O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 30 de Novembro de 2015

Um dos focos de perturbação do nosso tempo decorre do facto de não vivermos de frente, mas de costas.

Só que de costas ninguém vê, ninguém olha, ninguém repara.

É por isso que estamos perto, mas não nos sentimos necessariamente próximos.

No fundo, não nos conhecemos: não conhecemos os outros e, talvez, nem sequer nos conheçamos a nós.

Habituemo-nos a viver de frente. De frente para os outros, de frente para a vida, de frente para Deus!

publicado por Theosfera às 09:30

Venho de um tempo em que as tradições eram, quase todas, para quebrar.

Vivo num tempo em que muitas das tradições quebradas estão a fazer muita falta.

Sinto, pois, que é necessário repor o liame inquebrável entre o que veio do passado e o que vivemos no presente.

Não são apenas os monumentos que se devem preservar. Há muitos comportamentos que nunca deveríamos abandonar.

Não desfaçamos os laços com que os nossos maiores nos presentearam!

publicado por Theosfera às 09:21

Tudo começa pela vontade. Assim sendo, o primeiro passo para progredir é querer progredir.

Séneca já o tinha notado há séculos: «A parte mais importante do progresso é o desejo de progredir».

Nunca perca a vontade de progredir.

A vontade de progredir não é tudo, mas é essencial para que tudo possa acontecer. Acredite: em Deus e em si!

publicado por Theosfera às 09:15

Hoje, 30 de Novembro, é dia de Sto. André e S. José Marchand. Refira-se que Sto. André é irmão de S. Pedro e é chamado «protokletós», o primeiro a ser chamado. É o padroeiro dos pescadores, dos vendedores de peixes e das mulheres que desejam ser mães.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 29 de Novembro de 2015

No Advento já é Natal.

 

No Natal continua a ser Advento.

 

É Advento no Natal porque o Natal celebra a grande chegada do Senhor Jesus à nossa história, ao nosso mundo, à nossa vida.

 

E é Natal no Advento porque nele o Senhor nasce e renasce.

 

A Eucaristia é o grande Advento e o perene Natal.

 

Creio, Senhor, que vieste ao mundo

e que no mundo permaneces.

 

Tu estás em toda a parte,

estás no Homem,

estás na Vida,

estás na História,

estás no Pequeno,

estás no Pobre.

 

Hoje como ontem,

permaneces quase imperceptível.

 

Há quem continue a procurar-Te no fausto,

na ostentação,

na majestade.

 

Tu desconcertas-nos completamente

e surpreendes-nos a cada instante.

 

És inesperado

e estás sempre à nossa espera.

 

Os momentos podem ser duros.

 

O abandono pode chegar

e a rejeição pode asfixiar-nos.

 

Tu, porém, não faltas.

 

Estás sempre presente.

Estás simplesmente.

 

Creio, Senhor,

que é na simplicidade que nos visitas

e na humildade que nos encontras.

 

Converte-nos à Tua bondade,

inunda-nos com o Teu amor,

afaga-nos na Tua paz.

 

Obrigado, Senhor, pelo Teu constante Advento.

 

Parabéns, Senhor, pelo Teu eterno Natal!

publicado por Theosfera às 11:07

A. Entre o primeiro e o último advento, o contínuo advento

  1. Celebramos o princípio e os nossos olhos já estão postos no fim. Somos, assim, pregoeiros de um começo e, ao mesmo tempo, peregrinos de um final. Não é contradição. Pelo contrário, trata-se da mais profunda coerência. O fim já principiou no começo. É por isso que os «primeiros dias» são a semente dos «últimos dias»(Lc 21, 25). Dos primeiros aos últimos dias, peregrinamos na companhia do Último, do Definitivo, do Eterno.

O tempo não é apenas o campo do transitório, do passageiro e do efémero. No tempo, já habita a eternidade. No que passa, já fermenta o que não passa, o que nunca passará. No homem, já mora Deus. Assim sendo, somos anunciadores do Primeiro e discípulos do Último, sabendo que o Primeiro e o Último são a mesma pessoa: o Filho de Deus feito homem em Jesus Cristo.

 

  1. Em tempo de Advento, a Santa Igreja convida-nos a celebrar a primeira chegada com os olhos voltados para a última vinda. Na primeira vinda, uma mulher deu à luz Jesus Cristo. Na última vinda, toda a humanidade dará à luz Jesus Cristo. Como Maria, também a humanidade está «grávida» de Cristo. Nenhuma nuvem nos impedirá de ver o Filho do homem «com grande poder e glória»(Lc 21, 27). Esse não será um momento de pavor, mas uma hora de libertação. Daí o apelo de Jesus: «Quando isto começar a acontecer, endireitai-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima»(Lc 21, 28).

Por conseguinte, o fim não nos deve inspirar temor, mas destemor. O fim é uma inspiração: é uma inspiração para a missão. Sabemos donde partimos, sabemos para onde caminhamos.

 

B. A Sua vinda é a nossa vida

 

3. Não é em vão que o Ano Litúrgico se inicia com este grande horizonte que vai do princípio até ao fim. Não andamos perdidos nem nos devemos sentir desperdiçados. A nossa vida decorre entre advento e advento, entre uma vinda e outra vinda, entre a primeira vinda e a última vinda de Jesus. Mas não nos limitamos a recordar uma vinda e a preparar outra vinda. Não somos órfãos nem nos limitamos a estar expectantes. Entre estas duas vindas, há uma terceira vinda. Deus está sempre a vir, está sempre a vir até nós. A Sua vinda é, pois, a nossa vida.

Deus veio, Deus virá, Deus vem. Afinal, nunca deixa de ser Advento. Deste modo, não é só no Advento que existe advento. Estamos sempre em Advento. Cada advento é evento de Deus, é evento de Deus na história, é evento de Deus na nossa vida. Deus está a vir continuamente até nós. Será que estamos disposto a ir até Deus? Como reconheciam os cristãos antigos, em Jesus Cristo, Deus fez-Se o que nós somos para que nós possamos ser o que Ele é!

 

  1. Nunca esqueçamos que o Advento nunca é passado. Mesmo o Advento que ocorreu no passado não está jamais ultrapassado. O Advento é sempre presente. O Advento que ocorreu no passado continua a frutificar no presente. E o Advento que há-de ocorrer no futuro também começa a fermentar no presente. Deus veio no passado, Deus virá no futuro e Deus vem no presente: em cada presente e como presente.

Uma vez que Deus está sempre a vir, então estamos sempre em Advento. Trata-se do Advento constante embora talvez seja também — e para nosso pesar — o mais desperdiçado. Preparemo-nos, então, para celebrar o primeiro Advento, que nunca deixa de estar perto, e nunca deixemos de nos preparar para o último — e definitivo — Advento, do qual já estivemos mais distantes.

 

C. Nem só no Advento há advento

 

5. Tal como não há só Advento no Advento, também não há só Natal no Natal. Deus está sempre a (re)nascer em nós; queiramos nós também (re)nascer para Ele. Que seja, pois, Advento para lá do Advento e que seja Natal para lá do Natal. Que seja sempre Advento e que seja sempre Natal. Mas, já agora, que seja Advento também no Advento e que possa ser Natal também no Natal. Vamos procurar encontrar o Advento neste Advento e vamos procurar reencontrar o Natal neste Natal. Para que nunca deixe de ser Advento e para que possa ser sempre Natal.

Como bem notou o teólogo Johannes Moeller, a Igreja é, ela própria, a «Encarnação permanente». Ou seja, mais do que continuação de Cristo, a Igreja, em si mesma, é a presença de Cristo. Neste sentido, podemos dizer que na Igreja encontramos sempre o contínuo Advento e o permanente Natal. É, de facto, na Igreja, especialmente na Palavra e no Pão, que Deus está sempre a vir. É na Igreja, sobretudo na Palavra e no Pão, que Deus nos fala, que Deus nos chama, que Deus nos alenta e que Deus nos alimenta.

 

  1. Nós não evocamos episodicamente um ausente; nós celebramos continuamente uma presença. Hoje, Jesus não está menos vivo do que esteve há dois mil anos. Hoje, Jesus continua a estar vivo na Sua Igreja e em toda a humanidade, nomeadamente na humanidade sofrida e oprimida de tantos irmãos nossos.

Não esqueçamos que, quando apareceu no mundo, Deus surgiu como uma criança pequena e nunca deixou de Se identificar com os mais pequenos (cf. Mt 25, 40). É esta a lição do presépio, é este o ensinamento perene do Evangelho: Deus revela-Se na humildade, Deus visita-nos na simplicidade. A esta luz, não olhemos apenas para a grandeza do que nos aparece como grande; aprendamos a olhar para a grandeza do que (nos) parece pequeno.

 

D. Fazer presépios é bom, mas ser presépio é (ainda) melhor

 

7. Neste tempo, convido-vos a mergulhar. Mas não mergulheis apenas no mar infindo do consumismo. Procurai mergulhar, antes, no oceano pacificante da contemplação, da partilha e da presença. Procurai mergulhar em Deus pobre, em Deus criança, em Deus amor, em Deus encanto. Trocai presentes, mas procurai ser presença. O melhor presente é sempre o presente da presença. Há tanta gente só e abandonada, que, nesta época, sofre ainda mais a solidão e o abandono.

Enfim, fazei presépios, mas, acima de tudo, procurai ser presépio. Que os outros possam ouvir Jesus nos vossos lábios. Que os outros possam ver Jesus na vossa vida.

 

  1. O Advento deve ser, antes de mais, um tempo de oração. A oração é a atitude própria de quem vela, de quem espera, de quem prepara. Daí a recomendação de Jesus: «Orai em todo o tempo»(Lc 21, 36). Sim, em todo o tempo e não apenas durante algum tempo. Havendo oração na vida, acabaremos por converter toda a vida em oração, isto é, em consciência de que Deus nos enche totalmente e nos preenche completamente.

A oração não é somente encontro: é encontro e é entrada. Na oração, notamos que não estamos apenas diante de Deus e Deus não está apenas diante de nós. Na oração, verificamos que Deus está dentro de nós e nós estamos dentro de Deus.

 

E. Ele já vem ao encontro e já está à nossa espera

 

9. Enquanto tempo favorável à reconciliação, aproveitemos o Advento para a reconciliação sacramental, para o sacramento da Confissão. No fundo, trata-se de preparar a nossa casa para que ela possa ser casa para Deus e casa para os outros em Deus. Não tenhamos medo da mudança, da conversão. Em Jesus, Deus converte-Se a nós. Porque não, no mesmo Jesus, convertermo-nos a Deus?

Na medida do possível, façamos uma conversão também das nossas prendas. Procuremos dar a quem não nos poderá dar: aos pobres, àqueles a quem falta o essencial para sobreviver. E sobretudo procuremos dar o que menos se dá hoje em dia: demos tempo, demo-nos no tempo, demo-nos aos que estão ainda mais sós neste tempo.

 

  1. Em Advento, procuremos respirar, desde já, o sublime perfume do Natal.

A Eucaristia é o permanente Advento e o eterno Natal. É na Eucaristia que Jesus vem até nós hoje. É na Eucaristia que Jesus renasce para nós sempre. O altar é o grande presépio. A divina consoada já está preparada. Não recusemos o convite de Jesus. Ele vem sempre ao nosso encontro. Ele está sempre à nossa espera!

publicado por Theosfera às 08:08

O mal do terrorismo é que todos sabem como começá-lo e nunca parecem saber como terminá-lo.

Mas o pior é que, quando parecem saber como terminá-lo, não o querem terminar.

Será tão difícil meter a paz no coração de todos?

Mas, para haver paz para todos, ela tem de morar mesmo no interior de cada um!

publicado por Theosfera às 08:07

Cinco preciosas e imprescindíveis companhias para o Advento e para que toda a nossa seja Advento: Isaías (o vaticinador do Emanuel), João (o precursor do Cordeiro), José (o silencioso custódio do Filho de Deus), Maria (a manjedoura em forma de vida), e obviamente Jesus (o Deus vivo para todos nós).

Boa viagem em tão reconfortante companhia!

publicado por Theosfera às 08:04

Hoje, 29 de Novembro (1º Domingo do Advento), é dia de Sto. Avelino Rodriguez, S. Frederico de Ratisbona, S. Dionísio da Natividade e S. Redento da Cruz.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 28 de Novembro de 2015

Matar por motivos religiosos é seguramente horrível. Mas será que matar por motivos antirreligiosos é aceitável?

Aliás, num caso e noutro, há muitos crentes entre as vítimas.

As grandes ideologias do século XX (ateias) deixaram, à sua conta, um legado de mais de 100 milhões de vítimas.

O estalinismo terá matado 30 milhões de pessoas. O nazismo eliminou 10 milhões de seres humanos. E o maoísmo terá assassinado 50 milhões de indefesos.

Quando o poder sobe à cabeça, os poderosos (sejam crentes ou não crentes) tornam-se um perigo.

E as vítimas não param de crescer nem deixam ninguém de lado: não crentes e crentes!

publicado por Theosfera às 09:18

Eis um dos enigmas da nossa quotidiana vida.

O preço do barril do crude está a metade do que estava há um ano e meio. O preço do combustível está mais baixo, mas longe de estar a metade do preço que estava há um ano e meio.

Eu sei que há muitas explicações.

Todas elas são convenientes. Mas costumam ser pouco convincentes. E nem sequer são muito entendíveis!

publicado por Theosfera às 08:59

Muitos se têm interrogado sobre os processos que se usam para chegar ao poder ou para não sair do poder.

Não tenhamos ilusões: a bondade não costuma ter lugar reservado na mesa onde se senta o poder.

Basta ler Maquiavel: «Um homem que se empenhe no bem morrerá no meio de tantos homens maus. Por isso, um príncipe, se quiser manter-se no poder, tem de aprender a não ser bom». 

É claro que não devia ser assim. Mas onde encontrar quem não costume ser assim?

publicado por Theosfera às 08:46

Sabia que já há quem esteja há duas semanas em Advento?

O rito ambrosiano, seguido na arquidiocese de Milão, prevê seis semanas (e não quatro) para o Advento!

publicado por Theosfera às 08:29

O panorama não é exaltante, ainda que o tom dos discursos seja cada vez mais exaltado.

Mas o problema nem está nas palavras exaltadas que são salivadas da direita para a esquerda e da esquerda para a direita.

Discursos inflamados sempre houve. O que também havia, em tempos, era uma capacidade para fazer coexistir esses discursos inflamados com uma capacidade de entendimento nas questões essenciais para o país.

É pena que essas pontes estejam a cair.

As margens dos rios estão cada vez mais próximas. As distâncias entre pessoas e sectores políticos parecem aumentar cada vez mais!

publicado por Theosfera às 08:23

Hoje, 28 de Novembro, é dia de Sta. Maria Helena, S. Tiago da Marca, S. Grázio de Cáttaro e Sta. Catarina Labouré.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:19

Sexta-feira, 27 de Novembro de 2015

 

  1. Tudo o que D. António Couto faz, diz e escreve não é apenas bom; é excelente. Não é só pertinente; é eminente.

Nos seus textos, a forma nunca pleiteia com o conteúdo. Fraternizam sempre no mesmo patamar, o da profundidade e da beleza.

 

  1. Os conteúdos são acutilantes e a forma consegue ser surpreendente e cativante.

Dos conceitos e das imagens desprende-se uma espécie de polifonia que faz da leitura um momento de harmonia.

 

  1. D. António Couto parece viver onde vivem as palavras, habitando na sua intensidade e profundeza.

Em «O Livro dos Salmos», uma vez mais o primor do esteta emparceira notavelmente com a precisão do exegeta.

 

  1. Neste caso, estamos perante uma obra que, além do habitual deleite, nos fornece preciosas doses de utilidade.

É que os Salmos são palavras habitualmente ditas, mas nem sempre devidamente compreendidas.

 

  1. D. António Couto, neste livro, oferece-nos um guião com um surpreendente filão.

Ele apresenta os Salmos como uma «casa», com átrio, pórtico, abóbada e porta.

 

  1. A porta ora abre, ora fecha, permanecendo entreaberta.

Toda a casa reluz porque está municiada com uma «hemorragia de luz».

 

  1. Este é, por conseguinte, um «livro-convite».

É um livro que nos convida a entrar no Livro e a permanecer duradouramente no Livro. É um «livro-alento» que aumenta o apetite pelo «Livro-alimento», que é a Bíblia.

 

  1. Fica, pois, uma grande vontade de ler este livro sobre os Salmos. E de, com ele, rezar mais — e melhor — os Salmos do Livro.

A Bíblia, que nos oferece os Salmos, é essencialmente um livro de oração: para todos os caminhos e para todas as horas que passamos nos caminhos.

 

  1. A Liturgia das Horas — tecida especialmente pela recitação dos Salmos — não é para ser subestimada nem despachada em breves instantes.

Como refere D. António Couto, ela é, efectivamente, «oração de todas as horas e de todas as circunstâncias».

 

  1. Ela é oração com «uma chama dentro, com um lume dentro». Ela é «pão sempre a sair do forno».

Deixemo-nos deliciar com o seu saber. E nunca desperdicemos o seu sabor!

 

publicado por Theosfera às 15:43

1. A vida é feita de tudo.: de acção e também de alguma inacção.

Eu sei que não é popular dizer isto. Mas creio que é preciso ter a coragem de fazer uma certa paragem. Para bem andar, também é preciso parar. Muitas vezes, corremos o risco de confundir agir com agitar.

 

  1. Há tanta acção que não age, só reage e perturba. Ou, então, só reproduz o agir habitual. Tantas são as coisas que fazemos por rotina, sem passar no seu sentido ou significado. Tantas são as coisas que fazemos por ressabiamento ou por vingança. Para onde vamos quando vamos assim?

É, pois, tempo de parar, de olhar, de escutar, de meditar. Saber parar é o segredo para bem (poder) caminhar.

 

  1. Há mais ensinamentos que aprendizagens. A vida está sempre a ensinar, mas nem sempre nos mostramos dispostos a aprender.

Depois de vermos que até o inevitável pode ser evitado e depois de notarmos que muita coisa irreversível acaba por ser revertida, há que estar preparado para tudo.

 

  1. Cecília Meireles confidenciava ter aprendido «com a Primavera a deixar-se cortar e a voltar sempre inteira».

Cuidado, então, com as palavras contundentes e com os juízos (apressadamente) definitivos.

 

  1. Para Jesus, o grande não é critério para o pequeno. Para Jesus, o pequeno é que é critério para o grande.

Por isso, Ele deixou bem claro que quem quiser ser o primeiro tem de ser servo (cf. Mt 20, 27). No mesmo registo, também assegurou quem é fiel no pouco é fiel no muito (cf. Lc 16, 10).

 

  1. A fidelidade não começa no muito. A fidelidade vê-se no pouco.

As pequenas coisas, as pequenas atitudes e os pequenos gestos dizem muito. Dizem praticamente tudo.

 

  1. Em democracia, o poder é escolhido pelos que votam. Mas o poder representa também os que se abstêm. A abstenção não é um fenómeno homogéneo. Há uma panóplia de motivações para não votar. Mas todas elas convergirão no desencanto.

Em qualquer caso, há que ter em conta um dado objectivo: de eleição para eleição, cai crescendo a abstenção. Creio que é preciso estar cada vez mais atento a uma «maioria sofrente» que já nem motivos encontra para escolher, para optar, para votar. A amargura de muitos não é com a direita nem com a esquerda: é com o poder. Que o poder apoie mais quem já não pode mais.

 

  1. Confesso que, embora acabe por embarcar na onda, me constrange esta contínua sucessão de «olás», «xauzinhos», «yás», «ok's», «boas» ou «tá tudo?» Já nem uma nesga de tempo se arranja para completar um polido «boas tardes» ou um convencional «está tudo bem?»

Aliás, esta abreviação da linguagem acaba por indiciar a brevidade fugidia dos nossos encontros. E já nem sequer falta um desaforado «porta-te mal!» a sinalizar as despedidas.

 

  1. Não escondo que tenho saudades de um convicto «louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo», de um respeitador «a bênção, meu Pai», de um auspicioso «até amanhã, se Deus quiser» ou, pelo menos, de um conciso «aDeus».

Dir-se-á: outros tempos, outros modos. Creio, porém, que eram modos que nunca deviam passar de moda!

 

  1. Muitas vezes, a paciência é amarga. Mas, como notou Jean-Jacques Rousseau, «o seu fruto é doce». Vale a pena ser paciente, mesmo que não seja fácil ser paciente sobretudo diante da injustiça. Só que a impaciência também não consegue nada e, às vezes, complica bastante.

Deus não dorme. E, no devido tempo, despertará quem anda adormecido.

publicado por Theosfera às 10:39

Hoje, 27 de Novembro, é dia de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa e de S. Facundo, S. Primitivo, S. Máximo de Riez e S. Francisco Fasini.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 26 de Novembro de 2015

Por muita esperança que tenhamos (e devemos tê-la), não podemos deixar de estar preocupados.

O presente apresenta-se sombrio. E, por conseguinte, o futuro não surge muito promissor.

É que, no meio da espiral belicista que nos atordoa, aflige-me ver tanta gente nova.

Estamos, pois, num impasse. As gerações mais velhas não trouxeram a paz. As gerações mais jovens ameaçam intensificar as guerras.

Paremos um pouco. Todos.

Se não soubermos por onde ir, saibamos, ao menos, não continuar a ir por onde temos ido.

Acabemos com a violência antes que a violência vá acabando com muitos de nós!

publicado por Theosfera às 10:39

Dizem os estudos que, entre os países desenvolvidos, Portugal é o país onde há mais desigualdade.

Ou seja, crescem as distâncias até entre os que estão mais próximos. E não creio que sejam os pobres a distanciar-se dos ricos.

Não estigmatizo a posse nem diabolizo o legítimo lucro.

Mas era importante que o verbo «repartir» andasse de mãos dadas com o verbo «possuir». Até para que os possuidores não se tornem escravos daquilo que parecem ser donos.

É bom que, neste tempo em que estamos mais perto, nos possamos sentir cada vez mais próximos!

publicado por Theosfera às 10:30

A vida ensina que não há vencedores perpétuos nem perdedores eternos.

As posições alteram-se com frequência e invertem-se com espantosa rapidez.

Simone de Beauvoir observou: «Se vivermos muito tempo, descobriremos que todas as vitórias, um dia, se transformam em derrotas».

E também notaremos que, nesse mesmo dia, muitas derrotas se transformarão em vitórias.

Os sofredores também merecem tornar-se vencedores!

publicado por Theosfera às 10:16

Talvez sem repararem nisso, as pessoas ligam umbilicalmente a ética à estética.

Muitas vezes, comentando determinada atitude, concluem: «Isso não é bonito».

O que, no fundo, querem dizer é que tal atitude, a seus olhos, não é correcta.

E, na verdade, o ético é sempre estético, como o estético acaba sempre por ser ético.

Só que a vida (e as leis que há na vida) também abrigam o feio.

Há atitudes que as pessoas classificam como «feias», mas que são legítimas. Há que aceitar, embora possamos discordar.

Afinal, a história do belo não deixa de ser igualmente a história do feio.

A beleza e a fealdade passeiam-se juntas.

Que bom seria, contudo, que o legítimo também fosse belo!

publicado por Theosfera às 10:10

Hoje, 26 de Novembro, é dia de S. Silvestre, S. Leonardo de Porto Maurício, S. João Berchmans e S. Tiago Alberione.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 25 de Novembro de 2015

Hoje, 25 de Novembro (134º aniversário do nascimento de S. João XXIII), é dia de S. Tomás de Vila Nova, Sta. Catarina de Alexandria, Sta. Beatriz, S. Luís Beltrame e Sta. Maria Beltrame Quatrocchi.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:42

Terça-feira, 24 de Novembro de 2015

A paciência é muito necessária para tudo.
Até para aprender a ter paciência!

publicado por Theosfera às 09:35

1. Um olhar independente nota que a esquerda e a direita estão cada vez menos diferentes.
Estão, consequentemente, cada vez mais parecidas.

 

2. É inevitável que assim seja, dado o eclipse das ideologias que as enformou.
Outrora, esquerda e direita distinguiam-se não só na organização do Estado, mas também na concepção da vida e da sociedade.

 

3. Hoje em dia, há uma distinção quanto à economia.
Só que também esta acaba por se diluir na prática pois é de fora que vêm as regras.

 

4. Com algumas «nuances», não há grandes diferenças entre uma governação à esquerda ou à direita.
E até nos temas ditos fracturantes, a tendência é para uma maior proximidade.

 

5. A votação da passada sexta-feira é elucidativa.
Os temas propostos pela esquerda foram aprovados também com os votos de vários deputados da direita.

 

6. O que espanta é que, sendo a esquerda e a direita cada vez mais parecidas, se entendam cada vez menos.
Dá até a impressão de que se entendiam melhor quando as diferenças eram maiores.

 

7. Mas isso também tem uma explicação.
Habitualmente, o entendimento dá-se entre diferentes.

 

8. Quando as convicções são fortes, a percepção das prioridades também é mais vincada.
A distinção não obstruía a cooperação. O interesse nacional era capaz de atrair todos os pólos.

 

9. Quando as diferenças se esbatem, o que sobra?
Sobra, acima de tudo, a vontade de poder.

 

10. Ora, a vontade de poder tende a afastar toda e qualquer possibilidade de cooperação.
Os partidos assemelham-se, cada vez mais, a irmãos gémeos. Mas desavindos!

publicado por Theosfera às 09:29

Hoje, 24 de Novembro, é dia de Sto. André Dunc-Lac e seus Companheiros, Sta. Flora, Sta. Maria, Sta. Eanfleda, Sta. Ana Maria Sala, S. Clemente Delgado, S. Vicente Lién e S. Domingos Khan.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:58

Segunda-feira, 23 de Novembro de 2015

Na música, o ritmo diz-me pouco. E a melodia (só por si) também não me diz muito.

O que mais admiro na música é a harmonia, é a capacidade de fazer unidade a partir de tantas diferenças.

A polifonia e a sinfonia mostram como é possível a harmonia.

Se a harmonia é possível na música, que não seja impossível na vida!

publicado por Theosfera às 09:20

O ressentimento nunca é bom. E o mero sentimento também não é suficiente.

O Padre António Vieira notava que «homens governam-se pelo entendimento».

A quem se deixa governar só pelos sentidos o genial escritor dava um nome pouco abonatório.

Onde está, porém, o entendimento tão necessário?

publicado por Theosfera às 09:15

A ressurreição é o centro da fé cristã, mas não costuma estar muito presente na arte cristã.

É relativamente recente a tendência para representar Cristo ressuscitado.

Os cristãos habituaram-se, desde o princípio, a testemunhar a ressurreição com o Crucificado na mão. E faz todo o sentido.

Por um lado, a ressurreição não é representável, não é figurável. A ressurreição está para lá de toda a figuração.

A figuração é uma materialização do que está para lá da materialidade. O Ressuscitado tem corpo, mas é um corpo espiritual.

Daí que ninguém O reconheça à primeira. O Ressuscitado é o mesmo que o Crucificado, mas tem uma configuração diferente.

Por outro lado, o que ressuscita é o mesmo que morre; o que volta à vida é o mesmo que dá a vida. Se não morresse, não ressuscitaria.

Daí que o Crucificado nos acompanhe sempre. Inclusivamente quando anunciamos a Sua ressurreição!

publicado por Theosfera às 09:10

Hoje, 23 de Novembro, é dia de S. Clemente, S. Columbano e S. Miguel Agostinho Pro.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 22 de Novembro de 2015

CR7. CR sempre.
Se, neste dia, encontrar as iniciais CR, em quem pensará o leitor?

publicado por Theosfera às 21:07

Tu és rei, Senhor, e o Teu trono é a Cruz.

 

Tu és rei, Senhor, e Teu reino é o coração de cada Homem.

 

Tu és rei, Senhor, e estás presente no mais pequeno.

 

Tu és rei, Senhor, e estás à nossa espera no pobre.

 

Tu és rei, Senhor, e queres mais o amor que o poder.

 

Tu és rei, Senhor, e moras em tantos corações.

 

Tu és rei, Senhor, e primas pela mansidão e pela humildade.

 

Tu és rei, Senhor, e não tens exército nem armas.

 

Tu és rei, Senhor, e não agrides nem oprimes.

 

Tu és rei, Senhor, e não ostentas vaidade nem orgulho.

 

Tu és rei, Senhor, e a tua política é a humildade, a esperança e a paz.

 

Tu és rei, Senhor, e continuas a ser ignorado e esquecido.

 

Tu és rei, Senhor, e continuas a ser silenciado.

 

Tu és rei, Senhor, e vejo-Te na rua, em tanto sorriso e em tanta lágrima.

 

Tu és rei, Senhor, e vais ao encontro de todo o ser humano.

 

Tu és rei, Senhor, e és Tu que vens ter connosco.

 

Hoje, Senhor, vou procurar-Te especialmente nos simples, nos humildes, nos que parecem estar longe.

 

Hoje, Senhor, vou procurar estar atento às Tuas incontáveis surpresas.

 

Obrigado, Senhor, por seres tão diferente.

 

Obrigado, Senhor, por seres Tu!

publicado por Theosfera às 10:57

George Steiner dizia que Viena eram os seus cafés. Hoje, dizem que Paris são as suas esplanadas.

Era importante que, num caso e noutro, não se esquecessem as respectivas catedrais.

A fome do ser humano não se sacia só no que consome.

A espiritualidade leva-nos até ao núcleo da humanidade.

Às vezes, é preciso fechar os olhos para abrir a alma!

publicado por Theosfera às 08:57

Será que estamos a perceber o que está a acontecer?

O mundo é uma cátedra e a vida uma poderosa docente.

Mas as cadeiras dos discentes parecem teimosamente vazias...

publicado por Theosfera às 08:49

Ao contrário do que se diz, o problema do mundo não é o excesso de religião. O problema do mundo é a falta de verdade na religião.

O problema não está, pois, no excesso de fé. O problema está na falta de fé, a começar pela falta de fé dos que se dizem crentes.

Nunca o esqueçamos: a fé não é só (nem principalmente) para dizer; a fé é sobretudo para viver.

A violência (todo o tipo de violência) não é conciliável com a fé.

Mas, atenção, há mais violência para lá da violência que se mostra!

publicado por Theosfera às 08:40

A guerra é o maior absurdo. Que racionalidade pode haver em algo que só tem vencidos?

É  queos que se declaram vencedores também acabam por ser vencidos.

Já Xenofonte dizia que as guerras «terminam sempre com a destruição e com a desgraça de todos os beligerantes».

Porque é que não aprendemos?

publicado por Theosfera às 08:06

A. Sempre a ouvir Jesus e nunca a aprender  com Jesus

 

1. Todos os dias, ouvimos a mesma lição. E todos os dias, parece que desaprendemos a mesma lição. Dois mil anos é muito tempo para ensinar, mas parece não ser tempo bastante para aprender. Não são apenas os discípulos da primeira hora a ter dificuldades em conhecer Jesus. Nós, os discípulos desta hora, continuamos a manifestar tremendas dificuldades em compreender Jesus. Os discípulos de outrora sonhavam com o poder ao lado de Jesus (cf. Mc 10, 37). Muitos de nós, discípulos de agora, continuam a ambicionar o poder em nome de Jesus.

Aliás, não deixa de ser curioso notar como, já naquele tempo, «direita» e «esquerda» designavam categorias de poder. Para realizar a sua vontade de poder, os discípulos pediam para ficar à «direita» e à «esquerda» de Jesus (cf. Mc 10, 37). Nesse caso, tanto valia ficar à «direita» ou ficar à «esquerda». No seu imaginário, quer a «direita», quer a «esquerda» eram geradoras de poder. E isso bastava. E isso parecia ser o bastante.

 

  1. Não é, porém, esse o modo de ver de Jesus. Não é esse o mundo inaugurado por Jesus. Não é esse o mundo em que Jesus quer reinar. Só que, há dois mil anos, ninguém O entendeu. Será que, dois mil anos depois, já O teremos entendido?

No pretérito Domingo, víamos como Jesus, mais do que pressagiar o fim do mundo, estava apostado em contribuir para o fim deste mundo: para o fim deste mundo de ódio, de rancor, de mentira e de injustiça. Não é de um mundo assim que Jesus é rei. Jesus é rei, sim, mas de um mundo novo, de um mundo renovado, de um mundo totalmente transfigurado. Definitivamente, Jesus não é rei deste mundo. Jesus é rei para mudar este mundo.

 

B. Como é o reino de Jesus?

 

3. Neste sentido, Jesus não Se considerava um rival do imperador nem um concorrente de Pilatos. Jesus não quer ocupar o seu lugar, mas transfigurar a sua vida e a vida do mundo inteiro. O Seu reino não é daquele mundo (cf. Jo 18, 36), daquele mundo de jogos de poder e de ambições, de senhores e de servos, de preferidos e de preteridos. O reino de Jesus não é o reino do imperador nem do seu representante Pilatos. O reino de Jesus não é daquele mundo e, como diria o escritor João de Melo, o mundo de Jesus também não é daquele reino.

Jesus é rei de um mundo de irmãos, onde todos são filhos de um único Pai. A grande revolução de Jesus é, pois, a filiação plena e a consequente fraternidade universal. Porque filhos de Deus, somos irmãos de todos. Foi por isso que Jesus não nos ensinou a invocar um «Pai meu», mas um «Pai nosso»(cf. Mt 6, 9). E nessa medida, também não nos ensinou a pedir um «pão meu», mas um «pão nosso»(cf. Mt 6, 11), ou seja, um pão para todos.

 

  1. É deste mundo que Jesus é rei. É um mundo que nos parece utópico e que, nessa medida, achamos ser apenas futuro. Daí que nos aquietemos e acomodemos. Daí até que, em nome de um estranho pragmatismo, nos integremos na lógica de um mundo assim. Em vez de contribuir para a transformação deste mundo, optamos por nos inserir na lógica deste mundo.

Acontece que, quando Jesus diz que o Seu reino não é deste mundo (cf. Jo 18, 36), não está a sugerir que fiquemos à espera de que este mundo passe, embora saibamos que ele vai passar. O que Jesus está a dizer — quando diz que o Seu reino não é deste mundo (cf. Jo 18, 36) — é que Ele veio para transformar este mundo, nomeadamente as pessoas que nele vivem. O que Jesus está a propor é que todos trabalhemos para que este mundo seja, não o contrário do mundo futuro, mas a preparação — e o alicerce — do mundo futuro.

 

C. O reino de Jesus é um reino de verdade

 

5. Ao confirmar que é rei (cf. Jo 18, 37), Jesus está a dizer que Ele é o primeiro nesta causa em prol da transformação deste mundo. Ele é o primeiro e é também o modelo e a referência para essa mesma transformação. Isto significa que, ao dizer que é rei, Jesus está a mostrar em que consiste o mundo renovado que Ele veio inaugurar. Trata-se de um mundo guiado pelo Evangelho e pela Lei Nova do Amor.

No fundo, Jesus não está a prevenir-nos para a dissolução — ou para a destruição — deste mundo. Jesus está a convocar-nos para a transformação deste mundo num mundo diferente, num mundo onde o Evangelho seja a única regra de vida. De facto, Jesus não quer uma expectativa passiva, mas uma esperança activa. Ele não quer que fiquemos à espera de que este mundo acabe. O que Ele quer é que contribuamos para que este mundo se renove. Uma coisa é certa. Só há mundo novo com pessoas novas.

 

  1. A este propósito, não deixa de ser significativo — e poderosamente revelador — verificar como Jesus associa o Seu reino à verdade. De facto, ao dizer que o Seu reino não é deste mundo, fica claro que Jesus não quer ser rei de um reino de mentira, de um reino de falsas verdades ou de um reino de meias verdades.

Como assinala o Prefácio da Oração Eucarística deste Domingo, o reino de Jesus é um «reino de verdade». A mentira não tem lugar nele. Na mentira, nenhum de nós terá lugar nele. É que Jesus veio a este mundo «para dar testemunho da verdade»(Jo 18, 37). Mais: Ele próprio é a Verdade (cf. Jo 14, 6).

 

D. A verdade é uma pessoa: Jesus

 

7. Como pode Jesus ser rei neste mundo se neste mundo há tanta mentira? Como pode Jesus ser rei neste mundo se neste mundo se enriquece à custa de tanta mentira? Como pode Jesus ser rei neste mundo se neste mundo se triunfa à custa de tanta mentira? Jesus tanto escancara a verdade do mundo novo como desmascara toda a mentira deste mundo envelhecido.

Mas o que é a verdade? Não ouvimos esta pergunta no texto que escutámos, mas é a pergunta que aparece logo a seguir, nos lábios de Pilatos (cf. Jo 18, 38). Jesus não responde a tal pergunta porque, afinal, já tinha respondido. Essa resposta vem mesmo no fim do Evangelho deste dia: «Todo aquele que é da verdade escuta a Minha voz»(Jo 18, 37).

 

  1. Está aqui condensado todo o programa do reino de Jesus e aponta-se aqui também a única condição para sermos cidadãos desse reino: basta sermos verdadeiros. Seremos verdadeiros se estivermos na verdade. Como avisava Xavier Zubiri, não se trata de possuir a verdade, mas de nos deixarmos possuir pela verdade.

Acontece que a verdade não é um conceito, uma afirmação, um enunciado. A ser assim, haveria muitas verdades e haveria — como infelizmente tem havido — muitos conflitos entre essas verdades. A verdade é uma pessoa, é uma vida: é a pessoa de Jesus, é a vida de Jesus.

 

E. Dar testemunho da verdade é dar testemunho de Jesus

 

9. A verdade não é tanto para dizer; é sobretudo para viver. A verdade não vem tanto pelos lábios; vem sobretudo pela vida. É verdade o que sai dos lábios quando corresponde ao que brota da vida. A voz de Jesus (cf. Jo 18, 37) estava em plena sintonia com a vida de Jesus. Podíamos acreditar na Sua voz porque a Sua voz era a transparência total da Sua vida.

Como refere o Livro do Apocalipse, Jesus é «testemunha fiel»(Ap 1, 5), é a testemunha fiel da verdade. Também nós seremos testemunhas da verdade se formos testemunhas fiéis de Jesus. Nenhum de nós tem a verdade, mas cada um de nós pode — e deve — estar na verdade. Nós não somos a verdade, mas podemos — e devemos — ser verdadeiros. Seremos verdadeiros se estivermos com a verdade, isto é, se estivermos com Jesus, que é a verdade.

 

  1. Eis, pois, aqui desenhado o percurso da missão. A missão é, antes de mais e acima de tudo, um serviço à verdade ou, como dizia São João Paulo II, uma «diaconia de verdade». Estaremos dispostos a exercer esta «diaconia da verdade»? Sabemos onde está a verdade. A verdade é Jesus. Dar testemunho da verdade é, pois, dar testemunho de Jesus. O Seu reino há-de consumar-se no mundo que há-de vir, mas há-de germinar já neste mundo: não neste mundo como ele está, mas neste mundo como Jesus quer que ele esteja.

É por isso que este rei não está num palácio. Jesus quer reinar no coração de cada pessoa. De cada pessoa verdadeira, de cada pessoa que vive o Evangelho a vida inteira!

publicado por Theosfera às 07:09

Hoje, 22 de Novembro (34º Domingo do Tempo Comum e Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo), é dia de Sta. Cecília, S. Filémon, Sta. Ápia e S. Salvador Lilli e seus Companheiros mártires.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 21 de Novembro de 2015

Há coisas tão óbvias que até espanta alguém ficar espantado.

Segundo li num jornal, alguém perguntava se é normal um padre ter recomendado que «só fossem comungar os que estivessem preparados».

De facto, há uma coisa que não é normal. Não é normal que seja necessário fazer esta recomendação.

Mas a experiência diz que é cada vez mais necessário. É que se todo o acto necessita de ser preparado, como é que comungar o Corpo do Senhor não há-de merecer preparação?

Ninguém pode julgar ninguém, mas será que se deve pactuar com tudo?

Que cada um se examine diante de Deus, com a Bíblia na mão e o Evangelho no coração. E depois que, em consciência, tire as devidas ilações.

Não é preciso dizer nada. Basta dizer a Deus!

publicado por Theosfera às 21:11

Acabei de tomar conhecimento da morte de René Girard, ocorrida já a 4 de Novembro.

Nem de propósito.

René Girard é conhecido pela tese de que  o mimetismo está na origem da violência humana que desestrutura e reestrutura as sociedades.

No fundo, como nos imitamos todos uns aos outros e como a violência é o que mais acontece, acabamos por reproduzir (e amplificar) a violência no mundo.

Mesmo depois de morto, Girard mantém-se profundamente actual. E deveras pertinente!

publicado por Theosfera às 09:23

Um mundo globalizado acaba por ser um mundo mimetizado. Ou seja, todos repetem todos, todos imitam todos.

Até os mais opostos e os mais desavindos se repetem e se imitam.

Se um país interfere na vida de outro país, alguém deste país retalia no primeiro país.

Se um país ataca outro país, este país acaba por atacar o primeiro país.

Resultado: a violência cresce e o medo aumenta.

Só quando a paz descer ao coração de cada um, é que a felicidade crescerá na vida de todos.

Peçamos ao bom Deus que nos torne dignos da Sua paz!

publicado por Theosfera às 08:49

Cuidado com as aparências e com as conclusões apressadas.

Percebo que se evoque o factor religioso para explicar o que, actualmente, se passa no mundo.

Mas se há um factor religioso, ele não está no excesso, mas no défice.

Há um défice de compreensão religiosa e sobretudo de vivência religiosa no mundo.

É por isso que não posso aquiescer ao que diz Régis Debray quando lamenta que «haja tantos ódios por causa de um só Deus».

Entendo o lamento, mas o problema dos ódios não é por haver um só Deus; é por não se escutar a voz do único Deus.

É aí que a violência religiosa se assemelha à violência irreligiosa.

O século XX assistiu a milhões de mortes cometidas em nome de ideologias ateias.

O século XXI está a coleccionar milhares de mortos em nome de uma percepção enviesada da fé.

É tempo de crentes e não crentes se unirem em torno de um objectivo comum: a paz!

publicado por Theosfera às 08:30

Habitualmente, são os de cima que mandam e que orientam.

Esse é um facto, mas é também um problema.

Era bom que nos deixássemos guiar mais por quem está em baixo. É em baixo que chegamos ao fundo e que entramos verdadeiramente dentro.

Na vida, falta-nos estar mais atentos ao lado do fundo e ao lado de dentro.

A política seria diferente se os cidadãos fossem mais escutados. E até a evangelização seria outra se a fé do povo fosse mais acompanhada.

Deus também fala pelos simples. Ouvir os simples (também) é ouvir o próprio Deus!

publicado por Theosfera às 08:02

Hoje, 21 de Novembro, é dia da Apresentação da Virgem Santa Maria, S. Gelásio I e Sta. Maria de Jesus do Bom Pastor.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 20 de Novembro de 2015

Nem sempre parado é o mesmo que inactivo.

Ficar «estático» pode ajudar a ficar «extático».

E, de vez em quando, é importante ficar «extático».

O êxtase não pode ser só para os místicos. O êxtase faz bem a todos.

O êxtase  leva-nos a sair de nós e a deixar que a realidade entre em nós de outra forma.

O êxtase conduz ao encanto e ao encontro, ao maravilhoso e ao maravilhamento.

Afinal, nem sempre se estaciona quando se pára.

É que nem só com os pés se anda.

Um dia, havemos de notar que o olhar também é capaz de caminhar!

publicado por Theosfera às 10:01

Nem sempre se avança quando se anda.

Andar nem sempre é avançar. Às vezes, andar também pode ser recuar.

Daí que, de vez em quando, seja preciso parar.

Até o atleta mais veloz precisa de parar para voltar a competir.

Ninguém consegue triunfar sem, de vez em quando, parar.

Também é preciso parar. Também é necessário saber estar parado.

publicado por Theosfera às 09:56

É preciso não desistir do diferente. É fundamental persistir na procura do melhor.

Às vezes, o diferente parece impossível e o melhor desponta como inviável.

Era por isso que Paul Valéry notava que «o homem é absurdo por aquilo que busca e grande por aquilo que encontra».

O nosso mal é não procurar ou interromper a procura.

Devíamos perceber que procurar já é encontrar. «Quem procura encontra»(Mt 7, 8)!

publicado por Theosfera às 09:43

Ninguém é tão humano como o homem. E, apesar disso, ninguém consegue ser tão desumano como o homem.

Afinal, andamos nesta oscilação desde os começos.

Não é hoje que estamos a bestializar-nos. Hoje estamos, uma vez mais, a patentear a nossa bestialidade.

O que está a acontecer não é novo. Mas era tempo de mostrar que, finalmente, podemos ser diferentes. Ou seja, humanos!

publicado por Theosfera às 09:32

Tomás de Lampedusa parece ter razão. Há muita mudança e pouca transformação.

Se repararmos bem, o mundo mantém-se em patamares que vêm das épocas mais remotas.

A violência continua a estar no centro de tudo. Tanto se mata em nome de princípios como em função da ausência de princípios.

Uns matam por causa dos princípios que dizem ter. Outros matam em razão de princípios que mostram não possuir.

O cenário não é brilhante. O coração humano ainda permanece no tempo das cavernas.

Quando aprenderemos a respeitar o outro enquanto outro?

publicado por Theosfera às 07:15

Hoje, 20 de Novembro, Dia da Dedicação da Sé Catedral de Lamego, é também dia de Sto. Edmundo, Sta. Maria Fortunata e S. Félix Valois.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 19 de Novembro de 2015

A vida é feita de tudo.

A vida é feita de acção. Mas a mesma vida também precisa de alguma inacção.

Eu sei que não é popular dizer isto. Mas creio que é preciso ter a coragem de fazer paragem.

Para bem andar, também é preciso parar.

Muitas vezes, corremos o risco de confundir agir com agitar.

Há tanta acção que não age, só reage e perturba. Ou, então, só reproduz o agir habitual.

Tantas são as coisas que fazemos por rotina, sem passar no seu sentido ou significado.

Tantas são as coisas que fazemos por ressabiamento ou por vingança. Para onde vamos quando vamos assim?

É, pois, tempo de parar, de olhar, escutar de meditar.

Saber parar é o segredo para bem (poder) caminhar!

publicado por Theosfera às 10:24

Um sorriso ilumina sempre. Mas há certos risos que humilham.

São risos de desdém, de quem olha de cima, de quem humilha os humildes.

Há quem se ria das feridas dos outros. Aliás, Shakespeare achava que «só se ri de uma cicatriz quem nunca foi ferido».

Mas as feridas podem vir e há certos risos que podem dar lugar a lágrimas. E essas lágrimas podem ter de ser choradas na solidão.

Sorria para todos. Mas nunca se ria de ninguém!

publicado por Theosfera às 10:07

O terror acaba com vidas, mas não consegue acabar com modos de vida.

Ao acabar com vidas, o terror endurece os modos de vida que atinge.

Para se defender, os sistemas políticos tornam-se mais autoritários.

O panorama não é brilhante.

As trevas esperam-nos até que a paz encontre acolhimento nos corações!

publicado por Theosfera às 10:01

Hoje, 19 de Novembro, é dia de Sta. Matilde, S. Rafael Kalinowski e Sta. Inês de Assis.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 18 de Novembro de 2015

Tudo na vida tem um custo.

William Golding achava que «nenhum empreendimento pode ser totalmente bom pois tem sempre um custo».

Só que não é o custo que lhe subtrai a bondade. Não é o custo que o impede de ser bom. Mas estaremos dispostos a aceitar o custo?

Uma coisa é certa.

O fácil não é o mesmo que feliz. Não é a facilidade que fornece a felicidade!

publicado por Theosfera às 09:31

Hoje, 18 de Novembro, é dia da Dedicação das Basílicas de S. Pedro e S. Paulo, Sta. Carolina Kózka, Sto. Odo de Cluny, S. Domingos Jorge, Sta. Isabel Fernandes, Sto. Inácio e Sta. Salomé de Cracóvia.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 17 de Novembro de 2015

É preciso acabar com a guerra, com todas as guerras.

Mas de que modo? Haruki Murakami avisa: «Não existe nenhuma guerra que acabe com todas as guerras».

Guerra só gera mais guerra.

Excluindo, portanto, a guerra, pensem então nos meios de acabar com a guerra!

publicado por Theosfera às 09:35

Hoje, 17 de Novembro, é dia de Sta. Isabel da Hungria, Sta. Filipa Duchesne, Sto. Aniano, Sta. Hilda, S. Gregório de Tours e S. Hugo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 16 de Novembro de 2015

Responder à violência com a violência levará ao fim da violência?

Creio que a resposta é óbvia e está à vista de todos.

Já dizia Edgar Morin que o Médio Oriente era uma espécie de «paiol do mundo». Trata-se de um paiol sempre pronto a explodir. Como proceder?

Não enveredemos pela decisão rápida. Procuremos, antes, a decisão certa.

Aliás e como avisava Tucídides, «quem pondera a decisão certa é mais temível do que quem se precipita em usar a força brutal».

Qual é a decisão certa?

Não é seguramente a que, hoje em dia, está na cabeça de muitos e nas mãos de tantos. Não desistamos de procurar a decisão certa.

Enquanto uns fazem explodir a guerra, façamos nós explodir a paz! 

publicado por Theosfera às 09:38

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