O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 31 de Março de 2013

1. Para muitos, a Páscoa é mais o ruído do que a calma. É mais a palavra do que a escuta. É mais a acção do que a meditação. É mais o movimento do que o recolhimento.

 

O ruído, as palavras, a acção e o movimento dão um grande colorido às nossas terras. Mas a falta de calma, de escuta, de meditação e de recolhimento deixa um profundo vazio nas nossas almas.

 

Quando falamos de Páscoa, pensamos no que, a propósito dela, se diz e se faz. Mas era bom que se captasse o sentido da Páscoa também a partir do que, nela, não se diz e não se faz.

 

A Páscoa não se reduz às procissões de Sexta-feira e às celebrações de Domingo. Entre o grito da Cruz e a alegria da Ressurreição, há o silêncio da sepultura.

 

É também por esse silêncio que nos devíamos envolver. Porque é nesse silêncio, que parece nada trazer, que germina a novidade plena, a surpresa maior, o reencontro total.

 

 

2. De facto, o silêncio não é necessariamente mutismo, ausência ou distância.

 

Há um silêncio pelo qual tudo nos chega. É o silêncio da semente lançada à terra. É do fundo que se cresce. E é de trás que se caminha.

 

No silêncio, verificamos que ainda há muita semente para desabrochar. É o silêncio exterior que nos põe alerta. É o silêncio interior que nos põe à escuta.

 

É um silêncio, ao mesmo tempo, afónico e atónito. É um silêncio que tanto nos deixa sem palavras como nos preenche com uma paz inquieta.

 

Afinal, as palavras costumam morrer nos lábios e os pensamentos acabam por se ofuscar na mente.

 

É, por isso, o silêncio que nos permite acolher o grande murmúrio que Deus faz ecoar no mundo.

 

E há-de ser a fraternidade a levar-nos a estender a mão àqueles que vão caindo nas estradas do mundo.

 

Às vezes, queremos cobrir de palavras o que escapa a toda a palavra. Se as palavras já são débeis para dizer a vida, como não são frágeis para (des)dizer a morte!

 

E, não obstante, multiplicamos explicações. No tempo, atrevemo-nos a cartografar a eternidade e a mapear com minúcia cada um dos seus momentos.

 

 

3. A Páscoa é oportunidade para cantar, para louvar. Mas será ainda mais bela se for aproveitada para colher, para captar.

 

O silêncio não nos afasta dos problemas, mas abre-nos muitos caminhos no meio dos próprios problemas.

 

Jesus foi tão eloquente quando falou como quando calou. E disse-nos tanto no grito da Cruz como no silêncio do sepulcro.

 

O silêncio é o nada donde vem tudo. Não é esse, aliás, o transe da criação?

 

Deixemos, pois, falar a Páscoa no tempo! E façamos ressoar a Páscoa na vida!

 

 

4. A Páscoa é, sem dúvida, uma festa. Mas é uma festa que começa num fracasso.

 

Eis a lição jamais apreendida num tempo que cultua o êxito como desígnio supremo. E que tende a encarar qualquer adversidade como um obstáculo intransponível.

 

O fracasso de Jesus parecia ser total, definitivo, irrecuperável.

 

Neste sentido, a Páscoa significa que nem a morte é o fim. A Páscoa assinala o começo depois do próprio fim.

 

Tudo está em aberto. E o que conta não são apenas os conceitos já pensados e as soluções já tentadas. O que conta é o novo, aquilo que ninguém (ainda) conhece, aquilo que (ainda) está para acontecer.

 

Adormecida, no nosso interior, está a esperança. Dorme o prolongado sono da resignação, do desalento.

 

É tempo de despertar a esperança. É hora de despertarmos para a esperança!

publicado por Theosfera às 18:45

Já é Páscoa no tempo,

há alegria e esplendor,

vivacidade e contentamento.

Os foguetes vão estourar,

as flores vão brilhar,

as pessoas vão vibrar,

as casas vão encher

para Te acolher, Senhor.

Há dois mil anos,

removeste a pesada pedra do Teu sepulcro.

Pedimos-Te, Senhor,

que, hoje mesmo,

removas alguma pedra que ainda endureça os nossos corações:

a pedra do pecado,

a pedra do egoísmo,

a pedra da falsidade,

a pedra da injustiça, do ódio e da violência.

Aqui nos tens, Senhor,

não queremos ser sepultura mas berço.

Queremos que nasças sempre em nós

e queremos renascer sempre para Ti.

É tempo de Páscoa.

Exulta a natureza.

Vibram as crianças.

Cantem as multidões.

Que a Páscoa traga Paz,

Amor, Partilha e Felicidade.

Que os rostos sorriam,

que as mãos se juntem,

que os passos se aproximem,

que os corações se abram.

Obrigado, Senhor,

por morreres por nós.

Obrigado, Senhor,

por ressuscitares para nós.

Voltaste para o Pai e permaneces connosco.

Na Eucarista, és sempre o Emanuel.

Que Te saibamos receber

e que Te queiramos anunciar.

Hoje vais entrar em nossas casas.

Que nós nunca Te afastemos da nossa vida.

É Páscoa no tempo.

Que seja Páscoa na vida,

na nossa vida,

na vida da humanidade inteira.

publicado por Theosfera às 11:07

Um dia oportuno para meditar neste pensamento pertinente de Marco Aurélio: «A maior parte das coisas que dizemos e fazemos não é necessária; quem as eliminar da própria vida será mais tranquilo e sereno».

O essencial está em Cristo. O essencial é Cristo.

Ele revela o importante, o perene, o definitivo: servir, amar, dar, dar-se.

Não estará na hora de fazer um «downsizing» na nossa vida?

publicado por Theosfera às 08:21

Pela manhã, foram as pessoas ao encontro de Jesus. Pela tarde, é Jesus que vem ao encontro das pessoas.

 

Pela manhã, prevalece a ansiedade. Pela tarde, é oferecida a paz.

 

Em ambos os momentos, os obstáculos são removidos.

 

Havia, pela manhã, uma pedra que não se sabia como afastar. Afinal, já estava afastada.

 

Pela tarde, as portas estavam fechadas. Mesmo assim, Jesus (re)surgiu.

 

Nada (nem a morte) consegue deter Jesus.

 

Nem sempre há paz na força. Mas existe sempre força na paz. A única força está na paz.

 

Santo Agostinho, embora num contexto diferente, distingue entre a cognitio matutina (conhecimento da manhã) e a cognitio vespertina (conhecimento da tarde).

 

A manhã é o vislumbre da eternidade. A tarde é o retrato do tempo, do percurso da vida.

 

Na tarde do primeiro dia, Jesus vem ter com os discípulos. Está vivo, mas mantém as marcas da dor.

 

Deixa-Se tocar. S. João, que nos oferece este relato, anota, na sua primeira carta, que anuncia aquele que viu, aquele ouviu, aquele que pôde tocar.

 

Tomé representa o senso comum. Quem diria outra coisa se estivesse no seu lugar?

 

A evidência que ele conhecia era a morte. Haverá evidência mais eloquente?

 

Como João, também Tomé viu e acreditou.

 

Jesus declarou felizes os que haveriam de acreditar mesmo sem ver.

 

O essencial é mesmo invisível aos olhos. O essencial deixa-se ver pelo coração. Apenas e sempre.

publicado por Theosfera às 07:08

A Páscoa traz muita gente à volta da Igreja. São mobilizados os crentes e envolvidos os não crentes.

 

Sucede que esta afirmação de pujança pode (insisto: pode) denunciar um certificado de debilidade.

 

O que atrai mais pessoas não é a liturgia. São as procissões, as tradições.

 

O problema não está no seu valor, que é grande. Está, cada vez mais, no seu enquadramento, que é problemático.

 

É que já não falta quem venda a Semana Santa como um cartaz turístico. E, de facto, há multidões que se arrastam para as localidades onde se promovem acções nesta altura do ano.

 

E não falta mesmo quem já fale de espectáculo!

 

Aqui é que bate o ponto. Um espectáculo implica não só acção, mas também actores e espectadores.

 

Ora, o que se representa, muitas vezes, é apreciado sobretudo pelo seu efeito cénico. Há uma certa distância entre quem representa e quem assiste.

 

E nota-se também uma cada vez maior ausência de espiritualidade, recolhimento.

 

Como agir?

 

É um novo desafio que temos pela frente: vivenciar o momento central da fé ou apostar numa oferta turística de grande consumo?

 

Viver é optar, como dizia Zubiri.

publicado por Theosfera às 07:06

1. A Páscoa não é uma circunstância vaporosa de uma época distante.

 

Ela é a novidade perene oferecida ao homem e inscrita no tempo. Em cada tempo. Também no nosso tempo.

 

O Evangelho, até no mais ínfimo pormenor, tem a preocupação de realçar tal novidade.

 

A referência ao «primeiro dia da semana» (Jo 20, 1) surge em nítido contraste com o dia anterior, o último dia.

 

No ocaso do último dia, respira-se morte. Já no alvorecer do primeiro dia, volta a despontar a surpresa da vida.

 

O dia começa cedo, ainda escuro. A escuridão mora em quem procura alguém que julga estar morto.

 

Maria de Magdala nem sequer se apercebe de que já se encontra num tempo novo.

 

Ela está persuadida de que a morte levou a melhor. As evidências parecem inultrapassáveis.

 

 

2. Mas eis que o sinal da morte está removido. A pedra no sepulcro seria como um ponto final num texto. Afinal, o texto iria continuar.

 

Sucede que, num primeiro momento, a reacção é de alarme. Não se trataria de uma vitória da vida, mas do furto de um cadáver (cf. Jo 20, 2).

 

Resolve então avisar dois dos discípulos de Jesus: Pedro e João, duas personalidades e dois sinais.

 

Aliás, o autor do quarto Evangelho insiste bastante na categoria sinal. Quando fala de milagres, emprega sempre a palavra sinais (semeia).

 

Pedro representa a autoridade, João iconiza o amor. Já na Última Ceia, Pedro está perto de Jesus, mas pede a João para Lhe perguntar acerca de quem O iria entregar (cf. Jo 13, 23-26).

 

Por aqui se vê como a autoridade, na Igreja emergente, não vale por si mesma. Ela só age através do amor, pela mediação do amor.

 

 

3. Depois da ressurreição, ocorre o mesmo. Pedro sai com João rumo ao sepulcro. Ou seja, a autoridade não dispensa o amor na procura de Jesus.

 

Mas, a determinada altura, João antecipa-se. Na verdade, o amor vai sempre à frente e chega sempre primeiro.

 

Como refere o comentário de Mateos-Barreto, «corre mais depressa o que tem a experiência do amor, o que foi testemunha do fruto da Cruz».

 

De facto, na hora da morte, só o amor (João) esteve presente. A autoridade (Pedro) ausentara-se. Só o amor é capaz de vencer o medo.

 

João chega primeiro ao sepulcro. É pelo amor que se atinge a meta e que se chega a Deus.

 

Só que, como reconhece S. Paulo, o amor também sabe ser paciente, também consegue esperar e, aspecto nada negligenciável, nunca é invejoso (cf. 1Cor 13, 4).

 

João vê o sepulcro vazio, mas não entra. Aguarda que Pedro venha.

 

O amor respeita a autoridade. Até porque sabe que, na Igreja, a autoridade está ao serviço do amor.

 

Não se trata de um mero gesto de deferência. É, sobretudo, um gesto de reconciliação.

 

É que, com as negações de Pedro (cf. Jo 18, 15-17.25), era a autoridade que vacilara, vacilara no amor.

 

Agora, o amor dá uma nova — e definitiva — oportunidade à autoridade.

 

João, que estivera junto à Cruz, não se arroga uma qualquer superioridade, estatuto tão fácil de avocar e sentimento tão pronto a exibir.

 

O amor é humilde. Sabe que a autoridade tinha negado Jesus, mas, por isso mesmo, deixa-a entrar em primeiro lugar para que, em primeiro lugar também, expresse o seu amor.

 

 

4. O amor é mesmo assim: uma sucessão de começos. A autoridade sente-se reabilitada e segura por correr atrás do amor.

 

Na Igreja de Jesus, a autoridade só faz sentido em função do amor.

 

Só correndo atrás do amor, a autoridade alcança o seu destino. É o amor que aponta o caminho à autoridade. Sem amor, a autoridade perde o norte, a bússola.

 

Eis, por conseguinte, uma novidade jamais superada. Pedro e João a caminho do sepulcro sinalizam, assombrosamente, o perfil da Igreja pelas estradas do mundo.

 

A autoridade é necessária. Mas ela é apenas instrumental. Existe para tornar presente o essencial. E o essencial é o amor.

 

Porque, como alvitra o Evangelho (cf. Jo 20, 8), só com o amor se vê, só pelo amor se acredita.

publicado por Theosfera às 07:05

O Ressuscitado aparece sempre desejando a paz: «A paz esteja convosco»!

 

Vivamos Páscoa. Sejamos Paz!

publicado por Theosfera às 07:04

O cristianismo é, geneticamente, paradoxal. Ele oferece Deus no Homem, o Eterno no Tempo.

 

Na visita pascal, anunciamos a ressurreição e transportamos o Crucificado.

 

Antes de mais, é muito difícil figurar um corpo ressuscitado. Nem os discípulos reconheceram Jesus: era o mesmo mas com uma configuração diferente.

 

Tem muito sentido transportar a Cruz em dia de Páscoa porque o que ressuscita é o mesmo que morre; o que volta à vida é o mesmo que dá a vida; se não morresse não ressuscitaria; o grão de trigo, para dar fruto, tem de morrer.

 

Não é, pois, em vão que Jürgen Moltmann usa paradoxais expressões como «ressurreição do Crucificado» e «cruz do Ressuscitado».

 

O mistério de Cristo é sempre global, não se pode segmentar ou clivar. Foi a pensar n'Ele que von Balthasar escreveu que «a verdade é a totalidade». Jesus integra a glória no sofrimento e eleva o sofrimento à glória.

 

Eis, por isso, a maior fonte de esperança para quem sofre: Ele sofre connosco, nós sofremos com Ele. Nós podemos vencer o sofrimento e a própria morte. Com Ele. Só com Ele. Sempre com Ele.

publicado por Theosfera às 07:04

A Páscoa é acontecimento.

A Páscoa é itinerário.

A Páscoa é hoje.

A Páscoa prossegue amanhã.

É sempre Páscoa!

publicado por Theosfera às 07:03

Hoje, 31 de Março (Páscoa da Ressurreição do Senhor), é dia de Sto. Acácio de Antioquia, Sta. Balbina, S. Benjamim e S. Daniel.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:02

Sábado, 30 de Março de 2013

Deus não é neutro. E a Sua opção não é difícil de apurar.

 

O Talmude judaico apresenta-nos o seguinte:

 

«Deus está sempre ao lado do perseguido.

 

Se um justo persegue outro justo, Deus põe-Se ao lado do perseguido.

 

Se um perverso persegue um justo, Deus põe-Se ao lado do perseguido.

 

Se um perverso persegue um perverso, Deus põe-Se ao lado do perseguido.

 

Se um justo persegue um perverso, Deus põe-Se ao lado do perseguido».

 

Deus não está com o justo só por ser justo. Deus está com ele desde que ele não persiga ninguém. O perseguido pode nem ter sido justo, mas nada justifica que seja perseguido.

 

Mesmo quando está em causa a verdade ou a razão, tudo cai diante da força ou da violência. Quem se julga na posse da verdade ou da justiça e parte para a violência, não conte com o apoio de Deus.

 

Os perseguidos, sim. Podem não ter razão. Podem não ter apoios. Mas Deus está com eles.

 

Muito temos todos que aprender com Deus. A começar pelas próprias igrejas. Também nelas houve perseguições, perseguidores e perseguidos.

 

Os perseguidores invocam o nome de Deus. Mas só os perseguidos podem estar certos da Sua presença.

publicado por Theosfera às 11:06

O Sábado Santo é uma espécie de entretanto entre a comemoração da morte e a celebração da vida. Entre a Cruz e a Ressurreição, há a sepultura.

 

O trânsito ocorre aqui. A Páscoa está, literalmente, em marcha. A passagem da morte para a vida faz-se no silêncio da espera.

 

Nada há mais distante. Nada existe tão próximo. A morte é a negação da vida. A vida é a superação da morte. Entre uma e outra um dia de espera, de expectativa.

 

Há, aqui, uma realidade e um sentido, um significante e um significado.

 

Desde logo, não é para o alto que devemos olhar. É para as profundidades que temos de nos dirigir.

 

Estamos no fundo? Mas é do fundo que tudo parte.

 

A grande lição do Sábado Santo é que não há motivos para o derrotismo (próprio de Sexta-Feira Santa), mas também não há ainda razões para a euforia (aceitável em Domingo de Páscoa).

 

O Sábado Santo é a grande metáfora da vida humana. É preciso nunca deixar de acreditar, nunca desistir de trabalhar. Não há obstáculos intransponíveis.

 

Deixo, a este propósito, um texto magnífico de Carlo Maria Martini: «Estamos no sábado do tempo, caminhando em direcção ao oitavo dia: entre o "já" e o "ainda não", devemos evitar absolutizar o hoje com atitudes de triunfalismo, ou, pelo contrário, de derrotismo.

 

Não podemos deter-nos na escuridão de Sexta-Feira Santa, numa espécie de "cristianismo sem redenção"; mas também não devemos apressar a plena revelação da vitória da Páscoa em nós, que se realizará na segunda vinda do Filho do Homem.

 

Somos convidados a viver como peregrinos na noite iluminada pela esperança da fé e acalentada pela autenticidade do amor».

publicado por Theosfera às 11:05

Karl Rahner morreu neste dia há 29 anos: 30 de Março de 1984.


Um teólogo enorme merecia uma atenção dilatada.


O Homem é, como ele bem anotou, o ouvinte da Palavra.


Ouçamo-la. Ouçamo-lo.
publicado por Theosfera às 11:03

Um dado a perturbar o silêncio pacificador deste Sábado Santo.

Ninguém quer mais guerra. Mas parece que todos se preparam para mais uma guerra.

O problema é que não será uma guerra a mais. Os sinais vindos da Coreia do Norte são arrepiantes. É melhor levá-los a sério.

 

Armindo Monteiro terá dito que a História é o que está mais perto da ficção.

 

Daí que seja bom, pelo menos preventivamente, estar atento.

 

O que anda na imaginação de muita gente pode tornar-se (dolorosa) realidade!

 

De surpresas desagradáveis já estamos saturados!

publicado por Theosfera às 10:35

Hoje, 30 de Março (Sábado Santo), é dia de S. João Clímaco e Sto. Amadeu de Sabóia.

Neste dia, não se celebra a Santa Missa. É o dia do grande silêncio e da grande solidão, em comunhão com Jesus tumulado.

A Vigília Pascal, embora cronologicamente decorra na noite de Sábado, liturgicamente já acontece em Domingo de Páscoa.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:07

No Sábado Santo não há nenhuma liturgia oficial. As igrejas estão vazias. Os altares desnudados. Os tabernáculos abertos e vazios. As velas apagadas. O silêncio pervade todos os ambientes. É uma experiência de recolhimento e atitude de espera.

Tudo para lembrar que Cristo desce à mansão dos mortos e assume o destino e a limitação do ser humano. Ele é solidário até o fim e faz a descida da morte, entra no seu mistério, para sair vitorioso e abrir para todos um caminho de luz e esperança.

 

Não é, por isso, sábado de aleluia: o aleluia é só a partir de Domingo.

 

A Vigília Pascal, cronologicamente, começa no sábado. Mas, kairologicamente, decorre já no Domingo.

 

Isto porque o povo a que Jesus pertenceu considera que o dia começa quando o sol se põe.

 

Portanto, o sábado é um dia de reflexão, meditação e expectativa.

 

O Senhor ressuscitará.

publicado por Theosfera às 06:29

Sexta-feira, 29 de Março de 2013

Hoje não é só dia de abstinência. É também dia de jejum.

 

Não se trata só de não comer carne. Trata-se também de comer menos.

 

É claro que o foco não está no significante. Está no significado.

 

O importante não é a abstinência da carne e a privação de comida. O importante é, com esse, gesto, unirmo-nos a Jesus na Cruz e a Jesus nos pobres de hoje.

 

Nós, graças a Deus, ainda podemos optar por fazer abstinência e jejum. Muitos, porém, não podem fazê-lo. São obrigados a fazê-lo.

 

A nossa solidariedade também se faz com gestos.

 

Façamos sobretudo jejum das falsidades, das palavras agressivas, dos juízos apressados, da ostentação, da violência e da injustiça.

 

Eis, pois, uma boa oportunidade de exercitar o autodomínio, valor actualmente muito em baixa. E com resultados devastadores.

 

Quem se priva do que gosta de comer habituar-se-á a privar de gestos mais intempestivos e violentos.

publicado por Theosfera às 10:59

Hoje não é só dia de abstinência. É também dia de jejum.

 

Não se trata só de não comer carne. Trata-se também de comer menos.

 

É claro que o foco não está no significante. Está no significado.

 

O importante não é a abstinência da carne e a privação de comida. O importante é, com esse, gesto, unirmo-nos a Jesus na Cruz e a Jesus nos pobres de hoje.

 

Nós, graças a Deus, ainda podemos optar por fazer abstinência e jejum. Muitos, porém, não podem fazê-lo. São obrigados a fazê-lo.

 

A nossa solidariedade também se faz com gestos.

 

Façamos sobretudo jejum das falsidades, das palavras agressivas, dos juízos apressados, da ostentação, da violência e da injustiça.

 

Eis, pois, uma boa oportunidade de exercitar o autodomínio, valor actualmente muito em baixa. E com resultados devastadores.

 

Quem se priva do que gosta de comer habituar-se-á a privar de gestos mais intempestivos e violentos.

publicado por Theosfera às 10:58

É tão pesada a Cruz,

a Tua Cruz, Senhor,

que não sei como conseguiste erguê-la

nem como conseguiste erguer-Te

depois de, por três vezes,

ela Te ter feito cair.

 

Como foi possível, Senhor,

depois já de tanto sangue derramado?

Como foi possível, Senhor,

depois já de tantas atrocidades?

Como foi possível, Senhor,

depois da agonia, da flagelação, da coroação de espinhos?

 

Não concebo, mas percebo.

Tu conseguiste arcar com o peso do madeiro,

porque mais pesado que a Cruz era o peso do amor,

o peso do Teu infinito amor.

 

Não concebo, mas percebo:

o Teu amor emagreceu a Cruz,

o Teu amor encolheu a Cruz.

 

Quem olha para Ti, Senhor,

dá a impressão de que a Tua Cruz era leve.

Nada nem ninguém Te fez recuar.

 

Deixa-me, Senhor, pegar na Tua Cruz.

Ela está ao meu lado,

à minha beira.

 

A Tua Cruz continua pesada,

bem pesada,

em tantos lares, hospitais, ruas.

 

A Tua Cruz, Senhor,

tem hoje o nome de miséria,

injustiça, falsidade,

superficialidade e comodismo.

 

Deste-nos tanto,

dás-nos tudo.

E nós, tantas vezes,

recuamos e recusamos

dar-Te um tempo, uma hora, um dia.

 

Acorda-nos, Senhor,

desperta-nos da sonolência em que caímos.

Faz-nos olhar para Ti,

para a Tua Cruz, Senhor!

publicado por Theosfera às 10:57

Hoje, não há Missa. Tudo está centrado na Cruz.

Não se trata de fazer a apologia da dor, mas de estar em comunhão solidária com tantos que continuam a actualizar a Cruz.

Com eles, acreditamos que é possível vencer a Cruz. E chegar à Ressurreição!
publicado por Theosfera às 10:56

Um dos grandes clichés, que estes dias desmontam, assegura que dos fracos não reza a história.

 

Não é isso o que Jesus nos mostra. Não é isso o que, por exemplo, S. Paulo nos atesta.

 

A Páscoa é, antes de mais, um mistério de fragilidade. De uma fragilidade inteiramente assumida, francamente exposta e abertamente oferecida.

 

Quando Se apresenta pronto para sofrer a morte, Jesus não esconde que «a carne é fraca» (Mt 27, 41).

 

A fragilidade é reveladora, é solidária.

 

As pessoas revelam-se mais quando não escondem a sua fragilidade.

 

Tony Blair percebeu isto quando escreveu que «ser humano é ser frágil».

 

Jesus não fez exibições de força. A Sua maior força radicou na Sua capacidade de assumir a fraqueza.

 

Os fortes podem ganhar batalhas. Mas são os frágeis que obtêm a maior vitória: a do amor.

 

Os fortes são vistos como vencedores porque eliminam os outros, porque se sobrepõem aos outros.

 

Os frágeis são apontados como vencidos porque se esquecem de si, porque vivem em função dos outros.

 

Mas não é nesta fragilidade que reside a nossa salvação? Não é, portanto, nesta fragilidade que está a maior força?

 

Os fortes vão destruindo vidas. Os frágeis são os que se sacrificam para que outros tenham vida.

 

Obrigado, Senhor, pela Tua fragilidade. Porque recusaste o uso da força. Porque não quiseste exibir qualquer força. A não ser a do Teu imenso amor!

publicado por Theosfera às 10:53

A conversão de S. João Gualberto ocorreu em Sexta-feira Santa quando, finalmente, encontrara o assassino de um parente seu. Ele, armado com uma espada, preparava-se para a vingança após uma prolongada procura. O assassino pediu clemência e ouviu como resposta: «Não por ti, mas por Aquele que, num dia como este, derramou o Seu sangue por todos nós». Foi logo para um convento beneditino e mudou de vida.

publicado por Theosfera às 10:52

Todos os sentidos são importantes.

Diderot fez um escalonamento: «De todos os sentidos, a vista é o mais superficial, o ouvido o mais orgulhoso, o olfacto o mais voluptuoso, o gosto o mais supersticioso e inconstante, o tacto o mais profundo».

Será?

publicado por Theosfera às 10:26

É provável que Alberto Moravia tenha razão: «Quanto mais se é feliz menos se presta atenção à felicidade».

Habitualmente, só prestamos atenção a uma coisa (e a uma pessoa) quando começa a faltar.

É pena. Mas é verdade!

publicado por Theosfera às 10:25

Quem deve mandar? Quem não quer mandar.

Porquê? Resposta da experiência, verbalizada por John Ruskin: «Não manda bem quem tem ânsia de mandar»!

publicado por Theosfera às 10:22

Hoje, 29 de Março (Sexta-Feira Santa, dia de jejum e abstinência), é dia da Morte do Senhor.

Também se assinala a memória de Sto. Eustásio, Sta. Paula Gambara, Sto. Agostinho de Spínola, S. Manuel Domingos Sol, Sta. Teresa do Menino Jesus (mártir), Sta. Maria do Pilar e Sta. Maria dos Anjos.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:09

Quinta-feira, 28 de Março de 2013
Hoje é Quinta-Feira Santa.

 

Termina a Quaresma. Inicia-se o tríduo pascal. É, portanto, um dia em três dias.

 

Celebra-se a paixão, morte, sepultura e ressurreição de Jesus.

 

Hoje, concretamente, assinalamos as duas grandes «invenções» de Jesus: a Eucaristia e o Sacerdócio.

 

Deixou-nos um único mandamento: que nos amemos uns aos outros como Ele nos amou, como Ele nos ama.

 

Pediu-nos a simplicidade, a humildade, o despojamento.

 

Nestes dias, há uma certa tentação para as pompas, para o esplendor. Mas isso não congraça com a mensagem de Jesus.

 

Ele merece o melhor. E o nosso melhor será (procurar) ser como Ele: na humildade e na paz!
publicado por Theosfera às 23:23

Estes são dias em que olhamos mais (embora não necessariamente melhor) para a identidade da Igreja, designadamente para a ontologia do padre.

Fácil é radicar essa identidade, essa ontologia: em Jesus Cristo.

Entre Cristo e a Igreja existe, portanto, uma proximidade total. O problema é que, entre Cristo e a Igreja, se pressente também uma distância infinita.

Uma coisa é o plano ontológico. Outra coisa, bem diferente, é o plano existencial.

Uma coisa é o âmbito do ser. Outra coisa, bem diferente, é o âmbito do agir.

Cristo é a verdade. Mas quem diz a verdade acaba por ser condenado.

Em Jesus sempre se notou a parrhesia, a coragem e a franqueza.

Esse é o caminho de Cristo. Esse é o caminho Cristo.

Esse tem de ser o caminho da Igreja. Na pobreza. E ao lado dos mais pobres!
publicado por Theosfera às 14:37

Hoje, 28 de Março (Quinta-Feira Santa), é dia de S. Sisto III e S. Venturino.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:02

Duas semanas de encantamento com o Papa Francisco.
Um mês de saudade do Papa Bento XVI!

publicado por Theosfera às 06:32

Quarta-feira, 27 de Março de 2013

Não somos apenas o que somos em nós. Acabamos por ser sempre reflexo de muita coisa, de muita gente.

Anote-se o que Jorge Luis Borges percebeu: «Deus inventou as formas do espelho, para que o homem sinta que é reflexo»!

publicado por Theosfera às 23:51

1. A esta hora, grande é a azáfama. Já se preparam as casas e as ruas. Já se ultimam os folares. Já se encomendam os foguetes.

 

Apesar da crise, há muita alegria no ar e bastante vibração nos corações. Os mais pequenos anseiam pelas prendas. Os mais idosos multiplicam recordações.

 

A Páscoa está perto. Está perto no tempo. Já faltam poucos dias.

 

Eu gostava que a Páscoa também estivesse perto da vida: da vossa vida, da vida do mundo inteiro.

 

 

2. Páscoa, como sabeis, quer dizer «passagem».

 

Outrora, a Páscoa assinalava a passagem, pelo Mar Vermelho, da escravidão para a liberdade. Agora, celebra a passagem da morte para a vida.

 

Queria que soubésseis que, na Páscoa, não recordais um acontecimento do passado. Na Páscoa, sois chamados a reviver um acontecimento de cada presente.

 

Às vezes, fazemos muita coisa importante e acabamos por esquecer o principal.

 

Nesta altura da Páscoa, não faltam actividades no exterior. Mas falta um pouco de recolhimento no interior.

 

 

3. Queria que soubésseis que Eu continuo a vir ao vosso encontro. Continuo a falar-vos, como há dois mil anos.

 

Continuo a falar a cada um de vós no alto da Cruz. Muitas vezes, falo muito alto.

 

Como há vinte séculos, continuo a gritar. Continuo a gritar contra a violência, contra a opressão.

 

Continuo a gritar por mais fraternidade, por maior igualdade.

 

Continuo a gritar para que os grandes repartam com os pequenos. Continuo a gritar para que as dívidas sejam perdoadas.

 

Mas quem Me ouve?

 

 

4. Não penseis que deixei a Cruz. Não. Não deixei a Cruz.

 

Hoje, em cada dia, continuo a levar uma pesada Cruz. É Cruz de tantas pessoas que são atiradas para a berma das estradas da vida.

 

A Minha Cruz, hoje, é a Cruz dos que têm fome, é a Cruz dos que estão no desemprego, é a Cruz dos doentes, é a Cruz das vítimas da injustiça, é Cruz dos idosos abandonados.

 

Há vinte séculos, houve alguém chamado Simão de Cirene que Me ajudou a levar a Cruz. Nos tempos que correm, sou Eu que faço o papel de Cireneu. Sou Eu que ajudo a levar a Cruz de tanta gente. E como continua a ser pesada, horrivelmente pesada, a Cruz!

 

 

5. Queria que soubésseis que também vos falo do silêncio do sepulcro. Ou seja, também vos falo quando (aparentemente) não digo nada.

 

Hoje, eu continuo a estar nas profundidades da vida, da vossa vida. Eu moro nos vossos corações.

 

Posso estar em silêncio, mas não estou escondido. Eu acompanho-vos sempre. Estou convosco, como prometi há dois mil anos.

 

Estou convosco nas horas de alegria. E estou convosco nos momentos de aflição.

 

As vossas alegrias são as Minhas alegrias. E as vossas dores nunca deixaram de ser as Minhas dores.

 

 

6. Muitas vezes, pensais que o fracasso é uma derrota.

 

Naquele tempo, também não faltou quem achasse que o sepulcro era como o ponto final num texto.

 

Pensavam que tudo estava terminado. Mas Eu ressuscitei. Voltei para o Pai e voltei para vós.

 

O próprio fim tornou-se um novo começo. Uma tarde de pesadelo deu lugar a uma aurora de esperança.

 

Tudo voltou a começar. Por isso, nunca comeceis a desistir e nunca desistais de começar.

 

Às vezes, temos de bater no fundo para recomeçar a subir e temos de ficar para trás para voltar a avançar.

 

Nem tudo está perdido quando muito parece perder-se. É quando parece que tudo acaba que tudo verdadeiramente começa.

 

 

7. Desejo-vos, pois, uma Páscoa com muita alegria, com muito amor, com muita paz.

 

Eu continuo a estar convosco. No próximo Domingo, entrarei em vossa casa. Vou na Cruz. Mas aquela já não é a Minha Cruz. É a Cruz de cada um de vós.

 

No próximo Domingo, Eu vou trazer as vossas dores. E vou deixar-vos a Minha paz.

 

De vós só quero uma coisa: que sejais felizes. Hoje. Amanhã. E sempre.

 

Jesus de Nazaré

Aquele que morreu por vós,

Aquele que ressuscitou para todos!

publicado por Theosfera às 22:03

1. Este não é o tempo de alterar a doutrina. Este é o tempo de (re)centrar a vida.

O Papa Francisco tem dado sobejos sinais do que pretende para a Igreja. Que ela seja a ressonância de Jesus: do Jesus inteiro, do Jesus total.

Isto significa que a Igreja é chamada a ser a transparência do Jesus divino e também do Jesus humano. Do Jesus misericordioso, do Jesus humilde, do Jesus amigo, do Jesus irmão.

 

2. Percebe-se, assim, a insistência numa Igreja pobre, numa Igreja simples, numa Igreja próxima. E entende-se, igualmente, a aposta não apenas nas palavras, mas também nos gestos.

Numa era videocêntrica como a nossa, o Santo Padre é o primeiro a compreender que as pessoas têm necessidade não só de ouvir, mas também de ver.

 

3. O tom de voz familiar, o olhar terno, a mão estendida e o abraço frequente do Papa como que transportam as pessoas às imediações do próprio Jesus.

E é deste modo que a Igreja vai caminhando para o futuro retomando o impulso primordial dos começos.

 

4. Dir-se-ia que a ortodoxia só é inteiramente ortodoxa (passe a redundância) dentro de uma verdadeira ortopraxia. A fé não passa só pela proclamação. Implica uma existência em conformidade.

De facto, a doutrina de Jesus não combina com a opulência. Só na linguagem da pobreza e da simplicidade é possível dizer o Deus de Jesus.

 

5. Não vamos, obviamente, ter um Papa minimalista ou iconoclasta, que acabe com todas as tradições, sinais e símbolos. Mas vamos ter seguramente um Papa que vai recorrer a tais tradições, sinais e símbolos com o máximo de sobriedade. É de prever alguma contenção no aparato logístico e institucional.

Essencial não é tanto que a Igreja tenha um Estado para si. Essencial é sobretudo que a Igreja partilhe o estado das pessoas. Em suma, fundamental é que Jesus cresça e que tudo o resto diminua (cf. Jo 3, 30).

 

6. No dia da sua eleição, o Papa inclinou-se diante do povo quando o habitual é o povo inclinar-se diante do Papa. Antes de dar a bênção ao povo rogou ao povo que pedisse a bênção de Deus para ele.

Em suma, o Papa apareceu como servo, como servidor. Não foi assim que Jesus veio até nós?

 

7. João Paulo II disse que vinha de longe. Francisco confessa que vem do fim do mundo. João Paulo II levou o centro a todas as periferias. Trará Francisco as periferias para o centro?  

Ele sabe que a Cruz não ficou em Jerusalém. Ele tem consciência de que a Cruz está em todos os povos e em imensas vidas. Sem a Cruz não é possível encontrar Cristo nem reencontrar as pessoas.

 

8. É por isso que, como assinala o Papa, a nossa «única glória é Cristo crucificado». Só com Ele «a Igreja avançará».

Não é em qualquer trono que a Igreja repousa. É com a Cruz que continuará o seu caminho nas estradas do tempo.

 

9. Este não é, pois, o tempo do poder, da ambição ou dos atropelos.

Este é  — tem de ser cada vez mais — o tempo do serviço, o tempo da purificação, o tempo da missão!

 

 

 

 

 

 

publicado por Theosfera às 13:52

Problema grande já é a crise. Mas esse não é o problema maior.

O problema maior é a resignação perante a crise, é o sentirmo-nos esmagados perante a crise.

É a falta de clarividência e de liderança diante da crise.

publicado por Theosfera às 10:34

O perigo ameaça. Mas também estimula.

Quando não há perigo, não há obstáculo. Mas também não há incentivo.

Vencer um perigo é emocionante. Pelo contrário e como dizia Pierre Corneill, «ao vencermos sem perigo, triunfamos sem glória»!

publicado por Theosfera às 10:29

Hoje, 27 de Março (Quarta-Feira Santa), é dia de S. João do Egipto, S. Peregrino, S. Francisco Faá di Bruna e S. José Sebastião Pelczar.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:07

Terça-feira, 26 de Março de 2013

Quando é que Jesus morreu? Quando foi a Última Ceia?

Muitos têm sido os esforços. Enormes têm sido os trabalhos. Desde a exegese até à investigação histórica, não faltam hipóteses.

A Bíblia é omissa quanto a pormenores, sabendo-se que os judeus seguiam um calendário lunar. Como reverter calendário para o calendário solar, que usamos, mas que já teve tantas versões? Não é fácil.

Daí que se saúde a paciente pesquisa de Colin J. Humphreys.

Após sopesar todas as possibilidades, avança uma data no livro «O mistério da Última Ceia». Segundo ele, «a Última Ceia foi na quarta-feira, 1 de Abril de 33 d.C., com a crucificação na sexta-feira, 3 de Abril de 33 d.C.».

Será?

publicado por Theosfera às 11:59

Um imposto já é doloroso, mas, mesmo assim, aceitável porque transparente.

É dito aos cidadãos que determinado serviço comporta uma remuneração pessoal e um contributo para a sociedade.

Mas aquilo que foi feito no Chipre tem outra configuração. Que diferença há entre tirar parte do dinheiro que alguém tem no banco e tirar o dinheiro que se tem em casa? Os assaltos tendem a ser praticados de muitas formas.

É certo que se trata de uma situação muito complexa. Mas os especialistas deviam perceber que estão a desbaratar um dos capitais mais preciosos: a confiança!

publicado por Theosfera às 10:01

O dinheiro é o que paga, mas é também o que custa.

O dinheiro abre muitas portas, mas também fecha muitas janelas.

Atenção a este aviso de Ralph Emerson: «O dinheiro tem, muitas vezes, um preço demasiado alto».

Muitos são os que se sacrificam por ele e, qual ingrato, não parece corresponder.

Há quem dê o máximo por ele e ele acaba por nem sequer assegurar o mínimo!

publicado por Theosfera às 09:50

Haverá alguma semelhança entre pensar e fumar?

Eça, que falava do «pensativo cigarro», achava: «Pensar e fumar são duas operações idênticas que consistem em atirar pequenas nuvens ao vento».

Provavelmente, é verdade!

publicado por Theosfera às 09:45

Hoje, 26 de Março (Terça-Feira Santa), é dia de S. Bráulio, S. Ludgero, S. Quadrado, S. Teodoro, Sto. Emanuel, Sto. Eutíquio e seus Companheiros Mártires.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:03

Segunda-feira, 25 de Março de 2013

A crise impõe que se gaste menos e que se poupe mais.

Mas, gastando menos, as pessoas não podem ajudar a crescer a economia. Gastando menos, há cada vez mais gente a não gastar.

Domingos Ferreira anota: «Se toda a gente decidir cortar nos gastos ao mesmo tempo, não há receita, a economia pára e o desemprego aumenta».

Abismo atrai abismo. Até que alguém perceba que este não é o caminho!

publicado por Theosfera às 09:40

O FMI está surpreendido com o nosso desemprego.
Surpresos também nós estamos. Mas com a surpresa do FMI.
Não era tudo isto tão previsível?

publicado por Theosfera às 09:35

Henry Wells achava, certamente com humor, que «a crise de hoje é a anedota de amanhã». Talvez porque achamos que já não nos afecta.

Afinal, Karl Marx também pensava que cada coisa acontece duas vezes: primeiro como tragédia e, depois, como comédia.

Só que os efeitos persistem e as lições não prescrevem.

Há que estar atento. Há que olhar em todas as direcções, a começar pelo passado!

publicado por Theosfera às 09:31

A denúncia é necessária, mas o anúncio é fundamental.

A oposição pode ser pertinente, mas a proposição é que se mostra decisiva.

Mariano da Fonseca sublinhou: «É mais fácil maldizer dos homens do que instruí-los e melhorá-los».

Mesmo quando se questiona uma acção, é mister ressalvar a pessoa que a cometeu.

«Res sacra Homo», proclamava Séneca.

Por muito profanos que sejam os seus actos, cada homem é sagrado.

Não podemos dessacralizar ninguém!

publicado por Theosfera às 09:24

A calúnia é sempre brutal, mas pode nascer de equívocos com alguma subtileza.

Há quem deduza da proximidade conivência ou da amizade concordância.

Há quem se apoie em aparências e se pronuncie sem atender à profundidade.

Ramón Campoamor y Campoosorio avisou: «A calúnia mais vil é a que enxerta na verdade uma mentira»!

publicado por Theosfera às 09:19

Hoje, 25 de Março, é dia de S. Dimas, o Bom Ladrão.

Faltam exactamente nove meses para o Natal.

Dada a ocorrência da Semana Santa, a solenidade da Anunciação do Senhor transita para o dia 8 de Abril, segunda-feira após a oitava da Páscoa.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:05

Domingo, 24 de Março de 2013

Há belos, muito belos, poemas escritos. Mas todos nós sentimos que o mais belo poema não está escrito.

Paul Claudel confessou que «o poema não é feito dessas letras que eu espeto como pregos, mas do branco que fica no papel»!

Diz o Padre Tolentino de Mendonça que «o Papa Francisco começou a escrever um poema para nós e esse eu já comecei a ouvir»!

publicado por Theosfera às 16:09

Era bom que se meditasse no processo de Jesus.

 

Foi entregue por inveja (cf. Mt 27, 18).

 

Pilatos fez tudo para O poupar. Só que as pressões do poder religioso, as ameaças de denúncia em Roma e a pressão de uma multidão ligada aos funcionários do Templo ditaram o veredicto.

 

Pilatos nada tinha contra Jesus, mas entre a defesa de um inocente e a preservação do seu lugar, a opção foi óbvia.

 

A desordem pública não seria bem vista em Roma. No entanto, seis anos mais tarde, viria a perder o lugar, como nos diz Flávio Josefo.

 

Já a «oclocracia» é a coisa mais volátil que existe. As multidões dão para tudo e para o seu contrário. Variam tão rapidamente como o vento!
publicado por Theosfera às 08:39

Esta é uma semana que reclama, sobretudo, interioridade, recolhimento.

 

Há uma densidade muito grande e um apelo muito fundo que nenhuma palavra conseguirá descrever.

 

O que nos é oferecido não pertence ao enigma, mas pertence ao mistério.

 

Isto significa que o quadro que nos surge não é inatingível, mas também não é manipulável.

 

Esta é, porém, a tentação, o peirasmós de sempre.

 

O Cristianismo deve ser a única religião em que o Fundador é um mártir e morre como um abandonado.

 

A Sua proximidade com Deus não impede que experimente toda a amargura do drama humano.

 

Divino, a partir de Cristo, não é, pois, a distância ontologicamente intransponível entre Deus e o Homem. Divino não é tanto o poder infinito, a imortalidade ou a imutabilidade.

 

Divina é esta humanidade sem freio, é esta franqueza sem constrangimentos, é este amor sem vacilação, é esta entrega sem limites.

 

Não é quando nos distanciamos do humano que nos aproximamos de Deus. É quando aterramos na sua maior profundidade que tocamos o divino.

 

Para Deus sobe-se descendo. Foi das profundidades da terra que Jesus irrompeu para Deus.

 

Há atitudes que se atribuem a Deus que são demasiado humanas. Não passam de projecções. O castigo, a vingança e uma justiça sem misericórdia não honram a transcendência. São excessivamente imanentes.

 

Já o humano tão puramente humano (tão inteiramente humano!) de Jesus é uma respiração divina, um enclave da eternidade pelas inclementes estradas do tempo.

 

O desfecho de toda esta meditação não pode ser apenas o anúncio. A Páscoa não é só para proclamar. É, acima de tudo, uma oportunidade para melhor viver.

 

Há um convite que fica. O caminho de Jesus não é tanto para ser explicado. É, sem dúvida, para ser conhecido. E é tão fascinante conhecer Jesus. O mais aliciante, contudo, é procurar viver.

 

Jesus é uma lição sem fim. Lição que não vem de qualquer cátedra, mas que tem a argamassa de uma vida tão humanamente cheia.

 

Haverá algo mais divino que esta humanidade de Jesus?

publicado por Theosfera às 07:35

Há uma panóplia de hábitos associados a esta época que têm o seu encanto.

 

Neste dia, são muitos os que vão benzer os ramos para oferecer aos padrinhos. Que, por sua vez, ofertam o folar na Páscoa.

 

E assim vemos muitos carros com crianças e ramos ao colo. Dão um colorido acrescidamente pulcro a este dia belo.

 

São formas de aprimorar o relacionamento entre as pessoas.

 

São hábitos que faz bem manter.

publicado por Theosfera às 06:30

D. Óscar Romero, intrépido defensor dos mais pobres em El Salvador, foi assassinado neste dia, em 1980, quando celebrava a Eucaristia.

 

D. Óscar foi morto por causa da sua verticalidade. Porque nunca tergiversou.

 

Recebeu ameaças sucessivas para que se calasse. Mas não se calou. Humilde, considerava não ser digno da «graça do martírio».

 

Só que as balas surgiram e irromperam, cruéis, pela Igreja em que oficiava.

 

O seu exemplo marcou-me bastante. Na minha vida de padre, o seu testemunho interpela-me constantemente.

 

Um Homem de Deus é sempre um Homem para os Homens.

 

D. Óscar Romero levou a Eucaristia à vida e à morte.

 

Foi alguém que leu o Evangelho nos livros e o reescreveu na vida.

 

Morreu com um tiro no coração. Porque era o seu coração que mais incomadava.

 

Curiosamente é no coração das pessoas que D. Óscar sobrevive.

 

E é no coração de Deus que D. Óscar se mantém vivo e vivificante.

 

Vale a pena viver assim. Vale a pena morrer assim. Tanto mais que quem assim morre nunca falece. Permanece para sempre!

publicado por Theosfera às 06:05

Hoje, 24 de Março (Domingo de Ramos na Paixão do Senhor e Dia Mundial da Juventude), é dia de Sta. Catarina da Suécia, Sto. Agapito e S. Diogo José de Cádiz.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 06:01

Sábado, 23 de Março de 2013
É intrigante verificar que o Evangelho, quando fala do acto de Judas, usa não o verbo trair (prodotês), mas entregar (paradidonai).

 

Trata-se do mesmo verbo atribuído a Jesus e ao Pai!

 

Tudo neste homem é obscuro.

 

O seu apelido, Iscariotes, evocará a sua proveniência: provavelmente uma aldeia chamada Kerioth. Não se sabe, porém, onde fica.

 

Talvez Iscariotes tenha que ver com sicarius, que indica um grupo terrorista que, no século I, actuava na Palestina.

 

Não há certezas, contudo. O Evangelho diz que ele se arrependeu e se terá enforcado.
publicado por Theosfera às 23:33

Perder dinheiro é preocupante. Perder a alma é aflitivo.

Miguel Veiga, numa sintomática entrevista de vida, alega que «vivemos tempos desalmados, sem coragem moral e sem coragem física»!

publicado por Theosfera às 23:25

São 28 mil os idosos que estão sós. Isto para não falar de muitos mais que, mesmo não estando sós, se sentem sozinhos.

Algo tem de ser feito. Ler o «De senectute», de Cícero, não faria mal.

Não podemos ficar indiferentes a quem nos deu tanto!

publicado por Theosfera às 12:14

Uma vez mais, venho em defesa de uma certa dose de vergonha.

Desta vez, apoio-me em Thomas Fuller: «Quem não tem vergonha não tem consciência».

A vergonha, na medida justa, é uma espécie de freio do instinto e de uma nascente da ponderação, da autocrítica!

publicado por Theosfera às 11:41

Gabriel Marcel foi sumptuosamente paradoxal ao escrever que «a solidão é essencial à fraternidade».

Mas talvez seja verdade.

Nem sempre os que estão connosco estão por nós. Nem sempre os que estão junto de nós estão ao nosso lado.

Há quem esteja longe parecendo que está perto. E há quem esteja perto parecendo que está longe!

publicado por Theosfera às 11:35

Hoje, 23 de Março, é dia de S. Nícon e seus Companheiros, S. Turíbio de Mongrovejo, S. Vitoriano e Sta. Raquel Ay-Rayés.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:07

Sexta-feira, 22 de Março de 2013

A vergonha pode tolher. Mas algum pudor ajuda a clarificar.

Há pouco comedimento no uso da palavra. Chega-se ao ponto de confundir comunicação com mero ruído.

Bem avisado andou Sócrates, o filósofo da Antiga Grécia, quando advertiu: «O sábio cora das suas palavras quando elas surpreendem as suas acções»!

publicado por Theosfera às 10:25

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