioso que o Padre António Vieira, meritíssimo pregador, responsabiliza mais os pregadores que os ouvintes. É que, como ele nota, em todos foi colocada por Deus a semente da Palavra.

«Se a Palavra de Deus até dos espinhos e das pedras triunfa; se a Palavra de Deus até nas pedras, até nos espinhos nasce; não triunfar dos alvedrios hoje a Palavra de Deus, nem nascer nos corações, não é por culpa, nem por indisposição dos ouvintes. Supostas estas duas demonstrações; suposto que o fruto e efeitos da Palavra de Deus, não fica, nem por parte de Deus, nem por parte dos ouvintes, segue-se, por consequência clara, que fica por parte do pregador. E assim é. Sabeis, cristãos, porque não faz fruto a Palavra de Deus? Por culpa dos pregadores. Sabeis, pregadores, porque não faz fruto a palavra de Deus? Por culpa nossa».

 

  1. Em causa não está a ciência nem a eloquência, mas o testemunho de vida. É por isso que o Papa Paulo VI observou que «as pessoas seguem mais as testemunhas do que os mestres». Não espanta, assim, que, embora perito no uso da palavra, Santo António tenha proposto que cessassem as palavras e falassem as obras. É que, segundo ele, de «palavras estamos cheios e de obras vazios». As palavras vencem quando a vida convence.

Daí que o Padre António Vieira tenha verificado que «as acções são o que dão o ser ao pregador. Ter o nome de pregador, ou ser pregador de nome, não importa nada; as acções, a vida, o exemplo, as obras, são o que converte o mundo […]. Palavras sem obra são tiros sem bala; atroam, mas não ferem». 

 

E. Importante não é que as pessoas nos aplaudam, mas que se convertam

 

9. Como ajudar, então, a ser «boa terra» (Mt 13, 8) para a Palavra de Deus? Como conseguir que a Palavra frutifique trinta, sessenta ou cem (cf. Mt 13, 23)? Não se trata, como reparou o Padre António Vieira, de que de uma palavra nasçam cem palavras. Trata-se de que de poucas palavras nasçam muitas obras. «As palavras ouvem-se, as obras vêem-se; as palavras entram pelos ouvidos, as obras entram pelos olhos, e a nossa alma rende-se muito mais pelos olhos que pelos ouvidos».

Os santos convencem porque, enquanto a sua palavra chega aos nossos ouvidos, o seu exemplo entra pelos nossos olhos. Se a nossa vida contraria a nossa mensagem, «se as minhas palavras vão já refutadas nas minhas obras, […] como se há-de fazer fruto?» 

 

  1. Pensando bem, todos nós, de uma forma ou de outra, somos pregadores. A todos nós está confiada a difusão da Palavra de Deus. Há que não ter medo das adversidades que se levantam e dos obstáculos que se colocam. Não tenhamos medo «dos sofrimentos do tempo presente» (Rom 8, 18). É espantoso ver que o Padre António Vieira achava que a infâmia pode até ser mais fecunda que a fama. Pregar «para ser afamado, isso é mundo: mas infamado, e pregar o que convém, ainda que seja com descrédito da fama, isso é ser pregador de Jesus Cristo».

O importante não é que as pessoas nos aplaudam, mas que as pessoas se convertam. Deixemos, então, que a Palavra de Deus passe através de nós. Mobilizemos os nossos lábios, mas disponibilizemos toda a nossa vida. Por nós Deus quer passar para a todos poder chegar!

publicado por Theosfera às 05:04

Sábado, 15 de Julho de 2017

Hoje, 15 de Julho, é dia de S. Boaventura e Sta. Ana Maria.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:02

Sexta-feira, 14 de Julho de 2017

A Eucaristia é obrigatória uma vez por semana.

Mas não será necessária todos os dias?

Será que nós devemos limitar-nos ao obrigatório?

A Eucaristia é uma constante. A Eucaristia é para sempre.

É a Eucaristia que faz a Igreja. Só na Eucaristia cresceremos em Igreja!

publicado por Theosfera às 10:51

Hoje, 14 de Julho, é dia de S. Camilo de Léllis (protector dos doentes e padroeiro dos que deles cuidam), de S. Francisco Solano e de S. Bernardo de Sabóia.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:43

Quinta-feira, 13 de Julho de 2017

Hoje, 13 de Julho, é dia de Sto. Henrique, Sta. Cunegundes e Sta. Angelina de Marsciano.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 12 de Julho de 2017

É certo e sabido que as pessoas têm um cuidado cada vez maior com o corpo.

É estranho, por isso, verificar que há um órgão que se mantém em estado de permanente descuido: a língua.

A experiência mostra que não temos cuidado nenhum com ela.

Usamo-la muito e raramente bem.

É curioso notar que o salmista estava atento «para não pecar com a língua» (Sal 39, 2).

É preciso estar atento, sem dúvida, aos «pecados da língua».

Como o resto do nosso corpo, também a língua merece um bom uso.

Nunca a usemos para condenar ninguém!

publicado por Theosfera às 10:18

Há quem esteja na vida apenas para atropelar e para destruir.

É triste, mas é a realidade.

No entanto, é uma tarefa inglória, além de sórdida.

Podem torpedear quem pugna pela verdade e pela justiça, mas não conseguirão bloquear que a verdade se manifeste nem que a justiça sobrevenha.

Pablo Neruda reparou: «Podes cortar todas as flores, mas não podes impedir a Primavera de aparecer».

Queiramo-lo ou não, tudo o que tiver de ser, será.

O melhor é nunca atropelarmos ninguém!

publicado por Theosfera às 10:08

Os êxitos podem deslumbrar. Mas são os insucessos que ensinam.

A cançonetista brasileira Rita Lee confessa ter aprendido «muito mais com o insucesso do que com o êxito».

Quem é que não aprende, afinal?

O problema é que de tantas lições nem sempre tiramos as devidas ilações.

Mas é sempre tempo de começarmos esta profunda (embora também dolorosa) aprendizagem!

publicado por Theosfera às 10:01

Hoje, 12 de Julho, é dia de três santos com o mesmo nome: João. Assim, assinala-se, neste dia, a memória de S. João Gualberto, S. João Jones e S. João Wall.

Refira-se que a conversão de S. João Gualberto ocorreu em Sexta-feira Santa quando, finalmente, encontrara o assassino de um parente seu. Ele, armado com uma espada, preparava-se para a vingança após uma prolongada procura. O assassino pediu clemência e ouviu como resposta: «Não por ti, mas por Aquele que, num dia como este, derramou o Seu sangue por todos nós». Foi logo para um convento beneditino e mudou de vida.

Um santo e abençoado dia para todos!
publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 11 de Julho de 2017
  1. Por hábito, não investimos muito na espiritualidade.

Em relação às acções de natureza espiritual, ou não participamos ou, quando participamos, exibimos uma sensibilidade pouco espiritual.

  1. Dificilmente fazemos silêncio por fora e quase nenhum silêncio fazemos por dentro.

Enfim, a nossa saúde intelectual, económica e até desportiva pode não estar mal. Mas será que a nossa saúde espiritual está muito bem?

 

  1. Não me refiro tanto ao que se passa no chamado «espaço público». Pensemos no que ocorre nos espaços sagrados.

Onde está a diferença? Nas próprias igrejas, não é o ruído que prevalece?

 

  1. É espantoso notar como a agitação predomina onde devia imperar o recolhimento.

Até durante a oração, o silêncio está praticamente ausente. Quando o silêncio é pedido, apenas se baixa o som. Mas o burburinho mantém-se.

 

  1. Muitas vezes, só há silêncio numa igreja quando a igreja está vazia. Quando as igrejas se enchem, parecem encher-se sobretudo de alvoroço e desordem.

Que condições criamos para a escuta, para a meditação?

 

  1. A situação não é nova. Ela foi prevista, entre outros, por Karl Rahner.

O teólogo alemão, falecido em 1984, vaticinou a chegada de uma era de «mediocridade espiritual».

 

  1. Sucede que nem sequer nos apercebemos da anemia de que padecemos.

Sofremos, de facto, de uma atonia generalizada na nossa vida. A causa principal está na debilidade da nossa experiência espiritual.

 

  1. Vivemos muito voltados para o exterior, subestimando, quase por completo, a interioridade.

Esta ausência de vida interior reflecte-se na tremenda dificuldade que temos em despojar-nos de quanto nos é «aditado» desde fora.

 

  1. Mesmo nos locais de maior espiritualidade, raramente nos desprendemos dos artefactos tecnológicos.

Até nas igrejas continuamos aprisionados por telemóveis, tablets e todo o género de dispositivos digitais. Ou seja, continuamos ligados ao exterior e completamente desligados do interior.

 

  1. Esquecemos que a nossa vida, para ser inteira, também precisa de interioridade. Aliás, a interioridade não nos enquista em nós. O melhor que temos para dar está no nosso interior. Pelo que não damos tudo quando só nos damos por fora.

Sem interioridade, sobrevivemos amputados. É bom que os lábios permaneçam abertos. Mas o decisivo é que o coração nunca esteja fechado. Não olhemos para Deus apenas por fora. Afinal, Ele (também) habita dentro de nós!

publicado por Theosfera às 12:34

Há quem estabeleça uma cisão entre a sabedoria e a felicidade.

Era o caso, por exemplo, de Erasmo de Roterdão: «Quanto maior é a sabedoria, tanto mais os homens se afastam da felicidade».

Talvez porque a sabedoria localiza os obstáculos que se interpõem à felicidade.

Mas não consistirá a verdadeira sabedoria na arte de ser feliz? E a felicidade não será a essência da sabedoria?

Nada está adquirido à partida. Que tudo possa ser acolhido no caminho até à chegada.

Quando a sabedoria nos visitar, que a felicidade não esteja longe de chegar!

publicado por Theosfera às 10:06

Se, para agir, estamos à espera de que nos dêem razão, poderemos estar a adiar (para sempre) toda e qualquer acção.

Muitas vezes, as pessoas sabem quem tem razão. O problema é que não o reconhecem.

Parafraseando uma afirmação célebre de Castellani, diria que toda a gente sabe quem tem razão.

Mas toda a gente também sabe que a razão nunca é dada a quem a tem!

publicado por Theosfera às 09:57

Segunda-feira, 10 de Julho de 2017

Hoje, 10 de Julho, é dia de Sta. Verónica Giuliani, Sta. Felicidade e seus Sete Filhos e S. Pacífico.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 09 de Julho de 2017

É tempo de agradecer.

É hora de louvar.

É o momento de fazer sentir a nossa gratidão.

 

Obrigado, Senhor,

por fazeres de nós a terra onde lanças a Tua semente.

 

Obrigado por acreditares em nós.

Apesar das nossas limitações e resistências,

Tu continuas a estar ao nosso lado

e a habitar na nossa vida.

 

Nós somos pequeninos.

Mas Tu, Senhor, apostas sempre no que é pequeno,

naquilo que quase nem se nota.

 

Obrigado, Senhor, por nos ensinares

que a grandeza é sempre humilde

e que a humildade é sempre grande.

 

Semeia em nós, Senhor,

a Tua semente e o Teu grão de mostarda.

 

Que nós sejamos terra arável, terra fecunda.

Que não sejamos nós, mas que deixemos ser Tu em nós.

 

Transforma o nosso ser.

Sê Tu a vida da nossa vida,

o tempo para o nosso tempo,

o horizonte do nosso caminhar pelo tempo!

 

Ajuda-nos a crescer na escuta da Tua palavra.

Dá-nos a força da serenidade,

a simplicidade da confiança

e a energia da paz.

 

Que nós nunca deixemos de Te procurar

e de convidar outros para esta procura,

sabendo e sentido

que na procura já existe encontro

e que cada encontro é convite para nova procura.

 

Obrigado, Senhor, por tanto.

Obrigado, Senhor, por tudo.

Obrigado pelo pão.

Obrigado pelo amor.

Obrigado por seres quem és,

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:01

A. Não separemos o que Jesus uniu: sabedoria e humildade

  1. Quem não deseja progredir no conhecimento e avançar na sabedoria? Também sobre isto, o ensinamento de Jesus é cheio de luz. D’Ele nos vem a indicação mais preciosa. Quem alguma quiser saber, de humildade tem de se abastecer.

Não separemos nunca o que Jesus quis unir sempre: a sabedoria e a humildade. Só pela humildade se chega à sabedoria. Só quem tem consciência de que não sabe, procura saber. Um dos homens mais sábios de sempre teimava em confessar que, quanto mais sabia, mais sabia que não sabia. A sua humildade guiou-o até aos mais elevados promontórios da sabedoria. É por isso que só o humilde é sábio. É por isso que só o humilde é verdadeiramente grande. Não foi em vão que Emanuel Lévinas reconheceu que «mais alta que a grandeza é a humildade».

 

  1. A humildade consegue chegar aonde a arrogância não é capaz de se acercar. A arrogância nem sequer tem consciência do que lhe escapa. Por tal motivo a arrogância é a irmã gémea da ignorância. Só a humildade se lança ao encontro do que lhe falta. É assim que a arrogância vive da presunção. Só a humildade alcança — ainda que se canse — o que procura. Ao reconhecer as suas limitações, o humilde não se acomoda e vai procurando supri-las. Na sua humildade, torna-se sábio porque a primeira sabedoria é ter consciência de que é necessário procurá-la.

Com tantos alardes de sabedoria, falta-nos dar conta do saber inicial: o não-saber. Não percebemos que todo o saber começa por um não-saber. «Não sei» também é resposta. Só depois de passarmos por este primeiro saber, estaremos em condições de nos abrirmos aos outros saberes. Como pode chegar ao maior saber quem não passou devidamente pelo primeiro saber?

 

B. A humildade é o melhor guia — e o maior guião — para a sabedoria

 

3. Facilmente se percebe, assim, que a humildade seja o melhor guia — e o maior guião — para nos aventurarmos pelos caminhos da sabedoria. É que a humildade, abrindo-nos as portas a toda a sabedoria, nunca nos fecha as janelas deste primeiro saber.

Onde não há humildade, haverá sabedoria? Thomas Elliot não tinha dúvidas. Para ele, a única sabedoria que existe «é a sabedoria da humildade». A humildade é sempre sábia e a sabedoria deve ser sempre humilde. Se a sabedoria não é humilde, não é sábia. Sábio, com efeito, não é o que presume que sabe. Pelo contrário, é o que pensa que não sabe e, nessa medida, se esforça por saber. Não é fácil incluir a humildade na sabedoria. Mas o mais difícil é alcançar a sabedoria da humildade.

 

  1. A humildade ajuda-nos a conhecer melhor Deus, o mundo, a vida, os outros e nós mesmos. De facto, se nos conhecêssemos verdadeiramente, seríamos mais humildes. Se fôssemos mais humildes, conhecer-nos-íamos verdadeiramente. Havia um santo que achava que «o conhecimento de nós mesmos como que nos leva pela mão até à humildade». Poderemos acrescentar que, complementarmente, a humildade leva-nos pela mão até ao conhecimento de nós mesmos.

A humildade é o chão onde tudo nasce e cresce. Sem humildade, vogamos sempre na ilusão. Na sabedoria humilde e na humildade sábia, apercebemo-nos de que, sendo diferentes de todos, não somos superiores a ninguém. Porque humilde, o verdadeiro sábio não se considera superior nem vê os outros como inferiores. Para ele, os outros não estão em baixo nem tampouco ao lado. Os outros estão dentro dele. A humildade faz-nos perceber que cada ser humano pertence a todo o ser humano, a toda a humanidade. Este é o padrão basilar da sabedoria.

 

C. A humildade não igualiza, mas fraterniza

 

5. A humildade não nos igualiza, mas fraterniza-nos. Não nos torna iguais, mas ajuda a tornar-nos irmãos. Não nos torna iguais pela simples razão de que estamos marcados — e enriquecidos — pela diferença. Mas torna-nos irmãos porque, capacitando-nos da nossa incompletude, nos leva a aprender com as riquezas de que os outros (também) são dotados.

No fundo, a humildade é a verdade e a verdade é a humildade. Assim sendo, a verdade não é violenta nem torturante. Aparece e dá-se a quem a procura. A verdade é Jesus Cristo, o Humilde. É na humildade de Cristo que, como nos disse Bento XVI, «Deus não nos deixa tactear na escuridão. Ele mostrou-Se como homem. Ele é tão grande que pode até tornar-Se pequeníssimo». A esta luz, as pessoas humildes são aquelas que percebem que o mundo não termina nem acaba em si. São aquelas que percebem que o centro do mundo não está em si. São, pois, aquelas que não olham para si. São aquelas que olham para fora de si.

 

  1. Afinal, até o mais alto quis descer até ao mais baixo. Até Deus é humilde. Em consonância com a imagem e semelhança de Deus, o humilde não olha de cima, olha para cima. Orson Welles verbalizou o essencial da humildade quando disse: «Penso que é impossível que o homem seja grande se não admitir que há alguma coisa maior do que ele».

Sucede que, como reparou Xavier Zubiri, o homem tem uma grande dificuldade em aceitar «a ideia de um ser supremo». Sem se aperceber, ele coloca o divino ao nível do humano e coloca o humano ao nível do divino. Concretamente, a humanidade descobre-se «imersa na técnica, que quase não põe limites ao domínio da natureza pelo homem». São cada vez mais os que se resignam a permanecer «aposentados na sua vida». O seu horizonte parece ser mais a técnica do que a eternidade.

 

D. Até Deus quer ser humilde

 

7. Há, portanto, um solipsismo existencial que vai fazendo o seu caminho. O homem, deslumbrado consigo mesmo e com os seus feitos, presume que não precisa de Deus. E, ao mesmo tempo, acha que também não precisa dos outros. Estamos no tempo em que cada um parece querer «valer por si mesmo». É a «cultura self» no seu pior.

Esquecemos que até Deus, sendo único, não é um. Não notamos que Deus, em Si mesmo, é família, é partilha e comunhão. Pode dizer-se que Deus exerce, eternamente, a arte da humildade.

 

  1. Deus exerce, desde sempre esta arte da humildade. Como Holderlin reparou, «Deus criou o mundo como o mar criou os continentes: retirando-Se», ou seja, dando espaço. Segundo a doutrina hebraica do «zimzum», Deus como que Se contrai na Sua imensidão para «hospedar» o homem e todo o universo.

Por aqui se vê como Deus deixa o mundo ser mundo e como Deus deixa o homem ser homem. Deus é tão humilde e recatado no mundo que alguns até dizem que não O sentem, que não O vêem nem O ouvem.

 

E. A grandeza dos «pequeninos»

 

9. Jesus, o Filho de Deus, era manso e humilde (cf. Mt 11, 29): mansamente humilde e humildemente manso. Jesus garante-nos que Deus não Se revela na arrogância, no orgulho, na prepotência, mas na simplicidade, na humildade, na pobreza.

É por isso que Jesus louva o Pai por Se revelar não aos que se julgam sábios e inteligentes, mas aos verdadeiros sábios e inteligentes: os pequeninos, isto é, os humildes. É que só estes, vazios de si, estão disponíveis para acolher a novidade libertadora de Deus.

 

  1. O próprio Jesus apresenta-Se «humilde e manso». Ele vem não sobrecarregar, mas para aliviar. O Seu jugo não é cruel; é suave. E a Sua carga não é pesada; é leve.

Aprendamos, então, com Jesus. Não nos julguemos maiores que ninguém. A todos demos as mãos. E nunca nos esqueçamos de viver como irmãos!

publicado por Theosfera às 05:17

Hoje, 09 de Julho (14º Domingo do Tempo Comum), é dia de Sta. Joana Scopelli, S. Nicolau Pick, S. Wilhaldi, S. João de Colónia, Nossa Senhora Mãe da Santa Esperança e Virgem Santa Maria, Rainha da Paz.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 08 de Julho de 2017

O paraíso não foi só no início nem terá de ser apenas após o (nosso) fim.

O paraíso não mora só além. Deste lado, também há Céu.

Jorge Luís Borges achava que «não se passa um dia em que não estejamos, pelo menos um instante, no paraíso».

Eu diria que não pode passar um momento em que não estejamos no paraíso.

Não somos só nós que estamos a caminho do paraíso. O paraíso também está (sempre) a caminho de nós.

Não o afastemos. Nem o adiemos!

publicado por Theosfera às 12:04

A alegria e a tristeza convivem e alternam-se, dentro de nós.

Vão e vêm. Dão lugar uma à outra com uma cadência nem sempre equilibrada.

Para nosso pesar, a tristeza parece ter um lugar mais cativo.

As aparições da alegria aparentam ser perfunctórias, nas breves oportunidades que lhe dá a tristeza.

É certo que Jean de La Fontaine notava que, «sobre as asas do tempo, a tristeza vai-se embora».

Mas, sobre essas mesas asas, a alegria também parece ausentar-se.

Por vezes, ficamos sem saber se a tristeza é um intervalo entre longos períodos de alegria. Ou se não é a alegria um fugaz intervalo entre prolongados espaços de tristeza.

Demos sempre as boas-vindas à alegria, mesmo quando a tristeza nos sufocar!

publicado por Theosfera às 11:57

A Bíblia fala da «terra do esquecimento» (Sal 88, 13).

De facto, são muitos os que habitam nessa «terra».

São muitos os esquecidos. São bastantes os que esquecem.

Mas nem dessa «terra» Deus está ausente.

Deus nunca deixa de lembrar os mais esquecidos!

publicado por Theosfera às 06:57

Hoje, 08 de Julho, é dia de S. Grégório Grassi, S. Francisco Fogolla, Sto. António Fantosati e Mártires Abraamitas.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 07 de Julho de 2017

Hoje, 07 de Julho, é dia de S. Diogo de Carvalho, S. Rogério Dickenson, S. Raul Milner e Sta. Maria Romero.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 06 de Julho de 2017

Há quem pense que o segredo da vida está em ter desejos pequenos.

Desejos pequenos evitam decepções grandes. Mas também impedem empreendimentos empolgantes.

Quem não deseja muito, conseguirá realizar muito?

É por isso que William Faulkner acha que «a sabedoria suprema é ter sonhos bastante grandes para não se perderem de vista enquanto os perseguimos».

Sonhos pequenos facilmente desaparecem. Quem sonha pouco, conseguirá alguma coisa?

Nunca deixe de sonhar.

O sonho não é tudo. Mas está no começo de tudo!

publicado por Theosfera às 07:00

Hoje, 06 de Julho, é dia de Sta. Maria Goretti, Sto. Isaías, Sta. Maria Teresa Ledochovska, Sta. Inácia Mesa e Sta. Rosalina.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 05 de Julho de 2017

Hoje, 05 de Julho, é dia de Sto. António Maria Zacarias e Sta. Godoleva, invocada para as doenças da garganta e para a amigdalite.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 04 de Julho de 2017

Como acreditar em quem diz aqui e desdiz ali?

Qual será a palavra certa de quem tem atitude incerta?

Nathaniel Hawthorne percebeu: «Ninguém pode, por muito tempo, ter um rosto para si mesmo e outro para a multidão sem no final se confundir sobre qual deles é o verdadeiro».

Não é possível confiar em quem só quer agradar. O discurso pode ser variável, mas a verdade prefere ser estável.

É e será o que sempre foi!

publicado por Theosfera às 10:19

Hoje, 04 de Julho, é dia de Sta. Isabel de Portugal, Santos Mártires de Iorque e S. Pedro Jorge Frassati.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:12

Segunda-feira, 03 de Julho de 2017

Hoje, 03 de Julho, é dia de S. Tomé e Sto. Anatólio de Laodiceia.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 02 de Julho de 2017

Tu, Senhor, és vida.

Tu, Senhor, és fonte de vida.

Tu, Senhor, és recomeço de vida.

 

Obrigado, Senhor, por nos tocares.

Por te aproximares de nós com tanto afecto,

com tanto amor.

 

Obrigado por Te fazeres um de nós

e por nos devolveres à vida

mesmo depois de todas as nossas quedas.

 

É tão admirável o Teu procedimento

que, mesmo quando nós não damos conta de Ti,

Tu já estás connosco,

Tu já estás em nós.

 

É tão maravilhosa a Tua presença.

É tão intensa a Tua paz.

É tão imenso o Teu amor.

 

Vivemos um tempo de desânimos e desalentos,

de tristezas muitas e angústias mil.

 

Mas Tu, Senhor, não desistes de nós,

mesmo quando algum de nós desiste de Ti.

 

Tu estás sempre a presentear-nos com as Tuas oportunidades.

Tu és vida antes da vida.

Tu és vida depois da vida.

Tu és sempre vida,

vida sem fim.

 

Obrigado, Senhor, por tanto.

Obrigado, Senhor, por tudo.

 

Cura-nos por dentro.

Transforma-nos a partir do fundo.

Dá-nos um novo coração,

um coração como o Teu,

JESUS!

 
 
publicado por Theosfera às 10:58

Parcializar nunca é caminho. O melhor é integrar.

Há quem ache que há um tempo para aprender e um outro tempo para praticar o que se aprende.

Jean-Jacques Rousseau considerava que «a juventude é a época de se estudar a sabedoria; e a velhice é a época de a praticar».

Acontece que a melhor forma de aprender a sabedoria é praticá-la.

É por isso que estamos sempre a aprender. E é por isso que devemos estar sempre a praticar o que se aprende!

publicado por Theosfera às 08:16

A. Ser cristão é uma questão de viver, não de dizer

  1. Afinal, em que lugar está Jesus Cristo na nossa vida? Por vezes, entre o dizer e o viver pode subsistir uma grande distância. É um facto que nos dizemos «cristãos». Mas será que procuramos viver como cristãos? Nunca esqueçamos que ser cristão não é uma questão de dizer, mas de viver. Ser cristão, com efeito, não se diz apenas com os lábios. Ser cristão só se diz com a vida.

Seremos nós «cristãos de vida»? Ou seremos apenas «cristãos de língua»? Que estamos dispostos a fazer por Cristo? Que estamos dispostos a deixar por Cristo? Que estamos dispostos a dar por Cristo?

 

  1. Nada — nem ninguém — pode estar acima de Cristo, sob pena de não termos autoridade para nos considerarmos «cristão». Quem se diz «cristão» diz-se «de Cristo». Tenhamos sempre presente que, para um cristão, viver é sempre «cristoviver». Um cristão só vive na medida em que vive em Cristo, com Cristo e para Cristo.

É por isso que, embora pareça radical, Jesus acaba por ser elementar, coerente. No fundo, não é o discurso de Jesus que é radical. O nosso percurso é que, muitas vezes, é insonso e insosso, incolor e inodoro: sem chama, sem garra e sem alma.

 

B. Não há cristão sem Cruz

 

3. Ser cristão implica amar Jesus Cristo acima de tudo e até ao limite. «Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim não é digno de Mim. E quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim não é digno de Mim» (Mt 10, 37). E tendo em conta que não há Cristo sem Cruz, também não pode haver cristão sem Cruz: «Quem não toma a sua cruz, para Me seguir, não é digno de Mim» (Mt 10, 38).

Ser cristão é agir cristão e o agir cristão tem de ser uma reprodução do agir de Cristo. Uma vez que a Cruz está presente na vida de Cristo, como é poderia estar ausente da vida do cristão? Aliás, nem é preciso fazer um grande esforço para a procurar. A Cruz está sempre a vir ao nosso encontro. Mesmo que tentemos fugir da Cruz, é mais do que evidente que a Cruz nunca foge de nós.

 

  1. Tomar a Cruz é arriscar a vida; é aceitar perder a vida. Para Jesus, só ganha a vida quem dá a vida, quem se dá na vida. Daí o Seu (veemente) apelo: «Quem conservar a vida para si, há-de perdê-la; e quem perder a vida por Minha causa há-de encontrá-la» (Mt 10, 39). O que se perde é a nossa vida própria. O que se ganha é a própria vida de Cristo. Não foi Ele que Se apresentou como sendo a vida? «Eu sou a vida», diz Jesus (Jo 14, 6).

A nossa opção é, pois, muito clara. Ou queremos uma vida própria, enquistada em nós mesmos, rebolada no nosso egoísmo pessoal, ideológico e terreno. Ou abrimo-nos a uma vida maior, centrada em Deus e disponível para todos. É certo que a escolha não é fácil. A pulsão individualista é muito forte. Mas o «Eu» de Cristo em nós fará maravilhas inauditas. A felicidade nunca é tão grande como quando nos damos a Deus e aos irmãos.

 

C. Porque Deus não desiste de nós, não desistamos nós de Deus

 

5. Tomar a Cruz não tem nada de depressivo. Tomar a Cruz tem tudo de expressivo. No fundo, a Cruz expressa a realidade do nosso Baptismo. Como ouvimos na Segunda Leitura, «nós, que somos baptizados em Jesus Cristo, somos baptizados na Sua morte» (Rom 6, 3). É que, só estando com Cristo na morte, conseguiremos estar com Cristo na Sua vitória sobre a morte.

São Paulo avisa: «Assim como Cristo ressuscitou dos mortos […], também nós caminharemos numa vida nova. Se morrermos com Cristo, acreditamos que também com Ele viveremos» (Rom 6, 4.8). É por isso que a Páscoa não é só a Ressurreição. A Ressurreição é o «terminus ad quem» da Páscoa. Mas o «terminus a quo» da Páscoa é a Morte. A Páscoa começa com a Morte. A Páscoa é a passagem da Morte para a Ressurreição. Só há Ressurreição depois da Morte. É, portanto, preciso morrer para ressuscitar. Nunca percamos de vista. É preciso morrer para o pecado, para o egoísmo, para a mentira, para toda a espécie de mal e de maldade.

 

  1. O Baptismo opera, de modo sacramental, esta morte para o pecado e esta vida para Deus. No Baptismo, identificamo-nos com Cristo na Morte e identificamo-nos com Cristo na Ressurreição. A Morte, que já não tem domínio sobre Cristo (cf. Rom 6, 9), também nenhum domínio terá sobre quem está em Cristo. No Baptismo, começamos a viver para Deus (cf. Rom 6, 10).

Estaremos, então, dispostos a esta morte para termos acesso a esta vida? Estaremos dispostos a morrer para o pecado, para o mal e para a maldade? Estaremos dispostos a permanecer vivos para Deus em Cristo Jesus (cf. Rom 6, 11)? Nem sempre o que se celebra no Sacramento se torna visível na vida. Há que fazer convergir o plano sacramental com o plano existencial. Quando cairmos, não hesitemos em voltar a levantar-nos. Deus não desiste de nós. Não desistamos nós de Deus.

 

D. Cristo vai com quem parte

 

7. Jesus identifica-Se totalmente com os Seus discípulos. Ele vai com quem parte. Foi essa a Sua última promessa: «Eu estarei sempre convosco, até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20). É por isso que quem ouve o discípulo, ouve o próprio Mestre: «Quem vos ouve, a Mim ouve» (Lc 10, 16). Quem acolhe os enviados de Jesus, acolhe Jesus e o próprio Pai: «Quem vos acolhe, acolhe-Me a Mim e quem Me acolhe, acolhe Aquele que Me enviou» (Mt 10, 40).

Nada é esquecido por Jesus. Até um copo de água fresca, dado aos Seus discípulos, terá a devida recompensa (cf. Mt 10, 42). E se é tão grande a recompensa — a vida do próprio Deus —, porque é que resistimos tanto a dar?

 

  1. A Primeira Leitura descreve um gesto de hospitalidade para com um enviado de Deus e a recompensa de Deus por tal gesto. Esta mulher não se limita a oferecer a Eliseu uma refeição. Ela manda também construir, para o profeta, um quarto no terraço da sua casa.

O gesto da mulher não vale apenas pela importância da hospitalidade. Ele sinaliza também o reconhecimento de que Eliseu é um homem de Deus, através do qual Deus age no mundo. No fundo, ao ajudar Eliseu, a mulher está a colaborar com Deus.

 

E. Nunca nos enclausuremos em nós

 

9. Em resposta à generosidade da mulher, Eliseu anuncia-lhe o nascimento de um filho. A promessa tem um valor especial, dada a dificuldade de ter filhos que pesa sobre o casal, devido à avançada idade do marido.

Este episódio ensina-nos que colaborar com Deus é fonte de vida e de bênção. Deus não deixa de recompensar quantos com Ele se dispõem a colaborar.

 

  1. Por conseguinte, não sejamos cristãos de «meias-tintas» ou a «meio-gás». Cristãos temos de ser sempre por inteiro, em completo «full time». É verdade que há muitas adversidades por fora e bastantes obstáculos por dentro. Mas, se tivermos vontade, a presença de Cristo tudo removerá. Nada — nem ninguém — é tão forte como a força de Cristo.

Abramos, pois, a portas do nosso coração. Não aceitemos ficar enclausurados em nós. Cantemos sempre a divina bondade. E procuremos «semeá-la» por toda a humanidade!

publicado por Theosfera às 05:49

Hoje, 02 de Julho (13º Domingo do Tempo Comum), é dia de S. Bernardino Realino, S. João Francis Régis, S. Francisco de Jerónimo, S. Julião de Maunoir e Sto. António Baldinucci.

Existe a particularidade de serem todos sacerdotes e todos membros da Companhia de Jesus.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 01 de Julho de 2017

Hoje, 01 de Julho, é dia do Preciosíssimo Sangue de Jesus e de Sto. Aarão.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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