O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 30 de Junho de 2015

 

  1. O Cristianismo nasceu peregrino e foi crescendo inconformado.

Os primeiros cristãos viam-se não como residentes em qualquer lugar, mas como cidadãos de toda a terra.

 

  1. Não se sentindo distantes dos mais próximos, cedo aprenderam a sentir-se próximos dos mais distantes.

Não foram as dificuldades que travaram o seu sonho de levar Cristo ao mundo e de trazer o mundo a Cristo.

 

  1. Não procuravam apresentar Cristo segundo os critérios do mundo. Procuravam, antes, construir um mundo segundo os critérios de Cristo.

Tentaram, em suma, evangelizar o mundo sem «mundanizar» o Evangelho.

 

  1. Esta ânsia de anunciar o Evangelho ao mundo não impediu, porém, que encontrassem focos de incompreensão no mundo.

Um escrito do século II — «A Carta a Diogneto» — assinala que os cristãos «amam a todos e são perseguidos por todos»; «fazem o bem e são punidos como maus». Enfim, «o mundo odeia os cristãos, que não lhe fazem nenhum mal». É por isso que nem «os que os odeiam sabem dizer a causa do ódio».

 

  1. Nenhum obstáculo, porém, os desviou do seu propósito ou amoleceu o seu discurso.

Propunham-se mudar o mundo em nome do Evangelho e não mudar o Evangelho por causa do mundo.

 

  1. Quando as perseguições terminaram, o inconformismo manteve-se.

O desafio já não era dar a vida num momento, mas dar a vida a cada instante. No fundo, dar a vida é dar-se na vida. E não só no fim da vida.

 

  1. O Cristianismo amava o mundo, não se revia no mundo. Pelo que não lhe bastava a integração no mundo nem a aceitação do mundo.

Foi por isso que não desistiu de corporizar uma verdadeira alternativa ao mundo.

 

  1. Aparentemente, os cristãos estavam a afastar-se do mundo.

Não se tratava, contudo, de uma fuga, mas de uma nova presença.

 

  1. A opção pelo deserto e a proliferação de mosteiros mostram que houve quem percebesse que o Cristianismo transporta consigo o gérmen da insatisfação.

Só que essa insatisfação não está ausente do mundo. Afinal, o deserto e os mosteiros não estão fora do mundo.

 

  1. Eles são a prova de que é possível centrar a vida em Deus e não apenas por alguns dias. Deus é o centro da vida em cada dia.

Daí o encanto. Daí a surpresa. Daí a contínua (pro)vocação!

 

publicado por Theosfera às 10:45

Está visto. Não há solução sem acordo e não adianta haver acordo se não houver solução.

O terreno que os europeus estão a pisar é cada vez mais deslizante.

Formalmente, as decisões até são inatacáveis.

O poder grego vai ouvir o seu povo. É possível que este tenha dificuldade em aceitar as condições do novo empréstimo.

Acontece que se os países credores ouvissem os povos, também teriam dificuldade em obter autorização para conceder empréstimos.

Todos nos recordamos, aquando do nosso resgate, dos ecos que saltitaram em alguns países.

Várias vozes se levantaram opondo-se a uma ajuda financeira. Quando o dinheiro toca, há reservas que disparam. U

ma moeda única sem governo único é coisa complicada. Devíamos começar a união europeia pela política.

Uma moeda única com políticas tão opostas resultará? Que resulte a solidariedade!

publicado por Theosfera às 10:16

O poder é necessário. Mas torna-se perigoso.

Por isso em relação ao poder, antes ser vítima do que cúmplice.

Rabindranath Tagore não acalentava dúvidas: «Agradeço não ser uma das rodas do poder, mas sim uma das criaturas que são esmagadas por elas».

Custa ser esmagado. Mas é muito pior esmagar!

publicado por Theosfera às 09:57

Hoje, 30 de Junho, é dia dos Primeiros Mártires da Igreja de Roma, S. Raimundo Lulo, S. Januário Sarnelli e S. Marçal.

Este último, padroeiro dos bombeiros e invocado contra os incêndios, é apontado como sendo uma das crianças que Jesus afagou ou como podendo ser aquele rapaz que apresentou a Jesus os cinco pães e dos dois peixes para a multiplicação.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 29 de Junho de 2015

Não é difícil concordar com  Somerset Maughan: «O sucesso torna as pessoas modestas, amigáveis e tolerantes; é o fracasso que as faz ásperas e ruins».

Mas convenhamos que é pedir demasiado que o fracasso seja comemorado como se de um êxito se tratasse.

O importante é que o carácter não se altere.

Na alegria ou na tristeza, procuremos ser sempre o que somos. E, desse modo, ninguém fracassará!

publicado por Theosfera às 09:41

Uma em cada seis crianças morre antes dos seis anos.

Em Angola. Nesta nossa aldeia. Neste nosso mundo!

publicado por Theosfera às 09:37

Nesta questão da Grécia, avulta, uma vez mais, um problema: a extrema dificuldade de cada um em colocar-se no lugar do outro.

Curiosamente, foi um filósofo grego (no caso, Aristóteles) que reconheceu que a verdade está na totalidade. E, como é óbvio, nenhuma parte contém a totalidade.

Daí que até os argumentos mais poderosos abriguem as maiores fragilidades. Olhemos para o argumento do dinheiro e para o argumento do poder.

O devedor precisa de obter dinheiro, mas os credores também precisam de reaver o dinheiro. Se houver uma falência, perdem todos.

Quanto ao poder, o governo da Grécia alega que tem compromissos com o povo grego, que o elegeu.

Acontece que esse é também o argumento dos credores. Os governos da zona euro chamados a contribuir também alegam compromissos com o seu eleitorado.

Penso que a única solução está num acordo.

Com um acordo, todos perderão alguma coisa. Mas sem acordo, todos perderão mais. Uns deixarão de ter mais dinheiro e outros arriscam-se a perder o dinheiro já obtido.

«Alea jacta est»!

publicado por Theosfera às 09:31

Hoje, 29 de Junho, é dia de S. Pedro e S. Paulo, S. Cásio, Sta. Emma e S. Siro.

S. Pedro é padroeiro dos serralheiros, dos sapateiros, dos ceifeiros e dos mareantes.

S. Paulo é padroeiro dos cordoeiros e é invocado contra o granizo e as mordeduras das serpentes.

É neste dia que o Papa costuma oferecer o pálio aos arcebispos recentemente nomeados. Tal pálio é confeccionado com pele de cordeiro. Os cordeiros costumam ser oferecidos na festa de Sta. Inês, 21 de Janeiro.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 28 de Junho de 2015

Tu, Senhor, és vida.

Tu, Senhor, és fonte de vida.

Tu, Senhor, és recomeço de vida.

 

Obrigado, Senhor, por nos tocares.

Por te aproximares de nós com tanto afecto,

com tanto amor.

 

Obrigado por Te fazeres um de nós

e por nos devolveres à vida

mesmo depois de todas as nossas quedas.

 

É tão admirável o Teu procedimento

que, mesmo quando nós não damos conta de Ti,

Tu já estás connosco,

Tu já estás em nós.

 

É tão maravilhosa a Tua presença.

É tão intensa a Tua paz.

É tão imenso o Teu amor.

 

Vivemos um tempo de desânimos e desalentos,

de tristezas muitas e angústias mil.

 

Mas Tu, Senhor, não desistes de nós,

mesmo quando algum de nós desiste de Ti.

 

Tu estás sempre a presentear-nos com as Tuas oportunidades.

Tu és vida antes da vida.

Tu és vida depois da vida.

Tu és sempre vida,

vida sem fim.

 

Obrigado, Senhor, por tanto.

Obrigado, Senhor, por tudo.

 

Cura-nos por dentro.

Transforma-nos a partir do fundo.

Dá-nos um novo coração,

um coração como o Teu,

JESUS!

publicado por Theosfera às 10:53

Temos de ser optimistas, mas não podemos deixar de ser realistas.

Temos de procurar transformar o mundo tornando-o naquilo que gostaríamos que ele fosse. Mas não podemos deixar de o encarar tal como ele é.

Às vezes, parece que está tudo trocado. Dorme-se de dia e bebe-se de noite. Sofremos com  a desordem, mas promovemos a falta de ordem. Chamamos bem ao mal e mal ao bem.

Como dizia Eduardo Galeano, parece que «o umbigo está nas costas e a cabeça está nos pés».

Que fazer? Esperar? Sempre. Mas só esperar?

A esperança não pode ser vista como sinónimo de adiamento. Ou seja, não nos podemos limitar a ficar à espera de que o bem aconteça. Temos de fazer tudo o que está ao nosso alcance para que o bem possa acontecer!

publicado por Theosfera às 08:23

A. De Deus não vem a morte

  1. Nada fazemos para nascer e, em princípio, fazemos tudo para não morrer. É por isso que a morte dói, é por isso que a morte mói. Dir-se-ia que a morte começa a doer muito antes de acontecer. No fundo, a morte começa a doer desde sempre. E as perguntas sobre a morte nunca deixam de (nos) moer.

Porquê morrer? Porquê a morte? A explicação biológica, embora irrenunciável, não nos satisfaz. Sabemos, de facto, que os seres vivos têm princípio, meio e fim. Tudo tem um prazo de validade. Até as estrelas morrem. Se até o espaço que nos abriga é finito, como é que nós haveríamos de ser infinitos? Apesar de tudo, a inquietação não pára e as perguntas sucedem-se.

 

  1. Os textos deste Domingo não entram em questões científicas nem pretendem resolver problemas metafísicos. Mas pressupõem que as pessoas se interrogassem e questionassem o próprio Deus. Daí que o Livro da Sabedoria deixe bem claro que «não foi Deus quem fez a morte»(Sab 1, 13). Pelo contrário, olhando para o Evangelho, Deus é a única saída para a morte.

Sem Deus, vivemos para morrer. Em Deus, morremos para viver. Sem Deus, até em vida se morre. Em Deus, até na morte se vive.

 

B. De Deus (só) vem a vida

 

3. A Primeira Leitura garante que Deus dá o ser a todas as coisas e «o que nasce no mundo destina-se ao bem»(Sab 1, 14), não ao mal. Para o autor sagrado, Deus criou «o homem para ser incorruptível», fazendo-o «à imagem do que Ele é em Si mesmo»(Sab 2, 23).

A morte vem de outro lado, de outra proveniência, não de Deus. Não é a morte que agrada a Deus, não é com a morte que se louva a Deus, não é matando (mesmo que se mate em nome de Deus) que se rende homenagem a Deus. É preciso proclamar que Deus é o autor — e doador — da vida. Deus cria a vida e restaura a vida, quando esta está em perigo de se apagar. Dá e restaura a vida quando a vida está perdida, como testemunha o Evangelho deste Domingo.

 

  1. Como resposta à Primeira Leitura, o Salmo 30 exalta Deus, reconhecendo que Ele nos faz reviver quando já descíamos à cova. (cf. Sal 30, 3). Trata-se de um salmo que exprime a experiência de Deus como alguém que quer a vida das pessoas. Em Jesus ressuscitado, esta oração encontra toda a sua verdade. Ou seja, para todos os que acreditam em Cristo, a morte não é o fim. Jesus ressuscitado não nos faz evitar a morte, mas ensina-nos — e ajuda-nos — a vencer a morte.

Neste sentido, salta à vista que todo este 13º Domingo celebra a vida mais forte que a morte, celebra Deus como alguém entranhadamente apaixonado pela vida. Não há dúvida de que a morte é forte, tremendamente forte. Só que a vida é ainda mais forte. Não parece, mas nem tudo é como parece. E, mesmo não parecendo, a vida é muito mais forte que a morte. Convém, no entanto, perceber que a vida mais forte que a morte é a vida com Deus, a vida com Deus em Jesus Cristo.

 

C. Jesus é o Deus que restaura a vida

 

5. Jesus andou pelo mundo a oferecer a vida: devolvendo a vida a quem a perdera e melhorando a vida de quem estava em dificuldade. A ressurreição da filha de Jairo e a cura da mulher com hemorragia são um misto de realidade e sinal. Mostram a preocupação de Jesus pelas pessoas e constituem sinal da presença de Jesus junto das pessoas.

Jesus é a nossa ressurreição, Jesus é o sentido para a nossa vida. Ele é o Médico e o medicamento. Ele é a cura e o Curador. Em suma, Ele é a salvação e o Salvador. Na Sua vida, encontramos a nossa vida. Ele dá a Sua vida para que nós tenhamos sempre vida, para que nós tenhamos melhor vida.

 

  1. Jesus é, pois, sumamente generoso. Como reconhece S. Paulo, Ele, que era rico, fez-Se pobre por nossa causa, para nos enriquecer pela Sua pobreza (cf. 2Cor 8, 9). Não é a riqueza que nos torna ricos. Há certas riquezas que só empobrecem. Pelo contrário, há uma pobreza que enriquece. Trata-se da pobreza que parte de cada um e reparte com os outros. Trata-se da pobreza que não sobrecarrega, mas alivia. Trata-se da pobreza que percebe que aquilo que sobra a alguns faz falta a muitos. Trata-se, portanto, de uma pobreza que nos humaniza porque nos fraterniza: faz de nós mais humanos porque mais irmãos. Paulo faz um apelo à justa distribuição de bens pensando no exemplo de Jesus, que passou a vida a semear o Bem.
  2. D. O caminho é tocar Deus em Jesus
  3. 7. Jesus não foge das pessoas. Jesus anda de margem para margem (cf. Mc 5, 21), sempre sensível às pessoas que estão nas margens, às pessoas que são marginalizadas. Até à beira-mar, Ele é procurado pelas pessoas (cf. Mc 5, 21). Nesta altura do ano, muita gente já se encontra também à beira-mar. Mesmo à beira-mar, é importante procurar Jesus. Férias boas não são «férias de Deus», mas «férias com Deus».

Mesmo à beira-mar, coloquemos nas mãos de Jesus os nossos problemas como fez Jairo e como fez a mulher com hemorragias. Esta mulher tocou em Jesus. Hoje nós podemos tocar em Jesus: na Palavra, no Pão e em cada Irmão.

 

  1. Jesus é Deus que Se deixa tocar. «Sê curada», diz Jesus à mulher (cf. Mc 5, 34). Esta palavra é também um elogio da fé: «Foi a tua fé que te salvou»(Mc 5, 34). A cura, isto é, a mudança de vida, é uma consequência da fé, que é surge assim como fonte de felicidade.

É a fé nos faz recomeçar depois de tudo parecer terminar. É a fé que nos faz levantar depois de cair. O que Jesus diz à filha de Jairo também é dito a cada um de nós: «Levanta-te»(Mc 5, 41). É uma palavra que evoca a ressurreição, o novo surgir da vida, o amor divino que nos coloca de pé. A única condição que Jesus nos põe é a mesma que pôs ao pai desta menina: «Basta que tenhas fé»(Mc 5, 36). A fé é o bastante, mesmo que a nossa fé nunca seja bastante. Basta que tenhamos fé e que confiemos, e que nos entreguemos e que nos levantemos!

 

E. Ninguém fica sem resposta

 

9. Há um pormenor curioso a ligar estas duas beneficiárias dos milagres de Jesus: o número 12. Com efeito, a mulher tinha hemorragias há 12 anos e a menina tinha morrido quando tinha 12 anos, isto é, a idade em que se devia tornar mulher. Para o povo de Israel, o percurso destas duas mulheres era sinal de um fracasso. Uma, ao perder o seu sangue, estava a perder o princípio de vida segundo a mentalidade semítica. A outra perdia a vida, precisamente na idade em que se preparava para a transmitir. De facto, era tradição em Israel casar-se muito cedo. Jesus, ao curar as duas mulheres, permite-lhes assumir a sua vocação de mães.

Por conseguinte, estas duas mulheres representam a Igreja, na sua vocação maternal de dar — e de alimentar — a vida em Cristo. Se repararmos, existem neste texto alusões aos santos mistérios da Igreja: Jairo pede a Jesus para impor as mãos, a fim de salvar a sua filha (cf. Mc 5, 23). Como sabemos, toda a preparação para o Baptismo está sinalizada pela imposição das mãos. Por sua vez, ao levantar a jovem, Jesus toma-a pela mão (cf. Mc 5, 41). Também o diácono fazia sair da água o baptizado, tomando-o pela mão, para que fosse desperto para a vida em Deus. Em seguida, Jesus pede que se dê de comer a esta jovem ressuscitada da morte (cf. Mc 5, 43). Trata-se de uma referência à Eucaristia que se segue ao Baptismo.

 

  1. Em conclusão: deixemo-nos guiar sempre pela fé. Na fé, abramos o coração a Jesus e não tenhamos medo sequer em tocar Jesus. Às vezes, é preciso suplicar como Jairo. Outras vezes, pode ser mais recomendável não dizer nada como a mulher com hemorragias. Em qualquer caso, o importante é confiar naquele que veio para nos levantar, para nos curar, enfim, para salvar a nossa humanidade ferida.

Ninguém fica sem resposta. Jesus está atento à situação concreta das pessoas. Nada Lhe passa despercebido. Cada um de nós tem um lugar reservado no Seu coração!

publicado por Theosfera às 07:12

É importante ter presente que Deus é verdade. E é fundamental não esquecer que Deus também é bondade.

Santo Ireneu assim o disse: «Não há Deus sem bondade»!

publicado por Theosfera às 07:06

Hoje, 28 de Junho (13º Domingo do Tempo Comum), é dia de Sto. Ireneu, S. Leão III e S. Nicolau de Charmetsky e seus companheiros mártires.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 27 de Junho de 2015

Hoje, 27 de Junho, é dia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, S. Ladislau, S. Cirilo de Alexandria e Sta. Luísa Teresa de Montaignac de Chauvance.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 26 de Junho de 2015

A má decisão é um problema. A indecisão é uma multiplicação de problemas.

Para o Padre António Vieira, «a peste do governo é a irresolução. Está parado o que havia de correr, está suspenso o que havia de voar, porque não atamos nem desatamos».

E o pior é que quando se desatam certos nós, aparecem outros mais apertados!

publicado por Theosfera às 09:40

Hoje, 26 de Junho, é dia de S. João e S. Paulo (mártires do século IV), S. Pelágio ou Paio e S. Josemaria Escrivá de Balaguer.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 25 de Junho de 2015

Achava Florbela Espanca que «todas as tragédias têm o seu lado cómico». E acrescentava: «Felizes dos feitios que as vêem só de lado».

O problema é que, mesmo que só se veja o lado cómico, o lado trágico permanece!

publicado por Theosfera às 09:59

Nem só com os lábios se fala.

Como terá dito recentemente José Mourinho, «também se pode fazer muito barulho com o silêncio»!

publicado por Theosfera às 09:55

Hoje, 25 de Junho, é dia de S. Próspero de Aquitânia, S. João de Espanha e S. Guilherme de Vercelli.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 24 de Junho de 2015

Há quem confunda inteligência com astúcia. Há quem use a inteligência para enganar.

Mas esse é um caminho que pode dar mau resultado.

La Rochefoucauld já reparou: «O uso frequente da astúcia é sinal de pouca inteligência e quase sempre quem se serve dela para se cobrir de um lado acaba por se descobrir do outro».

Atenção ao que faz contra os outros.

O atacante acaba por se expor mais que o atacado.

Nada como a lisura e a simplicidade!

publicado por Theosfera às 10:05

Hoje, 24 de Junho, é dia do nascimento de S. João Baptista e de Sta. Raingarda.

Refira-se que S. João Baptista, dada a sua extrema popularidade, é padroeiro dos cuteleiros, espadeiros, alfaiates e peleiros.

É invocado contra os espasmos, as convulsões, as epilepsias e o granizo.

É também considerado protector dos cordoeiros.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:02

Terça-feira, 23 de Junho de 2015

 

  1. É vontade expressa de Jesus que os Seus seguidores estejam no mundo (cf. Mc 16, 15), mas sem pertencer ao mundo (cf. Jo 15, 19).

Neste sentido, o melhor serviço que prestam ao mundo não é repetir o que se ouve, mas propor o que (ainda) não se vê.

 

  1. Não se trata de ser distante do mundo.

Do que se trata é de não querer ser distante do Evangelho que urge levar ao mundo.

 

  1. Percebe-se que Chesterton sonhasse com uma Igreja «que não mudasse com o mundo, mas que mudasse o mundo».

Se não for para ser fermento de mudança, será necessário haver Igreja?

 

  1. É claro que a própria Igreja também tem de ir mudando. Mas o que jamais se pode esquecer é que ela está no mundo para ser agente de mudança.

Os que chegaram mais longe nesse propósito, os santos, foram sempre uns inconformados.

 

  1. Quem mais nos ajuda é quem nos acompanha, não quem mais connosco concorda.

É por isso que «o santo é um medicamento por ser um antídoto». Será que, hoje em dia, temos medo de ser antídotos?

 

  1. O Evangelho não é uma evasão do mundo, mas uma enorme invasão da vida.

O Evangelho é presença quando tudo corre bem. E não é ausência quando tudo parece correr mal.

 

  1. Para estarmos bem, não é indispensável que tudo esteja bem.

Nem sempre é possível encontrar as soluções para os problemas. Mas não é impossível encontrar Deus no meio das dificuldades.

 

  1. A vida real não é um contínuo mar de rosas. Muitas vezes, assemelha-se também a um copioso vale de lágrimas.

Para quê teimar em ignorar o «caminho da Cruz»?

 

  1. Esquecemos que, em Jesus Cristo, Deus não nos oferece uma vida isenta de obstáculos nem imune a dúvidas.

Como notou Tomás Halik, o que Deus nos assegura é que, «nas noites mais profundas, Ele está connosco, de tal modo que teremos força não só para suportar os nossos fardos, mas também para ajudar outros a suportá-los».

 

  1. A expressão da fé e a vivência do Evangelho têm, sem dúvida, muitas formas.

E não é a sobriedade atenta ao sofrimento dos outros que nos rouba a alegria de sermos visitados por Deus.

publicado por Theosfera às 10:22

Mau é não saber ler. Pior é não ler quando se sabe ler.

Mark Twain não tem dúvidas: «O homem que não lê não tem mais mérito que o homem que não sabe ler».

A iliteracia faz tão mal como o analfabetismo!

publicado por Theosfera às 09:28

Que interessa ter bom aspecto se não há qualidade?

Há quem aposte no «embrulho» não cuidando do que está dentro.

Já dizia Joseph Joubert: «Quem tem imaginação, mas não tem cultura possui asas, mas não tem pés».

E sem pés não conseguimos andar: deixamo-nos levar!

publicado por Theosfera às 09:24

Hoje, 23 de Junho, é dia dos Mártires de Nicomédia e de S. Bento Menni.

À tarde, a Missa e as Vésperas são da Solenidade do Nascimento de S. João Baptista.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 22 de Junho de 2015

A comunidade científica considera estarmos numa nova ere geológica: o «antropoceno».

Ele caracteriza-se pelo impacto dos seres humanos sobre a terra.

Acontece que tal impacto não é necessariamente positivo. E até para o próprio homem é negativo.

É importante que a humanidade se acautele de um indesejável «humanicídio». Os sinais não são especialmente alentadores!

publicado por Theosfera às 09:30

Hoje, 22 de Junho, é dia de S. Paulino de Nola, S. João Fisher, S. Tomás Moro e S. José Cafasso. Refira-se que S. Tomás Moro não foi padre nem bispo. Foi um político, um político íntegro. Por causa da sua integridade, foi assassinado pelo rei, a 06 de Julho de 1535.

Um santo e abençoado dia para todos.

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 21 de Junho de 2015

Obrigado, Senhor, pelo Teu amor,

pelo Teu imenso amor.

 

Ninguém ama como Tu.

Amar assim, como Tu,

só ao alcance de Deus,

só ao alcance de Ti, que és Deus.

 

Tu amas dando a vida,

dando o sangue,

dando tanto,

dando tudo.

 

Tu, Senhor, não vens condenar.

Tu, Senhor, só vens salvar.

 

Tu sabes tudo,

Tu és a sabedoria.

 

Só não sabes conjugar o verbo «mandar»,

o verbo «impor», o verbo «oprimir».

 

Tu, Senhor, só sabes conjugar

o verbo «dar»,

o verbo «oferecer»,

o verbo «entregar»,

o verbo «servir»,

o verbo «amar».

 

Obrigado, Senhor, pela Luz.

Tu és a Luz.

Ilumina os nossos passos,

os passos do nosso caminho.

 

Que caminhemos na verdade.

que caminhemos na luz,

na luz que vem de Ti,

na luz que és Tu,

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:15

James Salter, que morreu no dia 19, foi avisando: «A nossa vida está sempre a ir embora».

De facto, a nossa vida não é nossa. Procuremos entregá-la a quem pertence.

Em Deus, nem na morte morreremos!

publicado por Theosfera às 08:34

 A. Uma constante tempestade é a nossa vida

  1. E eis que, no Domingo em que começa o Verão, a Liturgia nos aparece a falar de tempestades. Sabemos que, como ouvimos na Primeira Leitura, Deus é capaz de nos falar até na tempestade (Job 38, 1). Só que, como insinua o Evangelho, nas «tempestades» que enfrentamos na vida parece que Deus, por vezes, adormece.

A nossa vida assemelha-se uma constante tempestade, em que ondas de toda a espécie arremetem contra as «embarcações» em que navegamos (cf. Mc 4, 37). Sentimo-nos inseguros perante tudo e diante de todos. São os problemas do presente e as incertezas do futuro. É a necessidade de ter trabalho e a ansiedade de perder o trabalho. É a violência na rua e a violência em casa. O mal não cessa de crescer e a maldade não desiste de nos ameaçar. Enfim, tudo parece tumultuar à nossa volta e dentro de nós.

 

  1. Como reconhece Bruno Forte, «nunca avaliaremos suficientemente o sofrimento do mundo, pois parece que a história avança através da dor, nos conflitos de interesses, de classes, de raças, de indivíduos e de povos». De uma forma ou de outra, todos somos marcados pelo sofrimento. Sejam as tragédias dos outros ou os dramas nossos, todos estamos envolvidos por esta «cartografia do sofrimento». Doenças, acidentes, catástrofes, assassínios ou injustiças, tudo isto nos acompanha, tudo isto nos desperta — a duras penas — para o mistério da vida.

Quase se poderá dizer: «Sofro, logo existo». De facto, dá a impressão de que não sofremos porque existimos, mas existimos porque sofremos. Só damos conta verdadeiramente de que existimos quando sofremos, isto é, quando o sofrimento nos põe em causa. É no sofrimento que nos sentimos mais vulneráveis e, portanto, mais questionados. Que sentido tem, afinal, a nossa vida?

 

B. Tantas perguntas sem (aparente) resposta

 

3. Ao longo das tempestades da vida, quase todos se voltam para Deus e não poucos vão ao ponto de se voltar contra Deus.

As perguntas podem não vir aos lábios, mas não param de saltitar na alma: «Porque é que Deus não age? Porque é que Deus não nos protege? Porque é que uns rezam pouco e parecem ser logo atendidos e outros rezam tanto e parecem nunca ser escutados? Que mal fiz eu a Deus? Se Deus existe, porque é que tenho de sofrer tanto? Porque é que tudo parece correr bem a quem faz o mal e porque é que tudo parece correr mal a quem faz o bem? Como entender o sofrimento dos justos e dos inocentes? Como perceber que uma criança, que não faz sofrer ninguém, tenha de sofrer tanto? Como compreender que uma criança contraia uma leucemia ou um cancro? Ou como explicar que um velhinho, impossibilitado de andar, tenha de passar tantos anos sozinho numa cama?»

 

  1. Também Job, duramente provado pelo sofrimento, pretendia compreender. Alguns dos amigos de Job procuram responder às suas inquietações, desfiando as explicações habituais: o sofrimento é o resultado do pecado do homem; pelo que, se Job está a sofrer, é porque pecou.

Inconformado, Job recusa uma conclusão tão simplista. Por conseguinte, vai desmontando algumas ideias feitas em Israel. Recusa que Deus Se limite a registar as acções boas e más do homem pagando em conformidade. Deus não pode ser isso. Então, Job dirige-se directamente a Deus. No seu discurso, cruzam-se, entretanto, a animosidade, o queixume, o inconformismo, a dúvida e a revolta com a esperança, a fé e a confiança.

 

C. Quando o desânimo espreita

 

5. Quando, finalmente, Deus enfrenta Job, como que o coloca no «seu lugar». Recorda-lhe a sua condição de criatura, limitada e finita. Mostra-lhe como só Ele conhece as leis que regem o universo e a vida. Demonstra-lhe a Sua preocupação e o Seu amor por cada criatura. Exorta-o a não pôr em causa os desígnios de Deus para o mundo, já que esses desígnios ultrapassam infinitamente a capacidade de compreensão e de entendimento de qualquer criatura.

Deus tem uma lógica que parece «alógica» ou até «ilógica», já que ultrapassa e desmonta infinitamente aquilo que cada homem é capaz de entender. Finalmente, Job percebe o seu lugar, reconhecendo a transcendência de Deus e o carácter insondável dos Seus projectos. Entrega-se nas mãos de Deus com humildade e confiança.

 

  1. Também os discípulos não entendem o comportamento de Jesus. Aquela tempestade que se desencadeou no mar da Galileia como que prenuncia as perseguições que os futuros discípulos iriam enfrentar ao longo dos tempos.

Num caso e noutro, escuta-se o chamamento para o trabalho, mas parece que, depois, prevalece o silêncio na hora da provação. Num caso e noutro, o desânimo é grande e a desconfiança é geral. O desnorte parece contaminar o espírito de todos. Pouco falta para o desespero se apoderar de cada um. Que fazer? Que rumo tomar? Que caminhos seguir?

 

D. É Jesus que não está connosco ou somos nós que não damos conta d’Ele?

 

7. Enquadremos, brevemente, o episódio que o Evangelho nos propõe. O Lago de Tiberíades, designado frequentemente por «Mar da Galileia», é um lago de água doce, alimentado sobretudo pelas águas do rio Jordão, com 12 quilómetros de largura e 21 quilómetros de comprimento. As tempestades que se levantavam neste «mar» podiam aparecer rapidamente e ser especialmente violentas.

Neste contexto, colocar o barco «no mar» significa colocá-lo num ambiente hostil, adverso e perigoso. Acresce que tudo acontece «ao cair da tarde»(Mc 4, 35). Trata-se, portanto, de uma altura em que a luz começa a faltar. É por isso que os riscos são sérios.

 

  1. No barco vai Jesus com os discípulos (cf. Mc 4, 36). O barco é, na catequese cristã, o símbolo da Igreja de Jesus que navega pela história. É Jesus que conduz o barco, mas Ele confia aos discípulos a navegação. É aos discípulos que é confiada a tarefa de, em nome de Jesus, orientar os caminhos da Igreja pelo mar alterado da vida. Note-se que o barco vai «para a outra margem» (Mc 4, 35), ou seja, ao encontro dos outros povos, dos povos de toda a terra.

O «sono» de Jesus durante a viagem refere-se, possivelmente, à sensação que os cristãos têm de que Deus, frequentemente, está em silêncio ao longo da história. Ocupados em orientar o «barco», os cristãos sentem, por vezes, que estão sós, abandonados à sua sorte e que Jesus não está com eles para enfrentar tormentas da viagem. Mas será que é Jesus que não está connosco ou seremos nós que não nos apercebemos da Sua presença? Na verdade, Jesus está connosco no «barco. Como poderia ser de outro modo se Ele prometeu ficar com connosco «todos os dias, até ao fim do mundo»(Mt 28, 20)?

 

E. A «barca» que vacila, mas não cai

 

9. Jesus quer que nos entreguemos como se tudo dependesse de nós e que confiemos como se tudo dependesse d’Ele. E, de facto, tudo depende de Jesus. É nas horas de tempestade que mais precisamos de sentir a Sua presença. Os cristãos antigos diziam que a Igreja é, com efeito, uma barca que vacila, mas não cai. Porquê? Porque o seu «piloto» é Cristo e o seu «mastro» é a Cruz. É por isso que, na Liturgia das Horas, cada um de nós pode rezar: «Se me colhe a tempestade e Jesus vai a dormir na minha barca, nada temo porque a Paz está comigo». Esta paz é, obviamente, o próprio Jesus (cf. Ef 2, 14).

É Jesus que acalma a fúria do mar e do vento, com a sua Palavra imperiosa e eficaz. (Mc 4, 39). A Palavra de Jesus é mais forte que a mais forte das tempestades. No fundo, não é Jesus que adormece; nós é que parecemos sonolentos em relação à Sua presença no meio de nós. Jesus nunca deixa de acompanhar os Seus discípulos: de ontem, de hoje e de sempre.

 

  1. Jesus repreende a falta de fé dos discípulos. É essa falta de fé que os traz assustados (cf. Mc 4, 40). No fundo, ainda não se tinham colocado inteiramente nas mãos de Deus. Falta perceber, hoje como ontem, que o trabalho é nosso, mas a obra é d’Ele, de Jesus.

Não desfaleçamos, pois. Jesus vai sempre connosco. Connosco atravessa as tempestades da vida. E, às vezes, é quando parece mais ausente que Ele está mais presente. Ele está presente para serenar as tempestades. Com Ele, todas as tempestades se acalmam. Não tenhamos medo dos vendavais que possam sobrevir e não recuemos quando os problemas começarem a vir. É no meio dos problemas que o testemunho tem de ser mais insistente e fiel. É bom saber — e importante sentir — que, nas tempestades da vida, há sempre um Cristo que vem, um Cristo que chama, um Cristo que serena os temporais, um Cristo que nos acalma no meio dos temporais!

publicado por Theosfera às 08:04

Às vezes, dou comigo a pensar se o excesso de informalidade não será uma espécie de formalismo ao contrário.

Explico-me. No fundo, um certo formalismo pretende ser diferente daquilo que é vulgar. O informalismo de alguns parece tornar vulgar aquilo que nos habituou a ser diferente.

E como sentimos a falta da diferença no falar, no vestir, no pentear, no agir!

O aprumo nas atitudes contribui para que haja elevação nos gestos, nas decisões!

publicado por Theosfera às 08:03

Hoje em dia, os sentimentos são como aqueles carros sem travão. Andam à solta, sem freio.

O problema é que os sentimentos negativos são cada vez menos freados.

Se repararem, muita gente já não diz «isto é o que eu penso», mas «isto é o que eu sinto».

E nem sempre é bom o que se ouve!

publicado por Theosfera às 07:55

Um objectivo torna agradável até a acção mais dolorosa. A falta de objectivo torna doloroso até o acto mais agradável.

É que, como notou Platão, «os homens não desejam aquilo que fazem, mas os objectivos que os levam a fazer aquilo que fazem».

Somos assim.

publicado por Theosfera às 07:49

Hoje, 21 de Junho (12º Domingo do Tempo Comum), é dia de S. Luís Gonzaga e S. Raul.

Refira-se que o Papa Pio XI declarou, em 1926, S. Luís Gonzaga padroeiro da juventude.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 20 de Junho de 2015

Em 2015 o solstício do Verão acontece a 21 de Junho, às 16h38.

O solstício de Verão acontece, quase sempre, a 21 de Junho, mas pode também ocorrer noutros dias, como a 20 de Junho.

O Verão termina em Setembro, dando lugar ao Outono.

Em 2015, o Verão acaba a 23 de Vetembro, às 08h21.

publicado por Theosfera às 19:47

A pior mentira é sempre a primeira. Porque abre a porta a todas as outras.

Já Aristóteles dizia que «o menor desvio inicial da verdade multiplica-se até ao infinito à medida que avança».

O melhor, neste caso, é não começar!

publicado por Theosfera às 08:16

Os homens da política dizem que há falta de profecia na Igreja. Os homens da Igreja acham que há falta de coragem na política.

Ambos terão razão.

Acresce que aqueles que denunciam falta de profecia não deixam de mostrar alguma falta de coragem. E aqueles que lamentam a falta de coragem vão mostrando alguma falta de profecia.

O problema não está no diagnóstico; está na acção.

Há calculismos e ambições que inibem. E também pode haver bloqueios. Há quem esteja disposto a ser profeta, mas seja impedido.

O problema não está nas palavras, mas nas acções.

Palavras não faltam. Faltam, sim, acções, boas acções!

publicado por Theosfera às 08:02

Hoje, 20 de Junho, é dia de Sta. Sancha, Sta. Mafalda e Sta Teresa (filhas de D. Sancho I), S. Francisco Pacheco e companheiros mártires e Sta. Gema.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 19 de Junho de 2015

A vida é, em grande parte, decidida pelo invisível.

Já Platão notava que o que faz andar o barco não é a vela, que se vê, mas o vento, que não se vê.

Muita, atenção, pois ao invisível!

publicado por Theosfera às 10:09

Hoje, 19 de Junho, é dia de S. Romualdo, S. Gervásio e S. Protásio.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 18 de Junho de 2015

 

  1. Na aurora dos tempos, Deus confiou a terra ao homem (cf. Gén 1, 28).

Nos últimos tempos, porém, o homem tem sido a maior ameaça para a terra.

 

  1. Acontece que cada «vitória» do homem sobre a terra resulta numa (impiedosa) «vitória» da terra sobre o homem.

Como terá dito Fernanda Winter, «Deus perdoa sempre, o homem perdoa às vezes, a natureza não perdoa nunca».

 

  1. Quando a natureza se «revolta», quem a segura?

Nem aquele que agride a natureza consegue escapar às (contínuas) agressões da natureza. Afinal, a espécie humana também está em risco.

 

  1. Neste sentido, a prioridade tem de ser, como lembrou João Paulo II em 1991, a «ecologia humana».

Aliás, o Papa Francisco alerta, na sua mais recente encíclica, que «o ambiente humano e o ambiente natural degradam-se em conjunto». E, como é óbvio, são os mais pobres os que mais suportam as consequências.

 

  1. Eis um estranho modelo de desenvolvimento, em que os últimos a fruir dos seus benefícios são os primeiros a sofrer os seus danos.

Em vez de tratar do lixo, a sociedade consente que ainda haja pessoas tratadas como lixo. A «cultura do descartável» não optimiza recursos e persiste em marginalizar pessoas.

 

  1. Para Francisco, é essencial que a política não se submeta à economia e que a economia não se submeta à tecnocracia.

Visando o bem de todos, é decisivo que «a política e a economia, em diálogo, se coloquem ao serviço da vida».

 

  1. Precisamos de uma urgente «conversão ecológica» que nos disponha a «ouvir tanto o clamor da terra como o grito dos pobres».

Só uma «ecologia integral» favorecerá um crescimento harmonioso.

 

  1. São muitos os desequilíbrios que ainda persistem entre países e entre pessoas dentro de cada país.

Porque o mundo é uma «casa comum», a ecologia tem de sobressair como uma causa global.

 

  1. O egoísmo ecológico tem de dar lugar a uma efectiva solidariedade ecológica.

É altura de compreender que o mundo não é só para nós e não é só para hoje. Os outros merecem um mundo diferente. E o futuro suspira por um mundo melhor.

 

  1. Só que o futuro depende muito do presente.

E o futuro será «negro» se o presente não for (mais) «verde»!

publicado por Theosfera às 15:44

Mais um Dia D.

As últimas palavras parecem ensombrar uma realidade já, de si, bastante sombria.

Acreditemos que, «in extremis», ainda pode ser possível um acordo.

A Grécia compreenderá que fica pior sem a Europa.

E a Europa deverá perceber que não fica melhor sem a Grécia!

publicado por Theosfera às 09:46

1. Não se pense que Deus só está presente na vida daqueles que O confessam. Ele está também — e bastante — no coração dos que O negam.

 

Entre a fé e o ateísmo, há uma simetria na experiência e, ao mesmo tempo, uma assimetria na direcção que ela acaba por tomar.

 

É por isso que Miguel Torga bem pode servir de fonte de inspiração para sintetizar a trajectória (a)teologal de José Saramago: «Deus. O pesadelo dos meus dias. Tive sempre a coragem de O negar, mas nunca a força de O esquecer».

 

Saramago nunca esqueceu Deus. Mesmo (sobretudo?) quando se assumiu como ateu.

 

E o certo é que foi dos escritores que, nos últimos tempos, mais concorreram para a permanência da questão de Deus como questão central na literatura e, mais vastamente, na vida pública.

 

Acerca de Deus, como alertou Xavier Zubiri, o mais difícil não é descobri-Lo; é encobri-Lo.

 

Se quisesse encobrir Deus, o ateu — sublinha Karl Rahner — «não só teria de esperar que essa palavra desaparecesse por completo, mas também deveria contribuir para esse desaparecimento, guardando completo silêncio, abstendo-se inclusive de se declarar ateu».

 

 

2. No fundo, José Saramago não deixava de ser crente. Acreditava que Deus não existe. Poderá alguém garantir mais do que isto?

 

A crença não é um exclusivo da atitude teísta. Ela abrange também (e bastante) a posição ateísta.

 

André Comte-Sponville, que se considera ateu, assegura que o ateu só pode dizer que acredita que Deus não existe.

 

É que, como nota Hans Küng, «se todas as objecções dos ateus tornam questionável a existência de Deus, não chegam, contudo, a tornar inquestionável a Sua não-existência».

 

Xavier Zubiri assinalava que a relação com Deus pode fazer-se pela via da afirmação, pela via da negação e até pela via da indiferença.

 

Nesta diversidade, os pontos de contacto não escasseiam. Miguel de Unamuno percebeu isto muito bem quando rubricou a célebre frase: «Nada nos une tanto como as nossas discordâncias».

 

A indiferença não foi, seguramente, a via seguida por José Saramago.

 

Deus nunca lhe foi indiferente. Pelo contrário, manteve com Ele uma relação intensa, embora tumultuosa.

 

 

3. Para Saramago, o Homem relativamente a Deus é como o murmúrio de uma ausência: «Deus é o silêncio do universo e o ser humano o grito que dá sentido a esse silêncio».

 

Nos Cadernos de Lanzarote, chegou a escrever que «a existência do Homem é o que prova a inexistência de Deus».

 

Mas não há tantos que fazem exactamente a prova do contrário? Não são tantos os que encontram no Homem a maior epifania de Deus?

 

No passado, Gregório de Nissa falava do Homem como «pequeno Deus» e, mais perto de nós, Xavier Zubiri, apontava o ser humano como «maneira finita de ser Deus».

 

Aqui, prova funciona não como evidência, mas como percepção.

 

A discussão jamais estará concluída. Como refere Philippe van den Bosch, «não há qualquer prova racional da inexistência de Deus. Não há senão convicções individuais e pressupostos».

 

 

4. O que há a destacar é a persistência da procura e a insatisfação do encontro que, por sua vez, desencadeia uma nova procura.

 

Nesta inquietação não laboram apenas os que negam. É conhecido o convite de Santo Agostinho: «Procuremos como quem há-de encontrar e encontremos como quem há-de voltar a procurar».

 

O ateu é alguém que não descansa na procura. É inquieto e inquietante. As suas interpelações não anulam a fé. Espevitam-na e ajudam ao seu aprofundamento.

 

Até o ateu mostra que Deus é uma questão humana. Deve ser também uma questão humanizante, fraternizante.

 

Nem sempre é o isso o que se vê. Deus é vítima de tantas imagens desfocadas e de tantos discursos distorcidos.

 

Em qualquer caso, Ele está em todos. Nos que dizem acreditar. E nos que, não dizendo, acabam por não estar longe d’Ele!

publicado por Theosfera às 00:55

Hoje, 18 de Junho, é dia de S. Gregório Barbarigo e Sta. Osana. Refira-se que S. Gregório Barbarigo foi alvo de «canonização equipolente». Ou seja, o povo já o venerava como santo e o Papa acabou por reconhecer esse culto.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 17 de Junho de 2015

Neste momento, só há uma guerra entre estados. Trata-se da guerra entre o Sudão e o Sudão do Sul.

Mas esta quase ausência de guerra entre estados não significa que o mundo se sinta em paz.

Há muitos conflitos entre povos e dentro de muitos povos.

E, depois, existe a actividade terrorista, que põe em permanente sobressalto a humanidade inteira!

publicado por Theosfera às 11:01

Este será o primeiro século em que a Europa chega ao ano 15 sem estar em guerra.

O alerta do historiador (no caso, Rui Tavares) não chega para nos sossegar, mas é importante para nos motivar.

Afinal, nem tudo está tão mal.

O fundamental é que não deixemos que a situação piore. E não admitamos que um certo passado regresse.

A paz é um bem precioso!

publicado por Theosfera às 10:56

A ideia de criar o Dia da Consciência partiu de João Crisóstomo, um português residente em Nova Iorque.

O objectivo é que o nome  e a obra de Aristides Sousa Mendes sejam (re)conhecidos em todo o mundo.

João Crisóstomo tem promovido iniciativas que ajudam a dar a conhecer ao mundo o nome de Sousa Mendes (1885-1954), a sua dignidade e o seu heroísmo.

Colóquios, conferências, publicação de livros, além das celebrações de 17 de Junho, estão entre os principais gestos.

Foi no dia 17 de Junho de 1940 que Aristides Sousa Mendes decidiu seguir a consciência, contra as indicações dos seus superiores, e conceder vistos do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal a todos quantos fugiam às tropas nazis.

Durante cinco dias, o diplomata permitiu que milhares de judeus e outros perseguidos conseguissem abandonar Bordéus e, assim, não serem mortos pelos homens do Terceiro Reich.

publicado por Theosfera às 10:47

Nem sempre fazemos o que gostamos. Nem sempre gostamos do que fazemos.

O importante é estarmos preparados fazer o que gostamos e para não deixar de fazer o que não gostamos.

Desde que o sentido do dever assim o determine, a acção há-de seguir os ditames da consciência.

E quem sabe se aquilo de que não gostamos pode revelar-se, um dia, o mais importante?

Não desperdicemos o sapiente conselho de Henri Bergson: «A vida é um caminho de sombras e luzes. O importante é que se saiba vitalizar as sombras e aproveitar as luzes».

Afinal, as luzes costumam brilhar ao lado das sombras!

publicado por Theosfera às 10:35

Hoje, 17 de Junho, é dia de S. Rainério de Pisa, S. Manuel, S. Jobel e Sto. Ismael (mártires), S. Manuel (arcebispo de Adrianópolis) e Sta. Emília de Vialar.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 16 de Junho de 2015
  1. O nosso mal é quando pretendemos que a fé seja grande: «egoisticamente» grande.

A esta luz, a fé será tanto maior quanto maior for a certeza de que Deus satisfará todos os nossos pedidos.

 

  1. Acontece que a verdade da fé não está centrada na satisfação do homem, mas na vontade de Deus.

Até Roger Garaudy percebeu que «a fé está em nós, mas não é de nós».

 

  1. A fé é, estruturalmente, oblativa.

Crer é disponibilizar-se para uma vida despojada, inteiramente conduzida por Deus.

 

  1. Crente é aquele que, mesmo a contragosto, coloca a vontade de Deus acima de tudo (cf. Mt 6, 10).

É por isso que precisamos de uma «fé pequena». Alguma coisa será grande diante da grandeza de Deus?

 

  1. Aliás, quando os discípulos pediram uma «fé grande», Jesus deu a entender que bom seria se eles tivessem uma «fé pequena»: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda…»(Lc 17, 6).

Como reparou Tomás Halik, não estará Jesus a dizer-nos: «Porque é que Me estais a pedir muita fé? Talvez a vossa fé seja “demasiado grande”. Apenas se ela diminuir, até se tornar pequena como um grão de mostarda, poderá dar fruto».

 

  1. De facto, só quem é pequeno pode crescer.

O problema de uma «fé grande» é julgar que já não precisa de crescer.

 

  1. Ela procura mais libertar as nossas ansiedades do que acolher a presença de Deus.

Daí que costume ser excitada em ambientes onde se grita, chora e bate palmas.

 

  1. Uma fé que parece grande pode ser, na prática, «uma fé de chumbo e inchada», que «oculta a ansiedade da falta de esperança».

Pelo contrário, «a fé que aguenta o fogo da cruz sem bater em retirada» será mais semelhante ao Deus que «é representado por Aquele que foi crucificado».

 

  1. É esta «fé pequena» que nos transporta para lá do desespero, da resignação e da indiferença.

É ela que nos dá a coragem para optar pelo «caminho do altruísmo, da não-violência e do amor generoso».

 

  1. Quem segue Jesus não deve esperar conforto nem aplauso, mas sacrifício e, «por vezes, até o sacrifício supremo».

Não deve o discípulo ser como o seu Mestre (cf. Lc 6, 40)?

 

publicado por Theosfera às 10:43

Por estes dias, muitos estão a ser avaliados. Estão a ser testados os conhecimentos.

Mas o crescimento de uma pessoa não pode ser aferido apenas pelos conhecimentos.

Os conhecimentos são importantes, mas os comportamentos são decisivos.

E se o panorama quanto aos conhecimentos não é animador, a situação no que toca aos comportamentos chega a ser desoladora.

A escola não pode fazer tudo. A família terá de fazer mais.

Estamos todos de acordo quanto ao diagnóstico. Mas ainda não se vê uma alternativa.

Mentes brilhantes são necessárias. Pessoas de bem são fundamentais!

publicado por Theosfera às 10:09

Confidenciava Montaigne que, «na juventude, estudava por ostentação; depois, para me tornar sensato; agora, para me divertir; nunca, por dinheiro».

O estudo é, sem dúvida, um passaporte para tantos mundos.

Ele dá-nos muito quando lhe damos bastante!

publicado por Theosfera às 09:35

Um pouco jocosamente, dizia-se que há três formas de o marido se comportar para com a esposa.

«Se é varão, manda ele e ela não; se é varela ora manda ele, ora manda ela; se é varunca, manda ela e ele nunca».

O problema está em colocar a questão no «mandar». O importante está em alterar o «mandar» pelo «servir».

Quando se quer mandar, o outro é sempre visto como ameaça. Quando se pretende servir, o outro é olhado como dom, como bênção!

publicado por Theosfera às 09:31

Hoje, 16 de Junho, é dia de S. Ciro, Sta. Judite e Sta. Lutgarda.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 15 de Junho de 2015

O alerta vem de um sábio: «A tragédia da educação moderna é que nos deixou perigosamente ignorantes de quem somos, onde estamos, de onde viemos e para onde vamos. Estamos perdidos e alegremente ignorantes de que caminhamos para o abismo. Este é o preço que estamos condenados a pagar pela nossa fé cega em nada em particular».

Chestertom parece infectado de pessimismo. Mas não terá incontáveis doses de razão?

publicado por Theosfera às 10:33

 

Há quem triunfe com os outros. Mas não falta quem pretenda triunfar contra os outros.

Esta, infelizmente, é a via mais fácil.

Rabindranath Tagore já tinha notado: «Não é tarefa fácil dirigir os homens; pelo contrário, empurrá-los é muito simples».

Há quem só saiba empurrar. Até quando?

 

publicado por Theosfera às 09:16

Hoje, 15 de Junho, é dia de S. Vito, S. Modesto, Sta. Crescência e Sta. Germana Cousin.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 14 de Junho de 2015

A. Deus aprecia o que é pequeno e não deprecia o que parece lento

  1. Deus responde sempre às nossas necessidades, ainda que nem sempre satisfaça os nossos desejos. Deus, que tudo sabe, sabe perfeitamente que aquilo que desejamos nem sempre corresponde àquilo de que necessitamos e aquilo de que necessitamos nem sempre corresponde àquilo que desejamos.

Por hábito, gostamos do que é grande e do que é rápido. Regra geral, desprezamos o que é pequeno e exasperamo-nos diante do que é lento. Só que, coisa estranha, nem reparamos que andamos cada vez mais depressa e chegamos cada vez mais atrasados. Causa? Queremos fazer tudo, queremos fazer tudo ao mesmo tempo. Enfim, falta-nos um pouco de pausa, um pouco de lentidão. Falta-nos perceber que talvez chegássemos mais depressa se não andássemos tão apressados. E tão penosamente «stressados».

 

  1. Uma vez mais, Deus mostra, para nosso espanto, o quanto se revê no que é pequeno e no que (nos) parece lento. Nas Suas contínuas instruções, Deus passa o tempo a engrandecer o que é pequeno e a valorizar o que se nos afigura lento. Aliás, a própria vida encarrega-se de demonstrar que há tanta pequenez no que aparenta ser grande e tanta grandeza no que aparenta ser pequeno. Não foi certamente por acaso que Emmanuel Levinas proclamou que «mais alta que a grandeza é a humildade».

Do mesmo modo, aquilo que aparenta caminhar lentamente é, quase sempre, mais seguro do que tantos passos rápidos, mas sem noção do caminho que se segue. O mais importante raramente se compadece com pressas. O mais apressado nem sempre caminha melhor e pode não chegar primeiro. Até pode nem chegar. Deus não nos aconselha obviamente a optar pela indecisão, mas quer alertar-nos para o valor da paciência. Muito pertinente foi, por isso, Bento XVI, que brilhantemente percebeu que «o mundo é redimido pela paciência de Deus e pode ser destruído pela impaciência do homem». Breve já é a vida. Se a abreviamos, ainda mais, pela nossa impaciência, corremos o risco de lhe perder o rasto e de não lhe aspirar o sabor. A impaciência leva-nos a uma espiral de ansiedade diante daquilo que nos falta, não chegando a saborear a riqueza de cada dom que nos vai sendo oferecido.

 

B. É na terra que (também) está Deus

 

3. O Evangelho deste Domingo diz-nos, com recurso a parábolas, que o Reino de Deus é pequeno, lento, surpreendente e fecundo. É pequeno nos seus começos. É lento no seu crescimento. É surpreendente aos nossos olhos, germinando sem sabermos como (cf. Mc 4, 27). E é fecundo nos seus frutos.

Importa, desde logo, notar como Jesus acentua a proximidade: «O Reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra»(Mc 4, 26). Ou seja, devemos olhar ao mesmo tempo para o alto (cf. Col 3, 1) e para o baixo: aquele que está nas alturas encontra-se também metido nas profundezas. Jesus trouxe o Céu para a Terra, a Eternidade para o Tempo.

 

  1. Não foi por acaso que Arnold Toynbee olhava para o mundo como «uma província do Reino de Deus». Não é saindo do mundo que encontramos Deus. Encontramos Deus, trabalhando no mundo. O encontro com o mundo conduzir-nos-á ao encontro com Deus no mundo.

Razão tinha, pois, Edward Schillebeeckx quando escreveu que «fora do mundo, não há salvação». A história da salvação, como percebeu Karl Rahner, acontece na história do mundo. Deus não está só no Céu, à nossa espera. Deus vem também à terra, ao nosso encontro. Em Jesus Cristo, Deus como que «aterra» no mundo e como que Se «enterra» na vida de cada pessoa que há no mundo.

 

C. Sejamos os «microfones» de Deus

 

5. Será, entretanto, que estamos atentos aos sinais da vinda de Deus? Precisamos de atenção para ver Deus no que é pequeno e precisamos de paciência para acompanhar o crescimento do Seu Reino, que é lento.

Nestas duas parábolas, Jesus compara o Reino de Deus à semente e ao grão de mostarda. Neste caso, diz mesmo que é a mais pequena de todas as sementes (cf. Mc 4, 31). A semente da mostarda tem um diâmetro aproximado de 1,6 milímetros. Jesus tem o cuidado de ressalvar que, depois de lançada à terra, a semente «começa a crescer»(Mc 4, 32). Isto é, dá a entender que não se trata de um crescimento repentino ou apressado. É um crescimento pausado e, por isso, consolidado. Daí que se torne a «maior de todas as plantas da horta»(Mc 4, 32). A árvore que resulta desta pequena semente chegava a ter uma altura de 2 a 4 metros.

 

  1. Por conseguinte, não tenhamos medo dos pequenos começos nem dos pequenos sinais. Tudo o que é grande começou por ser pequeno. E, em Jesus Cristo, Deus faz questão de Se identificar preferencialmente com os mais pequenos (cf. Mt 25, 40).

Também não desanimemos diante do crescimento aparentemente lento. Aliás, não é a nós que cabe definir o ritmo do crescimento nem o tempo da colheita. A nós cabe cuidar da semente, sabendo que ela cresce sem sabermos como (cf. Mc 4, 27). Deus gosta de surpreender e, como observou S. Paulo, é Deus quem faz crescer (cf. 1Cor 3, 6). Ele quer agir através de nós, mas a iniciativa é sempre Sua. Estejamos, portanto, disponíveis e nunca deixemos de estar confiantes. O Reino de Deus vai crescer, o Reino de Deus está a crescer. Às vezes, é quando parece mais escondido que ele está mais manifesto. Como dizia D. Óscar Romero, é bom que nos disponhamos a ser os «microfones de Deus». Porque a Sua voz nunca deixará de se fazer ouvir.

 

D. Deus quer «precisar» de nós

 

7. A terra está grávida de céu. O tempo arde com saudades da eternidade. Será que nos vamos recusar a ser morada de Deus? Ele, o Senhor que tudo pode, quer actuar humanamente. Ele quer chegar ao homem fazendo-Se homem em cada homem. Como Jesus é a transparência do Pai — «quem Me vê, vê o Pai»(Jo 14, 6) —, cada um de nós é chamado a ser a transparência de Jesus.

Essa transparência é ontológica e há-de procurar ser testemunhal. Ou seja, nós, que pelo Baptismo já somos habitação de Deus, estamos chamados a ser o eco da Sua presença através do nosso testemunho: concretamente, através das nossas palavras, dos nossos gestos e sobretudo do nosso amor.

 

  1. Não tenhamos medo das dificuldades. As dificuldades podem ser fortes, mas não são mais fortes que a força de Deus. Tal como a semente enfrenta muitos obstáculos no seu crescimento, também o Reino de Deus depara com muitas adversidades. Mas Deus está presente e (poderosamente) actuante.

Não entremos em euforia com os êxitos, mas também não desfaleçamos perante os problemas. Os problemas existem, mas não existem para nos vencerem. Os problemas existem para serem vencidos com a ajuda de Deus. O Evangelho deste Domingo garante-nos que Deus tem para nós um projecto de vida e salvação. Pode parecer que a nossa história caminha entregue ao acaso ou às flutuações dos acontecimentos. Só que o acaso é aquilo de que não sabemos as causas. Mas, mesmo naquilo que não sabemos, sempre podemos saber que Deus está e caminha connosco.

 

E. Todos os motivos para ter cuidado, nenhuma razão para ter medo

 

9. Num tempo marcado por tantas sombras e perturbações, é reconfortante saber que não estamos abandonados. Há todos os motivos para ter cuidado, mas não há nenhuma razão para ter medo. Jesus propõe um caminho novo: lança na vida a semente de transformação dos nossos corações e das nossas vontades. A semente não é lançada no vazio: ela cresce por acção de Deus. Cabe-nos acolher tal semente e deixar que Deus intervenha.

Confiemos, por isso, na força da Palavra anunciada. E habituemo-nos a respeitar a forma de resposta de cada um. A resposta não será igual em todos: uns serão mais prontos, outros serão mais lentos. Não desistamos da missão nem desistamos das pessoas. Insistamos sempre com a proposta e confiemos no surgimento, cedo ou tarde, de uma resposta. Há que respeitar a consciência e o ritmo de caminhada de cada pessoa, como Deus sempre faz.

 

  1. E nunca nos esqueçamos de dar valor ao que é pequeno. Há um grande significado em cada significante e um surpreendente significado no que nos parece insignificante. Não fiquemos prisioneiros do número. Tenhamos presente que o Cristianismo começou com pouco mais de 12 pessoas. Esses poucos conseguiram muito porque deram tudo: deram tudo por Cristo, deram tudo pelo Evangelho de Cristo.

Neste momento, somos muito mais de doze. Mesmo que nos sintamos pequenos diante do tamanho da missão, basta que nos entreguemos a Deus, basta que nos deixemos guiar por Deus. Façamos o que Ele fez. Façamos como Ele faz. Ele fará muito. Através de nós e connosco!

publicado por Theosfera às 08:30

Não adianta esconder. Para nosso pesar, a sociedade está a tornar-se cada vez mais violenta.

Os episódios multiplicam-se e amplificam-se. Os focos de violência aumentam e, fruto da cobertura mediática, têm uma repercussão cada vez maior.

A questão já não é, pois, «como entender o fenómeno?» A questão deve ser: «como superar esta situação?»

Há um factor que não devíamos negligenciar nesta discussão. Estamos num tempo em que se exalta a emoção.

Sucede que a emoção sem controlo torna-se imprevisível. Ficamos expostos não apenas às emoções positivas.

Não entendemos que a educação é um processo de discernimento e controlo de emoções.

Nem tudo pode ser dito, nem tudo deve ser feito.

Ficar ao nível dos impulsos não augura nada de bom!

publicado por Theosfera às 08:22

O ensino é sempre uma dádiva, uma bela dádiva.

Albert Einstein dizia que «o ensino deve ser de modo a fazer sentir aos alunos que aquilo que se lhes ensina é uma dádiva preciosa e não uma amarga obrigação».

Mas não ponhamos toda a pressão do lado de quem ensina. Responsabilizemos também quem aprende.

Tem de haver uma conjugação, um encontro.

Quem sabe ensinar ajuda a aprender mais.

Quem sabe aprender ajuda a ensinar melhor!

publicado por Theosfera às 07:51

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