O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 31 de Agosto de 2015

Quando o amor é crescente, a vida começa a ser diferente.

Quando o amor é total, nada na vida continua igual.
Eis o que o Deus do Povo me tem ensinado.

Eis o que o Povo de Deus me tem mostrado!

publicado por Theosfera às 12:09

O nosso problema é que, muitas vezes, agimos mais por interesse do que por convicção.

Há quem busque mais o aplauso do que a fidelidade.

Já Eça de Queiroz tinha notado que «a ânsia da maioria é alcançar em sete linhas o louvor do jornal».

Só que tudo isso é tão transitório. Os que o jornal põe, hoje, lá em cima são aqueles que o mesmo jornal põe, amanhã, lá em baixo.

Quem só quer ser aplaudido nem aplausos consegue ter!

publicado por Theosfera às 09:17

Hoje, 31 de Agosto, é dia de S. Raimundo Nonnato e Sto. Aristides.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 30 de Agosto de 2015

A. Há muito bem no mundo

  1. Tenho uma notícia muito boa para vós, neste Domingo. É que, afinal e ao contrário do que se diz, existe muito bem neste mundo. Existe muito bem no mundo e em cada pessoa que há no mundo. Eu sei que não parece. O bem é continuamente silenciado, mas isso não significa que esteja inactivo. O bem vai fazendo o seu caminho no interior das pessoas. O importante é que não o bloqueemos nem torpedeemos.

Faço-me, pois, portador desta bela notícia, em contracorrente com a publicidade que muitos teimam em fazer ao mal e à maldade. O mal existe e a maldade alastra. Mas nada podem contra o bem. É que — esta é a segunda parte da notícia que hoje vos trago — o bem vem de Deus.

 

  1. É S. Tiago quem no-lo garante na Segunda Leitura da Eucaristia deste 22º Domingo do Tempo Comum: «Tudo o que de bom nos é dado […] desce do Pai»(Tgo 1, 17). Assim sendo, salta à vista que o nosso problema é, na prática, andarmos longe de Deus. Quem está em Deus está com o bem que é Deus.

O Apóstolo aponta-nos, por isso, o caminho a seguir. Trata-se de acolher docilmente a Palavra de Deus (cf. Tgo 1, 21). É esta Palavra que fecunda a nossa vida como fecundou a vida fiel de Maria Santíssima. Só acolhendo a Palavra de Deus, conseguiremos ir mais além de nós mesmos. É preciso, pois, cumprir a Palavra. Não basta escutá-la (cf. Tgo 1, 22). A Palavra não se dirige apenas aos nossos ouvidos. A Palavra dirige-se a toda a nossa vida.

 

B. O que mais agrada a Deus

 

3. A Palavra não pode entrar por um ouvido para sair pelo outro. A Palavra que entra pelos ouvidos almeja transformar a nossa existência. É a isto que se chama conversão, mudança. Esta conversão e esta mudança traduzem-se em gestos concretos nos quais S. Tiago tipifica a «religião pura e sem mancha»(Tgo 1, 17). De facto, o que mais agrada a Deus é «visitar os órfãos e as viúvas» e «conservar-se limpo de toda a corrupção do mundo»(Tgo 1, 27).

A vontade de Deus consiste, portanto, em fazer o bem ao nosso semelhante e em não cedermos ao assédio da maldade que nos ameaça. É preciso perceber que nenhum bem vem do mal. Só o bem faz bem.

 

  1. No fundo, é esta a lei maior, a lei suprema, a que todas as leis devem estar sujeitas. Jesus debate-Se com alguns dos Seus contemporâneos que eram muito ciosos das leis até nas suas minudências mais pormenorizadas. Jesus não é obviamente contra as leis. O que Jesus quer é que o cuidado com estas leis não impeça a atenção que é devida à lei maior e à lei suprema: a prática do bem.

De facto, há leis que asfixiam a liberdade das pessoas e há leis que promovem a liberdade das pessoas. Há leis que sufocam e há leis que libertam. A fé não é uma asfixia da liberdade, mas um transbordamento de liberdade. «Foi para a liberdade que Cristo nos libertou»(Gál 5, 1).

 

C. Quando o exterior distorce o interior

 

5. As leis são necessárias, mas a fé tem ir mais além da lei. Na linha de Jesus, temos de ter em conta, sobretudo, os três m's em que Ele insistiu: no m da mensagem (Reino de Deus), no m do mandamento (amor a Deus e ao próximo) e no m da missão (levar o Evangelho a todo o mundo).

Os judeus estavam muito apegados às leis, mas pouco atentos à mudança de vida. O principal, para eles, eram as acções exteriores. A aparência contava mais que a essência. Jesus não Se revê nesta conduta e lamenta: «Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim»(Mc 7, 6).

 

  1. Estamos numa época em que o aparato exterior quase não deixa ver o que se passa no interior. É claro que a vida é feita de interior e exterior. Mas o importante é que o exterior seja o espelho do interior. Infelizmente, nem sempre isso acontece. Muitas vezes, o exterior é uma negação, — uma distorção, um disfarce ou uma dissimulação — em relação ao que ocorre no interior.

Cuidamos muito do exterior e parece que descuidamos completamente o interior. No tempo de Jesus, a preocupação parecia ser «a lavagem dos copos, dos jarros e das vasilhas de cobre»(Mc 7, 4). No nosso tempo, a prioridade parecem ser os foguetes, as músicas, as marchas e as diversões. Nada disto, em si mesmo, é mal. Mas tudo isto é pouco. Acresce que tudo isto é supostamente realizado em honra da Virgem Maria e dos Santos. Mas que preocupação existe em aprender efectivamente com o exemplo deixado pela Virgem Maria e pelos Santos?

 

D. Que lugar para Cristo nas festas cristãs?

 

7. Os nossos lábios não parecem andar muito longe de Deus. Mas será que o nosso coração está possuído por Deus? Que lugar há para Cristo em tantas festas que se dizem cristãs? Que lugar há para Maria e para os Santos nas romarias que, em princípio, lhes são dedicadas?

Às vezes, dá a impressão de que a Virgem Maria e os Santos são meros pretexto para a festa, quando deviam ser o motivo da festa. Se eles fossem o verdadeiro motivo da festa, o centro da festa seria a Eucaristia. Foi, na verdade, a Eucaristia que fermentou no seio de Maria e transformou a vida dos Santos. Uma festa genuinamente cristã pensaria mais nos pobres e nos que sofrem. Uma festa genuinamente cristã seria, por isso, menos gastadora e mais solidária. Ainda temos muito a aprender, muito a crescer.

 

  1. Os antigos procuraram cristianizar algumas festas pagãs. Não deixemos que, hoje, se repaganizem as festas cristãs. Grande deve ser a festa de alguns dias. Maior há-de ser a festa de todos os dias. É certo que, por natureza, a festa pertence ao excepcional, ao que foge à cadência do quotidiano. Mas não seria apaixonante excepcionalizar o quotidiano? Ou seja, não nos deveríamos empenhar todos em levar para cada dia o desafio de transformação da nossa vida?

Não façamos da festa um pretexto para degradar a natureza humana, obra de Deus. Não afoguemos o nosso corpo em álcool. Não nos embriaguemos com vinho; embriaguemo-nos de fé, de esperança e de amor.

 

E. Abandonamos o interior do país e, ainda mais, o interior das pessoas

 

9. A festa não é para esquecer a vida, mas para nos reabastecer para a vida. A essência da festa está no encontro, no sorriso, no abraço. A festa será tanto mais bela, quanto mais nela nos abrirmos ao Deus da festa, ao Deus que faz festa quanto nos abraça. Bela é a festa da conversão. Bela é a festa quando é total, quando não deixa o interior de fora. Habitualmente, queixamo-nos ao ver o interior abandonado. Mas só lamentamos o abandono do interior do país. E que achamos do abandono do interior da pessoa? Não será que abandonamos, tantas vezes, o nosso interior e o interior dos outros?

Maria é, toda Ela, um acontecimento de interioridade. O Seu exterior fiel é um espelho do Seu interior atento. Foi no Seu interior que encarnou o Filho de Deus. O interior de Maria é o primeiro sacrário da história. É por isso que importa olhar para Maria e sobretudo olhar com Maria. O olhar de Maria não prende. É no olhar de Maria que se aprende a seguir Jesus.

 

  1. Jesus quer que nos transformemos a partir do fundo, a partir de dentro, a partir do nosso interior. É por isso que, estritamente, um cristão não é de direita, não é de esquerda nem é do centro. Genuinamente, um cristão é do fundo. Jesus é Deus que vem até ao fundo de nós. É por isso que Ele nos ensina a não nos preocuparmos prioritariamente com o nosso exterior: «Não há nada fora do homem que, ao entrar nele, o possa tornar impuro»(Mc 7, 18). Do interior do homem é que «saem os pensamentos perversos, as imoralidades, os roubos, os assassínios, os adultérios, a cobiça, as más acções, a má fé, a devassidão, o orgulho e a loucura»(Mc 7, 21-22). Por conseguinte, é pelo interior que temos de começar a conversão. Que adianta um exterior bem apresentado se o interior permanece descuidado?

Jesus não quer só um culto externo, feito de coisas repetidas apenas por hábito e, muitas vezes, sem sentido (cf. Mc 7, 7). Jesus quer que a oração dos nossos lábios seja a expressão da oração da nossa vida. Rezemos com os lábios, sim. Mas nunca nos esqueçamos de rezar, acima de tudo, com a nossa vida: com a nossa vida inteira, com a nossa vida lisa, com a nossa vida (sempre) limpa!

 

publicado por Theosfera às 13:11

Obrigado, Senhor,

muito obrigado

não só por nos ensinares a sermos humildes,

mas por Tu mesmo nos dares lições tão vivas de humildade.

 

Quanta competição pelos lugares da frente.

Quantos atropelos pelas posições mais importantes.

Quanta sofreguidão por ser primeiro,

por olhar os outros de cima, com sobranceria, arrogância.

 

Ainda bem que Tu, Senhor, és diferente.

Ainda bem que és único.

 

Que nós aprendamos a ser humildes

e que nunca humilhemos ninguém.

 

Que não subjuguemos os humildes

nem bajulemos os grandes.

 

Que percebamos que todas as pessoas

são iguais em dignidade, em humanidade.

 

Que compreendamos que ninguém é mais que ninguém.

Que nos sintamos igualmente filhos de Deus,

igualmente irmãos uns dos outros.

 

Que valorizemos a grandeza de ser pequeno.

Que dêmos sempre o devido valor às coisas simples.

Que nunca eliminemos a criança que há em nós.

Que olhemos com pureza para os outros.

E que sejamos sempre autênticos e sinceros junto de todos.

 

Que não tenhamos receio de procurar o último lugar.

Que não disputemos protagonismos.

Que não haja guerras nem guerrinhas por causa de sermos vistos e aplaudidos.

 

Que compreendamos que basta que Deus veja.

Deus, de facto, tudo vê.

E vê ainda mais o que mais ninguém consegue ver.

 

Que ajudemos os outros a pegar na Cruz

e que não sejamos cruz para ninguém.

Que suavizemos as dores desta vida

e os sofrimentos múltiplos deste mundo.

 

Nem sempre há humildade na grandeza,

mas existe sempre grandeza na humildade.

 

Que nunca percamos de vista

que os mais humildes, os mais pequenos e os mais simples

também são filhos de Deus.

Também eles mereceram o Teu sangue.

Também são amados por Ti,

muito amados por Ti,

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:55

 

Estes dias começam mais cedo.

O cansaço é grande, mas a fé consegue ser maior.

São muitos os que se erguem antes de o sol nascer para acorrer à Casa da Mãe.

O Santuário, por estes dias, é a nossa casa, a casa dos lamecenses, a casa dos peregrinos.

Tudo começa ainda de noite. E tudo termina ao nascer do dia.

É na Casa da Mãe que vemos raiar o sol. É na Casa da Mãe que brilha sempre o sol: so ol que é Jesus e que a todos nos enche de luz.

A novena é o mais belo da festa, é o mais puro da festa. Porque ali não há ostentação. Ali só há união, entreajuda, simplicidade, fé e muito amor. T

odos nos sentimos envolvidos pelo amor da Mãe.

Todos nos sentimos arrastados pelo amor da Mãe por todos nós, Seus filhos!

 

publicado por Theosfera às 10:03

A vontade pode muito, mas há barreiras que impedem bastante. E, às vezes, os melhores são derrubados.

Porque não fogem ao devem e respeitam as regras, expõem-se a todo o tipo de intempérie.

Há, pura e simplesmente, quem não suporte o bem nem aceite quem é bom.

Aliás, já Confúcio dizia que «ser honrado numa sociedade injusta é uma desgraça».

De facto, há quem não ache graça à honra. E não falta até quem tente desonrar quem, humildemente, se mostra honrado.

Mas não são os obstáculos que bloquearão o caminho. A seu tempo, todo o bem reencontrará o bem!

publicado por Theosfera às 08:59

Nossa Senhora dos Remédios,

Nossa Senhora de Lamego,

Nossa Senhora de Portugal,

Nossa Senhora do mundo inteiro,

de todo o lado aqui vimos,

de toda a parte aqui chegamos.

Vimos aqui não como meros turistas.

Chegamos aqui como verdadeiros peregrinos.

Queremos estar aqui como filhos.

Desejamos daqui partir como discípulos.

Os nossos pés nos trouxeram

para a Teus pés Te escutarmos.

Cada um de nós

traz um pedido.

Cada um de nós

transporta uma prece.

Cada um de nós solta um louvor.

Tu és a Senhora dos Remédios.

E nós andamos à procura dos Remédios de Ti, Senhora.

Embora longe,

nunca Te esquecemos.

Embora à distância,

jamais Te abandonamos.

Tu és Nossa Senhora,

Senhora da nossa cidade,

Senhora da nossa Diocese,

Senhora da nossa vida,

Senhora da Humanidade inteira.

No início deste novenário,

queremos pedir-Te docilidade

para ouvirmos a Palavra de Teu Filho,

a Palavra que é Teu Filho.

Também Te pedimos

pelos nossos doentes,

pelos nossos idosos,

pelas nossas crianças

e pelos nossos jovens.

Protege, Mãe,

as famílias,

mormente as que se encontram em crise.

Ampara os desempregados,

para que não cedam ao desespero.

Acompanha os pobres,

para que a ninguém falte o pão, a educação, a habitação.

Dulcifica o nosso coração

para que a paz triunfe, a concórdia reine e a justiça impere.

 

 

Que estes dias sejam de autêntica festa,

na Tua presença

e na companhia de Teu filho.

Que, quando descermos, não Te esqueçamos.

Que, quando voltarmos, não Te ignoremos.

Que, quando regressarmos, não Te ofendamos.

Nossa Senhora dos Remédios,

vem também a esta romaria,

une-nos à volta de Teu Filho.

Traz-nos no Teu regaço.

Guarda um lugar para nós no Teu andor.

E infunde nos nossos corações

a Tua infinita Paz.

publicado por Theosfera às 07:35

 

Nós Te adoramos, Senhor Jesus,

Na manhã deste novo dia.

Agradecemos-Te a vida e todos os dons.

Bendizemos-Te, particularmente,

Pelo dom de Tua Mãe,

Que nós aqui invocamos como Nossa Senhora dos Remédios.

É Ela que nos traz ao Teu encontro.

É Ela que nos embala como Te embalou a Ti,

Em Belém e em Nazaré.

Obrigado, Jesus, pela Tua Mãe.

Obrigado, Mãe, pelo Teu Filho.

Cada um de nós transporta tantos pedidos,

Tantas angústias e tantas canseiras.

Cada um de nós é um peregrino do Teu amor e mendigo da Tua paz.

Nossa Senhora,

Dá-nos o remédio para a nossa doença,

Para a doença do nosso corpo

E para a doença da nossa alma.

Dá-nos o remédio para a nossa pior doença, que é a superficialidade e o pecado.

Nossa Senhora,

Sê Tu mesma o remédio para a nossa desesperança.

Acompanha-nos ao longo destes dias

E ao longo dos dias da nossa vida.

Queremos continuar a vir sempre aqui

Até porque sabemos que vais sempre connosco.

Leva-nos ao encontro de Teu Filho.

Nossa Senhora dos Remédios,

Concede-nos as graças que Te pedimos,

Atende o nosso pranto,

Enxuga as nossas lágrimas,

Aquece o nosso coração.

Que a nossa vida se transforme.

Que não queiramos fazer a nossa vontade,

Mas apenas (e sempre) a vontade de Teu Filho.

 

publicado por Theosfera às 06:00

Hoje, 30 de Agosto (22º Domingo do Tempo Comum), é dia de Sta. Joana Jugan e S. João Juvenal Ancina.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 29 de Agosto de 2015

Festa da Família de Maria.

Festa da nossa família com Maria!

publicado por Theosfera às 21:53

1. Afinal, quantos degraus tem o escadório do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios?

 

2. Sendo a devoção o mais importante neste local, a curiosidade também pode ter aqui o seu lugar.

 

3. Há vários números avançados. D. Joaquim Azevedo falava em 654 escadas e o Cónego José António Marrana apontava 691.

 

4. Mas é preciso ressalvar que ambos escreveram antes da conclusão do escadório.

 

5. Comummente, há quem diga que o total de escadas é 686 (talvez por ser uma capicua), embora também haja quem proponha 614 ou 689, entre outros números.

 

6. Nada, por isso, como fazer a contagem. Foi o que procuramos fazer em sentido ascendente e descendente, operando deste modo a prova e a contra-prova.

 

7. Assim sendo, se começarmos a subida na Avenida Alfredo de Sousa, verificaremos que, até à entrada do Santuário, existem 930 degraus, contando com as últimas escadas antes de entrarmos no templo.

 

8. Destes 930 degraus, 630 são laterais, ou seja, existem 315 de um lado e 315 do outro. Os outros 300 são centrais.

 

9. Isto significa que quem quiser pisar as 930 escadas tem de subir por um lado, entrar no Santuário e descer pelo outro lado.

 

10. Se pensarmos que «escada» vem de «scala», notaremos que são muitas (e nada fáceis) as escalas até chegar a Deus.

 

11. Não é fácil subir. Mas até por isso é muito saboroso chegar. As escadas que nos fazem descer têm outra leveza, outra frescura.

 

Escadório novo.jpg

 

12. Até parece que o manto amoroso da nossa Mãe nos embala na viagem!

publicado por Theosfera às 14:22

Acha John Kounios que «não fazer nada é um trabalho criativo».

Parece uma contradição, mas é sobretudo um alerta.

Afinal, não foi do nada que tudo foi feito?

publicado por Theosfera às 08:35

Achava Albert Camus que «é dever de quem pensa não ficar ao lado dos carrascos».

Sem dúvida. Ao lado dos carrascos não deve ficar quem pensa, quem sente, quem vive.

Um ser humano decente só pode ficar ao lado das vítimas dos carrascos!

publicado por Theosfera às 08:21

Hoje, 29 de Agosto, é dia do Martírio de S. João Baptista e Sta. Sabina.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 28 de Agosto de 2015

Tanto se fala em mudança. E, de facto, a mudança está sempre a acontecer. Só que nem sempre para melhor.

Não haverá o risco de certos discursos de mudança se tornarem, contraditoriamente, os maiores entraves à mudança?

Já Tomas de Lampedusa insinuava, com algum cinismo e evidente ironia, que é preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma.

Daí que o povo, com a sua sabedoria simples e a sua simplicidade sábia, goste de sentenciar: «Para melhor, está bem, está bem; para pior, já basta assim».

É claro que, para melhor, não está bem. E, para pior, pode não bastar assim.

O problema é que, a avaliar pelo que se vê, determinadas mudanças só pioram.

Mas ainda acredito que, um dia, «mudar» possa (finalmente) rimar com «melhorar»!

publicado por Theosfera às 10:27

Muito ter nem sempre conduz a muito ser.

Houve até quem estabelecesse um paralelismo assimptótico entre ter e ser.

Quem é muito cheio de ter acaba por ser muito vazio de ser. Até há quem se considere pouco rico possuindo muito.

Mas, graças a Deus, também não falta quem se sinta rico partilhando bastante.

Aliás, já Anne Frank notou que «não há ninguém que tenha ficado pobre por dar».

O que vai de nós para alguém não será a maior riqueza?

publicado por Theosfera às 10:11

Hoje, 28 de Agosto, é dia de Sto. Agostinho, Padroeiro secundário da Diocese de Lamego, e S. Junípero Serra.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:46

Quinta-feira, 27 de Agosto de 2015

Os abusos são estranhos. Destroem e constroem.

Só que contribuem para destruir o bem e para prolongar o mal.

Foi o que, notavelmente, Édouard Lémontey percebeu: «Os abusos, que destroem as boas instituições, têm o privilégio fatal de fazer subsistir as más».

Por isso, evitemos os abusos.

O abuso é como um aborto. Um abuso pode abortar todo o bom uso!

publicado por Theosfera às 12:15

Reza um conhecido adágio latino: «Finis coronat opus». Ou seja, o fim coroa a obra.

De facto, toda a boa obra tem sempre um bom fim. E quando o fim é bom, nem o fim lhe põe fim.

Uma boa obra sobrevive a si mesma. Nunca tem fim.

O seu eco prolonga-se. O seu rasto estende-se. Até ao infinito!

publicado por Theosfera às 11:57

Falhou? Não se deprima.

Se falhou foi porque tentou.

O mal não é falhar. O mal é não tentar, é desistir de tentar.

Já dizia Francis Bacon: «Não há comparação entre o que se perde por fracassar e o que se perde por não tentar».

Não conseguiu agora? Há-de conseguir alguma vez.

Para conseguir uma vez, é preciso tentar muitas vezes. Sempre!

publicado por Theosfera às 11:47

Hoje, 27 de Agosto, é dia de Sta. Mónica e S. Gabriel Maria.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 26 de Agosto de 2015

O tempo anda para a frente. Mas, muitas vezes, no tempo parece que andamos para trás.

As imagens de seres humanos que tentam entrar na Europa arrepiam, assustam e dão (muito) que pensar.

Julgávamos que estas «páginas» estavam definitivamente «arrumadas» nos «armazéns» do passado. Mas elas voltam a escancarar-se com monstruosa crueza.

Não sei o que se há-de fazer. Mas tenho a obrigação de saber que não é isto o que devemos continuar a fazer.

Afinal, o mundo é uma casa para todos ou é uma série de muros à frente de muitos?

publicado por Theosfera às 16:12

1. Afinal, o que será uma «Missa moderna»?
Eis uma pergunta a que, de repente, não soube responder.

 

2. A Missa não é moderna nem antiga.

A Missa é a «presencialização» da oferta que Jesus fez de Si mesmo ao Pai por nós.

 

3. Por isso, a Missa é sempre a mesma. Foi no passado, é no presente e será no futuro.

Com as palavras de cada tempo, ela actualiza o mesmo (e único) mistério.

 

4. Na Santa Missa, a iniciativa é de Jesus Cristo, Palavra e Pão.

As nossas palavras, os nossos cânticos e os nossos gestos funcionam como um leito por onde há-de correr a «água viva» que é Jesus.

 

5. Acontece que, muitas vezes (e com a melhor das intenções), há quem pretenda que a Santa Missa deixe de ser o que é.
Canções da moda que nem sequer falam de Cristo, discursos de circunstância sem a menor relação com a Palavra de Deus ou poses descompostas com largo teor exibicionista e reduzido pudor serão atitudes porventura modernas. Mas serão adequadas para uma celebração eucarística?

 

6. Os espectáculos são actividades respeitáveis, mas têm o seu lugar.
A Santa Missa deve ser vivida como uma festa (embora ela celebre um drama: o drama da Cruz), mas não pode ser transformada num espectáculo.

 

7. Há quem olhe para a Eucaristia como um mero ornamento social. Pessoas que nunca (ou raramente) participam na Eucaristia solicitam uma celebração eucarística a propósito de um ajuntamento, de uma efeméride ou de um qualquer evento festivo.
E, de facto, a Eucaristia fica bem em tudo. Só que nem tudo fica bem na Eucaristia.

 

8. É preciso vivenciar a Eucaristia (a celebração mais sagrada da vida cristã) como ela é e não como nos apraz.
A Santa Missa não pode ser pretexto para promover a nossa imagem. Ela existe para transformar (indelevelmente) a nossa vida.

 

9. Tudo correrá bem quando vivemos as coisas como elas são. E a Eucaristia já foi «inventada» por Cristo.

É Ele o protagonista. É Ele quem mais nos ama, é Ele quem sempre nos chama.

 

10. Disponhamo-nos a escutá-Lo. E não tenhamos a veleidade de O «abafar» ou instrumentalizar.
A simplicidade dos discípulos é o que melhor rima com a humildade do Mestre!

publicado por Theosfera às 10:54

Achava Joseph Joubert que «é melhor debater uma questão sem a resolver do que resolvê-la sem a debater».

Não sei.

Debater sem resolver será bom?

E porque é há-de ser mau resolver sem debater. O panorama dos debates não é nada animador!

publicado por Theosfera às 09:44

Hoje, 26 de Agosto, é dia de Sta. Micaela, S. Domingos de Nossa Senhora, S. Liberato, Sta. Maria de Jesus Crucificado e Sta. Teresa Jornet.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 25 de Agosto de 2015

Stendhal reconhecia que «quem se desculpa, acusa-se».

É verdade. E ainda bem.

Antes acusar-se que acusar.

Se cada um acusasse as suas culpas, não haveria necessidade de imputar culpas alheias!

publicado por Theosfera às 11:13

 

  1. A imperfeição é, obviamente, um problema.

Mas é ela também que nos abre as portas a um mar infindo de possibilidades.

 

  1. É por causa da nossa imperfeição que procuramos ir mais além de nós mesmos.

Estamos sempre em saída e encontramo-nos em contínua viagem. Só em nós não somos nós. Como reconhecia Pascal, «viver é ultrapassar-se».

 

  1. Se o mundo fosse perfeito, seria divino. Em tal caso, não haveria procura de Deus.

Se nada falta, para quê procurar? Para quê procurar fora se tudo já existe dentro?

 

  1. É a imperfeição do homem que excita a procura de Deus. É a perfeição de Deus que excita a procura do homem.

O homem vai ao encontro de Deus do fundo da sua indigência. Deus vem ao encontro do homem desde a plenitude do Seu amor.

 

  1. Em Cristo, Deus oferece a perfeição ao homem como um projecto (cf. Mt 5, 48).

No mesmo Cristo, o homem olha para a perfeição de Deus como um dom.

 

  1. Deste modo, quanto mais indigentes nos achamos, tanto mais receptivos nos tornamos à presença de Deus.

Jesus Cristo é, verdadeiramente, Emanuel, o Deus-connosco e com as nossas feridas.

 

  1. Muito comovente é ouvir Tomé proclamar a divindade de Jesus quando toca as Suas feridas (cf. Jo 20, 27-28).

O apóstolo chega à fé pela «porta das feridas». Alguém conseguirá aderir à fé sem ser pela «porta dos feridos»?

 

  1. Como bem notou Tomás Halik, só atinge a certeza da fé quem, «ao tocar nas feridas do mundo, toca em Deus».

Consta que Pascal, estando impedido de comungar, começou a cuidar de um pobre. Era uma forma de continuar a receber o Corpo de Cristo.

 

  1. Também se conta que, um dia, Satanás terá aparecido a S. Martinho disfarçado de Cristo.

O santo, porém, não se deixou enganar. «Onde estão as tuas chagas?», perguntou.

 

  1. Tirar as chagas de Cristo é o mesmo que desfigurar Cristo. E retirar Cristo das chagas é o mesmo que agravar — ainda mais — as (nossas) chagas.

Uma religiosidade telegénica, que não aterra nas chagas da vida, é por muitos exaltada. Mas será muito exaltante? Tomás Halik não acredita em «religiões sem chagas». Não foi pelas chagas que fomos curados (cf. Is 53, 5)?

 

publicado por Theosfera às 10:46

Muitas vezes, o que nos traz preocupados não são os problemas, mas a ansiedade por causa dos problemas.

Ou seja, os problemas começam a preocupar-nos não quando surgem, mas quando tememos que surjam.

Já na antiguidade, Epicteto reconhecia: «O homem não fica preocupado pelos verdadeiros problemas, mas pelas ansiedades imaginadas acerca dos verdadeiros problemas».

Mantenhamos a calma. Deixemos que os problemas venham. Aliás, podem nem vir.

Muitos problemas até podem ser evitados. Se vierem, olhemos bem de frente para eles.

Os problemas evitam-se, enfrentam-se e superam-se.

Eles existem não para nos vencerem, mas para serem vencidos por nós com a ajuda de Deus! 

publicado por Theosfera às 09:42

Hoje, 25 de Agosto, é dia de S. Luís, Rei de França, S. José de Calazans e S. Miguel de Carvalho.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 24 de Agosto de 2015

Dizia Karl Kraus que «a diplomacia é um jogo de xadrez em que os povos levam xeque-mate».

É verdade.

Os que não provocam os problemas são os que sofrem os maiores problemas.

Os não-culpados é que são sobrecarregados com todas as culpas!

publicado por Theosfera às 09:17

Hoje, 24 de Agosto, é dia de S. Bartolomeu e Mártires da Massa Cândida.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 23 de Agosto de 2015

Nossa Senhora tem muitos nomes, desde os mais conhecidos até aos mais surpreendentes.

Cada nome indica uma intenção.

Por motivos que só Deus conhece (mas que muito me desvanecem), a minha vida tem decorrido entre o manto de Nossa Senhora da Guia e os afagos de Nossa Senhora dos Remédios.

Hoje, uma vez mais, fui de Lamego a São João de Fontoura.

Seja dos Remédios ou da Guia, sinto que é a mesma Mãe e Senhora que nos acompanha, que nos conduz, que nos guia!

Eternamente reconhecido!

publicado por Theosfera às 19:36

Abre, Senhor, os nossos olhos.

Abre, Senhor, o nosso coração.

 

Abre, Senhor, a nossa vida.

Abre-nos, Senhor, à vida,

ao amor, ao perdão e à paz.

 

Abre-nos, Senhor, à partilha.

Abre-nos ao dom e à dádiva.

 

Que sejas sempre Tu em nós.

Que sejas verdadeiramente o nosso Senhor.

 

Habita, Senhor, no nosso mundo,

na nossa vida, no nosso coração.

 

Queremos recomeçar com alento.

Dá-nos, Senhor, a coragem e a confiança.

 

Que nós nunca desfaleçamos.

Tu, Senhor, estás sempre em nós.

 

Que nós queiramos estar em Ti,

JESUS!

publicado por Theosfera às 10:45

A. Cuidado com um Cristianismo «à la carte»

  1. Fechamos hoje um ciclo de cinco domingos em que fomos meditando o capítulo sexto do Evangelho de S. João. É um capítulo que começa em festa e acaba em drama. Como bem recordamos, este longo capítulo inicia-se em clima de euforia diante do milagre de Jesus. O chamado milagre da multiplicação dos pães deixa a multidão em euforia. A explicação do referido milagre deixa muitos dos discípulos em sobressalto. No início, queriam fazer de Jesus rei; agora, querem abandoná-Lo.

Por aqui se vê como este inteiro capítulo é uma preciosa lição de pastoral e de vivência cristã. Ele ajuda-nos a fazer frente a uma espécie de Cristianismo «à la carte», que está muito em voga. Não falta, com efeito, quem aplauda o que lhe agrada e conteste o que o incomoda. Aliás, o próprio Jesus já tinha denunciado que muitos O procuravam não por causa do milagre, mas por causa de lhes ter matado a fome (cf. Jo 6, 26). Ficavam-se pelo significante, sem atender ao significado.

 

  1. É preciso estar alerta e ter cuidado com o desejo de um mero «Cristianismo de satisfação». O objectivo da mensagem de Cristo não é a satisfação, mas a conversão. Ele convida-nos a fazer a vontade de Deus e não a exigir que Deus faça a nossa vontade. Há dois mil anos, muitos aplaudiram Jesus quando Ele lhes deu o pão, mas afastaram-se de Jesus quando Ele lhes explicou o significado daquele pão.

Atenção, pois, ao nosso senso e à nossa lógica. A nossa lógica pode ser muito diferente da lógica de Cristo. De facto, dizer «a Minha Carne é verdadeira comida e o Meu Sangue é verdadeira bebida»(Jo 6, 61) parece não ter lógica. Só que um discípulo é chamado a fazer sua a lógica de Cristo. Quem acompanha Cristo vê que tem lógica que Ele Se apresente como Pão da vida. Todo Ele é oferta, todo Ele é entrega, todo Ele é dádiva.

 

B. Será que queremos um Cristianismo (verdadeiramente) cristão?

 

3. Nós, hoje, somos chamados a reproduzir as palavras e os comportamentos de Cristo. E, por isso, temos de estar preparados para as mesmas reacções que Cristo enfrentou. Temos de estar preparados para o aplauso e para a contestação. Temos de estar preparados para a discussão e para a rejeição. O discípulo não existe para disputar um qualquer «campeonato da popularidade». Não estamos na vida para ver quem é o mais popular. O importante não é a popularidade, mas a fidelidade.

O que Jesus nos mostra é que não nos devemos deslumbrar com o aplauso nem deprimir com a contestação. Se adulteramos a mensagem para evitar a contestação e obter o aplauso, não estamos a ser fiéis. Se o desiderato de Jesus fosse ser aplaudido, é natural que, perante a contestação, recuasse no Seu discurso. Mas não. Pelo contrário, até os Doze mais próximos são postos à vontade: «Também vós quereis ir embora?»(Jo 6, 67).

 

  1. Isto significa que Jesus, que veio para todos, não Se importa de ficar só. O que Ele não troca é a verdade pelos aplausos. Será que, vinte séculos depois, aprendemos a lição? Será que estamos dispostos a pensar pela cabeça de Jesus? Aliás, nós somos membros de um corpo de que Ele é a cabeça (cf. 1Cor 12). E é suposto que seja a cabeça a comandar o resto do corpo; não é o resto do corpo que há-de comandar a cabeça.

Eis a opção que está, permanentemente, à nossa frente. Afinal, queremos um Cristianismo (verdadeiramente) cristão ou contentamo-nos com um Cristianismo diluído nas opiniões da época e dos interesses de cada momento? No fundo, a Liturgia deste 21º Domingo do Tempo Comum fala-nos de opções, da importância das opções. Tal como viver, crer também é optar. Os textos da Eucaristia recordam-nos que a nossa existência pode ser desgastada por valores efémeros e estéreis. E alertam-nos que a mesma existência pode ser investida naqueles valores que nos conduzem à vida definitiva e à realização plena. Cada pessoa tem de fazer, em cada dia, a sua opção. Somos aquilo que escolhemos.

 

C. A Igreja não é cabeça de Cristo, Cristo é que é a cabeça da Igreja

 

5. Na Primeira Leitura, Josué convida as tribos de Israel, reunidas em Siquém, a escolherem entre «servir o Senhor» e servir entidades vistas como deuses. O Povo assume que quer «servir o Senhor». A história da libertação do Egipto mostra como só Deus é capaz de proporcionar ao seu Povo a vida, a liberdade, o bem-estar e a paz. Por sua vez, o Evangelho coloca à nossa frente dois grupos de discípulos, com opções distintas diante da proposta de Jesus. Um grupo está preso pela lógica do mundo e prensado pelos bens materiais, pelo poder e pela ambição. O outro grupo mostra-se disponível para seguir Jesus, sabendo que só Jesus tem palavras de vida eterna (cf. Jo 6, 68).

Na Segunda Leitura, S. Paulo diz que a opção por Cristo tem consequências também na vida em família. Para o seguidor de Jesus, a família tem de ser como que a primeira Igreja, a Igreja doméstica, o lugar onde se manifestam os valores do Evangelho de Jesus. Com a sua união, com a sua comunhão de vida, com o seu amor, a família cristã é chamada a ser sinal — e poderoso reflexo — da união de Cristo com a Sua Igreja. Esta união de Cristo com a Igreja assenta numa base muito clara e muito sólida. É Cristo que conduz a Igreja, não é a Igreja que conduz Cristo. Cristo é a cabeça da Igreja, não é a Igreja que é a cabeça de Cristo.

 

  1. O primeiro grupo de discípulos configura uma Igreja que se arroga na presunção de se sobrepor a Cristo. Hoje, esta presunção mantém-se: pela contestação da verdade, pela distorção da mensagem e pela dissidência. Também hoje são muitos os que se afastam (cf. Jo 6, 66). O problema é que pode acontecer que muitos se afastem mantendo-se dentro. Ou seja, mantêm-se dentro da Igreja, mas afastam-se de Jesus. Fará algum sentido estar na Igreja sem estar com Jesus? É preciso perceber que a Igreja é o corpo de Jesus. Sem Jesus, a Igreja é um corpo decapitado, um corpo sem cabeça.

Cuidado, pois, muito cuidado com esta dissidência interna. Não podemos desfigurar Jesus Cristo. Ser cristão tem de ser apenas — e sempre — para seguir Jesus Cristo, para viver segundo Jesus Cristo. Um Cristianismo sem pão não sobrevive. Uma Igreja sem Eucaristia desfalece. Não se pode ser cristão sem Eucaristia. Não se pode ser cristão sem participar na celebração da Eucaristia e sem se mobilizar para a vivência da Eucaristia.

 

D. Nunca em contramão com Cristo

 

7. Os discípulos que contestam Jesus são a imagem de um Cristianismo que só olha para o imediato. Jesus desafia-os a ver mais longe. O que, agora, parece não ter sentido surgirá, um dia, carregado de sentido. Mas é preciso ir mais além da carne, do imediato. É fundamental olhar a vida — e a fé — de acordo com os critérios do Espírito (cf. Jo 6, 63). É no Espírito que entenderemos que a Carne de Cristo é alimento para a nossa carne. A nossa carne desfalece sem a Carne de Cristo. Só a Carne de Cristo fortalece. Assim sendo, precisamos de uns novos olhos, dos olhos da fé. São eles que nos fazem ver o invisível.

A adesão a Jesus não pode ser superficial, tem de ser total. Tem de envolver a totalidade da pessoa e a totalidade da vida. Ninguém é obrigado a ser cristão. Mas quem decide ser cristão é obrigado a viver segundo Cristo. Isto é elementar, mas, frequentemente, é esquecido. Jesus não força ninguém e não impede ninguém de sair. O que Ele exige é verdade, transparência e coerência.

 

  1. Quem diz que segue Jesus não pode ter uma vida que contrarie Jesus. Um cristão em contramão com Cristo é a maior negação de Cristo. É por isso que Ele nos põe completamente à vontade: «Também vós quereis ir embora?»(Jo 6, 67). O tom parece de provocação, mas é uma questão de verdade. Do que se trata, afinal, é bem simples: quem quiser vir é bem-vindo, mas que venha para ser cristão a sério, a tempo inteiro.

Jesus não trabalha para a estatística. Ele quer chegar a todos, mas não a qualquer preço. E, para Jesus, é melhor o afastamento do que uma adesão equivoca, do que uma adesão a meias. É bom ter igrejas cheias, mas o decisivo é que as igrejas estejam cheias com gente cheia: com gente cheia de Deus, cheia de Evangelho, cheia de inquietação, cheia de vontade para a missão.

 

E. Jesus joga sempre limpo

 

9. Jesus não amortece as exigências. Jesus corre riscos. Ele antes quer perder seguidores do que alterar o caminho. É por isso que Ele não muda uma letra do Seu discurso nem altera um passo do Seu percurso.

Jesus joga limpo. Cada um de nós sabe com o que conta. Há que decidir. As alternativas são apenas duas: sim ou não, aceitação ou rejeição. O que não pode é haver um sim, com mas, talvez ou porém. Temos de ser claros com Jesus como Jesus é claro connosco.

 

  1. Simão despertou: «Para quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna»(Jo 6, 68). Ele percebeu que só Jesus é a vida, a verdade e o amor. Só Jesus é definitivo Só Jesus é felicidade e caminho felicitante.

Só em Jesus nos superamos. Só em Jesus crescemos. Não pode haver hesitações. Sigamos sempre Jesus!

publicado por Theosfera às 07:16

Hoje, 23 de Agosto (21º Domingo do Tempo Comum), é dia de Sta. Rosa de Lima, S. Filipe Benício e S. Bernardo de Offida.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Sábado, 22 de Agosto de 2015

O pai de Jean Monnet dizia-lhe que «nenhuma ideia nova é boa».

É claro que há muitas ideias novas que são boas.

Mas ultimamente tenho notado que muitas das melhores ideias já não são novas.

Afinal, o que é bom nunca envelhece. E mesmo quando envelhece, continua a ser bom.

Uma vez bom, sempre bom!

publicado por Theosfera às 12:26

Alguém votará em alguém por causa de um cartaz?

Ou não será que muitos deixam de votar (também) por causa de tantos cartazes?

publicado por Theosfera às 09:16

Os portugueses estão a morrer cada vez mais fora de casa, nomeadamente na estrada.

E estão a matar cada vez mais dentro de casa, ou então à porta de casa.

Uma realidade aflitiva. Um sinal assustador!

publicado por Theosfera às 09:02

Os portugueses estão a apostar, cada vez mais, nos jogos da sorte.

Só que os jogos da sorte também são jogos de azar.

As pessoas gastam com vontade de ganhar. No entanto, na maior parte dos casos, ficam-se pela certeza de que perdem.

Daí o conselho de Mark Twain: «Há duas ocasiões em que o homem não deve jogar: quando não tem dinheiro e quando tem».

É que quando não tem, não tem a garantia de que ganha. E quando tem, não terá necessidade de gastar.

Às vezes, a sorte aparece. Mas, muitas vezes, é o azar que surge!

publicado por Theosfera às 08:02

Hoje, 22 de Agosto, é dia da Virgem Santa Maria Rainha e S. Sinforiano.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 06:32

Sexta-feira, 21 de Agosto de 2015

O acontecimento «faz» a notícia. Mas não será que a notícia também «faz» o acontecimento?

Não tenho certezas, só coloco uma pergunta.

Mas o aumento exponencial de vítimas de violência doméstica dá (cada vez mais) que pensar. E que penar!

publicado por Theosfera às 16:14

O que será mais importante: a conquista ou o esforço por conquistar?

Vergílio Ferreira confessava: «No que se conquista, há que descontar o que se sofre para conquistar. E o saldo é normalmente negativo».

Tanto se sofre para tão pouco se alcançar! Mas o sofrimento valerá sempre a pena se a causa for nobre e os processos forem lisos.

O problema é que os métodos que alguns usam dão muito que pensar. E muito mais que penar!

publicado por Theosfera às 10:11

Hoje, 22 de Agosto, é dia da Virgem Santa Maria Rainha e S. Sinforiano.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 20 de Agosto de 2015

Bismark achava que nunca se mente tanto como antes das eleições, durante a guerra e depois da caça.

Mas eu diria que é praticamente em todos os momentos da vida que faltamos ao prometido.

É praticamente em todos os momentos da vida que não fazemos o que dizemos ou fazemos o contrário do que dizemos.

Enfim, o prometido até será devido, mas raramente é cumprido.

publicado por Theosfera às 10:49

A miséria não está só na pobreza de bens. A maior miséria encontra-se sobretudo na pobreza de esperança.

Bem avisou, por isso, Emanuel Wertheimer: «A miséria só começa quando empobrecemos de esperança».

Não percamos a esperança. A esperança nunca nos quer perder!

publicado por Theosfera às 10:07

Hoje, 20 de Agosto, é dia de S. Bernardo de Claraval e S. Felisberto.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 19 de Agosto de 2015

Há um tempo em que pensamos sobretudo no que pode acontecer.

Vem, depois, um tempo em que nos recordamos especialmente do que poderia ter acontecido.

Dizem que Mark Twain confidenciava: «Quando eu era mais novo, era capaz de me lembrar de tudo, tivesse acontecido ou não. Agora, ficando cada vez mais velho, só consigo lembrar-me do que não aconteceu».

Andamos, assim, em permanente «contramão» com o tempo.

O importante é tentar, persistir e nunca desistir de fazer acontecer. Sempre. Até ao fim!

publicado por Theosfera às 10:33

O tempo tira, o tempo dá.

É assim o percurso da vida. Ou, melhor, é assim o nosso percurso na vida.

Há um tempo em que temos muita energia e pouca prudência.

Vem, depois, um tempo em que temos mais prudência e menos energia.

Pitigrilli observa: «Nascemos incendiários e acabamos bombeiros».

Muitas vezes, cada um tem de ser bombeiro dos «incêndios» que ateou!

publicado por Theosfera às 10:25

Hoje, 19 de Agosto, é dia de S. João Eudes, Sto. Ezequiel Dias Moreno, S. Luís de Toulouse e S. Bernardo de Tolomai.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 18 de Agosto de 2015

 

  1. Um contacto que não passa da porta é, no mínimo, decepcionante.

É sintoma de que uns não estarão muito motivados para abrir. E é sinal de que outros não se sentem suficientemente acolhidos para poder entrar.

 

  1. Muitas vezes, a missão parece ficar-se pela porta.

É importante bater à porta. Mas é necessário ir mais além da porta, procurando convencer a que deixem abrir mais que a porta.

 

  1. Não é a porta que impede a aproximação.

Mas, só por si, é incapaz de gerar uma verdadeira proximidade.

 

  1. Por conseguinte, não basta ir até à porta. Nem tão-pouco basta sair de porta em porta.

Não basta sair de reunião para reunião, de proposta para proposta, sem qualquer concretização.

 

  1. Frequentemente, arriscamo-nos a ficar «à porta» das pessoas, não conseguindo «entrar» nos seus problemas e anseios.

É o que acontece quando a missão é imprecisa na linguagem e hesitante nas prioridades de acção.

 

  1. A missão não passa da «porta» quando o contacto com os homens não conduz ao encontro com Deus.

A missão não passa da «porta» quando há medo de falar directamente do Evangelho de Jesus. E quando prevalece o receio de agir em nome do Jesus do Evangelho.

 

  1. Precisamos, pois, de uma pastoral que entre a fundo na vida dos homens. E que ajude a entrar a fundo na vida com Deus.

É urgente uma pastoral que nos leve a aquecer a espiritualidade e a despertar para a caridade.

 

  1. Em suma, uma «pastoral da porta» tem de incluir uma «pastoral da mão» e não pode excluir uma «pastoral da mesa».

É imperioso que apareçam «mãos» para abrir «portas» que se mantêm fechadas. E para pôr pão nas mesas que permanecem vazias: o pão da Palavra, o pão da Eucaristia, o pão para as refeições.

 

  1. É pelas nossas mãos que, hoje em dia, Cristo quer continuar a entrar em muitas vidas (cf. Lc 10, 5).

É pelas nossas mãos que Ele quer que o Seu Pão alimente (cf. 1Cor 11, 26). E que muitos pães saciem (cf. Lc 9, 13).

 

  1. Cristo quer precisar das nossas «mãos» para abrir todas as «portas» e para servir a todas as «mesas».

Enfim, Ele conta connosco para «incendiar» todos os corações (cf. Lc 24, 32)!

 

publicado por Theosfera às 10:13

Não são apenas os políticos que, como achava Philiph Chesterfield, «desconhecem o ódio e o amor».

Infelizmente, há muita gente que só se deixa guiar «pelo interesse e não pelo sentimento».

Na maior parte das vezes, guiam-se, sim, pelo ressentimento. E parecem prosperar, crescer, triunfar. Mas quando caem, o estrondo é brutal.

Nada como a simplicidade!

publicado por Theosfera às 09:30

A nossa vida é um permanente balanceamento entre o presente e o futuro, entre a realidade e a esperança.

A realidade tem uma força grande, mas a esperança possui uma força maior.

É claro que não parece, mas a vitória pertence aos que seguem a esperança.

Já dizia o formoso hino «Dies Irae»: «Mors stupebit, et natura, cum resurget creatura» (a morte espantar-se-á — e a natureza — quando ressurgir a criatura).

Habitamos esta esperança e somos conduzidos por esta fé. Até para lá do próprio fim!

publicado por Theosfera às 09:24

Hoje, 18 de Agosto, é dia de Sta. Helena da Cruz, Sto. Agapito e Sto. Alberto Hurtado Cruchaga.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 17 de Agosto de 2015

 

  1. Dizem que recordar é viver.

Mas notamos, sobretudo a partir de certa altura, que viver é (também) recordar.

 

  1. Somos, de facto, os lugares que habitámos, as pessoas que fomos conhecendo e as memórias que conseguimos alojar.

É por isso que, em boa verdade, não há passado. O passado não passa. Está sempre presente.

 

  1. Há uma experiência que os anos vão impondo. Se a escola é um local de conhecimento, o cemitério acaba por ser um poderoso lugar de reconhecimento.

Sempre que voltamos à terra donde saímos, vamos dando conta de que as nossas referências se encontram debaixo da terra.

 

  1. Lá estão os nossos familiares, os nossos vizinhos, os nossos conhecidos. Lá repousam as pessoas que eram idosas quando nós éramos crianças.

Foram elas que povoaram a nossa infância com histórias que, por muito efabuladas que fossem, eram amassadas na realidade.

 

  1. As nossas lágrimas começam a desfilar. Elas ficam lá mesmo quando nós saímos de lá.

A morte vai-nos visitando. Vai-se habituando a nós e nós vamo-nos habituando a ela.

 

  1. Onde outros estão, nós estaremos. Para onde levamos os outros, outros nos hão-de levar a nós.

Há toda uma circularidade entre a morte e a vida. Nós vamos morrendo na morte dos outros. Os mortos vão (sobre)vivendo na nossa vida.

 

  1. Vamos sentindo que o tempo que mais ganhamos foi o tempo que mais perdemos.

Aquele tempo que gastámos com os outros ficou guardado, como se da maior preciosidade se tratasse.

 

  1. Hoje, apesar da crise, ainda temos muito para dar. Mas percebemos que não temos o que mais importaria oferecer: tempo.

Trocamos muitos presentes e esquecemos que o melhor presente é o presente da presença.

 

  1. Fazemos tanta coisa só por fazer: sem pensar e sem sentir. Não ponderamos as causas. Só nos apercebemos de algumas consequências.

Mostramo-nos sem o menor recato e expomo-nos sem qualquer limite. Depois, queixamo-nos de ver a nossa vida devassada: prolixamente comentada e injustamente julgada.

 

  1. Nunca houve tanto tempo para descansar e nunca nos sentimos tão cansados.

O problema é que não é o trabalho que nos gasta. É o nosso estilo de vida que nos vai desgastando. E para este desgaste não há férias que compensem. Só uma nova humanidade nos fará rejuvenescer!

 

 

publicado por Theosfera às 10:47

Com data de 22 de Fevereiro de 2012, a Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos dava conta da transferência da memória litúrgica de Santa Beatriz da Silva do dia 1 de Setembro para o dia 17 de Agosto no Calendário Próprio de Portugal.

Deste modo, a memória litúrgica de Santa Beatriz da Silva passou a celebrar-se no dia 17 de Agosto de cada ano conforme consta na Bula de Canonização da fundadora da Ordem da Imaculada Conceição (Monjas Concepcionistas).

Esta é a data da sua morte.

publicado por Theosfera às 09:12

Hoje, 17 de Agosto, é dia de Sta. Beatriz da Silva, Sta. Clara de Montefalco, Sto. Ângelo Mazzinghi, S. Jacinto, S. Mamede e S. Mamés.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 16 de Agosto de 2015


Obrigado, Senhor, Deus Santo,

fortaleza dos débeis.



Tu és o médico e o medicamento,

a cura e o curador,

o salvador e a salvação,

Tu trazes a melhor terapia,

a terapia da misericórdia e da esperança.



Os mais simples entendem-Te,

os mais humildes procuram-Te,

os mais pobres sentem conforto a Teus pés.





É doloroso o sofrimento,

mas bendita é a Cruz quando a pegamos com amor,

como Tu.



Dá-nos, Senhor,

a força da paz e da determinação em seguir os Teus passos,

em pisar os Teus caminhos.



Que sejamos dignos de Te seguir,

de estar conTigo,

como Maria,

a Tua e nossa querida Mãe,

JESUS!

publicado por Theosfera às 07:52

A. Dar a carne é dar a vida

  1. O Pão de Deus — Pão vivo e Pão da Vida — é muito superior à nossa compreensão, mas não é inacessível à nossa disponibilidade. Neste sentido, o importante não é que compreendamos o seu significado. O importante é que estejamos disponíveis para nos alimentarmos com ele, e para nos deixamos transformar por ele.

Na Sua catequese eucarística, Jesus aparece uma vez mais a usar a fórmula de revelação «Eu sou», antes de concretizar que o «Seu Pão» é a «Sua carne», que Ele dará pela vida do mundo (cf. Jo 6, 51).

 

  1. Recordemos que a palavra «carne» designa a realidade física do homem, na sua estrutural debilidade. A fragilidade é o que mais corresponde à experiência que fazemos e à percepção que temos. Tony Blair reconheceu que «ser humano é ser frágil». Ao assumir que vai oferecer a «Sua carne» por nós, Jesus mostra que partilha da nossa fragilidade. Não paira à distância. Faz Seu o que é nosso.

Contudo, isto não é fácil de entender. Os judeus não entendem as palavras de Jesus (cf. Jo 6, 51). Quando Jesus Se apresenta como «Pão vivo descido do céu para dar a vida ao mundo», eles entenderam que Jesus pretendia ser uma espécie de «mestre de sabedoria» que trazia aos homens notícias de Deus. Só que, agora, Jesus usa o verbo «comer». Jesus convida a «comer» a Sua carne. O que significam as Suas palavras? Terão alguma conotação antropofágica? São, sem dúvida, palavras difíceis de entender sob qualquer ponto de vista.

 

B. A Eucaristia ajuda a compreender o incompreensível

 

3. A única perspectiva que nos faz compreender o que Jesus diz é uma perspectiva eucarística. A Eucaristia é a chave de toda a Teologia e de toda a vida cristã. É sobretudo na Eucaristia que sabemos o que se deve saber e o que importa fazer. Só que os judeus não podem — nem querem — entender.

Mas nem assim Jesus desiste. Jesus reitera a Sua afirmação e vai até mais longe. Ele não só vai dar a «comer» a Sua carne, mas vai também dar a beber o Seu sangue. Quem os aceitar recebe a vida definitiva, a vida eterna (cf. Jo 6, 53-54).

 

  1. Esta referência ao «sangue» coloca-nos no contexto da paixão e da morte. Pelo que dizer que Jesus é «carne» significa que Ele Se tornou pessoa como nós, assumindo a nossa condição de fraqueza, a que não falta sequer a própria morte. Concretizando, dizer que o pão que Ele há-de dar é a Sua «carne para a vida do mundo» significa que Jesus fez da Sua vida um dom, uma oferta, uma dádiva, uma entrega de amor por toda a humanidade. O ponto momento alto da entrega dessa vida é a morte na Cruz.

Aquela morte surge, assim, como a expressão máxima daquela vida. Na Cruz, manifesta-se, através da «carne» de Jesus, isto é, através da Sua realidade física, o Seu amor, o Seu dom, a Sua entrega.

 

C. Que significa «comer» e «beber»?

 

5. Por conseguinte, quem quiser seguir Jesus tem de «comer» e «beber». Ou seja, tem de «aderir», «acolher» e «assimilar» Jesus. O discípulo não tem de ser outro Jesus, porque não há outro Jesus. O cristão tem de procurar ser sempre Jesus.

O que Jesus está a pedir é que os Seus discípulos acolham e assimilem essa vida de amor, de dom, de entrega, que Ele mostrou na Sua pessoa, na Sua vida e na Sua morte. A Sua pessoa, a Sua vida e a Sua morte foram momentos de uma doação total, até à última gota de sangue. Quem se der assim, terá acesso à vida eterna, a uma vida plena, a uma vida feliz. Quem está com Jesus no tempo com Jesus estará por toda a eternidade.

 

  1. A Eucaristia celebra e actualiza esta doação na comunidade cristã e na vida dos crentes. O mesmo Jesus, que se doou até ao fim para lá de todos os limites, continua a oferecer-Se como alimento. Por isso, o discípulo que «come» e «bebe» a Sua «carne» e o Seu «sangue» compromete-se a dar a vida como Ele deu, como Ele sempre dá.

É por isso que as Eucaristias não se somam, mas integram-se. Muito pertinente era o saudoso D. António de Castro Xavier Monteiro quando perguntava aos cristãos: «Quantas vezes comungastes o Corpo de Cristo e quantas vezes vos transformastes no Corpo de Cristo?». Comungar Cristo tem de equivaler a transformarmo-nos em Cristo.

 

D. Transformemo-nos em Cristo

 

7. A Eucaristia tem uma celebração sacramental e há-de ter sempre uma celebração existencial. Quando termina a Missa, tem de começar a Missão. Somos chamados a transformarmo-nos em Cristo neste mundo para ajudarmos a transformar o mundo em Cristo.

Um dos efeitos do «comer a carne» e «beber o sangue» de Jesus é ficar em comunhão íntima com Jesus. O discípulo que adere a Jesus identifica-se com Ele e torna-se um com Ele (cf. Jo 6, 56). Outro efeito de «comer a carne» e «beber o sangue» de Jesus é o compromisso. Quem «come a carne» e «bebe o sangue» de Jesus tem de se comprometer com o projecto de Jesus: dar vida ao mundo, dar a vida pelo mundo. É por este caminho que se chega a essa vida plena e definitiva que Jesus veio propor aos homens. Do «comer a carne» e do «beber o sangue» de Jesus nasce uma nova humanidade, que vence a morte e vive para sempre (cf. Jo 6, 58). A Eucaristia, onde se «come a carne» e «bebe o sangue» é, assim, uma forma singularíssima de tornar presente, na vida dos crentes, a vida e o amor de Jesus.

 

  1. É aqui que se encontra o «senso cristão», que tantas vezes desperdiçamos. Com efeito, o cristão não é chamado a viver segundo o senso comum. S. Paulo alerta-nos para a nossa maneira de proceder e diz para não vivermos como «insensatos»(cf. Ef 5, 15). Ao apelar para sermos pessoas de senso, ele está seguramente a exortar para que vivamos segundo o senso de Cristo.

Não basta, pois, qualquer senso nem sequer o consenso. O importante é crescermos todos no senso de Cristo. É no senso de Cristo que aproveitaremos bem estes dias maus (cf. Ef 5, 16). Os tempos não ajudam muito, mas Cristo ajuda-nos sempre e em tudo. E é sobretudo nos dias maus que temos de ter uma conduta boa. Não tenhamos uma conduta má nos dias maus.

 

E. Embriaguemo-nos, mas não com vinho

 

9. S. Paulo apela: «Não vos embriagueis com vinho, que leva à vida desregrada, mas deixai-vos encher do Espírito»(Ef 5, 18). Não nos embriaguemos com vinho. Embriaguemo-nos, antes, de Espírito, que nos infunde a vida de Deus. Trata-se de uma vida que recebemos no dia do Baptismo e que deve encher os nossos corações.

  1. Paulo faz um convite à oração, ao louvor e à acção de graças ao Senhor. Não tenhamos medo de pedir, mas não nos esqueçamos de agradecer. A oração é importante para tudo: para pedir e também para agradecer. Há tanto para pedir sem dúvida. Mas há muito mais para agradecer. Quando o louvor é feito em comunidade, torna-se partilha e projecto comum na descoberta da vontade de Deus para o homem e para o mundo (cf. Ef 19-20).

 

  1. Quando sabemos agradecer os dons de Deus estamos no caminho da sabedoria, de que nos fala a Primeira Leitura. Ela surge-nos hipostasiada sob a forma de uma dona de casa, que convida para o banquete. Não descura nada: constrói uma «casa» com «sete colunas»(Prov 9, 1), pois o número sete é o número da plenitude, da perfeição. Prepara comida e vinho em abundância e põe a mesa (cf. Prov 9, 2). Depois, envia criadas para que levem a toda a cidade o convite para participar na festa (cf. Prov 9, 3).

Quem são os destinatários do convite feito pela «senhora Sabedoria»? São os «simples», chamados «inexperientes» e «insensatos» (cf. Prov 4-6). Não é preciso, portanto, ser muito dotado para chegar a Deus. É o próprio Deus que nos dota. O importante é estar aberto. E os simples, porque estão vazios de si, costumam mostrar uma abertura maior. Sejamos sempre simples e estejamos sempre atentos. O convite de Jesus não demora a chegar!

publicado por Theosfera às 00:58

Hoje, 16 de Agosto (20º Domingo do Tempo Comum), é dia de Sto. Estêvão da Hungria, S. Roque e Sta. Maria do Sacrário.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:12

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