O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

A festa de Halloween chegou dos Estados Unidos da América, agora muito celebrada também na Europa e assinala-se no dia 31 de Outubro. 

A comemoração veio dos antigos povos bárbaros celtas, que habitavam na Grã-Bretanha há mais de 2000 anos.

Os celtas realizavam a colheita nessa época do ano, e, segundo um antigo ritual, para eles os espíritos das pessoas mortas voltariam à Terra durante a noite, e queriam, entre outras coisas, alimentar-se e assustar as pessoas.

Então, os celtas costumavam vestir-se com máscaras assustadoras para afastar estes espíritos.

Esse episódio era conhecido como o Samhaim. Com o passar do tempo, os cristãos chegaram à Grã-Bretanha, converteram os celtas e outros povos da Ilha e a Igreja Católica transformou este ritual pagão, numa festa religiosa, passando a ser celebrada nesta mesma época e, ao invés de honrar espíritos e forças ocultas, o povo recém-catequizado, deveria honrar os santos. 

A tradição entre estes povos continuou, e além de celebrarem o Dia de Todos os Santos, os não convertidos ao Cristianismo celebravam também a noite da véspera do Dia de Todos os Santos com as máscaras assustadoras e com comida. A noite era chamada de All Hallows Evening (que significa precisamente véspera de todos os santos), abreviando-se, veio o Halloween.

publicado por Theosfera às 09:49

Tantos se dizem progressistas. E tão pouca ousadia se vê.

Talvez haja o risco de errar. Mas como pode acertar quem não ousa? B

ernard le Bovier de Fontenelle notou: «É preciso ousar em todo o género de coisas; mas a dificuldade está em ousar com acerto».

Eu diria que só merece acertar quem aceita correr o risco de errar.

O futuro será dos que ousam!

publicado por Theosfera às 09:38

As questões unem-nos. Mas, como notou Darek Miller, as respostas dividem-nos.

O caminho talvez passe por dedicar mais tempo a ouvir as perguntas.

Uma resposta apressada pode ser uma resposta iludida!

publicado por Theosfera às 09:31

Que fizemos do preceito socrático?

Sócrates bem aconselhou a conhecer-nos a nós mesmos. Mas parece que nós preferimos saber tudo acerca dos outros a saber alguma coisa sobre nós mesmos.

O problema é que o tudo que pensamos saber dos outros pode equivaler a nada conhecer...

publicado por Theosfera às 09:27

Neste dia 31 de Outubro, faz 497 anos que Lutero afixou as 95 teses na Catedral de Wittemberg, cuja discussão viria a desencadear a Reforma.

Cresci (e as imagens da infância nunca se apagam) a ouvir falar de Lutero como sendo quase a encarnação do mal.

Recordo um livro de catequese que o figurava à beira de umas chamas incandescentes.

E eram reportadas estórias em que ele aparecia a dizer à esposa: «Vês o Céu? Mas não é para nós»!

A verdade está sempre condicionada pelo tempo. Vim, mais tarde, a descobrir que Lutero foi um apaixonado por Jesus e que, pesem alguns excessos, quis uma profunda reforma na Igreja.

Ao contrário do que se diz, Lutero teve sempre uma grande veneração por Maria.

Viveu uma vida atormentada no Convento de Erfurt, pensando que Deus o ia condenar.

Foi, por isso, com alívio que, em 1513, encontrou «a justificação pela fé»(Rom 3,28).

A salvação é, antes de mais, um dom. Não somos nós que a merecemos.

Lutero tinha um temperamento sanguíneo, impetuoso. Mas foi um homem de Deus.

Depois de tantos desencontros, não terá chegado o momento do reencontro definitivo com a herança de Lutero?

Afinal, continuamos todos irmãos. Apesar de (ainda) separados.

publicado por Theosfera às 00:38

Hoje, 31 de Outubro, é dia de Sto. Afonso Rodrigues, Sto. Ângelo de Acri, S. Quintino (invocado contra a tosse), S. Wolfang e Sta. Joana Delanoue.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

 

É triste a dor. É dolorosa a tristeza.

Mas muito se aprende com a dor. E pouco se desaprende com a tristeza.

Importante é aceitar as situações quando elas surgem.

A adversidade é o grande teste da qualidade!

 

publicado por Theosfera às 10:13

O nosso erro é circunstancializar excessivamente a felicidade.

O nosso problema é fazer depender a felicidade das circunstâncias.

Quando as circunstâncias são favoráveis, sentimo-nos felizes. Quando as circunstâncias são desfavoráveis, sentimo-nos infelizes.

Neste sentido, propendemos a inviabilizar uma felicidade no meio da adversidade. Mas não é impossível ser feliz na tempestade.

Dizia Lacordaire que «a felicidade é simplesmente uma questão de luz interior».

Quem acende essa luz é Deus. E acende-a dentro de nós.

Que nós não apaguemos a luz que Deus acende!

publicado por Theosfera às 10:03

Hoje, 30 de Outubro, é dia de S. Marcelo, S. Cláudio, Sta. Doroteia Swartz e S. Domingos Collins.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 29 de Outubro de 2014

 

A bem dizer, só há um santo que é Deus.

Os santos são aqueles que deixam Deus tomar posse da sua vida.

Os santos são aqueles que fazem transparecer Deus na sua existência.

Os santos não são competidores de Deus.

Os santos são ícones, não são ídolos.

Os ídolos apontam para si mesmos. Os ícones apontam para Deus.

Nos santos, encontramos imagens vivas do próprio Deus.

Tinha razão, por isso, Jacques Maritain quando disse que «os melhores educadores são os santos».

É que os santos não se limitam a dar lições com os lábios; os santos constituem uma permanente lição com a sua vida.

Os santos não vivem enquanto falam, falam enquanto vivem, falam na medida em que vivem.

 

publicado por Theosfera às 23:18

 

Na vida, nem tudo o que ouvimos é voz. Tudo o que ouvimos são, antes de mais, ecos.

São ecos de muitas vozes, são ecos de muitos silêncios. São até ecos de muitas vozes que estão em silêncio, de muitas vozes silenciosas, de muitas vozes silenciadas.

Há quem pense que o ser humano é o eco permanente do permanente silêncio de Deus.

Foi o insuspeito José Saramago quem se apercebeu de tudo isto: «Deus é o silêncio do universo e o ser humano o grito que dá sentido a esse silêncio».

 

Para muitos, é o grito do homem que dá sentido ao silêncio de Deus. Mas para muitos outros, é o silêncio de Deus que dá sentido ao grito do homem.

É claro que não falta quem se limite a ouvir o grito. Mas também não escasseia quem capte o sentido do grito.

São tantos os que escutam e saboreiam a escuta do silêncio de Deus. E é nessa altura que não poucos concluem que não é Deus que está em silêncio em relação a nós; nós é que, quase sempre, estamos surdos em relação à voz de Deus.

 

publicado por Theosfera às 22:06

Habitualmente, teoriza-se sobre os fundamentos da liberdade, os conteúdos da liberdade e o exercício da liberdade.

Esquecemo-nos, porém, de reflectir sobre os limites da liberdade.

Partimos do princípio de que os limites são um atentado contra a liberdade.

Mas é um equívoco. Os limites da liberdade entroncam no expoente da liberdade.

Os limites da liberdade entroncam a liberdade de cada um no encontro com a liberdade dos outros.

Os limites da liberdade fazem-nos perceber que os outros também são livres.

Pelo contrário, a ausência de limites da liberdade tem o mesmo efeito da ausência de liberdade: arbitrariedade, opressão do fraco pelo mais forte, violência, etc.

Enfim, os limites da liberdade não nos apoucam.

Os limites da liberdade alargam a nossa liberdade e levam-nos a acolher a liberdade dos outros!

publicado por Theosfera às 10:57

Basta o que sofremos na realidade, porquê sofrer por antecipação?

Porquê sofrer com aquilo que ainda não aconteceu?

Porquê sofrer com aquilo que pode nem sequer acontecer?

Mark Twain, com alguma dose de sarcasmo, confessou: «Eu sofri por muitas catástrofes na minha vida, mas a maioria nunca aconteceu».

Procuremos travar o fluxo da ansiedade!

publicado por Theosfera às 10:48

O cronista que também é historiador usa um episódio da história como metáfora do presente.

O episódio é a conversão de S. Paulo. Todos os elementos da história são referidos, inclusive o cavalo.

Na mente de todos está a célebre pintura de Caravaggio em que Paulo surge a cair do cavalo.

Não é impossível que ele fosse a cavalo para Damasco. Só que a fonte nada diz sobre isso.

O capítulo 9 dos Actos dos Apóstolos refere que Paulo (na altura ainda Saulo) foi cercado por uma luz (v.3) e caiu por terra (v.4).

Nada se diz sobre o cavalo!

publicado por Theosfera às 10:44

  1. O primeiro passo do evangelizador não é evangelizar.

Evangelizar há-de ser o segundo passo. O primeiro passo do evangelizador é deixar-se evangelizar.

 

  1. Como pode evangelizar quem não está evangelizado? Como pode evangelizar quem não se deixa evangelizar?

Mas como poderá deixar-se evangelizar quem pensa que já está evangelizado? Só está em condições de evangelizar quem se deixa evangelizar.

 

  1. Como muito bem explica D. António Couto, o problema da evangelização «não reside nos destinatários».

O problema maior «reside no sujeito evangelizador que, para o ser, terá também de ser fruto de evangelização».

 

  1. É aqui que radicará, basicamente, a novidade de uma Nova Evangelização, passe a redundância.

Será que toda a evangelização sabe a Evangelho? Sem oração, haverá evangelização? Sem formação, haverá evangelização? Sem profecia, haverá evangelização?

 

  1. Não basta ir a todos os lugares. Não é suficiente chegar a todas as pessoas.

É preciso ir a toda a parte com o Evangelho. É urgente chegar a toda a gente com o Evangelho. A chegada do evangelizador tem de ser a chegada do Evangelho. Para isso, o evangelizador também tem de ser evangelizado.

 

  1. É por este motivo que — lembra de novo D. António Couto — «o sacramento da Penitência ou da Reconciliação é o sacramento-chave da Nova Evangelização».

Só pode ajudar a converter a Cristo quem se deixa converter por Cristo. Daí que o sacramento da Confissão, que nos vem do passado, esteja longe de estar ultrapassado.

 

  1. Em linha com as origens, somos convidados a constituir, segundo a sugestiva linguagem do senhor Bispo, uma «Igreja da anunciação» e uma «Igreja da fidelidade».

No fundo, do que se trata é de renovar a fidelidade no anúncio do Senhor Jesus.

 

  1. A missão tem de ser alentada — e alimentada — pela oração.

Só assim o evangelizador será um seguidor de Cristo e um servidor em Cristo.

 

  1. Voltando às iluminadoras expressões de D. António Couto, diria que é urgente implementar uma «evangelização non-stop»: sem pausas, sem recuos e «sem andaimes».

A evangelização existe para assegurar a todo o ser humano que Deus o ama.

 

  1. O mundo tem de saber que Deus é o maior investidor na felicidade do homem. Ele apostou o melhor que tinha — o próprio Filho (cf. Jo 3, 16) — na felicidade de todos os homens.

Evangelizar é felicitar. É semear felicidade.

 

publicado por Theosfera às 09:32

Hoje, 29 de Outubro, é dia de S. Narciso, Sta. Ermelinda e S. Miguel Rua.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:03

Terça-feira, 28 de Outubro de 2014

 

É próprio dos sábios conhecer. Não é próprio dos sábios serem reconhecidos.

Já na Antiguidade, Confúcio notou:  «O sábio não se aflige por não ser conhecido dos homens; ele aflige-se por não os conhecer»!

publicado por Theosfera às 10:16

Fica bem ao servido agradecer ao servidor.

Mas também não fica mal ao servidor agradecer ao servido.

Domenico Cieri reconhecia que «poder servir é um favor que nos fazem».

Afinal, todos existimos para servir. Deixar servir não deixa de ser um acto de delicadeza!

publicado por Theosfera às 10:12

Muitas vezes, os mais crescidos não cuidam do que dizem e do que fazem à frente dos mais pequenos.

Seria bom perceber que os mais pequenos também são sensíveis. À injustiça, por exemplo.

Charles Dickens notou que, «no pequeno mundo em que vivem as crianças, não importa quem as crie; nada é mais delicadmente sentido do que a injustiça»!

publicado por Theosfera às 09:43

A estrada da vida até pode ser longa, mas a viagem costuma seguir a um ritmo acelerado.

Ainda que decidamos travar aqui ou ali, o acelerador teima em apressar a viagem.

Daí que a ansiedade abunde. Devia abundar também a paciência.

Precisamos de paciência para perceber que a justiça tem uma passada mais pausada.

Temos de estar preparados para tudo. A justiça pode vir muito tarde ou até demasiado tarde. Pode vir quando nós já fomos.

Importante é não vacilar.

Há quem aposte em distribuir sorrisos para a plateia e quem goste de coleccionar aplausos das multidões.

Sorria para a vida. A vida não deixará de lhe sorrir.

A seu tempo, o que permanece velado se desvelará. E, talvez, o desvanecerá!

publicado por Theosfera às 09:28

Hoje, 28 de Outubro, é dia de S. Simão, S. Judas e S. Malchion.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 27 de Outubro de 2014

Nunca pensamos totalmente no que somos e nunca somos totalmente o que pensamos ser.

Leon Tolstoi verbalizou este impasse de forma magistral: «O homem é como uma fracção cujo numerador é o que ele é e cujo denominador é o que ele pensa que é. Quanto maior o denominador, menor a fracção»!

publicado por Theosfera às 11:13

É sabido que a obesidade não é menos perigosa que a subnutrição. E isto não se passa só na comida.

Em todos os domínios, os excessos são tão ameaçadores como os defeitos.

A opinião é uma conquista e, inquestionavelmente, um direito. Mas o excesso de opinião pode degenerar numa completa desorientação.

Partindo do princípio de que todas as opiniões são legítimas e que muitas delas se contradizem entre si, torna-se muito difícil encontrar uma direcção e descortinar um rumo.

Não espanta, por isso, que haja quem opte por seguir líderes que fornecem orientações rígidas.

O fascínio que, no Ocidente, despertam algumas sociedades totalitárias arrepia. Mas dá que pensar!

publicado por Theosfera às 09:37

Hoje, 27 de Outubro, é dia de Nossa Senhora das Vitórias, S. Gonçalo de Lagos, S, Vicente, Sta. Sabina e Sta. Cristeta.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 26 de Outubro de 2014

A. Muitas são as leis; muito pouco aplicadas são algumas leis

  1. Armadilhas não são coisa de agora. Jesus pisou, frequentemente, terrenos armadilhados. Eram armadilhas em forma de palavras, palavras capciosas, cheias de segundas intenções. Jesus desembaraçou-Se sempre, e com sublime mestria, desses profissionais da rasteira. Acabámos de ouvir dizer que «Jesus tinha feito calar os saduceus»(Mt 22, 34). É compreensível que os fariseus quisessem ver se Jesus conseguiria fazer-lhes o mesmo. Sendo especialistas em leis e convencidos das suas capacidades, não seria difícil arrastar Jesus para uma discussão em que se instalasse a polémica.

Refira-se que a Lei (a Thora) compreendia não só o Decálogo, mas todo o conteúdo dos cinco primeiros livros da Bíblia: Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio. Os doutores da Lei chegaram a contabilizar 613 preceitos e é natural que se entretivessem a estabelecer uma ordem nesses preceitos: 365 eram preceitos negativos, ou seja, estipulavam o que não se podia fazer; e 248 eram preceitos positivos, ou seja, apontavam o que se devia fazer.

 

  1. Perante tal diversidade, é natural que houvesse uma pluralidade de opiniões. Cada mestre e cada escola teriam a sua posição. Qual seria a posição de Jesus? Certamente que ponderaram várias respostas e partiram do princípio de que qualquer delas daria motivo para O contestarem. Na verdade, se há matéria onde proliferam discussões é quando o assunto versa sobre leis.

O poder pode ser avaro em muita coisa, mas não na produção de leis. O que não falta no mundo são leis. Há leis para todos, há leis para tudo. Até há leis para não cumprir, até há leis para transgredir. Aliás, Chesterton, cheio de uma ironia amarga, dizia que a lei é «algo para ser transgredido». Transgredir leis parece ser uma especialidade de todos. De facto, os males da humanidade não se devem à falta de leis. As leis existem. As boas leis abundam. O problema é que as melhores leis nem sempre são aplicadas nem observadas.

B. E nós, cristãos, cumprimos a nossa lei?

3. Permiti-me ilustrar esta tendência com um episódio extraído das memórias do Prof. Adriano Moreira. No tempo em que ele era ministro, aconteceu-lhe ir em visita oficial a Moçambique, mais concretamente, à cidade da Beira. No encontro com as chamadas «forças vivas» da cidade, estava presente o Bispo, o grande D. Sebastião Soares de Resende, que, a certa altura, coloca uma questão: «A que velocidade vai ser executada a revogação do Estatuto do Indígena?» Tratava-se de uma revogação que tinha sido aprovada há já algum tempo.

Resposta pronta — e sobretudo muito acutilante — do Prof. Adriano Moreira: «Senhor D. Sebastião, a sua lei já tem uns dois mil anos e agradecia que me dissesse a que velocidade vai para ver se o acompanho». E, de facto, ele tinha razão. Ninguém tem uma lei tão bela como nós, cristãos. E, não obstante, passamos o tempo e gastamos a vida a transgredi-la. Algumas vezes, ainda tentamos observá-la. Outras vezes, nem isso.

 

  1. Jesus deixou-nos uma lei, uma lei nova, uma lei que nunca deixa de ser nova. Foi no discurso da Última Ceia que, à guisa de herança, no-la legou: «Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei» (Jo 13, 34). Só que a lentidão com que nós, cristãos, cumprimos — ou a rapidez com que incumprimos — essa lei é exasperante. Nos começos, notava-se uma preocupação em viver essa lei. Tertuliano dá-nos conta de que os outros, olhando para os cristãos, exclamavam: «Vede como eles se amam!» Ou seja, «vede como eles fazem o que dizem»; «vede como eles põem em prática a sua lei».

É claro que, já nesse tempo, havia problemas. Mas tais problemas eram vencidos. O problema é que, depois, parece que foram os problemas a vencer-nos. Manda a verdade reconhecer, porém, que sempre houve quem se esmerasse na vivência luminosa desta lei. Sempre houve quem desse a própria vida pela lei do amor. Sempre houve quem percebesse que, como advertia Sto. Agostinho, «a medida do amor é o amor sem medida», é o amor desmedido.

C. O amor da lei e a lei do amor

5. Se a lei do amor fosse mais observada, as outras leis quase poderiam ser dispensadas. O amor é persuasivo, a pura lei é coerciva. Se a persuasão não funciona, há quem opte pela coerção. O amor cativa, a lei impõe. E é então que podemos cair num impasse, em que ninguém se sente bem. Daí o aviso de Disraeli: «Quando os homens são puros, as leis são desnecessárias; quando são corruptos, as leis são inúteis». Com efeito, um homem recto não precisa da lei. Já um homem desonesto nem com a lei melhora.

É talvez por razões de eficácia que alguns se vêem compelidos a cultivar mais o «amor da lei» do que a «lei do amor». Isso acaba por inverter o sentido das relações entre as pessoas. O amor da lei esquece, quase sempre, que a lei, em si mesma importante, é apenas um meio, não é um fim. A lei tem de servir as pessoas, nunca podendo servir de pretexto para destruir pessoas. Importa ter presente que, como lembrou Luther King, «tudo o que Hitler fez na Alemanha foi legal». Arrepia, mas é verdade: há sempre vidas que vão sendo degoladas à luz da lei, na escuridão de certas leis.

 

  1. A lei é necessária, mas a legalidade não é tudo. É por isso que a lei, sendo para cumprir, pode, por vezes, ter de ser incumprida. Não se trata de uma desobediência gratuita, mas da obediência a uma lei maior: a lei que dimana da própria consciência e que, em último caso, radica no próprio Deus. O Concílio Vaticano II afirma que a consciência é o «santuário secreto». É aí — sobretudo aí — que escutamos a voz de Deus.

Já no Antigo Testamento, Mardoqueu recusa-se, em nome da Lei de Deus, a inclinar-se e a prostrar-se diante da estátua de Amã (cf. Est 3, 5). O risco de vida era enorme, mas a convicção manteve-se inabalável. Há, pois, que distinguir. Nem todas as leis têm o mesmo estatuto ou valor. Para um crente, a Lei de Deus está acima de tudo. Sucede que a Lei de Deus é a lei do amor e, desse modo, do respeito pelas pessoas. Tal significa que nem o Estado pode ser absoluto. Tem limites para a sua actuação e há decisões que são apenas — e sempre — para a consciência

D. O amor é a lei e a lei é o amor

7. Os judeus eram muito ciosos da Lei, da Thora. Para eles, a fonte da Lei não era política, era religiosa. Deus era a origem suprema da Lei. É por isso que o Decálogo regula toda a vida. E, como aprendemos, o Decálogo compendia os «mandamentos da Lei de Deus». Jesus não veio revogar a Lei, mas aperfeiçoar a Lei (cf. Mt 5, 17). E o critério de Jesus para aperfeiçoar a Lei foi sempre o amor. Como se vê no (magno) preceito do Sábado, a lei deve ser sempre para o homem e nunca o homem para a lei. O bem da pessoa é a prioridade. Só honrando a pessoa se honra a Deus.

Em tudo isto, sobressai um princípio de grande alcance: o amor é a lei e a lei é o amor. É neste contexto que o Concílio Vaticano II afirma que a lei suprema do Povo de Deus é o Mandamento Novo do Amor. É para o amor — e não para o desamor — que todas as energias devem ser encaminhadas. O amor deve ser vivido junto dos que pensam como nós e não deve deixar de ser promovido junto dos que pensam diferente de nós. Evocando Pedro Laín Entralgo, diria que é preciso ser «consensuante» mesmo com quem se mostra «discrepante». Assim, o crente amará os que merecem ser amados e não deixará de amar os que não merecem. Até porque estes são os que precisam mais de ser amados.

 

  1. É sob este pano de fundo que Jesus contorna sabiamente a armadilha que Lhe colocaram em forma de pergunta: «Qual é o maior mandamento que há na Lei?»(Mt 22, 36). Jesus começa por responder citando a própria Lei, mais concretamente o Livro do Deuteronómio 6, 5: «Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças». Acontece que Jesus vai mais longe. Diz não apenas qual é o primeiro mandamento, mas aponta logo o segundo, qualificando-o como semelhante ao primeiro: «Amarás o próximo como a ti mesmo». Aqui, cita uma outra passagem da Lei, consignada no Livro do Levítico 19, 18.

Como muito bem anota D. António Couto, se este mandamento é «semelhante ao primeiro, [então] já não é apenas segundo, mas faz corpo com o primeiro. Sendo assim, o amor a Deus é verificável no amor ao próximo, no nosso dia-a-dia». Só amando o próximo mostramos que amamos a Deus. Aliás, já S. João perguntava: «Quem não ama o irmão que vê, como pode amar a Deus que não vê?»(1Jo 4, 20). Por isso — prossegue o mesmo apóstolo — «quem ama a Deus, ame também o seu irmão»(1Jo 4, 21).

E. Toda a Bíblia está perfumada pelo amor

9. A ligação entre o amor a Deus e o amor ao próximo é tão estreita que S. Gregório Magno viu aqui uma razão simbólica para Jesus mandar os discípulos em missão dois a dois. Mandou-os dois a dois porque «dois são os mandamentos, a saber, o amor a Deus e o amor ao próximo». O que Ele quis dizer, no fundo, foi isto: «Quem não tiver amor para com os outros, de modo algum deve assumir o ofício da pregação».

No amor está «toda a Lei e os Profetas»(Mt 22, 40), isto é, toda a Sagrada Escritura. Jesus, na resposta que dá, vai muito mais além da pergunta. A pergunta preocupava-se apenas com a Lei, mas Jesus, na resposta, deixa bem claro que é toda a Bíblia que está perfumada pelo amor, pelo amor a Deus e pelo amor ao próximo. A qualidade do nosso amor a Deus vê-se na intensidade do nosso amor ao próximo. Se não há amor, não há fé. É por isso que Jesus resume toda a Lei no amor.

 

  1. O amor é o que resume toda a Lei, todos os mandamentos da Lei e todos os preceitos que deles se possam extrair. É por isso que quem mais sabe a Lei não é quem mais a conhece mas quem melhor a vive. É preciso viver o amor a partir da nascente, a partir de Deus, que, como nos diz a primeira leitura, ama especialmente os mais necessitados: os mais pobres, os órfãos, as viúvas, os estrangeiros, isto é, todos os que passam privações (cf. Ex 22, 20-26). Também S. Paulo dá testemunho deste amor pondo à frente dos seus interesses os interesses dos outros (cf. 1Tes 1, 5). É muito difícil, mas é muito reconfortante.

Afinal e como garante Jesus, «há mais alegria em dar do que em receber»(Act 20, 35). Até porque quando damos, somos presenteados com a alegria de quem recebe. Nunca recebemos tanto como quando damos tudo. Nunca recebemos tanto como quando nos damos totalmente!

publicado por Theosfera às 13:52

Precisamos de ver

e só Tu és a luz.

 

Precisamos de ver

por fora e por dentro.

 

Precisamos de ver a vida,

o passado, o presente e o futuro.

 

 

A fé salvou o cego.

A fé salva-nos a nós,

tantas vezes cegados pela mentira, pela insinuação e pela inveja.

 

A fé salva na esperança e no amor.

A fé é luz que ilumina e brilha.

A fé é luz que liberta e redime.

 

Hoje também,

Tu, Senhor, continuas a chamar,

a chamar por nós nesta situação difícil.

 

 

Ouve, Senhor,

o clamor dos pobres, dos aflitos e dos famintos.

 

Ouve, Senhor,

o grito dos sem-abrigo e dos sem-amor.

 

Ouve, Senhor,

a súplica dos desempregados e dos que têm salários em atraso.

 

Ouve, Senhor,

o pedido dos que querem dar pão aos seus filhos e não têm conseguem encontrar esse pão.

 

As prateleiras até estão cheias,

mas há corações que permanecem vazios.

 

Mas Tu, Senhor, fazes maravilhas.

Tu, Senhor, és a constante maravilha.

 

 

Por isso continuamos a soltar brados de alegria.

Apesar da crise,

apesar do sufuco e da tempestade,

nós sabemos que, neste tempo de fome,

nós dás o alimento.

 

 

Tu, Senhor, és o alimento,

o pão da Palavra e o pão da vida.

 

Vem connosco saciar a fome deste mundo:

a fome de pão,

a fome de justiça

e a fome de paz.

 

Há nuvens por debaixo do sol.

Mas há sol por cima das nuvens.

 

Obrigado, Senhor, por este pão.

Que ele chegue a todas as casas.

Que ele entre em todos os corações.

 

Obrigado, Senhor, pelos sonhos.

Um dia, as lágrimas hão-de regar as avenidas da vida.

E o sonho de um mundo melhor há-de sorrir para todos.

 

Tu, Senhor, és esse sonho,

um sonho que se realiza em cada instante.

 

O sonho és Tu,

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:17

No tempo do aparato, a aparência parece contar muito.

E é assim que muitos, em vez de mudar de vida, vão mudando de rosto.

As plásticas estão na moda. O parecer triunfa sobre o ser?

publicado por Theosfera às 08:46

Às vezes, não tão poucas vezes assim, a maneira mais fácil de nada mudar é mudar alguma coisa.

Isso acontece com as pessoas, com as instituições e com os povos.

Afinal, a cosmética é uma prática muito difundida. Ilude-se a mudança aparentando que se muda.

Mariano da Fonseca percebeu, há muito tempo, que «os povos invariavelmente mudam de senhores sem mudarem de condição».

Os pobres continuam pobres, as injustiças mantêm-se, o progresso estagna e só favorece alguns.

A mudança não se faz a partir de cima!

publicado por Theosfera às 08:14

Há uma fase na vida em que achamos que a morte não vem, embora ela possa vir.

E há uma altura em que pensamos que a morte afinal vem, mesmo que ela demore a chegar.

O certo é que, cedo ou tarde, ela não deixa ninguém de fora.

Ela vem sempre. E haverá quem julgue que ela vem tarde?

Muita serenidade, porém. Quem procura estar preparado nada tem a temer!

publicado por Theosfera às 08:06

Eis um dia com mais uma hora.

Que não seja uma hora apenas para dormir. Que possa ser uma hora sobretudo para fazer o bem, para contemplar o bem, para admirar quem faz o bem.

Que seja uma hora para apreciar o contínuo milagre da vida e para aplaudir o permanente mistério do mundo.

Afinal, sempre pode haver uma hora de esperança a seguir a muitas horas de desalento.

Os relógios andaram para trás. Mas a vida só anda para a frente.

Não imitemos os relógios deste dia.

Nunca andemos para trás. Deus leva-nos para a frente!

 

publicado por Theosfera às 05:50

A 26 de Outubro, a Teresa e o João uniram as suas vidas pelo sacramento do Matrimónio.

Foi em 1963, há 51 anos.

Obrigado, meu Pai. Obrigado, minha Mãe.

Só ela está comigo. Mas meu Pai nunca me deixou, mesmo quando a morte o (e)levou.

Quem está em Deus continua a estar com todos.

Não vai haver festa. Mas nunca deixará de haver presentes. E jamais faltará o melhor presente: o presente da presença.

Aqui, com minha Mãe, e na eternidade, com meu Pai, unidos estamos. Mais unidos estaremos!

publicado por Theosfera às 03:47

 

Os relógios andaram para trás.
Mas o tempo só anda para a frente!

 

publicado por Theosfera às 02:00

Hoje, 26 de Outubro (30º Domingo do Tempo Comum), é dia de Sto. Evaristo e S. Boaventura de Potenza.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 25 de Outubro de 2014

Se fosse hoje, a tarefa de Aristóteles e de Maquiavel seria bem mais complexa.

Aristóteles foi preceptor do futuro imperador. Maquiavel é o conselheiro do príncipe. Os dois influenciaram os detentores do poder.

Nos tempos que correm e talvez sem nos apercebermos, as coisas são diferentes.

O poder já não está no soberano; está cada vez mais nas massas.

É por isso que o político não tem de ser competente; acima de tudo, tem de ser popular.

Já lá vão os tempos, e ainda bem, em que o soberano perseguia. Mas agora, os políticos são cada vez mais insultados, apupados.

A saudável divergência está a ser substituída por uma inevitável animosidade.

A opinião pesa mais que a orientação. A contestação tende a assumir a forma de ódio.

Como as massas nunca estão satisfeitas, a instabilidade no exercício do poder tende a aumentar.

Tudo está a mudar. Tudo está a mudar depressa. Para melhor?

publicado por Theosfera às 23:03

Primeiro, o Brasil seleccionou. Agora, vai escolher.

Amanhã, o Brasil vai votar. E o mundo vai esperar.

Os órgãos de informação de Portugal têm dado muito destaque a este acto eleitoral.

As últimas sondagens colocam os candidatos à distância de umas simples décimas.

Que tudo corra pelo melhor. Deus abençoe o Brasil.

O Brasil merece o melhor!

publicado por Theosfera às 21:58

É difícil perdermos uma ocasião para falar. Cansamo-nos de tudo, menos de falar.

Will Rogers aconselhava em sentido oposto: «Nunca perca uma boa ocasião para ficar calado».

Às vezes, dizer muito é o mesmo que dizer nada.

Falar é um acto tão importante que não pode ser improvisado!

publicado por Theosfera às 12:12

Dois meses apenas.

Faltam apenas dois meses para o Natal.

Para a celebração, sim. Para a vivência, não.

Natal é hoje. Natal tem de ser sempre.

Hoje Cristo quer renascer no mundo. Quererá cada pessoa do mundo renascer em Cristo?

publicado por Theosfera às 00:36

Hoje, 25 de Outubro, é dia de S. Crispim, S. Crispiniano, S. Crisanto, Sta. Daria, S. João Stone e Sta. Maria Jesus Masiá Ferragut.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:34

Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Nada santa é a vida na cidade santa.

Em Jerusalém prossegue a violência, continuam as acusações e não param as ameaças.

Até quando?

publicado por Theosfera às 10:10

Atenção ao deslumbramento. Cuidado com a glória.

Tudo isso pode parecer saboroso. Mas tudo isso é passageiro e acaba por ser prejudicial.

Daí o avisado conselho de Thomas Mann: «A glória em vida é algo problemático: é aconselhável não se deixar deslumbrar por ela»!

publicado por Theosfera às 10:03

Como começa o conhecimento?

Pela curiosidade, diremos nós.

Pelo espanto, achava Karl Jaspers.

Pela perplexidade, notou Kahill Gibran: «A perplexidade é o início do conhecimento».

Não faltam ondas de perplexidade, hoje em dia.

Não escasseiam, pois, oportunidades para o conhecimento!

publicado por Theosfera às 09:59

Estar indefinidamente à espera do óptimo pode levar ao desperdício do bom.

George Eliot reconheceu: «Neste mundo, são aqueles que aproveitam a oportunidade que têm as oportunidades.

Neste mundo, são aqueles que aproveitam a oportunidade que têm as oportunidades».

As oportunidades fogem de quem não as aproveita?

publicado por Theosfera às 09:54

Não sei por que razão Robert Stevenson afirmou: «Um silêncio pode por vezes ser a mais cruel das mentiras».

Mas sei que, quase sempre, o silêncio transporta a mais luminosa das verdades.

Luminosa, ainda que, por vezes, um pouco dolorosa!

publicado por Theosfera às 09:53

Hoje, 24 de Outubro, é dia de Sto. António Maria Claret, S. Proclo, S. José Baldo e S. Luís Guanella.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

1. É possível ser indiferente em relação ao diferente?

Possível é. Mas tal indiferença arrisca-se a colocar-nos à margem da vida. Ou, pelo menos, a fazer-nos passar ao lado de uma importante parte da vida.

 

2. Hoje em dia, passa-se muito tempo na net. Fala-se na net. Negoceia-se na net. Estuda-se na net. Difama-se na net. Mas também se evangeliza na net. Também se reza na net.

Estaremos no limiar de uma «Neteologia»? As «Cibercomunidades» não estarão a requerer uma «Netmissão», uma «Netpastoral»?

 

3. É especialmente no «facebook» que se vão alojando inúmeras comunidades.

No «facebook» estamos, mostramos, escrevemos, propomos, criticamos, desabafamos.

 

4. Tal como sucede em tudo na vida, também o «facebook» se apodera de nós antes que nós nos apoderemos dele.

Sem darmos conta, ele controla-nos mais a nós do que nós o controlamos, a ele.

 

5. Milton Hatoum descreve o «facebook» como uma espécie de «telefone contemporâneo», que nos (ex)põe em contacto com milhares de pessoas em simultâneo.

Às vezes, é excelente. Outras vezes, achamos que é perigoso.

 

6. Bernardo Carvalho aponta um paradoxo, que se pode sintetizar assim: no «facebook» exercemos a nossa liberdade, mas nem notamos que, neste mesmo espaço, corremos o risco de abdicar da nossa liberdade.

Com efeito, o que partilhamos sobre nós deixa de ser só nosso. Passa a ser também de muita gente.

 

7. Era bom que, no «facebook», não desaprendéssemos de reflectir. Para um cristão, há um princípio elementar: onde está a pessoa, aí tem de estar a missão.

Jesus enviou os Seus discípulos para todo o mundo, para todos os povos, para todas as pessoas.

 

8. E o certo é que as pessoas estão, cada vez mais, nas redes sociais. Seria uma demissão grave ignorar esta presença e subestimar esta oportunidade.

É importante estar em rede como se está na vida: numa atitude de serviço, com sentido de missão.

 

9. Dir-se-ia que as redes sociais configuram uma nova — e imensa — «paróquia». Não se trata de uma paróquia meramente virtual, mas de uma paróquia inteiramente real.

Tem muita gente dentro. Tem muita gente à porta. Tem muita gente a entrar. Terá também muita gente a sair. Há quem esteja no centro e há quem se encontre nas periferias.

 

10. Nesta «paróquia», também há excluídos, marginalizados e até alvos a abater. Será correcto desacompanhá-los?

Não poderemos estar continuamente «on». Mas será legítimo estar sempre «off»?

publicado por Theosfera às 23:47

Eis um dos argumentos mais recorrentes, que arruma discussões depositando-as no armazém do «politicamente correcto».

É um dos lugares-comuns que mais tributo presta ao pensamento fútil.

Dizer que «os tempos são outros» constitui uma afirmação redundante em relação ao passado, estéril em relação ao presente e perigosa em relação ao futuro.

De facto, não adianta dizer que «os tempos são outros». É uma evidência. Cada dia é outro relativamente ao anterior. O mesmo se passa com os meses, com os anos, com os séculos, com as épocas.

Acontece que, no fundo, esta afirmação torna-se estéril em relação ao presente. Afinal, dizer que «os tempos são outros» leva a que não se questione nem se pretenda mudar o presente. Dizemos que «os tempos são outros» e não pensamos, limitamo-nos a deixar andar.

E é assim que comprometemos o futuro. Somos meros espectadores da história? Estaremo-nos a demitir de participar na (re)construção da história?

publicado por Theosfera às 23:05

Pensávamos nós que governar (uma autarquia ou um país) seria sobretudo escutar, pensar, decidir e agir.

Vamos notando, pelo que nos chega, que governar é também (e cada vez mais) viajar, aparecer e falar.

Com tantas deslocações, com tantas entrevistas e com tantos discursos, que tempo sobrará para o resto?

«Os tempos são outros». Governar será diferente?

publicado por Theosfera às 23:03

 

Não culpemos a morte. Que, aliás, nada parece querer connosco.

Quando ela vem, nós já cá não estamos.

Não é, pois, a morte que acaba com a vida. A vida é que vai acabando com as pessoas. E, como que por vingança, há pessoas que vão acabando com a vida. Com a sua vida e com a vida dos outros.

Há quem deixe de encontrar um sentido, há quem desista de descobrir um horizonte.

Vai daí, a tendência é para antecipar o desfecho.

Como a vida parece uma entidade abstracta, quem paga é a vida dos outros e a vida dos próprios.

A violência doméstica está a atingir proporções alarmantes.

Como é que as pessoas que mais se amam são assim agredidas?

Como é possível matar uma esposa, um filho, uma filha? Quando tudo deixa de fazer sentido, nada é impossível.

Só resta um caminho: experimentemos Jesus!

 

publicado por Theosfera às 19:26

O problema do valor é que, muitas vezes, a avaliação é feita por quem tem pouco valor.

Assim sendo, associa-se o valor ao que dá nas vistas e, já agora, nos ouvidos.

Propende-se a achar que o valor é o que é vistoso e ruidoso.

Puro engano. Como verbalizou o sábio Giacomo Leopardi, «quase todos os homens que valem muito têm maneira simples e quase sempre as maneiras simples são vistas como indício de pouco valor».

Esse é o nosso problema: valorizar o que não tem valor e desvalorizar o que (muito) valor tem!

publicado por Theosfera às 13:13

A vida não estaciona no passado, mas os seus começos vieram de lá.

Ignorar ou subestimar o passado é como não cuidar das raízes de uma árvore.

Em ambos os casos, os frutos ficam ameaçados.

Daí o aviso prudente do padre António Vieira: «Os exemplos dos tempos passados costumam ser as regras e os documentos para os presentes e futuros»!

publicado por Theosfera às 13:12

Cada um de nós terá as suas prioridades. Quais serão as nossas?

Diz João Paulo II: «O que realmente interessa na vida é que somos amados por Cristo e que O amemos de volta. Em comparação com o amor de Cristo, tudo o mais é secundário. E, sem o amor de Cristo, tudo é inútil».

Sem Cristo, tudo é movediço, nada é sólido.

publicado por Theosfera às 13:10

Hoje, 23 de Outubro, é dia de S. João de Capistrano, S. Servando, S. Germano e Sto. Arnulfo Reche.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:07

Quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

A doença destrói muitas vidas. Mas, graças a Deus, há vidas que também destroem muitas doenças.

O ébola tem sido uma crudelíssima máquina de destruição. Há, porém, notícias alentadoras.

Teresa Romero já está curada. Rezamos para que outras «vitórias» se verifiquem!

publicado por Theosfera às 08:01

Enquanto estivermos no tempo, nunca deixaremos de estar na história.

Mesmo que alguém pense que a história chegou ao fim, ela encarrega-se de demonstrar que está sempre a recomeçar.

Foi o que Eduardo Galeano percebeu ao escrever: «A História nunca diz verdadeiramente "adeus»; a História diz "até já"». Ou, talvez, «até sempre».

Ainda que alguém se distraia da história, a história nunca se distrai!

publicado por Theosfera às 07:56

Hoje, 22 de Outubro, é dia de Sta. Josefina Léroux e suas Companheiras mártires, Sto. Abércio, Sta. Salomé, Sta. Nunilona e Sta. Alódia, S. Tiago Giaccardi e S. João Paulo II.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 21 de Outubro de 2014

 

  1. Há quem diga — Longanesi, por exemplo — que é próprio dos grandes homens não serem compreendidos.

Trata-se, por conseguinte, de uma grandeza trágica.

 

  1. Quem é excepcional é quase sempre conhecido, mas raramente é reconhecido.

Tem encontro assegurado com a História e desencontros garantidos ao longo da sua história.

 

  1. Poucas figuras terão sido tão incompreendidas como Paulo VI.

Gastou a vida a procurar compreender os outros. E desgastou-se em vida ao ser incompreendido por outros.

 

  1. Desencantou os que pretendiam homéricas transformações. E, como é óbvio, não deixou de desapontar os que não toleravam a mais leve alteração.

Tornou-se, assim, demasiado progressista para os conservadores e excessivamente conservador para os progressistas.

 

  1. Houve quem lhe apoucasse a profundidade, reduzindo-a a mera hesitação. Não faltou sequer quem lhe apontasse uma indecisão crónica, «hamletiana».

Trata-se, porém, de uma leitura apressada, que esquece a sua inteligência e negligencia o seu carácter.

 

  1. Paulo VI sopesava todas as dimensões de um problema e valorizava todos os pontos de vista de uma discussão.

Não era indiferente às mudanças no mundo. Mas foi sempre fiel às exigências da missão.

 

  1. Uma coisa é hesitar, outra coisa é amadurecer. Afinal, o que parecia indecisão era maturidade.

Paulo VI não hesitava na decisão; amadurecia a decisão, amadurecia para a decisão.

 

  1. Foi o Papa do diálogo (tema aliás da sua primeira encíclica), dos reencontros (o abraço trocado com Atenágoras comoveu o mundo) e das sínteses.

Procurou a confluência entre a tradição e a modernidade e jamais optou entre a verdade e a caridade. Muito antes da eleição papal, orava para que «todas as inteligências se reunissem na verdade e todos os corações se encontrassem na caridade». Não é tarefa fácil, mas Paulo VI não se resignou a considerá-la impossível.

 

 

  1. Nunca decidiu em função da sua sensibilidade pessoal. Daí o seu aspecto sofrido. E daí também o seu ar tranquilo. Para ele, Deus vinha primeiro e a Igreja estava antes. O importante não era a sua vontade, mas o seu dever.

Não terá sido muito aplaudido. Mas nota-se que é cada vez mais respeitado. No fundo e apesar de parecer comedido, até foi bastante ousado, evangelicamente ousado. Lançou as sementes e rasgou horizontes. Mas guardou sempre as raízes. Procurou ver além de si mesmo e agir para lá de si próprio.  

 

  1. Acresce que Paulo VI foi o primeiro Papa a vir a Fátima. E de Fátima gritou para o mundo: «Homens, sede homens!»

Ainda falta muito para que nós, homens, sejamos autenticamente humanos. Ainda falta muito para que nós, cristãos, sejamos verdadeiramente cristãos. Ainda há muito Evangelho para semear em nós. E para colher à nossa volta!

publicado por Theosfera às 11:50

Geralmente, é só na ausência que valorizamos. Mas, às vezes, pode ser tarde.

Thomas Fuller notou que «nunca sabemos o valor da água até o poço secar». 

A ingratidão é que não parece parar de crescer!

publicado por Theosfera às 10:46

É preciso ter muita força para vencer as dificuldades e superar os obstáculos.

Mas o excesso de força pode ser prejudicial.

É cada vez mais necessário condimentar a força com doses de prudência.

Aliás, era o que recomendava Píndaro: «Quem quer vencer um obstáculo deve armar-se da força do leão e da prudência da serpente»!

publicado por Theosfera às 10:37

Afinal, o que muda em nós quando mudamos?

Será que mudamos assim tanto?

Vergílio Ferreira sustenta: «Não mudamos com a idade na estrutura do que somos. Apenas, como na música, somo-lo noutro tom».

Será?

publicado por Theosfera às 10:33

O segredo da sabedoria não está só (nem principalmente) em conhecer; está sobretudo em caminhar.

Critério?

Diz a sabedoria jainista que «os ignorantes deixam-se facilmente desencaminhar»!

publicado por Theosfera às 10:30

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