O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 31 de Dezembro de 2014

Finalmente, oiço silêncio, habito o silêncio.

Nenhum carro. Nenhum grito, nenhuma voz.

Um grande encontro com Deus me espera.

Levarei, reconhecido, a lembrança dos que me ungem com a sua amizade.

Para todos, uma luminosa passagem de ano.

Até 2015. Até daqui a pouco!

publicado por Theosfera às 20:07

No último dia do ano, penso em todos os que estão alegres.

Mas uno-me, especialmente, a quantos são visitados pela tristeza.

Pressinto que muitos não querem festejar.

Querem sobretudo esquecer Não deixemos que a esperança adormeça!

publicado por Theosfera às 19:59

A. Não comecemos a desistir e nunca desistamos de começar

  1. Nestas alturas, é praticamente impossível ser original. Como notava Terêncio, «não se diz nada que já não tenha sido dito». As palavras parecem sempre velhas, mesmo quando falam do que é novo. Que esperar, então, do ano novo?

Após os desejos habituais, eis que nos preparamos para as amargas desilusões de sempre. À primeira vista, já nenhum ano parece ser novo. A própria palavra «novo» é bem antiga. Há quantos séculos não anda a humanidade a desenhar promessas de novidade?

 

  1. Por vezes, a vontade de desistir é grande. Mas é precisamente por isso que a determinação de persistir tem de ser ainda maior. Afinal e como dizia Sto. Agostinho, «é quando parece que tudo acaba que tudo verdadeiramente começa». Na vida, são muitas as situações em que tudo parece que vai acabar. Na vida, são muitos os momentos em que temos de ganhar forças para recomeçar.

O início de um ano sinaliza que a vida é um recomeço constante. Há 12 meses, também estávamos a começar um ano. Há 24 e há 36 meses, estávamos igualmente a começar outros anos. O que jamais podemos é desistir: não comecemos a desistir e nunca desistamos de começar.

 

B. Um dia para Jesus, um dia com Maria

 

3. Começamos cada ano com os ouvidos ainda a captar os ecos do Natal. E, na verdade, o Natal não «foi», o Natal «é», o Natal continua a ser. Em suma, o Natal nunca deixa de ser. É certo que, nos últimos dias, já teremos usado vezes sem conta a fórmula verbal «foi» na pergunta que mais fizemos e que mais nos fizeram: «Como foi o teu Natal?» ou «Como foi esse Natal?». Já António Gedeão escrevia que «tudo é foi». Mas não é isso o que sucede com o Natal. O Natal é uma manhã sem ocaso, é um começo sem fim.

Assim sendo, o Natal continua no tempo. Hoje mesmo é a Oitava do Natal. Aliás e como acabamos de escutar, foi oito dias depois do Seu nascimento que o Menino recebeu o nome de Jesus (cf. Lc 2, 21). Daí que, durante muitos anos, este fosse também o dia da festa do Santíssimo Nome de Jesus. Entretanto, o Tempo Litúrgico do Natal não acaba nesta Oitava. Ele só termina com a festa do Baptismo do Senhor, que este ano ocorrerá a 11 de Janeiro. Mas, no fundo, é sempre tempo de Natal. O Natal está no tempo para que possa estar na vida, para que possa estar na nossa vida no tempo.

 

  1. É, então, a Jesus que entregamos este nosso novo percurso no tempo, que queremos percorrer também na companhia de Maria, que tudo — e a todos — guarda em Seu coração (cf. Lc 2, 19). Com D. António Couto, saudámo-La, hoje, como «Senhora e Mãe de Janeiro, do Dia Primeiro e do Ano inteiro». Diante d’Ela nos sentimos «tão cheios de coisas e tão vazios de nós mesmos e de humanidade e divindade» Apesar de nos faltar muita coisa, ainda temos bastante. Falta-nos, porém, o essencial: «a simplicidade e a alegria» de Maria. Mas Maria está connosco, está connosco como Mãe.

Hoje ocorre a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus. Sendo Mãe de Cristo e sendo Cristo o Filho de Deus, os cristãos cedo perceberam que Maria era Mãe de Deus. Não era só Mãe do homem Jesus, mas Mãe do Filho de Deus que encarnou em Jesus. O Concílio de Éfeso oficializou esta doutrina em 431. S. Cirilo de Alexandria já tinha tornado tudo muito claro: «Se Nosso Senhor Jesus Cristo é Deus e se a Virgem Santa O deu à luz, então Ela tornou-Se a Mãe de Deus».

 

  C. A paz tem um nome: Jesus

 

5. Foi por Maria que Jesus veio até nós. Será sempre com Maria que nós iremos até Jesus. Aquela que nos dá Jesus é sempre a melhor condutora para irmos ao encontro de Jesus. Façamos, portanto, como os pastores. Como os pastores, corramos (cf. Lc 2, 16). Procuremos ir depressa, sem demora, ao encontro de Jesus. O encontro com Jesus terá de ser sempre a prioridade da nossa vida e o centro da missão na vida.

Em Jesus, oferecido por Maria, encontramos o que mais procuramos para nós e o que mais desejamos para o mundo: a paz. Jesus não é apenas o portador da paz. Ele próprio é a paz hipostasiada. Aliás, é assim que o Messias é descrito por Miqueias: «Ele será a paz»(Miq 5, 5). Isaías apresenta o Menino «que nos nasceu» como o «príncipe da paz»(Is 9, 6). Por sua vez, os salmos apontam os tempos messiânicos como sendo marcados por uma grande paz (cf. Sal 72, 7).

 

  1. Não espanta, por isso, que, no século V, S. Leão Magno tenha dito que «o nascimento de Cristo é o nascimento da paz». De facto e como reconhece S. Paulo, Cristo «é a nossa paz»(Ef 2, 14). É aquele que derruba todos os muros de separação e que de todos os povos faz um só povo (cf. Ef 2, 14). Trata-se de uma paz única, sem paralelo. O próprio Jesus viria a dizer que a Sua paz era diferente: «Deixo-vos a paz, dou-vos a Minha paz; não vo-la dou como o mundo a dá»(Jo 14, 27).

É neste sentido que o Concílio Vaticano II recorda que a paz é muito mais do que a mera ausência de guerra. De resto, a ausência de guerra é, muitas vezes, ocupada com a preparação para a guerra. A paz é mais do que «pax», que, segundo os antigos romanos, resultava da negociação entre as partes desavindas. As partes continuavam desavindas, apenas não entravam em conflito. Semelhante é o conceito veiculado pelo grego «eirene». A paz, para os gregos da antiguidade, é uma tentativa de harmonia entre forças contrárias. As forças permanecem contrárias, unicamente não avançam para o combate.

 

D. Para estar no mundo, a paz tem de estar em cada pessoa

 

7. O hebraico «shalom» contém muito mais. A paz, aqui, é anterior a qualquer esforço humano. É um dom de Deus que faz o homem sentir-se completo, integral. É por isso que a paz só estará no mundo se estiver em cada pessoa que há no mundo. Antes da negociação, é fundamental pugnar pela conversão à paz. Jesus, no Sermão da Montanha, considera felizes os construtores da paz. Só eles serão «chamados filhos de Deus»(Mt 5, 9).

Importa perceber que o primeiro sinal de Deus é a paz. Quando Deus vem à terra em forma de criança, os enviados celestes entoam um cântico que diz tudo: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra» (Lc 2, 14). A paz desponta, assim, como o grande indicador de que Deus já está entre nós.

 

  1. Desde 1968, o dia de ano novo tornou-se também o Dia Mundial da Paz. Pretendia Paulo VI colher inspiração na invocação que, neste dia, se faz de Jesus e de Maria: «Estas santas e suaves comemorações devem projectar a sua luz de bondade, de sabedoria e de esperança sobre o modo de pedirmos, de meditarmos e de promovermos o grande e desejado dom da paz, de que o mundo tem tanta necessidade». Com aquele grande Papa, continuamos a pedir para que «seja a paz, com o seu justo e benéfico equilíbrio, a dominar o processamento da história no futuro».

Para 2015, o Papa Francisco propõe um tema que parece ultrapassado, mas que se mantém actual: «Não mais escravos, mas irmãos». Infelizmente, no nosso mundo, ainda há mais de 35 milhões de pessoas que vivem na escravatura. E nem Portugal está inteiramente limpo desta mancha, com os 1400 escravos que (sobre)vivem no nosso país. Como bem refere o Santo Padre, «a escravatura é uma terrível ferida aberta no corpo da sociedade contemporânea e uma chaga gravíssima na carne de Cristo! Para a combater eficazmente, tem de se reconhecer, acima de tudo, a inviolável dignidade de cada pessoa».

 

E. Antes de mais, importa atingir o zero

 

9. Afinal, ainda há aspectos onde nem sequer atingimos o «grau zero» de humanidade. Ainda há aspectos onde nos encontramos abaixo de zero. E abaixo de zero, tudo é negativo, tudo é negação. Como pode haver paz no mundo se no mundo não há justiça nem respeito pela dignidade humana? Temos, pois, um longo caminho a percorrer. Temos muito que fazer ou, como diria Sebastião da Gama, «temos muito que amar».

Diante dos que vaticinam o iminente fim da história, é importante começar com urgência uma história de re-humanização do mundo. Sim, porque a humanidade ainda consegue ser muito não-humana, muito desumana. Para re-humanizar o mundo, diria que duas são as coisas que têm de acabar já: a guerra e a fome. Consequentemente, duas têm de ser as coisas que importa assegurar desde já: paz para todos e pão para cada um. Para re-humanizar cada pessoa que há no mundo, duas são também as coisas a que urge pôr fim: egoísmo e violência. E duas serão igualmente as coisas que é imperioso introduzir: solidariedade e educação.

 

  1. Neste início de ano, acolhamos o olhar com que Deus nos presenteia e a paz que Ele benevolamente nos concede (cf. Núm 6, 26). Não esqueçamos que o lugar onde a paz mais se decide é o nosso interior. Se o nosso interior não for indiferente, o nosso exterior começará a ser diferente. E a verdadeira novidade descerá à terra.

Que haja, pois, vida nova no ano novo. Não é o ano novo que faz a vida nova. Só uma vida nova fará o ano novo. Só uma vida nova trará o tempo novo, o mundo novo!

publicado por Theosfera às 10:42

... é o facto de tanta gente (sobre)viver com tão poucos recursos e com tão reduzidos apoios.

Com escolas longe de casa e com hospitais distantes da terra, ainda haver gente (e alegria, apesar de tudo) neste interior é de realçar.

Para mim, é o acontecimento do ano. Mais que um acontecimento, é um verdadeiro milagre.

Daí que a figura do ano seja o cidadão anónimo, esquecido e abandonado deste interior.

Amanhã será melhor. Não por ser ano novo, mas pela vitalidade renovada que as pessoas mostram. Que Deus a todos abençoe. Muita paz!

publicado por Theosfera às 09:47

Santa Missa a começar em 2014 e a terminar em 2015.

Assim vai ser a minha passagem de ano.

Rezarei por quantos me têm distinguido com o incomensurável dom da sua amizade.

Um novo ano com duas mil e quinze razões para sorrir e ser feliz.

Deus abençoe a todos!

publicado por Theosfera às 00:13

Hoje, 31 de Dezembro (sétimo dia da Oitava do Natal), é dia de Sta. Comba de Sens, Sta. Melânia, a Nova, S. Piniano, S. Silvestre I e Sto. Alão de Solominihac.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 30 de Dezembro de 2014
  1. Nestas alturas, é praticamente impossível ser original. Como notava Terêncio, «não se diz nada que já não tenha sido dito».

Que esperar, então, do ano novo?

 

  1. Já nada parece ser novo. A própria palavra «novo» é bem antiga.

Há quantos séculos não anda a humanidade a desenhar promessas de novidade?

 

  1. E que dizer do futuro? Por estranho que pareça, o que mais sabemos do futuro é o que nos vem do passado.

Todo o passado esteve cheio de futuro. É por isso que nos sentimos cansados com tantos adiamentos do futuro.

 

  1. Uma novidade, porém, depende de nós: a novidade da nossa vida.

A vida pode não ser a melhor, mas não poderemos nós ser melhores na vida?

 

  1. A novidade está sempre a passar pelo tempo. É decisivo que ela fique alojada na nossa vida.

Temos dado muitos passos para trás. Não será possível atingir, pelo menos, o «grau zero»?

 

  1. A nossa comum humanidade, no que toca a alguns valores fundamentais, ainda permanece abaixo de zero.

Será humano um mundo onde parece haver mais dinheiro para matar a vida do que para matar a fome?

 

  1. Para re-humanizar o mundo, duas são as coisas que têm de acabar já: a guerra e a fome.

Consequentemente, duas têm de ser as coisas que importa assegurar desde já: paz para todos e pão para cada um.

 

  1. Para re-humanizar cada pessoa que há no mundo, duas são também as coisas a que urge pôr fim: egoísmo e violência. E duas serão igualmente as coisas que é imperioso introduzir: solidariedade e educação.

Afinal, é o mínimo que se pode exigir a cada um: cuidar dos outros, não fazer mal a alguém e não dizer mal de ninguém.

 

  1. Um pouco de paz. Um pouco de pão. Um pouco de solidariedade. Um pouco de educação.

Sem isto continuaremos com menos que nada, abaixo de zero. Menos de nada não faz, só desfaz. E abaixo de zero, tudo é negativo, tudo é negação.

 

  1. Que haja, pois, vida nova no ano novo.

Não é o ano novo que faz a vida nova. Só uma vida nova fará o ano novo. Só uma vida nova trará o tempo novo, o mundo novo!

publicado por Theosfera às 10:22

Não será a transição de um ano para outro que faz desaparecer as nuvens que toldam o horizonte do nosso futuro.

Sentimo-nos impotentes para fazer o que tem de ser feito. Mas vale a pena insistir. Se empreendermos a mudança em nós, se formos diferentes, estaremos a contribuir para a mudança no mundo.
Deseje, pois, feliz ano novo aos seus familiares, aos seus amigos e aos seus conhecidos.
Eu vou rezar por si. Passarei o ano na companhia de Deus, em oração, como é meu dever.
Pode faltar tudo. Tenha a certeza de que Deus não lhe vai faltar. O ano é novo. Que seja igualmente nova a vida. A sua vida. A nossa vida. A vida da humanidade inteira.
publicado por Theosfera às 10:05

Fortemente cáustico foi Mark Twain: «Se votar fizesse diferença, não nos deixariam votar».

De facto, votar faz sempre diferença.

É por isso que alguns, tantos, tentam condicionar o voto, chantear o voto, neutralizar o voto!

publicado por Theosfera às 09:55

Chamava-se Isaura Sequeira.

Sentiu-se mal logo pela manhã. Foi imediatamente atendida. Mas não resistiu.

Tinha 74 anos.

Era minha Avó, minha querida Avó. A única que conheci.

Eu sei que ela gostava muito de mim. Ela sabia que eu gostava muito dela.

Morreu no dia 30 de Dezembro. Há 40 anos!

publicado por Theosfera às 00:34

Hoje, 30 de Dezembro, é dia de Sto. Anísio, Sta. Margarida Colona e S. Sabino.

Um santo e abençoado sexto dia de Natal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2014

Andamos todos preocupados com aquilo que tem preço. E praticamente esquecemos aquilo que tem verdadeiro valor.

O que tem maior valor não tem preço que o pague.

Só que, como advertia Oscar Wilde, «as pessoas hoje conhecem o preço de tudo e o valor de nada».

Voltemo-nos para os valores, para aquilo que vale!

publicado por Theosfera às 09:34

Hoje, 29 de Dezembro, é dia de S. Tomás Becket e S. Gerardo de Waindvrille.

Um santo e abençoado quinto dia de Natal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 28 de Dezembro de 2014

Natal é a noite, mas é também o dia.

 

Natal é o frio, mas é também o calor.

 

Natal é Jesus, Natal é a família,

Natal é a humanidade e Natal também és tu.

 

Não fiques à espera do Natal,

sê tu mesmo o melhor Natal para os outros.

 

O Natal não terminou no dia 25.

Constrói, por isso, um Natal para todo o ano,

para toda a vida.

 

Tu és o Natal

que Deus desenhou e soube construir.

 

É por ti que Deus hoje continua a vir ao mundo.

É em ti que Ele também renasce.

 

Sê, pois, um Natal de esperança,

de sorriso e de abraços,

de aconchego e doação.

 

Também podes ser um Natal com algumas lágrimas.

São elas que, tantas vezes, selam o reencontro e sinalizam a amizade.

 

Eu vejo o Natal no teu olhar, no teu rosto, no teu coração,

na tua alma, em toda a tua vida.

 

Há tanta coisa de bom e de belo em ti.

Tanta coisa que Deus semeou no teu ser.

 

Descobre essa riqueza, celebra tanta surpresa,

partilha com os outros o bem que está no fundo de ti.

 

Diz aos teus familiares que os amas,

aos teus amigos que gostas deles,

aos que te ajudam como lhes estás agradecido.

 

Não recuses ser Natal junto de ninguém. Procura fazer alguém feliz.

 

Não apagues a luz que Deus acendeu em ti.

Deixa brilhar em ti a estrela da bondade e deixa atrás de ti um rasto de paz.

 

Que continues a ter um bom Natal.

A partir de agora. Desde já. E para sempre!

publicado por Theosfera às 11:17

Hoje é o dia da Sagrada Família.
José, Maria e Jesus formaram uma família humilde.
O ambiente era de paz. Não se falava muito. Escutava-se bastante.
Havia uma sabedoria feita de subtileza e adornada pela simplicidade.
Uma oração por todas as famílias. Para que o mundo seja uma grande família. E para que cada família se capacite de que é um pequeno mund
Qual o segredo? Que cada um se assuma como é. Que todos sejam amados como são.
Que haja autenticidade e nunca traição. O brilho dos olhos de uma criança será sempre o melhor certificado do amor de seus pais!

Para a família, não há soluções prévias nem receitas impostas. Há caminhos.
Às vezes, falar é decisivo. Outras vezes, calar é fundamental.
Viver em família é uma arte, uma permanente descoberta.
Cada dia é uma novidade. É preciso saber admirar o outro. E é necessário também aprender a suportar o outro.
Não há escola para viver em família. A família é a melhor escola para si mesma.
O dia mais importante é hoje. Cada momento é uma etapa, sem a qual o caminho fica inconcluído e a obra interminada.
Um abraço de admiração a todas as famílias!

publicado por Theosfera às 00:02

Hoje, 28 de Dezembro  (Dia da Sagrada Família), é dia dos Santos Inocentes, padroeiros dos meninos de coro e das crianças abandonadas.

Um santo e abençoado quarto dia de Natal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 27 de Dezembro de 2014

A. Deus vem ao mundo através de uma família

  1. Dizem — e não é mentira — que o Natal é a Festa da Família. De facto, sendo a festa do nascimento de Jesus, o Natal é, por inerência, a festa da família de Jesus. E é, por extensão, a festa da nossa família com Jesus.

Curiosamente, houve uma altura em que se pretendeu sobrepor a Festa da Família à Festa do Nascimento de Jesus. Apenas uma semana após a revolução de 5 de Outubro de 1910, foi promulgado um decreto que estabelecia que o 25 de Dezembro deixasse de ser a comemoração do nascimento de Jesus para passar a ser somente o dia da Festa da Família. Só que o bom povo, na sua sábia coragem e na sua corajosa sabedoria, nunca deixou de celebrar — em família! — o nascimento de Jesus.

 

  1. A família não esvazia o Natal e o Natal não esvazia a família. A família oferece o ambiente natural para o Natal e o Natal oferece o sentido sobrenatural para a família. A família fica mais cheia na quadra do Natal e fica mais preenchida com o mistério do Natal. Afinal, que nos mostra o Natal? Essencialmente, mostra-nos Jesus, mostra-nos Maria e mostra-nos José. Ou seja, mostra-nos uma família.

Deus quis entrar no mundo através de uma família, através de uma família formada por um homem e por uma mulher. É esta a família que Deus quer, a família que Deus criou. Nos relatos da criação, diz-se expressamente que, quando Deus criou o homem à Sua imagem e semelhança, criou o homem e a mulher (cf. Gén 1, 26). É por tal motivo que o homem deixa pai e mãe para se unir à sua esposa passando os dois a ser uma só carne (cf. Gén 2, 24). Jesus retoma e confirma este desígnio primordial recomendando: «Não separe o homem o que Deus uniu»(Mc 10, 9). Estão aqui consignadas as propriedades essenciais do matrimónio: unidade e indissolubilidade com a consequente abertura à geração de vida.

 

B. A família é uma criação divina

 

3. A família não é, portanto, uma invenção humana, mas uma criação divina. Aliás, o próprio Deus é uma família composta pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo.

Tal como sucede na família divina, também na família humana não há — ou não devia haver — superiores nem inferiores. Tal como o Pai não é mais que o Filho e o Espírito Santo, também o marido não é mais que a esposa. Tal como os membros da família divina têm igual divindade, também os membros da família humana possuem igual humanidade.

 

  1. Jesus elevou a união entre o homem e a mulher à dignidade de Sacramento. Ou seja, deu a esta união um valor sagrado. Também no matrimónio, a iniciativa é de Deus. É Deus, que a todos chama à vida e à fé, que também chama alguns ao matrimónio.

Nós acreditamos que, sem obviamente contender com a liberdade de cada um, é Deus quem coloca este homem no caminho daquela mulher e esta mulher no caminho daquele homem. Na celebração do Matrimónio, os dois formalizam a sua resposta à proposta de Deus.

 

C. Os problemas existem para serem vencidos, não para (nos) vencerem

 

5. Não faltam, hoje em dia, atentados contra a família: atentados no exterior e atentados no interior. O Estado e a sociedade não apoiam devidamente a família, mas será que a família se apoia adequadamente a si mesma? O Estado e a sociedade não são amigos da família, mas será que a família é amiga da própria família?

Além do flagelo do desemprego, há ainda o drama por causa de muitos empregos. Há esposos que são obrigados a estar longe um do outro. Há pais que são obrigados a passar a maior parte do tempo fora dos filhos. Resultado: há famílias onde não há praticamente nenhuma vida familiar. E sem vida familiar poderá dizer-se que há família?

 

  1. Actualmente, por cada 100 famílias que se constituem, há certa de 70 famílias que se desfazem. E antes de se desfazer, há muitas famílias que se vão destruindo. A violência doméstica não pára de crescer. Em vez de ser uma alternativa de paz aos conflitos que há no mundo, a família parece ser o rastilho que incendeia muitos desses conflitos.

Em relação à família, também parece haver partidários da «solução final». Há quem pense que a única maneira de acabar com os problemas na família é acabar com a própria família. Seria bom que percebêssemos que, às vezes, recuar é a maneira mais inteligente de avançar. Quando a situação é complicada, um irreflectido passo em frente pode ser um passo para o abismo. É preciso aprender a esperar para discernir. Às vezes, é quando parece que tudo acaba que tudo verdadeiramente (re)começa. Afinal, os problemas existem não para nos vencerem, mas para serem vencidos por nós…com a ajuda de Deus.

 

D. O dia mais importante para a família

 

7. Vou confiar-vos um segredo. O segredo para que uma família se fortaleça consiste em valorizar cada pessoa e cada momento da convivência entre as pessoas. O dia mais importante para a família não é só o dia do casamento. Esse foi o dia do início da família. Mas a família não tem importância só quando começa. Uma família é sempre importante. Por isso, o dia mais importante para a família é «hoje», o «hoje» de cada dia. Eu atrever-me-ia a dizer que nem a morte põe fim à família, nem a morte termina com os laços gerados em família. Um filho que vê morrer o seu pai considera-se sempre filho desse pai. E uma mãe que vê morrer a sua filha não se considera sempre mãe daquela filha?

Queridas famílias, valorizai o dom de cada dia. Ao acordar pela manhã, dizei uns aos outros: «Hoje é o dia mais importante da nossa vida». E, no dia seguinte, voltai a dizer: «Hoje é o dia mais importante para a nossa família».

 

  1. Em cada hoje, há coisas pequenas que podem ter um resultado muito grande. Procurai dar valor aos pequenos gestos, às pequenas palavras e até aos pequenos silêncios. Sim, a família é o espaço por excelência do diálogo, mas também deve ser um lugar privilegiado para o silêncio. Como reconheceu Paulo VI, a Sagrada Família de Nazaré oferece-nos uma interpelante lição de silêncio. Às vezes, ficar calado pode ajudar muito. Pelo menos, pode ajudar a não agravar certos problemas. Há palavras que não só não resolvem como ainda complicam. Há palavras que magoam e que chegam a agredir mais do que certas agressões. Perante alguém que diz muito e muito alto, não dizer nada pode ser o melhor contributo para restaurar a paz e repor a serenidade.

Todos gostam de ter razão, mas eu diria com S. Paulo que mais importante do que ter razão é ter «bondade, humildade, mansidão e paciência»(Col 3, 12). Quando tivermos de falar, não nos limitemos a repreender e a exigir. Procuremos saber também agradecer e elogiar. Como tem dito o Papa Francisco, expressões simples como «obrigado», «com licença», «faça o favor» ou «desculpe» podem ter um efeito extraordinário para o presente e para o futuro da família. Pedir perdão não é um acto de fraqueza. É uma demonstração de força que acaba por fortalecer a família.

 

E.  A maior riqueza da família

 

9. É sabido que as famílias, hoje, não têm tempo. Gastam tempo para ter uma casa e depois acabam por não ter tempo para estar em casa. Mas, se não existe o tempo ideal, que a família, ao menos, aproveite o tempo real, o tempo possível, o tempo disponível: o tempo disponível para estar, para conviver, para rezar. Como bem disse S. João Paulo II, «família que reza unida permanece unida».

A oração é o grande alimento — e o maior cimento — da união. É desejável que a família comece e termine o dia com uma oração conjunta. A oração permite perceber que a maior riqueza não é o só o que existe em cada membro da família, mas o que existe entre todos os membros da família. Entre todos os membros da família encontra-se Deus, que sabe conjugar as diferenças numa comunhão indestrutível e fecunda.

 

  1. Que a família nunca deixe de ser família. Que a família não se destrua. E que a família seja um espaço para todos: para os que estão a começar e para os que já começaram há muito. Infelizmente, a tumultuosa agitação do dia-a-dia não deixa que as gerações convivam muito entre si. Primeiro, são os pais que não têm tempo para os filhos; depois, são os filhos que não têm tempo para os pais. E é assim que nascemos, crescemos e acabamos por morrer deslaçados, sem tempo para estar uns com os outros, sem tempo para dizermos quanto gostamos uns dos outros. Apesar de tudo, sinto que a família tem um belo futuro à sua frente, como tem um lindo passado atrás de si.

Queridas famílias, olhai para a Sagrada Família de Nazaré que a Oração Colecta desta Missa aponta como «um modelo de vida». Sobretudo vós, que vos sentis em maior dificuldade, olhai bem para Jesus, para Maria e para José. É bem verdade que, como cantava o Padre Zezinho, «tudo seria bem melhor se o Natal não fosse um dia, se as mães fossem Maria e se os pais fossem José; e se toda a gente se parecesse com Jesus de Nazaré». Tudo seria bem melhor, sem dúvida. Tudo há-de ser melhor apesar de todas as dúvidas. Tenho a certeza de que, como dizia o Concílio Vaticano II, «a família há-de continuar a ser «o berço da vida e do amor». No fundo, cada família é um pequeno mundo. Que o nosso mundo possa vir a ser uma grande família!

 

publicado por Theosfera às 16:41

Coisa leve é a fama. Mas as suas consequências são, quase sempre, bem pesadas.

Francis Bacon notou: «A fama é como um rio que mantém à superfície as coisas leves e infladas».

Os olhos estão voltados para o que é leve. Mas é a vida que acaba por suportar o peso dos seus (quase sempre, perniciosos) efeitos!

publicado por Theosfera às 11:33

Consta que, já idoso, sendo muito requisitado para falar aos cristãos, S. João Evangelista limitava-se a repetir: «Meus filhos, amai-vos uns aos outros».

Os ouvintes, a determinada altura, resolveram questioná-lo: «Tudo bem, João, mas nada mais tens para nos dizer?»

E o Apóstolo respondia: «Nada mais tenho para vos dizer, porque nada mais é necessário dizer, só o amor basta».

publicado por Theosfera às 00:21

Hoje, 27 de Dezembro, é dia de S. João Evangelista (padroeiro dos teólogos e invocado contra as queimaduras e venenos e ainda para obter a graça de uma boa amizade), Sta. Fabíola, S. Teodoro e S. Teófanes.

Um santo e abençoado terceiro dia de Natal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2014

Não há só luz na claridade. A claridade é o que consegue romper as sombras.

Goethe reconhecia que «a claridade é uma justa repartição de sombras e de luz».

Quem não repara nas sombras reparará na luz?

publicado por Theosfera às 08:13

Não pergunte «como foi o teu Natal?»

Primeiro, porque (importa não esquecer) o Natal é de Jesus. O Natal é a celebração do nascimento de Jesus. O Natal é nosso porque é d'Ele.

E, depois, porque o Natal não foi, o Natal é.

O Natal não tem só passado. O Natal teve passado, tem presente e terá futuro.

Dito de outra forma, o Natal teve presente no passado, tem presente neste presente e terá presente no futuro.

Hoje também é dia de Natal!

publicado por Theosfera às 00:35

Hoje, 26 de Dezembro (segundo dia da Oitava de Natal), é dia de Sto. Arquelau, Sto. Estevão (protomártir) e Sta. Vivência Lopes.

Um santo e abençoado dia de Natal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 25 de Dezembro de 2014
Deus da paz,
Vem conter a fúria das armas destruidoras.

Deus da justiça,
Vem libertar as vítimas da opressão.

Deus da fraternidade,
Vem fazer que todos os homens se sintam irmãos.

Deus da esperança,
Vem dar alento aos que se encontram abatidos.

Deus da santidade,
Vem transformar as nossas vidas.

Deus do amor,
Vem socorrer o nosso mundo inquieto.

Deus dos pobres,
Vem enriquecer-nos com a tua humildade.

Deus de todos os homens,
Vem nascer no nosso coração.

Vem, Senhor Jesus!
publicado por Theosfera às 11:11

Hoje, 25 de Dezembro (solenidade do Natal do Senhor), é dia de S. Manuel, S, Natal, Sto. Alberto Chiewolski, Sta, Maria dos Apóstolos, Sta. Inês Fila e Sta. Lúcia.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 01:02

A. Quando a Palavra veio ao mundo, o Silêncio também desceu à terra

  1. No princípio, era a Palavra. No princípio, era o Silêncio. Antes de o tempo começar a ser tempo, a Palavra em silêncio e o Silêncio estava na Palavra. Na «plenitude dos tempos»(Gál 4, 4), quando a Palavra veio ao mundo, o Silêncio também desceu à terra. Motivo? Só em silêncio é possível contemplar a Palavra. Só em silêncio é possível acolher a Palavra da vida, a palavra de tantas vidas. Só em silêncio é possível mergulhar na vida da Palavra, na vida de tantas palavras.

Foi o eterno silêncio de Deus que fecundou o eloquente silêncio de Maria. É este silêncio que, hoje, respiramos. É neste silêncio que, em cada dia, devíamos morar. Tudo mudou quando o Silêncio falou. As trevas sobressaltaram-se. A noite acordou. Toda a natureza — e não apenas o galo — cantou. A manhã despontou. E o Salvador chegou.

 

2. Eis, como dizia Sto. Agostinho, «o dia feliz, em que o grande e eterno Dia, procedente do grande e eterno Dia, veio inserir-se neste nosso dia temporal e tão breve». Neste feliz dia, nasceu Jesus e nascemos nós com Jesus. O Natal é a festa do nascimento de Jesus e do nosso próprio nascimento. Nós nascemos quando Ele nasceu. O nascimento de Jesus é o nascimento de todo o corpo de Jesus, do qual nós fazemos parte (cf. 1Cor 12). Assim sendo e como notou S. Leão Magno, «o aniversário da cabeça é o aniversário do corpo». O Natal também é nosso. Enfim, o Natal é a festa universal porque é o acontecimento total.

  1. O Evangelho evoca a geração do Filho de Deus desde toda a eternidade. E, como refere o Prefácio II da Missa de Natal, «o que foi gerado desde toda a eternidade começou a existir no tempo». O que foi gerado no seio do Pai veio até nós pelo seio de Maria. E foi assim que, como já notavam os escritores cristãos mais antigos, «Um da Trindade Se fez Um de nós». O amor de Deus, o amor que é Deus, não cabe em Deus e explode na criação. O «big bang» terá sido realidade e é seguramente sinal: sinal de um amor que explode permanentemente no mundo.

 

B. Deus, que está no alto, visita-nos cá em baixo

 

3. É por tudo isto que este é o dia tão esperado. Este é o dia por nós tão esperado porque, nele, celebramos a vinda ao mundo do Inesperado. Deus não só vem ao encontro do homem, como Ele próprio Se faz homem. E não somente Se faz homem como Se faz homem pobre, homem simples, homem frágil. O sinal de Deus não é a opulência nem a ostentação. O sinal de Deus — dizem os enviados do Céu — é um Menino, «envolto em panos e deitado numa manjedoura»(Lc 2, 12).

Guilherme de Saint-Thierry dá uma explicação muito luminosa para tal opção: «Deus viu que a Sua grandeza suscitava no homem resistência. Então, Deus escolheu um caminho novo. Tornou-Se um Menino. Tornou-Se dependente e frágil, necessitado do nosso amor. Agora — diz-nos aquele Deus que Se fez Menino — já não podeis ter medo de Mim, agora podeis apenas amar-Me».

 

  1. Deus, que habita no alto, visita-nos cá em baixo. Aparece não como rei poderoso, mas como criança indefesa. Deste modo, se quisermos encontrar Deus, é para baixo que devemos olhar. Deus está no alto (cf. Lc 2, 13), mas quer ser encontrado em baixo. É a partir de baixo que Deus nos olha. Deus não olha para nós, sobranceiramente, de cima para baixo. Deus olha para nós — divinamente — de baixo para cima. E é lá em baixo que continua à nossa espera: lá, nas profundidades da existência, onde a pobreza abunda, onde a injustiça avança, onde a solidão e o abandono não param de crescer.

Por isso, é urgente fazer o bem, também hoje. Por isso, é fundamental ser bom, sobretudo hoje. De resto e como apelava António Gedeão, «hoje é dia de ser bom». Acontece que este hoje é um dia sem ocaso, pelo que fazer o bem e ser bom hão-de constituir uma prioridade para sempre.

 

C. Uma explosão de divindade, uma lição de humanidade

 

5. Este é o dia que não tem fim. É o dia que jamais anoitece e em que até o frio nos aquece. É o dia em que os céus se abriram, em que os anjos saíram e melodias se ouviram. Não é o simples dia que sucede à noite. É o dia que rebenta com as correntes que a escuridão armou durante a noite. Este é o dia que começou ainda de noite. Compreende-se, pois, que este seja o dia que começamos a celebrar ainda de noite. Este é o dia que sentimos despontar quando ainda era noite. Este é o dia destinado a iluminar todas as nossas noites. Este é — numa palavra — o dia.

Eis a lição do presépio. O silêncio de Deus, que falou em Belém, continua a clamar nos pobres deste mundo, nos injustiçados desta vida. Quem não os ouve a eles, como pode dizer que O escuta a Ele? Aquele Menino é tão divino que até quis ser humano. Aquele Menino é tão humano que só pode ser divino. O Deus que está naquele Menino humaniza-Se e diviniza-nos. Ele não nos retira humanidade. Pelo contrário, a Sua divindade acrescenta-nos humanidade.

 

  1. É por isso que o Natal é uma explosão de divindade e, ao mesmo tempo, uma persistente lição de humanidade. É com Deus Menino que o mundo aprenderá a ser mundo e a humanidade reaprenderá a ser humana, fraterna. É com Deus Menino que o mundo se transformará numa luminosa Filadélfia, isto é, um povo de amigos, um povo de irmãos.

A tragédia do nosso tempo é a desumanidade entre os homens. E para esse pecado concorrem não somente os não crentes. Os crentes também não lhe são imunes. Muitas são as vezes em que não têm sido capazes de encontrar Deus no homem. Deus é muito mais humano que os homens.

 

D. Em Belém e na nossa vida também

 

7. Não nos cansemos de fixar o olhar no presépio. Aquele Menino é tão santo que só consegue provocar encanto. É tão cheio de mansidão que os nossos joelhos caem logo em adoração. O Seu rosto destila tanta pureza que até os antípodas aspiram o perfume da Sua beleza. Enfim, a Sua imagem desperta tal ternura que nem há palavras para descrever tamanha formosura.

O Menino está ali. Mas eu sinto-O sobretudo aqui. Vejo Jesus agora e não deixo de O rever lá fora. Ele está na rua, na minha história e também na sua. Está no sofredor, naquele que estende a mão e mendiga amor. Está no pobre, no que não tem pão. Está em quantos vão penando na solidão. O Seu tempo nunca é distante pois a Sua presença é constante. O Seu lugar não é só em Belém, é na nossa vida também. Ouçamos sempre a Sua voz. E nunca deixemos de O acolher em cada um de nós.

 

  1. Este é o autêntico «dia inicial inteiro e limpo, onde emergimos da noite e do silêncio e, livres, habitamos a substância do tempo». Neste dia, o tempo surpreende a eternidade dentro de si. Sophia tem mesmo razão: «A casa de Deus está assente no chão». É reconfortante beijar a imagem do Menino nestes dias, mas não é menos encantador abrigar o mesmo Menino, que nos visita em cada dia. Ele está em todos. Ele veio para todos. Rejeitar alguém é rejeitar o próprio Deus, presente nesse alguém. É que os outros também são Seus, também são d’Ele, também Lhe pertencem. E, no entanto, até nestes dias de Natal há tanto Jesus rejeitado, há tanto Jesus esquecido.

Razão tem João Coelho dos Santos ao colocar nos lábios de Jesus este lamento: «Senta-se a família/ À volta da mesa./ Não há sinal da cruz,/ Nem oração ou reza./ Tilintam copos e talheres./ Crianças, homens e mulheres/ Em eufórico ambiente./ “Lá fora tão frio, Cá dentro tão quente!”/ Algures esquecido,/ Ouve-se Jesus dorido:/ Então e Eu,/ Toda a gente Me esqueceu?”».

 

E. Hoje em dia, o grande Natal é a Eucaristia

 

9. De facto, às vezes — muitas vezes —, parece que esquecemos Jesus até na época em que assinalamos o nascimento de Jesus. Esquecemos Jesus quando esquecemos aqueles para quem Jesus nasceu. Esquecemos Jesus quando nos fechamos aos outros. Esquecemos Jesus quando nos encerramos nas torres (pretensamente) fortificadas do egoísmo e da indiferença. É triste ver que há muitos Natais longe do Natal. É penoso sentir que há muitos Natais aquecidos à lareira, mas arrefecidos no coração.

São muitos, sem dúvida, os encantos do Natal. Há presépios lindos. Há presépios deslumbrantes. Há presépios originais. Há presépios surpreendentes. E até há presépios ao vivo. Faltam, contudo, presépios vivos, que, a bem dizer, são os únicos presépios necessários. São esses que são construídos não nas ruas ou nas casas, mas no coração humano: no meu, no seu, no nosso, enfim, no coração de todos os homens.

 

  1. O Natal é saboroso quando temos a casa cheia e a mesa farta. O Natal é belo quando é sonhado. O Natal é lindo quando é cantado. O Natal é encantador quando é tingido de frio e regado de neve. Mas o Natal é melhor quando é vivido, partilhado, abraçado, chorado, humanizado, fraternizado, assumido e projectado no mundo inteiro. Em cada dia, há sempre motivos para respirar o perfume do Natal. Afinal, no Natal, o futuro nasceu e até justiça choveu. Só o impossível desapareceu no preciso instante em que aconteceu. Deus veio ao mundo. Acampou na terra para eliminar o ódio e acabar com a guerra. Trouxe, como única veste, a paz e é imensa a alegria que a todos nos traz. Veio em forma de criança. Haverá quem fique indiferente a tanta esperança? Naquele dia, colocaram-No numa manjedoura, perto do chão. Mas, desde então, a Sua morada passou a ser o nosso coração!

Não desliguemos a luz que Deus acende em nós neste dia. Deixemos brilhar a luz do Natal em cada dia. E nunca esqueçamos que, hoje em dia, o grande Natal é a Eucaristia. Um feliz Natal hoje. Um feliz Natal sempre. Para todos, um santo, luminoso e muito abençoado Natal!

publicado por Theosfera às 00:54

Eis que já chegou o dia, o tão esperado dia de Natal.

É um dia que começou antes do dia. A luz deste dia começou a brilhar quando ainda era noite.

É por isso que este é o dia sem fim, o dia que se estende para lá do fim.

Este é, pois, um dia para celebrar, para cantar, para juntar, para reunir, para reaproximar e também para contemplar.

É por isso que, neste dia sem fim, o silêncio deve ter tanto lugar como as palavras.

Procure contemplar o Deus Menino no presépio. E não deixe de O contemplar em tantos olhares que o olham.

Deus está em todo o ser humano. Em si e nos que vão passando por si, pela sua vida.

Natal é Jesus, Natal é a família, Natal é a humanidade, Natal é para todos. Natal é para sempre.

Não apaguemos a luz que Deus acendeu em nós neste dia.

Deixemos brilhar, à nossa frente, a estrela da bondade. E deixemos, atrás de nós, um rasto de paz.

publicado por Theosfera às 00:24

Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2014

Deus entra na nossa história não pela via da opulência, mas pela via da humildade.

 

O sinal de Deus não está num palácio. Está numa manjedoura.

 

Eis a lição jamais devidamente apreendida. É tão frequente, nestes dois mil anos, ouvir falar do presépio num ambiente de pompa, com vestes sumptuosas.

 

Divino (eis a permanente interpelação) não é o grande caber no grande. Isso qualquer humano consegue. Divino é o infinitamente grande caber no infinitamente pequeno.

 

Vale a pena recordar, a este propósito, o aforismo de Hölderlin: «Non coerceri maximo, contineri tamen a minimo, divinum est» («Não ser abarcado pelo máximo, mas deixar-se abarcar pelo mínimo, isso é que é divino»).

 

Há, aqui, uma inversão de valores, reconhecida, aliás, por Maria no Magnificat: humilhação dos soberbos e exaltação dos humildes (cf. Lc 1, 52).

 

De facto, Deus inverte o máximo e o mínimo, o maior e o menor, o grande e o pequeno.

 

O máximo é o que parece mínimo. O maior é o que se apresenta como menor. O verdadeiramente grande é o que nos surge como pequeno.

 

Quando aprenderemos a lição da manjedoura?

publicado por Theosfera às 22:58

Nesta véspera de Natal, penso em todos: nos crentes e nos não crentes.

 

Deus veio e continua a vir para todos.

 

Que esta seja uma noite de reconciliação e de bonança, de verdade e de luz, de fé e de festa, de amor e de esperança, de alento e de paz.

 

Que ninguém se sinta só. Que o amor impere.

 

Deixemos que o Menino nasça. Deixemos que o Menino tome conta de nós!

 

Que a Paz de Deus a todos visite e em todos se instale.

 

Que a Paz de Deus não seja afastada de nenhum coração.

 

Que seja Natal esta noite, amanhã, todos os dias.

 

Um abraço muito grande para todos.

 

Mas, nesta noite santa, permite que me dirija particularmente a ti, Irmão.

 

Nesta noite santa, sinto-me particularmente perto de Deus Criança, perto de Deus Pequeno, perto de Deus Pobre, perto de Deus Amor. Ou seja, sinto-me muito perto de ti. Perto de ti porque vejo Deus reluzindo na tua vida, transparecendo nos teus gestos.

 

Penso nas dificuldades da tua vida. Penso nas injustiças que tens recebido. Penso nos contratempos que tens encontrado. Penso nas amarguras que tens coleccionado.

 

Nesta noite santa, estou (ainda mais) contigo. Não tenho palavras para te dizer. Tenho tão-somente uma comunhão para te assegurar.

 

Nesta época, acumulamos muitas lembranças. Mas somamos também bastantes esquecimentos.

 

Não trago soluções. Partilho a esperança que irradia do presépio.

 

Queria dizer-te que, esta noite, vou celebrar a chamada Missa do Galo a pensar especialmente em ti que sofres.

 

Sei que esta noite, para ti, ainda é mais sofrida, mais chorada. Sinto muito. Não leves a mal que pegue num dos pregões do Maio de 68 (evento que não me é especialmente benquisto) e te faça uma proposta: «Sejamos realistas; peçamos o impossível»!

 

Sim, peçamos o impossível. Sei que, nesta hora, não lobrigas luz, Sei que, nesta hora, só te pesam trevas como breu.

 

Mas o dia há-de chegar. E o sol brilhará. Crê-me muito a teu lado. Aliás, é meu estrito dever.

publicado por Theosfera às 15:56

Parabéns a Jesus

nesta data querida,

muitas felicidades,

muito amor sem medida.

 

Hoje é dia de festa,

dentro das nossas almas,

para Vós, Deus Menino,

uma salva de palmas!

publicado por Theosfera às 10:59

Hoje, 24 de Dezembro, é dia de S. Charbel Makhlouf e S. Delfim.

Um santo, abençoado e já natalino dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 23 de Dezembro de 2014

A vida dá lições muito diferentes da escola.

Na vida, aprendemos que a lógica nem sempre funciona.

Na vida, aprendemos que há quem se saia sempre bem, até mesmo quando faz o mal. E que há quem se saia sempre mal, até mesmo quando faz o bem.

A justiça parece ter uma passada lenta. Mas não costuma deixar de aparecer!

publicado por Theosfera às 13:25

Até o Natal é um acontecimento pascal.

Até o Natal é um acontecimento que se celebra pascalmente.

O dia de Natal é também um dia de Páscoa.

Foi o que aconteceu na Páscoa que iluminou tudo o resto.

Por isso, Martin Kahler disse que os Evangelhos são a história da Paixão (Morte e Ressurreição) com uma grande introdução.

O que nasce é o mesmo que morre por nós e o mesmo que ressuscita para nós.

A melhor forma de celebrar o Natal é participar na Eucaristia, que actualiza sacramentalmente o mistério pascal.

Há quem chame à Oitava do Natal a Páscoa do Natal.

E há quem considere a Epifania o Pentescostes do Natal, dado que é nesse dia que celebramos a manifestação pública de Jesus.

Não deixemos de «pascalizar» na alegria o encanto do Natal!

publicado por Theosfera às 13:18

Martin Amis está certo.

De facto, «o homem não pode entender o Holocausto». Não pode entendê-lo, mas infelizmente pôde fazê-lo.

E quem fez um não fará mais?

Martin Amis alerta que o Holocausto não é humano. Acontece que o homem já mostrou que é capaz de ser muito pouco humano.

Olhemos para a poderosa lição de humanidade que nos chega de Belém.

Ali respira-se uma humanidade sadia, encantadora. Trata-se de uma humanidade que respeita, que ama, que não tira vida.

Jesus é a humanidade plena!

publicado por Theosfera às 12:07

A ciência é muito importante.

Mas, ensimesmada, pode ser pouco mais que nada.

Já dizia François Rabelais que «ciência sem consciência não passa de ruína da alma»!

publicado por Theosfera às 12:00

  1. As trevas sobressaltaram-se. A noite acordou. Toda a natureza — e não apenas o galo — cantou.

A manhã despontou. E o Salvador chegou.

 

  1. Aquele Menino é tão divino que até quis ser humano. Aquele Menino é tão humano que só pode ser divino.

É tão santo que só consegue provocar encanto. É tão cheio de mansidão que os nossos joelhos caem logo em adoração.

 

  1. O Seu rosto destila tanta pureza que até os antípodas aspiram o perfume da Sua beleza.

Enfim, a Sua imagem desperta tal ternura que nem há palavras para descrever tamanha formosura.

 

  1. Eis o presépio. O Menino está ali. Mas eu sinto-O sobretudo aqui; dentro de mim, dentro de si.

Continuo a ver Jesus agora e não deixo de O rever lá fora.

 

  1. Ele está na rua, na minha história e também na sua.

Está no sofredor, naquele que estende a mão e mendiga amor. Está no pobre, no que não tem pão. Está em quantos vão penando na solidão.

 

  1. O Seu tempo não é distante pois a Sua presença é constante. O Seu lugar não é só em Belém, é na nossa vida também.

Ouçamos sempre a Sua voz. E nunca deixemos de O acolher em cada um de nós.

 

  1. Este é o autêntico «dia inicial inteiro e limpo, onde emergimos da noite e do silêncio e, livres, habitamos a substância do tempo».

Neste dia, na verdade, o tempo fica mais perto da eternidade. Sophia tem mesmo razão: «A casa de Deus está assente no chão».

 

  1. Este é o dia com princípio, mas sem fim. É o dia que jamais anoitece. E em que até o frio nos aquece.

É o dia em que os céus se abriram. Em que os anjos saíram e melodias se ouviram.

 

  1. O futuro nasceu. E até justiça choveu. Só o impossível desapareceu no preciso instante em que aconteceu.

Deus veio ao mundo. Acampou na terra para eliminar o ódio e acabar com a guerra. Trouxe, como única veste, a paz e é imensa a alegria que a todos nos traz.

 

  1. Veio em forma de criança. Haverá quem fique indiferente a tanta esperança?

Naquele dia, colocaram-No numa manjedoura, perto do chão. Mas, desde então, a Sua morada passou a ser o nosso coração!

 

publicado por Theosfera às 10:13

Nestas alturas, é praticamente impossível ser original.

Mas ainda bem. Por vezes, há certas originalidades que homenageiam mais a vaidade do que a sinceridade e a beleza.

Mais importante do que ser original é ser autêntico. E, depois, há coisas antigas que caem tão bem.

«Feliz Natal» parece soar a trivial. Só que sempre que tais palavras saem dos lábios logo se alojam na alma. E prosperam no coração.

Feliz Natal, então. Desde já. E para sempre!

publicado por Theosfera às 09:56

Hoje, 23 de Dezembro, é dia de S. João de Kenty, Sta Vitória, Sta. Anatólia, S. Sérvulo e Sta. Maria Margarida Dufrost de Lajemmerais.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2014

Muita gente se espanta ao ver como o medíocre se torna importa e como o verdadeiramente importante é tratado como se fosse medíocre.

Como bem notou André Gide, «as coisas valem pela importância que lhes damos».

E não há dúvida de que a tendência é para se dar importância ao que pouca importância terá.

Sinal dos tempos?

publicado por Theosfera às 09:41

É provável que Leonardo da Vinci tenha razão: «Quando provares a sensação de voar, irás andar pela terra com os olhos postos no céu, onde estiveste e para onde desejas voltar».

A terra não é muito recomendável. Mas é na terra que urge estar.

Enquanto Deus quiser!

publicado por Theosfera às 09:32

Hoje, 22 de Dezembro, é dia de Sta. Francisca Xavier Cabríni e S. Graciano.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 21 de Dezembro de 2014

Às 23h03!

publicado por Theosfera às 23:03

Maria,

Tu és a serva do Senhor,

a Mãe da disponibilidade,

o farol da nossa esperança.


Na Tua humildade,

encontramos a verdade.



Na Tua fidelidade,

reencontramos o sentido.



Com o Teu sim,

tudo mudou,

tudo continua a mudar.



Que o Teu sim nos mude.



Que o Teu sim mude a nossa vida.



Faz do nosso ser

um novo presépio,

igual ao Teu.



Que o Teu Filho nasça em nós.



Que a paz brilhe.

Que a justiça apareça.

E que os sonhos das crianças não deixem de se realizar.



Obrigado, Senhor,

por vires até nós

e por ficares sempre connosco!





Maria, Mãe,

semeia em nós

o Teu Natal,

o Natal do Teu (e do nosso) Jesus!
publicado por Theosfera às 11:12

O ser humano é, constitutivamente, uma harmonia.

Quebrar essa harmonia é, de algum modo, ferir a humanidade de cada pessoa.

A inteligência, para ser inteligente, não pode dispensar o sentimento.

Xavier Zubiri propôs o conceito luminoso de «inteligência sentiente». Trata-se da inteligência que sente.

E, num registo semelhante, Paul Ricoeur achava que a última etapa da leitura é o amor: «Li, compreendi, amei».

Só no amor se compreende verdadeiramente. Só o amor é compreensivo!

publicado por Theosfera às 08:29

Por esta altura e como todos acharemos normal, fala-se muito do «meu», Natal, do Natal de cada um.

Praticamente não há ninguém que não goste de partilhar recordações e vivências.

Cada um gosta de dizer que como é o seu Natal em casa ou no trabalho, se tem de trabalhar. E, de facto, o Natal acaba por ser de todos.

Já S. Leão Magno notava que o Natal é o aniversário da cabeça e dos membros do corpo de Cristo.

É fundamental perceber que só há Natal hoje porque houve o Natal em que Jesus nasceu.

Alguma deriva egocêntrica (tipificada na constante evocação do «meu» Natal) pode ofuscar o brilho do Natal. N

inguém é obrigado a ser crente pelo facto de reconhecer que o Natal é a celebração do nascimento de Jesus.

E Ele veio, e continua a vir, para nos arrancar precisamente às investidas contagiosas do egoísmo!

publicado por Theosfera às 08:13

Quem não gosta de andar satisfeito?

A satisfação é um desígnio legítimo e uma aspiração compreensível.

Mas quem alcança a satisfação corre o risco de alcançar também alguma paralisia.

Aldous Huxley reconheceu que «devemos o progresso aos insatisfeitos».

Os insatisfeitos são os que não desistem!

publicado por Theosfera às 08:05

Mons. Simão Morais Botelho faria hoje 91 anos de vida.

É o primeiro aniversário que celebra na eternidade.

O seu exemplo perdurará, para sempre, junto de quem o conheceu na terra!

publicado por Theosfera às 06:05

Hoje, 21 de Dezembro (4º Domingo do Advento e início do Inverno, às 23h03), é dia de S. Pedro Friedhofen e S. Pedro Canísio.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 20 de Dezembro de 2014

A vida é o grande juiz.

Há mesmo máximas indiscutidas que começam a ser postas em causa.

Hegel assegurou que «o real é racional e o racional é real».

Pelas amostras, nem sempre o real parece racional. Às vezes, parece até muito irracional.

Nem sempre o racional parece real. Às vezes, o que racionalizamos não realizamos.

Muito trabalho temos pela frente!

publicado por Theosfera às 13:12

Nada como a simplicidade para aprimorar uma novidade.

A novidade que cativa é simples.

Vauvenargues já o tinha reconhecido há séculos: «Para se saber se um pensamento é novo, não há como exprimi-lo muito simplesmente».

Só a simplicidade convence!

publicado por Theosfera às 11:59

Neste mundo, há pessoas que são «presépios».

Pela sua generosidade. Pela sua autenticidade. Pela sua lhaneza. Pela sua transparência. Pelo seu talante bondoso. Pela franqueza com que abrem as portas da sua casa.

E pela disponibilidade com que (re)abrem, constantemente, as janelas da sua vida!

publicado por Theosfera às 07:20

A. Adiantada vai a noite

  1. O vento continua a soprar. O vento do Advento continua a soprar. Com uma força suave e uma suavidade forte, eis que o vento do Advento está a levar-nos até às proximidades do Natal. Está quase a chegar o grande — e tão esperado — dia. É o dia em que nunca anoitece. É o dia em que a luz nunca escurece e em que até a escuridão parece brilhar. É o dia em que o céu desce à terra e a terra sobe ao céu. É o dia em que os extremos se tocam e os contrários se abraçam. É o dia da reconciliação universal.

É o dia em que, como vaticinara Isaías, «o lobo habitará com o cordeiro»(Is 11, 6). É o dia em que até «a criança de peito brincará na toca da víbora»(Is 11, 8). É o dia em que não haverá mais «destruição»(Is 11, 9). Nesse dia, não serão os poderosos a mandar; será um «menino a conduzir-nos»(Is 11, 6), porque «o Senhor levantará a Sua mão para libertar o resto do Seu povo»(Is 11, 11).

 

  1. A sentinela, que nos vai acompanhando na noite, ouve o clamor da nossa alma, como outrora ouvira o grito de Seir: «Sentinela, sentinela, a que horas vai a noite?» E a sentinela responde: «Vai chegar a manhã»(Is 21, 11-12). De facto e como observa S. Paulo, «a noite vai adiantada e aproxima-se o dia»(Rom 13, 12). Agora, «a salvação está mais perto de nós»(Rom 13, 12).

Deus é o dia, mas não deixa de agir na noite. Aliás, a sabedoria rabínica regista que Deus intervém na história do mundo ao longo de quatro «grandes noites»: na noite da criação, quando pôs ordem no caos; na noite em que fez aliança com Abraão; na noite da libertação do Egipto; e na noite quando Ele voltar para romper todas as correntes, toda a escravidão, todo o pecado, criando um mundo novo. Como reconheceu João Paulo I, «Deus tem os Seus olhos abertos, mesmo quando nos parece que é de noite». Acrescentaria: «Sobretudo quando nos parece que é de noite»!

 

B. O parto está perto

 

3. O ser humano assemelha-se à natureza. Também nós passamos por fases. Também o nosso interior amanhece, entardece e anoitece. Só que a noite, quando cai sobre nós, parece cair para ficar prolongadamente. Dá a impressão de que vivemos tempos nocturnos. Mesmo de dia, comportamo-nos nocturnamente, soturnamente, obscuramente. Mas a noite não é o fim. A noite aloja ânsias de luz. Já Teógnis de Mégara pressentia que «as trevas escondem o acontecimento futuro».

O parto está perto. E o parto do futuro faz-se, quase sempre, após longas incursões das trevas. Não esqueçamos que é a escuridão da noite que antecede o brilho da manhã. Por conseguinte, não desesperemos na noite: a manhã está quase a despontar.

 

  1. A «luz terna e suave no meio da noite» trouxe-nos para «mais longe». Mas, entretanto, este «mais longe» está cada vez mais perto. Mesmo na noite, já sentimos brilhar o dia. S. Paulo recomenda aos cristãos para terem comportamentos diurnos, claros: «Comportemo-nos dignamente, como em pleno dia»(Rom 13, 13). E previne para que deixemos as obras das trevas revestindo-nos com as armas da luz (cf. Rom 13, 12).

Mesmo na noite — sobretudo na noite —, é imperioso ser luz. Mesmo na noite — sobretudo na noite —, é fundamental ser luminoso. Não somos chamados a ser «homens da noite», mas «homens do dia» até durante a noite. O grande dia — Jesus — já brilha. Jesus é o dia que até de noite brilha. E Maria é a estrela que nos conduz até esse dia. É uma estrela que acende a luz. Eis, pois, o Emanuel que vem, o Deus connosco que chega, o Deus para nós que nos visita. Como não chorar de comoção diante de tanto amor?

 

C. O Advento é (também) tempo de Maria

 

5. Advento é o tempo de Deus, o tempo de Jesus, e, nessa medida, o tempo de Maria que, fiel a Deus, nos traz Jesus. A Primeira Leitura fala-nos de uma casa (cf. 2Sam 7, 4). Maria é a casa que Deus escolheu para habitar neste mundo. O Evangelho diz-nos que o enviado de Deus foi à casa de Maria e sobre a casa de Maria ressoou uma celestial mensagem de alegria: «Alegra-Te, Maria», pois «o Senhor está conTigo»(Lc 1,28). Por isso, não há motivo para ter medo (cf. Lc 1,30).

Neste encontro de Deus com Maria encontramos um perfil para a Igreja. Hoje também, estamos convocados para constituirmos, em Jesus e com Maria, uma Igreja da Anunciação, uma Igreja da Alegria, uma Igreja sem Medo.

 

  1. É natural que, como sucedeu a Maria, também nós fiquemos perturbados com a proposta de Deus (cf. Lc 1, 29). Não há-de ser, porém, esse medo a impedir-nos de dar uma resposta à (divina) proposta. É importante perceber que a missão não é iniciativa nossa; a iniciativa é de Deus. É Ele que bate à nossa porta e nos chama (cf. Ap 3, 20).

Tal como Maria deixou que o Filho de Deus Se fizesse carne na Sua carne (cf. Lc 1,31-33), é fundamental que também nós deixemos que o mesmo Filho de Deus Se faça vida na nossa vida. Maria serva é o modelo para uma Igreja serva. Cada um de nós é convidado a fazer suas as palavras de Maria: «Eis a serva do Senhor; faça-se em Mim segundo a Tua Palavra»(Lc 1,38). Maria é senhora porque aceitou ser serva. O seu «sim» faz de Maria inteiramente feliz até ao fim.

 

D. O que por nós vela, no Natal Se desvela

 

7. Está aqui o grande mistério, que ao longo da história por nós vela e que no Natal se desvela. S. Paulo fala-nos do mistério «mantido em silêncio por tempos sem fim»(Rom 16,25), mas em Cristo manifestado (cf. Rom 16,25-26), tornando-se, portanto, mistério conhecido.

Mistério aqui não é o que está escondido, o que não se sabe. Pelo contrário, mistério é o que Deus nos dá a conhecer. E o que Deus nos dá a conhecer é Ele próprio, no Seu infinito amor.

 

  1. Criados à imagem e semelhança de Deus, somos criados à imagem e semelhança do Seu amor. Mas o amor que recebemos de Deus em Jesus não é só para nós nem para os nossos. Na noite de Natal, quando tivermos a nossa casa cheia e a nossa mesa farta, não esqueçamos que, de sete em sete segundos, uma criança com menos de dez anos morre no mundo. Motivo? A fome! Alguém poderá dormir descansado? O Menino que para nós nasceu, há mais de dois mil anos, agoniza, cheio de fome, nessa imensa legião de irmãos nossos. Se Ele é, de facto, diferente, quem pode permanecer indiferente?

Não há dúvida de que é bonito ver tanta gente a beijar, comovida, a imagem de barro do Menino Jesus. Mas porque é que não mostramos o mesmo afecto pela Sua imagem de carne e osso, às vezes, mais osso que carne? Não percamos de vista que o Menino não está só no presépio. Ele, hoje, também está nos hospitais e na rua: tantas vezes ignorado, tantas vezes rejeitado.

 

E. Do aconchego do lar ao desassossego do mundo

 

9. O Natal é habitualmente — e muito bem — associado às crianças. Na verdade, o Filho de Deus apareceu no mundo em forma de criança. Mas Ele está presente em todo o ser humano. E há tantos seres humanos que, nesta época do ano, são ainda mais esquecidos, ainda mais abandonados, ainda mais maltratados. Será que, por exemplo, nos lembramos dos idosos? Será que nos apercebemos da presença de Deus neles? Será que temos a preocupação de passar pelo leito em que muitos deles se encontram? Será que já compreendemos que beijar um velhinho é, hoje em dia, uma nova forma de beijar o Deus Menino?

Que o Natal não seja só para nós. Que o Natal seja para todos. Que o Natal não deixe ninguém só. Que o Natal nos leve a procurar os que estão sós. Por esta altura, a tarefa está quase concluída: a lista está pronta, as compras estão quase todas feitas e bastantes prendas já terão sido dadas. Enfim, já demos muita coisa. E nós, será que já nos demos? Será que já nos entregamos a quem Se entregou por nós? É bom receber, mas é muito mais belo oferecer. Procuremos dar, mas não nos esqueçamos de nos dar. Demo-nos a Cristo e procuremos darmo-nos em Cristo.

 

  1. Há Natais que mais parecem um aniversário sem aniversariante. Há muitos Natais frios, ainda que aquecidos à lareira. Só haverá Natal na realidade quando mergulharmos na realidade do Natal. E a realidade do Natal passa não somente pelo aconchego do lar, mas também (e sobretudo) pelo desassossego do mundo.

Não esqueçamos nunca que o Natal é a festa do nascimento de Jesus. Depois da festa em nossa casa, procuremos fazer festa na Casa d’Ele, na Casa de Jesus. A consoada começa em nossa casa e continua na Casa de Jesus. O divino Aniversariante espera por nós para a divina Consoada. Na noite santa, na noite em que o grande — e definitivo — dia começou a brilhar, procuremos participar na Eucaristia. O nascimento é de Jesus. O Natal é para nós. Jesus não é só o esperado que nos aguarda. Jesus é o (totalmente) Inesperado que nos visita. Por isso, alegremo-nos, comovamo-nos, choremos, procuremos sorrir, cumprimentemos, abracemos. E procuremos fazer do Natal um dia com 365 dias. Enfim, que o Natal, que seja logo, que o Natal seja longo. Que o Natal seja aqui. Que o Natal seja agora. Que seja sempre Natal!

publicado por Theosfera às 06:52

Hoje, 20 de Dezembro, é dia de S. Teófilo de Alexandria, S. Zeferino e S. Domingos de Silos.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:44

Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2014

Há palavras que servem de deleite.

Há palavras que surgem como enfeite.

E também há palavras que ferem como setas e estalam como estilhaços.

Nestas últimas podem ser inscritas as narrativas de Karl Ove Knausgard.

Para ele, «escrever é retirar das sombras aquilo que sabemos».

Nem sempre é fácil, sobretudo quando se intenta dar voz ao indizível.

Falar do que se sofre pode não dar um resultado sofrível.

A dor tem fornecido monumentos imorredouros da literatura!

publicado por Theosfera às 09:53

A parte do corpo humano que está mais sujeita a fracturas não são os ossos, é o coração.

Pior que os ossos partidos é sentir o coração partido.

É o que acontece quando ouvimos histórias de vida que despedaçam a alma.

É o que acontece quando queremos ajudar e não podemos.

É o que acontece quando percebemos que os que podem não querem.

Escutar é pouco. E rezar também não será tudo. Mas, para quem crê, pode ser muito para que as coisas possam mudar. E, finalmente, melhorar.

Apesar da espessura das nuvens, acredito que o sol possa (finalmente) brilhar para quem sofre!

publicado por Theosfera às 09:37

Mais um primor que está ao nosso dispor. A edição do segundo volume de «Quando Ele nos abre as Escrituras» constitui, sem dúvida, um belo evento neste final de Advento.

O novo livro de D. António Couto confirma-o como exegeta e magnifica-o como esteta.

É por isso que os seus textos não são áridos. Pelo contrário, combinam o rigor da exposição com a beleza da expressão. E conseguem obter, assim, um efeito balsâmico em quem pretenda avançar no contacto com o universo bíblico.

Para ele, a interpretação não é uma apropriação apriorística das palavras, mas um anúncio fidedigno da Palavra: desde a sua génese até ao seu sentido para hoje.

Há um cruzamento fecundo entre a ciência e a vivência. As leituras que propõe são sempre referidas às fontes e reportadas à vida.

Divisa-se aqui, pois, um meritório sentido de missão. Num registo levemente heideggeriano, atrever-me-ia a dizer que estudos como este entroncam totalmente no ministério de «pastor do (nosso) ser». E acabam por estimular a vontade de nos aproximarmos, cada vez mais, do ser do (eterno) Pastor.

As palavras deste livro fazem apetecer o Livro da Palavra, que se torna pão e «companhia», que é o pão que comemos juntamente com os outros.

Ao leitor deseja o Autor «bom apetite» para uma «viagem longa e sentida».

Nem só de pão vive o homem. Há palavras que também são pão.

As palavras do livro de D. António Couto fazem-nos ter ainda mais fome da Palavra que alimenta, alenta, sacia e extasia!

publicado por Theosfera às 05:48

Hoje, 19 de Dezembro, é dia de Sta. Sametana, Sto. Urbano V e S. Ciríaco.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2014

Ver implica estender o olhar.

O que está perto pode ser ilusão.

Charles Dickens notava que aquilo que à nossa frente se mostra, mais além se oculta.

Cuidado com as vistas estreitas.

Distanciemo-nos do que aparece perto. E procuremos aproximar-nos do que parece longe.

A sabedoria consiste em percorrer os caminhos que (ainda) não foram andados!

publicado por Theosfera às 11:25

O que fica quando tudo parece passar?

A sociedade está em processo acelerado de mudança. Alguns processos de mudança parecem assumir a forma de decomposição.

Qual será o alicerce que resistirá? Victor Hugo expendeu uma convicção: «Quando se decompõe uma sociedade, o que se acha como resíduo final não é o indivíduo, mas a família».

Sucede que a família também sofrer o turbilhão das mudanças. Mas ela é, sem dúvida, o reduto da confiança.

Salvemos a família e a sociedade não se perderá!

publicado por Theosfera às 11:09

Jesus nasceu num estábulo porque não havia lugar na hospedaria.

Verdade?

D. António Couto explica magistralmente o que aconteceu a Maria e a José: «Não havia lugar para eles na sala (Lucas 2,7). Note-se que o texto refere, de forma clara, sala, grego "katályma", e não hospedaria, como se lê em muitas e preconceituosas traduções. Na verdade, Lucas sabe bem dizer hospedaria, como faz na passagem do bom samaritano (Lucas 10,34), em que usa o termo grego "pandocheîon". "Katályma" não significa hospedaria. Significa sala. Pode ser a sala do andar superior (Lucas 22,11), mas é, neste caso, a sala de hóspedes que a arqueologia pôs a descoberto no rés-do-chão de muitas das casas da Palestina do tempo de Jesus. Esta sala apresenta forma quadrada ou rectangular, com um banco rochoso ao longo das paredes, destinado ao descanso das pessoas. Uma única porta de entrada dava acesso à sala a pessoas e animais. Ao fundo da sala localizava-se outra porta, que dava para um estábulo, para onde as pessoas conduziam naturalmente os animais. É neste estábulo anexo à sala de hóspedes que vai nascer Jesus, e é também aqui que se compreende perfeitamente a presença da manjedoura (Lucas 2,7 e 12)».

publicado por Theosfera às 10:51

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