O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 24 de Abril de 2017

Hoje, 24 de Abril, é dia de S. Fiel de Sigmaringa, S. Gregório de Elvira, Sta. Maria de Santa Eufrásia Pelletier, S. Bento Menni e Conversão de Sto. Agostinho.

Um santo e abençoado dia pascal para todos!

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Domingo, 23 de Abril de 2017

A. Um dia com 192 horas

  1. Cada dia tem 24 horas. Mas há um dia — em Outubro — com 25 e outro dia — em Março — com 23 horas. E, depois, há o dia de Natal e este dia de Páscoa com 192 horas. Não é engano, é a verdade. A Páscoa, tal como o Natal, é um dia com 192 horas. É um dia que se estende por oito dias, até hoje. Aliás, já Santo Atanásio, no século IV, chama ao Domingo da Páscoa o «grande Domingo». Este «grande Domingo» converte-se em «Domingo grande». Como é que um Domingo tão intenso não haveria de se transformar num Domingo extenso?

É por isso que, desde o Domingo da Páscoa até hoje, o prefácio da oração eucarística menciona «este dia [e não «este tempo»] em que Cristo, nossa Páscoa, foi imolado. E é por isso também que os salmos de Laudes, Vésperas e Completas são os mesmos de Domingo da Páscoa da Ressurreição.

 

  1. Assim sendo, não estamos no tempo depois da Páscoa. De resto, um cristão nunca pode viver depois da Páscoa. Um cristão tem de estar sempre em Páscoa. Em bom rigor, hoje ainda estamos no Dia da Páscoa. É este extenso — e muito intenso — Dia da Páscoa que abre o Tempo Pascal, que nos vai levar até ao Pentecostes. Este Tempo Pascal não é um tempo que sucede à Páscoa. É um tempo que celebra a Páscoa e que nos conduz ao tempo em que se há-de vivenciar a Páscoa, isto é, todo o tempo da nossa vida.

O Tempo Pascal é, pois, inseparável de uma Vida Pascal, de uma vida inteiramente «pascalizada». A Páscoa acende uma luz que não se apaga inaugurando um dia que não se extingue.

 

B. As sete designações para este Domingo

 

3. Este dia de oito dias é a «Oitava da Páscoa». «Oitava da Páscoa» não é, contudo, a única designação para este Domingo. De resto, este Domingo é conhecido por sete nomes: 1) «Oitava da Páscoa», 2) «Domingo in Albis» (Domingo Branco), 3) «Domingo Quasímodo», 4) «Domingo Novo», 5) «Pascoela», 6) «Domingo II da Páscoa» e 7) «Domingo da Divina Misericórdia».

Já o Antigo Testamento, no Livro do Levítico, apresenta o «Oitavo Dia» com o mesmo estatuto do «primeiro dia» (cf. Lv 23, 39). Ambos são dias de festa, ambos são dias de descanso.

 

  1. A tradição cristã liga a Ressurreição quer ao «primeiro dia», quer ao «oitavo dia». O próprio Cristo é «o primeiro e o último» (cf. Ap 1, 11). A Igreja habituou-se a apresentar o «Oitavo Dia» como o «Dia que o Senhor fez» ou, mais sucintamente, como o «Dia do Senhor», isto é, «Domingo».

É por tudo isto que um dos textos mais antigos — a denominada «Epístola de Barnabé» — indica expressamente que os cristãos guardavam «o “oitavo dia”», qualificando-o como «o dia em que Jesus Se levantou dos mortos».

 

C. Significado da «Oitava da Páscoa»

 

5. É curioso notar que, conforme nos refere o Antigo Testamento, a festa dos tabernáculos e a festa da dedicação do Templo já tinham «oitava» (cf. Lv 23, 26; 2Cr 7, 9). Daí que algumas fontes baptismais e alguns túmulos cristãos tivessem a forma de octógonos.

A introdução da «oitava» terá acontecido por ocasião da dedicação das Basílicas de Jerusalém e  de Tiro, cujas festas duraram oito dias. Posteriormente, algumas festas litúrgicas passaram a incluir «oitavas». As primeiras foram a Páscoa, o Pentecostes e, no oriente, a Epifania. Seguiu-se o Natal, que também recebeu a sua «oitava». As festas de São Pedro e São Paulo, São Lourenço e Santa Inês foram igualmente distinguidas com «oitavas».

 

  1. Chegaram a ser tantas as «oitavas» que a Igreja viu-se na necessidade de as catalogar. Assim, havia as «oitavas privilegiadas», as «oitavas comuns» e as «oitavas simples». As «oitavas privilegiadas» eram, por sua vez, subdivididas em «oitavas privilegiadas de primeira ordem, de segunda ordem e de terceira ordem».

Em 1955, foi suspensa a maior parte das «oitavas», mantendo-se apenas as da Páscoa, Natal e Pentecostes. Finalmente, em 1969, foi extinta a «oitava do Pentecostes», subsistindo as outras duas.

 

D. Um dia para tocar, de modo especial, a misericórdia de Deus

 

7. Este Domingo da Oitava da Páscoa também foi conhecido, em tempos, como «Domingo in Albis», ou seja, «Domingo Branco». Com efeito, era neste Domingo que os baptizados na Vigília Pascal vinham entregar a túnica branca que tinham recebido e que usavam durante a semana a seguir à Páscoa. Já agora, este Domingo recebeu igualmente o nome de «Domingo Quasímodo» por causa das primeiras palavras da antífona de entrada da Missa. São palavras extraídas da Primeira Epístola de São Pedro (2,2): «Como crianças recém-nascidas, desejai o leite espiritual». Em latim aquele «como» diz-se «quasi modo».

Também há sinais de os cristãos de fala grega denominarem este Domingo como «Dominica Nova» (Domingo Novo), em homenagem à vida nova recebida na Páscoa, pelo Baptismo. Entre o povo há quem, como sabemos, tome este Domingo como «Domingo de Pascoela», termo que significa «pequena Páscoa».

 

  1. Oficialmente, este é o «Domingo II da Páscoa» ou «da Divina Misericórdia». Esta última designação foi determinada a 30 de Abril de 2000, data que nesse ano também coincidiu com o segundo Domingo da Páscoa. Foi nesse dia que São João Paulo II canonizou Santa Faustina Kowalska, polaca como ele.

A esta religiosa, que faleceu em 1938, Jesus pediu que pintasse uma imagem Sua, que deveria conter a inscrição «Jesus, eu confio em Vós». Também pediu que essa imagem fosse venerada no mundo inteiro e, de modo solene, no domingo após o Domingo de Páscoa. Refira-se que esta santa é a grande apóstola da misericórdia, sobretudo através dos seguintes meios: devoção à Imagem da Misericórdia Divina; Terço da Divina Misericórdia; Festa da Divina Misericórdia; Novena da Divina Misericórdia; e Oração das três horas da tarde (em memória da hora da Sua morte).

 

E. Feliz é quem crê porque vê

 

9. Nas revelações que fez a Santa Faustina, Jesus disse que, especialmente neste dia, «estão abertas as entranhas da Minha Misericórdia. A alma que seconfessare comungar alcançará o perdão das suas penas e culpas. Neste dia, estão abertas todas as comportas divinas pelas quais fluem as graças. Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de Mim».

Foi esta a misericórdia que Jesus prodigalizou a Tomé «oito dias depois» da Ressurreição (cf. Jo 20, 26). No dia da Ressurreição, Tomé não estava com os outros discípulos. Não viu — nem ouviu — Jesus e, por isso, não acreditou (cf. Jo 20, 25). Quando parecia que Tomé tinha desistido de Jesus, eis que Jesus volta mostrando que não tinha desistido de Tomé.

 

  1. Jesus não desiste de Tomé. Jesus não desiste de nós. Como fez a Tomé, também vem ao nosso encontro, também Se deixa tocar por nós. Também nos convida a meter a nossa mão no Seu lado (cf. Jo 20, 27). É pelo Seu lado ferido que Jesus sara as nossas feridas. A Confissão e a Comunhão são, hoje em dia, o grande modo de «tocar» em Jesus e de nos deixarmos «tocar» por Jesus. Foi à Igreja, representada pelos discípulos, que Jesus confiou a missão de distribuir o Perdão (cf. Jo 20, 22). Foi à Igreja, sinalizada pelos mesmos discípulos, que Jesus entregou a missão de distribuir o Pão (cf. 1Cor 11, 24).

Digamos a todos o que os discípulos disseram a Tomé: «Vimos o Senhor» (Jo 20, 25). E que felizes nós somos porque vemos o Senhor! Vemo-Lo, estamos sempre a vê-Lo, na fé. Esta é a Bem-Aventurança que alimenta a nossa esperança! Melhor do que «ver para crer» é «crer para ver». Feliz não é quem crê porque vê. Feliz é quem vê porque crê. Nós não acreditamos porque vemos. Nós vemos porque acreditamos. E na fé não há limites. A fé é ilimitadamente «vidente». Na fé conseguimos ver até o invisível. Em vez de «ver para crer», habituemo-nos, então, a «crer para ver». Quem acreditar nunca deixará de encontrar. São os «óculos da fé» que nos guiarão pelas estradas do mundo. São os «óculos da fé» que iluminarão a nossa vida com um amor sempre mais profundo!

 

publicado por Theosfera às 13:12

Páscoa é todos os dias, Páscoa é todo o tempo.



Páscoa não foi. Páscoa é. A Páscoa não passa. A Páscoa é passagem, mas nunca é passado.



A Páscoa não foi apenas há oito dias. A Páscoa também é hoje.



Também hoje, Senhor, vens ter connosco. Também hoje nos dás a Tua paz, o Teu perdão, o Teu amor.



O Teu mandamento não é pesado, o Teu jugo é suave, a Tua carga é leve.



Quando Te amamos, amamos também as pessoas. Quando amamos as pessoas, amamos-Te também a Ti.



Também hoje, queremos ter um só coração e uma só alma.



Também hoje, queremos pôr tudo em comum.



Também hoje, queremos que ninguém passe necessidade, que ninguém tenha fome.



Também hoje, queremos conjugar, com os lábios e com a vida, o verbo «dar», o verbo «repartir», o verbo «amar».



O que é de cada um queremos que seja de todos.



Ajuda-nos, Jesus, a vencer a pior doença: o egoísmo.



Ensina-nos, Jesus, a vencer a falsidade e a mentira.



Envolve-nos, Jesus, com a Tua misericórdia e habita-nos com a Tua bondade.



Obrigado, Jesus, por morreres por nós.



Obrigado, Jesus, por ressuscitares para nós.



Obrigado por vires sempre ao nosso encontro.



Como S. Tomé, também hoje Te adoramos, também hoje Te dizemos:



«Meu Senhor e meu Deus!»

publicado por Theosfera às 11:15

Hoje, 23 de Abril (Domingo II da Páscoa ou da Divina Misericórdia), é dia de Sto. Adalberto, Sto. Egídio de Assis, Sta. Helena de Údine, S. Jorge, Sta. Teresa Maria da Cruz e Sta. Maria Gabriela Sagheddu.

Um santo e abençoado dia pascal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 22 de Abril de 2017

Hoje, 22 de Abril (Sábado da Oitava da Páscoa), é dia de Sta. Senhorinha, S. Sotero, S. Caio, S. Leónidas, Sto. Hugo de Grenoble e Nossa Senhora, Mãe da Companhia de Jesus.

Um santo e abençoado dia pascal ara todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 21 de Abril de 2017

Não confundamos nem nos iludamos.

Uma coisa é ser tolerante, outra coisa (bem distinta) é ser permissivo.

De facto, não é possível igualizar a aceitação do diferente e a conivência com o mal.

Há pessoas que se dizem tolerantes quando o que mostram ser é permissivas.

Descansam, assim, a sua consciência e justificam-se por nada fazerem diante da injustiça.

É bom ser pacífico, não passivo!

publicado por Theosfera às 11:02

Se queremos obter alguma coisa, temos de procurar muito.

Se desejamos conseguir muito, temos de buscar muito mais.

Se pretendemos alcançar o máximo, temos de sonhar com o inatingível.

Como reconheceu Max Weber, «a história ensina-nos que o homem não teria alcançado o possível se não tivesse tentado o impossível».

Quando olhamos para o infinito, nunca estacionamos em qualquer finito!

publicado por Theosfera às 10:25

Hoje, 21 de Abril (Sexta-Feira da Oitava da Páscoa), é dia de Sto. Anselmo de Aosta, S. Conrado de Parzham e S. Maximiano de Constantinopla.

Um santo e abençoado dia pascal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 20 de Abril de 2017

A oração é importante para obter o que se pretende.

E é ainda mais necessária para aceitar o que não é concedido.

Em qualquer situação, Deus está sempre no nosso coração.

Oremos sempre a Deus. Ele nunca abandona os filhos Seus!

publicado por Theosfera às 12:00

Há qualquer coisa de epifânico na poesia.

Ela é como que uma divina visitação à nossa humana condição.

Octávio Paz verbalizou: «A poesia é o ponto de intersecção entre o poder divino e a liberdade humana».

A liberdade humana é o chão que acolhe o poder divino.

É por isso que a poesia é bela, arrebatadora.

É por isso que os santos são grandes poetas.

Mesmo que não escrevam, inscrevem o maravilhoso na nossa vida.

Eles são os transportadores do eterno para o tempo!

publicado por Theosfera às 07:39

Hoje, 20 de Abril (Quinta-Feira da Oitava da Páscoa), é dia de Sta. Inês de Montepulciano, S. Marcelino de Embrun e Sta. Oda.

Um santo e abençoado dia pascal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 19 de Abril de 2017

Hoje, 19 de Abril (Quarta-Feira da Oitava da Páscoa e duodécimo aniversário da eleição do Papa Bento XVI), é dia de S. Leão IX, S. Vicente Colibre, Sta. Ema, Sto. Hermógenes, S. Caio e Sto. Expedito.

Um santo e abençoado dia pascal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 18 de Abril de 2017

 

  1. O mistério pascal impactou fortemente a Igreja.

Jesus, que deu tudo (cf. Jo 19, 34), motivou os membros da Igreja a tudo dar.

 

  1. Era deste modo — mais do que pela proximidade temporal — que a Igreja primitiva se sentia próxima de Jesus.

A Igreja sentia-se próxima de Jesus pelo serviço, pela partilha. E, acima de tudo, pela atenção aos mais pobres.

 

  1. O «comunalismo» dos cristãos era levado até às últimas consequências. «Entre eles, tudo era comum» (Act 4, 32).

Isto significa que ninguém considerava seu o que era comum. Pelo contrário, todos consideravam comum o que era seu (cf. Act 4, 32-34).

 

  1. Resultado? Ninguém tinha nada e a ninguém faltava nada.

Entre os primeiros cristãos, não havia «qualquer necessitado» (Act 4, 34).

 

  1. Há quem veja tudo isto como puramente ideal e, nessa medida, como totalmente irreal.

Contudo, também houve cristãos que sempre olharam para tudo isto como normal. Ou seja, como eco da norma que vem do próprio Jesus.

 

  1. Recorrendo ao método das «sortes biblicae», São Francisco de Assis percebeu que Jesus queria que ele desse tudo e se desse todo.

Foi quando, ao abrir aleatoriamente o leccionário, encontrou este apelo: «Vai, vende tudo o que tens e dá o dinheiro aos pobres» (Mc 10, 21).

 

  1. A «exegese» testemunhal de Francisco não podia ser mais clara.

Não só se colocou ao lado dos pobres como ele mesmo se tornou pobre.

 

  1. Mas São Domingos não lhe ficou atrás. Depois de ter vendido tudo para tudo dar aos pobres, apareceu-lhe uma viúva a pedir ajuda. Como já nada tinha, ofereceu-se a si mesmo para ser vendido.

Aliás, o Bispo Paulino fizera o mesmo. Deixou-se vender a alguém que tinha um escravo para que este fosse posto em liberdade.

 

  1. Segundo Santo Agostinho, só há uma coisa pior do que ficar com o alheio. É não partilhar o que é nosso.

O que se dá aos pobres é «património que se põe nas mãos de Deus». É um património que «nem a república o toma nem o fisco o ocupa».

 

  1. Afinal e como notou São Jerónimo, quem bate à nossa porta «não é o pobre, é Cristo no pobre».

Não esqueçamos nunca. «Quem estende as mãos ao pobre estende as mãos a Cristo»!

publicado por Theosfera às 10:40

Hoje, 18 de Abril (Terceira-Feira da Oitava da Páscoa), é dia de S. Perfeito, Sta. Maria da Encarnação, S. Tiago de Oldo e Sta. Sabina Petrilli.

Um santo e abençoado dia pascal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 17 de Abril de 2017

Dizia Cícero que «quem não sabe história é sempre criança». Mas sem a inocência das crianças.

Quem não sabe história reproduz, quase sempre, o pior que ocorreu. E raramente aprende com o que de melhor aconteceu.

Não subestimemos a história. Estudemos a história para melhor fazermos história!

publicado por Theosfera às 09:38

É preciso saber andar. Mas é igualmente fundamental saber esperar.

Gabriel García Marquez notou que «a humanidade avança à velocidade do mais lento».

Enquanto o mais lento não avançar, a humanidade não avançará.

Por conseguinte, não empurremos ninguém para trás.

Demos as mãos a todos para, em conjunto, seguirmos em frente!

publicado por Theosfera às 09:32

Hoje, 17 de Abril (Segunda-Feira da Oitava da Páscoa), é dia de Sto. Aniceto, Sta. Maria Ana de Jesus, Sta. Catarina Tekakwitha e S. Benjamim Mantuano.

Um santo e abençoado dia pascal para todos.

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 16 de Abril de 2017

A. Foi de correria a manhã daquele dia

  1. Eis uma manhã agitada, como agitadas são tantas das nossas manhãs. A manhã da Ressurreição foi uma manhã de agitação. A manhã daquele dia foi uma manhã de correria. Maria Madalena corre desde o túmulo até junto de Pedro e do Discípulo Amado (cf. Jo 20, 2). Por sua vez, Pedro e o Discípulo Amado também correm até ao túmulo (cf. Jo 20, 4).

Muito mais tarde, quando faz este relato, o evangelista tem o cuidado de anotar que aquele era não somente um «outro dia», mas o «primeiro dia» (cf. Jo 20, 1). Tratava-se do «primeiro dia» não apenas de uma nova semana, mas de uma nova vida. Aliás, esta alusão à «semana» pode ser entendida em comparação com a semana da primeira criação, relatada no Génesis (cf. Gén 1, 1-2, 3). Agora, estamos no «primeiro dia» da nova criação, no «primeiro dia» da nova humanidade.

 

  1. À semelhança do que aconteceu na primeira criação (cf. Gén 1, 3-5), também a primeira obra de Deus na nova criação é a luz. Segundo o relato do Livro do Génesis, a terra no início estava escura, dominada pelas trevas (cf. Gén 1, 2). Também agora e apesar de já ser manhã — altura em que já costuma haver alguma luz —, «ainda estava escuro» (Jo 20, 1).

Esta escuridão é mais espiritual que ambiental. Onde estava escuro não era no exterior; era no interior. Era dentro de Maria Madalena — e de todos os outros — que persistia a escuridão. No seu coração, ainda era noite, ainda não tinha amanhecido. Como compreender o que tinha acontecido?

 

B. Já era manhã no exterior, mas continuava a ser noite no interior

 

3. Maria Madalena — como os outros discípulos — ainda não tinha entendido o significado daquela morte. Ainda não tinha dado conta de que aquela morte não interrompera aquela vida. Ainda não tinha percebido que aquela morte destruíra a própria morte (cf. 2Tim 1, 10). Ainda não conseguira compreender cabalmente o que significava a necessidade de o grão de trigo ter de morrer para dar fruto (cf. Jo 12, 24).

Para Maria Madalena — como para os restantes discípulos —, continuava a ser noite. Ela ainda não notara que o dia já tinha começado. Parafraseando o Livro do Cântico dos Cânticos, dir-se-ia que era ainda pela noite que Madalena ia à procura do amado da sua alma (cf. Ct 3, 1). Ia, no entanto, à procura de um morto. Com muito pesar da sua parte, estava persuadida de que a morte tinha triunfado.

 

  1. Dá a impressão de que a comunidade tinha esquecido que quem tem fé, mesmo que morra, não deixará de viver (cf. Jo 11, 25). Mas quem não esquece esta verdade? Quem não vacila na fé? Madalena fica alarmada e vem, a correr, partilhar o seu alarmismo (cf. Jo 20, 2). Não é isso o que nos acontece hoje? Não estamos sempre predispostos a embarcar em todos os alarmismos? Não são as notícias negativas mais divulgadas que as notícias positivas?

Os outros discípulos — certamente também alarmados — vão igualmente a correr para se inteirarem, «in loco», do que se passa. Naquele momento, não ocorreu a ninguém que aquele túmulo não estava vazio, mas aberto. Vazios pareciam estar eles: vazios de fé, vazios de ânimo, vazios de esperança. Ainda era noite no seu íntimo. Para eles, a pedra retirada do túmulo (cf. Jo 20 1) era sinal de roubo, não de ressurreição. No fundo, a pedra retirada do túmulo acentuava a vulnerabilidade a que a morte expõe as pessoas. Punha-as à mercê do que quisessem fazer com elas.

 

C. Só junto de Jesus se faz luz

 

5. Continuava a ser escuro para todos, como se deduz do plural usado no relato de João: «Levaram o Senhor do túmulo e não sabemos onde O puseram» (Jo 20, 2). Suspeitavam de um assalto, de um roubo. Por conseguinte, o estado de desorientação é total.

Sem Jesus ou com um Jesus presumivelmente morto, não há orientação à vista. De resto, é impressionante notar como, nestes nove versículos, a palavra «túmulo» é mencionada sete vezes. O que domina é, pois, a ideia de que Jesus está morto. Há uma atitude de procura, mas trata-se da procura de um Jesus morto.

 

  1. Eis que nos pode acontecer o mesmo que aconteceu a Maria Madalena: anunciar Jesus, mas anunciar um Jesus morto, um Jesus de Quem não sabemos sequer onde está. Nessa altura, é preciso, como fizeram os discípulos: voltar a correr ao encontro de Jesus (cf. Jo 20, 4). Só junto de Jesus se faz luz. Só junto de Jesus se faz luz sobre Jesus. Não é Jesus a luz (cf. Jo 8, 12)? Por conseguinte, só junto de Jesus aprendemos a crer em Jesus e a conhecer Jesus.

O Discípulo Amado, que estivera com Jesus até ao fim (cf. Jo 19, 26), vai à frente. Pedro, que não esteve com Jesus até ao fim, vai atrás. É por isso que, como bem notou D. António Couto, Pedro tem de seguir quem seguiu Jesus. Na Igreja inteira, o amor tem a dianteira. O Discípulo Amado chega primeiro ao túmulo: inclina-se, vê, mas não entra (cf. Jo 20, 6). Porque o amor é paciente (cf. 1Cor 13, 4), é capaz de esperar até por aqueles que vacilam no amor. Enfim, há sempre novas oportunidades no amor.

 

D. Um túmulo cheio de sinais de vida

 

7. Os dois discípulos, em correria, perceberam, finalmente, o que acontecia. No túmulo, os panos que envolveram o corpo de Jesus estavam no chão e o lenço que Ele tivera na cabeça encontrava-se cuidadosamente dobrado, noutro sítio (cf. Jo 20, 5.7). Vêem e acreditam (cf. Jo 20, 8). Começam, finalmente, a entender o que, até então, não tinham entendido (cf. Jo 20, 9).

No fundo e como observa D. António Couto, o túmulo não estava vazio, mas cheio, cheio de sinais: não cheio de sinais de morte, mas cheio de sinais de vida. Os ladrões não teriam o cuidado de dobrar o lenço da cabeça de Jesus. Não é costume dos ladrões deixar as coisas em ordem quando assaltam. Isto significa que aquilo que se passou no túmulo não foi acção humana, mas obra divina. O túmulo foi aberto por Deus. A pedra foi removida por Deus. A morte foi vencida por Deus.

 

  1. Deus «desamarra» Jesus de todas as «amarras». É Deus que «desliga» Jesus de todas aquelas «ligaduras». É então que se faz luz nas escuras vidas dos discípulos. Faz-se luz sobre a Ressurreição e faz-se até luz sobre a morte. Nem a morte eliminou Jesus. A Sua vida não foi interrompida, mas transfigurada.

A morte de Jesus é uma morte «morticida», uma morte que mata a morte. Não elimina a vida; ilumina a vida.

 

E. É por Jesus que nem na morte havemos de morrer!

 

9. Os discípulos compreenderam, finalmente, o sentido das palavras do Mestre. Ninguém Lhe tinha tirado a vida; era Ele que dava a vida (cf. Jo 10, 18). A esta luz, percebe-se que os evangelistas não digam explicitamente que Jesus morreu. Preferem, antes, dizer que entregou o Espírito (cf. Jo 19, 30). Uma vez que o Espírito está associado à vida (cf. Jo 6, 63), então, ao dar-nos o Espírito, dá-nos também a vida, a Sua vida.

Nós que, tantas vezes, sentimos que vamos morrendo na vida, olhemos para Jesus que nos dá vida na própria morte.

 

  1. Vivamos, por isso, em Páscoa e não apenas no dia de Páscoa. Não basta haver um dia de Páscoa. É preciso que haja toda uma vida de Páscoa. É urgente que todas as nossas vidas sejam vidas de Páscoa.

É a vida de Páscoa que dá sentido ao dia de Páscoa, ao tempo de Páscoa. A Páscoa está no tempo para nunca deixar de estar na vida. A Páscoa não cansa. Não cansa nem dá descanso. É preciso fazer como os discípulos da primeira hora. É preciso sair e correr, a toda a pressa, para anunciar Jesus. Digamos, então, a todos que aquele que foi à morada dos mortos continua vivo. Até aos mortos Ele dá vida. É Jesus que nos faz viver. É por Jesus que nem na morte havemos de morrer!

publicado por Theosfera às 13:11

Já é Páscoa no tempo,

há alegria e esplendor,

vivacidade e contentamento.

Os foguetes vão estourar,

as flores vão brilhar,

as pessoas vão vibrar,

as casas vão encher

para Te acolher, Senhor.

Há dois mil anos,

removeste a pesada pedra do Teu sepulcro.

Pedimos-Te, Senhor,

que, hoje mesmo,

removas alguma pedra que ainda endureça os nossos corações:

a pedra do pecado,

a pedra do egoísmo,

a pedra da falsidade,

a pedra da injustiça, do ódio e da violência.

Aqui nos tens, Senhor,

não queremos ser sepultura mas berço.

Queremos que nasças sempre em nós

e queremos renascer sempre para Ti.

É tempo de Páscoa.

Exulta a natureza.

Vibram as crianças.

Cantem as multidões.

Que a Páscoa traga Paz,

Amor, Partilha e Felicidade.

Que os rostos sorriam,

que as mãos se juntem,

que os passos se aproximem,

que os corações se abram.

Obrigado, Senhor,

por morreres por nós.

Obrigado, Senhor,

por ressuscitares para nós.

Voltaste para o Pai e permaneces connosco.

Na Eucarista, és sempre o Emanuel.

Que Te saibamos receber

e que Te queiramos anunciar.

Hoje vais entrar em nossas casas.

Que nós nunca Te afastemos da nossa vida.

É Páscoa no tempo.

Que seja Páscoa na vida,

na nossa vida,

na vida da humanidade inteira.

publicado por Theosfera às 10:43

Um brado vem desta noite: «Ressuscitou! Não está aqui!» (Mt 28, 6; Lc 24, 6).

Já não está no lugar da morte. Já terminou a visita que fez aos mortos.

«Não está aqui!».

Jesus para o Pai voltou, mas connosco continuou.

Ele já «não está aqui!» Agora, Ele está (também) em si!

Aleluia. Louvemos o Senhor. E a todos levemos sempre o Seu amor!

publicado por Theosfera às 07:06

Hoje, 16 de Abril (Páscoa da Ressurreição), é dia de S. Bento José Labre, Sta. Engrácia de Saragoça e S. Magno da Escócia.

Também faz 90 anos o Papa Emérito Bento XVI.

Um santo e abençoado dia pascal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 15 de Abril de 2017

Os primeiros cristãos não viram a morte de Jesus como morte. Viram-na até como morte da morte.

Não espanta, por isso, que o sepultamento tenha sido encarado como uma espécie de adormecimento.

Um texto muito antigo, do século IV, refere que Jesus «adormeceu e acordou os que dormiam há séculos».

A Sua morte funciona como um «despertador» dos mortos. Na sepultura, Jesus faz uma visita aos que estão mortos, para os acordar.

Ele «faz questão de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte».

Jesus é a «vida dos mortos». Até para os mortos Ele é vida.

Nem tudo está perdido, pois!

publicado por Theosfera às 11:05

Hoje, 15 de Abril (Sábado Santo), é dia de S. Crescente, Sta. Basilissa e Sta. Anastácia, S. César de Bus e S. Damião de Molokai.

Falta 01 dia para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 14 de Abril de 2017

É tão pesada a Cruz,

a Tua Cruz, Senhor,

que não sei como conseguiste erguê-la

nem como conseguiste erguer-Te

depois de, por três vezes,

ela Te ter feito cair.

 

Como foi possível, Senhor,

depois já de tanto sangue derramado?

Como foi possível, Senhor,

depois já de tantas atrocidades?

Como foi possível, Senhor,

depois da agonia, da flagelação, da coroação de espinhos?

 

Não concebo, mas percebo.

Tu conseguiste arcar com o peso do madeiro,

porque mais pesado que a Cruz era o peso do amor,

o peso do Teu infinito amor.

 

Não concebo, mas percebo:

o Teu amor emagreceu a Cruz,

o Teu amor encolheu a Cruz.

 

Quem olha para Ti, Senhor,

dá a impressão de que a Tua Cruz era leve.

Nada nem ninguém Te fez recuar.

 

Deixa-me, Senhor, pegar na Tua Cruz.

Ela está ao meu lado,

à minha beira.

 

A Tua Cruz continua pesada,

bem pesada,

em tantos lares, hospitais, ruas.

 

A Tua Cruz, Senhor,

tem hoje o nome de miséria,

injustiça, falsidade,

superficialidade e comodismo.

 

Deste-nos tanto,

dás-nos tudo.

E nós, tantas vezes,

recuamos e recusamos

dar-Te um tempo, uma hora, um dia.

 

Acorda-nos, Senhor,

desperta-nos da sonolência em que caímos.

Faz-nos olhar para Ti,

para a Tua Cruz, Senhor!

publicado por Theosfera às 15:00

Porque é que Jesus resolveu pedir ao Pai que perdoasse àqueles que O mataram (cf. Lc 23, 34)?

Aelredo de Rievaulx notou que «são grandes pecadores que sabem avaliar a gravidade do seu pecado».

Por isso, «"perdoa-lhes, ó Pai". Crucificam-Me, mas não sabem a quem crucificam [...]. Julgam-Me transgressor da lei, usurpador da divindade, sedutor do povo. Ocultei-lhes a Minha face e não reconheceram a Minha majestade; por isso, "perdoa-lhes, ó Pai, porque não sabem o que fazem"»!

publicado por Theosfera às 11:45

  1. Jesus morreu. Mas os primeiros cristãos não entenderam a Sua morte como morte. E, na Liturgia Pascal, a Igreja até garante que Jesus «destruiu a morte».Como notou Santo Agostinho, Cristo «matou a morte com a Sua morte». Ao morrer, «matou em Si a morte»!

 

  1. É certo que Ele foi dado como morto (cf. Jo 19, 33) e sepultado (cf. Mc 15, 46).

Espantoso é o significado teológico atribuído a este facto biológico.

 

  1. Os evangelistas não dizem abertamente que Jesus morreu.

Marcos (15, 37) e Lucas (23, 46) referem que Jesus «expirou» («exépneusen»). Embora seja considerado sinónimo de «falecer», o sentido imediato de «expirar» é «expelir ar».

 

  1. Uma das palavras que os gregos usavam para descrever o «ar» era «pneuma». Esta traduz-se habitualmente por «espírito».

Olhando para a fórmula verbal «exépneusen», depreendemos que Jesus «deixou sair o pneuma». Ou seja, o «espírito».

 

  1. Esta percepção sai reforçada em Lucas.

Com efeito, antes de «expirar» — isto é, antes de «deixar sair o espírito» —, Jesus anuncia ser isso mesmo o que vai fazer: «Pai, nas Tuas mãos, entrego o Meu Espírito».

 

  1. Tudo, entretanto, se explicita em Mateus (27, 50) e João (19, 30).

Para Mateus, Jesus «deixou ir o espírito» («aphêken tò pneuma»). Segundo João, Jesus «entregou o Espírito» («parédôken tò Pneuma»).

 

  1. De que modo? «Inclinando a cabeça».

Ora, inclinar a cabeça é próprio não só de quem morre, mas também de quem adormece. E a Igreja acredita ter nascido não «do lado morto», mas, como recorda o Concílio, do «lado adormecido» de Cristo.

 

  1. Ninguém Lhe tira a vida; é Ele que dá a vida (cf. Jo 10, 18). Dando o Espírito, dá a vida (cf. Jo 6, 63). Melitão de Sardes, no século II, coloca-nos na pista certa. Jesus, «com o Seu Espírito, que não podia morrer, matou a morte homicida».

É por isso que a Sua morte é uma morte «morticida», uma morte que mata a morte. Não elimina a vida; ilumina a vida.

 

  1. Está concluída (cf. Jo 19, 30) a redenção, mas não a vida do Redentor. Até da morada dos mortos Ele ressurge vivo.

Na sepultura não encontra um lugar de aniquilamento, mas de repouso. Tal como Deus repousa após a obra da criação (cf. Gén 2, 2), também o Filho de Deus repousa após a obra da redenção. Este repouso não é sequer passivo. No Seu repouso, Jesus está em plena actividade. Ele vai visitar os mortos. Como refere um conhecido texto do século IV, Jesus faz uma visita aos que estão mortos. Ele «faz questão de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte». Jesus é a «vida dos mortos». Até para os mortos — sobretudo para os mortos — Ele é vida.

 

10. Dá a impressão de que Jesus não morreu; viveu a morte. É por isso que, para Santo Agostinho, como para tantos outros, Jesus nasce para morrer. Isto é, para viver a nossa morte. É que, «se não tomasse da nossa natureza a carne mortal, não tinha possibilidade de morrer por nós». Ou seja, não tinha possibilidade de «dar vida aos mortais».

Tudo somado, mais do que morrer, Jesus participa da nossa morte. Porquê? Porque, «participando da nossa morte, torna-nos participantes da Sua vida». Enfim, Jesus muda tudo. Ele vai ao ponto de nos «vitalizar» na própria morte!

 

11. A vida de Jesus não é interrompida. É transfigurada pelo Espírito que nos entrega «da parte do Pai» (Jo 15, 26).

É no Espírito que Jesus vive eternamente. É no Espírito que também nós viveremos para sempre!

 

publicado por Theosfera às 10:49

Nem sempre a morte elimina a vida e há uma vida que ilumina a morte.

Quem ouve os primeiros cristãos fica com a impressão de que Jesus não morreu; viveu a morte.

É por isso que, ao situarem o nascimento de Jesus no horizonte da Sua morte, situam-no sobretudo no horizonte da vivência da nossa morte.

Para Santo Agostinho, como para tantos outros, Jesus nasce para morrer. Isto é, para viver a nossa morte.

É que, «se não tomasse da nossa natureza a carne mortal, não tinha possibilidade de morrer por nós». Ou seja, não tinha possibilidade de «dar vida aos mortais».

Tudo somado, mais do que morrer, Jesus participa da nossa morte.

Porquê? Porque, «participando da nossa morte, torna-nos participantes da Sua vida».

Enfim, Jesus muda tudo. Ele vai ao ponto de nos «vitalizar» na própria morte!

 

publicado por Theosfera às 06:43

Hoje, 14 de Abril (Sexta-Feira Santa, de Jejum e Abstinência) é dia de Sta. Ludovina, S. Pedro González Telmo e Sto. Hermenegildo.

Faltam 02 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:43

Quinta-feira, 13 de Abril de 2017

Todos os caminhos são belos. Mas haverá algum mais belo que o sacerdócio?

Todos os caminhos nos podem levar da Terra para o Céu. Mas pelo sacerdócio é o próprio Céu que vem até à Terra.

Não é fácil o sacerdócio.

Deus pede muito, mas dá muito mais, infinitamente mais.

Dá-Se a Ele mesmo!

publicado por Theosfera às 00:15

Hoje, 13 de Abril (Quinta-Feira Santa), é dia de Sta. Ida de Bolonha, S. Martinho I e Sta. Margarida de Métola.

Faltam 03 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 12 de Abril de 2017

As bibliotecas e os laboratórios são fundamentais para coligir o saber. Mas não bastam para fornecer a sabedoria.

João de Ávila, mestre de um saber que floriu em santidade, confessou: «Mais gostaria de ver os estudantes com calos nos joelhos de rezar do que com olheiras de estudar».

Por incrível que pareça, são aqueles calos que abrem os nossos olhos.

A sabedoria bebe-se na fonte. Se faltar a fonte, o caudal seca.

Era por isso que von Balthasar defendia a «Teologia de Joelhos» como pressuposto da «Teologia de Secretária».

Não tenhamos medo de ajoelhar. Deus tem tanto para nos mostrar!

publicado por Theosfera às 10:29

Hoje, 12 de Abril (Quarta-Feira Santa), é dia de S. Júlio I, S. Zenão de Verona, S. Vítor de Braga e Sta. Teresa de Jesus (chilena).

Faltam 04 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 11 de Abril de 2017

Atónitos, perguntamos: «Como chegamos aqui?»

O certo é que estamos aqui. E, pela amostra, não há muita vontade de sair daqui.

O «politicamente correcto» impõe-se e a tendência é para bajular o comportamento dos mais novos.

Mas é assim que os ajudamos?

Na educação, não pode contar só a competência. É preciso voltar a valorizar a decência.

Só com mais aprumo mudaremos de rumo.

De geração em geração, o «egocentrismo» cimenta a sua posição.

Todos pensam em si. Quando nos aperceberemos de que o mundo não começa (nem acaba) em nós?

publicado por Theosfera às 09:46

Hoje, 11 de Abril (Terça-Feira Santa), é dia de Nossa Senhora dos Prazeres, Sto. Estanislau, Sto. Isaac e Sta. Helena Guerra.

Faltam 05 dias para a Páscoa da Ressurreição. 

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 10 de Abril de 2017

Hoje, 10 de Abril (Segunda-Feira Santa), é dia de Sto. Ezequiel, S. Terêncio, S. Macário, S. Fulberto, Sto. António Neyrot e Sta. Madalena de Canossa.

Faltam 06 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 09 de Abril de 2017

Tu és rei, Senhor, e o Teu trono é a Cruz.

 

Tu és rei, Senhor, e Teu reino é o coração de cada Homem.

 

Tu és rei, Senhor, e estás presente no mais pequeno.

 

Tu és rei, Senhor, e estás à nossa espera no pobre.

 

Tu és rei, Senhor, e queres mais o amor que o poder.

 

Tu és rei, Senhor, e moras em tantos corações.

 

Tu és rei, Senhor, e primas pela mansidão e pela humildade.

 

Tu és rei, Senhor, e não tens exército nem armas.

 

Tu és rei, Senhor, e não agrides nem oprimes.

 

Tu és rei, Senhor, e não ostentas vaidade nem orgulho.

 

Tu és rei, Senhor, e a tua política é a humildade, a esperança e a paz.

 

Tu és rei, Senhor, e continuas a ser ignorado e esquecido.

 

Tu és rei, Senhor, e continuas a ser silenciado.

 

Tu és rei, Senhor, e vejo-Te na rua, em tanto sorriso e em tanta lágrima.

 

Tu és rei, Senhor, e vais ao encontro de todo o ser humano.

 

Tu és rei, Senhor, e és Tu que vens ter connosco.

 

Hoje, Senhor, vou procurar-Te especialmente nos simples, nos humildes, nos que parecem estar longe.

 

Hoje, Senhor, vou procurar estar atento às Tuas incontáveis surpresas.

 

Obrigado, Senhor, por seres tão diferente.

 

Obrigado por seres Tu:

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:39

A. Senhor de todos os passos

 

1. De Betânia para Jerusalém. Da Páscoa antiga para a Páscoa nova. Da casa para a cidade e da cidade para uma outra casa. Da mesa para a rua e da rua para uma outra mesa. Desta outra mesa para o monte. Da refeição para a oração. Do dia para a noite. Da luz para as trevas. Da negação para a traição. Do Getsémani para o tribunal. Da prisão para o julgamento. Da acusação para a agressão. Da ofensa para a sentença. Da multidão para a solidão. Da presença para o abandono. Da tortura para a humilhação. Do pretório para o Gólgota. Da flagelação para a Cruz. Da vida para a morte. Do baixo para o alto. Do alto para baixo. Da Cruz para a sepultura. Do cúmulo para o túmulo. De ontem para hoje.

 

2. Eis os passos que já passaram. Eis os passos que ainda estão a passar. Eis os passos que nunca passam. No fundo, este é o verdadeiro dia de Nosso Senhor dos Passos: de todos os passos, dos Seus passos, dos nossos passos, dos passos que deu há dois mil anos, dos passos que dá connosco hoje. Foi por nós que Jesus subiu à Cruz e desceu ao túmulo. E só no túmulo parou todo aquele cúmulo de amor. Ou, melhor, nem no túmulo parou todo aquele cúmulo de amor.

 

B. A Cruz não ficou em Jerusalém

 

3. Nós é que devemos parar — e reparar — diante da Cruz. Este é o dia de parar na Cruz. Este é o dia de parar para reparar na Cruz. Este é o dia de parar para reparar nos passos que conduziram à Cruz. E este há-de ser o dia para começar a reparar os nossos passos que nem sempre estão em sintonia com o testemunho que nos vem da Cruz. A Cruz não tem só passado. A Cruz também tem presente. A Cruz também subsiste no presente.

 

4. A Ressurreição não constitui a eliminação da Cruz, mas a revelação do significado — e do alcance — da Cruz. O que ressuscitou mantém as marcas da Cruz, como faz questão de mostrar a Tomé (cf. Jo 20, 27). É como se nos estivesse a dizer que só se chega à Ressurreição pelo caminho da Cruz. Só volta à vida quem dá a vida, quem se dá na vida. É por isso que a Cruz não ficou em Jerusalém, a Cruz está espalhada pelo mundo. Jesus continua a carregar a Cruz em tantos que vão carregando a Cruz. A Cruz continua a ser carregada nos hospitais e nas prisões. A Cruz continua a ser carregada em camas abandonadas de tantas casas isoladas. A Cruz continua a ser carregada por tanta gente sem pão, sem trabalho e sem saúde. A Cruz continua a ser carregada por tantos que sofrem as dores da injustiça e da opressão. A Cruz continua a ser carregada por tantos que são esquecidos e maltratados.

 

C. A Cruz está sempre a passar

 

5. Jesus continua a ser crucificado em tantos que crucificamos. O que fazemos a eles é o que fazemos a Ele (cf. Mt 25, 40). O que não fazemos a eles é o que deixamos de fazer a Ele (cf. Mt 25, 45). Nunca esqueçamos que a Cruz tem uma actualização sacramental, na Eucaristia, e uma permanente actualização existencial, na vida de tantas pessoas. A Cruz não passou, a Cruz está sempre a passar. Será lícito votar-Lhe ausência ou indiferença? Se Jesus é diferente, como continuar a ser indiferente?

 

6. A esta semana os antigos chamavam «semana pascal». E, com efeito, esta é uma semana pascal: não só porque é a semana que nos conduz à celebração da Páscoa, mas também porque nos convida a «passar» de uma vida centrada em nós a uma vida centrada em Deus e nos irmãos. A antiga liturgia de Milão dava a esta semana o nome de «semana autêntica» por ser a semana que assinala os verdadeiros «trabalhos de Jesus». E não há dúvida de que, nos «trabalhos» derradeiros como em toda a Sua vida, Jesus recusa tudo o que é falso, mentiroso ou apenas aparente. Jesus vive — e morre — para dar testemunho da verdade (cf. Jo 18, 37). Não admira, portanto, que os cristãos olhassem, desde cedo, para esta semana como uma «semana santa», uma «semana grande» e uma «semana maior». Tudo o que nela acontece é santo, é grande, é maior. Trata-se, por isso, de uma semana que não se esgota em sete dias. A «semana maior» é, pois, uma «semana grande» e há-de tornar-se uma semana sem termo. Nela ocorrem os acontecimentos que mudaram a história e que hão-de mudar a nossa vida. Podemos dizer que esta é também a «semana primeira» que inaugura os tempos últimos, os tempos definitivos em que vivemos.

 

D. Paz, até na violência

 

7. No Domingo de Ramos, não procuramos apenas recordar a entrada solene de Jesus em Jerusalém. Procuramos sobretudo dar testemunho público da nossa fé em Jesus Cristo, morto e ressuscitado. Já agora, refira-se que este Domingo também chegou a ser conhecido como «Capitulavium», que significa «lavagem das cabeças». É que, neste dia, os que iam ser baptizados na Vigília Pascal, no sábado seguinte, lavavam solenemente a cabeça numa cerimónia pública. Em Jerusalém, a Procissão dos Ramos começava pelas 13 horas, no Monte das Oliveiras. Cantavam-se hinos e salmos, e faziam-se leituras da Sagrada Escritura. Pelas 17 horas, era lido o Evangelho que descreve a entrada de Jesus em Jerusalém. Nessa altura, todos, com ramos de oliveira e palmeira, saíam em direcção à cidade, cantando e rezando.

 

8. Nós também chegámos aqui com ramos e vamos sair daqui com a Cruz, procurando plantá-la na nossa vida e implantá-la no nosso mundo. É enorme a lição que vem da Cruz. Tanta dor e tanta paz perante a dor. Jesus recusa sempre responder à violência com violência. Até à violência, até à violência mais injusta, Jesus responde com a mansidão, com a paz. Trata-se, obviamente, de uma paz sentida, de uma paz sofrida, mas, mesmo assim, é paz. O que mais comove, em todo este relato, é a paz que Jesus mantém até ao fim, é a dignidade que Jesus conserva até para lá do próprio fim.

 

E. Vida, até na morte

 

9. Tudo parece escurecer na Cruz. Até Deus parece ocultar-Se como se depreende do grito de Jesus (cf. Mc 15, 34). Até Jesus Se sente abandonado. E, não obstante, tudo brilha na escuridão da Cruz. É esta morte que faz luz sobre esta vida. Até um estranho reconhece que, afinal, Deus está na Cruz (cf. Mc 15, 39). O que — de certo modo — estava velado em vida parece desvelar-se completamente na morte.

 

10. No fundo, é quando parece que tudo acaba que tudo verdadeiramente começa. A morte de Jesus é uma morte «morticida», uma morte que mata a morte. Já não vivemos para morrer; morremos para viver. A morte já não é termo, mas passagem. Já não é fim, mas trânsito. Já não é conclusão, mas viragem. Já não é despedida, mas recomeço. A evidência mostra que a vida conduz à morte, mas a fé assegura que, em Cristo, até a morte nos reconduz à vida. Em Cristo, até a morte está cheia de vida!

publicado por Theosfera às 05:15

  1. A esta semana que vem os antigos chamavam «semana pascal».

De facto, é a semana que nos conduz à celebração da Páscoa.

 

  1. A antiga liturgia de Milão dava também a esta semana o nome de «semana autêntica» por ser a semana que assinala os verdadeiros «trabalhos de Jesus».

E não há dúvida de que, nos «trabalhos» derradeiros como em toda a Sua vida, Jesus recusa tudo o que é falso, mentiroso ou apenas aparente. Jesus vive — e morre — para dar testemunho da verdade (cf. Jo 18, 37).

 

  1. Não admira, portanto, que os cristãos olhassem, desde cedo, para esta semana como uma «semana santa», uma «semana grande» e uma «semana maior».

Tudo o que nela acontece é santo, é grande, é maior.

 

  1. Nela ocorrem os acontecimentos que mudaram a história e que hão-de mudar a nossa vida.

Podemos dizer que esta é também a «semana primeira» que inaugura os tempos últimos, os tempos definitivos em que vivemos.

 

  1. No Domingo de Ramos, não procuramos apenas recordar a entrada solene de Jesus em Jerusalém.

Procuramos sobretudo dar testemunho público da nossa fé em Jesus Cristo, morto e ressuscitado.

 

  1. Já agora, refira-se que este Domingo também chegou a ser conhecido como «Capitulavium», que significa «lavagem das cabeças».

É que, neste dia, os que iam ser baptizados na Vigília Pascal, no sábado seguinte, lavavam solenemente a cabeça numa cerimónia pública.

 

  1. Em Jerusalém, a Procissão dos Ramos começava pelas 13 horas, no Monte das Oliveiras. Cantavam-se hinos e salmos, e faziam-se leituras da Sagrada Escritura.

Pelas 17 horas, era lido o Evangelho que descreve a entrada de Jesus em Jerusalém. Nessa altura, todos, com ramos de oliveira e palmeira, saíam em direcção à cidade, cantando e rezando.

 

  1. A Quaresma termina na Quinta-Feira Santa.

Na tarde desse dia, com a Missa da Ceia do Senhor, tem início o chamado Tríduo Pascal, que vai até às Vésperas do Domingo da Páscoa da Ressurreição.

 

  1. A Sexta-Feira Santa e o Sábado Santo são os dois únicos dias em que não há celebração da Eucaristia.

Na Sexta-Feira Santa, em que se assinala a Morte de Jesus, a Cruz ocupa o lugar central. Na tarde desse dia, celebra-se a Paixão do Senhor. Também se recomenda que, de manhã, se recite com o povo o Ofício de Leitura e Laudes. O mesmo se aconselha para a manhã de Sábado Santo.

 

  1. O Sábado Santo, no qual contemplamos a descida de Jesus à morada dos mortos, não é um dia «a-litúrgico». Nele tem lugar a Liturgia das Horas.

Sugere-se que, ao longo deste dia, se coloque na igreja uma imagem de Cristo crucificado ou sepultado ou também uma imagem das dores de Nossa Senhora.

 

  1. A Vigília Pascal, ainda que cronologicamente comece no sábado, já pertence ao Domingo da Páscoa. É que, como sabemos, para os judeus, o dia começa quando o sol se põe no dia anterior. Pelo que a noite de sábado já é Domingo.

É importante que nos habituemos a marcar presença na Vigília Pascal, a mãe de todas as vigílias como diziam os antigos.

 

  1. E, como é óbvio, não esqueçamos a Missa do Dia da Páscoa. Desde o início, é na Missa que a Igreja celebra a Páscoa de Jesus.

Tenhamos sempre presente que a Visita Pascal não é uma substituição da Missa, mas uma extensão da Missa. É depois da Missa que, com a Cruz na mão, vamos testemunhar, de casa em casa, a vitória do Crucificado.

Uma santa Semana Santa para todos!

publicado por Theosfera às 00:12

Hoje, 09 de Abril (Domingo de Ramos na Paixão do Senhor), é dia de Sta. Cassilda, Sto. Acácio de Amida e Sta. Maria Cléofas.

Faltam 07 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 08 de Abril de 2017

Hoje, 08 de Abril, é dia de S. Dionísio, S. Gualter Abade, Sta. Constança de Aragão, Sta. Teresa Margarida do Sagrado Coração de Jesus e S. Domingos do Santíssimo Sacramento.

Faltam 08 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 07 de Abril de 2017

Se à nossa alma dispensássemos uma milésima parte dos cuidados que dispensamos ao nosso corpo, a nossa saúde seria muito maior.

Os cuidados que dispensamos ao nosso corpo chegam a ser patológicos, o que é uma contradição.

O certo, porém, é que nem com tantos cuidados corporais nos sentimos saudáveis.

Esquecemos que somos um todo, pelo que só apostando na totalidade ganhamos vitalidade.

É preciso, pois, cuidar, «holisticamente», de todo o nosso ser.

Já dizia Francisco Quevedo que «quem quiser ter saúde no corpo, procure tê-la (também) na alma».

Não é «desalmados» que nos sentiremos sossegados.

Os antigos já se tinham apercebido de que só com uma alma sã teremos um corpo são.

É a alma que nos saúda, que verdadeiramente nos dá saúde!

publicado por Theosfera às 10:15

Hoje, 07 de Abril (abstinência), é dia de S. João Baptista de La Salle, Sto. Hermano José e Sta. Maria Assunta Pallota.

Faltam 09 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 06 de Abril de 2017

Hoje, 06 de Abril, é dia de S. Prudêncio, 120 Mártires da Pérsia, S. Marcelino, S. Winebaldo e Sta. Pierina Morosini.

Faltam 10 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 05 de Abril de 2017

Hoje, 05 de Abril, é dia de S. Vicente Ferrer e Sta. Juliana de Cornillon.

Faltam 11 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 04 de Abril de 2017

 

  1. Poucos acontecimentos foram tão dramáticos como a morte de Jesus. Como entender que tenha recebido tanto mal quem praticou tanto bem?

Julgado e condenado, Jesus viu-Se desprezado, humilhado, crivado de dores (cf. Is 53, 3-4).

 

  1. O Seu desenlace foi envolvido por uma forte torrente de lágrimas e clamores (cf. Heb 5, 7).

Foram dois os gritos que Jesus soltou: um grito antes de morrer (cf. Mc 15, 37; Mt 27, 50; Lc 23, 46) e o grito de abandono (cf. Mc 15, 34; Mt 27, 46).

 

  1. Se gritar nestas circunstâncias é perfeitamente entendível, aquele grito de abandono constitui um facto sumamente intrigante.

Jesus confessa-Se abandonado não pelos homens — já que algumas pessoas estavam com Ele (cf. Jo 19, 25-26) —, mas por Deus.

 

  1. Muitas explicações têm sido dadas. Será que alguma delas nos satisfaz?

As teses poderão ser consistentes. Mas não se têm mostrado muito convincentes.

 

  1. Para Joseph Ratzinger, «não há palavras» para responder à (excruciante) interrogação de Jesus: «Meu Deus, Meu Deus, porque Me abandonaste?» (Mc 15, 34; Mt 27, 46).

Tampouco tranquiliza saber que estamos perante a reprodução do início de um Salmo (22, 2) que até termina num clima de confiança.

 

  1. Nenhum contexto consegue amenizar a dolorosíssima carga daquelas palavras.

É notório que Jesus está a sentir o que diz e a dizer o que sente.

 

  1. Será que se quebrou a unidade entre Jesus e o Pai (cf. Jo 10, 30)?

De modo algum. Jesus morre como sempre viveu, intimamente unido ao Pai (cf. Lc 23, 46).

 

  1. Se os dois são um só Deus — pergunta Santo Agostinho —, «como seria possível que o Pai abandonasse alguma vez o Seu Filho?»

O que acontece é que — ainda segundo o Bispo de Hipona — Jesus grita «com a voz da nossa humanidade».

 

  1. Não é a nossa humanidade que, tantas vezes, se declara abandonada por Deus?

Jesus faz subir o grito da humanidade até Deus. Mas também faz descer o eco da resposta de Deus à humanidade. Afinal, Deus não nos abandona. No Seu Filho, Ele sofre com todos nós, Seus filhos.

 

  1. O mistério não desaparece, mas estremece.

Deus nem sempre afasta o sofrimento. Mas nunca deixa de estar ao lado dos sofredores. Em Si, Ele sofre connosco!

publicado por Theosfera às 10:11

Hoje, 04 de Abril, é Sto. Isidoro de Sevilha, Padroeiro da Internet, S. Bento, o Africano, Sta. Irene e S. José Bento Dusmet.

Faltam 12 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 03 de Abril de 2017

Hoje, 03 de Abril, é dia de Sta. Ágape, Sta. Quiónia, Sta. Irene, Sta. Engrácia, S. Conrado de Saxónia, Sto. Estêvão da Hungria e S. Luís Scropussi.

Faltam 13 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 02 de Abril de 2017

Uma vez mais, Senhor,

eis-nos na Tua escola

para aprender conTigo,

para beber das lições que nos dás,

com a Tua Palavra e sobretudo com a Tua vida.



Tu não páras de nos surpreender.

Será que alguma vez aprenderemos

a profundidade e o alcance das Tuas lições?



Para Ti, Senhor, só ganha quem perde,

só volta à vida quem dá a vida.



A Tua hora é a hora da glória

e a a tua glória está na Cruz,

está na oferta total da vida,

na entrega plena do ser.



Que nós sejamos, Senhor, como o grão de tigo.

Que não tenhamos medo de descer à terra.

É do fundo que se sobe.

É de trás que se avança.



Que não tenhamos medo da obscuridade.

Porque a Tua luz, Senhor,

brilha em todo o lado.



Ensina-nos, Senhor,

a não fugir dos problemas

e a não ter receio das dificuldades.



Tu nem da morte fugiste

e, abraçando a morte,

venceste a morte.



Como os Teus contemporâneos,

também nós, hoje, Te queremos ver.

Que todos Te possam ver em nós

e que, através do nosso testemunho,

Te possam encontrar,

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:03

A. Jesus ressuscita ao «terceiro dia» para nos ressuscitar (logo) ao «quarto dia»

  1. Não é só para Lázaro que Jesus fala. É também a cada um de nós que Jesus Se dirige: «Sai para fora» (Jo 11, 43), diz Jesus a Lázaro de uma forma intencionalmente pleonástica. «Sai para fora», diz Jesus a cada um de nós de um modo igualmente forte. Jesus quer tirar-nos dos «túmulos» (cf. Ez 37, 12) em que o nosso «eu» nos traz «sepultados».

É o nosso «eu» que nos traz moribundos. É, por isso, do nosso «eu» que Jesus nos vem libertar. É o nosso «eu» que nos traz «atrelados» à mordaça do pecado e da morte por este acarretada. O nosso «eu» também nos faz «cheirar mal» (cf. Jo 11, 39). Só Jesus, com o Seu odor, nos liberta deste infectado fedor.

 

  1. Jesus, que ressuscita «ao terceiro dia» (1Cor 15, 4), quer ressuscitar-nos logo no «quarto dia» (Jo 11, 39). Isto significa, uma vez mais, que Ele ressuscita para que nós ressuscitemos. Nós só ressuscitamos em Jesus, nós só ressuscitamos com Jesus. É Jesus que manda tirar a pedra do nosso túmulo (cf. Jo 11, 39). O «eu» é esta pedra que nos fecha, o «eu» é esta pedra que nos traz fechados (cf. Jo 11, 38).

Ressuscitar é, assim, libertar. A Ressurreição é a suprema libertação. Jesus, ao ressuscitar Lázaro, mostra que Ele mesmo é a Ressurreição e a suprema libertação. Mas nem isso O impede de chorar. A Sua divindade não ofusca a Sua humanidade e a Sua humanidade não obscurece a Sua divindade. Jesus, que ressuscita Lázaro, chora por Lázaro. Jesus era muito amigo de Lázaro (cf. Jo 11, 35-36), como é muito amigo de cada um de nós.

 

B. A morte como «adormecimento»

 

3. «Senhor, aquele de quem és amigo está doente» (Jo 11, 3). Eis o que foi dito a Jesus há dois mil anos. Eis o que pode — e deve — ser dito a Jesus hoje. Tantos são os que estão doentes. Tantos são aqueles a quem só Jesus pode curar. Não tenhamos medo de recorrer a Jesus. Jesus está sempre disponível para vir em nosso auxílio. Quando sabe que o amigo está doente, Jesus altera os planos e muda de caminho (cf. Jo 11, 7) apesar da hostilidade dos judeus (cf. Jo 11, 7). Sabendo também da nossa doença existencial, Jesus está sempre disponível para nos curar.

Como é sabido, Jesus não vai logo para casa de Lázaro. Permanece ainda dois dias no local onde estava (cf. Jo 11, 6). Lázaro está doente, mas a sua doença não é de morte; é para que nela se manifeste a glória de Deus (cf. Jo 11, 4). Aquela morte é vista sobretudo como uma oportunidade para reforçar a fé na Ressurreição (cf. Jo 11, 15).

 

  1. Afinal, é preciso morrer para ressuscitar: só ressuscita quem morre. É por isso que Jesus, apesar de saber que Lázaro tinha morrido (cf. Jo 11, 14), fala da sua morte como um adormecimento: «O nosso amigo Lázaro está a dormir; mas Eu vou lá para o acordar» (Jo 11, 11). É curioso notar como a interpretação que Jesus dá à morte de Lázaro é muito semelhante à interpretação que os primeiros cristãos dão à morte do próprio Jesus. Também a morte de Jesus é vista como um adormecimento. São João diz que, antes de «entregar o Espírito», Jesus «inclinou a cabeça» (Jo 19, 30).

Ora, inclinar a cabeça é a posição não só de quem morre, mas também de quem dorme. Aliás, há uma máxima muito antiga segundo a qual a Igreja nasce do lado «adormecido» — não «morto» — de Cristo na Cruz. Na morte de uma pessoa santa, costumamos dizer que «adormeceu no Senhor». E, já agora, convirá recordar que a palavra «cemitério» significa não «lugar onde se morre», mas «lugar onde se dorme».

 

C. Um despertador chamado Jesus

 

5. É desta sonolência que Jesus nos vem despertar como despertou Lázaro. Jesus é a vida definitiva que supera a morte. Na Primeira Leitura deste Domingo, Deus oferece ao Seu Povo uma vida nova. Essa vida vem pelo Espírito, que irá inserir o mesmo Povo na fidelidade a Deus e no amor aos irmãos.

Por sua vez, a Segunda Leitura lembra aos cristãos que, no dia do seu Baptismo, optaram por Cristo e pela vida nova que Ele veio oferecer. Convida-nos, portanto, a sermos conformes com essa escolhas, realizando as obras de Deus e vivendo «segundo o Espírito». O Evangelho garante-nos que Jesus é a realização definitiva do divino desígnio de dar aos homens a vida nova. Os que aderem a Jesus Cristo também morrem, mas não ficam mortos: vivem para sempre em Deus.

 

  1. Importa ter presente que este episódio é a última parte do chamado Livro dos Sinais, que vem do capítulo 4 até ao capítulo 11 do Evangelho de São João. Ao longo destes capítulos, através dos «sinais» da água (cf. Jo 4,1-5,47), do pão (cf. Jo 6,1-7,53), da luz (cf. Jo 8,12-9,41), do pastor (cf. Jo 10,1-42) e da vida (cf. Jo 11,1-56), Jesus é apresentado como portador da novidade plena.

O texto que hoje foi proclamado constitui a quinta — e última — catequese do referido Livro dos Sinais. Tudo se passa em Betânia, uma aldeia que fica a este do Monte das Oliveiras, a cerca de três quilómetros de Jerusalém. Da família de Lázaro faziam parte as suas irmãs Maria e Marta. Trata-se de uma família que Jesus conhece e que conhece Jesus, que ama Jesus e que é amada por Jesus.

 

D. É à nossa vida que Jesus oferece a Sua vida

 

7. Salta à vista que o Evangelho só fala destes irmãos, omitindo qualquer referência a outros membros desta família. Se repararmos, a palavra «irmãos» é a palavra usada por Jesus para se referir aos Seus discípulos (cf. 20, 17). É, pois, como irmãos que Jesus quer que vivamos. É como irmãos que Jesus nos quer encontrar. Jesus quer encontrar-nos como irmãos quando vem à nossa casa, à nossa vida.

É à nossa vida que Jesus oferece a Sua vida. É à nossa vida mortal que Jesus oferece a Sua vida eterna. Assim sendo, a morte não é fim, mas trânsito. É pela morte que passamos desta vida para a vida plena.

 

  1. Jesus não evita a morte física. Nem sequer evitou a Sua própria morte. O que Jesus faz é oferecer ao homem uma vida que se prolonga para sempre. Para que essa vida possa chegar é nós, a única condição necessária é seguir Jesus.

O gesto de dar vida a Lázaro representa o ápice da missão que o Pai confiou a Jesus: dar a vida definitiva ao homem. É por isso que Jesus, antes de mandar Lázaro sair do sepulcro, dá graças ao Pai (cf. Jo 11, 41-42). Ao dar a vida ao homem, Jesus está a realizar a vontade do Pai.

 

E. Não há maior felicidade que a divina amizade!

 

9. Que terá acontecido a Lázaro depois de ressuscitar? Os textos sagrados não dizem mais nada a não ser que os sumos-sacerdotes, além de Jesus, também decidiram matar Lázaro. É que muitos judeus, por causa dele, passaram a acreditar em Jesus. (cf. Jo 12, 11).

Há uma tradição que diz que os três irmãos foram para França, assegurando que Lázaro foi o primeiro Bispo de Marselha. Tendo sido martirizado, há quem acredite que as suas relíquias estão em Autun.

 

  1. Outra tradição indica que os três irmãos foram para Chipre, tendo Lázaro sido Bispo de Cítio ou Lárnaca. Também nesta última cidade estão expostas relíquias que se crêem ser suas. Não falta, porém, quem diga que tais relíquias teriam sido transladadas para Constantinopla. Várias igrejas e capelas foram erigidas em sua honra na Síria.

Enquanto padroeiro da Lárnaca, há nesta cidade uma basílica dedicada a São Lázaro, construída em 890. Antes da basílica, havia um templo do século V no qual existia um sarcófago com a inscrição: «Lázaro, o amigo de Cristo». Eis, assim, o mais belo remate para a nossa vida: sermos «amigos de Cristo» e termos Cristo como Amigo. Não há maior felicidade que a Sua amizade!

publicado por Theosfera às 05:30

Hoje, 02 de Abril (Quinto Domingo da Quaresma), é dia de S. Francisco de Paula e Sta. Maria Egipcíaca.

Faltam 14 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 01 de Abril de 2017

Para Dostoiévski, «a mentira é o único privilégio do homem sobre todos os animais».

É claro que não é o único. Nem sequer é privilégio.

Mas era bom que a mentira deixasse de singularizar a espécie humana!

publicado por Theosfera às 20:15

Hoje, 01 de Abril (Primeiro Sábado), é dia de S. Hugo de Grenoble e S. Macário.

Faltam 15 dias para a Páscoa da Ressurreição

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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