O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sábado, 28 de Fevereiro de 2015

A. Uma preparação para a Paixão

  1. Eis um episódio belo, denso e intenso. Eis um episódio marcante na vida de Jesus e na vida dos discípulos de Jesus. É um episódio tão marcante que o Novo Testamento nos apresenta, dele, quatro versões. Além desta — de S. Marcos (Mc 9, 2-10) —, temos as versões de S. Mateus (Mt 17, 1-9), de S. Lucas (cf. Lc 9, 28-36) e de S. Pedro (2Ped 1, 16-18). Não espanta, por isso, que a Igreja evoque este acontecimento duas vezes em cada ano: no Segundo Domingo da Quaresma e no dia 6 de Agosto. A festa da Transfiguração do Senhor é celebrada no Oriente desde o século V e no Ocidente desde 1457.

Situada entre os dois anúncios da Paixão e da Morte de Jesus (cf. Mc 8, 31-33; 9, 30-32), a Transfiguração prepara os Apóstolos para a vivência dessa mesma Paixão e Morte. Assim, quando virem Jesus na Sua condição de Servo, estarão mais bem preparados para não esquecerem a Sua condição divina.

 

  1. Também hoje, Jesus quer preparar-nos para a vivência do Seu mistério pascal. No fundo, Jesus torna bem claro que o Seu projecto não passa por triunfos humanos, mas pela oferta da vida na Cruz. Jesus sobe para o alto, mas não para o alto do poder. Ele sobe para o alto da Cruz, descendo até à morte. Jesus sobe descendo. Também nós só subiremos até Jesus descendo com Jesus.

É possível que, depois de terem ouvido falar do caminho da Cruz, os discípulos sentissem algum desânimo e frustração. À primeira vista, tudo parece encaminhar-se para um rotundo fracasso. E, no seu pensar, não era só o projecto de Jesus que fracassava. Fracassavam também os sonhos de glórias, de honras e de triunfos dos Seus seguidores. É muito provável que se perguntassem: valeria a pena seguir um mestre que nada mais tem para oferecer do que a morte na Cruz? É neste contexto que S. Marcos insere o episódio da Transfiguração. Trata-se de uma forma de animar os discípulos — e os crentes, em geral —, pois, na Transfiguração, manifesta-se a glória de Jesus e atesta-se que Ele é, apesar da morte que se aproxima, o Filho muito amado de Deus (cf. Mc 9, 7).

 

B. Jesus transfigura-Se e transfigura-nos

 

3. Os discípulos recebem a garantia de que o projecto de Jesus é o projecto do próprio Deus. Não obstante as suas dúvidas, são obsequiados com um suplemento de esperança para continuarem a acreditar no programa de Jesus que se chama Evangelho. Jesus transfigura-Se para nos transfigurar. A Sua figura transforma-se para que toda a nossa vida se transforme. Há todo um envolvimento de Jesus com os discípulos e dos discípulos com Jesus. Esse envolvimento não prescreve. Esse envolvimento permanece para sempre. Também para nós é bom estar com Jesus. Estar com Jesus transfigura a nossa vida e transforma a nossa história. Agora, já não contam os nossos planos; a partir de agora, só devem contar os planos de Jesus.

Temos diante de nós uma teofania, ou seja, uma manifestação de Deus. O autor do relato tem a preocupação de nos fornecer todos os ingredientes que acompanham as manifestações de Deus: o monte, a voz do céu, as aparições, as vestes brilhantes, a nuvem e até o medo daqueles que presenciam o encontro com o divino.

 

  1. A iniciativa é sempre de Jesus. Tal como tomou conSigo Pedro, Tiago e João, também hoje nos toma, a nós, com Ele. É Ele que nos atrai, é Ele que nos convida, é Ele que nos faz subir até ao monte alto da Transfiguração. Na Transfiguração, tudo é diferente com Jesus e tudo será diferente em nós se nos dispusermos a transfigurar-nos em Jesus. A brancura das vestes de Jesus não era terrena (cf. Mc 9,3). Nós, na terra, somos convidados a transfigurar-nos em seres não apenas terrenos. Jesus não quer o endeusamento, mas oferece-nos a divinização. É n’Ele que participamos da vida divina (cf. 2Pe 1, 4).

A aparição de Elias juntamente com Moisés (cf. Mc 9, 4) é como uma espécie de sufrágio do Antigo Testamento em relação a Jesus. Ele é o esperado e anunciado. Ele é o Messias anunciado pela Lei (figurada em Moisés) e pelos Profetas (representados por Elias). Ele é o novo Moisés, aquele que vai guiar o povo para a verdadeira libertação, já não pelas águas do Mar Vermelho, mas pelas águas do Baptismo. E Ele é o definitivo profeta, que transfigura o nosso ser e nos encaminha para a Verdade e para a Vida (cf. Jo 14, 6). Desta acção libertadora e profética de Jesus irá nascer um novo homem e um novo povo. É com este homem e com este povo que, em Jesus, Deus vai fazer uma nova Aliança. É com este homem e com este povo que, em Jesus, Deus vai percorrer os caminhos da nossa história.

 

C. A nuvem que dificulta a visão, mas não impede a escuta

 

5. A reacção de Pedro é compreensível. Ele sente que é bom estar ali, com Jesus transfigurado (cf. Mc 9, 5). Por isso, quer fazer três tendas (cf. Mc 9, 5). Acontece que Pedro não sabia — nem podia saber — o que estava a dizer (cf. Mc 9, 6). Ele queria já permanecer com Jesus glorioso. Só que, antes, é fundamental acompanhar Jesus crucificado. Sabemos que tal não foi fácil para Pedro. Será que é fácil para algum de nós?

Antes de armar a tenda junto de Jesus glorioso, é preciso levar Jesus junto de tantos que não têm tendas: nem tendas para viver, nem tendas para comer, nem tendas para dormir, nem tendas para trabalhar. Este ainda não é o tempo de descansar com Jesus. Este é o tempo para, incansavelmente, anunciar Jesus. O caminho de Jesus há-de ser o nosso caminho com Jesus e para Jesus.

 

  1. Os nossos equívocos, tais como os equívocos de Pedro, são unicamente vencidos quando se ouve a voz do Pai. Só em Deus conseguimos superar os nossos limites, sobretudo os limites que podem advir da nossa presunção. Nunca sabemos tão pouco como quando presumimos que já sabemos tudo. A presunção constitui uma derrapagem para o abismo da mais perigosa ignorância.

Não é por acaso que a voz de Deus se faz ouvir através de uma nuvem. A nuvem é o que não deixa ver ou não deixa ver bem. A nuvem é, por isso, o que nos faz sentir que não sabemos tudo e que nem sequer sabemos o bastante. Mas se a nuvem nos impede de ver, não nos impede de escutar. É da nuvem que o Pai fala (cf. Mc 9, 7). É na nuvem que devemos escutar o Pai que fala. Enfim, não devemos andar nas nuvens, mas devemos escutar o se diz na nuvem.

 

D. Mais atentos ao que (ainda) não sabemos

 

7. Seria oportuno que, concretamente nesta Quaresma, prestássemos mais atenção ao que ainda não sabemos sobre Deus. E que, em consequência, estivéssemos mais atentos à voz que nos chega a partir de tantas nuvens.

Na Sagrada Escritura, Deus surge, muitas vezes, através das nuvens. É natural que, ao olhar para uma nuvem, só reparemos na obscuridade, no cinzento ou em tons ainda mais carregados. Era bom que nos habituássemos a estar atentos também à sua leveza e à sua subtileza. A grande luz é a que nos vem de além das nuvens, não a que se enxerga imediatamente para cá das nuvens.

 

  1. É preciso ter em conta que, segundo a Bíblia, «nuvens e trevas» envolvem a presença de Deus (cf. Sal 97, 2). Assim sendo, o principal sobre Deus pode estar no que (ainda) não sabemos. Muitas vezes, o que dizemos acerca de Deus diz mais sobre nós do que sobre Deus.

Como bem frisou Karl Rahner, nem a palavra Deus é adequada para dizer Deus. A própria palavra Deus é uma criação humana. Por conseguinte, quando falamos sobre Deus, falamos habitualmente do que os seres humanos têm dito sobre Deus. Alguém pode garantir que tal dizer sobre Deus corresponde cabalmente ao ser de Deus? Sto. Agostinho não alimentava ilusões: «Por mais altos que sejam os voos do pensamento sobre Deus, Ele está sempre mais além».

 

E. Só Deus deixa ver Deus

 

9. Deus é luz (cf. Sal 27, 1), mas, como avisa S. Paulo, parece habitar numa luz inacessível, numa luz que ninguém vê (cf. 1Tim 6, 16). A morada de Deus parece ser a nuvem (cf. Sal 97, 2), que é um manto de obscuridade que se interpõe entre nós e a luz. Mesmo assim, Deus não deixa de vir ao nosso encontro. Deus vem até nós através da nuvem (cf. Êx 19, 9), falando connosco por entre nuvens (cf. Êx 24, 6; Mt 17, 5).

Tudo isto significa que só vemos Deus quando O vemos com os olhos de Deus. Só na Sua luz encontramos a luz (cf. Sal 36, 5). É por isso que Deus envia o Seu Filho. Ele é a luz de Deus para cada homem (cf. Jo 1, 9) e para todo o mundo (cf. Jo 8, 12). Como confessamos no Símbolo, Jesus é a «luz da luz». É a luz que vem da luz para acender, em nós, mais luz. É a luz que vence a nebulosidade das próprias nuvens. É a luz que nos deixa ver a Luz.

 

  1. Com Abraão, que cada um de nós diga: «Aqui estou»(Gén 22, 1). Que cada um de nós esteja atento quando Deus nos visita, ainda que nos visite através de alguma das muitas nuvens que se atravessam nos nossos caminhos. Que cada um de nós esteja atento quando Deus nos fala. E que cada um de nós não esmoreça — nem desfaleça — diante dos obstáculos.

Como recorda S. Paulo, «se temos Deus por nós, quem poderá estar contra nós?»(Rom 8, 31). Deus ofereceu-nos o melhor que tinha, o melhor que tem: o Seu próprio Filho, que Ele entregou para dar a vida por nós (cf. Rom 8, 32). Se Deus dá o melhor por nós, como é que nós não havemos de dar o melhor a Deus?

 

publicado por Theosfera às 20:55

Há quem ache, como Inês Pedrosa, que, «quando alguém diz: "Eu defendo a liberdade, mas", a liberdade morre».

Não sei se morre. Esse «mas» pode ser um despertador para que cada um não se limite a defender a sua liberdade.

É por isso que não penso que o «mas» seja neccessariamente um «muro». Pode ser uma «ponte» para interligar a liberdade de todos.

É certo que o «mas» é adversativo. Acontece que pode abrir as portas ao «e» copulativo.

Se cada um ponderar que é livre «e» os outros também são, tudo será diferente. E, seguramente, melhor!

publicado por Theosfera às 13:13

Que podemos fazer diante de tanta gente que é morta neste mundo?

Pouco, dir-se-á.

Mas, ao menos, não deixemos de fazer esse pouco.

Que, ao menos, não fiquemos indiferentes.

E, como crentes, não deixemos de oferecer uma prece: uma prece para que se apresse a paz!

publicado por Theosfera às 12:11

Hoje, 28 de Fevereiro, é dia de S. Torcato, S. Romão, S, Lupiccino, Bem-Aventurado Daniel Brottier e Bem-Aventrurado Augusto Chapdelaine.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:16

Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2015

Em finais do século VI, S. Gregório Magno enviou um livro que escrevera a S. Leandro, bispo de Sevilha.

A dedicatória era uma espécie de confissão.

Nela, reconhecia que praticava tão mal o que parecia conhecer tão bem. Talvez aconteça mais connosco do que com S. Gregório.

Mas com os santos aprende-se sempre!

publicado por Theosfera às 13:03

Todos transportamos uma dádiva. E todos contraímos uma dívida.

Há quem diga que a moral assenta na dívida. E alguém pode negar que todos nós estamos em dívida para com Deus e para com os outros?

Mas o mais aliciante é saber (e sentir) que, à medida que saldamos a nossa dívida, vamos, também nós, conseguindo ser dádiva.

O que devemos aos outros também se torna dom para os outros!

publicado por Theosfera às 10:41

Kafka não foi «kafkiano» só para os outros. Também terá sido suficientemente «kafkiano» para si mesmo.

Não é fácil perceber o que ele escreveu. Mas os seus diários mostram que nem ele terá conseguido entender o que ele mesmo era.

«Quem sou eu, afinal?» As palavras que gravitam em torno desta pergunta adensam ainda mais o mistério.

É possível que, para Kafka, a linguagem fosse mais um biombo do que um espelho.

Talvez fosse uma forma de se resguardar. Ou de se revelar, resguardado!

publicado por Theosfera às 10:33

Não sei se é verdade, mas dizem que só usamos dez por cento do nosso cérebro.

É pouco para tanta coisa boa que dele poderia vir.

Mas, se calhar, é muito tendo em conta tanta coisa má que dele nos costuma chegar.

É por isso que, em relação a este dado, nem sei se me entristeça, se me alegre ou se me (in)tranquilize!

publicado por Theosfera às 10:19

Nem todas as palavras são garantia de verdade.

Há quem diga o que sabe e confesse o que sente.

Mas também não falta quem não diga o que sabe e confesse o que não sente.

Aliás, Fernando Pessoa, armadilhado com alguma ironia, recomendava: «Confessa, sim; mas confessa o que não sentes». Dá menos problemas e até pode dar vantagens.

Mas são estas vitórias à custa da verdade (e nas costas da autenticidade) que putrefazem a vida.

Se não podemos dizer o que sabemos ou confessar o que sentimos, não digamos nada.

O silêncio é como uma página em branco. Pode que ser que uns consigam lá pôr o que outros nem sempre conseguem lá colocar.

A subtileza é capaz de muitos prodígios!

publicado por Theosfera às 10:08

No futebol, há 22 jogadores em campo.

Dizem, porém, que, ontem à noite, houve uma partida disputada por apenas doze intervenientes: onze jogadores de um lado e um jogador do outro, o guarda-redes.

Uns tentaram vencer. Mas bastou um para os impedir de ganhar.

O futebol é, muitas vezes, uma metáfora da vida.

Há muita gente a procurar a vitória. Mas frequentemente basta um para impedir o triunfo.

É o futebol. É a vida!

publicado por Theosfera às 09:49

Hoje, 27 de Fevereiro, é dia de S. Gabriel das Dores, S. Leandro, Sta. Maria Deluil-Martigny e Sta. Francisca Ana das Dores de Maria.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:45

Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2015

Quando alguém morre, morremos todos.

Aliás, ninguém faz experiência da sua morte. Só faz experiência da morte dos outros.

Quando a (nossa) morte vem, nós já não estamos. Vamos estando, sim, na morte dos outros, de todos os outros.

Como dizia John Donne, «ninguém é uma ilha; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; a morte de qualquer homem diminui-me porque faço parte do género humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti».

publicado por Theosfera às 19:45

Rezar é dizer. Orar é (sobretudo) escutar antes de dizer.
Há espaço para os dois momentos no encontro com Deus.
Antes de falar com Deus, urge deixar que Deus nos fale.
Daí o apelo, ínsito no Sermão da Montanha, para que entremos no quarto, no santuário interior.
Aí, podemos estar de qualquer maneira. Até podemos fechar os olhos. Não nos preocupemos com palavras. Elas virão.
Antes de sermos nós a rezar a Deus, é (digamos assim) Deus que «reza» em nós.
Deixemos que a Sua palavra ecoe em nós.
Não olhemos para o relógio. Não contemos o tempo.
Na oração, Deus é a paz para a nossa inquietação.
Desfrutemos de Deus. Do Seu amor. Da Sua bondade. Da Sua paz.
Deus mora em nós. Maravilhoso!

publicado por Theosfera às 10:33

Há quem viva para o eterno à custa do temporal e há quem viva para o temporal à custa do eterno.

Faz bem, por isso, recuperar esta recomendação do grande Emmanuel Mounier: «Porque os que olham para o eterno perderam o sentido do temporal, não percamos nós no temporal reencontrado o sentido do eterno».

publicado por Theosfera às 10:26

Não é o ateísmo dos que se assumem como ateus que mais me preocupa.

O que mais me preocupa é o ateísmo de muitos que se dizem crentes.

O problema está mesmo aí: no facto de apenas se dizerem crentes.

Deus verberou sempre tal comportamento: Pela boca do profeta, denuncia: «Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim» (Is 29, 13; Mt 15, 8).

É neste sentido que até Deus pode ser considerado «ateu». Porque Ele acaba por ser a maior negação de tantas concepções de Deus que por aí se tecem e apregoam.

Enfim, deixemos que Deus seja o que é. E não nos apeguemos àquilo que imaginamos que Ele seja…

publicado por Theosfera às 10:22

Portugal está doente, é verdade.

E não me reporto à míngua de dinheiro e à precariedade do trabalho.

A principal doença nem sequer é de natureza económica.

Falta dinheiro, mas, acima de tudo, falta confiança, falta verdade. Há demasiado ruído em volta da suspeita.

Parece que somos todos investigadores e polícias uns dos outros.

Não falamos de ideias (muito menos de ideais), nem de causas, nem de valores. Falamos de lugares e de pessoas.

O clima cívico não está bom. Urge melhorar.

publicado por Theosfera às 10:10

Quem perde muito é, obviamente, um perdedor.

Quem, depois de perder, perde a esperança pode tornar-se um perdido.

Aliás, já García Lorca notava que «o mais terrível dos sentimentos é o de ter a esperança perdida».

Nunca deixe perder a esperança.

Procure-a. E deixe-se procurar por ela!

publicado por Theosfera às 10:04

Faz hoje 18 anos que partiu para o Pai o meu Confessor, Conselheiro e querido Amigo senhor Cón. Acácio Vieira Branco.

Era um dos maiores especímenes de uma estirpe de sacerdotes com uma forte espiritualidade e que irradiava uma grande bondade.

Muitas saudades. Enorme gratidão.

publicado por Theosfera às 00:40

Hoje, 26 de Fevereiro, é dia de S. Porfírio de Gaza, S. Nestor e S. Vítor de Arcis.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2015

Há cerca de dois mil anos, houve Alguém que veio ao mundo «para dar testemunho da Verdade»(Jo 18, 37). E por causa da verdade foi morto.

É pena que continue a ser assim. É pena que muitos continuem a ser incompreendidos por causa da verdade.

Mas não é a verdade que está em contencioso com a amizade. São algumas «amizades» que estão em permanente contencioso com a verdade.

Só que, nesse caso, a verdade faz o papel de seleccionador. Talvez em certos «amigos» não houvesse amizade.

Já Aristóteles confessava que era amigo de Platão (e tinha motivos para o ser), mas era ainda mais amigo da verdade. E não consta que Platão tivesse ficado melindrado.

A verdade, cedo ou tarde, desvela o que está velado, descobre o que está encoberto.

É por isso que, em grego, verdade se diz «alethéia», ou seja, aquilo que tira o véu.

Também no campo da amizade, a verdade opera a inevitável triagem. A verdade distingue os amigos daqueles que pensávamos que o fossem.

Daí que a verdade seja dolorosa. Mas acaba por ser reconfortante.

A verdade conduz-nos até à realidade e resgata-nos dos acenos das ilusões.

publicado por Theosfera às 11:44

A liberdade pode ser usada para o mal? Infelizmente, pode.

E, em nome dessa mesma liberdade, não é possível fazer nada para evitar o mal? Mais do que possível, é necessário e urgente.

O presidente francês apercebeu-se do que muitos se têm apercebido: há quem use a net para difundir o ódio.

O problema é que, se os utilizadores difundem o ódio, os operadores parecem fazer pouco para o impedir.

Não se poderá ser mais diligente no combate ao ódio? Não sei como se faz. Mas sei que é preciso fazer e «quam primum».

Se a liberdade não for usada para o bem, não falta quem continue a usá-la para o mal.

Actuemos enquanto é tempo.

publicado por Theosfera às 10:31

Estranhos seres somos nós.

Uma morte aflige-nos, muitas mortes anestesiam-nos.

Uma morte desperta a nossa atenção, milhares de mortos ameaçam provocar a nossa indiferença.

Quando começou a guerra na Síria, parecíamos horrorizados. Agora que essa guerra já vai em 200 mil mortos, dá a impressão de que já estamos habituados. Até quando?

publicado por Theosfera às 10:16

Quando a ousadia vence o calculismo, a surpresa é constante.

De facto e como alertava Charles Dickens, «o homem nunca sabe do que é capaz até que o tenta».

Tentar fazer já é um grande passo, independentemente do que venha a conseguir.

Nunca desista de tentar!

publicado por Theosfera às 10:06

Hoje, 25 de Fevereiro, é dia de Sto. Avertano, S. Romeu, S. Sebastião de Aparício, Bem-Aventurado Luís Versiglia e Bem-Aventurado Calisto Caravário.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:11

Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2015
  1. As pessoas vão menos à Confissão, o que não quer dizer que se «confessem» menos.

Acontece que a confissão, para muitos, deixou de se fazer na igreja. Passou a fazer-se mais com os amigos. Ou, então, na televisão, no blogue, no «facebook» ou no «twitter».

 

  1. Esta «confissão» tanto pode ser confidência como puro exibicionismo. E o «confessor» tanto pode ser uma única pessoa como um grupo ou até uma multidão.

A assiduidade é incomparavelmente maior. As pessoas não se «confessam» de tempos a tempos, mas quase a todo o instante.

 

  1. A «matéria» da «confissão» já não é o pecado; é o que, indistintamente, preenche a vida.

Para não poucos, «confessar-se» é expor-se em público.

 

  1. Não há qualquer esboço de autocrítica. Tudo o que cada um «confessa» sobre si tende a ser apresentado como irrepreensível.

Não há, por isso, lugar para «arrependimentos» ou «propósitos de emenda». O tom destas «confissões» é, geralmente, de autopromoção.

 

  1. O negativo fica por conta dos outros. É que alguns não se «confessam» só a si; «confessam» também os outros.

E, aí, já transbordam as fraquezas, profusamente debitadas sob o manto da intriga, da insinuação e até da calúnia. Tudo isto sem o menor decoro ou quaisquer pedidos de perdão.

 

  1. Enquanto na igreja o pecador sai transfigurado, aqui o infractor é, eterna e impiedosamente, denunciado.

Por muito arrependido que esteja, o que cometeu um desvio é sempre visto como um corrupto, o que mentiu uma vez é sempre tido por mentiroso, etc.

 

  1. Eis, em suma, como procede uma sociedade que até se diz tolerante.

Trata-se, contudo, de uma sociedade que não perdoa o menor deslize, mostrando-se — para todo o sempre — implacável com quem fraqueja.

 

  1. Como é diferente — e muito mais bela — a pedagogia do Sacramento da Reconciliação.

A pessoa é acolhida na sua verdade, respeitada na sua intimidade e apoiada na sua disponibilidade para mudar.

 

  1. Na Confissão, entra-se um e sai-se outro.

Não é um branqueamento; é uma verdadeira transformação.

 

  1. Há quem diga que se confessa imediatamente a Deus. Sucede que, como vincou Karl Rahner, Deus quis optar por uma «imediatez mediada».

O Seu perdão é oferecido por intermédio de Cristo. E Cristo, hoje, está presente na Igreja, que é o Seu Corpo (cf. 1Cor 12).

publicado por Theosfera às 10:45

O descontentamento é um chão cujos frutos transbordam veneno.

Um é a ditadura, o outro é a demagogia.

Quando o descontentamento alastra, as pessoas aceitam tudo. Aceitam quem lhes agrade. E até aceitam quem as oprima.

O pretexto de que é assim que se resolvem os problemas encobre muita coisa.

Cuidado, muito cuidado!

publicado por Theosfera às 09:54

Antes que Fevereiro acabe, uma pequena poção de humor com a «chancela» de um santo.

O Santo Cura d'Ars notou que uma pessoa fazia questão de manter conversas intermináveis.

Um dia, o Santo perguntou-lhe:  «Minha filha, qual o mês do ano em que falas menos?».

«Não sei», respondeu-lhe.

«Deve ser Fevereiro»!

publicado por Theosfera às 09:38

Hoje, 24 de Fevereiro, é dia de S. Sérgio, S. Lázaro Pintor e Sta. Josefa Naval Girbés.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2015

A vida dos povos deve andar em linha com a vida das pessoas. Aliás, os povos são feitos de pessoas.

A vida das pessoas (e dos povos) é tecida de compromissos e entretecida de cedências.

O compromisso nem sempre é agradável. As cedências quase nunca deixam boas recordações.

Mas conviver tem estas implicações.

É por isso que a liberdade implica ordem. E a ordem implica liberdade.

Sem ordem, a liberdade de um pode voltar-se contra os outros. Sem liberdade, a ordem pode sufocar a todos.

Viver é (sempre) aprender!

publicado por Theosfera às 09:50

O oposto do ódio é, obviamente, o amor. Mas a alternativa ao ódio pode não ser apenas (ou logo) o amor.

É muito difícil dizer a uma vítima do ódio que deve amar aquele que o odeia.

Há quem, pura e simplesmente, não compreenda nem aceite. Mas, na linha de Thomas Hallick, pode haver uma alternativa, um caminho intermédio.

A alternativa ao ódio pode passar pela paciência. É importante ter paciência.

A paciência é fundamental até que o ódio passe. E ainda mais necessária no caso de o ódio não passar.

Afinal, que se ganha em odiar quem odeia?

publicado por Theosfera às 09:42

O melhor presente é sempre o presente da presença.

Há quem saiba estar presente mesmo quando se encontra ausente.

E há quem mostre estar ausente mesmo quando se encontra presente.

Já La Fontaine tinha reconhecido que «a ausência é a causa de todos os males».

E a ausência dos que estão perto acaba por ser a que dói (e mói) mais!

publicado por Theosfera às 09:35

Hoje, 23 de Fevereiro, é dia de S. Policarpo de Esmirna e Sta. Rafaela Ibarra.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 22 de Fevereiro de 2015

Eis-nos chegados, uma vez mais,

ao tempo da conversão,

ao tempo da mudança,

ao tempo da transformação.



Quaresma é tempo de penitência,

mas não é tempo de tristeza.



É oportunidade de sermos diferentes,

de nos abrirmos a Deus

e de pensarmos mais nos outros.



É convite a vencermos o egoísmo

e a partilharmos o que somos e o que temos

com os que mais sofrem.



É sermos o sorriso de Deus na penumbra triste do mundo.

É sermos o ombro onde repousam as mágoas de tantos corações.

É sermos o rosto onde desagua o pranto de tantas vidas.



A Quaresma não nos rouba a alegria

e até nos pode acrescentar felicidade.



Vamos fazer jejum e abstinência da comida e da bebida,

mas também das palavras agressivas e dos sentimos violentos.



Vamo-nos abster da superficialidade e do egoísmo,

dos juízos apressados e dos julgamentos implacáveis.



Vamos acompanhar Jesus pelo deserto e pelas ruas de Jerusalém.

Ele acompanha-nos em cada instante da nossa vida.



Vamos acolher o dom.

Vamos ser dom.

Vamos ser a ressonância do grande dom, do único dom:

JESUS!

publicado por Theosfera às 21:23

A. Nem sempre a facilidade facilita

  1. O tempo de Deus chegou. E não chegou só agora. O tempo de Deus chegou há muito tempo. O tempo de Deus veio para ficar no tempo. A Quaresma, preparando-nos para a celebração anual da Páscoa, já acontece depois da Páscoa, já acontece em tempo de Páscoa. Vivemos a Quaresma porque estamos em Páscoa desde há dois mil anos. É, portanto, num clima pascal que iniciamos a Quaresma. E que pode haver de mais pascal do que o apelo à conversão que atravessa já este Primeiro Domingo? A conversão «pascaliza-nos», permitindo-nos mudar na vida e ajudando-nos a mudar de vida.

A esta luz, entende-se que, nos primeiros séculos, a celebração da Páscoa não precisasse de um período de preparação, além de um jejum realizado nos dois dias anteriores. Naquela altura, os cristãos viviam tão entranhadamente a vida cristã — a que nem faltava o martírio —, que não havia necessidade de um tempo especial para responder ao apelo à conversão. A adversidade aguçava a qualidade. Muitos cristãos eram perseguidos, mas, em vez de vacilar, ainda fortaleciam mais o seu compromisso com o Evangelho. Nem a iminência da morte amortecia a eminência da fé. Curiosamente, já nessa época a alegria pascal prolongava-se or 50 dias, até ao Pentecostes.

 

  1. Como sabemos, foi após a Paz de Constantino, no século IV, que as perseguições terminaram e que parece ter afrouxado o empenho na vivência do Evangelho. Neste caso, pode dizer-se que a facilidade não facilitou. Então, a Igreja achou por bem introduzir um tempo para ajudar os cristãos a promoverem uma vida de maior coerência com o Baptismo.

É por isso que a Quaresma é um tempo bastante propício para a celebração do Sacramento da Reconciliação. O objectivo, como se compreende, é para que nos voltemos a conciliar com a vida recebida no Baptismo. Neste sacramento, recebemos uma vida nova: deixámos de ser Adão e passámos a ser Cristo. O problema é que, como notamos por experiência própria, nem sempre vivemos em sintonia com a graça do Baptismo. No balanceamento que pauta a nossa existência, por vezes recuamos e trocamos Cristo por Adão. Daí que necessitemos de recuperar o que vamos perdendo.

 

B. O que o Baptismo oferece e o pecado obscurece

 

3. Se o pecado é grande, a graça que vence o pecado é muito maior. Se o assédio do pecado é contínuo, a presença da graça é ainda mais constante. Não existe, portanto, uma simetria entre graça e pecado. Como bem notou S. Paulo, «onde abundou o pecado, superabundou a graça»(Rom 5, 20). Afinal, o bem é mais abundante que o mal. O mérito é de Jesus Cristo que, segundo palavras de S. Pedro, «morreu pelos nossos pecados» para «nos conduzir a Deus» (1Ped 3, 18).

A Confissão é, para usar uma expressão da Liturgia, uma «segunda tábua de salvação depois do Baptismo». Com muita propriedade, os escritores cristãos antigos chamavam-lhe «Baptismo laborioso». De facto, a Confissão é como que uma extensão do Baptismo. Ela devolve a graça que o Baptismo nos oferece e que o nosso pecado obscurece. Profundo deve ser, pois, o nosso amor pela Confissão. Não há que ter medo da Confissão. Ter medo da confissão seria ter medo da vida e medo de nós. Ter medo da Confissão seria ter medo de nos conhecermos. Ter medo da Confissão seria ter medo de mudar, medo de nos convertermos.

 

  1. Quem diz que não peca está a admitir que não se conhece. Se até «o justo cai sete vezes ao dia»(Prov 24, 16), quem somos nós para garantir que não caímos? Acontece que a santidade não consiste necessariamente em não cair. A santidade consiste sobretudo em levantarmo-nos depois de cair. É Jesus quem, na Confissão, nos estende a mão como estendeu a Pedro quando este ia afogar-se (cf. Mt 14, 31). É Jesus quem, na Confissão, nos toca e nos levanta como tocou e levantou a sogra de Pedro (cf. Mc 1, 31).

Ele está em condições únicas para nos curar do pecado, pois até Ele foi tentado (cf. Mc 1, 13). Só em Jesus conseguiremos não cair na tentação. Só em Jesus seremos capazes de nos levantar quando cairmos na tentação.

 

C. A Confissão é uma cura, não uma tortura

 

5. Os santos cultivaram sempre um enraizado amor pela Confissão. Como eles, reconheçamos — na humildade e na verdade — que nem tudo está bem na nossa vida. E como eles, acreditemos — igualmente com humildade e com verdade — que tudo pode ser melhor na nossa história.

A Confissão ajuda-nos a perceber que toda a Quaresma é um tempo saudavelmente penitencial, o que não quer dizer que tenha de ser um tempo triste. A penitência não é uma tortura, é uma cura. É por tal motivo que, enquanto tempo penitencial, a Quaresma é habitada por uma persistente alegria: pela alegria de quem se sente livre, curado, amado e salvo.

 

  1. É com a alegria da generosidade que devemos celebrar a Penitência e cultivar gestos de penitência. Aliás, para nós, a penitência ainda pode ser uma opção. Para muitos outros, porém, a penitência é uma imposição. Há tantos que são privados de tanto, de quase tudo. E nós sempre podemos partilhar algumas coisas com quem não tem praticamente coisa nenhuma.

Na sua Mensagem para a Quaresma de 2015, o Papa Francisco alertou-nos para o perigo «da globalização da indiferença». Esta, a indiferença, é o oitavo pecado mortal e seguramente não menos grave que os outros sete.

 

D. Se cada um mudar, o mundo mudará

 

7. Como exorta o Santo Padre, cada um de nós «tem necessidade de renovação, para não cair na indiferença nem se fechar em si mesmo». De facto, quem se fecha a Deus, fecha-se também aos outros e quem se fecha aos outros, fecha-se também a Deus. O amor a Deus e o amor ao próximo foram intimamente vinculados por Cristo de tal forma que, como proclama S. João, quem ama a Deus também deve amar o seu irmão (cf. 1Jo 4, 21). Com os nossos gestos de partilha, compreenderemos melhor que Deus não Se conforma com a situação actual do nosso mundo. Deus não aposta na manutenção, mas na transformação.

Há, pois, uma imensa sabedoria na proposta quaresmal. A mudança no mundo tem de começar pela transformação de cada pessoa que há no mundo. Se nós não mudarmos, como poderemos esperar que o mundo mude? Razão tinha Gandhi quando aconselhava: «Sê tu mesmo a mudança que queres para o mundo».

 

  1. Os dois maiores eixos do tempo quaresmal são a espiritualidade e a solidariedade. Não é possível seguir Jesus sem O acompanhar no Seu silêncio no deserto (cf. Mc 1, 12). Desde logo, porque só na medida em que O acompanharmos no silêncio, estaremos em condições de acolher a Sua palavra. Sabemos que não é fácil criar silêncio no barulhento mundo de hoje. Vivemos cercados por toneladas de ruído: de ruído sonoro e de ruído visual. Mas se o silêncio não nos procura, temos de ser nós a procurar algum silêncio. Fazer silêncio é muito mais do que estar calado. É criar uma predisposição para a escuta do outro, para o acolhimento da sua presença.

A reflexão ajudar-nos-á a intensificar a nossa relação com Deus. E a solidariedade ajudar-nos-á a fortalecer a nossa relação com o próximo. Aqui se compendia, aliás, todo o ensinamento de Jesus. Ele fala-nos de Deus como Pai e, nessa medida, apresenta-nos cada ser humano como Irmão. É por tudo isto que a Quaresma é um precioso auxílio para escovar a poeira do egoísmo que nos infecta.

 

E. Até onde pode — e deve — ir o jejum

 

9. Juntamente com a partilha, a oração e o jejum compõem o grande tripé do itinerário quaresmal. O jejum, ao despojar-nos da satisfação do nosso apetite, despoja-nos de nós e habilita-nos para uma vida centrada em Deus e no próximo. Não fazemos nós jejum por razões egoístas? Porque é que não havemos de fazer também por razões altruístas? Se nos privamos de alimentos para manter a linha, porque é que não nos privamos de alimento para nos mantermos em linha com Jesus?

Não nos esqueçamos de que, enquanto cristãos, somos discípulos d’Aquele que jejuou durante muito tempo (cf. Mt 4, 2). O nosso jejum ajuda-nos a ver melhor a situação de quem está quase sempre em jejum, passando fome. Tenhamos presente que nos famintos é Jesus que passa fome (cf. Mt 25, 35). Tudo o que fizermos a eles será feito a Ele (cf. Mt 25, 40).

 

  1. Nesta Quaresma, despojemo-nos da carne e do peixe caro, levando um pouco de pão a quem nada tem para comer. Mas façamos também, de vez em quando, jejum do automóvel desanuviando o ambiente. Façamos igualmente jejum do cigarro, contribuindo para a nossa saúde e para a saúde dos nossos semelhantes? Façamos jejum de certas imagens e de algumas palavras. Façamos total jejum das intrigas, das insinuações e das calúnias. Façamos total jejum dos juízos precipitados, das acções agressivas e dos sentimentos violentos. Deixemos que a bondade brilhe, que a paz reluza, que a justiça floresça e que o amor vença.

O tempo de Deus chegou. O tempo de Deus chegou. Convertamo-nos à Boa Nova!

 

publicado por Theosfera às 20:16

Quem está de pé não devia esquecer que também pode cair.

E a mão que gostaria de ter em seu auxílio não deve ser negada a quem precisa de apoio.

Só que, como dizia Mateo Alemán, «quem não tem necessidades próprias dificilmente se lembra das alheias».

É pena que assim seja!

publicado por Theosfera às 08:00

Hoje, 22 de Fevereiro (Primeiro Domingo da Quaresma), é dia da Cadeira de S. Pedro e Bem-Aventurada Isabel de França.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 21 de Fevereiro de 2015

Há segredos que o tempo revela: o segredo de bem fazer, por exemplo.

Já Pitágoras percebeu que, «com ordem e tempo, descobre-se o segredo de tudo fazer e fazer bem»!

publicado por Theosfera às 13:05

O tempo só anda para a frente. Mas há vidas que teimam em «puxá-lo» para trás.

É importante recordar o passado e aprender com o passado.

Mas para quê teimar em voltar para o passado? Além do mais, é impossível.

Sepultemos a violência no passado. Não lhe demos guarida no presente.

Transportemos para o presente o melhor que o passado teve. E tanta coisa boa teve o passado!

publicado por Theosfera às 12:08

Deus tem desígnios que nós não entendemos. Importante é, por isso, aceitá-los, sabendo de antemão que o resultado é favorável.

S. Pedro Damião, que se comemora neste dia, assevera que Deus «abate para elevar, fere para curar, humilha para exaltar».

 Esperemos, pois, «a alegria que vem depois da tristeza». Onde há tristeza, haverá alegria.

publicado por Theosfera às 07:00

Hoje, 21 de Fevereiro, é dia de S. Pedro Damião (invocado contra as insónias e dores de cabeça), S. Natal Pinot e Sta. Maria Henriqueta Dominici.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2015

A Igreja deve ser atraente ou transparente?

Eis o que pensava (e dizia) o Papa Bento XVI: «Uma Igreja que procura sobretudo ser atraente já estaria num caminho errado, porque a Igreja não trabalha para si, não trabalha para aumentar os próprios números e, assim, o próprio poder. A Igreja está a serviço de um Outro: não serve a si mesma, para ser um corpo forte, mas serve para tornar acessível o anúncio de Jesus Cristo, as grandes verdades e as grandes forças de amor, de reconciliação, que apareceram nesta figura e que provêm sempre da presença de Jesus Cristo. Neste sentido a Igreja não procura tornar-se atraente, mas deve ser transparente para Jesus Cristo e, na medida em que não é para si mesma, como corpo forte, poderosa no mundo, que pretende ter poder, mas faz-se simplesmente voz de um Outro, torna-se realmente transparência para a grande figura de Cristo e para as grandes verdades que ele trouxe à humanidade».

No fundo, a Igreja será atraente se for transparente. Se procurar ser coerente!

publicado por Theosfera às 19:18

A discórdia pode não ser o fim.

Da discórdia pode (re)nascer a concórdia.

Heráclito, que percebeu como os extremos se tocam, notava que «da discórdia surge a mais bela harmonia».

Muitos séculos mais tarde, Miguel de Unamuno compreendeu que «nada nos une tanto como as nossas discordâncias».

Às vezes, duas visões discordes acabam por, no fundo, ser bem concordes.

O problema é que poucos são os que querem ir ao fundo.

Na nossa profundidade, procuramos todos o mesmo. Ou não?

publicado por Theosfera às 09:46

Hoje, 20 de Fevereiro, é dia dos Bem-Aventurados Francisco e Jacinta Marto, Sto. Euquério, Sto. Eleutério, Sta. Amada e Nossa Senhora, Rainha da China.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos.

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2015

Achava Fernando Pessoa, talvez para nosso espanto, que «a grosseria só começa quando começa a delicadeza».

O que propendemos a pensar é que a grosseria começa quando a termina a delicadeza.

Mas é possível que exista outro sentido. Toda a acção gera, inevitavelmente, uma reacção.

Assim, a delicadeza reinante nos tempos de Pessoa poderia provocar alguns assomos de grosseria.

Seria bom que a grosseria dominante nestes tempos desencadeasse um forte movimento pela delicadeza.

Tanta grosseria já cansa!

publicado por Theosfera às 10:18

A liberdade e a cultura abastecem-se.

Bento de Jesus Caraça não tinha dúvidas: «Sem cultura, não pode haver liberdade e, sem liberdade, não pode haver cultura».

Não falta quem lastime o baixo nível cultural deste nosso tempo. Não por falta de liberdade. Mas, possivelmente, por falta de uso. Ou, quem sabe, por mau uso!

publicado por Theosfera às 10:10

As ilusões nunca saciam. Só a esperança alimenta.

Jean Commerson põe-nos de sobreaviso: «Alimentar-se de ilusões é pôr o espírito a dieta»!

publicado por Theosfera às 10:00

  1. Na aldeia global, em que o nosso mundo se transformou, estamos expostos a tudo. O que se passa lá fora acabará por chegar cá dentro.

O populismo já nos visita. Os extremismos também começam a acenar. Com a pouca apetência pelo pensamento complexo e ante a dureza das condições de vida, receio que a violência dispare.

 

  1. Grande enigma é Portugal. Temos tudo para dar certo, mas persistimos nas opções erradas. Temos terra. Temos mar. Temos gente. Temos, pois, todos os ingredientes do sucesso. O que nos falta, então, para ter sucesso?

Falta-nos gestão. Somos ricos em recursos, mas temos sido pobres na gestão. Já foi assim no passado. Continua a ser assim no presente. Continuará a ser assim no futuro? Se continuar, é sinal de que, pelo menos, estamos vivos. E incorrigíveis.

 

  1. Não costuma ser assídua a felicidade. E, quando surge, parece breve. Já Vinicius de Moraes sentia que «a felicidade é como a pluma que o vento vai levando pelo ar. Voa tão leve, mas tem a vida breve».

Há que procurá-la constantemente. E há que perceber que a procura já é conquista. Procurar a felicidade oferecendo felicidade é, porventura, o único caminho para ser feliz.

 

  1. Não dá para ocultar. As pessoas andam tristes. Tristes por dentro mesmo que simulem alegria por fora. Há risos que escondem muitas lágrimas.

Diria, com o Padre António Vieira, que «a tristeza é um mal e enfermidade universal a que ninguém escapa». E nem os que provocam tristeza parecem alegres.

 

  1. Grande, total, é a diferença entre a cobardia e a valentia. Já Shakeaspeare notara que o cobarde morre milhares de vezes, enquanto o valente morre apenas uma vez. Diria até que não morre nunca.

Quem se mantém fiel nunca morre. Mesmo depois da morte, o rasto perdura. O exemplo nunca se apaga.

 

  1. A esperança, hoje em dia, pode não assegurar o máximo. Mas até os serviços mínimos da esperança são preciosos.

Pouco tempo antes de morrer, Tony Judt afirmou: «É provável que estejamos perante uma situação em que a nossa tarefa principal não é imaginar mundos melhores, mas pensar como é que poderemos prevenir mundos piores». A esperança pode não nos conduzir ao melhor. Mas já faz muito quando nos ajuda a evitar o pior.

 

  1. A escravatura não é permitida, mas a vitória sobre a escravidão está longe de ser garantida. Há muitas formas de escravizar.

Há quem se julgue proprietário dos outros, dono da consciência dos outros. Bem dizia Diderot que «nenhum homem recebeu da natureza o direito de mandar nos outros». Só que muitos, mesmo entre aqueles que invocam amiúde a liberdade, arrogam-se esse direito.

 

  1. Há ainda muito medo no mundo. Há muita gente que se sente amedrontada, oprimida, chantageada.

A liberdade ainda tem um longo caminho a percorrer.

 

  1. A vida é feita de realidade e tecida de ilusões. Ninguém foge à realidade. E será que alguém escapa às ilusões?

Não se pense que as ilusões são um exclusivo da juventude. Os mais idosos também alimentam as suas, quiçá de modo inconsciente.

 

  1. Hebbel Christian observou: «Muitas vezes a juventude é repreendida por acreditar que o mundo começa com ela. Mas a velhice acredita ainda mais frequentemente que o mundo termina com ela. O que é pior?»

Nem tudo começa connosco. Nem tudo termina em nós. Bom seria que, quando nós deixarmos o mundo, o mundo fique um pouco melhor. Já não é pouco!

 

 

 

 

publicado por Theosfera às 09:48

Hoje, 19 de Fevereiro, é dia de S. Conrado Placência, S. Gabino e Stos. Mártires da Terra Santa.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2015

 

  1. Muito dizer nem sempre veicula muito saber.

O que dizemos acerca de Deus diz mais sobre nós do que sobre Deus.

 

  1. Como bem frisou Karl Rahner, nem a palavra Deus é adequada para dizer Deus.

Não esqueçamos que a própria palavra Deus é uma criação humana.

 

  1. Quando falamos sobre Deus, falamos habitualmente do que os seres humanos têm dito sobre Deus.

Alguém pode garantir que tal dizer sobre Deus corresponde cabalmente ao ser de Deus?

 

  1. Sto. Agostinho não alimentava ilusões: «Por mais altos que sejam os voos do pensamento sobre Deus, Ele está sempre mais além».

Por conseguinte, «se compreendeste, não é Deus. Se pudestes compreender, não foi Deus que compreendeste, mas apenas uma representação de Deus».

 

  1. Será que, como insinua alguma teologia, o máximo a que podemos aspirar é a saber o que Deus não é?

O certo é que até a Bíblia reconhece que caminhamos em contraluz. Deus é luz (cf. Sal 27, 1), mas surge ante nós como uma luz inacessível, que ninguém vê (cf. 1Tim 6, 16).

 

  1. A morada de Deus parece ser a nuvem (cf. Sal 97, 2), que é um manto de obscuridade que se interpõe entre nós e a luz.

Os textos sagrados garantem que Deus vem até nós através da nuvem (cf. Êx 19, 9), falando connosco por entre nuvens (cf. Êx 24, 6; Mt 17, 5).

 

  1. E, no entanto, Deus inundou o mundo de luz (cf. Gén 1, 4).

Acontece que os nossos olhos não vêem tudo (cf. 1Cor 2, 9). O essencial permanece-lhes vedado.

 

  1. Só vemos Deus quando O vemos com os olhos de Deus.

Só na Sua luz encontramos a luz (cf. Sal 36, 5).

 

  1. É por isso que Deus envia o Seu Filho. Ele é a luz de Deus para cada homem (cf. Jo 1, 9) e para todo o mundo (cf. Jo 8, 12).

Como confessamos no Símbolo, Jesus é a «luz da luz». É a luz que vem da luz para acender, em nós, mais luz.

 

  1. É possível que tenha chegado o momento de conter a nossa auto-suficiência e de parar algumas das nossas palavras.

Uma Quaresma sem ruído, uma Quaresma na humildade, uma Quaresma de escuta, uma Quaresma de espera depositar-nos-á — transfigurados! — na manhã luminosa da Páscoa!

 

publicado por Theosfera às 10:41

Problemas globais não podem ser superados com medidas parciais ou soluções locais.

Problemas globais reclamam medidas e soluções globais.

A globalização está a acentuar mais alguns problemas do que as respectivas soluções.

Os problemas circulam entre países, ao passo que as leis se limitam a cada país.

Matar num país é crime, noutro país pode ser um feito. Caricaturar num país é arte, noutro país é ofensa.

Se houver bom senso, tudo se resolve. Mas como o bom senso tem faltado, tudo se complica.

Tem de se ir pensando num acordo global para uma legislação global.

A União Europeia, com todas as suas lacunas, não deixa de ser um bom ensaio!

publicado por Theosfera às 10:34

Entre a razão e a vida, a demanda vem de longe.

O problema é que as margens se apertam e o choque parece inevitável.

A Grécia precisa de dinheiro, mas não está disposta a aceitar as condições dos credores.

Sem dinheiro, não há salários. Sem salários, não há pão. Quem vai assumir o ónus pelo desastre?

Mesmo que seja à tangente, esperemos que o desastre não ocorra!

publicado por Theosfera às 10:18

A fazer rir se dizem grandes verdades.

O humorista de serviço afirma que o «cessar-fogo» na Ucrânia vai a meio.

Já só falta o «cessar»...

publicado por Theosfera às 10:09

A sabedoria não exclui, obviamente, o conhecimento.

Mas o verdadeiro sábio é o que sabe o que fazer com o conhecimento. E o que é capaz de ir mais além do próprio conhecimento.

Foi talvez por isso que Clarice Lispector proclamou: «É só quando esquecemos todos os nossos conhecimentos que começamos a saber».

Não iria tão longe.

Mas é um facto que a sabedoria é o que fica quando muitos conhecimentos passam!

publicado por Theosfera às 10:02

1. Depois da Terça-Feira de Carnaval, a Quarta-Feira de Cinzas. Após o Entrudo, a Quaresma. Aliás, chama-se Entrudo por ser precisamente entrada na Quaresma.
E, de facto, já estamos na Quaresma.

 

2. Dir-se-ia que é o tempo litúrgico que mais se assemelha à vida humana. Muito mais que o Carnaval.
Poucos, com efeito, encontrarão motivos para folia. Pelo contrário, o que mais nos pedem são sacrifícios.

 

3. A Quaresma é um tempo de penitência e o que mais se vê, hoje em dia, são pessoas com uma vida inteira de penitência.
Temos a penitência da crise. Temos a penitência de ouvir falar da crise e, ainda por cima, a toda a hora. Temos a penitência do desemprego. Temos a penitência da criminalidade. Temos a penitência da injustiça. Temos a penitência da pobreza, da exploração, da fome.

 

4. Pode parecer, por isso, pouco oportuno (e até desumano) vir apelar a mais penitência. Que maior pode ser a penitência de quem não tem pão para comer ou casa para habitar? Que maior pode ser a penitência de quem perdeu o emprego?
Como bem lembrou o Padre Ignacio Ellacuría, a Cruz tem uma permanente actualização histórica. Há pessoas crucificadas nas esquinas da existência. Cristo continua a ser torturado, condenado e morto em tantos deserdados da sorte, em tantos abandonados da vida: Ele está neles.

 

5. É fundamental, portanto, que quem faz apelos à penitência apresente também gestos visíveis de despojamento.
Isto significa que aquilo de que nos privamos há-de ser oferecido a quem precisa. Veremos então que muitos passam mal porque nós não nos importamos. E notaremos que o nosso supérfluo é essencial para eles.

 

6. Se somos capazes de jejuar por razões egoístas, porque é que não havemos de jejuar por razões altruístas?
Não falta quem reduza ao alimento para perder peso, para ser elegante. Porque não reduzir ao alimento para ajudar quem tem menos, quem tem quase nada?

 

7. Urge que nos habituemos a fazer do outro o centro do nosso ser, o centro da nossa preocupação, o centro da nossa vida.
Temos, pois, de nos des-centrar para nos re-centrar. O nosso centro só pode ser o centro de Cristo.

 

8. O centro de Cristo foi sempre Deus e o Homem. O centro dos membros da Igreja de Cristo só poderá ser Deus e o Homem.
Daí o grande tripé que alavanca toda a trajectória quaresmal: a oração (relação com Deus) e o jejum e a esmola (partilha com o ser humano).

 

9. Sabemos, por exemplo, que, no dia 25 de Janeiro de 2010, 120 milhões de cristãos de 39 países promoveram uma jornada de oração e de jejum pela justiça no Zimbabwe.
Muita coisa poderá ser feita. Porque não, por exemplo, oferecer o peditório de um mês nas paróquias para ajudar os mais carenciados? Uma Igreja pobre será sempre uma Igreja próxima, uma Igreja capaz de interpelar.

 

10. Façamos penitência apoiando quem tem de fazer penitência. A penitência por opção é um gesto de comunhão para com quem tem de fazer penitência por imposição.
Despojemo-nos da carne e do peixe caro, levando um pouco de pão a quem nada tem para comer. Mas porque não fazer também, de vez em quando, jejum do automóvel desanuviando o ambiente? Porque não fazer jejum do cigarro, contribuindo para a saúde pessoal e para a saúde dos outros? 

 

11. Façamos também jejum de imagens e de palavras. E não deixemos de fazer jejum dos juízos precipitados, das acções agressivas e dos sentimentos violentos.
Deixemos que a bondade brilhe. Que a paz se instale. Que a justiça floresça. E que o amor vença. Não foi por tudo isto que Ele [Jesus] deu a vida?

publicado por Theosfera às 01:02

1. A imposição das cinzas recorda que a nossa vida na terra é passageira e que a nossa vida definitiva está na eternidade, com Deus.
A Quaresma começa com a Quarta-feira de Cinzas e é um tempo de oração, penitência e jejum como preparação para a celebração da Páscoa. São quarenta dias que a Igreja propõe para a nossa conversão.

 

2. O uso das cinzas com este significado penitencial tem a sua origem no Antigo Testamento.
Aqui, as cinzas simbolizam dor, morte e penitência.

 

3. Por exemplo, no livro de Ester, Mardoqueu veste-se de saco e cobre-se de cinzas quando sabe do decreto do Rei Assuero I da Pérsia, que condenou à morte todos os judeus do seu império. (Est 4,1).
Job também se veste de saco e cobre-se de cinzas (Job 42,6).

 

4. Daniel, ao profetizar a captura de Jerusalém pela Babilónia, escreveu: «Voltei-me para o Senhor Deus a fim de Lhe dirigir uma oração de súplica, jejuando e impondo-me o cilício e a cinza» (Dan 9,3).
Por sua vez, Jeremias, dirigindo-se ao povo, apela: «Meu povo, veste-te de saco, luto e lamento, e revolve-te sobre as cinzas»(Jer 6, 26).

 

5. No século V antes de Cristo, logo depois da pregação de Jonas, o povo de Nínive proclamou um jejum a todos e se vestiram de saco, inclusive o Rei, que se levantou do seu trono e sentou-se sobre cinzas (Jn 3,5-6).
Estes exemplos, retirados do Antigo Testamento, demonstram a prática estabelecida de usar cinzas como símbolo de arrependimento.

 

6. Entretanto, o próprio Jesus faz referência ao uso das cinzas.
A respeito dos povos que se recusavam-se a arrepender-se dos seus pecados, apesar de terem visto os milagres e escutado a Boa Nova, Jesus afirmou: «Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidónia os milagres que foram feitos no vosso meio, há muito tempo elas se teriam arrependido sob o cilício e as cinzas» (Mt 11,21).

 

7. A Igreja, desde os primeiros tempos, continuou a prática do uso das cinzas com o mesmo simbolismo. No seu livro «De Poenitentia», Tertuliano prescreveu que um penitente deveria «viver sem alegria vestido com um tecido de saco rude e coberto de cinzas».
O famoso historiador Eusébio relata, na sua obra «A História da Igreja», que um apóstata chamado Natalis apresentou-se vestido de saco e coberto de cinzas diante do Papa Zeferino, para lhe pedir perdão.

 

8. Sabe-se que, na antiguidade cristã, existiu uma prática que consistia no sacerdote impor as cinzas a todos aqueles que deviam fazer penitência pública. As cinzas eram colocadas quando o penitente saía do Confessionário.
Com efeito, nos primeiros séculos da Igreja, os fiéis que tinham cometido faltas graves, de notoriedade pública, deviam submeter-se a uma penitência pública.

 

9. No início da Quaresma, os cristãos que tivessem praticado escândalos públicos recebiam as cinzas sobre a sua cabeça. Também podiam receber um cilício, um cinto de lã áspera ou eriçado com pontas de arame, e que se trazia cingido aos rins.
Enquanto o coro entoava salmos penitenciais, eram acompanhados até à porta da igreja.

 

10. Até Quinta-feira Santa, não podiam participar nas celebrações, permanecendo no adro em sinal de penitência.
Só na Quinta-feira Santa depunham os sinais de penitência e podiam entrar de novo na igreja mediante absolvição sacramental.

 

11. No período medieval, por volta do século VIII, as pessoas que estavam para morrer eram deitadas no chão sobre um tecido de saco coberto de cinzas.
O sacerdote benzia o moribundo com água benta dizendo-lhe: «Recorda-te que és pó e em pó te converterás». Depois de aspergir o moribundo com água benta, o sacerdote perguntava: «Estás de acordo com o tecido de saco e as cinzas como testemunho da tua penitência diante do Senhor no dia do Juízo?» O moribundo então respondia: «Sim, estou de acordo».

 

12. Em todos estes exemplos, nota-se que o simbolismo do tecido de saco e das cinzas servia para representar os sentimentos de aflição e arrependimento, bem como a intenção de fazer penitência pelos pecados cometidos.
Com o passar dos tempos o uso das cinzas foi adoptado como sinal do início da Quaresma.

 

13. O ritual para a Quarta-feira de Cinzas já era parte do Sacramental Gregoriano.
As primeiras edições deste sacramental datam do século VII.

 

14. Hoje em dia, as penitências públicas não seriam compreendidas nem aceites. E, afinal, de forma pública ou de forma privada (mas com repercussão comunitária), todos somos pecadores.
Por isso, as cinzas são colocadas em todos.

 

15. A cerimónia da bênção e imposição das cinzas, tal como a conhecemos actualmente, é um vestígio da antiga penitência pública, extensiva a todos.
Aliás, começou a ser obrigatória para toda a comunidade cristã a partir do século X.

 

16. A liturgia actual conserva os elementos tradicionais: imposição das cinzas e jejum.
As cinzas são feitas com os ramos das palmeiras que foram usadas na procissão de Ramos do ano anterior, que se guardam e se queimam para esse efeito.

 

17. A fórmula de bênção das cinzas faz menção da condição pecadora de quem as vai receber.
Basicamente, as cinzas simbolizam: 1) a situação pecadora do homem, a oração e a súplica ardente para que Deus o ajude; 2) a ressurreição, já que o homem está destinado a participar no triunfo de Cristo.

 

18. O sacerdote abençoa as cinzas e coloca-as na fronte de cada fiel traçando com elas o Sinal da Cruz.
Nessa altura, diz : «Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás-de voltar»(cf. Gén 3, 19) ou então «Arrependei-vos e acreditai no Evangelho»(Mc 1, 15).´

 

19. Começamos, assim, a Quaresma examinando o nosso passado e tomando consciência do nosso pecado.
Só assim poderemos voltar os nossos corações para Jesus, que sofreu, morreu e ressuscitou para nossa salvação.

 

20. Este tempo serve para renovar as promessas do nosso Baptismo e para nos reaproximarmos de Deus pelo Sacramento da Reconciliação, que os antigos denominavam «Baptismo laborioso».
Deste modo, estaremos a preparar condignamente a celebração da Páscoa de Jesus, incorporando em nós uma vida genuinamente pascal, ou seja, transformada.

publicado por Theosfera às 00:03

Hoje, 18 de Fevereiro (Quarta-feira de Cinzas), é dia de S. Teotónio, Sta. Bernardette Soubirous, S. João de Fiésole (Fra Angélico), S. Francis Régis Clet e Sta. Gertrudes Comensoli. É também dia de Jejum e Abstinência.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2015

Ontem, foi divulgado um vídeo em que se gracejava com o infortúnio de uma pessoa no desempenho da sua profissão.

Acontece que muita gente não achou graça: pelo motivo e pelo conteúdo.

De facto, não tem graça quem quer nem qualquer.

Mas mesmo que graça houvesse, graça deixaria de haver pelo facto de se tentar fazer humor com a infelicidade momentânea de um ser humano.

Advertidos para o sucedido, os responsáveis retiraram o vídeo. O bom senso prevaleceu.

Afinal, não é preciso vir nenhuma autoridade determinar que a liberdade de expressão tem limites.

A liberdade de expressão tem ser limitada, por exemplo, pelo respeito pelos sentimentos dos outros!

publicado por Theosfera às 13:20

A novidade não é tanto a acensão dos extremismos.

A novidade será, acima de tudo, a aparente sintonia entre eles.

Ficou na memória o contentamento de Marine Le Pen pela vitória de Alex Tsipras.

No fundo, o que une os extremismos de sinal contrário é a contestação à ordem vigente.

Trata-se de um fenómeno que se está a destapar, mas talvez tenha começado a germinar há muito.

Recordo o que ouvi, há duas décadas, num autocarro.

Um jovem dizia para outro: «Eu "curto" todos os extremismos». Não importava quais.

Tal jovem deve andar, agora, na casa dos 40, a idade de muitos líderes destes movimentos.

O vazio que legámos aos jovens levou a que outros o fossem preenchendo!

publicado por Theosfera às 11:15

Há quem pense que o segredo do bom governo não é tanto encontrar bons governantes.

O segredo do bom governo começará por encontrar bons governados.

Platão dizia: «A ciência mais necessária àquele que deseja governar com sabedoria é a de tornar os homens capazes de ser bem governados».

Palavra de sábio!

publicado por Theosfera às 11:07

1. Se as pessoas não procuram a lei, a lei tem de procurar as pessoas.

Se as pessoas fogem da lei, a lei não pode fugir das pessoas.

 

2. Era muito melhor que as pessoas se portassem de tal modo que não precisassem de leis. Mas a experiência mostra - e mostra cada vez mais - que a convivência humana não é nada fácil: nem fora de casa, nem dentro de casa.

A violência doméstica é um dos (múltiplos) tentáculos da escalada desta violência global.

 

3. A globalização transformou o mundo numa aldeia.

As pessoas deslocam-se rapidamente. Milhares de quilómetros são vencidos em poucas horas.

 

4. Acontece que a tendência das mesmas pessoas é para não deslocarem os seus hábitos.

É mais fácil encurtar distâncias do que aproximar pessoas.

 

5. Na maior parte dos casos, as pessoas que se deslocam mantêm os costumes que tinham.

Sucede que muitos desses costumes num lado estão consentidos (e até previstos na lei) e noutro lado não são admitidos (e até estão proibidos) por lei.

 

6. Há quem se adapte às leis do país em que vive. Mas também há quem queira impor os comportamentos da cultura donde provém.

Os exemplos são múltiplos. E os factos que os ilustram são bastante recentes e deveras sangrentos.

 

7. Há quem chegue mais depressa aos confins da terra do que ao coração do vizinho.

Os antípodas parecem estar mais na rua da mesma terra do que do que do outro lado da terra.

 

8. Os extremos do globo estão próximos. Só que os extremismos, dentro do mesmo globo, estão também cada vez mais perto. Como sair deste labirinto?

O incómodo é geral e a sensação de impotência é aflitiva.

 

9. Muito tempo vai decorrer até que se resolva este problema. Uma coisa é certa. Num mundo global, temos de começar a pensar numa ética mundial e numa lei global.

Se os contactos se globalizam, porque é que não se hão-de globalizar os hábitos e as normas? E se a violência se vai globalizando, como é que podemos desistir de globalizar o combate à violência?

 

10. Um governo mundial, como alguns já alvitram, parece-me impraticável para já. Mas uma ética mundial e uma legislação mundial têm de ser seriamente ponderadas.

As Nações Unidas terão certamente um papel preponderante neste campo. O maior problema vai ser convencer populações e governantes locais. Mas há caminhos que têm de ser percorridos. E, às vezes, o mais difícil é começar. Comecemos então. Já há muitas vítimas deste desconcerto global!

publicado por Theosfera às 10:51

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