O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 30 de Setembro de 2014

 

1. O supremo objectivo hoje é ter êxito. E o segredo do êxito parece ser a adaptação aos tempos que correm.

 

Acresce que, como percebeu Javier Aranguren, os nossos tempos são marcados pela pressa e pelo ruído.

 

2. O nosso tempo decapitou a calma e degolou o silêncio.

O êxito parece estar à mercê apenas de gente apressada e ruidosa.

 

3. O acto pausado é notado por poucos.

E a acção silenciosa — ou discreta — também não é valorizada por muitos.

 

4. Quem quiser ter êxito tem de se apressar. Até porque a competição não costuma abrir caminho para muitos.

A competição selecciona e, nessa medida, elimina. O êxito é só para alguns. E não necessariamente para os melhores.

 

5. Para ter êxito, o requisito não é estar com os outros, mas estar sobre os outros. Ou seja, é espadeirar doses de ruído para cima dos outros.

O ícone da pessoa bem sucedida é o artista que se coloca num plano muito alto e actua num tom muito elevado.

 

6. Mas pensemos também nos adeptos de um clube. Muitos deles não vêem os jogos; gritam durante os jogos.

Se o clube ganha, ouve-se o ruído dos aplausos. Se o clube perde, ouve-se o ruído dos apupos.

 

7. Não espanta que, com o melhor dos propósitos, haja cristãos preocupados com o êxito. E que não hesitem em recorrer aos seus principais ingredientes: a pressa e o ruído.

O ruído junta muita gente. O ruído junta depressa muita gente. O êxito parece garantido.

 

8. Acontece que a prioridade da evangelização não se esgota numa praça cheia de gente.

Mais importante que uma praça cheia de gente é a vida com gente cheia: cheia de Cristo, cheia do Evangelho de Cristo.

 

9. Os tempos devem ser compreendidos, mas não é aos tempos que devemos obedecer. Os cristãos estão no tempo para seguir Jesus Cristo.

Eles são chamados a trazer Jesus para o tempo, sem dissolver Jesus em qualquer tempo.

 

10. O que Jesus espera de nós não é o êxito. O que Jesus espera de nós é — independentemente do êxito — o seguimento da Sua pessoa e a fidelidade à Sua mensagem.

Muitas vezes, um cristão parece vogar em contracorrente. Mas, afinal, quando compreenderemos que seguir Jesus é ser diferente? 

publicado por Theosfera às 10:25

Atenção ao que se passa em Hong Kong.

Há muita gente a lutar pela liberdade, com dignidade.

A Praça de Tianamenn ainda não se apagou da memória.

Praza a Deus que a história não se repita.

O mundo abriu-se à China. Não estará na hora de a China se abrir (também) ao mundo?

Ou será que o mundo só serve para comprar o que na China se produz?

Só desejamos que haja paz e justiça!

publicado por Theosfera às 10:06

Alguma coisa tem de ser feita. As coisas não podem continuar como estão.

Mas, atenção, a violência não resolve. A violência só agrava.

John Kennedy deixou o aviso: «Os que tornam impossível a revolução pacífica acabam por tornar inevitável a revolução violenta».

Não adiemos a revolução pacífica.

O tempo não é infinito. E a paciência dos povos escoa-se depressa!

publicado por Theosfera às 10:03

Quando mais avançamos no tempo, tanto mais notamos que, afinal, estamos sempre a começar.

Por muito que nos aproximemos do fim (seja de uma tarefa, seja de um percurso), notamos que, no fundo, muito ficou por fazer, muito ficou por andar.

Séneca já se apercebera: «Cada novo início tem origem no final de um outro início».

Mesmo no fim, sentimos que estamos sempre a começar!

publicado por Theosfera às 09:58

Hoje, 30 de Setembro, é dia de S. Sofrónio Aurélio Jerónimo, S. Conrado d'Ulbach, S. Frederico Albert e das mártires Sta. Sofia, Sta. Fé, Sta. Esperança e Sta. Caridade. Refira-se que faz também 117 anos de faleceu Sta. Teresinha do Menino Jesus e da Santa Face.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:09

Segunda-feira, 29 de Setembro de 2014

O verdadeiro líder, dizia Luther King, não é o que procura o consenso.

Nesse caso, ficaria refém dele e, portanto, não seria líder.

O verdadeiro líder, anotava o activista dos direitos humanos, é aquele que molda o consenso.

É aquele que lidera (e federa) o consenso!

publicado por Theosfera às 09:48

No Dia Mundial do Coração, eis uma oportunidade para pensar nele, para cuidar dele.

Precisamos do coração para viver, para sentir. E precisamos do coração (sobretudo) para ver.

Os olhos não bastam e os óculos não chegam.

Temos os óculos, temos a tv, temos a net. Só que, como avisa Saint-Exupéry, «os nossos olhos são cegos».

Detectam as pegadas. Advertem as pisadelas, Notificam os estrondos. Mas isso não é o essencial.

«O essencial é invisível aos olhos».

Como ver, então? «Só se vê bem com o coração».

publicado por Theosfera às 09:43

Hoje, 29 de Setembro, é dia de S. Miguel, S. Gabriel, S. Rafael e Nicolau de Forca Palena.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 28 de Setembro de 2014

A. O prometido é devido, mas raramente é cumprido

1.Prometer e não cumprir. Eis o que mais condenamos, mas eis também onde todos mais pecamos. Por isso, «quem não tiver pecado, que atire a primeira pedra»(Jo 8, 9). Quem de nós pode assegurar que cumpre tudo o que promete?

Eis um domínio em que ninguém poderá ficar de fora como juiz, já que todos estamos por dentro como infractores. De facto, não são apenas os políticos, que tão apressadamente causticamos, a prometer o que não cumprem e a não cumprir o que prometem.

Bismark achava que nunca se mente tanto como antes das eleições, durante a guerra e depois da caça. Mas eu diria que é praticamente em todos os momentos da vida que faltamos ao prometido. É praticamente em todos os momentos da vida que não fazemos o que dizemos ou fazemos o contrário do que dizemos. Enfim, o prometido até será devido, mas raramente é cumprido.

 

2. Será que marido e esposa procuram cumprir as promessas que assumiram no dia do Matrimónio? Será que se esforçam por serem fiéis um ao outro, amando-se e respeitando-se «na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da sua vida»?

Será que os pais procuram educar os filhos na fé cristã e na observância dos Mandamentos, como prometeram no dia do Baptismo? E será que, na sequência da referida promessa, procuramos amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos? Será que santificamos o Domingo, cada domingo, e os dias santos participando na Eucaristia? Será que honramos devidamente o nosso pai e a nossa mãe? Será que não alimentamos falsos testemunhos? Será que procuramos ser castos nas palavras e nas obras, nos pensamentos e nos desejos? Será que respeitamos aquilo que não é nosso?

E será que nós, sacerdotes, procuramos — como prometemos — exercer, «digna e sabiamente, o ministério da Palavra, na pregação do Evangelho e na exposição da fé católica»? Será que nós, sacerdotes, procuramos — como prometemos — «celebrar com fé e piedade os mistérios de Cristo (…) principalmente no sacrifício da Eucaristia e no sacramento da Reconciliação»? Será que, como nos foi mandado na ordenação diaconal, «acreditamos no que lemos, ensinamos o que cremos e vivemos o que ensinamos»?

Ninguém está, portanto, em posição de apontar o dedo a alguém. Faltar à palavra dada e à promessa feita não é um exclusivo de alguns, é uma falha de todos. Nossa também.

 

B. Ninguém é excluído, todos são mobilizados

3. É para toda esta situação que somos alertados, neste Domingo, num cenário que nos é bastante familiar. Se há significante que conhecemos bem é a vinha. É na vinha onde muitos trabalham não só agora, mas também agora, sobretudo agora. A vinha na Bíblia é um significante com um poderoso significado. Ela simboliza o Reino de Deus na terra, tipificado no Antigo Testamento pelo povo de Israel e no Novo Testamento pela Igreja, novo Israel.

Para o trabalho desta vinha ninguém é excluído, todos são mobilizados: os que estão fora e os que estão dentro. Há oito dias, falava-se de um proprietário que saiu para convidar trabalhadores para a vinha. Hoje, fala-se de um homem que manda sair os seus próprios filhos para a vinha. Ou seja, ninguém é descartado, todos são convocados. Aos de fora faz-se um convite para entrar na vinha, aos de dentro faz-se um apelo para sair para a vinha.

O Papa Francisco tem insistido na necessidade de uma Igreja que saia, de uma Igreja em saída até às periferias existenciais. Os que estão dentro têm de sair, para que os que têm estado fora possam entrar. O ponto de encontro é a «vinha do Senhor», isto é, a Igreja que se encontra ao serviço da humanidade.

 

4. Se alguém afasta, não é Deus que Se afasta de nós. Nós é que podemos afastar-nos de Deus ou, o que é intolerável, afastar em nome de Deus. A missão é para todos, a missão é para sempre e — pormenor nada despiciendo — a missão é para já.

Note-se, a este propósito, a fórmula que o pai usa: «Filho, vai hoje trabalhar para a vinha». Este hoje não é apenas um dia com 24 horas. Este hoje aponta para o tempo inteiro da nossa vida. Envolve, portanto, todos os hojes e cada hoje: o hoje deste dia também.

Parafraseando uma conhecida máxima popular, dir-se-ia: «Não adies para amanhã a missão que podes — e deves — realizar hoje». É que a missão, além de necessária, é urgente; pertence ao prioritário, ao inadiável.

 

C. Nem tudo se resolve com palavras

5. Entretanto, estes dois filhos não são somente duas pessoas diferentes; corporizam sobretudo duas atitudes distintas diante da urgência da missão. Em ambos os casos, o que vem pelos lábios não corresponde ao que sobrevém na vida. Um inicialmente recusa, mas depois aceita (cf. Mt 21, 29). O outro inicialmente aceita, mas depois recusa (cf. Mt 21, 30). Ou seja, promete, mas não cumpre. Em síntese, quem faz a vontade do Pai não é quem fala, é quem faz.

Neste ponto, tocamos uma lacuna muito pertinente na vida da Igreja. Com efeito, há por vezes a tentação de tudo resolver verbalmente, de tudo resolver com palavras. Jesus estava a discutir com pessoas que eram peritas em falar, em dizer. O mal é que se tratava de um dizer sem fazer e de um fazer contrário ao dizer. Daí o apelo que o Mestre nos deixa: «Fazei o que eles dizem, mas não o que eles fazem»(Mt 23, 3)

 

6. Logo no Sermão da Montanha, Jesus tornara tudo muito claro: «Nem todo aquele que Me diz “Senhor, Senhor” entrará no Reino dos Céus, mas somente aquele que faz a vontade do Meu Pai que está nos Céus»(Mt 7, 21). Nem todo o que fala de Deus, faz a vontade de Deus. O discurso dos lábios conta pouco se não encontra eco no discurso da vida. Como notou González-Faus, Jesus falava de Deus deixando transparecer Deus.

Grave não é dizer. Grave é quando o fazer contradiz o dizer. Dizer só é importante quando se diz o que se faz e se faz o que se diz. É por isso que, devendo obviamente respeitar o que as pessoas dizem, devemos estar mais atentos ao que as pessoas fazem.

 

D. Os que estão atrás são puxados para a frente

7. Sto. António, que estava saturado de palavras sem conteúdo, gritou: «Cessem as palavras e falem as obras. De palavras estamos cheios, de obras vazios». O Padre Giuseppe de Lucca alinhava pelo mesmo registo: «A melhor maneira de dizer as coisas é fazê-las». É que, como observou Abraham Lincoln, as «acções falam mais alto que as palavras». Por tudo isto, não admira que S. João exorte a que não amemos com palavras nem com a língua, mas com obras e em verdade (cf. 1Jo 3, 18).

O grande drama é que, quase sempre, as palavras dizem uma coisa e as acções mostram outra coisa, radicalmente oposta. Acontece que, meditando neste pedaço do Evangelho, fácil é concluir que os que dizem e não fazem são os que se julgam superiores. Já os que fazem, embora o não digam, são pessoas mal vistas e até malquistas. Mas é nestes últimos que Jesus se revê: não pelo que fizeram até então, mas pelo que se dispõem a fazer a partir de então. Eles são, embora não presumam. Já os outros presumem, mas não são. E necessário não é presumir; é ser.

 

8. Apesar de tudo, Jesus não exclui ninguém, nem sequer aqueles que se auto-excluem. O Evangelho não é fatalista. O Evangelho é a negação de todo e qualquer fatalismo. Dizia Almeida Garrett — e o povo gosta de repetir — que «o que tem de ser, tem muita força». Mas Deus tem uma força ainda maior. Trata-se de uma força que nem de força precisa. É a força da bondade, da misericórdia e da compaixão.

As coisas deixam de ser lineares quando Deus entra em campo. Os que parecem excluídos afinal também são envolvidos. Os que parecem preteridos afinal até são os preferidos. E os que são atirados lá para trás até são puxados para a frente. Em suma, muitas surpresas tem Deus para nós. Jesus é a revelação do Deus das «novas oportunidades», do Deus de todas as oportunidades.

Nem os que se recusam a trabalhar na vinha são excluídos do Reino de Deus. Na verdade, Jesus não diz que os sumos sacerdotes e os anciãos do povo estão excluídos do Reino do Deus. Diz, sim, que os publicanos e as mulheres de má vida vão à frente deles (cf. Mt 21, 31). E vão à frente deles não por continuarem com a sua vida, mas por estarem dispostos a mudar de vida.

 

E. Precisamos de vitamina C, de «vitamina Cristo»

9. O mal de muitos é acharem que não precisam de mudar. Mudar é para os outros. Os outros é que estão errados. Hoje como ontem, não falta quem pense que até Deus está errado. Que está errado por ser misericordioso, por dar uma oportunidade ao pecador que «se afaste do mal»(Ez 18, 27). Hoje como ontem, não falta quem considere a misericórdia um sinal de fraqueza. E, no entanto, como reconhecíamos há momentos na oração colecta, a maior prova do poder de Deus está quando Ele perdoa e Se compadece. Não espanta, pois, que o salmista suplique: «Lembrai-Vos, Senhor, das Vossas misericórdias»(Sal 24, 6). Só que Deus lembra-Se. Deus lembra-Se até quando nós nos esquecemos, até quando nós O esquecemos.

Por tudo isto, é urgente mudar. É urgente que mudemos para que a nossa maneira de proceder se aproxime da maneira de proceder de Deus. Como explica S. Paulo, Cristo Jesus, pelo caminho da humildade, vem ao encontro do homem sem deixar de ser divino (cf. Fil 2, 6-8. Pelo mesmo caminho da humildade, o homem é chamado a ir ao encontro de Deus sem deixar de ser humano.

 

10. Deus não nos desumaniza. Pelo contrário, é Deus quem mais nos humaniza e fraterniza. É Deus quem mais faz de nós humanos e fraternos. Em Cristo, Deus venceu as distâncias que nos separavam. É a humildade que nos aproxima de Deus. E é a humildade que nos aproxima uns dos outros, sem preconceitos nem censuras. Procuremos, então, ter «os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus»(Fil 2, 5), que era «manso e humilde»(Mt 11, 29). Desse modo, ficaremos unidos e nada faremos por rivalidade nem por vanglória (cf. Fil 2, 3). Nada faremos a pensar nos nossos interesses e tudo faremos a pensar nos interesses dos outros (cf. Fil 2, 4).

No fundo, o maior adversário da nossa felicidade pode estar dentro de nós. O egoísmo é uma doença que cega, uma doença que tolhe, uma doença que pode matar. Só venceremos o egoísmo com muitas doses de vitamina C, de «vitamina Cristo». É Cristo que nos ensina a olhar para os outros como eles são. Os outros não são menos que nós. São outros além de nós e são outros connosco. Cristo também está neles. Em Cristo, todos estamos unidos a todos!

publicado por Theosfera às 16:21

 Obrigado, Senhor, pela Tua presença,

pela Tua Palavra

e pelo Teu Pão.

 

Obrigado por estares nos mais pequenos

e por nos convidares à simplicidade.

 

É na humildade dos simples

que nos esperas e interpelas.

 

Que nós sejamos como as crianças.

Que, como as crianças,

tenhamos um coração puro e manso.

 

Senhor, que nunca percamos a mansidão.

Que saibamos dar as mãos

e oferecer o nosso coração.

 

Com a Tua e nossa Mãe,

queremos aprender a caminhar

e a louvar-Te por quanto nos dás.

 

Que a nossa vida seja uma resposta

à Tua proposta de amor

e ao Teu projecto de Paz,

JESUS!

 

publicado por Theosfera às 11:20

O problema da delação é que nem sempre denuncia os verdadeiros culpados e, muitas vezes, ajuda a agredir tantos inocentes.

O problema dos cidadãos é que, não podendo apurar factos, limitam-se a ouvir os delatores.

O importante é olhar para os factos e não ouvir os delatores.

Se os factos existem, eles hão-de chegar a todos e não apenas aos delatores.

Não esqueçamos: a honra das pessoas é o maior património que se pode transportar na vida!

publicado por Theosfera às 08:54

Muita coisa se pode dizer de Deus. Até o silêncio muito diz sobre Ele.

Só que, às vezes, no afã de tanto dizer o que Ele é, podemos tropeçar no que Ele não é, no que Ele jamais quer ser.

De entre tanta coisa dita e não dita, de entre tanta coisa dizível e indizível, o que de melhor se poderá dizer de Deus?

S. Tomás não hesitava: «A misericórdia é o que de melhor podemos dizer de Deus».

Palavra de sábio. Palavra de santo. Palavra de quem fala do que vê, do que sente, do que vive!

publicado por Theosfera às 08:29

Estamos sempre a decidir, mesmo quando recusamos decidir.

A indecisão acaba por ser uma decisão: a decisão de não decidir.

E nem sequer estamos quimicamente sós ao decidir. Somos inevitavelmente influenciáveis e influenciados.

Daí que Ambrose Bierce, que pereceu há 100 anos, tenha dito que decidir é «sucumbir à preponderância de um determinado conjunto de influências sobre um outro conjunto de influências».

Quem melhor souber influenciar mais perto estará de triunfar!

publicado por Theosfera às 08:10

Abundam faladores dos males.

Precisam-se fazedores do bem.

publicado por Theosfera às 08:06

Cheguei a Lisboa há 25 anos, completaram-se hoje.

 

Na paróquia de S. João de Brito, fiz uma aprendizagem, em chave existencial, do que é ser padre.

 

Encontrei sacerdotes totalmente devotados à sua missão e uma comunidade transbordando uma generosidade sem limites.

 

Respirava-se um ambiente de família entre todos.

 

O que mais me impressionou sempre foi o sentido do «outro», que transpirava nos mais pequenos gestos.

 

Impossível esquecer, já no último ano em que lá estive, o que os jovens fizeram para apoiar um grupo de pessoas que, de um dia para o outro, ficaram desalojadas em Camarate.

 

Mobilizaram toda a comunidade (crentes e não crentes) e, durante dias, ali estiveram junto de desconhecidos que depressa passaram a ser tratados como irmãos.

 

Tanta coisa poderia dizer. O importante é a gratidão que fica e a imagem que permanece.

 

Só queria agradecer a tantos que, durante do dia de ontem, me contactaram de várias formas. Mesmo que já tivesse esquecido, teria sempre quem me reavivasse a memória.

 

Foram apenas quatro anos. Em 1993, regressei às origens. Mas o que aprendi ficou gravado no mais fundo do meu ser de uma forma sentida, reconhecida, agradecida.

 

A Paróquia de S. João de Brito acompanhar-me-á sempre. Até ao fim!

publicado por Theosfera às 00:32

O sorriso apagou-se tão repentimente como se acendera.

Há 36 anos,, o mundo alvoroçava-se com a notícia da morte inopinada de João Paulo I, o Papa do sorriso, eleito 33 dias antes.

Muitos deram dele a imagem de um homem ingénuo. Inegenuidade, contudo, é o que patenteia tal percepção.

Foi sempre de uma dedicação imensa a Deus e ao próximo. Tinha uma assolapada paixão pela catequese.

Nos 33 dias de pontificado, deixou uma marca imperecível sobre o amor materno de Deus.

«Deus é Pai e, ainda mais, Mãe». Eis o que saiu dos seus lábios a 10 de Setembro de 1978.

Foi uma lição viva. O seu lema era «humilitas» (humildade)

No fundo, sempre é possível conjugar a firmeza com a serenidade.

publicado por Theosfera às 00:19

Hoje, 28 de Setembro (26º Domingo do Tempo Comum), é dia de S. Venceslau e S. Lourenço Ruiz.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:14

Sábado, 27 de Setembro de 2014

Qual o futuro do livro?

Nunca se terão escrito tantos livros. Nunca, talvez, se tenham lido tantos livros.

E, no entanto, parece subsistir uma sensação estranha.

Os melhores livros não serão os mais lidos. O livro de leitura rápida é o mais consumido.

O livro que questiona e que convida a reflectir parece estar na penumbra.

George Steiner sublinha que «nunca os verdadeiros livros foram tão silenciosos». Ou tão silenciados, diria eu.

O sistema educativo ressente-se.

«A educação moderna cada vez mais se assemelha a uma amnésia institucionalizada. Deixa o espírito vazio do peso das referências vividas. Substitui até o saber de cor, que é também um saber do (cor)ação, pelo caleidoscópio transitório dos saberes efémeros. Reduz o tempo ao instante e vai instilando em nós uma amálgama de heterogeneidade e de preguiça»!

publicado por Theosfera às 21:58

Como conferir se uma palavra é verdadeira?

O risco não é pequeno.

Vergílio Ferreira achava que «uma verdade só verdade quando levada até às últimas consequências. Até lá, não é uma verdade, mas uma opinião».

Uma ressalva apenas. As últimas consequências têm de ser bem medidas. Não podem ser as últimas consequências da violência, mas da generosidade.

Ou seja, não é quem mais impõe uma posição que a torna verdadeira. Mas quem mais está disposto a dar a vida por ela!

publicado por Theosfera às 16:08

O mal já é mau quando é real. Não é menos mau quando é irreal, quando é inventado.

Mal é fazer o mal. Mas mal menos é atribuir o mal que não foi feito.

Hoje, a ficção tende a assumir o nome de suspeita.

Tão grave como inocentar um culpado é culpar um inocente.

Decididamente, a suspeita não pode ser norma e o ódio não pode ser critério.

Os factos (e não a boca) é que devem falar!

publicado por Theosfera às 15:01

Que é melhor: conseguir ou procurar?

À partida, não há dúvida. Se procuramos, é porque queremos conseguir. Pelo que conseguir é a realização maior e a felicidade suprema.

Mas a experiência nem sempre está em linha com o raciocínio mais linear.

Às vezes, muitas vezes, quando conseguimos, um vazio se instala: queremos procurar mais, queremos procurar diferente.

Daí que William Hazlitte tenha notado que «a melhor parte da nossa vida é a passa a aguardar o que aí vem».

Pode nem vir o que esperamos, mas esperar já conforta, apazigua, mobiliza. E desperta!

publicado por Theosfera às 14:55

Hoje não é só hoje. Hoje não começa hoje. Hoje não termina hoje.

Cada hoje é o amanhã de um ontem e o ontem de um amanhã.

É por isso que cada hoje é porto e parto, foz e nascente.

Tenha os pés no ontem e os olhos no amanhã. Mas viva intensamente o dia mais importante: hoje, cada hoje!

É em cada hoje que tudo se decide, que tudo germina, que tudo cai e se levanta.

É em cada hoje que tudo cresce e reaparece! 

publicado por Theosfera às 14:11

Os pobres têm de ser a prioridade para os cristãos, porque foram (porque são) a prioridade para Cristo.

S. Vicente de Paulo observou: «Cristo quis nascer pobre, escolheu pobres para seus discípulos, fez-Se servo dos pobres e de tal forma quis participar da condição deles, que declarou ser feito ou dito a Ele mesmo tudo quanto de bom ou de mau se fizesse ou dissesse aos pobres».

Por conseguinte, «Deus ama os pobres e também ama aqueles que os amam».

E concretiza: «Deve-se preferir o serviço dos pobres a tudo o mais e prestá-lo sem demora. Se na hora da oração for necessário dar remédios ou auxílio a algum pobre, ide tranquilos, oferecendo a Deus esta acção como se estivésseis em oração. Não vos perturbeis com angústia ou medo de estar pecando por causa de abandono da oração em favor do serviço dos pobres. Deus não é desprezado, se por causa de Deus dele nos afastarmos, quer dizer, interrompermos a obra de Deus, para realizá-la de outro modo. Portanto, ao abandonardes a oração, a fim de socorrer a algum pobre, isto mesmo vos lembrará que o serviço é prestado a Deus».

publicado por Theosfera às 13:47

Hoje é dia de S. Vicente de Paulo. Dedicou a sua vida a duas causas que se mantêm pertinentes: aos pobres e aos padres.

Não vou descrever a sua vida. Vou apenas recordar alguns pensamentos:

 

«O Filho de Deus quis ser pobre e ser representado pelos pobres».

 

«Os pobres são os vossos senhores; um dia serão os vossos juízes».

«Não percorreu muitas estradas; percorreu apenas uma: a do amor. E o amor é exclusivamente construtivo. Por isso, no seu programa, não se propõe polemizar, censurar, demolir. São caminhos já batidos e repetidos mil vezes, e sempre sem êxito».

Um apelo à calma, à serenidade: «Quem age com pressa atrasa-se sempre nas coisas de Deus».

publicado por Theosfera às 00:23

Hoje, 27 de Setembro (Dia Mundial do Turismo), é dia de S. Vicente de Paulo, Sto. Adulfo e S. João (mártires) e S. Dermot O´Hurghen e seus Companheiros Mártires.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 26 de Setembro de 2014

A vida é uma viagem. É no caminho que a vida nos ensina.

Daí que Nietzsche tenha reconhecido que «só os pensamentos que temos ao caminharmos valem alguma coisa».

Depois, sim, faz sentido sentarmo-nos para repensar e escrever.

Foi talvez por isso que Flaubert anotou que «não se pode pensar e escrever senão sentado».

Enfim, para pensar há que caminhar; para escrever, há que sentar!

publicado por Theosfera às 10:24

Em tudo, há que tomar posição.

E, muitas vezes, é impossível não estar em oposição. Sempre com respeito e, não o esqueçamos, nunca com despeito.

A nossa consciência, e não alinhamentos preconceituosos, é que há-de ditar o caminho a seguir!

publicado por Theosfera às 10:04

Não somos apenas escravos dos outros. Podemos ser também escravos de nós mesmos.

Hugo Hofmannsthal avisa: «As pessoas são muitas vezes escravas da sua arbitrariedade, mesmo em si próprias; mas é espantoso que elas saibam tão raramente aplicar a sua vontade».

Há que estar atento, muito atento!

publicado por Theosfera às 09:59

Querer é poder, diz o povo. Nem sempre, porém.

Nós podemos querer, mas alguém pode não querer e pode impedir.

Carmen Sylva notou: «Querer seria poder se todos os meios fossem bons».

O problema é que aqueles que usam meios maus conseguem muito.

Porque o poder de boicotar costuma ser eficaz. Para nosso mal!

publicado por Theosfera às 09:55

Enquanto o nosso cérebro procura razões que expliquem os problemas de ontem, eis que o nosso Deus nos oferece uma oportunidade para os resolver: o dia de hoje!

Siga, pois, a sugestão de Deus. Nós queremos explicações. Deus dá-nos horizontes!

A vida é uma sucessão de começos. Tente depositar os problemas no seu devido lugar: no passado. Não deixe que o seu passado obstrua o seu presente.

Verá que o seu presente será uma surpresa com futuro!

publicado por Theosfera às 06:21

Hoje, 26 de Setembro, é dia de S. Cosme, S. Damião, Sto. Eleázar, Sta, Delfina, S. Cipriano, Sta. Justina, Sta. Maria Vitória Teresa Courdec e S. Gaspar Stangassinger.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 25 de Setembro de 2014

Já estivemos lá em cima e caímos. Já estivemos lá no fundo e reerguemo-nos.

Portugal é como um alpinista que não cessa de tentar. E que, apesar das quedas sucessivas, vai resistindo.

Também pode ser comparado a uma nau. Andamos há séculos em intempérie. Sempre a vacilar, mas nunca a naufragar.

Uma vez mais, parece que estamos no abismo. Mas estou certo de que (uma vez mais também) havemos de o deixar. Para dele nos voltarmos a aproximar. E para, de novo, dele nos voltarmos a afastar.

Está no nosso código genético. Sempre a vacilar, nunca a naufragar!

publicado por Theosfera às 11:31

O valor das palavras não está na quantidade nem no volume.

O valor das palavras está no efeito. Está sobretudo no bem que difundem.

Aquiesço, pois, a George Bernanos: «Boas palavras custam pouco e valem muito».

Neste, dia, diga uma boa palavra a alguém. Seja uma boa palavra para todos!

publicado por Theosfera às 11:25

Em tudo, devia prevalecer o respeito.

Mas parece que o despeito pesa mais que o respeito.

É pouco. É pena. E é muito triste!

publicado por Theosfera às 11:23

No que concerne aos problemas, sou pouco ambicioso.

Já não espero que todos se resolvam. Limito-me a desejar que nenhum se complique.

É por isso que nem aguardo pelo que a razão diz. Contento-me com aguardar que o bom senso impere.

Tantos problemas estancariam se uns restos de bom senso imperassem.

Será pedir muito? O bom senso não é muito, mas vai fazendo muita falta!

publicado por Theosfera às 11:15

Para encurtar (já não digo anular) o fosso que separa as pessoas, era preciso que os que ganham mais ganhassem menos para que os que ganham menos pudessem ganhar mais.

A pergunta excruciante só pode ser: será que os que ganham mais trabalham mais?

Harold Wilson notou que «a subida do salário de um homem é a subida do preço para outro».

Sucede que esta questão só se coloca quando se pensa em subir o salário dos que ganham pouco.

Mas não será que tal questão se põe sobretudo quando sobem os rendimentos dos que têm mais?

Não será que, para alguns terem muito, alguns têm de ser privados de (quase) tudo?

publicado por Theosfera às 11:04

Hoje, 25 de Setembro, é dia de S. Firmino, Sto. Hermano, S. João Baptista Mazzuconi e Sta. Josefa Vaal.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 24 de Setembro de 2014

Não gosto da palavra «idiota». E desgosto-me, ainda mais, diante do que ela pretende significar.

Charles-Joseph de Ligne achava que «há duas espécies de idiotas: aqueles que não duvidam de nada e aqueles que duvidam de tudo».

A falta de cuidado é, sem dúvida, um perigo. Mas o excesso de cautela também nos fragiliza.

Podemos errar. Mas é fundamental arriscar, ousar!

publicado por Theosfera às 10:30

Hoje, 24 de Setembro, é dia de Nossa Senhora das Mercês, S. Constâncio, Sto. Andóquio, Sto. Tirso, S. Félix, Sta. Colomba Joana Gabriel e S. Vicente Maria Strambi.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 23 de Setembro de 2014

1. O novo não traz só o novo. O novo traz também o antigo.

E, neste caso, não traz apenas o melhor do antigo. Pode trazer igualmente o pior: o mais arcaico, o mais extemporâneo, o mais ameaçador.

 

2. É por isso que a novidade nem sempre é indutora de progresso.

Muitas vezes e como avisou Edgar Morin, a novidade acaba por ser instigadora de retrocesso.

 

3. A novidade é uma espécie de embalagem onde cada um coloca o que quer.

E, não raramente, a novidade não passa daí: da embalagem. O conteúdo frequentemente é bafiento, rançoso, rancoroso e, portanto, perigoso.

 

4. Há, pois, que estar atento e ter cuidado.

O encantamento incauto pelo novo pode trazer prejuízos irreparáveis.

 

5. Hoje em dia, a comunicação tem menos limites, o que será bom. Mas também é submetida a menos avaliações, o que é preocupante.

Outrora, qualquer texto passava sempre por um filtro antes de chegar ao público. Hoje, a comunicação faz-se cada vez mais directamente, cada vez mais intempestivamente.

 

6. Não é em vão que as televisões estão em queda e os jornais em crise. Muitos destes meios já se extinguiram e muitos outros lutam — desesperadamente! — pela sobrevivência.

As pessoas estão a migrar, crescentemente, para as redes sociais. Aqui, produzem o que entendem e consomem o que desejam. Sem filtros!

 

7. Há fenómenos que aparecem na realidade porque foram desencadeados virtualmente.

Os famosos «meets» são (somente) o exemplo mais recente.

 

8. Mas não são apenas os movimentos vanguardistas que recorrem a estes instrumentos. Há sectores (considerados) ultraconservadores que também não os dispensam.

A sociedade do espectáculo parece ser abrangente: acolhe tudo. Sem aparentes restrições. A «futilnet» vai fazendo o seu caminho. E o «horrornet» vai prosperando por toda a parte.

 

9. Há inclusive grupos com um discurso ferozmente antimoderno que não hesitam em deitar mão às ferramentas mais modernas

É pela internet que difundem as suas mensagens e atraem muitos dos seus membros.

 

10. O mundo virtual é muito mais real do que parece. Ignorar a sua influência ou subestimar o seu peso é o maior erro que se pode cometer.

Se não usarmos a internet a favor de nós, não faltará quem a utilize contra todos nós!

publicado por Theosfera às 10:54

Muita é a vontade de aparecer. Tudo serve de pretexto. Até o negativo. Sobretudo o negativo.

Ir por esse caminho? A tentação é grande.

Mas já Balzac aconselhava: «Deve deixar-se a vaidade aos que não têm outra coisa para exibir»!

publicado por Theosfera às 10:33

Quis ser engenheiro e tornou-se conhecido como treinador.

Fernando Santos é, acima de tudo, um grande senhor. Mais do que o talento, que também tem, o que nele avulta é a dignidade.

Dizem que é ele o próximo seleccionador nacional. Ainda bem.

Fernando Santos nunca escondeu a fé que o possui.

Há dias, assumiu ter descoberto que «Cristo está vivo e que tal descoberta não a posso guardar só para mim».

Confessa ter encontrado a sua felicidade «no caminho da fé, porque há uma palavra que antes não percebia e que passei a entender: o amor».

De facto, só no amor pode existir fé. Só o amor, como dizia von Balthasar, «é digno de fé»!

publicado por Theosfera às 10:25

Até o Outono pode ser «uma segunda Primavera, se cada folha for uma flor».

 

Alguém discordará deste pensamento de Albert Camus?

publicado por Theosfera às 10:19

Como é que crescemos no conhecimento? À lareira.

Estudos recentes atestam que as conversas à fogueira estimularam a evolução das nossas capacidades cognitivas, sociais e culturais.

Todos nós temos experiência disso. As célebres conversas à lareira operavam uma espécie de encontro de gerações.

O que não aprendemos nesses encontros!

publicado por Theosfera às 10:08

Nascemos para quê, afinal?

O tempo mostra que nascemos para morrer. A fé assegura que morremos para (verdadeiramente) nascer, para nascer para a vida sem termo.

No grande (que acaba por se tornar pequeno) entretanto que nos separa da morte, que fazer? Existir, ser, trabalhar.

Agustina achava que «o homem não nasceu para trabalhar e a prova é que se cansa».

Mas a experiência atesta que, mesmo cansados, não deixamos de trabalhar.

Só deixamos de trabalhar quando nos impedem de trabalhar. E isso é pior do que todos os cansaços!

publicado por Theosfera às 09:58

Passou o Verão com um tempo de (quase) Outono.

Começa o Outono. Iremos ter tempo de Inverno?

Parece que já nem o tempo está onde era suposto estar. E isto parece contaminar as pessoas. Parece que ninguém está onde seria suposto estar.

Tudo passa, até passam as culpas. Não faltou até quem acusasse quem se dedica a fazer previsões, como se o clima fosse totalmente previsível.

A única coisa que podemos prever é que estas situações, mesmo que não aconteçam, podem acontecer. E podem acontecer mais nestas alturas.

Daí que o que deve ser feito tenha de ser feito o mais cedo possível.

Mais importante do que prever é prevenir. Mais vale prevenir e não ser preciso do que ser preciso e não prevenir.

Mesmo quando se previne, há sempre imponderáveis que podem acontecer. Não prevenindo, a possibilidade de desastre aumenta exponencialmente.

Mais do que apontar culpados, aprendamos as lições do tempo.

Que cada um faça o que tem a fazer. E deixemos de apontar culpados!

publicado por Theosfera às 09:38

Está a ocorrer o Equinócio.

O Outono chegou.

Seja bem-vindo!

publicado por Theosfera às 03:29

Passou Agosto, mas ficou o gosto: o gosto provocado pelo primeiro cheiro a mosto.

É na vinha onde muitas pessoas passam muito tempo.

É na vinha onde tantos gastam — e se desgastam — tanto.

É na vinha onde as energias se consomem e os rendimentos como que se encolhem.

A vinha até dá muito, mas os mercados dão pouco pelo muito que se trabalha na vinha.

Na vinha, não se trabalha só agora, mas trabalha-se também agora, sobretudo agora.

Em plena época das vindimas, sabemos bem quanto custa trabalhar muito e receber pouco.

Em plena época das vindimas, sentimos bem o peso da injustiça e o (amargo) sabor da ingratidão. Afinal, gasta-se muito todo o ano a pensar nas vindimas. E acaba-se por conseguir pouco nas vindimas para o resto do ano.

O problema não está na terra, que até é generosa. O problema parece estar em quem teima em não valorizar devidamente o que se produz na terra.

Daí que o tempo das colheitas costume baloiçar entre a alegria e a frustração.

O que se recebe nem sempre compensa o que se gastou.

Resta-me, pois, augurar uma feliz colheita e desejar uma justa recompensa por tanto trabalho.
publicado por Theosfera às 00:06

Hoje, 23 de Setembro, é dia de S. Lino, Sta. Tecla, S. Constâncio, S. Pio de Pietrelcina e Mártires Mexicanos.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

Hoje é o último dia do Verão. Amanhã, 23 de Setembro, às 03h29, ocorre o Equinócio dando-se assim início ao Outono, a minha estação preferida.

A natureza recolhe-se, curvando-se e caindo em tons amarelados.

Não faz mal imitar a natureza. Precisamos (oh se não precisamos!) de recolhimento!

publicado por Theosfera às 15:02

1. Coisa estranha é este mundo. Coisa estranha é este tempo. Coisa estranha é o comportamento humano neste mundo e neste tempo.

Andamos cada vez mais depressa e chegamos cada vez mais atrasados.  Causa? Queremos fazer tudo. Queremos fazer tudo ao mesmo tempo. Falta-nos um pouco de pausa, um pouco de lentidão.

 

2. Há muito saber, mas pouco sabor. Falta uma certa capacidade para olhar para dentro, para entrar neste santuário que somos nós mesmos.

Lá no fundo desse mar imenso que se chama vida, há uma miríade de surpresas. À espera de serem encontradas.

 

3. O presente será dos que entendem. Mas o futuro pertencerá, sem qualquer dúvida, aos que ousam.

George Bernard Shaw percebeu: «Alguns vêem as coisas como são e perguntam: "Porquê?". Eu sonho com as coisas que nunca foram e pergunto: "Por que não?"». Alguma ousadia é necessária. Muito sonho é urgente.

 

4. Muitas são as vezes em que nos queixamos da vida. Mas será que a vida, se falasse, também não teria motivos para se queixar de nós? Artur Rubistein observa: «Quem ama a vida é amado por ela».

Pode levar tempo. Mas a vida não costuma desapontar os que não desistem. E no chão da vida fermenta o eco da presença palpitante de Deus. A vida dos homens é um sopro do eterno abraço de Deus.

 

5. Nada está adquirido à partida. Tudo tem de ser (cuidadosamente) cultivado até à chegada. A violência não é um exclusivo de sociedades pouco desenvolvidas. Pierre La Rochelle até dizia que «a civilização extrema gera a barbárie extrema».

As guerras mundiais do século XX envolveram povos que primavam por índices culturais acima da média. Não há civilização verdadeira sem humildade, sem respeito pelo outro.

 

6. Quem ganhou as últimas guerras? Quem ganhará as próximas guerras? Eleanor Roosevelt não tinha dúvidas: «Ninguém ganhou a última guerra, nem ninguém ganhará a próxima».

Esse é o equívoco em que persistimos desde os primórdios. Na guerra, todos perdemos. Ganhar só na paz.

 

7. O paradigma está a deslizar em quase tudo. No conhecimento, sem dúvida. Mas também nos comportamentos. A vida privada já não é o que era. Será que ainda é? Será que ainda existe vida privada?

Facilmente se confunde transparência com exibicionismo. Pior, hoje propende-se a desconfiar do que é privado, do segredo.

 

8. Se há segredo, há logo desconfiança. Porque é que tem de ser assim? Esquecemo-nos de que defender a privacidade é defender a liberdade? Wolgang Sofsky afasta-se do pensamento dominante advertindo: «Quem não tem alguma coisa a esconder, renunciou à sua liberdade».

Nem sequer nos apercebemos de que nem tudo é para mostrar, nem tudo é para publicitar. A vida íntima é para ficar na intimidade. Somos amigos não quando queremos saber tudo a respeito dos outros. Mas quando protegemos a sua privacidade e não alinhamos em rumores acerca deles.

 

9. É costume associar a beleza à infância, à juventude, à robustez.

Daí a tendência (quase a obsessão, em alguns casos) para prolongar a juventude, para retardar o envelhecimento.

 

10. Não nos apercebemos de quanta beleza há na velhice. No passo pausado. No andar pesado. No caminhar devagar. Na lágrima furtiva. No olhar dorido. Nas cãs luminosas. Na calvície reluzente. Na sabedoria acumulada. Na subtileza mostrada. Na paciência notada. Nos silêncios eloquentes.

A verdadeira beleza não virá mesmo pela tarde?

 

publicado por Theosfera às 10:42

O conhecido é causado, muitas vezes, pelo desconhecido.

O revelado nasce, quase sempre, do oculto.

O que vem à luz emerge, frequentemente, das sombras.

Se soubéssemos o que está por detrás do que nos surge pela frente, é provável que ficássemos estarrecidos.

Talvez por isso Bernard de Fontenelle era de opinião que, para honra dos granes acontecimentos, é, muitas vezes, necessário que as causas fiquem ocultas».

Só que nenhuma desonra consegue ter honra só pelo facto de ficar oculta!

publicado por Theosfera às 10:06

Hoje, 22 de Setembro, é dia de S. Félix IV, Sta. Catarina de Génova, S. Maurício e Sto. Exupério e seus Companheiros mártires.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 21 de Setembro de 2014

A. Tanto se clama por justiça e tanto se atenta contra a justiça

1. Muito se clama neste mundo por justiça. E tantos atentados se comentem neste mundo contra a justiça. A justiça desponta sempre como uma urgência e acaba por surgir sempre como uma tremenda carência.

Ficamos com a sensação de que, entre a promessa de justiça e o contínuo avanço da injustiça, se interpõe um misto de fraqueza e incúria. Às vezes, acabamos por não saber se a injustiça cresce por causa da nossa debilidade ou por causa do nosso desleixo. Será que não podemos promover a justiça ou será que não queremos promover a justiça? Seja como for, o certo é que a injustiça não dá sinais de abrandar.

Até a justiça parece ser injusta. Para grande parte das pessoas, a justiça é cada vez mais rara, cada vez mais cara, cada vez mais lenta e cada vez mais distante.

 

2. Nem sempre as leis parecem amigas da justiça. Ou porque não existem. Ou porque não são boas. Ou porque, existindo e sendo boas, não são aplicadas. E se a justiça não funciona, há muitas pessoas que oscilam entre a resignação e a revolta. Ou não fazem nada, ou então decidem fazer a chamada «justiça pelas próprias mãos». E assim se confunde justiça com mera vingança. Só que a vingança não repõe o bem perdido, apenas devolve a maldade cometida.

Na hora que passa, o mundo parece um infindável pasto de injustiça. E o pior é que só acordamos quando os injustiçados se revoltam. Parecemos adormecidos quando as injustiças estão a ser semeadas, alimentadas e, como tumores, difundidas. A indiferença perante a injustiça não é menos grave que a prática da injustiça. Vivemos no mesmo mundo, mas não nos sentimos membros da mesma humanidade. O «eu» continua a aprisionar-nos: a aprisionar os nossos passos e a enevoar os nossos olhos. Ainda estamos muito «egocentrados», muito «ego-sentados».

B. A injustiça vive da acção e muitos e da inacção de tantos

3. Que justiça há num mundo onde poucos têm muito e onde muitos têm pouco ou quase nada? Que justiça há num mundo onde existe mais dinheiro para matar a vida do que para matar a fome? Neste momento, há 805 milhões de pessoas com fome! E que justiça existe num país, o nosso, com tantas assimetrias e tão flagrantes desigualdades? Que justiça existe num país, o nosso, onde os sacrifícios parecem cair sempre em cima dos mesmos: os desempregados, os trabalhadores precários e os idosos? Que justiça existe num país, o nosso, onde uns estão próximos de tudo e outros estão perto de nada?

Vão-se os tribunais. Vão-se as esquadras. Vão-se os hospitais. E vão-se as escolas. Sem justiça, sem segurança, sem saúde e sem educação, que estímulos para continuar no interior? Não se entende que o interior também faz parte do país e que os habitantes do interior também são cidadãos, também são pessoas.

 

4. Sem justiça, não é possível viver. Já Aristóteles reconhecia que «a base da sociedade é a justiça». No entanto, que estamos dispostos a fazer para terminar com a injustiça? Ou, pelo menos, para que ela não alastre? Tenhamos presente que a injustiça não resulta apenas da acção de muitos, resulta também da inacção de tantos. Quem não age em prol da justiça ou não reage diante da injustiça, acaba por interagir com quem age injustamente.

Para vencer a injustiça, é preciso vencer o medo, sobretudo o medo de perder. É preciso vencer o medo de perder o lugar, o medo de perder o prestígio, o medo de perder o aplauso. Para vencer a injustiça, é preciso perder o medo de falar, o medo de sofrer, o medo de ser criticado. Em suma, é preciso fazer muito para que a injustiça termine. Já para que a injustiça continue, basta uma coisa: não fazer nada.

C. A justiça segundo Deus

5. Habitualmente, o nosso problema com a justiça é duplo. Reside na indiferença e no equívoco. Ou não nos preocupamos com a justiça ou nos erigimos a nós mesmos em fonte de justiça. Acontece que não somos nós a fonte de justiça para os outros. Deus é que é a fonte de justiça para todos.

Segundo Deus, a justiça não consiste em fazer o mal a quem fez o mal. Segundo Deus, a justiça consiste em fazer o bem até àquele que faz o mal. Por conseguinte, justo é aquele que até é capaz de ir mais além da justiça. A justiça segundo Deus não dá só o que é merecido. A justiça segundo Deus é capaz de ir mais longe, até é capaz de dar o que é imerecido. Trata-se, pois, de uma justiça que pode chegar ao ponto de parecer injusta. A justiça divina, ao contrário do que pensamos, não é meramente proporcional. Ele não dá muito a quem faz muito e não dá pouco a quem faz pouco. Deus dá tudo a todos. Deus dá-Se todo a todos.

 

6. É possível ser cristão esquecendo os preceitos da justiça? Sem justiça não é possível ser cristão nem é possível sequer ser humano. Até um não-cristão como André Comte-Sponville defende que «a justiça é a única virtude que é boa em sentido absoluto». Ela não é só uma virtude. Ela é «o horizonte de todas as virtudes e como que a lei para a sua coexistência. Todos os valores a supõem e toda a humanidade a requer. A justiça não substitui a felicidade, mas nenhuma felicidade a dispensa».

A pessoa injusta não pode ser feliz e é por isso que vai semeando infelicidade pelos outros. A pessoa injusta não tem descanso. Mas a pessoa justa também não pode descansar pois há sempre quem esteja a atentar contra a justiça. Daí que o mesmo André Comte-Sponville proclame «bem-aventurados os que têm fome de justiça e que nunca se sintam saciados». Que nunca se sintam saciados enquanto a injustiça não for extinta, enquanto a justiça não for erguida e consolidada.

D. Não se pode procurar Deus sem procurar a Sua justiça

7. Na catequese, aprendemos que a justiça — juntamente com a prudência, a fortaleza e a temperança — é uma das quatro virtudes cardeais. Ou seja, é uma das virtudes fundamentais, centrais, estruturais e orientadoras da nossa existência. E, no entanto, parece que passamos o tempo a esquecer a justiça, a pisar a justiça. Só nos lembramos da justiça quando a justiça nos foge ou quando a injustiça se aproxima. Não temos presente que Jesus ligou — indelevelmente! — o Reino de Deus e a Justiça: «Procurai, antes de mais, o Reino de Deus e a Sua justiça, e o resto virá por acréscimo»(Mt 6, 33).

Procurar Deus implica procurar a Sua justiça. É por isso que o profeta exorta à conversão, à mudança. Como ouvimos na primeira leitura, os pensamentos e os caminhos de Deus são muito diferentes dos nossos (cf. Is 55, 8). Daí que, para trilharmos os justos caminhos de Deus, tenhamos de deixar os nossos injustos caminhos (cf. Is 55, 7).

 

8. A justiça, além de ser conquistada como um direito, tem de ser pedida como um dom. Temos de pedir a Deus que nos dê um pensamento justo e um justo coração. Mas esse não é o problema. Deus está sempre pronto para todas as dádivas, assim nós estejamos disponíveis para as receber. É para isso que o profeta nos quer despertar: «Procurai o Senhor»(Is 55, 6). Nunca deixemos, então, de procurar o Senhor. Como afirma o salmista, «o Senhor está próximo de quantos O invocam»(Sal 144, 18). Ele está sempre perto e está sempre perto com a Sua justiça já que «o Senhor é justo em todos os Seus caminhos»(Sal 144, 17). Em suma, o Senhor é justo em tudo, o Senhor é justo sempre.

Os primeiros cristãos tinham bem presente a justiça de Deus, sufragada com o sangue de Cristo na Cruz. Trata-se não de uma justiça punitiva, mas de uma justiça misericordiosa. Como oportunamente lembrou S. João Paulo II, na sua segunda encíclica, da justiça de Deus faz parte a misericórdia. A justiça e a misericórdia não litigam entre elas, requerem-se entre si. A verdadeira justiça não é punição. A verdadeira justiça é misericordiosa e a verdadeira misericórdia é justa.

E. Deus dá «o que é justo», ou seja, dá-Se a Ele mesmo

9. Os primeiros cristãos não ambicionavam obter lucro para cada um, mas satisfazer as necessidades de todos. Importante não era que alguns acumulassem muito, mas que todos dispusessem do essencial. Num tempo em que muitos chamam seu ao que é comum, seria bom que cada um se dispusesse a considerar comum o que é seu. Trata-se daquele «comunalismo» desenhado nos Actos dos Apóstolos e que tanto impressionava os contemporâneos dos cristãos da primeira hora (cf. Act 4, 32). Eles punham tudo em comum (cf. Act 2, 44-45) e partilhavam o que tinham (cf. Act 4, 32) pelo que «não havia pessoas necessitadas entre eles» (Act 4, 34).

O que nos pertence não nos pertence só a nós, pertence também aos outros. Se o conseguimos com o nosso trabalho, saibamos reparti-lo com o nosso amor. Afinal, Jesus sentenciou que «há mais felicidade em dar do que em receber»(Act 20, 35). A felicidade está mais na dádiva do que na posse. Somos felizes quando multiplicamos o que nos foi dado, dividindo-o pelos outros.

 

10. No Reino dos Céus, não há contratos nem salários. No Reino dos Céus, há uma proposta que aguarda por uma resposta. Se a resposta for «sim», a recompensa está garantida. A recompensa não depende de nós, depende de Deus. Não depende do nosso trabalho, mas da generosidade de Deus.

Deus começa a vir desde muito cedo ao nosso encontro. Neste relato do Evangelho, vemo-Lo vir por cinco vezes. Os vários momentos do dia simbolizam as várias etapas da vida. Em cada instante, Ele vem convidar-nos para a Sua vinha (cf. Mt 20, 7). Deus nunca começa a desistir e nunca desiste de começar.

A todos Ele promete o que for justo (cf. Mt 20, 7). Não há maior justiça do que dar o justo. Sucede que o justo é Ele, o próprio Deus. O doador é também o dom. É Deus que Se dá a quem se dá. E dá-Se por igual porque Deus não pode dar-Se menos que todo. Deus não Se parte quando Se reparte. Deus não encolhe quando escolhe dar-Se. Ele dá-Se todo a todos, a começar pelos últimos. Os últimos são sempre os primeiros (cf. Mt 16), certamente porque são os mais carenciados. A hora do pagamento, afinal, é para todos uma hora de graça, uma hora de dom.

Há, no entanto, quem reaja, quem seja contaminado pela inveja e pelo ciúme. No fundo, não falta quem pretenda um Deus à sua imagem em vez de procurar agir à imagem de Deus. Há quem se sinta mal diante da bondade. Há quem se sinta mal por Deus ser bom. Há, simplesmente, quem não perdoe a bondade. Costa Freitas, antes de morrer, dizia para perplexidade de quem o ouvia: «As pessoas perdoam mais facilmente o mal que se faz do que o bem que se pratica». O Evangelho faz-se eco deste aturdimento: «Serão maus os teus olhos porque eu sou bom?»(Mt 20, 15). Como recordava Agostinho da Silva, «o supremo entender é a bondade».

Só pela bondade viveremos de uma «maneira digna do Evangelho de Cristo», como nos pede S. Paulo na Segunda Leitura (cf. Fil 1, 27). E um cristão deve saber que, para ele, «viver é Cristo»(Fil 1, 21). Não é ele que vive; é Cristo que vive nele (cf. Gál 2, 20). Cristo vive em nós quando tornamos transparentes a Sua mensagem e a Sua vida, a Sua justiça e a Sua bondade. Só atrai para Cristo quem procura viver em Cristo, de Cristo e como Cristo!

publicado por Theosfera às 20:43

Obrigado, Senhor,

pela largueza do Teu coração.

 

Na Tua Casa, ao pé de Ti,

há lugar para todos.

 

Na Tua Casa, ao pé de Ti,

não há preferidos nem preteridos.

 

Todos têm um lugar,

todos são tratados pelo nome,

todos são acolhidos com delicadeza e alegria.

 

Junto de Ti, Senhor,

é sempre festa,

é sempre alegria, contentamento e paz.

 

Porquê, então, Senhor,

a inveja e o ciúme,

o ressentimento e o rancor?

 

Porque é que queremos tudo para nós?

Porque é que fazemos da Igreja um clube onde só alguns parecem ter lugar?

 

Que o nosso coração seja como o Teu

e como o de Tua (e nossa) Mãe.

 

Que no nosso coração,

haja lugar para todos,

especialmente para os pobres e os que sofrem.

 

Que na nossa língua só haja amor,

que no nosso olhar só haja paz,

que na nossa alma só haja esperança.

 

Que aquilo que celebramos cá dentro, no templo,

possa ser vivido lá fora, no tempo.

 

Nós já sabemos que podemos contar conTigo

hoje, amanhã e sempre,

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:17

Tão importante é a política e, não obstante, tanto se improvisa em política.

Já no século XIX, Robert-Louis Stevenson notava que «a política é talvez a única profissão para a qual se pensa que não é precisa nenhuma preparação».

Mas essa falta de preparação pode ser fatal.

A ilusão de que se está preparado não garante, por si, qualquer preparação!

publicado por Theosfera às 08:07

Hoje é o Dia Mundial da Doença de Alzheimer.

É uma das enfermidades mais perturbantes. Atinge cada vez mais pessoas.

As respostas nem sempre são as mais adequadas, quer do ponto de vista clínico, quer do ponto de vista social.

Há que incrementar a intervenção e estimular a sensibilidade.

Mas, atenção, não são apenas as vítimas de Alzheimer que são afectadas pelo esquecimento!

publicado por Theosfera às 00:55

1. Não apenas filósofo, não somente teólogo. Xavier Zubiri — que morreu a 21 de Setembro de 1983 — tem muito dos dois e conseguiu operar uma síntese entre ambos.

Foi, por isso e caracteristicamente, um teofilósofo.

 

2. Na suatrajectória, o homem e Deus aparecem como intersignificantes e a Filosofia e a Teologia surgem como confluentes.

Deus é sempre pensável com o homem e o homem nunca é pensável sem Deus.

 

3. Zubiri não foi filósofo unicamente quando fez Filosofia, como não foi teólogo exclusivamente quando cursou Teologia.

Ele foi filósofo também na abordagem de assuntos teológicos e pode dizer-se que foi teólogo também no tratamento de temas filosóficos.

 

4. Quem analisa a sua obra filosófica pode ficar com a sensação de que ela foi escrita por um teólogo, tal é a sua sensibilidade ao divino.

E quem lê a sua produção teológica pode ficar com a impressão de que ela foi elaborada por um filósofo, tal é a sua robustez conceptual.

 

5. É por tudo isto que, de uma certa maneira, Zubiri pode ser descrito como um teólogo do humano e como um filósofo do divino.

Para Zubiri, o discurso primordial acerca de Deus serve não para O demonstrar, mas para O mostrar. Tanto mais que, ao contrário do que alguns sugerem, o difícil não será descobri-Lo, mas encobri-Lo.

 

6. É que Deus não está «extra vitam»(fora da vida), nem tampouco «juxta mundum» (ao lado do mundo), mas «intra realitatem» (dentro da realidade).

Se Deus está na realidade do mundo, então não é possível fazer a experiência de Deus sem fazer a experiência do mundo.

 

7. Hoje em dia, corre-se o risco de estar na órbita de quase tudo e no fundo de quase nada.

Não faltará quem se ressinta deste distanciamento do fundo, propendendo — quase por instinto — para uma certa pimbização pastoral, tecida de alguma anemia espiritual e de muita anestesia social.

 

8. Para Zubiri, Deus não está além da vida. Aliás, Ele é a vida.

É, pois, «ex vita» (e não apenas «ex cathedra») que urge testemunhar a Sua presença e o Seu amor.

 

9. Deus está seguramente «in excelsis».

Mas, no tempo em que vivemos e na hora que passa, Ele quer ser encontrado «de profundis», nos subterrâneos da existência e nas periferias da história, nos esquecidos pela fortuna.

 

10. A experiência de Deus é ascendente.

Mas sempre a partir do fundo!

publicado por Theosfera às 00:07

Só entrei verdadeiramente em contacto com Xavier Zubiri após a sua morte, ocorrida faz hoje 31 anos.

Foi o título de um dos seus livros que me aproximou dele. Sobretudo aquele «y» de «El hombre y Dios».

Para ele, acerca de Deus, «o mais difícil não é descobri-Lo; é encobri-Lo».

Tudo fala de Deus. Até a Sua alegada ausência.

Porque Deus, quanto mais Se esconde, mais Se revela.

Uma das frases que Zubiri mais citava era um pensamento de Sto. Agostinho: «Procuremos. Procuremos como quem há-de encontrar e encontremos como quem há-de voltar a procurar. Pois é quando parece que tudo acaba que tudo verdadeiramente começa».

publicado por Theosfera às 00:02

Hoje, 21 de Setembro (XXV Domingo do Tempo Comum), é dia de S. Mateus e S. Castor.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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