O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 31 de Março de 2016

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publicado por Theosfera às 20:23

Hoje, 31 de Março (Quinta-Feira da Oitava da Páscoa), é dia de Sto. Acácio de Antioquia, Sta. Balbina, S. Benjamim e S. Daniel.

Um santo e abençoado dia pascal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 30 de Março de 2016

Hoje, 30 de Março (Quarta-Feira da Oitava da Páscoa), é dia de S. João Clímaco e Sto. Amadeu de Sabóia.

Um santo e abençoado dia pascal para todos!

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Terça-feira, 29 de Março de 2016

 

  1. A Ressurreição é o novo começo, o definitivo recomeço.

Não se recomeça para repetir. O sepulcro vazio assinala uma história que permanece em aberto.

 

  1. Uma vida ressuscitada assume o passado, mas não estaciona no passado.

No passado estacionavam os discípulos naquela tarde (cf. Jo 20, 19).

 

  1. Tantas vezes, o nosso estado de espírito é semelhante ao destes discípulos. Também nós estamos com «as portas fechadas» e cheios de «medo» (cf. Jo 20, 19).

Estamos fechados por causa do medo, estamos com medo por causa de estarmos fechados.

 

  1. Só que, tal como há dois mil anos, Jesus não desiste.

Ele é a chave que abre o que está fechado e o destemor que vence o medo.

 

  1. Para Jesus, não há barreiras intransponíveis nem obstáculos inultrapassáveis. O Ressuscitado não Se ausenta.

Quando Jesus está no meio de nós, a paz é total.

 

  1. A paz da Páscoa é a aurora de um mundo novo e o alicerce de uma vida inteiramente renovada.

É esta paz da Páscoa que se respira na Igreja dos primeiros tempos. É esta paz da Páscoa que leva os seus membros a terem «um só coração e uma só alma»(Act 4, 32).

 

  1. Por causa dessa união, todos punham tudo em comum (cf. Act 4, 32). Ninguém tinha nada e a ninguém faltava nada.

Eis o grande sinal da Páscoa: ninguém considerava seu o que era comum; todos optavam por considerar comum o que era seu (cf. Act 4, 32-34).

 

  1. Que belo alicerce encontramos aqui para o «Estado social»!

Quando o outro é a prioridade, ninguém passa mal. Quando o tu é a prioridade para cada eu, ninguém acumula o supérfluo, todos têm acesso ao essencial.

 

  1. Entre os cristãos da primeira hora, não havia «qualquer necessitado»(Act 4, 34).

Tertuliano dá-nos conta do espanto dos que não eram cristãos quando olhavam para o comportamento dos cristãos: «Vede como eles se amam!» No fundo, eles apercebiam-se de como a palavra dos seus lábios se repercutia na palavra da sua vida.

 

  1. A nossa missão há-de ser a missão do próprio Jesus. Como Ele fez, façamos nós também (cf. Jo 13, 15).

Uma vez que Ele veio para servir, nós também somos chamados a servir (cf. Mt 20, 28). Quem não serve, não serve para a missão.

publicado por Theosfera às 10:13

Hoje, 29 de Março (Terça-Feira da Oitava da Páscoa), é dia de Sto. Eustásio, Sta. Paula Gambara, Sto. Agostinho de Spínola, S. Manuel Domingos Sol, Sta. Teresa do Menino Jesus (mártir), Sta. Maria do Pilar e Sta. Maria dos Anjos.

Um santo e abençoado dia pascal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 28 de Março de 2016

Hoje, 28 de Março (Segunda-Feira da Oitava da Páscoa), é dia de S. Sisto III e S. Venturino.

Um santo e abençoado dia pascal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 27 de Março de 2016

 

Já é Páscoa no tempo,

há alegria e esplendor,

vivacidade e contentamento.

Os foguetes vão estourar,

as flores vão brilhar,

as pessoas vão vibrar,

as casas vão encher

para Te acolher, Senhor.

Há dois mil anos,

removeste a pesada pedra do Teu sepulcro.

Pedimos-Te, Senhor,

que, hoje mesmo,

removas alguma pedra que ainda endureça os nossos corações:

a pedra do pecado,

a pedra do egoísmo,

a pedra da falsidade,

a pedra da injustiça, do ódio e da violência.

Aqui nos tens, Senhor,

não queremos ser sepultura mas berço.

Queremos que nasças sempre em nós

e queremos renascer sempre para Ti.

É tempo de Páscoa.

Exulta a natureza.

Vibram as crianças.

Cantem as multidões.

Que a Páscoa traga Paz,

Amor, Partilha e Felicidade.

Que os rostos sorriam,

que as mãos se juntem,

que os passos se aproximem,

que os corações se abram.

Obrigado, Senhor,

por morreres por nós.

Obrigado, Senhor,

por ressuscitares para nós.

Voltaste para o Pai e permaneces connosco.

Na Eucarista, és sempre o Emanuel.

Que Te saibamos receber

e que Te queiramos anunciar.

Hoje vais entrar em nossas casas.

Que nós nunca Te afastemos da nossa vida.

É Páscoa no tempo.

Que seja Páscoa na vida,

na nossa vida,

na vida da humanidade inteira.

publicado por Theosfera às 10:44

 

A. Nem a morte detém Jesus

  1. Por vezes, há coisas que não correm bem. Para Maria Madalena, então, os últimos dias tinham corrido mesmo muito mal. Naquela manhã, põe-se a caminho da sepultura. Ouvimos dizer que era «ainda escuro»(Jo 20, 1). Que melhor ambiente para chorar um morto? Afinal, escuridão atrai escuridão. Haverá maior escuridão que a morte? A escuridão da manhã daquele Domingo era como o prolongamento da escuridão da tarde de Sexta-Feira. Tudo continuava escuro. Escuro estava o tempo. Escura estava a alma. Que mais fazer senão chorar a escuridão: a escuridão da dor, a escuridão da saudade e, porventura, a escuridão do medo?

Tudo estava consumado (cf. Jo 19, 30). A pedra no sepulcro é como o ponto final num texto. Aquela pedra era o ponto final naquela vida: naquela vida que se tinha consumido e que a morte tinha consumado. Restava apenas o rasto. Mas até o rasto daquele corpo tinha desaparecido: «Tiraram o Senhor do túmulo»(Jo 20, 2). A morte é, de facto, o supremo desencontro. Como reencontrar aqueles de quem a morte nos desencontrou para sempre? Que pode haver depois do fim?

 

  1. Só que aquela morte não era o fim. Aquela morte foi o fim, mas o fim da morte como fim. A partir daquela morte, a morte deixou de ser o fim. É que, naquela noite, um novo dia amanhecera. E, naquela escuridão, uma nova luz se acendera. O chamado Evangelho de Nicodemos assegura que, «à meia-noite, um clarão de sol penetrou naquelas trevas e todos os recantos do Hades tornaram-se luminosos».

As trevas nada podiam contra aquela luz. E até a morte nada pôde contra aquela vida. Tal como a pedra do sepulcro, também as evidências são derrubadas. O que estava morto, afinal, está vivo.

 

B. Quando o homem desfaz, Deus refaz

 

3. Jesus ressuscitou, não revivesceu. A Ressurreição é novidade, não é regresso. É uma passagem para a frente, não é um passo atrás. Ressurreição não é ressuscitação. Jesus não é devolvido à vida anterior, mas entra numa vida nova. É por isso que ninguém O reconhece ao primeiro contacto (cf. Jo 20, 14). Jesus é o mesmo, mas está diferente. A Ressurreição não é dissolução, mas transformação. A Ressurreição é a novidade total. Neste sentido, compreende-se que não falte quem à Ressurreição chame «anástase» para significar precisamente a elevação de Jesus à vida plena.

É por isso que nós não evocamos alguém que já morreu; nós celebramos alguém que continua vivo. A Igreja, alicerçada na Páscoa da Ressurreição, não transporta a recordação de um ausente, mas oferece-nos a permanente celebração de uma presença.

 

  1. Nem sempre Deus está de acordo com o que os homens fazem. Em relação a Jesus, Deus desfaz — ou, melhor, refaz — o que os homens tinham feito. S. Pedro explica tudo isto com notável precisão. Jesus, «a quem deram a morte, suspendendo-O num madeiro, Deus O ressuscitou ao terceiro dia»(Act 10, 39-40). Nada — nem ninguém — faz frente a Deus. Nem a morte detém Deus. Sucede que é preciso passar pela morte para vencer a morte.

Como bem percebeu S. Gregório de Nazianzo, só é salvo o que é assumido. Em Jesus Cristo, Deus assume o que é humano para salvar o humano. E como a morte faz parte da condição humana, nem Deus, ao fazer-Se homem, quis passar ao lado da morte. Neste caso, não se trata de carência de ser, mas de superabundância de ser. Em Jesus Cristo, Deus fez Sua a nossa morte para que nós façamos nossa a Sua vida.

 

C. Volta à vida quem dá a vid

 

5. É fundamental não esquecer que a Páscoa não é só a Ressurreição. A Páscoa é a passagem da Cruz para a Ressurreição, é a passagem da morte para a vida. Aliás, há um hino deste tempo pascal que no-lo recorda com extremos de veemência: «Não há Ressurreição sem haver morte». E o próprio Ressuscitado não esconde as marcas da Cruz, instando com Tomé para que coloque o seu dedo nas Suas mãos (cf. Jo 20, 27).

Não é, pois, incorrecto falar, com Jurgen Moltmann, da «Ressurreição do Crucificado» nem da «Cruz do Ressuscitado». No fundo, a Ressurreição é a validação e o reconhecimento de toda a trajectória do Crucificado.

 

  1. A Visita Pascal, esse costume tão belamente arreigado na alma do povo, ilustra esta verdade profunda. Na Visita Pascal, anunciamos a Ressurreição transportando o Crucificado. Não é só por causa da extrema dificuldade em figurar um corpo ressuscitado. Tem todo o sentido transportar a Cruz em dia de Páscoa porque o que ressuscita é o mesmo que morre; o que volta à vida é o mesmo que dá a vida; se não morresse não ressuscitaria; o grão de trigo, para dar fruto, tem de morrer (cf. Jo 12, 24).

Acresce que o mistério de Cristo é sempre global, pelo que não se pode segmentar ou fracturar. Jesus integra a glória no sofrimento e eleva o sofrimento à glória. Ao entrar na nossa casa como ressuscitado, Jesus aparece na Cruz como que a dizer aos crucificados pelo sofrimento que está com eles. Jesus continua ao lado dos que choram, dos que sofrem. Eis, por conseguinte, a maior fonte de esperança para cada um de nós: Jesus sofre connosco, nós venceremos o sofrimento com Ele. Com Ele, nós venceremos o sofrimento e a própria morte. Não há nenhum motivo para cair no desespero. Temos todos os motivos para fortalecer a esperança.

 

D. Viver? Só com Cristo!

 

7. Os pés devem continuar na Terra, mas os olhos hão-de estar sempre dirigidos para o Céu. A Páscoa não aliena, responsabiliza. S. Paulo é muito claro: «Uma vez que ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto»(Col 3, 1). Pelo Baptismo, morremos com Cristo. Pelo Baptismo, ressuscitamos em Cristo.

Uma vida pascal é uma vida com Cristo. Não faz sentido viver sem Cristo: a nossa vida passou a ser Cristo (cf. Col 3, 4). É Cristo que vive em nós (cf. Gál 2, 20). A nossa autonomia não é afectada. Trata-se de uma autonomia «cristónoma». Como é que Cristo poderia afectar a nossa liberdade se foi para a verdadeira liberdade que Cristo nos libertou (cf. Gál 5, 1)? Pelo Seu exemplo, Ele mostrou que a verdadeira liberdade não consiste em ter, mas em dar. A liberdade suprema, que Cristo corporizou, consiste em dar tudo, em dar a vida (cf. Jo 10, 10).

 

  1. Cristo está vivo na nossa vida e nós só estamos vivos na vida de Cristo. Ele permanece vivo na Palavra e no Pão. Tal como aconteceu aos discípulos acabrunhados a caminho de Emaús, também nós, hoje, reconhecemos Cristo ao partir do pão, isto é, na Eucaristia (cf. Lc 24, 31). É por isso que a Eucaristia é, por excelência, o «mistério da fé».

Na Eucaristia, com efeito, anunciamos a Morte de Jesus e proclamamos a Ressurreição de Jesus. Trata-se, portanto, de um sacramento eminentemente pascal. Mas Jesus também permanece vivo na missão, no nosso testemunho ao longo da missão. Como Pedro e os apóstolos da primeira hora, também nós somos chamados a ser testemunhas de que Cristo está vivo. O testemunho é o melhor certificado de que Cristo está vivo na nossa vida e na vida do mundo. Muitos são os que dão a vida por causa de «um certo Jesus que morreu» e que nós testemunhamos «estar vivo» (Act 25, 19).

 

E. Afinal, dos fracos também reza a história

 

9. É esta a vida que nos traz vivos. É esta a vida que vale a pena anunciar a todos os vivos. É esta a vida que irradia desde aquele dia que o Senhor fez (cf. Sal 118, 24). Trata-se de um dia sem fim, de um dia que não escurece, de uma manhã que não anoitece. Temos, por isso, todas as razões para nos alegrar e cantar. O Aleluia é o cântico típico da Páscoa, pois verbaliza o louvor pela maior obra do Senhor.

A Páscoa já chegou e não apenas hoje. A Páscoa já chegou há muito tempo. A Páscoa chegou até nós para que nós cheguemos à Páscoa. A Páscoa está no tempo para que esteja sempre na nossa vida.

 

  1. A Páscoa é o silêncio que fala, a escuridão que brilha, a lágrima que sorri, o fim que (re)começa. Afinal, o inesperado vence o inevitável. Nós não tínhamos percebido que consumado não é o mesmo que terminado. Jesus tinha consumado a missão, mas não deu por terminada a presença. Foi do lugar da morte que Jesus regressou ao encontro dos vivos (cf. Jo 20, 15). Do máximo fracasso irrompe, assim, o máximo triunfo. O vencido desperta como vencedor.

Como reconheceu Tomas Halik, a Páscoa é «a vitória mediante a derrota». A vida renasce da morte. A luz reacende-se nas trevas. O dia acorda na noite. O sorriso é sulcado no pranto. Um novo começo se levanta após o fim. É do fundo que se sobe. É de baixo que se cresce. Dos fracos também reza a história. É na maior fraqueza que se manifesta a maior força (cf. 2Cor 12, 9). A Páscoa é a vitória do vencido. A Ressurreição põe a descoberto o que na morte jazia encoberto. Só quem desce às profundezas consegue atingir as alturas. Jesus ressuscitado volta a percorrer os nossos passos (Lc 24, 23-35) para que nós possamos prosseguir o Seu caminho. É por isso que os passos de uma vida pascal nunca serão simplesmente passos. Serão passos sempre em «compasso». Em «compasso» com Deus em direcção à humanidade. E em «compasso» com a humanidade em direcção a Deus!

publicado por Theosfera às 08:43

Hoje, 27 de Março (Páscoa da Ressurreição), é dia de S. João do Egipto, S. Peregrino, S. Francisco Faá di Bruna e S. José Sebastião Pelczar.

Um santo e abençoado dia pascal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 26 de Março de 2016

A morte é um mistério e a nossa relação com a morte é um enigma.

Só a fé esclarece o mistério da morte. Só a fé pode clarificar o enigma da nossa relação com a morte.

Muitos acham que, já que a morte tem de vir, que venha o mais tarde possível.

Mas também não falta quem julgue que, já que a morte tem de vir, que venha quanto antes. Por isso, matam e matam-se.

É preciso aprender com Jesus a colocarmo-nos nas mãos de Deus.

Que seja Ele a levar-nos quando entender.

Que ninguém se apresse. A morte de ninguém se esquece.

Quem crê sabe que um começo nos espera para lá do próprio fim!

publicado por Theosfera às 10:51

 

A vida é uma sucessão de viagens. Só a última não tem regresso.

A derradeira viagem não tem paragem. É uma subida para a plenitude da vida.

Como confessou o Dr. Marinho Borges, «não morri, apenas subi e parti; ninguém me encontrará morto; subi e parti rumo à Eternidade, sempre vivo»!

 

publicado por Theosfera às 10:38

A liberdade começa com a verdade. E a verdade começa na liberdade.

Se alguém quer ser livre, que comece por ser verdadeiro. Se alguém quer ser verdadeiro, que comece por ser livre.

Só a verdade liberta (cf. Jo 8, 32). E só a liberdade «verdadeia»!

publicado por Theosfera às 10:27

Deus é o centro de tudo.

Mas como nós teimamos em andar des-centrados e des-concentrados (ou seja, longe do centro), acabamos por andar longe de Deus. E este não é um problema exclusivo dos não crentes.

Aliás, olhando para o nosso comportamento, a diferença é mínima.

Deus deixou de estar no centro da vida de muitos crentes.

Ao mesmo tempo, há quem altere (e adultere) a imagem de Deus, não mostrando o que Ele é e mostrando o que Ele não é.

Eis como decorre a nossa vida hoje: entre os que alteram a imagem de Deus e os que se afastam de Deus.

Porque não voltar a Deus?

Aproveitemos este dia, este Sábado Santo, para parar. E reparar!

publicado por Theosfera às 10:17

A Deus podemos pedir muitas coisas. Mas de Deus só virá uma coisa: o Seu amor.

Como, há muitos séculos, percebeu Isaac de Nínive, «Deus só pode dar o Seu amor».

É o que Ele tem. Nada mais tem Deus.

E como Deus dá tudo o que tem, eis que está sempre a dar-nos o Seu (infinito) amor!

publicado por Theosfera às 09:59

Hoje, 26 de Março (Sábado Santo), é dia de S. Bráulio, S. Ludgero, S. Quadrado, S. Teodoro, Sto. Emanuel, Sto. Eutíquio e seus Companheiros Mártires.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 25 de Março de 2016

Há dois dias no ano em que não se celebra a Santa Missa: Sexta-Feira Santa e Sábado Santo.

Na Sexta-Feira Feira, além da Liturgia das Horas, só há a celebração da Paixão do Senhor, com a adoração da Cruz.

No Sábado Santo, só há mesmo a Liturgia das Horas. Os únicos sacramentos que podem ser celebrados são a Penitência (Confissão) e Unção dos Enfermos.

A Vigília Pascal, que cronologicamente começa na noite de sábado, é uma celebração que já pertence ao Domingo. É a primeira (grande) celebração da Páscoa da Ressurreição!

publicado por Theosfera às 23:25

Quinta-feira, 24 de Março de 2016

Hoje, 24 de Março (Quinta-Feira Santa), é dia de Sta. Catarina da Suécia, Sto. Agapito e S. Diogo José de Cádiz.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 23 de Março de 2016

A nossa morada já era o medo. A nossa casa passou a ser o perigo.

Não haverá por aí um lugar para que possamos erguer uma habitação para a esperança?

publicado por Theosfera às 09:31

Hoje, 23 de Março (Quarta-Feira Santa), é dia de S. Nícon e seus Companheiros, S. Turíbio de Mongrovejo, S. Vitoriano e Sta. Raquel Ay-Rayés.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 22 de Março de 2016

 

  1. Tudo continuava escuro. Escuro estava o tempo. Escura estava a alma.

Escura parecia estar a vida para sempre. Afinal, tudo estava consumado (cf. Jo 19, 30).

 

  1. A pedra no sepulcro era como o ponto final num texto.

Aquela pedra era o ponto final naquela vida: naquela vida que se tinha consumido e que a morte tinha consumado.

 

  1. Restava apenas o rasto. Mas até o rasto daquele corpo tinha desaparecido: «Tiraram o Senhor do túmulo»(Jo 20, 2).

A morte é, de facto, o supremo desencontro. Como reencontrar aqueles de quem a morte desencontrou? Que pode haver depois do fim?

 

  1. Só que aquela morte não era o fim. A partir daquela morte, a morte deixou de ser o fim.

É que, naquela noite, um novo dia amanhecera. E, naquela escuridão, uma nova luz se acendera.

 

  1. As trevas nada podiam contra aquela luz. E até a morte nada pôde contra aquela vida.

Tal como a pedra do sepulcro, também as evidências são derrubadas. O que estava morto, afinal, está vivo.

 

  1. Jesus ressuscitou, não revivesceu. A Ressurreição é novidade, não é regresso. É uma passagem para a frente, não é um passo atrás.

Ressurreição não é ressuscitação. Jesus não é devolvido à vida anterior, mas entra numa vida nova. Daí que ninguém O reconheça ao primeiro contacto (cf. Jo 20, 14). Jesus é o mesmo, mas está diferente.

 

  1. A Ressurreição é sobretudo transformação.

Neste sentido, compreende-se que não falte quem à Ressurreição chame «anástase» para significar precisamente a elevação de Jesus à vida plena.

 

  1. É por isso que nós não evocamos alguém que já morreu; nós celebramos alguém que continua vivo.

A Igreja, alicerçada na Páscoa, não transporta a recordação de um ausente, mas oferece-nos a permanente celebração de uma presença.

 

  1. É do lugar da morte que Jesus vem ao encontro dos vivos (cf. Jo 20, 15).

Nós não tínhamos percebido que consumado não é o mesmo que terminado. Jesus tinha consumado a missão, mas não deu por terminada a presença.

 

  1. Por conseguinte, a Páscoa é o silêncio que fala, a escuridão que brilha, a lágrima que sorri, o fim que (re)começa

Do máximo fracasso irrompe o maior triunfo. O vencido desperta como vencedor. E, uma vez mais, o inesperado vence o inevitável.

publicado por Theosfera às 10:35

Até os locais onde há mais segurança estão inseguros.

Os europeus tremem. A Europa agoniza.

Conseguirá ressuscitar?

publicado por Theosfera às 09:45

Hoje, 22 de Março (Terça-Feira Santa), é dia de S. Deográcias, Sta. Leia e S. Zacarias.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 21 de Março de 2016

Hoje, 21 de Março (Segunda-Feira Santa), é dia do Trânsito de S. Bento (ocorrido, neste dia, em 543), S. Nicolau de Flue, Mártires de Alexandria e Sta. Benedita Cambiagio Frassinello.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 20 de Março de 2016

A. Senhor de todos os passos

 

1. De Betânia para Jerusalém. Da Páscoa antiga para a Páscoa nova. Da casa para a cidade e da cidade para uma outra casa. Da mesa para a rua e da rua para uma outra mesa. Desta outra mesa para o monte. Da refeição para a oração. Do dia para a noite. Da luz para as trevas. Da negação para a traição. Do Getsémani para o tribunal. Da prisão para o julgamento. Da acusação para a agressão. Da ofensa para a sentença. Da multidão para a solidão. Da presença para o abandono. Da tortura para a humilhação. Do pretório para o Gólgota. Da flagelação para a Cruz. Da vida para a morte. Do baixo para o alto. Do alto para baixo. Da Cruz para a sepultura. Do cúmulo para o túmulo. De ontem para hoje.

 

2. Eis os passos que já passaram. Eis os passos que ainda estão a passar. Eis os passos que nunca passam. No fundo, este é o verdadeiro dia de Nosso Senhor dos Passos: de todos os passos, dos Seus passos, dos nossos passos, dos passos que deu há dois mil anos, dos passos que dá connosco hoje. Foi por nós que Jesus subiu à Cruz e desceu ao túmulo. E só no túmulo parou todo aquele cúmulo de amor. Ou, melhor, nem no túmulo parou todo aquele cúmulo de amor.

 

B. A Cruz não ficou em Jerusalém

 

3. Nós é que devemos parar — e reparar — diante da Cruz. Este é o dia de parar na Cruz. Este é o dia de parar para reparar na Cruz. Este é o dia de parar para reparar nos passos que conduziram à Cruz. E este há-de ser o dia para começar a reparar os nossos passos que nem sempre estão em sintonia com o testemunho que nos vem da Cruz. A Cruz não tem só passado. A Cruz também tem presente. A Cruz também subsiste no presente.

 

4. A Ressurreição não constitui a eliminação da Cruz, mas a revelação do significado — e do alcance — da Cruz. O que ressuscitou mantém as marcas da Cruz, como faz questão de mostrar a Tomé (cf. Jo 20, 27). É como se nos estivesse a dizer que só se chega à Ressurreição pelo caminho da Cruz. Só volta à vida quem dá a vida, quem se dá na vida. É por isso que a Cruz não ficou em Jerusalém, a Cruz está espalhada pelo mundo. Jesus continua a carregar a Cruz em tantos que vão carregando a Cruz. A Cruz continua a ser carregada nos hospitais e nas prisões. A Cruz continua a ser carregada em camas abandonadas de tantas casas isoladas. A Cruz continua a ser carregada por tanta gente sem pão, sem trabalho e sem saúde. A Cruz continua a ser carregada por tantos que sofrem as dores da injustiça e da opressão. A Cruz continua a ser carregada por tantos que são esquecidos e maltratados.

 

C. A Cruz está sempre a passar

 

5. Jesus continua a ser crucificado em tantos que crucificamos. O que fazemos a eles é o que fazemos a Ele (cf. Mt 25, 40). O que não fazemos a eles é o que deixamos de fazer a Ele (cf. Mt 25, 45). Nunca esqueçamos que a Cruz tem uma actualização sacramental, na Eucaristia, e uma permanente actualização existencial, na vida de tantas pessoas. A Cruz não passou, a Cruz está sempre a passar. Será lícito votar-Lhe ausência ou indiferença? Se Jesus é diferente, como continuar a ser indiferente?

 

6. A esta semana os antigos chamavam «semana pascal». E, com efeito, esta é uma semana pascal: não só porque é a semana que nos conduz à celebração da Páscoa, mas também porque nos convida a «passar» de uma vida centrada em nós a uma vida centrada em Deus e nos irmãos. A antiga liturgia de Milão dava a esta semana o nome de «semana autêntica» por ser a semana que assinala os verdadeiros «trabalhos de Jesus». E não há dúvida de que, nos «trabalhos» derradeiros como em toda a Sua vida, Jesus recusa tudo o que é falso, mentiroso ou apenas aparente. Jesus vive — e morre — para dar testemunho da verdade (cf. Jo 18, 37). Não admira, portanto, que os cristãos olhassem, desde cedo, para esta semana como uma «semana santa», uma «semana grande» e uma «semana maior». Tudo o que nela acontece é santo, é grande, é maior. Trata-se, por isso, de uma semana que não se esgota em sete dias. A «semana maior» é, pois, uma «semana grande» e há-de tornar-se uma semana sem termo. Nela ocorrem os acontecimentos que mudaram a história e que hão-de mudar a nossa vida. Podemos dizer que esta é também a «semana primeira» que inaugura os tempos últimos, os tempos definitivos em que vivemos.

 

D. Paz, até na violência

 

7. No Domingo de Ramos, não procuramos apenas recordar a entrada solene de Jesus em Jerusalém. Procuramos sobretudo dar testemunho público da nossa fé em Jesus Cristo, morto e ressuscitado. Já agora, refira-se que este Domingo também chegou a ser conhecido como «Capitulavium», que significa «lavagem das cabeças». É que, neste dia, os que iam ser baptizados na Vigília Pascal, no sábado seguinte, lavavam solenemente a cabeça numa cerimónia pública. Em Jerusalém, a Procissão dos Ramos começava pelas 13 horas, no Monte das Oliveiras. Cantavam-se hinos e salmos, e faziam-se leituras da Sagrada Escritura. Pelas 17 horas, era lido o Evangelho que descreve a entrada de Jesus em Jerusalém. Nessa altura, todos, com ramos de oliveira e palmeira, saíam em direcção à cidade, cantando e rezando.

 

8. Nós também chegámos aqui com ramos e vamos sair daqui com a Cruz, procurando plantá-la na nossa vida e implantá-la no nosso mundo. É enorme a lição que vem da Cruz. Tanta dor e tanta paz perante a dor. Jesus recusa sempre responder à violência com violência. Até à violência, até à violência mais injusta, Jesus responde com a mansidão, com a paz. Trata-se, obviamente, de uma paz sentida, de uma paz sofrida, mas, mesmo assim, é paz. O que mais comove, em todo este relato, é a paz que Jesus mantém até ao fim, é a dignidade que Jesus conserva até para lá do próprio fim.

 

E. Vida, até na morte

 

9. Tudo parece escurecer na Cruz. Até Deus parece ocultar-Se como se depreende do grito de Jesus (cf. Mc 15, 34). Até Jesus Se sente abandonado. E, não obstante, tudo brilha na escuridão da Cruz. É esta morte que faz luz sobre esta vida. Até um estranho reconhece que, afinal, Deus está na Cruz (cf. Mc 15, 39). O que — de certo modo — estava velado em vida parece desvelar-se completamente na morte.

 

10. No fundo, é quando parece que tudo acaba que tudo verdadeiramente começa. A morte de Jesus é uma morte «morticida», uma morte que mata a morte. Já não vivemos para morrer; morremos para viver. A morte já não é termo, mas passagem. Já não é fim, mas trânsito. Já não é conclusão, mas viragem. Já não é despedida, mas recomeço. A evidência mostra que a vida conduz à morte, mas a fé assegura que, em Cristo, até a morte nos reconduz à vida. Em Cristo, até a morte está cheia de vida!

publicado por Theosfera às 13:06

Tu és rei, Senhor, e o Teu trono é a Cruz.

 

Tu és rei, Senhor, e Teu reino é o coração de cada Homem.

 

Tu és rei, Senhor, e estás presente no mais pequeno.

 

Tu és rei, Senhor, e estás à nossa espera no pobre.

 

Tu és rei, Senhor, e queres mais o amor que o poder.

 

Tu és rei, Senhor, e moras em tantos corações.

 

Tu és rei, Senhor, e primas pela mansidão e pela humildade.

 

Tu és rei, Senhor, e não tens exército nem armas.

 

Tu és rei, Senhor, e não agrides nem oprimes.

 

Tu és rei, Senhor, e não ostentas vaidade nem orgulho.

 

Tu és rei, Senhor, e a tua política é a humildade, a esperança e a paz.

 

Tu és rei, Senhor, e continuas a ser ignorado e esquecido.

 

Tu és rei, Senhor, e continuas a ser silenciado.

 

Tu és rei, Senhor, e vejo-Te na rua, em tanto sorriso e em tanta lágrima.

 

Tu és rei, Senhor, e vais ao encontro de todo o ser humano.

 

Tu és rei, Senhor, e és Tu que vens ter connosco.

 

Hoje, Senhor, vou procurar-Te especialmente nos simples, nos humildes, nos que parecem estar longe.

 

Hoje, Senhor, vou procurar estar atento às Tuas incontáveis surpresas.

 

Obrigado, Senhor, por seres tão diferente.

 

Obrigado por seres Tu:

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:01

Nestes dias, sobretudo nestes dias, secam as palavras e mingua a eloquência dos discursos.

Como dizia Rainer Maria Rilke, «as coisas estão longe de ser todas tangíveis e dizíveis; a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que nunca nenhuma palavra pisou»!

publicado por Theosfera às 07:54

Hoje, 20 de Março (Domingo de Ramos na Paixão do Senhor e início da Primavera), é dia de Sta. Eufémia, S. Remígio de Estrasburgo, S. Francisco de Palau e Quer e Sta. Maria Josefina do Coração de Jesus.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 19 de Março de 2016

Hoje, 19 de Março (dia do Pai), é dia de S. José (padroeiro da Igreja, dos pais, dos trabalhadores, dos fabricantes de carro, dos marceneiros e da boa morte) e de S. Marcello Callo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 18 de Março de 2016

Hoje, 18 de Março, é dia de S. Cirilo de Jerusalém, Sto. Alexandre de Jerusalém, Sto. Eduardo e Sta. Maria Amada de Bouteiller.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 17 de Março de 2016

Hoje, 17 de Março, é dia de S. Patrício (padroeiro dos mineiros), S. José de Arimateia e Sto. Ambrósio de Alexandria.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 16 de Março de 2016

Hoje, 16 de Março, é dia de Sta. Eusébia, Sto. Heriberto (invocado para pedir a chuva) e Sto. Abraão, solitário.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 15 de Março de 2016
  1. À Semana Santa os antigos já chamavam Semana Pascal.

Na verdade, trata-se de uma autêntica semana pascal: não só porque nos conduz à celebração anual da Páscoa, mas também porque nos convida a «passar» de uma vida centrada em nós a uma vida centrada em Deus e nos irmãos.

 

  1. A antiga liturgia de Milão dava a esta semana o nome de «semana autêntica» por ser a semana que assinala os verdadeiros «trabalhos de Jesus».

E não há dúvida de que, nos «trabalhos» derradeiros como em toda a Sua vida, Jesus recusa tudo o que é falso, mentiroso ou apenas aparente. Jesus vive — e morre — para dar testemunho da verdade (cf. Jo 18, 37).

 

  1. Não admira, portanto, que os cristãos olhassem, desde cedo, para esta semana como uma «semana santa», uma «semana grande» e uma «semana maior».

Tudo o que nela acontece é santo, é grande, é maior. É, por isso, uma semana que não se esgota em sete dias.

 

  1. A «semana maior» há-de tornar-se uma semana sem termo.

Nela ocorrem os acontecimentos que mudaram a história e que hão-de mudar a nossa vida.

 

  1. Esta é também a «semana primeira» que inaugura os tempos últimos, os tempos definitivos em que vivemos.

No Domingo de Ramos, não recordamos apenas a entrada de Jesus em Jerusalém. Nele, procuramos sobretudo dar testemunho público da nossa fé em Jesus Cristo, morto e ressuscitado.

 

  1. Este Domingo também chegou a ser conhecido como «Capitulavium», que significa «lavagem das cabeças».

É que, neste dia, os que iam ser baptizados na Vigília Pascal lavavam solenemente a cabeça numa cerimónia pública.

 

  1. Em Jerusalém, a Procissão dos Ramos começava no Monte das Oliveiras.

Cantavam-se hinos e salmos e faziam-se leituras da Sagrada Escritura.

 

  1. Pelas 17 horas, era lido o Evangelho que descreve a entrada de Jesus em Jerusalém.

Nessa altura, todos, com ramos de oliveira e palmeira, saíam em direcção à cidade, cantando e rezando.

 

  1. A morte de Jesus é uma morte «morticida», uma morte que mata a morte.

Em Jesus, já não vivemos para morrer; morremos para viver.

 

  1. A morte já não é termo, mas passagem. Já não é fim, mas trânsito. Já não é despedida, mas recomeço.

Em Jesus, até a morte está cheia de vida!

publicado por Theosfera às 11:22

Hoje, 15 de Março, é dia de S. Raimundo de Calatrava, Sta. Luísa de Marillac, Sta. Lucrécia, S. Plácido Riccardi e S. Clemente Hofbauer.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 14 de Março de 2016

Hoje, 14 de Março, é dia de Sta. Matilde, Sta. Florentina e S. Giácommo Cusmáno.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 13 de Março de 2016

A. Um combate sem fim

  1. Olhando para a nossa vida e — ainda mais — para o nosso mundo, parece que assistimos a um combate sem tréguas entre a severidade e a compaixão, entre a intolerância e a clemência, entre o juízo e a misericórdia. E se já é desolador assistir a este combate, muito mais aflitivo é conhecer o seu habitual desfecho.

De facto, o que neste mundo parece triunfar é a severidade e não a compaixão, a intolerância e não a clemência, o juízo e a não a misericórdia. Para nosso mal, não parece haver grande futuro para o bem.

 

  1. Ainda bem, porém, que Deus não pensa assim e que Deus não age assim. Para Deus, só não haverá misericórdia para quem não usar de misericórdia (cf. Tgo 2, 13). Para Deus, só não haverá misericórdia para quem não procurar a misericórdia. No fundo, para Deus, só não haverá misericórdia para quem recusar a misericórdia.

É que, para Deus, a misericórdia triunfa sempre e triunfa sobre tudo. Até sobre o juízo a misericórdia triunfa (cf. Tgo 2, 13). Para Deus, a misericórdia é mais forte que o juízo. Para Deus, a misericórdia é o critério para tudo, inclusivamente para o juízo. O próprio juízo de Deus é alimentado pela misericórdia. O próprio juízo de Deus é cheio de misericórdia.

 

B. Quem nunca falha?

 

3. O episódio que o Evangelho deste Domingo nos apresenta é um confronto entre a mera justiça e a misericórdia. Trata-se de um combate entre uma justiça sem misericórdia e uma justiça habitada pela misericórdia.

É preciso ter presente que Jesus não é contra a Lei, nem Se apresenta como um sem-Lei. Só que Jesus vê mais fundo e chega mais longe. Para Jesus, a Lei, sendo importante, não é um absoluto. E, afinal, quem pode garantir que cumpre sempre a Lei? Quem pode garantir que cumpre integralmente todas as leis?

 

  1. O que Jesus questiona, com suma pertinência, é a presunção dos que se julgam em condições de denunciar quem viola a Lei. Quem nunca falha? Quem nunca erra? Por conseguinte, quem tem autoridade para apontar o dedo acusador? O próprio Jesus, no Sermão da Montanha, já tinha verberado a atitude dos que olham para o argueiro que cobre a vista dos outros sem reparar na trave que encobre a sua (cf. Mt 7, 4).

Assim sendo, que cada um comece por limpar os seus olhos (cf. Mt 7, 5) e só depois estará em condições para ver o eventual cisco que está sobre os olhos dos outros. Nesse caso, até poderá acontecer que chegue à conclusão de que o cisco que parecia estar sobre os olhos dos outros estava, sim, sobre os seus próprios olhos.

 

C. O fogo começa a arder em quem o ateia

 

5. Muitas vezes, não é a vida dos outros que não está limpa. Muitas vezes, são os nossos olhos que estão sujos. Um dedo pronto para acusar esconde, quase sempre, uma vida que deixa muito a desejar. Habitualmente, uma vida suja procura sujar a vida dos outros. O sujo não descansa enquanto não suja. Frequentemente, o que se pretende não é acabar com o mal, é acabar com os outros de quem se suspeita mal.

É por isso que batemos nos outros com a verdade e, ainda mais, com a própria mentira. Há quem, além de não ter misericórdia, também não tenha escrúpulos. A delação dá, quase sempre, cobertura à corrupção.

 

  1. Honra seja feita a estes delatores porque não se encolheram sob o anonimato. Deram a cara quando denunciaram esta mulher. Foram impiedosos, mas ao menos foram frontais. Pior, muito pior é a conduta dos que repetidamente se encobrem sob o manto do anonimato e nem sequer dão oportunidade para que os (por eles) visados se possam defender.

Há quem diga que «onde há fumo, há fogo». É preciso, contudo, ver de onde vem o fogo. O fogo começa a arder em quem o ateia. Antes de arder na terra, o fogo começa a arder em quem incendeia a terra. Às vezes, o fogo não está na vida dos acusados, mas na vida de quem acusa. O mecanismo da projecção leva a que alguns atribuam a outros aquilo que só eles são capazes de fazer. Muito cuidado, pois, com o que se diz: com que se diz em privado e com o que diz em público.

 

D. Todos eram pecadores, mas só uma pecadora se mostrou arrependida

 

7. A honra de uma pessoa é sagrada, pelo que a difamação e a calúnia são atentados muito graves. Falemos com as pessoas e evitemos falar das pessoas. Quando houver motivo, falemos às pessoas das suas falhas e não falemos das falhas das pessoas.

Se repararmos, não foi apenas esta mulher que era adúltera (cf. Jo 8, 3). Os que a acusavam não eram menos adúlteros. Esta mulher adulterou os seus deveres de esposa, mas os seus acusadores adulteraram o sentido da justiça. No fundo, o que eles pretendiam era usar a Lei — e a mulher que infringiu a Lei — para enrascar Jesus, para montar uma cilada a Jesus. No seu entendimento, Jesus iria sair-Se sempre mal deste debate. Se não reconhecesse o mal praticado pela mulher, diriam que Jesus não respeitava a Lei. Se mandasse liminarmente cumprir a Lei, alegariam que, afinal, Jesus não era tão misericordioso como parecia.

 

  1. Acontece que Jesus não fez o que aqueles homens esperavam: nem passou por cima do mal que a pessoa tinha cometido nem passou por cima da pessoa que tinha cometido o mal. Quando Jesus diz à mulher que não a condenava, não diz que ela tinha procedido bem. Pelo contrário, deixa bem claro que ela tinha procedido mal. Por isso, apela: «Não voltes a pecar» (Jo 8, 11). Isto significa que Jesus reconhece que aquela mulher tinha pecado. O que Jesus não admite é que alguém se sinta com autoridade para condenar o pecador. O que nós somos chamados a confessar é o nosso pecado, não o pecado dos outros.

A denúncia pode ser importante, mas a delação é sempre injustificada. A delação nunca conduz à conversão. A delação só conduz à desconfiança, à perversão. Neste episódio, não havia ninguém que não tivesse pecado. Quando Jesus convidou os que não tinham pecado a atirar a primeira pedra, todos se retiraram (cf. Jo 8, 7-9). Afinal, todos eram pecadores. Era bom, por isso, que aqueles que apontam os pecados dos outros se retirassem também. E se convertessem. Foi o que faltou a estes homens: converter-se

 

E. Deus está à nossa espera, como a Primavera

 

9. Depois de Jesus acabar de escrever — diga-se que é a única vez em que Jesus escreveu alguma coisa — (cf. Jo 8, 8), notou que só a mulher estava à sua frente. Afinal, só ela estava disponível para receber a misericórdia. Já os que a acusaram — e que, no fundo, também reconheceram ser pecadores — recusaram-se a receber a misericórdia que Jesus também tinha para lhes oferecer. Hoje em dia, continua a haver muita gente a dizer que não peca. Pudera. Como passam a vida a reparar nas falhas dos outros, nem tempo têm para reparar nas suas próprias fraquezas. Só que, deste modo, perdem sucessivas oportunidades de mudar, de melhorar.

Por conseguinte, sejamos indulgentes para com os outros e exigentes para connosco. E não nos esqueçamos de começar por nós a mudança que gostaríamos de ver à volta de nós. A melhor maneira de contribuir para a mudança dos outros é mudando-nos a nós mesmos.

 

  1. Não espanta que alguns manuscritos antigos do Evangelho de S. João tenham omitido este episódio. Afinal, é sumamente espantoso que Deus seja assim, maravilhoso. De facto, Deus é maravilhoso na Sua misericórdia e também na maneira como nos convence de que todos precisamos da Sua misericórdia. Não tenhamos medo de nos ajoelhar diante de Deus. Não tenhamos medo de implorar a Sua misericórdia e de pedir o Seu perdão. O que Jesus diz à pecadora diz também a cada um de nós, pecadores: «Eu não te condeno. Vai e, doravante, não tornes a pecar» (Jo 8, 11). Jesus não nos condena. Jesus faz tudo para que ninguém se condene. Que o nosso coração beba sempre do Seu perdão.

Não esqueçamos jamais que o primeiro cristão a entrar no céu foi um ladrão (cf. Lc 23, 43). Ninguém está excluído da proposta. Ninguém se deve sentir demitido de uma resposta. A salvação não é para quem nunca falha, até porque todos nós falhamos. A salvação é para quem está disposto a sempre recomeçar mesmo depois de muito falhar. Deus está à nossa espera, como o está a Primavera. A Sua misericórdia está sempre a vir para que na nossa vida possa florir!

publicado por Theosfera às 13:36

Uma vez mais, Senhor,

eis-nos na Tua escola

para aprender conTigo,

para beber das lições que nos dás,

com a Tua Palavra e sobretudo com a Tua vida.



Tu não páras de nos surpreender.

Será que alguma vez aprenderemos

a profundidade e o alcance das Tuas lições?



Para Ti, Senhor, só ganha quem perde,

só volta à vida quem dá a vida.



A Tua hora é a hora da glória

e a a tua glória está na Cruz,

está na oferta total da vida,

na entrega plena do ser.



Que nós sejamos, Senhor, como o grão de tigo.

Que não tenhamos medo de descer à terra.

É do fundo que se sobe.

É de trás que se avança.



Que não tenhamos medo da obscuridade.

Porque a Tua luz, Senhor,

brilha em todo o lado.



Ensina-nos, Senhor,

a não fugir dos problemas

e a não ter receio das dificuldades.



Tu nem da morte fugiste

e, abraçando a morte,

venceste a morte.



Como os Teus contemporâneos,

também nós, hoje, Te queremos ver.

Que todos Te possam ver em nós

e que, através do nosso testemunho,

Te possam encontrar,

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:04

Hoje, 13 de Março (Quinto Domingo da Quaresma), é dia de S. Rodrigo, S. Salomão, Sta. Eufrásia e S. Nicéforo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 12 de Março de 2016

Hoje, 12 de Março, é dia de S. Luís Oriene, Sta. Josefina, Sto. Inocêncio I e Sta. Ângela Salawa.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 11 de Março de 2016
  1. Não imaginamos a importância que têm as mãos.

As mãos servem para unir, para agregar, para juntar, para vencer.

 

  1. As vitórias não existem apenas para quem chega em primeiro. As vitórias vão sempre ao encontro de quem se esforça mais.

O esforço é importante. A paciência é fundamental. E a persistência é decisiva.

 

  1. Se repararmos, as nossas mãos são muito rotineiras. Repetem, praticamente todos os dias, os mesmos gestos.

E é isso que faz a diferença.

 

  1. Quem tem alguma experiência sabe bem o valor que têm as mãos. Sabe que as suas mãos não nada sem as mãos dos outros.

Dando as mãos consegue-se muito. Passando a bola de mão para mão, o caminho para o sucesso fica mais aberto e a vitória apresenta-se mais próxima.

 

  1. As mãos sinalizam a coexistência, a convivência, a cooperação.

As nossas mãos também precisam das mãos dos outros. As mãos dos outros tornam melhores as nossas próprias mãos.

 

  1. O trabalho de equipa eleva cada um dos seus membros a um nível mais elevado. O conjunto aproxima a perfeição. Em conjunto, superamo-nos e transcendemo-nos.

É imperioso que apareçam «mãos» para abrir «portas» que se mantêm fechadas.

 

  1. Segundo a Bíblia, Deus também tem «mãos».

As «mãos» de Deus invocam o Seu poder (cf. Deut 4, 34), mas evocam acima de tudo o Seu amor para com o justo (cf. Sal 89, 22; Jb 5, 18; Sab 3, 1).

 

  1. Conta-nos São Lucas (23, 46) que o Filho de Deus, antes de exalar o último suspiro, entregou-Se completamente nas Suas «mãos»: «Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito».

Daí que até Antero de Quental tenha recorrido a esta imagem para se dirigir aos céus: «Na “mão de Deus”, na Sua mão direita, repousa, afinal, meu coração».

 

  1. Não é só o andebol que se joga com as mãos.

A vida também se decide com as mãos.

 

  1. Que o futuro nunca separe o que as «mãos» têm conseguido unir!
publicado por Theosfera às 10:16

A temperatura fez, esta manhã, uma viagem a alta velocidade.

Pelas sete horas, os termómetros marcavam um grau. Estava geada.

Agora, pouco depois das nove, o sol já impera, aquece e vai queimando!

publicado por Theosfera às 09:45

Hoje, 11 de Março (Abstinência), é dia de Sto. Eulógio, S. Vicente Abade, S. Ramiro, S. Trófimo e S. Tales.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 10 de Março de 2016

Hoje, 10 de Março, é dia dos Santos Mártires de Sebaste, S. Macário de Jerusalém e Sta. Maria Eugénia Milleret.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 09 de Março de 2016

Hoje, 09 de Março, é dia de S. Domingos Sávio, Sta. Francisca Romana e S. Gregório de Nissa.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 08 de Março de 2016

 

  1. Não se aprende a fé; só se aprende a crer.

Quando muito, apreende-se a fé na medida em que se aprende a crer.

 

  1. Foi o que aconteceu com os discípulos de Jesus.

Sentiam que tinham alguma fé. Mas pediram a Jesus que os ensinasse a crescer na fé (cf. Lc 17, 5).

 

  1. E como é que Jesus ensinava?

Com a Sua vida (cf. Lc 2, 47) e com a Sua palavra (cf. Mt 5, 1-12). No fundo, com a sintonia entre a Sua vida e a Sua palavra.

 

  1. Walter Kasper notou que a novidade de Jesus Cristo não estava tanto na Sua mensagem. Estava sobretudo na Sua conduta.

Isso era o suficiente. E era isso que O tornava convincente. Era isso que levava muitos a procurá-Lo e a segui-Lo.

 

  1. Foi a fé de Jesus que estimulou a fé em Jesus.

Ele apresentou-Se como um crente credível. Dizia o que fazia e fazia o que dizia.

 

  1. As pessoas viam Jesus, ouviam Jesus e seguiam Jesus.

A fé em Jesus gera o seguimento de Jesus.

 

  1. O crente não é tanto aquele que concorda e aplaude. O crente é sobretudo o que segue, o que convive.

Eis, aliás, a diferença entre o aluno e o discípulo. O aluno é o que ouve o mestre. Já o discípulo é o que, além de ouvir, convive com o mestre.

 

  1. Quando se aprende a crer, aprende-se que Deus, o mais distante, torna-Se também o mais próximo.

Aprende-se que Deus é Pai. E que, como vislumbrava Sto. Ireneu, o Filho e o Espírito Santo são como que as duas mãos pelas quais o Pai nos toca.

 

  1. É a Igreja que, com todas as suas limitações, nos leva até Jesus.

No seu mistério mais fundo, ela é o sacramento primordial da presença de Deus no mundo.

 

  1. Aprendemos a crer na oração e na missão. O encontro com Deus conduz-nos ao encontro com a humanidade.

É por isso que a fé se apega. É por isso que a fé nunca se apaga. É por isso que a fé contagia. É por isso que a fé nunca é suficientemente grande. É por isso que a fé pode sempre ser maior!

publicado por Theosfera às 10:41

Hoje, 08 de Março, é dia de S. João de Deus, padroeiro dos doentes e moribundos e protector dos enfermeiros católicos e respectivas associações.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 07 de Março de 2016

Hoje, 07 de Março, é dia de Sta. Perpétua, Sta. Felicidade e S. Paulo, o Simples.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:17

Domingo, 06 de Março de 2016

A. Deus é imoderadamente misericordioso

  1. Deus é teimoso, santamente teimoso. Ele nunca desiste de nós, mesmo quando nós desistimos d’Ele. Deus está sempre a vir ao nosso encontro. Está sempre a bater à nossa porta (cf. Ap 3, 20), mesmo quando encontra a nossa porta fechada.

 

De facto, Deus mostra que põe a misericórdia acima de tudo. Podemos, por isso, concluir que, quanto à misericórdia, Deus é profundamente imoderado. Deus é imoderadamente misericordioso e misericordiosamente imoderado. Os Seus olhos estão sempre voltados nós. Quanto mais nós estamos afastados d'Ele, tanto mais perto Ele está de nós.

 

  1. É sabido que muita coisa se pode dizer de Deus e que muita coisa se tem dito acerca de Deus. Até o silêncio muito diz sobre Ele. Só que, às vezes, no afã de tanto dizer o que Ele é, podemos tropeçar no que Ele não é, no que Ele jamais quer ser.

Olhando, entretanto, para tanta coisa dita e não dita, para tanta coisa dizível e indizível, o que é que de melhor se poderá dizer de Deus? São Tomás de Aquino, com a sabedoria da sua santidade e com a santidade da sua sabedoria, não hesitava: «A misericórdia é o que de melhor podemos dizer de Deus».

 

B. A misericórdia é a sílaba tónica de Deus

 

3. Acerca de Deus, a Bíblia pode ser vista como uma longa palavra com 73 sílabas, tantas quantos são os livros que a compõem. Dessas 73 sílabas, 46 são soletradas no Antigo Testamento e 27 são entoadas no Novo Testamento. Em relação à imagem de Deus, muitas dessas sílabas serão completamente átonas: quase O desfiguram. Basta pensar no «Terror de Isaac», como Deus chega a ser apresentado numa passagem do Génesis (31, 42).

E é assim que, entre desfiguramentos e aproximações, vamos gaguejando, sílaba a sílaba, até chegar a S. Lucas, sobretudo ao formoso capítulo 15 do seu Evangelho. Aqui encontramos verdadeiramente a sílaba tónica de Deus. Aqui vemos claramente quem é Deus e como é Deus.

 

  1. O capítulo 15 do Evangelho de S. Lucas descreve o mesmo que S. João peremptoriamente afirma: «Deus é amor»(1Jo 4, 8.16). Deus é amor para todos e diria que é ainda mais amor para os que andam perdidos. É por isso que Jesus retrata Deus no homem que se alegra por reencontrar a ovelha perdida (cf. Lc 15, 4-7), a dracma perdida (cf. Lc 15, 8-10) e o filho perdido (Cf. Lc 15, 11-24)

Dir-se-ia que Deus Se perde pelos que andam perdidos. A misericórdia é assim, é ter o coração voltado para a miséria, é ter o coração voltado para os que se encontram na miséria.

 

C. A festa do reencontro após o desencontro

 

5. O coração de Deus tem esta maneira de funcionar. Trata-se, portanto, de um coração literalmente compassivo. Trata-se de um coração que sofre o nosso sofrimento. Deus nunca é a-pático; Deus é sempre em-pático e sim-pático. Deus sofre em nós, sofre connosco e sofre por nós. Não há amor maior. Haverá sequer amor igual?

Deus não castiga, embora avise. Mas Deus nunca condena. Deus abraça e Deus festeja. Deus não é um polícia a escrutinar os nossos erros. Deus é o Pai que Se alegra com o nosso regresso. A maior festa não é quando se dá o encontro. A maior festa é quando ocorre o reencontro após o desencontro.

 

  1. Sendo assim, porque é que continua a ser tão difícil falar correctamente de Deus? Porque é que, acerca de Deus, continuamos a carregar mais nas sílabas átonas do que nesta magnífica sílaba tónica? Porque é que, ainda hoje, continua a prevalecer a linguagem do castigo sobre a prática da bondade, da compaixão e do amor?

Bem notou o Papa Bento XVI que, «depois de Jesus nos ter falado do Pai misericordioso, as coisas já não são como dantes». A partir de agora «conhecemos Deus: Ele é o nosso Pai que por amor nos criou livres e dotados de consciência que sofre se nos perdemos e que faz festa quando voltamos».

 

D. A ilusão de ser feliz longe do Pai

  1. O nosso mal é quando pensamos que a nossa felicidade e a nossa realização estão no afastamento do Pai. Foi o que aconteceu ao filho mais novo desta parábola: deixou a casa do Pai e foi para longe (cf. Lc 15, 13). Mas, atenção, não foi apenas este filho que se afastou. O filho mais velho, no fundo, também estava longe, mesmo parecendo perto. Ele estava longe do Pai e do irmão. O seu coração estava distante, estava obtuso, estava fechado (cf. Lc 15, 28). Também por nós passa a ilusão do filho mais novo e também por nós pode passar a tentação do filho mais velho.

Por um lado, pensamos que somos felizes longe de Deus. E começamos a viver como se Deus não contasse. Acontece que nada corre bem quando nos afastamos de Deus. Como assinalou genialmente Sto. Agostinho, fomos criados para Deus. Por isso, andamos inquietos enquanto não voltamos para Deus. Mas, por outro lado, também podemos pensar que já não precisamos de mudar, de nos converter. A tentação do filho mais velho é presumir que já possui o Pai, que o Pai é só dele. Não o Pai meu também é Pai teu: é Pai nosso. Deus está sempre perto de nós, mas o nosso egoísmo nem sempre nos deixa estar perto de Deus.

 

  1. É claro que quando estamos com Deus também temos necessidades e também enfrentamos adversidades. Só que, quando estamos com Deus, sentimos sempre a Sua presença reconfortante e a Sua mão protectora. O mesmo não sucede quando estamos longe de Deus. Nessa altura, ocorre o que ocorreu ao filho que se afastou do Pai. Quando as provações vieram, não teve quem o ajudasse. Ninguém lhe dava nada (cf. Lc 15, 16). Restou-lhe guardar porcos, mas sem permissão para comer sequer o que os porcos comiam (cf. Lc 15, 15-16).

No entanto, as portas da Casa do Pai permaneciam abertas. As portas de Deus nunca se fecham e o lugar de cada filho nunca é ocupado por outro. Deus está sempre disponível para o reencontro. Deus perde-Se de amor pelos Seus filhos perdidos. Deus corre para nós para Se lançar ao nosso pescoço e para nos cobrir de beijos (cf. Lc 15, 20). Não são necessárias muitas palavras até porque Deus conhece antecipadamente tudo o que dizemos e tudo o que fazemos (cf. Lc 15, 21).

 

E. A festa que Deus faz quando regressamos

 

  1. É preciso ser Deus para se amar tanto o homem. Nem nós nos amamos tanto como Deus nos ama. Mas é indispensável procurar este amor que Deus nos quer dar. Se o filho perdido não fosse ao encontro do Pai, como é que poderia receber os Seus beijos? Como é que poderia receber a Sua misericórdia? É isto o que parece faltar, hoje em dia. Deus tem muita misericórdia para dar. Mas será que nós temos vontade de a receber? Se não vamos recebê-la, ela fica em Deus, mas não chega até nós. A misericórdia de Deus tem, na Igreja, o nome de Sacramento do Perdão. O beijo de Deus chega até nós através da Confissão.

É urgente, por conseguinte, reconhecer, como este filho, que estamos perdidos. E que, longe de Deus, ninguém nos dá nada. Longe de Deus, é só ilusão, inquietação e perturbação. Não tenhamos medo de voltar para Deus. Não tenhamos qualquer receio de reencontrar Deus. Deus tem tudo preparado para a festa. Vamos deixar Deus de mão estendida? Vamos consentir que Deus tenha tudo preparado sem que compareçamos?

 

  1. A misericórdia é oferecida. Mas só nos poderá ser dada se por nós for procurada. Estamos dispostos a procurar a misericórdia que Deus nos quer dar? No nosso tempo, fala-se muito de misericórdia, mas não se procura muito a misericórdia e, o que é pior, celebra-se pouco a misericórdia. A misericórdia é uma palavra que muito se ouve, mas uma realidade que pouco se vê. O mais sintomático é que existe uma grande oferta de misericórdia por parte de Deus e uma reduzida procura de misericórdia por parte de nós.

Não esqueçamos, porém, que a misericórdia, é o que há de mais revolucionário. Na Sua misericórdia, Deus não nos deixa como estamos, mas abre-nos sempre ao novo, ao diferente, ao melhor. Sejamos tão ousados na procura da misericórdia como Deus é generoso na oferta da misericórdia. Uma coisa é certa. Sem misericórdia, não temos solução, sem misericórdia, não teremos salvação («extra misericordiam, nulla salus»). Se não a formos receber, como é que Deus no-la poderá oferecer? Nunca hesitemos, pois, em procurar a misericórdia que Deus sempre nos quer dar!

publicado por Theosfera às 13:28

Obrigado, Senhor, pelo Teu amor,

pelo Teu imenso amor.

 

Ninguém ama como Tu.

Amar assim, como Tu,

só ao alcance de Deus,

só ao alcance de Ti, que és Deus.

 

Tu amas dando a vida,

dando o sangue,

dando tanto,

dando tudo.

 

Tu, Senhor, não vens condenar.

Tu, Senhor, só vens salvar.

 

Tu sabes tudo,

Tu és a sabedoria.

 

Só não sabes conjugar o verbo «mandar»,

o verbo «impor», o verbo «oprimir».

 

Tu, Senhor, só sabes conjugar

o verbo «dar»,

o verbo «oferecer»,

o verbo «entregar»,

o verbo «servir»,

o verbo «amar».

 

Obrigado, Senhor, pela Luz.

Tu és a Luz.

Ilumina os nossos passos,

os passos do nosso caminho.

 

Que caminhemos na verdade.

que caminhemos na luz,

na luz que vem de Ti,

na luz que és Tu,

JESUS!

publicado por Theosfera às 10:52

Hoje, 06 de Março (4º Domingo da Quaresma ou «Domingo Laetare»), é dia de S. Cónon, o Jardineiro, e Sto. Olegário.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 05 de Março de 2016

Hoje, 05 de Março, é dia de S. João José da Cruz, S. Teófilo e Sto. Adriano.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 04 de Março de 2016

Hoje, 04 de Março (abstinência), é dia de S. Lúcio I, S. Casimiro e Sto. Humberto III de Sabóia.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 03 de Março de 2016

Hoje, 03 de Março, é dia de Marino, Sto. Astério, S. Frederico de Hallam, S. Liberto, S. Samuel, S. Miguel Pio e Sta. Catarina Maria Drexel.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 02 de Março de 2016

Hoje, 02 de Março, é dia dos Mártires dos Lombrados, Sta. Inês da Boémia e Sta. Ângela da Cruz Guerrero González.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 01 de Março de 2016
 

1. O lugar primeiro na fé não é o texto; é a vida.

É certo que a fé pode passar pelo texto. Mas, para chegar aí, ela tem de brotar da vida: da vida de Deus, da vida com Deus.

 

2. Sem vivência até pode haver eloquência. Mas será uma eloquência vazia, uma fraseologia oca, ainda que emoldurada por uma oratória convincente.

É por isso que, na fé, a vida é o principal laboratório, o maior teste e a permanente lição.

 

3. O texto tem de estar articulado com a vida. Só professa a fé quem vive a fé.

Na Bíblia, notamos que a fé aparece como resposta à proposta de Deus.

 

4. É curioso notar que, no hebraico, a palavra «fé» (emunah) tem a mesma raiz da palavra «verdade» (emeth).

A verdade de uma pessoa radica na credibilidade da sua vida. É essa credibilidade que suscita a adesão.

 

5. Percebe-se, neste sentido, que a fé seja, primordialmente, para cultivar na oração e para testemunhar na missão. Na fé, a vida ocupa o lugar prioritário e o lugar central.

Não quer dizer que o texto tenha um lugar periférico. O lugar do texto deve ser um lugar radial procurando servir de ressonância da fé que está na vida.

 

6. A fé será bem reflectida se for bem vivida.

E a vivência da fé passa, em fundamental medida, pelo amor repartido, pela justiça partilhada, pela paz construída e pela opção pelos mais pequenos deste mundo.

 

7. Da fé falará quem a conhece. Mas só a conhece quem a vive.

A fé é totalizante. Não pode ser parcializada. Só deverá ser pensada — e dita — na medida em que for vivida.

 

8. Nem sempre os grandes tratados retratam grandes vivências. Nem toda a teologia inspira uma existência teologal.

Certos lugares podem até tornar-se perigosos «deslugares» para a fé.

 

9. Evágrio de Ponto apontou um critério: «Se fores teólogo, rezarás verdadeiramente; se rezares verdadeiramente, serás teólogo».

Urge colocar fé na vida e vida na fé, credibilizando a vida e vitalizando a fé.

 

10. É por isso que, na fé, o maior especialista não é o pregador; é o santo.

O que mais convence não é o argumento; é o testemunho. Sempre o testemunho. Cada vez mais o testemunho!
publicado por Theosfera às 10:42

Hoje, 01 de Março, é dia de S. Rosendo, Sto. Albino e Sta. Eudóxia.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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