O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 30 de Agosto de 2012

Manhã cedo, ainda noite, salta da cama o corpo fatigado, mas fortalecido por uma leveza que lhe vem da alma.

Não é preciso qualquer relógio. O despertador é a fé.

Os pés fazem-se ao caminho e os olhos, apesar do escuro, fixam-se na montanha.

Nestes nove dias (começam hoje), é para a Casa da Mãe que correm muitos dos Seus filhos.

Vão à procura de remédios. Vão ao encontro da paz. Vão abastecer-se de esperança.

O suor cai e as lágrimas escorrem.

Os lábios não falam. Falam os joelhos diante do altar. Falam as mãos em tom de súplica. E fala o sorriso, que, embora timidamente, flutua no rosto.

É um sorriso de gratidão. É um sorriso de alento que tempera muito desalento.

Nestes dias, vamos nós à Casa da Mãe.

Nos outros dias, todos os dias, é a Mãe que vem à nossa casa.

Uma feliz viagem até à Casa da Mãe. A sua casa também!

publicado por Theosfera às 17:02

Quinta-feira, 23 de Agosto de 2012

Deus está em tudo. Mas gosta de surpreender.

E é onde menos esperamos por Ele que Ele mais vem ao nosso encontro.

Eugénio de Andrade queixava-se directamente ao Visado: «Nunca dos nossos lábios aproximaste o ouvido; nunca ao nosso ouvido encostaste os lábios».

Séculos antes, Gregório de Nissa apercebera-se da (divina) estratégia: «O mistério revela-se para lá de qualquer conhecimento, para lá mesmo de qualquer ignorância, nas trevas mais que luminosas do silêncio, aquelas que a só a contemplação orante apreende».

Daí o convite de Ângelo Silésio: «Vai por onde não possas; vê onde não vês; escuta onde não ressoa. E assim estarás onde Deus fala»!

publicado por Theosfera às 21:46

Quarta-feira, 15 de Agosto de 2012

Durante os próximos dias, o blog não será actualizado.

 

Estarei em recolhimento.

 

Muita esperança e paz para todos!

publicado por Theosfera às 23:58

1. Deus quer que sejamos perfeitos. Mas nem sempre a perfeição coincide com a nossa ideia de perfeição.

Joan Chittiter diz mesmo que «ser-se perfeito nem sempre é perfeito».

Há quem pense que ser perfeito é cumprir todas as regras. Nem sempre, porém.

 

2. Cumprir certas regras em determinados momentos pode ser maior pecado do que transgredi-las.

Ficamos preocupados quando alguém mente. E é motivo para preocupação.

Mas porque é que não nos preocupamos quando silenciamos a verdade?

Ficamos preocupados quando alguém subtrai o que não lhe pertence. Mas porque é que não nos preocupamos quando alguém não divide o que possui?

 

3. O noviço perguntou: «Quem está mais perto de Deus: o santo ou o pecador?»

Respondeu o ancião, para escândalo do jovem: «Obviamente, o pecador»!

Replica o noviço: «Mas como é possível?» De novo o ancião: «É que todas as vezes que alguém peca, corta a corda que o une a Deus. Mas todas as vezes que Deus perdoa, a corda amarra-se novamente. E, assim, graças à misericórdia de Deus, a corda fica mais curta e o pecador fica mais perto de Deus»!

 

4. Terrível tendência a de muitas pessoas para denunciar os vícios dos outros e para esconder os defeitos seus.

Jesus denuncia esta propensão. Ele não gostava de quem apontava o argueiro da vista dos outros e não reparava na trave que estava na sua própria vista.

Séneca deu uma explicação engenhosa para tudo isto: «Os pecados dos outros estão à nossa frente, ao passo que os nossos estão atrás das nossas costas».

É preciso olhar e não somente pelos olhos. Tanto mais que Saint-Exupéry avisa que só se vê bem com o coração. E um coração habitado pela verdade não aponta o dedo. Procura mudar por dentro. E compreende melhor os outros!

 

5. Jesus foi impecável. Nós vamos tentando vencer o pecado.

Vamos caindo. Vamo-nos levantando. Voltamos a cair. Voltamo-nos a levantar.

O jovem perguntou ao velho monge: «Que fazeis no mosteiro?»

E o monge respondeu: «Caímos e levantamo-nos. Caímos e levantamo-nos. Caímos e levantamo-nos».

Mal é quando desistirmos de nos levantar. Pior é se alguém nos impede de levantar.

 

6. O pecado não está no acto. Pode estar na relação com o acto.

É por isso que pecado tanto pode ser o impulso que leva a agir descontroladamente como o calculismo que leva a não agir oportunisticamente.

A ausência de erro por inacção pode ser tão pecaminosa como o erro por determinada acção. Pode até ser mais.

George Bernard Shaw escreveu: «Uma vida passada a cometer erros é mais honrosa e até mais útil do que uma vida passada a não fazer nada»!

 

7. Fracasso não é cair. É permanecer caído.

Mary Pickford tem razão. Uma queda não impede que se comece de novo. É por isso que João da Carpácia foi ao ponto de dizer que «é mais grave perder a esperança do que pecar»!

 

8. Dói muito ser injustiçado, difamado, caluniado. Mas será a palavra a melhor defesa?

Ela é, sem dúvida, um direito. Mas nem como direito evita que possa ser usada, por outrem, como arma de ataque.

Custa muito ficar em silêncio diante da infâmia. Nem sempre resulta. Mas, quase sempre, ajuda a levar a lama para o fundo e a trazer a verdade para cima.

 

9. Um dia, uma jovem mulher, com uma gravidez muito adiantada, acusou um venerável monge, que todos os dias rezava às portas da cidade, de a ter violado.

O povo, indignado, confrontou-o com a acusação. Ele limitou-se a responder: «Ai, sim?»

Depois, olhou para o céu e continuou a rezar.

 

10. Anos mais tarde, a mulher, moída pela culpa, admitiu que o pai da criança era o namorado e não o velho monge.

O povo foi ter com ele e gritou: «Olha que a rapariga reconheceu que tu, afinal, não a violaste». Resposta do monge: «Ai, sim?» E continuou a rezar!

Não é só o homem que procura a verdade. A verdade também procura o homem. Pode demorar. Mas não costuma faltar!

 

11. Nem sempre as palavras nos defendem. Só nos defendem diante de quem as quiser ouvir e aceitar.

As palavras, muitas vezes, só incendeiam a chama dos problemas que queremos evitar.

Palavras justas de defesa podem não evitar novas palavras injustas de ataque.

A indiferença nunca será o caminho. Mas o silêncio poderá ser a melhor solução.
publicado por Theosfera às 23:48

Poucas são as vezes em que vou à minha terra natal.Mas sempre que lá volto é como se de lá não tivesse saído.

Está lá o berço em que nasci. Está lá o chão em que cresci. Estão lá muitas pessoas que conheci. E, nesta altura, voltam lá outras pessoas que também foram saindo.

A minha terra, como tantas outras, espraia-se para lá das suas fronteiras.

Ela não vai de Forjães a Porto de Rei, nem de Poçarro às Víduas. Vai de Portugal até à Suíça, passando pela França, pelo Brasil, não faltando uma grande população nas imediações de Lisboa e do Porto.

Há uma vibração que se nota, uma luz que se acende, uma emoção que se solta, qualquer coisa que não se explica, mas que se entende.

Séneca dizia que «ninguém ama a sua terra porque é grande, mas porque é sua».

Não é pelo chão, não é pela paisagem. É por causa daquele chão, daquela paisagem e sobretudo por causa daquela franqueza acolhedora e sempre sorridente que eu amo a minha terra.

É também por causa da Senhora da Guia. Não é o centro geodésico da freguesia, mas é o coração sentimental da população.

Está lá a capela. Está lá o cemitério.

Está já lá, pois, uma grande parte de cada um de nós.Vou lá poucas vezes. Mas, a bem dizer, nunca de lá saí.

publicado por Theosfera às 22:13

Recessão é coisa que não há para Deus. Mesmo quando se cai continua-se a subir desde que subsista a vontade de caminhar.

Até pode existir algum fracasso. O importante é não haver resignação à derrota.

Vicente Lombardi percebeu: «Quem não aceita a derrota está sempre mais perto de vencer»!

publicado por Theosfera às 22:12

Cada vez mais no silêncio.

Cada vez mais à escuta.

Cada vez mais longe de quase tudo.

E cada vez mais próximo do que, realmente, importa: a Verdade e o Bem.

publicado por Theosfera às 22:11

Shri Ramakrishna: «A doença é o preço que a alma paga por ocupar o corpo, como o aluguer que um inquilino paga pelo apartamento onde mora».

Um bom (e elucidativo) termo de comparação!

publicado por Theosfera às 22:09

O segredo do êxito na política está em agir no presente com os olhos no futuro.

Ter horizontes ajuda a ter objectivos.

É por isso que, segundo Jean de la Bruyère, «pensar só no presente é uma fonte de erro em política». É preciso abrir os olhos e encher a alma para lançar as mãos ao trabalho!

publicado por Theosfera às 22:08

Apesar da crise, ainda se gasta muito na «indústria da futilidade».

Esta até pode movimentar populações e ajudar um pouco a economia.

Mas tal investimento bem poderia ser reencaminhado para a solidariedade.

A crise é, pois, um conceito muito fluido. Ela está aí, com força. Mas será que estamos a aprender com ela?

Espero que sim. Mas receio que não.

Ainda há muito dinheiro a circular. E não é para satisfazer as necessidades vitais!

publicado por Theosfera às 22:06

Uma das personalidades mais marcantes do nosso tempo, Óscar Romero, nasceu em Agosto: a 15 de Agosto de 1917.

 

A sua morte veio cedo. O reconhecimento da sua santidade parece vir tarde.

 

Mas o seu rasto permanece imperecível.

 

Deixo aqui um texto que ele escreveu:

 

«De vez em quando, dar um passo atrás ajuda-nos
a conseguir ter uma perspectiva melhor
O Reino não só está mais além dos nossos esforços,
mas inclusive mais além da nossa visão.
Durante a nossa vida,
apenas realizamos uma minúscula parte
dessa magnífica empresa que é a obra de Deus.
Nada do que fazemos está acabado,
o que significa que o Reino está sempre ante nós (...)
Isto é o que tentamos fazer:
plantamos sementes que um dia crescerão;
regamos sementes já plantadas,
sabendo que são promessa de futuro.
Assentamos bases que precisarão de um maior
desenvolvimento.
Os efeitos da levedura que proporcionamos
vão mais além das nossas possibilidades.
Não podemos fazer tudo e,
ao dar-nos conta disso, sentimos uma certa liberdade.
Ela capacita-nos a fazer algo, e a fazê-lo muito bem.
Pode ser que seja incompleto, mas é um princípio,
um passo no caminho,
uma ocasião para que entre a graça do Senhor
e faça o resto.
É possível que não vejamos nunca os resultados finais,
mas essa é a diferença entre
o encarregado de obras e o pedreiro.
Somos pedreiros, não encarregados de obra,
ministros, não o Messias.
Somos profetas de um futuro que não é nosso. Ámen».
publicado por Theosfera às 00:45

Hoje, 15 de Agosto, é dia da Assunção de Nossa Senhora, de Nossa Senhora da Lapa e de S. Tarcísio.

É Dia Santo de Guarda e Feriado Nacional.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:20

Terça-feira, 14 de Agosto de 2012

Há quem confunda concordância com unidade. É um equívoco.

A vida é polifónica. Não é monocolor.

Há certos discursos sobre a unidade que mais não são do que tentativas de imposição de um pensamento único, dominador.

É possível estar unido mesmo discordando. Eu diria que o grande sintoma da unidade é quando ela subsiste na própria dissonância.

Mas é tão difícil. As pressões chovem. As ameaças sucedem-se. As exclusões multiplicam-se.

Uma coisa, entretanto, é certa. Foi John Kennedy quem nos advertiu: «Quando estamos divididos, pouco poderemos fazer; quando estamos unidos, pouco será o que não poderemos realizar»!

publicado por Theosfera às 21:46

Não falamos só com os lábios. As palavras não vêm apenas pela língua. Vêm por toda a vida.

Já dizia Aristóteles que os sentimentos «são palavras proferidas pelo corpo».

Às vezes, não é preciso falar muito para dizer bastante.

Importante é estar atento. E não apenas ao que é bolsado pelos lábios. A linguagem é multímoda!

publicado por Theosfera às 21:44

Já Lutero notava que «os sinos tocam de modo muito diferente do normal quando morre um amigo». Parece que tocam não só pelo amigo. Parece que tocam também por nós.

Acabamos sempre por morrer um pouco quando um amigo morre.

Mas o amigo que morre acaba também por sobreviver na vida do amigo que o recorda!

publicado por Theosfera às 13:41

Até quando parece que não anda, a vida não pára.
Até quando parece que não fala, a vida não cala.
Há sempre um amanhã a seguir a uma noite.
Nunca desista de viver. Mesmo (quiçá, sobretudo) se não lhe apetecer recomeçar!

publicado por Theosfera às 11:37

Bertolt Brecht sentia: «Para a arte, não ser de nenhum partido significa apenas ser do partido dominante».

Não é só na arte. A neutralidade nunca é neutral.

Quem não toma posição acaba por aceitar a posição de quem domina!

publicado por Theosfera às 11:36

Apenas vinte e quatro horas. Num período tão pequeno, foram cometidos crimes tão grandes, tão hediondos.

Seis homicídios num só país, num só dia!

publicado por Theosfera às 11:35

Os políticos não são os mesmos, mas parecem os mesmos. Parecem os mesmos a prometer o que não vão cumprir, a prometer o que sabem que não podem cumprir.

Foi, curiosamente, um político que denunciou: «Eles prometem construir pontes, mesmo quando não há rios».

Nikita Kruschev tocou na ferida.

Será que se promete o impossível para se desviar a atenção do possível?

publicado por Theosfera às 11:33

Há acontecimentos que são também (e sobretudo) sinais. Eles mostram como a realidade pode ultrapassar, rapidamente, a ficção.

Na China, um jovem queria ter um iPad e um iPhone. Mas não tinha dinheiro.

Tinha, entretanto, dois rins. Vendeu um.

Ao que chegámos! Ainda não teremos tocado nos limites?

publicado por Theosfera às 11:32

Cinzento está este dia, quando acorda.

Há já vestígios de actividade pluviosa.

Bem-vinda sejas, chuva mansa.

Extingue os fogos que devastam paisagens. Acalma os corações que ardem em violentas combustões! Dá-nos a abundância dos céus.

«Quando Deus quiser "chover" na tua vida, deixa "chover"».

Eis o que recomendava Unamuno. Eis um dia em que o podemos perceber!

publicado por Theosfera às 07:13

Hoje, 14 de Agosto, é dia de S. Maximiliano Maria Kolbe, Sta. Anastácia e Sta. Isabel Renzi.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:13

Segunda-feira, 13 de Agosto de 2012
Volta e meia, ouvimos falar de «países descristianizados».

Ora são estudos que saem, ora são opiniões emitidas.

Fico sempre com alguma retracção em relação a estas avaliações.

É um facto que as sociedades se mostram cada vez mais religiosamente oscilantes. Mas também o que é estável nos tempos que correm? É certo que o religioso remete para o perene, para o eterno. Mas as suas expressões ocorrem no âmbito do efémero, do transitório, do volátil.

O que me parece é que não se pode confundir «sociedades deseclesializadas» com «sociedades descristianizadas».

As pessoas podem ir menos às igrejas. Podem ir mais como turistas do que como peregrinos.

Mas o «logos spermatikos»(a semente do Verbo) mantém-se. Talvez mais no fundo. Seguramente mais no interior.

Mas não é no fundo e no interior que Cristo mais Se encontra?
publicado por Theosfera às 21:46

Katherine Mansfield: «Quero tornar-me aquilo que sou: uma criança feita de luz».

Eis uma ambição pejada de sensatez. No fundo, devíamos combinar a maturidade do crescimento e a simplicidade da infância.

Objectivo difícil, sem dúvida. Mas será uma missão impossível?

publicado por Theosfera às 21:32

Como são as coisas! O bom é considerado mentira. O mau é considerado verdade.

Quando uma coisa boa nos acontece, confessamos quase por instinto: «Até parece mentira!»

Já quando algo de mau nos sucede, afirmamos igualmente de pronto: «Pode acreditar que é verdade, a mais pura das verdades»! 

Terá a mentira um sortilégio de encanto? E terá a verdade um peso que esmaga?

De facto, a mentira é verdadeira; é verdadeira como mentira.

Já a verdade nunca é mentirosa. Sobretudo quando é incómoda!

publicado por Theosfera às 11:25

«A glória só chega àqueles que com ela sonharam».

É compreensível que esta afirmação pertença a Charles de Gaulle, que sempre sonhou com a «grandeur» do seu país e também com a sua própria «grandeur» pessoal.

Com todo o respeito, há coisas mais importantes (e mais belas) com que sonhar: com um mundo melhor, por exemplo!

publicado por Theosfera às 11:21

Nem sempre o antigo é degolado pelo novo. Sucede até, não raramente, que o surgimento do novo como que revaloriza o antigo.

Pensemos no caso do livro.

Já tantas vezes se dissertou sobre o seu putativo desaparecimento. A concorrência é forte. Mas o saldo até pode ser favorável.

Será que o livro estará a perder para a televisão?

Groucho Marx era muito claro: «Para mim, a TV é muito instrutiva. Quando alguém a liga, corro à estante e pego num bom livro».

E, deste modo, a televisão até se mostrará um forte aliada da preservação do livro!

publicado por Theosfera às 11:20

Um outro mundo (falemos assim) é importante não apenas depois deste. É também muito importante para este.

Um outro mundo (permitam que reincida na expressão) não vale apenas para a eternidade. Vale também (e bastante) para o tempo.

Se tudo se esgotasse neste mundo, limitar-nos-íamos à gestão e poderíamos até ceder à tentação do desespero. Ernst Bloch, que nem sequer era crente, assumia: «Sem a hipótese de ser possível um outro mundo, não há política, apenas a gestão administrativa dos homens e das coisas».

Dir-se-á que aquilo que mais acontece hoje.

É por isso que, para haver uma boa política, precisamos não só de competência, mas também de fé. Aliás, Roger Garaudy defendia, ainda na sua fase ateísta, que a prioridade era procurar um espírito. A utopia é o que nos estimula, é o que puxa por nós. Sobretudo nas horas difíceis.

Numa altura em que há défice de ideias, que não minguem os ideais!
publicado por Theosfera às 11:16

Quando um recipiente está quase cheio ou já desgastado, pode não haver lugar para mais.

O que chega pode partir. O que parte pode nunca voltar.

Os amigos da infância, porém, voltam sempre. Porque a sua amizade está alojada no fundo. E o que está no fundo nunca do fundo sai.

Podem passar muitos anos sem uma palavra ou sem uma visita. Mas os primeiros amigos regressam sempre. Para provar que, afinal, nunca se ausentaram!

publicado por Theosfera às 11:15

Hoje, 13 de Agosto, é dia de S. Ponciano, Sto. Hipólito, S. Cassiano de Ímola e S. Marcos de Aviano. Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:08

1. As primeiras impressões dificilmente se extinguem. Mas são as últimas recordações que jamais se apagam.

 

D. António de Castro Xavier Monteiro chegou a Lamego com um coração de pastor e, quase 28 anos depois, despediu-se de Lamego com um olhar de pai.

 

Se a primeira marca constituíra já um registo forte, a derradeira imagem ofereceu, sem dúvida, uma memória imperecível.

 

É sabido que, ao aproximar-se o fim, D. António quase não falava. Mas não deixava de comunicar. Acima de tudo, com o olhar.

 

Era um olhar sofrido. Mas também um olhar sereno. Um olhar acolhedor. Um olhar agradecido. Um olhar de pai.

 

 

2. Foi há doze anos que D. António faleceu. Eram 18h30 do dia 13 de Agosto de 2000.

 

Confesso que me causa alguma estranheza que esta efeméride continue a passar incógnita na terra para onde ele veio com alegria e que serviu com extremos de dedicação.

 

D. António enchia as pessoas com a sua palavra e preenchia os ambientes com a sua presença.

 

Entrou na cidade a 8 de Outubro de 1972, vindo de Lisboa onde era bispo auxiliar do então Patriarca, D. Manuel Gonçalves Cerejeira.

 

 

3. Ao saber da nomeação, não escondeu o contentamento: «Foi de joelhos, diante do altar, que li a carta onde me era significada a transferência para Lamego. Agradeci ao Senhor esta nova e grande chamada Sua ao seu serviço; e só Lhe pedi, mas comovidamente, que estivesse sempre comigo».

 

A partir dessa altura, Lamego passou a ser «a minha casa e a minha família». Em Lamego queria «ser pastor, vínculo de paz, de amor e de unidade».

 

 

4. A entrada de D. António na diocese foi um acontecimento marcante.

 

Mobilizou toda a gente. E nem os mais pobres foram esquecidos.

 

As Conferências Vicentinas aumentaram (com mais um quilo de arroz, um quilo de açúcar, um quilo de massa e um pacote de chá) as dádivas para as velhinhas e (com alguns maços de cigarros) para os velhinhos!

 

Acompanhava o cabaz uma estampa em que se assinalava a «especial predilecção e ternura que o senhor Arcebispo já mostrara por esses membros sofredores de Cristo que são os pobrezinhos e os necessitados de toda a ordem».

 

 

5. A intervenção social e política não foi esquecida.

 

Nas eleições legislativas de 1979, publicou uma nota que teve larga repercussão.

 

Alertava ele: «A Igreja tem o uma dupla missão: afirmar e promover o respeito pelos direitos do Homem e denunciar e condenar todas as suas violações».

 

Já há trinta anos, D. António mostrava-se cônscio de que «a contestação das ideias pode ser um direito e até um dever» ao passo que «a destruição das pessoas nunca se justifica».

 

6. A sua grandeza ficava bem patente em pequenos gestos.

 

A 15 de Outubro de 1978, foi a Espadanedo, concelho de Cinfães, em visita pastoral.

 

Arlindo Pinto da Silveira, de 49 anos, estava paralítico há 36 em consequência do reumatismo agudo que o afectou. Pois D. António fez questão de o ir crismar a casa, ficando a corresponder-se com ele a partir desse dia.

 

 

7. Cultivava o D. António uma proximidade que surpreendia e cativava.

 

Era dotado de uma nobre simplicidade. Não falava muito, mas estimulava imenso.

 

D. António tinha, efectivamente coração de pastor, palavra de mestre e olhar de pai.

 

 

8. Não deixemos apagar o seu rasto. Não esbatamos a sua memória. Honremos o seu legado.

 

Disse Elie Wiesel que «esquecer é rejeitar». Seria imperdoável esquecer quem nunca nos esqueceu.

 

 

9. Jamais poderei esquecer a sua estatura espiritual, humana e intelectual.

 

A sua delicadeza sempre o distinguiu e nobilitou.

 

D. António nunca esqueceu Lamego durante a vida. Que Lamego não se esqueça de D. António após a sua morte.

 

 

10. Aqui deixo uma prece sentida. Daqui verto uma recordação entremeada de saudades. Profundas. Imensas.

publicado por Theosfera às 00:26

Domingo, 12 de Agosto de 2012

É pouco o que tenho. Mas é tudo o que sou e quero entregar. Inteiramente.

Obrigado, Senhor.

Que eu nunca me canse de (Te) servir.

A minha pobre vida pertence-Te, Senhor.

Foi há vinte e três anos (completam-se hoje) que comecei a ser o que sou.

Foi há vinte e três anos (completam-se hoje) que comecei a ser padre.

Para sofrer, para acolher, para ajudar, para orar, para sentir, para conter, para calar, a tudo estou disposto, Senhor.

Hoje como há vinte e três anos.

Em qualquer situação, o que quero é estar junto de Deus e perto de cada pessoa.

Obrigado, meu Deus! Obrigado a todos!

publicado por Theosfera às 10:50

Neste dia 12 de Agosto,
há vinte e três anos,
estava, Senhor,
prostrado diante de Ti
para me consagrar a Ti e, em Ti,
à missão que tinhas para mim.

A minha alma estava como a nossa Sé:
cheia: cheia de paz, cheia de esperança, cheia de alegria, cheia de Ti.
Um mês depois, parti
para realizar uma missão que recebi:
levar o Teu nome, espalhar a Tua Palavra,
anunciar o Teu amor,
distribuir o Teu Pão
e oferecer o Teu perdão a toda a gente.

Vinte e três anos depois,
com mais anos e muitas canseiras,
tenho muito para contar,
mas tenho muito mais para (continuar a) escutar
e aprender.

Tu, Senhor, nunca faltaste.
Tu, Senhor, nunca me deixaste.

Nas horas mais escuras,
nos momentos de maior tormenta,
eu bati sempre à Tua porta
e Tu marcaste sempre presença na minha vida.

Por isso, Te louvo.
Por tudo Te agradeço.
À Tua (e nossa) Mãe renovo a consagração da minha vida
e a entrega do meu sacerdócio.
Como Ela, quero pronunciar uma única palavra: sim!
Sim a Ti, Senhor,
Sim à Igreja,
Sim à paz, à reconciliação.
Sim à amizade.
Sim a cada ser humano.

Mantenho o propósito da primeira hora:
viver totalmente des-centrado de mim,
estar plenamente centrado em Ti.

Recebe, Senhor, a minha vida,
acolhe o meu ser.
Modela o meu espírito.
Orienta os meus passos.

Sê Tu em mim para que, em Ti,
possa ser sinal do Teu imenso amor pela humanidade.

 

Perdão, Senhor, por todas as faltas.

Obrigado, Senhor, por todos os dons.

Obrigado pelo dom de cada instante.

Obrigado pelo dom de cada pessoa.

 

Obrigado por fazeres das noites escuras começos de manhãs radiosas.

Obrigado pelas clareiras que fazes brilhar nas sombras.

Que nunca seja eu.

Que sejas sempre Tu em mim.

 

Há vinte e três que sou padre.

Não por mim. Mas para Ti. E para todos os Teus.

 

Ajuda-me, Senhor, a ser sempre padre

como Tu queres e até quando Tu quiseres.

 

Obrigado pelos Pais que me deste.

Obrigado pelo Bispo que me ordenou.

Obrigado pelas pessoas que me têm acompanhado.

 
Obrigado por tanto.
Obrigado por tudo.
Obrigado, Senhor!
publicado por Theosfera às 10:44

É pouco, quase nada, o que tenho.

Mas é tudo o que sou e quero entregar.

Inteiramente.

Obrigado, Senhor.

Que eu nunca me canse de (Te) servir.

A minha pobre vida pertence-Te, Senhor.

Foi há vinte e três anos (completam-se hoje) que comecei a ser o que sou.

Foi há vinte e três anos (completam-se hoje) que comecei a ser padre.

Para sofrer, para acolher, para ajudar, para orar, para sentir, para conter, para calar, a tudo estou disposto, Senhor.

Hoje como há vinte e três anos.

Em qualquer situação, o que quero é estar junto de Deus e perto de cada pessoa.

Obrigado, meu Deus!

Obrigado a todos!

publicado por Theosfera às 10:04

Adolfo Correia Rocha nasceu, neste dia, há 105 anos. Andou um ano no Seminário de Lamego.

Diz que perdeu a fé. Mas reconheceu que nunca esqueceu Aquele que, porventura, até gostaria de negar.

«Deus. O pesadelo dos meus dia. Tive sempre a coragem de O negar, mas nunca a força para O esquecer»!

Miguel Torga mantém um legado imeperecível na nossa cultura!

publicado por Theosfera às 07:08

Hoje, 12 de Março, XIX Domingo do Tempo Comum e início da Semana das Migrações, é dia de Sto. Amadeu da Silva, Sta. Hilária, S. João de Riéti e Sta. Joana Francisca de Chantal.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:07

Faz hoje vinte e três anos que recebi o sacramento da Ordem pelas mãos do senhor Arcebispo-Bispo de Lamego, o inesquecível D. António de Castro Xavier Monteiro. Já não está connosco. Meu querido Pai também o acompanha no Céu.

Foram momentos muitos densos, vivências bastante intensas.

O retiro tinha sido no Convento de Avessadas, Marco de Canaveses.

Muita paz nos invadiu naquela celebração que lotou por completo a Sé.

Estes vinte e três anos foram vividos em muitas tarefas, em múltiplos trabalhos, canseiras e missões. Peço perdão ao Senhor pelas falhas, pelas imperfeições. Louvo o Senhor pela Sua presença, pela Sua paz, pelo Seu amor e pelos amigos com que me tem presenteado.

Peço uma oração pela fidelidade, para que seja sempre servo humilde e distribuidor generoso da Palavra de Deus e do Pão da Vida.

 

Um abraço fraterno para todos. Uma prece sentida por alma de meu Pai, que tanto vibrou nesse dia.

 

Um beijo carinhoso na face pura de minha Mãe, que sempre me acompanha.

 

 

À Igreja deixo o que sou.

 

A toda a humanidade quero dar o que tenho.

É pouco o que tenho. Mas é tudo o que sou. E quero entregar. Inteiramente.

Obrigado, Senhor.

Que eu nunca me canse de (Te) servir.

A minha pobre vida pertence-Te, Senhor.

Hoje como há vinte e três anos.

Toma-a em Tuas mãos.

Faz de mim o que quiseres.

Não poderei muito.

Mas Tu superas tudo.

Obrigado, meu Deus!

publicado por Theosfera às 00:35

1. Éramos cinco naquele dia. Há vinte e três anos. Já há vinte e três anos. Completam-se hoje, 12 de Agosto.


Parece que foi ontem que tudo aconteceu. Mas não foi ontem. Foi num dia como o de hoje, em 1989, o ano em que uns muros caíram e outros muros se ergueram.


Foi o ano em que se fez história, com a queda do Muro de Berlim, chamado também o Muro da Vergonha.


E era também com alguma vergonha que nós, os cinco, avançávamos. Sabíamos que aquele passo iria transformar — de uma vez para sempre — as nossas vidas.


A partir daquele momento, daquela tarde, íamos deixar de ser nós. Íamos deixar de ser nossos. Passávamos a ser d’Ele. Passávamos a ser vossos. De todos. Para todos.


Era tudo tão grande, tão denso, tão profundo e nós tão pequenos! Mas Ele lá sabe. Passou pela nossa vida. Seduziu-nos. Convenceu-nos. E nós passámos a andar sempre com Ele (cf. Mc 3, 14).



2. Ficámos lívidos de emoção quando nos prostrámos na Catedral, completamente cheia. Sentimos mesmo o Espírito Santo vir até nós. As palavras e as mãos do senhor D. António de Castro Xavier Monteiro involucravam algo indizível que nos era transmitido.


Ser ordenado padre pelo senhor D. António foi uma graça que nunca saberei agradecer devidamente.


Nele vi sempre um pai, um pai afável, carinhoso. Tanto empolgava multidões como era capaz de penetrar no íntimo mais recôndito de uma pessoa.


Amanhã, 13 de Agosto, faz doze anos que Deus o chamou. Por que não pensar numa rua com o seu nome?


Apesar de contido, amava Lamego. Deu, aliás, sobejas provas desse amor.


Sendo Arcebispo de Mitilene, era a segunda figura do Patriarcado de Lisboa e, nessa medida, potencial sucessor de D. Manuel Gonçalves Cerejeira.


Foi ele que escolheu vir para Lamego. Nunca mendigou recompensas. Mas até por isso, por esse despojamento, não mereceria uma distinção?


Uma rua até é bem pouco para quem tanto merece!



3. Naquela tarde de 12 de Agosto, notávamos que aquela gente toda não estava só ao nosso lado nem à nossa beira. Estava dentro de nós.


Aqueles sorrisos, entremeados com lágrimas, arrebatavam as entranhas do nosso ser. Para ser padre, não é preciso tanto ter uma grande inteligência. É fundamental, acima de tudo, ter um grande coração. Um coração simples. Como o d’Ele. Como o de Jesus.


Naquela tarde, sentimos que hipotecámos as nossas vidas. Tornámo-nos — conscientemente — uns alienados.


Deixávamos de ter vida própria. Agora, era tudo d’Ele. Tudo para Ele. Para Jesus. Que felicidade!


Sentimo-nos envolvidos, acarinhados. O melhor da Igreja foi sempre Deus e foi sempre o Povo.


O Povo nunca desilude, nunca desencanta. Pelo contrário, o Povo consegue sempre reencantar-nos quando o encanto fenece ou quando a dor nos visita.


É o Povo simples e bom o primeiro que nos estende a mão, o primeiro que não nos deixa cair, o primeiro que nos adopta como seus. Não somos de ninguém para sermos de todos, para todos!



4. Neste mesmo dia 12 de Agosto, mas de 1815, outro padre era ordenado. Ninguém o acompanhou. Nem a família. Nem qualquer colega.


Calcorreou, sozinho, cem quilómetros a pé. A mesma distância percorreu no regresso sob o sol escaldante de Agosto.


O Santo Cura d’ Ars começou o seu sacerdócio sob o escaldante calor de Agosto. Consumou o seu sacerdócio sob o mesmo escaldante calor de Agosto, já que faleceu a 4 daquele mês, em1959.


Também D. Manuel Martins, o bispo dos pobres, foi ordenado padre a 12 de Agosto, de 1951.


Leça do Balio, sua terra natal, engalanou-se. Iniciava-se ali uma vida cheia, uma vida em cheio, uma vida para Deus e para os pobres.


Dedicado aos mais pobres foi igualmente D. Hélder Câmara. Recebeu a ordenação sacerdotal em 1931, a 15 de Agosto. Em 1942, também a 15 de Agosto, era ordenado padre o bispo que me ordenou a mim: o querido senhor D. António.


Foi nesse dia que, em 1989, celebrei a Missa Nova. Com a minha família, os meus colegas e os meus amigos. Na minha querida terra natal. Aonde os meus pés vão poucas vezes. Mas donde o meu coração nunca sai!
publicado por Theosfera às 00:08

Sábado, 11 de Agosto de 2012

O trabalho gasta. Mas nem sempre desgasta. O que desgasta não são as ocupações, mas as preocupações. Sobretudo as injustiças, a suspeita, a indignidade.

Elias, de quem nos fala a Missa deste Domingo, foi atingido pelo desânimo. E gritou. «Já basta». Quantas vezes nos apeteceu lançar grito igual.

Mas Deus vem. Dá o Seu apoio. Ele é o apoio. E, com Ele, continuamos o caminho. Apesar de gastos. Apesar de desgastados!

publicado por Theosfera às 22:48

Nem sempre o vigor das forças traz o fulgor da sabedoria. Por vezes, é quando as forças começam a cair que o saber resolve aparecer.

O Padre António Vieira verteu este mistério com rara astúcia: «Uma das potências da alma é o entendimento, o qual nunca aumenta e cresce, senão quando já desfalece o corpo; amostra desta verdade é a experiência, pois nunca os homens se vêem mais avultados no entendimento, senão quando muito crescidos nos anos, e para se aumentar aquela potência da alma, parece que com os muitos anos necessariamente se hão-de desfazer as forças do corpo»!

publicado por Theosfera às 21:19

Alfred Tennyson parece provocador: «Não tem amigos o homem que nunca teve inimigos».

Mas, pensando bem, talvez tenha razão.

Habitualmente só damos valor a algo (e sobretudo a alguém) quando estamos em risco de o perder. Talvez só valorize a amizade quem tenha sentido a tortura da inimizade.

Creio que, nos relacionamentos humanos, não pode haver generalizações.

Acredito que se pode ser amigo sem ter inimigos. Os inimigos é que podem ter...«inimigos».

Aliás, a raiz do problema estribará aqui: no deslocamento do «ser» para o «ter».

Os amigos são. Os inimigos têm. Ou pretenderão ter!

publicado por Theosfera às 12:21

Ortega y Gasset percebeu o ponto saliente da criação poética: «Não se pode dizer que o poeta persiga a verdade, visto que a cria».

O poeta é um peregrino do mistério, um nómada da verdade.

Vai de encontro em encontro. Cada criação é uma ponte para outra criação.

A verdade virá pela inspiração. E acenar-lhe-á na peregrinação que se chama «vida»!

publicado por Theosfera às 12:20

Sempre desconfiei da presunção. Quem muito exibe pouco tem. Terá muito na superfície. Mas não reterá o bastante na profundidade.

Hoje, exibe-se muito conhecimento e alardeia-se muita tecnologia.

Mas onde está o saber?

Carlos Malheiro Dias achava este ambiente perigoso: «Não há ignorância mais insolente do que a da ignorância quando se presume de sábia»!

publicado por Theosfera às 12:18

Abundam clínicas. Multiplicam-se doenças. Crescem diagnósticos.

Até a crise já entrou no elenco das enfermidades.

Mas, para Voltaire, a mais terrível doença do espírito humano era esta: «a fúria de dominar»! Alguém contesta?

publicado por Theosfera às 12:17

A globalização colocou-nos mais perto, mas será que nos tornou mais próximos?

A experiência mostra que, nestes tempos, há distâncias que se encurtam, mas também há distâncias que se alargam.

Muitas vezes, é mais fácil aproximar-nos do extremo do planeta do que do vizinho mais próximo.

Há 50 anos, os mais ricos do mundo tinham um rendimento 30 vezes superior ao dos pobres.

Há 17 anos, essa diferença tinha aumentado...82 vezes mais!

Fazemos parte de um único mundo. Mas sentir-nos-emos membros de uma mesma humanidade?

publicado por Theosfera às 12:15

O desporto parece sinalizar o triunfo da pressa. Ganha quem chega primeiro.

Mas essa é a impressão que passa. Para chegar primeiro é preciso não só talento, mas também paciência.

Correr depressa exige muito treino, muitas horas a correr, muitos anos a corrigir erros.

Há breves segundos que são construídos em muitos anos.

Não é, pois, a pressa que vence.

Como já dizia Rui Barbosa, «a pressa é inimiga da perfeição, a mãe do tumulto, da incongruência, da irreflexão e do erro».

Não vá com pressa. A obsessão de chegar antes pode levá-lo a nem sequer chegar!

publicado por Theosfera às 12:14

Não é bom fracassar, mas é importante aprender com os fracassos.

Se repararmos bem, as grandes obras começam em grandes fracassos.

Podia multiplicar exemplos que a história regista. Mas basta pensar na União Europeia.

Foi o falhanço das nações europeias, que não davam paz nem asseguravam prosperidade, que tornou inevitável a construção de uma Europa unida.

O momento actual não é exaltante.

Conclusão? Algo de importante estará a emergir.

Não baixemos as mãos. E não deixemos adormecer a esperança!

publicado por Theosfera às 12:12

O álcool não é só um vício. Começa a ser também uma cultura.

Rui Tato Marinho denuncia: «Há uma cultura da embriaguez»! Preocupante!

publicado por Theosfera às 12:10

Hoje, 11 de Agosto, é dia de Sta. Clara de Assis, Sta. Susana e S. Maurício Tornay.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:07

Sexta-feira, 10 de Agosto de 2012

1. Muito se lamenta, hoje em dia, a agitação exterior. E, no entanto, pouco se alimenta, hoje em dia, o aprofundamento interior.

Gostamos de sair: de sair de casa, de sair de nós. Mas é importante também saber entrar: entrar em nós e, a partir de nós, entrar nos outros.

 

2. É cada vez maior a propensão para transportar o frenesim do quotidiano para a oração em vez de transportar a paz da oração para o quotidiano.

Se repararmos, até o orar está tolhido pela pressa, pela pressão. Dificilmente nos sentamos e raramente nos ajoelhamos.

Não escutamos quem, afinal, está no nosso íntimo. Na oração, falta esperar. Lutero tinha dito que «quanto menos palavras, melhor». O importante é escutar: escutar a palavra e escutar o silêncio que nos traz a Palavra!

 

3. Confesso que, às vezes, me assusto com a determinação, isenta de qualquer dúvida, dos que falam sem escutar. Dos que falam de Deus sem se disporem a escutar Deus. Dos que agem em nome de Deus. Dos que julgam em nome de Deus. Dos que condenam em nome de Deus.

Parece que têm uma «linha directa». Parece que Deus está totalmente neles em vez de serem eles a procurar estar em Deus. Deviam ouvir, todos esses, o apelo de Shakespeare: «Dobrai-vos, joelhos teimosos»!

 

4. A melhor oração não é aquela em que não damos conta de mais nada. A melhor oração é aquela que nos ajuda a dar conta de tudo.

Abel Herserg assinala que um rabino viu que o seu filho estava em profunda oração. Nem dava conta de um bebé que chorava.

«Filho, não ouves?». Responde o filho: «Pai, eu não ouvi porque estava mergulhado em Deus». Replicou o rabino: «Meu filho, quando mergulhamos em Deus, até vemos uma mosca a andar pela parede».

Se Deus está em tudo, estar em Deus significa procurar encontrá-Lo em tudo!

 

5. Como é óbvio, podemos pedir coisas a Deus. Mas a essência da oração não é pedir; é unir. E, no entanto, já George Bernard Shaw reconhecia que «a maior parte das pessoas não reza; só pede.

É preciso ir mais longe. S. Francisco de Assis defendia que, «quando rezamos, não devemos estar à espera de nada». Acrescentaria que, quando rezamos, devemos estar preparados para tudo. Devemos, nomeadamente, estar preparados para, em tudo, nos unirmos Àquele que nos conduz a Deus: Jesus.

 

6. Um jovem monge fez um longo caminho pelo deserto para visitar um grande santo.

Quando regressou, perguntaram-lhe: «Porque é que fizeste todo este caminho? Foste fazer alguma pergunta ao santo?» «Não» — respondeu o jovem. «Foste pedir algum favor espiritual?» «Também não». «Então, que foste fazer?» «Fui vê-lo bebericar a sua sopa!»

A oração é isto: procurar Deus, procurar ver como é Deus.

 

7. Não devemos rezar para que Deus faça um mundo à nossa medida. Essa tarefa cabe-nos a nós. Devemos rezar para aprender a viver rectamente no mundo tal como ele é. E Deus aparecer-nos-á em cada espaço, em cada tempo e sobretudo em cada pessoa desse mundo.

Daí o conselho de Maomé: «Para onde quer que te vires, aí encontrarás a face de Deus». Ele surge, muitas vezes, como a ausência escondida em muitas presenças. E desponta, não raramente, como a presença incluída em muitas ausências.

 

8. É por isso que a oração é um mistério de encontro, que percorre até os nossos próprios desencontros.

Como dizia Gandhi, «a oração é a chave da manhã e o ferrolho da noite». Com ela acordamos. Com ela adormecemos. Nela repousamos!

publicado por Theosfera às 22:12

São muitas as vezes em que fazemos de Deus um expediente, um recurso, uma solução.

E é com este espírito que nos aproximamos d'Ele. Com uma aflição, uma súplica, um pedido, uma lágrima, uma esperança.

Deste modo, chegamos a uma igreja e logo soltamos o que nos preocupa, colocamos uma flor, acendemos uma vela e...vamo-nos embora.

Era bom que olhássemos para Deus não como um expediente, mas como uma presença.

Ele é a presença. Ele é a constante. Nas horas de alegria. Nas horas de pesar.

Era bom que sentíssemos essa presença discreta, silenciosa, subtil.

E que belo seria entrar numa igreja e nada dizer. Apenas ajoelhar. E, depois, sentar. E ouvir. E escutar. E acolher!

publicado por Theosfera às 18:59

Muito estranha é a solidão. Diria quase enigmática.

Não gostamos dela. Fazemos tudo para a evitar.

Mas o certo é que, quando tudo falta, ela não falha.

A solidão está sempre pronta para nos acompanhar. Estaremos nós preparados para a acolher?

Charles de Gaulle achava que a solidão era a companhia dos grandes homens.

E Miguel Torga (que, se fosse vivo, faria 105 anos no Domingo) confessava ter conquistado a liberdade, a duras penas, na companhia da solidão.

Mistérios que a vida tece.

De uma coisa, porém, não duvide. Quando todos o deixarem (tantas vezes isso acontece), a solidão não o abandonará.

E verá que até consegue conviver bem com ela!

publicado por Theosfera às 16:12

«Quem te aconselha em vez de te ajudar não é bom amigo».

Giovanni Croce tem razão.

Um conselho é importante. Mas não é tudo.

Que importa tecer encómios à comida se não se dá pão a quem tem fome?

Os gestos valem mais que as palavras. Os gestos são a linguagem da vida!

publicado por Theosfera às 11:17

Blaise Pascal foi muito subtil quando reconheceu: «Todas as boas máximas se encontram no mundo: só falhamos ao aplicá-las».

Não temos necessidade de inventar mais palavras.

Só temos necessidade de olhar para as melhores e de as pôr em prática.

Esta é a altura de agir. É o momento de a vida falar!

publicado por Theosfera às 11:16

Paul Valéry, muito provavelmente, tem razão quando assinala: «Os livros têm os mesmos inimigos que o homem: o fogo, a humidade, os bichos, o tempo e o próprio conteúdo»!

publicado por Theosfera às 11:15

Hugo Hofmannsthal apercebeu-se de um paradoxo: «Os caracteres simples, não os complexos, são difíceis de entender».

Decididamente, não estamos muito orientados para a simplicidade.

Mas é pena. A simplicidade é sublime!

publicado por Theosfera às 11:14

Thomas Fuller confessou: «Mais vale uma paz magra do que uma vitória gorda».

Concordo.

A vitória em que Fuller pensa é a vitória sobre alguém, contra alguém.

Mas a verdadeira vitória não é essa. É a da paz que evita a guerra. É a da paz que congrega, que junta, que (se) alarga a tudo e a todos: aos consensuantes, mas também aos discrepantes!

publicado por Theosfera às 11:13

Muito se fala de Jorge Amado, que neste dia faria cem anos.

Muitos o conhecem mais por causa do que viram do que por causa do que leram.

Algumas das suas obras foram vertidas para a televisão.

Gostava do Brasil, mas amava também Portugal.

Sinalizou este duplo amor de uma forma muito curiosa: «Deus nasceu no Brasil, mas emigrou para Portugal»!!!

publicado por Theosfera às 11:12

O progresso é uma coisa recente. E, hoje em dia, não temos a certeza de que seja uma coisa totalmente boa.

Sabemos o que o progresso nos tem dado. Mas não estamos em condições de saber para onde o progresso nos leva.

Em muitos aspectos, sentimo-nos não a progredir, mas a regredir.

Na nossa vida, isto é traumático. Na história do mundo, não é nada inédito.

Durante milhares de anos, não houve praticamente progresso no nível de vida.

A revolução industrial marcou a diferença. Nos últimos 150 anos, o rendimento «per capita» na Europa foi multiplicado por dez. Mas nestes doze anos, estagnou.

Não sabemos o que vai acontecer. Mas temos obrigação de saber que a humanidade já viveu muito tempo sem progresso material. E nem assim desapareceu.

Não foi a ausência de progresso que fez desaparecer a humanidade!
publicado por Theosfera às 11:06

Hoje, dia 10 de Agosto, é dia de S. Lourenço e Sta. Filomena.

Refira-se que S. Lourenço é invocado contra o lumbago e os incêndios. É também o protector das bibliotecas. É ainda o padroeiro dos cozinheiros e dos hospedeiros.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:10

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