O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 31 de Outubro de 2016

As pessoas não se aceitam porque não se conhecem.

E, o que é pior, não se conhecem porque não se aceitam.

Daí a pertinência do pedido de Frederico Fellini: «Aceita-me tal como sou; só então poderemos descobrir-nos mutuamente».

Eis o que falta. Eis o que urge.

Que na nossa vida haja uma morada para que os outros possam habitar!

publicado por Theosfera às 09:21

Hoje, 31 de Outubro, é dia de Sto. Afonso Rodrigues, Sto. Ângelo de Acri, S. Quintino (invocado contra a tosse), S. Wolfang e Sta. Joana Delanoue.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 30 de Outubro de 2016

Em cada dia, a cada instante,

Tu nos surpreendes, Senhor.

Estás sempre a surpreender-nos.

 

Em cada dia, a cada instante,

vens ao nosso mundo, vens à nossa terra, vens à nossa casa

e levas tanta gente.

 

Para nós, é tudo inopinado e desconcertante.

Estamos sempre impreparados

para acolher a notícia.

Mas, afinal, alguma vez estaríamos preparados?

A morte chega sempre cedo para os nossos desejos.

 

Mas Tu, Senhor,

sabes bem o que fazes.

Se vens chamar, é porque assim o entendes.

 

Sabemos que não retiras ninguém do nosso convívio.

Sentimos a falta,

choramos a partida,

mas contamos sempre com a presença de quem parte.

 

Em Ti, todos continuam connosco.

ConTigo, todos permanecem ao nosso lado.

 

Obrigado, Senhor, pela vida dos que já partiram,

obrigado pelo seu testemunho,

pela sua ilimitada dedicação.

publicado por Theosfera às 11:05

A. Até os corruptos são tocados por Jesus

  1. Uma vez mais, acompanhamos Jesus «a atravessar a cidade» (Lc 19, 1). Jesus atravessa sempre as nossas cidades e atravessa-se continuamente nas nossas vidas. Ele repara em cada um de nós. Somos muitos, mas para Jesus somos únicos. O importante é estar atento quando Jesus passa, pois Jesus passa pela vida de todos.

É preciso fazer como Zaqueu, nome de origem hebraica que significa «puro», «justo». Só que, neste caso, o seu nome não correspondia à sua vida, que estava longe dos padrões da justiça. Zaqueu não só era publicano, profissão já de si odiosa, mas era «chefe de publicanos» (Lc 19, 2), o que o tornava ainda mais repelente aos olhos dos judeus. A sua função era cobrar — e fazer cobrar — impostos para os romanos. A sua riqueza não era, pois, muito lícita já que, além do que era remetido para o império, haveria muito que ficava para ele. Afinal, a corrupção não é de agora!

 

  1. Mas até os corruptos são tocados pela presença de Jesus. Zaqueu, este homem malcomportado e nada bem visto pelo povo, esforça-se também por ver Jesus (cf. Lc 19, 3). É preciso que nos esforcemos por ver Jesus, por estar com Jesus. É preciso que não desistamos. É preciso que transformemos as dificuldades em oportunidades em vez de transformar as oportunidades em dificuldades.

Ser cristão é ultrapassar-se, é transcender-se, é superar-se, enfim, é transformar-se e converter-se. Para ver Jesus, Zaqueu sobe a um sicómoro (cf. Lc 19, 4), que é uma espécie de figueira de raízes profundas e ramos fortes que produz figos de qualidade inferior. É uma árvore que aparece muito no Médio Oriente e em algumas partes da África.

 

B. Jesus não quer que Zaqueu suba

 

3. O que há a realçar é que Zaqueu não fica a lamentar-se, a queixar-se de que não era capaz. Ele nota que tinha chegado o momento de mudar de vida. Não podia adiar mais a mudança, a conversão. Ser pequeno (cf. Lc 19, 3) não era um obstáculo. O texto refere-se à estatura física de Zaqueu, mas o que verdadeiramente está em causa é a sua estatura espiritual.

Acima de tudo, Zaqueu sente-se pequeno. Quem é que não se sente pequeno diante de Jesus? Curiosamente, ele sente-se pequeno na sua pretensão de ser grande, de ser maior que os outros. Mas até a sua riqueza, que era grande, o faz sentir pequeno. Tudo aquilo que o levava a ter ilusões de grandeza era bem pequeno.

 

  1. Zaqueu está decidido a mudar de vida. E começa por usar os seus meios, os seus recursos, as suas forças. Subir ao sicómoro, à tal figueira, sinaliza investir nas energias humanas. São vias úteis, mas insuficientes. Também aqui, Jesus surpreende. Para Jesus, só se sobe quando se desce. Ele próprio subiu aos Céus depois de descer até às profundidades da terra.

Não admira, por conseguinte, que Jesus mande descer — e descer rapidamente — Zaqueu: «Zaqueu, desce depressa» (Lc 19, 5). Jesus não quer que Zaqueu suba. Zaqueu só subirá se primeiro descer. O que Jesus quer é que desçamos de cada um de nós. No fundo, as nossas forças são bem fracas para chegar a Deus.

 

C. É preciso desocupar a nossa casa

 

5. Para chegar a Jesus, só sobe quem desce. Assim sendo, é fundamental que desmontemos a nossa auto-suficiência, a nossa autocracia. É fundamental descer das alturas do nosso egoísmo. E é decisivo que percebamos que não chegamos até Jesus quando subimos até ao topo das nossas ambições. Só chegamos até Jesus quando descemos das nossas pretensões. Só chegamos até Jesus quando nos esvaziamos.

Como aconteceu com Zaqueu, Jesus também quer ficar em «nossa casa» (cf. Lc 19, 5). Ora, se a nossa «casa» está ocupada e se nós estamos tão ocupados em nossa «casa», como é que haveremos de receber Jesus? Esvaziemos, portanto, a nossa «casa». Deixemos que seja Jesus a tomar conta dela.

 

  1. Recebamos Jesus como Zaqueu, isto é, recebamos Jesus «cheios de alegria» (Lc 19, 6). E não tenhamos medo de desfazer o que for necessário para que possamos refazer o que for importante. A presença de Jesus alterou completamente a vida de Zaqueu. A presença de Jesus altera completamente a nossa vida.

Zaqueu restituiu — com juros — o que tinha furtado e partilhou do que tinha (cf. Lc 19, 8). Ou seja, Zaqueu já estava cheio de Jesus. Desfez-se do que possuía para se deixar possuir por Jesus. Em comparação com Jesus, tudo o resto é pouco, tudo o resto é quase nada.

 

D. A dieta que urge fazer

 

7. A salvação entrou na casa — e na vida — de Zaqueu (cf. Lc 19, 9) na exacta medida em que se libertou daquilo que o aprisionava. E, como sabemos, a prisão dos bens materiais é, ao contrário do que se possa pensar, bastante opressora. Muitas vezes, aquilo que mais ganhamos é o que mais nos faz perder.

Zaqueu tinha perdido muito, quando muito parecia ganhar. Mas Jesus, que veio procurar e salvar o que está perdido (cf. Lc 19, 10), não deixa que Zaqueu se perca. Jesus não deixa que ninguém se perca. Deixemos, pois, entrar Jesus na nossa casa. Deixemos que Ele transforme a nossa vida. E não hesitemos em deitar fora tanta coisa que vamos acumulando cá dentro.

 

  1. Mesmo que tivéssemos conquistado o mundo inteiro, que é isso diante de Deus? Diante de Deus, como ouvimos na Primeira Leitura, o mundo inteiro não passa de um grão de pó e ou de uma gota de orvalho (cf. Sab 11, 22). Aprendamos a desfazermo-nos das adiposidades que vamos acumulando. É urgente fazer dieta do egoísmo que nos envolve.

E não desistamos de ninguém. Zaqueu era alguém de que muitos tinham desistido. O seu comportamento não era digno, mas também ninguém lhe estendia a mão; apenas lhe apontavam o dedo acusador.

 

E. Jesus é (o) bastante

 

9. Jesus, sem afastar quem está próximo, aproxima os que estão afastados. Jesus olha para as margens e não esquece quem se encontra nas franjas. É cada vez mais urgente habituarmo-nos a olhar para a vida (também) com os olhos dos outros. Jesus esteve sempre próximo dos distantes, como Zaqueu. Não espanta, por isso, que Thomas Halik ponha nos lábios de Jesus esta síntese das Bem-Aventuranças: «Bem-Aventurados sois vós, os que estais nas franjas, pois ficareis no centro, no coração».

Jesus chama as periferias para o centro. Para Jesus, ninguém é marginalizado. Nem os marginais são postos à margem. Assim sendo, com que direito marginalizamos os outros? Mas ainda que alguém se sinta marginalizado, saiba que Deus nunca o marginaliza.

 

  1. Abramos a Jesus as portas da nossa casa, as portas do nosso coração, as portas da nossa vida. Não nos limitemos a usar os nossos meios. Percorramos, antes, o caminho de Jesus (cf. Jo 14, 6). Abramo-nos à Palavra. Abramo-nos ao Pão. E abramo-nos também ao Perdão.

Ninguém se sinta irrecuperável. Há sempre uma luz por cima de tanta escuridão. A luz que brilhou em casa de Zaqueu também iluminará a nossa vida. Mas, para já, «desmobilemos» a nossa habitação. Removamos tanta coisa que fomos acumulando. Fiquemos apenas com Jesus. Nada mais é necessário. Jesus é bastante. Jesus é o bastante. Jesus é tudo. Jesus é tudo para todos. Para nós também!

publicado por Theosfera às 06:25

Hoje, 30 de Outubro (31º Domingo do Tempo Comum), é dia de S. Marcelo, S. Cláudio, Sta. Doroteia Swartz e S. Domingos Collins.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 29 de Outubro de 2016

Não há dúvida de que, como reconhece Edson Athayde, «é mais fácil matar um sonho do que despertar de um pesadelo».

Há muitos que matam sonhos. E são muito poucos os que ajudam a despertar dos pesadelos.

Mas, um dia, os sonhos serão os maiores despertadores.

Os pesadelos não são eternos!

 

publicado por Theosfera às 08:11

Decididamente, a simplicidade é o maior ornamento da pureza e o maior certificado da beleza.

O que é puro e o que é belo é sempre simples.

O que é simples dispensa adornos. O que é simples adorna-se a si mesmo.

Jean le Rond d'Alembert percebeu que «a simplicidade é a consequência da elevação dos sentimentos».

Em suma, nada como a simplicidade. Nada como ser simples!

publicado por Theosfera às 07:44

Hoje, 29 de Outubro, é dia de S. Narciso, Sta. Ermelinda e S. Miguel Rua.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 28 de Outubro de 2016

Enquanto o mundo aguarda pela resposta de Bob Dylan à atribuição do Prémio Nobel, não fará mal pensar em algumas das suas inquietações: «Quantas vezes pode um homem virar a cabeça e fingir que não vê?»

Podemos fingir muitas vezes, mas chega um momento em que, como diria Sophia, «não podemos ignorar».

Mesmo que nós fujamos da realidade, a realidade não foge de nós!

publicado por Theosfera às 09:59

Hoje, 28 de Outubro, é dia de S. Simão, S. Judas e S. Malchion.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 27 de Outubro de 2016

Hoje, 27 de Outubro, é dia de Nossa Senhora das Vitórias, S. Gonçalo de Lagos, S, Vicente, Sta. Sabina e Sta. Cristeta.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 26 de Outubro de 2016

A vida não anda para trás. Mas parte sempre de trás.

Ignorar o que fomos é, pois, um erro colossal, em que, hoje em dia, muito se cai.

François Mitterrand percebeu que «desconhecer as raízes, separarmo-nos delas, constitui um gesto suicida».

Antes de pensarmos nos frutos, procuremos escavar as nossas raízes!

publicado por Theosfera às 09:38

Hoje, 26 de Outubro, é dia de Sto. Evaristo e S. Boaventura de Potenza.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 25 de Outubro de 2016

 

 

  1. A Igreja é um corpo vivo. Por isso, nenhum dos seus membros pode manter-se passivo.

Uma vez que a Igreja está sempre em missão, não é aceitável que alguém, dentro dela, permaneça em demissão.

 

  1. Logo nos começos, a Igreja assumiu a sua congénita «natureza missionária».

Seguindo o mandato de Jesus (cf. Mc 16, 15), os Apóstolos levaram o Evangelho a todos os povos.

 

  1. O crescimento e a expansão das comunidades requereram uma multiplicação de tarefas.

Perante isto, os Apóstolos mostraram um discernimento absolutamente assombroso.

 

  1. A sua decisão não foi açambarcar todos os trabalhos.

Pelo contrário, optaram por se centrar, ainda mais, na sua missão específica: oração e anúncio da Palavra de Deus (cf. Act 6, 4).

 

  1. Para novos serviços, novos servidores. Para novas missões, novos missionários. Para novos ministérios, novos ministros.

Assim, o chamado «serviço às mesas» (Act 6, 2) — uma espécie de acção social — suscitou sete novos colaboradores, conhecidos pelo nome de «diáconos» (cf. Act 6, 3-6).

 

  1. As comunidades que surgiam tinham à sua frente dirigentes que eram denominados «pastores» (cf. Ef 4, 11), «bispos» (cf. Act 20, 28; 1Tim 3, 1) e «presbíteros» (cf. 1Ped 5, 1).

Outros ministérios eram desempenhados pelos «profetas», pelos «doutores» e pelos «evangelistas» (cf. Ef 4, 11).

 

  1. A Igreja distingue duas grandes categorias de ministérios: os «ministérios ordenados» (diaconado, presbiterado e episcopado) e os «ministérios instituídos» (leitor e acólito)

As Conferências Episcopais podem solicitar a instituição de outros ministérios. A título de exemplo: catequista, sacristão ou ministro da Comunhão.

 

  1. Há, entretanto, ministérios que, embora não ordenados nem instituídos, são estavelmente exercidos.

É o caso da animação do canto, das monições, do apoio ao altar, etc.

 

  1. E há um ministério que, à medida que o tempo passa, vai avultando como cada vez mais necessário: o ministério do Visitador.

Além de levar o Viático a quem está doente, o Visitador pode ser um precioso elo de ligação junto dos que estão sós ou dos que se vão afastando.

 

  1. Afinal, que é a Igreja senão um permanente mistério de visitação?

Em Cristo, Deus visita o Seu povo (cf. Lc 1, 68). E como Maria mostra a Isabel, quando um cristão visita alguém, é Cristo que o visita também!

publicado por Theosfera às 11:01

Hoje, 25 de Outubro, é dia de S. Crispim, S. Crispiniano, S. Crisanto, Sta. Daria, S. João Stone e Sta. Maria Jesus Masiá Ferragut.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 24 de Outubro de 2016

O artista é, acima de tudo, um transformador.

É aquele que até é capaz de tornar belo o que parece feio.

Ramalho Ortigão, com subtil sagacidade, apercebeu-se: «A arte é a eterna desinfectante de toda a podridão em que toca».

Que bom seria que a arte não se cingisse à tela.

Que bom seria que todos pudéssemos embelezar tudo!

publicado por Theosfera às 09:23

Hoje, 24 de Outubro, é dia de Sto. António Maria Claret, S. Proclo, S. José Baldo e S. Luís Guanella.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 23 de Outubro de 2016

Precisamos de ver

e só Tu és a luz.

 

Precisamos de ver

por fora e por dentro.

 

Precisamos de ver a vida,

o passado, o presente e o futuro.

 

 

A fé salvou o cego.

A fé salva-nos a nós,

tantas vezes cegados pela mentira, pela insinuação e pela inveja.

 

A fé salva na esperança e no amor.

A fé é luz que ilumina e brilha.

A fé é luz que liberta e redime.

 

Hoje também,

Tu, Senhor, continuas a chamar,

a chamar por nós nesta situação difícil.

 

 

Ouve, Senhor,

o clamor dos pobres, dos aflitos e dos famintos.

 

Ouve, Senhor,

o grito dos sem-abrigo e dos sem-amor.

 

Ouve, Senhor,

a súplica dos desempregados e dos que têm salários em atraso.

 

Ouve, Senhor,

o pedido dos que querem dar pão aos seus filhos e não têm conseguem encontrar esse pão.

 

As prateleiras até estão cheias,

mas há corações que permanecem vazios.

 

Mas Tu, Senhor, fazes maravilhas.

Tu, Senhor, és a constante maravilha.

 

 

Por isso continuamos a soltar brados de alegria.

Apesar da crise,

apesar do sufuco e da tempestade,

nós sabemos que, neste tempo de fome,

nós dás o alimento.

 

 

Tu, Senhor, és o alimento,

o pão da Palavra e o pão da vida.

 

Vem connosco saciar a fome deste mundo:

a fome de pão,

a fome de justiça

e a fome de paz.

 

Há nuvens por debaixo do sol.

Mas há sol por cima das nuvens.

 

Obrigado, Senhor, por este pão.

Que ele chegue a todas as casas.

Que ele entre em todos os corações.

 

Obrigado, Senhor, pelos sonhos.

Um dia, as lágrimas hão-de regar as avenidas da vida.

E o sonho de um mundo melhor há-de sorrir para todos.

 

Tu, Senhor, és esse sonho,

um sonho que se realiza em cada instante.

 

O sonho és Tu,

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:03

A. Como pode melhorar quem não admite que pode falhar?

  1. Belo, bom e santo é o nosso Deus que tem um fraquinho pelos pobres, pelos humildes e pelos rejeitados. A Primeira Leitura apresenta Deus como um juiz que não se deixa impressionar pelas ofertas dos poderosos, mas que cometem injustiças na comunidade. Pelo contrário, a predilecção de Deus é pelos humildes e pelos marginalizados.

Num registo semelhante, o Evangelho recusa, cerce, a atitude dos orgulhosos e dos deslumbrados, convencidos de que a salvação é o resultado natural dos seus méritos. Embora Deus combata o pecado, Jesus aponta como exemplo o pecador que confessa o seu pecado. É este o caminho: tal como para vencer a doença é preciso reconhecer que se está doente, para superar o pecado é decisivo assumir que somos pecadores. Eis o que falta. Eis o que urge.

 

  1. Estamos num tempo em que não só não confessamos o pecado como até chegamos ao desplante de chamar graça ao pecado. Achamos que tudo o que fazemos é bom e irrepreensível. Ufanamo-nos de que não precisamos de arrependimento. Como podemos melhorar se não admitimos que também costumamos falhar?

Um dos mais preocupantes sinais do nosso tempo estriba num certo eclipse da humildade. A arrogância tenta-nos a cada passo. A dificuldade que alguns têm em ajoelhar enturma com a resistência que muitos mostram em reconhecer que erram. Daí que a missão passe também — e bastante — pelo reconhecimento das nossas falhas e por uma aposta num caminho de humildade.

 

B. A missão não pode ser feita com arrogância ou sobranceria

 

3. A missão não pode ser feita com arrogância nem sobranceria. À missão não basta o conteúdo. Também é importante a forma. A missão tem de ser realizada com humildade, proximidade e alegria. Deus não Se revê nos arrogantes, nos que fazem exibições de santidade e passam o tempo a humilhar os outros. Deus gosta da humildade, mas não tolera a humilhação. Por conseguinte, humildade sempre, humilhação nunca!

O fariseu de que fala o Evangelho tipifica o homem que se considera irrepreensível, que cumpre todas as regras e leva uma vida exteriormente sem mancha. Ele acha que ninguém o pode acusar e acha que pode acusar os outros. Está tão eufórico consigo mesmo que até humilha o publicano. O complexo de superioridade não conhece limites. Só que Deus não aprova este comportamento.

 

  1. Ao invés, o publicano é o modelo do pecador. Quem eram, afinal, os publicanos? Os publicanos eram judeus que cobravam impostos para o império romano.Eram, portanto, duplamente malvistos: por cobrarem impostos e por estarem ao serviço de uma potência ocupante do seu território. Refira-se que os impostos do império romano eram pesados. Sucede que os publicanos, muitas vezes iam mais além dos impostos fixados, ficando com o remanescente para eles.

Daí que a reputação dos publicanos fosse muito má. Os publicanos eram conhecidos como avarentos, ladrões, corruptos e sem coração. As pessoas que se consideravam decentes recusavam-se a conviver com eles. Foi por isso que Zaqueu, chefe dos publicanos, prometeu, quando se converteu, restituir quatro vezes mais a quem tinha prejudicado (cf. Lc 19, 8).

 

C. Deus faz tudo ao contrário (e ainda bem)

 

5. É espantoso notar que Jesus, no Seu desígnio de chegar a toda a gente, nem este tipo de pessoas pôs de lado, apesar da péssima reputação que tinham. Aliás, um dos doze apóstolos era um conhecido publicano, chamado Mateus (cf. Mt 10, 2-3).

Jesus nunca rejeitou ninguém que quisesse segui-Lo. Nem pelos repugnantes Ele sentia repugnância. Pelo contrário, Ele via que eram pessoas que precisavam muito de salvação. Por isso, também fez amizade com os publicanos, visitando as suas casas e comendo até com eles. Jesus não aprovava a sua conduta, mas estendia-lhes a mão oferecendo o Seu perdão (cf. Mt 9,11-13).

 

  1. O que Jesus valoriza, nesta parábola, é a autenticidade do publicano. Era um pecador que reconhecia o seu pecado. Diferentemente, o fariseu, que se vangloriava de ser justo, acabou por mergulhar no pior pecado: o desprezo pelos outros (cf. Lc 18, 9). Não será que nós incorremos, frequentemente, neste pecado? Não será que nós desprezamos os outros?

Nunca julguemos ninguém. O juízo, aliás, pertence a Deus (cf. Deut 1, 17). A nós pertence testemunhar e ajudar. Que ninguém se ponha num pedestal. Jesus é muito claro: «Quem se eleva será humilhado e quem se humilha será elevado» (Lc 18, 14).

 

D. Ninguém acima de ninguém

 

7. No fundo, a missão consiste também — e bastante — em inverter o sentido da história. De resto, Maria já o reconheceu no canto do «Magnificat», quando proclamou que Deus «derruba os poderosos e exalta os humildes» (Lc 1, 52). O que Deus quer é que todos nos tornemos humildes. O que Deus não quer é que alguém se coloque acima de alguém. O que Deus quer é que todos caminhemos ao lado uns dos outros.

Afinal, estamos todos numa situação semelhante. Só que uns, como o publicano, reconhecem os seus erros, ao passo que outros pretendem esconder a sua fragilidade humilhando os outros. Podemos enganar muita gente. Mas a Deus ninguém engana. O comentário final de Jesus indica que o publicano saiu do Templo melhor do que tinha entrado. O fariseu saiu pior. A diferença esteve na humildade que o primeiro mostrou e o segundo recusou.

 

  1. Temos, então, um claro caminho à nossa frente. Aproximemo-nos de Deus de coração limpo e de mãos vazias. Deixemos que seja Deus a encher o nosso coração e a preencher a nossa vida. Aliás, habituámo-nos a chamar-Lhe nosso Senhor. Mas não basta chamar Senhor com os lábios. É preciso orientar a nossa existência pelos caminhos de Deus.

O mérito do publicano consiste em apoiar-se apenas em Deus e não em si mesmo. Ele sabe que Deus escuta a sua voz. Entrega-se, por isso, nas mãos de Deus e pede-Lhe compaixão. Se Deus tem compaixão por nós, como teve compaixão do publicano, como é que nós não havemos de ter compaixão dos nossos irmãos?

 

E. Onde estiver alguém, aí tem de estar a missão também

 

9. Por aqui passa também o «bom combate da fé» (cf. 2Tim 4, 7) que, como o Apóstolo, somos convidados a travar. O «bom combate» é o «combate» pela autenticidade, pelo reconhecimento da nossa fragilidade e pela abertura a Deus. Como esteve com Paulo (cf. 2Tim 4, 17), Deus estará também com cada um de nós na missão de O tornar presente na vida de toda a gente.

A vida de Paulo foi, desde o seu encontro com Cristo ressuscitado na estrada de Damasco, uma resposta generosa e um compromisso total com o Evangelho. Por Cristo lutou, por Cristo sofreu, por Cristo morreu. No final do «bom combate», o «combatente» sente-se feliz por ter colocado Cristo no centro da sua vida.

 

  1. Sendo a fé invasiva, não tenhamos receio de invadir — nem de incendiar — a vida com a luz do Evangelho. A resposta pode não vir de todos, mas a proposta não pode deixar de chegar a todos. Por conseguinte, é vital criar uma «cultura de missão», pelo que é fundamental vencer — definitivamente — uma «cultura de demissão», que teima em persistir, em tolher-nos. Infelizmente, ainda subsiste uma instintiva tendência para uma certa «demissão».

O importante é que cada um faça o que deve não se recusando a fazer o que pode. Em tudo — e sempre —, a missão, não a demissão! Jesus quer que sejamos missionários, não demissionários! Onde estiver alguém, aí tem de estar a missão também!

publicado por Theosfera às 05:56

A violência elimina a violência?

Não. A violência só prolonga a violência.

É pura estultícia pensar que a violência acaba com a violência.

Théofile Gautier exarou que «a violência leva a violência e, pior, justifica-a».

Razão tinha, pois, o grande São João Crisóstomo quando proclamou que «a violência não se vence com a violência, mas com a mansidão».

Contudo, quem é que, neste mundo de sobranceiros bravos, quer ser manso?

publicado por Theosfera às 05:38

Hoje, 23 de Outubro (30º Domingo do Tempo Comum e Dia Mundial das Missões), é dia de S. João de Capistrano, S. Servando, S. Germano e Sto. Arnulfo Reche.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 22 de Outubro de 2016

O mal do invejoso é que, com a obsessão de olhar para o lado, não consegue caminhar para a frente.

O invejoso está sempre a controlar os passos do invejado. E até o pouco que este tem lhe parece muito.

Kingsley Amis achava que «a inveja é mesquinha e sórdida». É «o vício do condenado que reclama só porque o seu companheiro de prisão recebeu uma ração de sopa maior».

Porque é bem pequenino, o invejoso acha que tudo o que os outros têm é grande. E em vez de conquistar para si, está sempre a barafustar contra o que os outros conseguem.

Haverá alguém mais pobre (e empobrecido) que o invejoso?

publicado por Theosfera às 08:35

Hoje, 22 de Outubro, é dia de Sta. Josefina Léroux e suas Companheiras mártires, Sto. Abércio, Sta. Salomé, Sta. Nunilona e Sta. Alódia, S. Tiago Giaccardi e S. João Paulo II.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 21 de Outubro de 2016

Hoje, 21 de Outubro, é dia de Sto. Hilarião, Sta. Úrsula e S. Gaspar del Búfalo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 20 de Outubro de 2016

A vida é acção. Mas será que toda a acção é vida?

Rimbaud decretou, peremptoriamente, que «a acção não é vida». Para ele, a acção era apenas «uma maneira de gastar as forças».

Mas é nesse desgaste que decorre a existência.

Viver é agir. Que possa ser sempre bem agir!

publicado por Theosfera às 07:42

Hoje, 20 de Outubro, é dia de S. Maria Bertila Boscardin, S. Contardo Ferrini, Sta. Iria, S. Caprásio e Sta. Madadelena de Nagasaky.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 19 de Outubro de 2016

Hoje, 19 de Outubro, é dia de S. João Brebeuf, Sto. Isaac Jogues, S. Pedro de Alcântara e S. Paulo da Cruz.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 18 de Outubro de 2016

 

  1. O Evangelho é palavra e vida. Está escrito em palavras para ser inscrito nas nossas vidas.

É por isso que o Evangelho se torna — saudavelmente — contagioso. Quem o acolhe nunca o encolhe. E quem o consegue encontrar jamais conseguirá parar.

 

  1. Ser cristão não é outra coisa senão viver e anunciar o Evangelho de Jesus Cristo.

Não é possível vivê-lo sem o anunciar. E é impossível anunciá-lo sem o viver.

 

  1. Só quando o alcança é que a alma humana verdadeiramente descansa.

Nessa altura, nunca mais se cansa. Nem o sofrimento lhe apouca o ânimo ou diminui a alegria (cf. 2Tim 2, 8).

 

  1. Pelo Evangelho vale tudo: viver, sofrer e até morrer.

Só não vale, obviamente, matar. Matar seria tirar a vida. Estar disposto a morrer consiste em oferecer a vida.

 

  1. Na evangelização, a própria morte pode ser lucro (cf. Fil 1, 21).

Nem a prisão do evangelizador é capaz de aprisionar o Evangelho (cf. 2Tim 2, 9).

 

  1. Não espanta, assim, que São Paulo tenha ido ao ponto de caucionar um certo «maquiavelismo cristão».

Para o Apóstolo, evangelizar é um fim que parece justificar qualquer meio.

 

  1. É que alguns evangelizam por «inveja e rivalidade» (Fil 1, 15) ou com «segundas intenções» (Fil 1, 18).

O importante, porém, é que «Cristo seja anunciado» (Fil 1, 18).

 

  1. É claro que o melhor é estar na evangelização com mãos limpas e coração recto.

Todavia, mesmo que o Evangelho seja difundido por alguém contaminado por «segundas intenções», ele não deixará de chegar a tantos que alojam «boas intenções» (Fil 1, 15).

 

  1. O fundamental é investir no testemunho. Uma vida «digna do Evangelho de Cristo» (Fil 1, 27) é o mais belo investimento pastoral.

O testemunho quase dispensa as palavras. A vivência é muito mais eloquente que a maior eloquência.

 

  1. Num tempo em que praticamente não nos envergonhamos de nada, porque é que, tantas vezes, nos envergonhamos de dar testemunho do Evangelho (cf. 2Tim 1, 8)?

Não tenhamos vergonha do Evangelho de Jesus. É ele, e não outro, que devemos anunciar (cf. Gál 1, 8). Anunciemo-lo então: quando for oportuno e (sobretudo) quando parecer inoportuno (cf. 2Tim 4, 2). A adversidade há-de servir não para estagnar ou para recuar, mas apenas — e sempre — para avançar!

 

publicado por Theosfera às 10:24

Hoje, 18 de Outubro, é dia de S. Lucas e S. Monon, eremita.

Um santo e abençoado dia para todos!
publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 17 de Outubro de 2016

Hoje, 17 de Outubro, é dia de Sto. Inácio de Antioquia (que gostava de se apresentar como «Teóforo», aquele que traz Deus), Sta. Zélia, S. Balduíno e S. Gilberto.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 16 de Outubro de 2016

Tu sabes tanto.

Tu sabes tudo, Senhor.

Mas não sabes conjugar o verbo «mandar».

Tudo só sabes conjugar o verbo «servir».

 

Tu ficaste triste e desapontado

quando os Teus discípulos se mostravam preocupados pelo poder,

pela ambição de mandar,

pelo desejo de possuir.

 

O Teu Reino, Senhor, não é de poder,

é de amor, esperança e paz.

 

Nestes tempos convulsos e incertos,

Tu és a bússola e o sentido,

o horizonte e a paz,

 

 

Obrigado, Senhor,

por estares sempre connosco

e por nos ensinares a servir.

 

 

 

Ajuda-nos a constituir uma Igreja do serviço,

da ajuda e da solidariedade.

 

Ajuda-nos a crescer na disponibilidade

e na mansidão.

 

Tu estás no meio de nós como quem serve.

Tu não vens para ser servido, mas para servir

e dar a vida por todos.

 

 Que nós aprendamos conTigo.

Que nós queiramos servir.

 

Tu experimentaste a dor

e toda a espécie de provações.

 

Tu és, pois, o nosso Cireneu,

aquele que condivide a nossa Cruz.

 

Obrigado, Senhor, pela Tua bondade,

pelo Teu infinito amor

e pela Tua intensa paz.

 

Que tudo em nós faça ressoar

a beleza da vida que vem de Ti,

JESUS!

publicado por Theosfera às 10:59

A. Também na fé é preciso «acertar na baliza»

  1. Muitas vezes, nós, cristãos, parecemos aqueles jogadores de futebol que rematam muito, mas quase sempre ao lado. Acontece que, como é sabido, com remates ao lado não se marcam golos nem se ganham jogos. Também na fé é preciso «acertar na baliza», ou seja, é preciso apontar sempre ao que é essencial, ao que está no centro, ao que é decisivo.

Note-se que «rematar ao lado» não é destituído de mérito. «Rematar ao lado» é sinal de esforço e de insistência. Mas é claramente insuficiente. Não basta, pois, «rematar ao lado».

 

  1. Nós, cristãos, «rematamos ao lado» quando nos ficamos por generalidades e pelo limiar. Esquecemo-nos de ir ao concreto e ao central. Em tudo, é necessário ouvir as lições e tirar as (devidas) ilações. Se repararmos, estes excertos da segunda Epístola de São Paulo a Timóteo (que temos escutado nestes domingos) estão recheados de preciosas recomendações. Trata-se de recomendações muito concretas e bastantes precisas.

Ficamos, assim, a perceber que ser cristão não é algo vago, mas muito concreto. Pegando em expressões deste texto, verificamos que, para ser cristão, é vital «permanecer firme na doutrina» (2Tim 3, 14) que recebemos. O que é, afinal, a doutrina? A doutrina é a revelação de Deus apresentada de forma sistemática. Isto significa que, entre a Sagrada Escritura e a Doutrina, não há diferença de conteúdo. O que aprendemos na Doutrina é o que está na Bíblia. No fundo, doutrinar tem de ser — só pode ser — evangelizar.

 

B. É preciso ser concreto na vivência da fé

 

3. Não basta, por isso, que promovamos encontros. Os encontros, obviamente, fazem bem. Mas para fazer encontro não é preciso ser cristão. Para serem cristãos, é fundamental que os nossos encontros se centrem em Jesus Cristo. Não são as guitarras que nos juntam; quem nos junta é Jesus Cristo. Por conseguinte, os nossos encontros não podem ser lúdicos; os nossos encontros têm de ser verdadeiramente espirituais. Têm de ser encontros que nos levem a ir mais além de nós.

Por outro lado, não basta que nos fiquemos pelos valores da verdade e da bondade. É claro que a verdade e a bondade são sinónimos de Deus. Mas ficar só pela verdade e pela bondade é resignar-se a ficar no plano meramente conceptual. Ora, Deus é muito mais que um conceito. Deus é pessoa ou, melhor, é uma família de três pessoas. Não são os conceitos que iluminam Deus; Deus é que há-de iluminar os conceitos e a própria vida.

 

  1. Daí a contínua insistência do Apóstolo no concreto, neste caso, na relação com a Sagrada Escritura. Que tempo damos à Palavra de Deus? Já São Jerónimo proclamava que «ignorar as Escrituras é ignorar o próprio Cristo». Será que lemos a Bíblia? Será que meditamos a Bíblia? Será que mastigamos a Bíblia? Será que saboreamos a Bíblia?

Como podemos viver a fé se não procuramos ir ao encontro da grande fonte da fé: a Palavra de Deus? É da Palavra de Deus, veiculada pela Escritura Santa, que nos vem «a sabedoria que leva à salvação» (2Tim 3, 15).

 

C. A vida — e não apenas a palavra — há-de ser inspirada por Deus

 

5. Tenhamos sempre presente que a Palavra transmitida na Escritura é «inspirada por Deus» (2Tim 3, 16). Mas não é só a Escritura que é inspirada por Deus; a vida que se alimenta na Escritura também é inspirada por Deus. O Deus que inspira a Palavra também inspira a vida que se alimenta da Palavra. É na Palavra da Escritura que a nossa vida recebe ensinamentos. É a partir da Palavra da Escritura que a nossa vida se transforma e converte.

De facto, São Paulo esclarece que a Sagrada Escritura serve para quatro coisas: ensinar, convencer, corrigir e formar (cf. 2Tim 3, 16). Estes verbos, muito fortes, devem estar presentes sempre que nos aproximamos da Sagrada Escritura. Pela Sagrada Escritura devemos deixar-nos ensinar, convencer, corrigir e formar. No fundo, fica bem claro que a Bíblia é fonte de formação e de vivência da fé. A Bíblia é a melhor «escola da fé».

 

  1. Não espanta, neste sentido, que o Apóstolo exorte a que cada um de nós proclame a Palavra de Deus sempre. E que nela insistamos «a propósito e a despropósito» (2Tim 4, 2). É uma expressão curiosa e enfática, esta. É que, por vezes, nós tendemos a silenciar a Palavra de Deus sob o pretexto de que não vem muito a propósito. Num tempo em que não temos vergonha de nada, dá a impressão de que só temos vergonha de evangelizar.

No fundo, o que São Paulo quer dizer é que a Palavra de Deus deve ser proclamada mesmo quando a ocasião não parece muito propícia, A Palavra de Deus deve ser proclamada sem medo e sem pausas. Nós que mostramos ter tantos «respeitos humanos», devíamos ter mais «respeito divino», mais respeito por Deus e pela Sua vontade. Não tenhamos, pois, medo de proclamar, com os lábios e com a vida, a Palavra de Deus. Usemos de «paciência e doutrina» (2Tim 4, 2), como diz o Apóstolo. Ou seja, não desistamos de evangelizar a partir do que nos foi entregue: a mensagem de Cristo Jesus.

 

D. Orar é, acima de tudo, confiar

 

7. Neste Domingo, Jesus aparece-nos precisamente a propor a confiança em Deus. Na nossa acção, Deus conta mais, infinitamente mais, que a nossa capacidade. Orar é, acima de tudo, confiar. É por isso que Ele não chama os mais capazes; capacita os que chama. A oração é, assim, o combustível para a missão. É na oração que vamos tomando consciência da prioridade de Deus, de que é Deus quem comanda a nossa vida e inspira os nossos passos.

O Evangelho ilustra a força e a eficácia da oração com a insistência de uma pobre viúva, que não parava de importunar um poderoso — e pelos vistos, pouco escrupuloso — juiz.

 

  1. Esta viúva passava o tempo a queixar-se do seu adversário exigindo justiça. Só que o juiz, que não temia Deus nem respeitava os homens», (Lc 18, 2), não lhe prestava qualquer atenção. Acontece que a viúva não desistiu e continuou a incomodar o juiz, pois sabia que só ele podia resolver a situação.

E o certo é que, apesar da sua dureza e insensibilidade, acabou por fazer justiça à pobre viúva (cf. Lc 18, 5). A grande lição — e a maior ilação — é que precisamos de rezar sempre e sem desanimar (cf. Lc 18, 1). A nossa oração, com efeito, enferma deste duplo défice: de quantidade e de qualidade. Rezamos pouco e desistimos com frequência. Nunca desistamos da oração. Levemos a vida à oração e não deixemos de transportar a oração até à vida. Uma vida orada é uma vida sempre inspirada.

 

E. Prece sem pressa

 

9. Deus escuta. Deus atende. Deus está sempre presente. A oração prepara-nos — e como que nos habilita — para a presença de Deus na nossa vida. Deus vem, Deus está sempre a vir e há-de fazer justiça em breve (cf. Lc 18, 8).

Deus nunca nos abandona nem é insensível aos nossos pedidos. Deus não é apático, mas simpático, isto é, sofre connosco e sofre por nós. Basta olhar para a Cruz de Seu Filho. Ele está sempre a oferecer-Se por nós.

 

  1. Confiar em Deus não pode, porém, levar-nos a pressionar Deus. O tempo da espera não pode transformar-se em desesperança ou numa sucessão de gestos de ansiedade. A pergunta com que finaliza o texto é um convite à perseverança. «Quando o Filho do Homem voltar encontrará fé sobre a terra?» (Lc 18, 8).

Não devemos exigir que Deus faça agora. Devemo-nos habituar a esperar e a nunca desesperar. A oração é sobretudo um alimento da esperança. A oração capacita-nos para a acção de Deus, decidida por Ele, não por nós. Nunca deixemos de suplicar. E nunca paremos de acreditar. Deus ouve a nossa prece. Façamos, pois, a nossa prece sem pressa. O importante é que permaneçamos vigilantes e persistentes. Em Deus, há tanta surpresa repleta de beleza!

publicado por Theosfera às 06:18

Viver parece banal. É o que fazemos.

Mas, se pensarmos bem e como dizia Oscar Wilde, «viver é a coisa mais rara».

Mais rara e mais cara. Que seja também a coisa mais bela.

Façamos de cada momento uma celebração da vida!

publicado por Theosfera às 05:37

Sábado, 15 de Outubro de 2016

Procuramos todos afanosamente explicar a loucura. Mas se a loucura fosse explicável seria loucura?

Michel Foucault sentenciou: «A psicologia nunca poderá dizer a verdade sobre a loucura».

Só o louco perceberá o que é a loucura? Acresce que a loucura tem muito de imprevisível. Quando menos se espera, aparece.

E, o que é mais estonteante, é que ela pode advir através de quem parece não ser louco.

O mal da loucura é que ela actua, mas nunca se assume!

publicado por Theosfera às 07:52

Xavier.jpg

A 15 de Outubro de 1978, D. António de Castro Xavier Monteiro, Arcebispo-Bispo de Lamego, foi a Espadanedo, concelho de Cinfães, em visita pastoral.

Arlindo Pinto da Silveira estava paralítico há 36 anos em consequência do reumatismo agudo que o afectou.

Pois D. António fez questão de o ir crismar a casa, ficando a corresponder-se com ele a partir desse dia.

O Senhor Arcebispo tinha, efectivamente palavra de mestre, coração de pastor e olhar de pai.

Que a sua memória continue a iluminar a nossa história!

 

publicado por Theosfera às 00:36

Hoje, 15 de Outubro, é dia de Sta. Teresa de Jesus e Sto. Eutímio, o Jovem.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:19

Sexta-feira, 14 de Outubro de 2016

Pensando bem, Bob Dylan tem razão.

Ter sucesso não é só ter o reconhecimento dos outros.

É, desde logo, conseguir dar um passo e outro passo: «Sucesso é sair de casa pela manhã, dormir à noite e, nesse meio tempo, fazer o que se gosta». E, já agora, o que se deve.

Se conseguirmos o que parece pequeno, pode ser que o grande não esteja longe. A

final, até o que é grande começa por ser pequeno!

publicado por Theosfera às 10:10

Hoje, 14 de Outubro, é dia de S. Calisto, Sta. Madalena Panattieri e S. João Ogilvie.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 13 de Outubro de 2016

A nossa memória é misteriosa. Ela retém não apenas o que aconteceu, mas também o que poderia ter acontecido.

Harold Pinter observou que «existem coisas de que nos lembramos, mesmo que elas possam nunca ter acontecido».

As frustrações e os sonhos adiados estão sempre a martelar a lembrança.

Mas a vida é um caminho onde os factos e as expectativas caminham lado a lado.

E pode ser que a esperança sempre nos reserve luminosas surpresas!

publicado por Theosfera às 09:26

Podemos fazer alguma coisa para travar o mal?

Uma coisa é certa: não basta resignarmo-nos à condição de espectadores, que lastimam mas não agem.

E tenhamos presente o diagnóstico, agudo, de Albert Einstein: «O mundo vai-se tornando um lugar perigoso não só por causa dos que fazem o mal, mas também por causa dos que observam e deixam o mal acontecer».

É claro que, muitas vezes, será pouco o que poderemos fazer. Mas alguma coisa tem de ser feita. Por todos!

publicado por Theosfera às 07:41

Hoje, 13 de Outubro, é dia de Sto. Eduardo III, S. Fausto e Bem-Aventurada Alexandrina Maria da Costa.

Um santo e abençoado dia para todos.

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 12 de Outubro de 2016

Não faltam belas palavras. Faltam belas acções.

As palavras apontam num sentido e os actos apontam para outro sentido, quase sempre oposto.

É preciso restaurar a aliança entre as palavras e as acções.

Já chega de «acidentes»!

publicado por Theosfera às 09:39

Hoje, 12 de Outubro, é dia de Nossa Senhora do Pilar, Nossa Senhora de Aparecida, S. Serafim de Montegranaro, S. Vilfrido e S. João Beyzym.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 11 de Outubro de 2016

 

  1. Nunca falamos tanto de felicidade.

E, paradoxalmente, nunca teremos ouvido tantas confissões de infelicidade.

 

  1. Mais que uma aspiração, a felicidade tornou-se quase uma obsessão.

Tanto a queremos obter que até nos esquecemos de percorrer o caminho para a alcançar.

 

  1. Por incrível que pareça, somos infelizes quando começamos por querer ser felizes.

Dá a impressão de que aquilo que nos torna infelizes é, desde logo, o (obsessivo) desejo de ser feliz. Quando um desejo é forte, a frustração costuma ser grande.

 

  1. Não percebemos que a felicidade não vem, magicamente, quando a queremos.

Ela só vem quando a procuramos, quando a descobrimos. É isso o que (nos) falta: procurar a felicidade, descobrir a felicidade.

 

  1. Porque vivemos numa sociedade muito individualista, depreendemos que a felicidade consiste na realização imediata de todos os desejos ou na materialização instantânea de todas as expectativas.

Ainda não compreendemos que a felicidade é uma consequência, não uma causa; um fruto, não uma raiz.

 

  1. Por conseguinte, não vivamos obcecados com a felicidade. Nenhuma obsessão traz qualquer satisfação

Por muito provocatório que possa parecer, há uma recomendação que deveríamos seguir. Se quisermos ser felizes, não comecemos por querer ser felizes.

 

  1. Não é por muito querer a felicidade que somos felizes. Só seremos felizes quando procurarmos a felicidade onde ela se encontra.

Para Jesus, os geradores de felicidade são a pobreza, a compaixão, o empenhamento na justiça, a mansidão, a misericórdia, a paz e a lisura do coração. Ou seja, tudo ao contrário daquilo a que estamos habituados. Mas porque não experimentar?

 

  1. Que cada um comece, então, por querer ser «pobre de espírito» (Mt 5, 3), por chorar com quem chora (cf. Mt 5, 4), por ter «fome e sede de justiça» (Mt 5, 6).

Que cada um queira ser manso, misericordioso, construtor da paz e «limpo de coração» (Mt 5, 7-9).

 

  1. A felicidade não pode ser desligada. Nem solteirizada.

Não é possível ser feliz sem os outros, sobre os outros ou contra os outros.

 

  1. O Mestre tornou bem claro que «há mais felicidade em dar do que em receber» (Act 20, 35).

Em suma, é preciso sair de nós para ver a felicidade entrar em nós!

publicado por Theosfera às 10:00

As ilusões vêm com vertiginosa facilidade. Mas, quando partem, deixam uma ferida difícil de curar.

Geralmente, é sempre tarde que nos apercebemos das ilusões. É sempre tarde que notamos que alguns castelos, parecendo ter sólidos alicerces, afinal estvam construídos no ar.

François Mauriac observou que «é barato construir castelos no ar, mas é bem cara a sua destruição».

A dor de uma desilusão é simetricamente proporcional à euforia de uma ilusão.

Não sejamos desconfiados. Mas convém que, em tudo e com todos, tenhamos os devidos cuidados!

publicado por Theosfera às 09:36

Hoje, 11 de Outubro, é dia de Sta. Soledade Torres, Sto. Alexandre Sáuli e S. João XXIII, o Papa Bom.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 10 de Outubro de 2016

Hoje, 10 de Outubro, é dia de S. Daniel e seus Companheiros Mártires, S. Daniel Comboni, S. Miguel Píni e S. Tomás de Vilanova.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:47

Domingo, 09 de Outubro de 2016

Nada é impossível para Ti.

Tudo é possível conTigo, Senhor.

 

Hoje em dia, precisamos de acreditar,

de não desistir

e de sempre caminhar.

 

Obrigado, Senhor, pelo estímulo

e pelo constante apoio.

 

O caminho é difícil, mas não é inviável.

Ele pode ser trilhado.

E, como aos discípulos de Emaús,

também hoje nos acompanhas.

 

És o nosso companheiro,

o que partilha a nossa vida.

 

Tu queres, Senhor, que saibamos os mandamentos.

Mas não chega.

 

Mais importante que saber é fazer.

Saber é necessário, mas fazer é decisivo.

 

Às vezes, falta-nos apenas uma coisa.

Mas essa coisa pode ser a mais importante.

 

É preciso dar aos pobres,

repartir com os pobres.

 

Como são actuais estas palavras.

Como é pertinente este apelo.

Como é urgente esta prioridade.

 

É aqui que está a sabedoria.

A sabedoria não está apenas no conhecimento.

A sabedoria está sobretudo no amor.

O amor é mais sábio que a sabedoria.

 

Essa sabedoria está na Tua Palavra

e no Teu Pão.

 

Obrigado, Senhor, por seres a Mesa

e o Pão.

 

Obrigado, Senhor, por nos dares tudo em abundância.

Obrigado por tanto. Obrigado por tudo.

 

Que nós saibamos repartir.

Neste momento de crise, aumenta a nossa solidariedade

e faz crescer o nosso amor!

publicado por Theosfera às 11:07

A. Tudo está à disposição de todos

  1. A boa notícia que Jesus nos traz não é para alguns, é para todos. É por isso que, na Igreja de Jesus, não pode haver exclusões nem excluídos. Todos somos chamados, todos somos convidados. Todos somos cidadãos, ninguém é estrangeiro. Na Igreja de Jesus, ninguém é especial, já que todos somos únicos. Em Deus, tudo está à disposição de todos. Deus convoca-nos a todos, mas não deixa de olhar — com muito amor — para cada um.

A Liturgia deste Domingo está atravessada pela universalidade de Deus em Cristo. O projecto de Deus é, genuinamente, «católico», isto é, universal, dirigido a todos. Desde sempre, Deus tem um projecto de salvação para oferecer a todos os homens, sem excepção. Em Cristo, tal projecto atinge o auge e chega ao cume: ao cume do serviço, da entrega e da doação.

 

  1. Já no Antigo Testamento, como se pode conferir na Primeira Leitura, aparece alguém que, não pertencendo ao povo eleito — o sírio Naamã —, é atendido na sua prece. Este episódio, além de mostrar que só o Deus de Israel é Deus, revela que o Deus de Israel não é só para Israel.

Nesta intervenção para todos os povos, figurados no leproso sírio, Deus surge como alguém sensível aos problemas. Deus melhora a qualidade de vida. Ele é a cura e o curador, o médico e o medicamento. Na Sua intervenção, Deus não actua apenas no exterior; Deus transforma tudo. Naamã não ficou curado apenas de uma doença física. Todo o seu ser é transfigurado, tornando-se um homem novo. Deste modo, deixa os ídolos para servir o verdadeiro e único Deus. A certificação desta mudança radical dá-se quando proclama que «não há outro Deus em toda a terra senão o de Israel» (2Rs 5, 15).

 

B. A lepra evoca a humanidade ferida e excluída

 

3. A transformação deste homem vê-se também na gratidão que ele demonstra. Curado dos males que o afectavam, ele quis agradecer a sua cura. Começou por inundar o profeta Eliseu com presentes; mas depressa percebeu que não era a um homem que tinha de agradecer o dom da vida. Era a Deus que devia mostrar o seu reconhecimento. Tal reconhecimento manifestou-se numa adesão total da sua vida, do seu ser.

Já agora, a atitude do profeta Eliseu merece uma referência particular. Ele não quis tirar dividendos da situação em proveito próprio. Ao recusar qualquer presente das mãos de Naamã, Eliseu dá a entender que não é a ele, mas a Deus que o general sírio deve agradecer a cura. Nenhum ser humano tem poderes especiais. Só Deus cura, só Deus liberta, só Deus salva. O que nós, seres humanos, podemos — e devemos — fazer é orar, pedindo a intervenção de Deus.

 

  1. O Evangelho tem um registo semelhante. Também ele nos fala da lepra. Neste caso, conta-nos a história de dez leprosos que vão ao encontro de Jesus. É através de Jesus que eles descobrem a misericórdia e o amor de Deus. Estes leprosos representam toda a humanidade ferida, toda a humanidade ferida pela miséria e pelo sofrimento. É sobre esta humanidade ferida que Deus derrama a Sua bondade, o Seu amor, a Sua salvação.

Refira-se, desde já, que este episódio é exclusivo de São Lucas. Mais nenhum evangelista o refere. Trata-se de um episódio que mostra como o Deus que Se faz pessoa em Jesus vem trazer, em gestos concretos, a salvação a todos os homens, particularmente aos oprimidos e marginalizados.

 

C. Quem não precisa de ser curado da lepra?

 

5. É esse o ponto de partida da história que São Lucas nos conta: ele fala-nos de Deus como alguém com uma proposta de vida nova e de libertação para todos os homens. O número dez terá, seguramente, um significado simbólico: significa totalidade. É que o judaísmo considerava necessário que pelo menos dez homens estivessem presentes, a fim de que a oração comunitária pudesse ter lugar.

A presença de um samaritano no grupo indica, entretanto, que esta totalidade não se refere apenas à totalidade de Israel, mas à totalidade da humanidade. A salvação oferecida por Deus, em Jesus, não se destina somente a Israel, mas a todos os homens, sem excepção, incluindo aqueles que o judaísmo considerava afastados da salvação.

 

  1. Curiosamente, todos estes dez eram excluídos. O samaritano era duplamente excluído: por ser samaritano e por ser leproso. Os outros nove, embora membros do povo eleito, também eram excluídos por causa da lepra.

Devido ao facto de a lepra ser uma doença contagiosa, os que dela sofriam eram literalmente excomungados, sendo obrigados a andar longe das localidades. Se vissem alguém, deviam gritar: «Impuro, impuro!», para que as pessoas se afastassem (cf. Lev 13,45-46). É por isso que, segundo o texto de São Lucas, os leprosos mantêm as distâncias e falam em voz alta (cf. Lc 17, 13).

.

D. Porquê mostrar-se aos sacerdotes?

 

7. E o certo é que o pedido dos leprosos chega até Jesus. Jesus escuta o seu pedido, mandando que se fossem apresentar aos sacerdotes. É que, segundo o Livro do Levítico (cf. Lev 13, 2-3) era aos sacerdotes que competia declarar a cura da lepra.

E eles assim fazem. Eles partem, mostrando a sua plena confiança em Jesus. E o certo é que, antes de chegarem aos sacerdotes, eles ficaram curados. Foi no caminho que tudo aconteceu. Jesus remete para o Antigo Testamento, para os sacerdotes, porque, como disse no Sermão da Montanha, Ele não veio revogar, mas completar (cf. Mt 5, 17). No entanto, o caminho que aqueles leprosos pisavam já era o caminho para Jesus, que aliás viria a apresentar-Se como sendo o caminho (cf. Jo 14, 6).

 

  1. Quem cura estes leprosos é Jesus. E a cura é recebida no caminho de Jesus. É preciso pormo-nos a caminho para nos libertarmos, para sermos curados. O instalamento não cura, só faz adoecer. É preciso partir. É necessário aprender a ser nómada. O nosso abrigo só pode estar em Deus.

Há um aspecto, porém, que não escapa ao narrador. Até dá a entender, pela ênfase da narração, que o enfoque não está tanto na cura, mas no que vem a seguir. É que só um dos dez leprosos voltou para trás. Só um dos dez leprosos veio agradecer e louvar. E, tal como fizera na súplica, o agradecimento e o louvor também foram expressos em voz alta (cf. Lc 17, 15).

 

E. Há que aprender com os «de fora»

 

  1. Quem assim procedeu foi um samaritano (cf. Lc 17,15-16), considerado herético e, portanto, excluído. Jesus fica surpreendido e, ao mesmo tempo, desapontado com os outros nove: «Não ficaram limpos os dez? Onde estão os outros nove? Não se encontrou quem voltasse, para dar glória a Deus, senão este estrangeiro?» (Lc 17, 17-18).

Às vezes, os de fora mostram estar mais por dentro do que aqueles que presumem estar dentro. São os de fora que, quase sempre, nos dão as maiores lições. Há, por isso, que estar atento e nunca fechar as portas a ninguém. É preciso aprender com os pequeninos, os excluídos e os marginalizados. Uma vez mais se confirma: até os excluídos do mundo são incluídos por Deus.

 

 

  1. É por esta boa notícia que somos convidados a dar a vida. O Evangelho não admite exclusões nem empurrões para fora. Como ouvimos na Segunda Leitura, o Apóstolo está preso, mas até aparenta estar feliz por «sofrer pelo Evangelho» (2Tim 2, 8). O evangelizador pode estar na prisão, mas o Evangelho nunca ficará aprisionado (cf. 2Tim 2, 9).

Por isso, não tenhamos receio de viver nem sequer de morrer. «Se morrermos com Cristo, também com Cristo viveremos. Se permanecermos firmes, também reinaremos com Ele. Se O negarmos, também Ele nos negará. Se Lhe formos infiéis, Ele permanecerá fiel pois não pode negar-Se a Si mesmo» (2Tim 2, 11-13). A Sua fidelidade é a garantia da nossa felicidade!

publicado por Theosfera às 05:29

O passado é uma escola, não pode ser um freio.

É importante aprender com ele. É impossível, porém, repeti-lo.

Mário de Andrade observou que «passado é lição para reflectir, não para repetir».

Aliás, quando não se reflecte sobre o passado, o mais habitual é repeti-lo especialmente naquilo que não deveria ser repetido.

Aprendendo com o passado, procuremos investir tudo no dia mais decisivo da nossa vida: hoje!

publicado por Theosfera às 04:39

Hoje, 09 de Outubro (28º Domingo do Tempo Comum), é dia de Sto. Abraão, S. João Leonardo, S. Dionísio Areopagita, S. Luís Beltrão, Sto. António Prazzini e Sto. Inocêncio Camauro.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 08 de Outubro de 2016

Em tudo, existe um sentido.

Nem sempre o descobrimos, mas ele existe.

Edson Athaíde, de modo conspícuo, observou: «No fim da história, tudo faz sentido; se não faz sentido, é porque não chegou ao fim».

Viver é, pois, procurar o sentido. Ou deixar-se procurar por ele!

publicado por Theosfera às 08:19

Hoje, 08 de Outubro, é dia de Sta. Pelágia, Sta. Taís e Sto. Artoldo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:31

Sexta-feira, 07 de Outubro de 2016

Nem tudo é sonho.

Mas, muitas vezes, «tudo o que vemos ou nos parece vermos não é mais do que um sonho dentro de outro sonho» (Edgar Allan Poe).

O sonho é importante quando nos leva a intervir, positivamente, na realidade.

Caso contrário, arrisca-se a não sair das arcas bafientas da ilusão!

publicado por Theosfera às 11:43

Hoje, 07 de Outubro, é dia de Nossa Senhora do Rosário e S. Marcos, Papa.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 06 de Outubro de 2016

Um membro da Cartuxa, quando passa por outro, não diz bom dia nem boa tarde. Simplesmente, não diz nada.

 

Não se trata de descortesia. Trata-se de uma via.

 

Temos de respeitar quem opta por ela.

 

Neste dia de S. Bruno, fundador da Cartuxa, importa perceber que a vida é tecida de muitos tons.

 

A solidão, por estranho que pareça, não deixa de ser um caminho, uma forma de relação.

 

Aliás, não falta quem diga que nunca estamos tão sós como no meio da multidão. É aqui que mais se grita. É aqui que menos se escuta.

 

S. Bruno não era um frustrado. Tinha uma carreira preenchida e apreciada.

 

Mas descobriu que o seu horizonte era outro.

 

Às vezes, é preciso interromper, sair, deixar.

 

A solidão nem sempre nos desvia. Ela pode levar-nos à redescoberta da verdade sobre nós. E da verdade sobre os outros.

 

A variedade da existência é, realmente, surpreendente. E poderosamente desconcertante.

publicado por Theosfera às 09:47

Hoje, 06 de Outubro, é dia de S. Bruno, Sta. Maria Francisca das Cinco Chagas, S. Diogo de San Vítores, Sta. Maria Ana Mógas de Funtcuberta, Sta. Fé e S. Francisco Gárate.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:22

Quarta-feira, 05 de Outubro de 2016

Alegria. Todos a procuram. Mas quem a consegue?

Vamos tendo alguns momentos de alegria, mas alguém está em condições de garantir que tem uma vida alegre?

De que precisamos, afinal, para encontrarmos, estavelmente, a alegria?

Serão os êxitos que nos darão alegria? O problema é que os êxitos são raros e, além de raros, efémeros.

Como recordou o senhor Bispo de Lamego, o segredo da alegria está em colocar Jesus no primeiro lugar, os outros no segundo lugar e nós mesmos no último lugar.

Trata-se de fazer da palavra inglesa «joy» (alegria) um acróstico: «Jesus first, others second, and yourself last».

Não é fácil. O impulso do eu é avassalador. Mas é maravilhoso.

Nunca temos tanto como quando nos dispomos a dar tudo. E a dar sempre!

publicado por Theosfera às 22:05

Que podemos esperar do poder? Nem sempre muito, raramente bem.

Têm de ser os cidadãos a exercer a vigilância, dentro dos limites da lei.

Norberto Bobbio, sempre assertivo, deu conta: «Sem cidadãos dispostos a ser vigilantes e a ser capazes de resistir aos arrogantes, a república morre».

Mesmo que formalmente sobreviva, vai morrendo.

Os cidadãos não podem fazer tudo. Mas será que não poderemos todos fazer (um pouco) mais?

publicado por Theosfera às 09:30

Hoje, 05 de Outubro, é dia de S. Plácido, Sta. Flor, S. Raimundo de Cápua, S. Bartolomeu Longo, Sta. Faustina, S. Francisco Xavier Seelos e St. Alberto Marvelli.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

mais sobre mim
pesquisar
 
Outubro 2016
D
S
T
Q
Q
S
S

1

2
3
4
5
6
7
8

9





Últ. comentários
Profundo e belo!
Simplesmente sublime!
Só o bem faz bem! Concordo.
Sem o que fomos não somos nem seremos.
Nunca nos renovaremos interiormente,sem aperfeiçoa...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
Lindo e profundo texto, Senhor Doutor. Obrigada pe...
É bem verdade.
linda reflexão!
online
Number of online users in last 3 minutes
vacation rentals
citação do dia
citações variáveis
visitantes
hora
Relogio com Javascript
contador
relógio
pela vida


petição

blogs SAPO


Universidade de Aveiro