O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 31 de Maio de 2012

O que mais me surpreende nas lições da vida não é o enfraquecimento das forças. É a descoberta da obscuridade. É sentir que muitos, que julgávamos ungidos de luz, afinal aparecem encobertos com um «dark side», um lado sombrio.

O mais estranho é que esse ofuscamento é alimentado pelo interesse, pela ambição. Esse lado lunar, no fundo, tem o nome de duplicidade.

Mas a mesma vida também nos mostra que há clareiras de simplicidade e autenticidade.

Não podemos ser preconceituosos e decretar que está tudo perdido. Não está!

publicado por Theosfera às 16:31

A paz vai visitar-te.

Não desesperes.
Serena.

Acalma-te.
Deus ama-te.

publicado por Theosfera às 10:33

Há quem nos acuse, a nós portugueses, de pessimismo. Mas, nos antípodas, não falta quem ache que até o nosso pessimismo (ainda) é demasiado optimista.

Por falar em pessimismo, fez em Fevereiro cem anos que se suicidou, com apenas 35 anos, Manuel Laranjeira.

Entre 1907 e 1908, publicou alguns artigos, num jornal chamado «Norte», a que deu o título de «Pessimismo Nacional».

Os textos podiam ser de agora. O diagnóstico continua válido. Os males mantêm-se actuais.

Faltam horizontes de esperança. Precisa-se de uma vontade forte!

publicado por Theosfera às 10:31

A par dos «austeritários», vão emergindo, como reacção, os «acratas».

São aqueles que advogam a ausência de poder.

Uma vez mais, os extremos abastecem-se. O excesso de poder gera a vontade de fazer implodir o poder.

Há que reflectir maduramente no que a vida nos vai mostrando!

publicado por Theosfera às 10:22

Unamuno avisou: «Uma fé que não duvida é uma fé morta».
Parece um paradoxo, mas é sobretudo um alerta.

Antes a fé entremeada com a dúvida do que amassada em arrogância.

A fé não nos inibe de sermos humanos. E é próprio do humano conviver com a dúvida!

publicado por Theosfera às 10:21

«Se não se fala de uma coisa ela nunca aconteceu. É simplesmente a expressão que dá realidade às coisas».

O que disse Oscar Wilde parece ganhar mais acutilância nos tempos que correm.

Parece que só existe aquilo de que se fala.

O problema é quando aquilo de que se fala só existe quando se fala, só existe nos lábios e nos ouvidos. E não na vida.

A experiência vai-se encarregando de derrubar muitos lugares-comuns. Há tanto fumo sem fogo!

publicado por Theosfera às 10:19

Quando a mudança não se faz de modo pacífico estamos a abrir caminho para que ela seja feita de modo violento.

John Kennedy bem o percebeu: «Os que tornam impossível a revolução pacífica acabam por tornar inevitável a revolução violenta».

Não adiemos a revolução pacífica.

O tempo não é infinito. E o nosso tempo escoa-se depressa!

publicado por Theosfera às 10:18

«A verdade é transmutada "dialecticamente" no devir do pensamento».

Eduardo Lourenço, magistral como sempre e pertinente como nunca!

publicado por Theosfera às 10:17

Hoje, 31 de Maio, é dia da Visitação de Nossa Senhora a Sta. Isabel e de Sta. Petronila.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:14

Não Te digo adeus, Mãe!

 

É o último dia do Teu mês.

 

Mas Tu ficas sempre connosco, na Igreja de Teu Filho

 

e na Humanidade que, como Ele, Tu tanto amas.

 

Adeus, ó Mãe? Não.

 

Sempre conTigo, Mãe!

publicado por Theosfera às 06:18

Quarta-feira, 30 de Maio de 2012

Viver é sempre um risco. Não podemos estar à espera do resultado para arriscar.

Quando o calculismo impera, a aventura fenece.

Ortega y Gasset já se tinha apercebido: «Pouco se pode esperar de alguém que só se esforça quando tem a certeza de vir a ser recompensado».

Na vida, só merece ganhar quem se dispõe a tudo perder!

publicado por Theosfera às 13:25

Antes de mais, a vida: «Toda a sociedade que pretende assegurar a liberdade aos homens deve começar por garantir-lhes a existência».

Léon Blum tem razão.

Sem liberdade, não vale a pena viver. Mas sem vida, nem sequer é possível viver!

publicado por Theosfera às 10:00

León Tolstoi percebeu o essencial: «Na vida só há um modo de ser feliz. Viver para os outros».

Não há norma maior. Não há lei melhor.

Está enunciada. Só falta cumpri-la.

A felicidade nunca é solteira. Só se tem quando se dá. Só se multiplica quando se reparte!

publicado por Theosfera às 09:59

Neste momento, a Europa está a ser dirigida por uma nova classe: a classe dos «austeritários».

São aqueles que, como dizia Pessoa, acham que «organizar é oprimir».

Será que não é possível organização sem tirania?

Só acredito no casamento do desenvolvimento com a liberdade.

O fruto maior não é o lucro. É a justiça!

publicado por Theosfera às 09:57

Há quem aponte à Grécia (e, de caminho, talvez a Portugal) a porta de saída: do euro e, quem sabe, da própria Europa.

Acontece que a saída nunca é solução. É agravamento.

A solução terá de ser a transformação. Habermas fala de uma «realidade transformacional».

E não há dúvida de que carecemos todos de transformação: os endividados, mas também os credores.

Se os problemas nos dividem, as soluções têm de nos unir.

Eis a transformação suprema. E, cada vez mais, inadiável!

publicado por Theosfera às 09:56

Coisa estranha, esta.

Um governo que o povo não elegeu é mais apreciado que o governo que o mesmo povo escolheu.

Acontece na Itália.

O povo italiano aprecia mais o «austeritário» Monti do que o «popular» Berlusconi.

O voto não é um dogma. A escolha é sempre um risco. E há situações que ditam as próprias opções.

O povo é protagonista. Mas o tempo é que detém a liderança!

publicado por Theosfera às 09:54

Hoje, 30 de Maio, é dia de Sta. Joana d'Arc, S. Fernando e Sta. Baptista Varani.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:18

Lamego já teve, pelo menos, um Bispo com fama de santo. Aliás, durante séculos foi conhecido e venerado como o «Bispo Santo».

Trata-se de D. Salvado Martins, que esteve à frente da diocese entre 1331 e 1349.

Era franciscano e notabilizou-se sempre pela pobreza e pela humildade. Nunca se assinou com o distintivo de «Dom».

Muito devoto de Nossa Senhora, preocupou-se muito com a formação dos padres e com a boa convivência entre as pessoas.

Sepultado na capela de S. Sebastião, o povo abriu um buraco no seu túmulo onde toda a gente metia a mão em sinal de veneração.

O cabido ficou com a obrigação de fazer três comemorações anuais da sua memória. E, na sua sabedoria, o povo invocou-o sempre como santo.

Foram-lhe propostas outras dioceses, mas ele manteve-se sempre fiel a Lamego. Aqui viveu. Aqui morreu. Aqui está sepultado!
publicado por Theosfera às 07:16

No princípio, era o monte. E no monte só havia, além do arvoredo, o nome: Santo Estêvão.

Do monte com este nome vinha uma luz. Ou, melhor, um clarão. Pelo menos foi o que, segundo a lenda, um bispo avistou das janelas da sua casa.

Essa luz não foi apenas uma visão. Foi também uma inspiração. Achava D. Durando Lourenço que talvez Deus estivesse a dar-lhe uma sugestão: que ali se construísse uma capela em honra do santo mártir.

A piedade popular favoreceu certamente a construção do novo templo. Em 1361 estava pronto. A 15 de Agosto desse ano ocorre a doação da capela de Sto. Estêvão à Catedral de Lamego.

Aos cónegos é pedido que ali vão em procissão duas vezes por ano. Para os encargos, o bispo legava 12 libras anuais ao cabido.

publicado por Theosfera às 07:15

Terça-feira, 29 de Maio de 2012

1. Nunca se usou tanto a palavra como hoje. E talvez nunca nos tenhamos sentido tão saturados de palavras como hoje.

Em causa não está a palavra, mas o uso que lhe temos dado. E é por isso que o silêncio desponta não como uma recusa da palavra, mas porventura como a sua reabilitação, o seu reencaminhamento, a sua redenção.

 

2. O problema não está na palavra. O problema é o que nós estamos a fazer com as palavras.

O que avulta é a palavra da suspeita, a palavra da calúnia, a palavra da glória vã e da vanglória, a palavra como arremesso.

O que sobressai é o eclipse da palavra de alento, da palavra da esperança, da palavra da verdade. É tudo isto que faz do silêncio não apenas um refúgio ou uma nostalgia, mas também uma necessidade ou até uma terapia.

Aqui, o silêncio não é a ausência de palavra. É o chão da sua sementeira. E o fermento para a sua plena fruição!

 

3. Hoje em dia, as palavras gastam pelo ruído que provocam. E desgastam pelo vazio que veiculam.

Às vezes, nem quando se está calado se faz silêncio. Pode não haver ruído no exterior, mas pode faltar silêncio no interior.

 

4. Manuel António Pina tem razão quando sustenta que «as palavras esmagam-se entre o silêncio que as cerca e o silêncio que transportam».

Que será melhor, então? Falar é difícil. Mas calar também é arriscado. O poeta confessa: «Já não é possível dizer mais nada, mas também não é possível ficar calado».

Eis o paradoxo em toda a sua crueza: «Faltam-nos as palavras» nestes tempos em que «se fala de mais»!

 

5. E o certo é que, ao lado das palavras, há um silêncio no universo que nem todos os discursos conseguem abafar.

É desse silêncio, não tumular mas primordial, que flui o sentido e o horizonte que o conceito tenta captar, mas não é capaz de verbalizar. É nesse silêncio marsupial que importa habitar.

 

6. Pelo menos, nesse silêncio respira-se. Há palavras, as deste tempo ruidoso, que afogam!

Acresce que, como notava Gustave Le Bon, «quem se gasta em palavras, raramente se gasta em acções».

 

7. Há quem aposte tudo na linguagem verbal. Mas a linguagem não verbal é mais poderosa.

Daí o lancinante apelo de Sto. António: «Cessem as palavras e falem as obras. De palavras estamos cheios, de obras vazios».

Se repararmos e como dizia Erik Geijer, «o que se faz de grande faz-se em silêncio». A própria palavra, para ser valorizada, precisa de ser condimentada pelo silêncio. Caso contrário, é a banalização.

 

8. Hoje em dia, não há muita comunicação. O que há é muito ruído!

Há muito ruído de dia, mas também de noite. Há muito ruído nas ruas, mas também em casa, mas também nas escolas, mas também nas igrejas.

 

9. Na maior parte das vezes, nem temos motivos para falar. O que já não conseguimos é ter vontade para calar ou disponibilidade para escutar! Quem ouve, nestes tempos, as palavras ditas, as palavras gritadas?

Há momentos em que falar é um imperativo. Mas há instantes em que calar é uma urgência e um bom indicador de sabedoria.

 

10. Uma onda de silêncio pode ser o melhor antídoto para curar os estragos provocados pela tempestade de certas palavras.

Às vezes, não é preciso falar muito para dizer bastante.

A vida não se diz só com os lábios. E há gestos que dizem tudo!

publicado por Theosfera às 13:00

Vivemos no presente. Mas será que vivemos do presente?

Para Fernando Pessoa, «vivemos ou da saudade ou da esperança».

Somos um povo sempre à espera do regresso de D. Sebastião.

Somos um povo sempre à espera que ele chegue do passado ou que venha de fora.

Mas Fernando Pessoa já tinha dado conta de que «é dentro de nós, em nós e por nosso esforço, que tem de vir, e virá, D. Sebastião»!

publicado por Theosfera às 10:57

«Quem se gasta em palavras, raramente se gasta em acções».

Gustave Le Bon anotou uma lacuna muito grande na vida de não poucas pessoas.

Há, de facto, quem aposte tudo na linguagem verbal. Mas a linguagem não verbal é mais poderosa.

Daí o lancinante apelo de Sto. António de Lisboa e de Pádua: «Cessem as palavras e falem as obras. De palavras estamos cheios, de obras vazios».

Só a linguagem da vida consegue suprir o vazio que, não raramente, se evola da linguagem dos lábios.

publicado por Theosfera às 10:41

Juan Vives deixou um alerta cheio de pertinência: «O sal da vida é a amizade».

O problema é que, não faltando quem ostente o título de amigo, vai escasseando quem, efectivamente, se destaque pela amizade.

A amizade não vem pelos lábios. A amizade vem pela vida. Sobretudo pelas horas difíceis da vida. Quando (quase) todos se ausentam!

publicado por Theosfera às 10:40

O êxtase de Francisco de Sales: «Ó Deus, eu não sei se devo mais amar a vossa infinita beleza que uma tão divina bondade me ordena amar, ou a vossa divina bondade que me ordena amar uma tão infinita beleza».

publicado por Theosfera às 10:39

O maior (a bem dizer, o único) pecado é o egoísmo.

Paul Tillich: «Nós não pecamos como uma individualidade, mas em conexão com todo o ser. Esta é a necessidade do pecado. Nós não pecamos enquanto coisa, mas como um ser apropriado de si. Esta é a responsabilidade do pecado».

publicado por Theosfera às 10:38

A Europa tem raízes cristãs. Mas o Cristianismo também tem raízes europeias.

Há uma tal interdependência simbiótica entre o Cristianismo e a Europa que, por vezes, se pressente alguma dificuldade em operar a devida triagem.

É natural que o Cristianismo tenha as marcas da Europa na Europa. Mas na Ásia, na América e na África também terá de ser assim?

Será que evangelizar terá de ser, obrigatória e automaticamente, «europeizar»?

Esta questão tem ocupado a Teologia nas últimas décadas.

Karl Rahner assinalou que a «desocidentalização» entreaberta pelo Concílio Vaticano II era o segundo momento de abertura mais importante da História da Igreja.

O primeiro tinha sido a «desjudaização» encetada por S. Paulo.

É interessante recordar que, na década de 1960, o famoso cardeal Malula enunciou: «Até agora, procurámos evangelizar a África; a partir de agora, é preciso também africanizar o Evangelho»!
publicado por Theosfera às 10:36

A situação está má, mas o pior ainda está para vir.

É o que diz o Relatório da Unicef sobre a pobreza infantil.

Mais de 27% das crianças portuguesas vivem em situação de carência.

No arco de 29 países da OCDE, o nosso país ocupa um indesejável 25º lugar.

O problema é que estes dados se reportam a 2009. O que estará a acontecer agora?

publicado por Theosfera às 10:34

Hoje, 29 de Maio, é dia de S. Maximino, Sta. Úrsula Ledoschowka (fundadora das Adoradoras do Coração Agonizante de Jesus) e S. José Gérard.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:19

Segunda-feira, 28 de Maio de 2012

«Interrogar é ensinar».

Xenofonte também podia verter o inverso.

Ninguém contestará, com efeito, que, ensinar é, antes de mais, interrogar!

publicado por Theosfera às 10:20

Há tempos em que falar é um imperativo. Há (outros) tempos, talvez os nossos, em que calar é uma necessidade, uma terapia, um bom indicador de sabedoria.

Há situações em que certas palavras só complicam.

A certas pessoas devíamos perguntar: «Porque não falas?». A outras, porém, deveríamos dirigir a famosa interpelação de Juan Carlos a Hugo Chávez: «Porque não te calas?»

Uma onda de silêncio pode ser o melhor antídoto a algumas tempestades de palavras!

publicado por Theosfera às 10:18

Platão disse, há séculos, que os grandes mestres são os filósofos e os poetas.

Também poderia acrescentar os artistas e, particularmente, os músicos.

Guizot apercebeu-se da sua importância: «A música oferece à alma uma verdadeira cultura íntima e deve fazer parte da educação do povo».

publicado por Theosfera às 10:17

Às vezes, uma pequena dificuldade tem um efeito mais devastador que um grande problema.

Às vezes, conseguimos o mais difícil e soçobramos no (aparentemente) mais fácil. É que para a grande tormenta já estamos preparados. Já para o pequeno obstáculo nem sempre estamos precavidos. Camilo Castelo Branco percebeu isto muito bem: «Há horas na vida em que a mais leve contrariedade toma as proporções de uma catástrofe»!

publicado por Theosfera às 10:15

O cancro costuma vencer. Mas também pode ser vencido.

Em Portugal, já há 250 mil pessoas que sobreviveram ao cancro.

Nos últimos cinco anos, a taxa de sobrevivência é estima entre os 55% e os 60%.

Boas notícias!

publicado por Theosfera às 10:14

Nestes tempos, os nossos, em que quase tudo é decidido por impulso, a prudência desponta como um acto de lucidez.

Ser criterioso é, pois, uma necessidade, um imperativo.

Criteriosos devemos ser não apenas diante do antigo, mas também diante do novo.

Às vezes, o novo pode ser mais reaccionário que o antigo. Inversamente, o antigo pode ser mais transformador que o novo.

É curioso notar como pensadores tidos como progressistas nos põem de sobreaviso quanto a certas pulsões vanguardistas.

Edgar Morin sentia que cada progresso é acompanhado de um retrocesso.

E, mais recentemente, Luís Racionero, chamava a atenção para o progresso decadente.

Nesta transumância entre o antigo e o novo, devemos optar sobretudo pela necessidade.

Devemos acautelar-nos diante da conservação injustificada. E, como nos avisava, Winston Churchill, devemos precaver-nos diante da inovação desnecessária.

Aliás, o povo inglês tipifica esta conjugação harmoniosa entre o antigo e o novo.

Também ele está na vanguarda da revolução industrial e tecnológica. E, ao mesmo tempo, mantém a monarquia e a libra.

A Inglaterra também tem problemas. Mas tem sabido evitar problemas desnecessários!
publicado por Theosfera às 10:12

Há quem sacrifique tudo à carreira. Até a honra. Até a dignidade. Até a justiça.

Há quem insulte. Há quem calunie. Há quem adule. Há quem bajule.

Há quem fale se for conveniente. Há quem cale se parecer oportuno. Para si. Só para si.

Ruben Darío vê estas coisas de outra forma: «A justiça incita-me a falar, jamais adulei ninguém».

Eu seria tentado a dizer que, nestes tempos de incontinência verbal, só a justiça nos deveria fazer falar.

Infelizmente, é (quase) a única coisa que nos leva - timoratamente! - a calar.

 

 

publicado por Theosfera às 10:10

Há cerca de um ano, o mundo ficou excitado com o advento da democracia no Egipto.

Por esta altura, o mesmo mundo está preocupado com o exercício da mesma democracia no mesmo Egipto.

Há uma forte possibilidade de o candidato da Irmandade Muçulmana vencer as eleições presidenciais.

Há quem veja nisso mais um regresso ao passado do que um ingresso no futuro.

Como se compreenderá, também a democracia é um risco.

Sucede que, hoje em dia, tudo é global, a começar pelo que é local.

Há um país que vota. Mas o todo o mundo analisa.

E os critérios de quem vota podem ser muito diferentes de quem analisa!

publicado por Theosfera às 10:03

Nada como ouvir (ou ler) um homem grande para melhor entender um grande homem.

 

Zubiri dizia, humildemente, que «o menos mau de si mesmo» a Ortega o devia.

 

Olegario González de Cardedal notava que o teólogo tem de aliar a «complexidade da inteligência» à «simplicidade do coração».

 

Trata-se de um apelo, mas que também pode ser visto como um reconhecimento.

 

Andrés Torres Queiruga incorpora, belamente, aquela síntese.

 

Aliás, é difícil encontrar alguém como ele onde as duas dimensões se casem tão harmoniosamente.

 

Torres Queiruga é alguém que se impõe por uma inteligência fulgurante e que se destaca por uma cordialidade absolutamente tocante.

 

Para ele, o Cristianismo não é uma trincheira nem uma cave, onde se refugiem os últimos (supostos) fiéis.

 

Para ele, o Cristianismo é uma janela por onde todos os ventos passam e uma fronteira onde todos os olhares se cruzam.

 

Torres Queiruga não se limita a reproduzir as respostas de sempre. A sua prioridade é escutar as perguntas de hoje.

 

Daí a sua preocupação em repensar, palavra que aparece no título de algumas das suas obras.

 

É preciso repensar (voltar a pensar) a fé, a criação, a redenção, a ressurreição, o mal.

 

Não quer dizer que as respostas de outrora não tenham validade. O problema é que tais respostas podem não corresponder às perguntas de hoje.

 

Torres Queiruga é, antes de mais, um homem atento, afável.

 

As suas obras deixam transparecer, acima de tudo, as inquietações do presente.

 

A sua pretensão não é resolver todos os enigmas, mas dar eco a todas as preocupações.

 

Espanta, por isso, que um homem que tanto se tem empenhado em compreender seja, tantas vezes, incompreendido.

 

Mas esse é um dos mistérios não decifrados do nosso tempo. De todos os tempos?

 

A teologia e a cultura têm uma dívida de gratidão muito grande para com este homem de vistas largas e horizontes vastos.

 

Com ele, aprendemos não apenas o valor da resposta, mas também a importância da pergunta e a centralidade da procura.

 

Andrés Torres Queiruga completa, neste dia, 72 anos de vida.

 

Os parabéns são de nós para ele. Mas as prendas são dele para nós: as suas obras, o seu testemunho, a sua fé, a sua delicadeza, o seu brilho intenso, mas nunca ofuscante.

 

Longa vida!

publicado por Theosfera às 07:21

Hoje, 28 de Maio, é dia de S. Justo e S. Germano de Paris.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:20

Domingo, 27 de Maio de 2012

Espírito Santo de Deus,

Espírito do Pai e do Filho,

Espírito da Igreja,

Espírito do mundo,

nós Te louvamos e agradecemos

por tantos dons.

 

 Obrigado pelo dom da sabedoria.

Obrigado pelo dom do entendimento.

Obrigado pelo dom da ciência.

 

Obrigado pelo dom do conselho.

Obrigado pelo dom da fortaleza

Obrigado pelo dom da piedade.

Obrigado pelo dom do temor de Deus.

 

Obrigado pela beleza de cada dia.

Obrigado pela bondade de tantos corações.

Obrigado pela verdade de tantas palavras.

 

Obrigado também pelos silêncios.

Obrigado ainda pela esperança.

Obrigado pela oração.

 

Obrigado por cada manhã.

Obrigado por cada encontro.

Obrigado por cada pessoa.

 

Tu que habitaste o seio de Maria,

habita o nosso coração,

transforma-nos por dentro

e muda-nos a partir do fundo.

 

Faz deste mundo um mundo novo.

Vem recriar a nossa humanidade.

Que este mundo seja um povo de amigos,

um povo de irmãos.

 

Que estejamos cada vez mais fortalecidos para a missão.

Que nunca nos esqueçamos de dar testemunho.

 

Dá-nos sempre o Teu Espírito,

a respiração da nossa vida,

o vento da nossa jornada.

 

Que sejamos outros,

que aspiremos e aspiremos paz,

em Teu nome,

JESUS! 

publicado por Theosfera às 10:49

Hoje, 27 de Maio, Solenidade de Pentecostes e último dia do Tempo Pascal, é dia de Sto. Agostinho de Cantuária e S. Júlio, padroeiro dos que recolhem o lixo.

Um santo e abençoado dia pascal para todos!

publicado por Theosfera às 07:14

Sábado, 26 de Maio de 2012

Não resolve tudo, mas mostra (quase) tudo.

Quando os poderes falham, as pessoas surgem.

Hoje e amanhã, dois dias de descanso, vão transformar-se em dois dias em que um vendaval de solidariedade vai correr o país.

O Banco Alimentar contra a Fome realiza mais uma campanha de recolha de alimentos.

Em campo estão 37 mil voluntários em quase 1500 superfícies comerciais.

É um gesto dignificante que sobressai no meio do torpor exasperante em que vai decorrendo a nossa vida!

publicado por Theosfera às 11:32

«A vida é sagrada e cada momento é precioso».

Esta frase de Jack Kerouac é mais que um pensamento. É um autêntico oráculo e um luminoso imperativo.

Não banalize a sua vida. É o bem mais valioso de que dispõe.

E não desperdice cada instante. É a oportunidade maior que lhe foi dada.

O dia mais importante é hoje! O momento mais decisivo é este!

publicado por Theosfera às 11:31

«A missão suprema do homem é saber o que precisa para ser homem».

Kant deu o mote para uma vida com sentido: descobrir um horizonte, trilhá-lo, sem nunca desistir, mesmo depois de cair!

publicado por Theosfera às 11:30

«A coragem real é mais paciente que audaciosa».

Sénancour acertou em cheio.

A maior (a bem dizer, a única) coragem é a daqueles que não desistem.

Apesar de tudo. E, às vezes, apesar de (quase) todos!

publicado por Theosfera às 11:29

«O medo não habita a nossa casa
O medo transforma a nossa casa em fortaleza
Tranca portas e janelas
Esconde-se debaixo da mesa.

Mas vem Jesus e senta-nos à mesa
Começa a contar histórias e estrelas
Leva-nos até ao colo de Abraão, até à Criação,
Sopra sobre nós um vento novo,
Rasga uma estrada direitinha ao coração:
Chama-se Perdão, Espírito, Nova Criação.

Varrido para o canto da casa pelo vento,
Rapidamente todo o medo arde.
Ardem também bolsas, portas e paredes,
E surge um lume novo a arder dentro de nós
Mas esse não nos queima nem o podemos apagar.

Estamos lá tantos à roda desse vento, desse fogo,
Com esse vento, com esse fogo dentro,
Portugueses, russos, gregos e chineses,
Começamos a falar e tão bem nos entendemos,
Que custa a crer que tenhamos passaportes diferentes.

E afinal não temos.
Vendo melhor, maternais mãos invisíveis nos embalam,
Nos sustentam.
Sentimos que estamos a nascer de novo,
Percebemos que somos irmãos,
Filhos renascidos deste vento, deste lume.
E não é verdade que falamos,
Mas que alguém dentro de nós fala por nós,
Chama por Deus
Como um menino pelo Pai».

 

António Couto



publicado por Theosfera às 07:18

Conta-se que, um dia, João XXIII terá perguntado a um trabalhador como ia a sua vida.

Ele respondeu que ia mal. Então, o Papa garantiu que ia tratar do assunto.

Houve, no entanto, quem objectasse que, aumentando o salário aos trabalhadores, teria de haver um corte nas obras de caridade.

Resposta pronta do Pontífice: «Então é o que teremos de fazer. Porque a justiça está antes da caridade».

publicado por Theosfera às 07:17

Hoje, 26 de Maio, é dia de S. Filipe de Néri e Sta. Maria Ana de Paredes.

Um santo e abençoado dia pascal para todos!

publicado por Theosfera às 07:16

Sexta-feira, 25 de Maio de 2012

Estar só não é necessariamente uma recusa do outro.

Estar só pode ser uma necessidade de sermos nós.

E só sendo nós em nós nos poderemos abrir aos outros. À solidão dos outros - quem sabe? 

Quem nunca se centra dificilmente se abre.

Uma pessoa descentrada não se apercebe do outro em si nem de si no outro.

Mas, no limite, se não compreendemos a solidão, respeitemo-la. A liberdade é como um coro em que há muitas vozes...

publicado por Theosfera às 11:06

«A única coisa que devemos temer é o próprio medo».

Eis uma preciosa recomendação de Roosevelt.

publicado por Theosfera às 09:54

Há quem fustigue o mal, mas não faça nada pelo bem.

Há quem exalte a justiça, mas sem se preocupar com as vítimas da injustiça.

Simone de Beauvoir já se tinha apercebido: «À minha volta, reprova-se a mentira, mas foge cuidadosamente da verdade»!

Na hora da verdade, toda a hora, são poucos os que permanecem!

publicado por Theosfera às 09:53

Há na economia uma tendência similar à que se verifica em alguns compêndios de ciência política.

Não falta quem alegue que a violência se vence pela violência. Acontece que a violência acaba por gerar mais violência.

«Mutatis mutandis», há quem diga que a austeridade é essencial para obter crescimento. Mas o que se vê é que austeridade conduz a mais austeridade!

publicado por Theosfera às 09:51

Hoje, 25 de Maio, é dia de S. Gregório VII, S. Beda Venerável, Sta. Madalena de Pazzi, Sta. Madalena Sofia Barat e Sta. Vicenta Maria.

Um santo e abençoado dia pascal para todos!

publicado por Theosfera às 07:19

Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

 

No princípio, era a pessoa que contava. Depois, passou a ser o poder a decidir.
Até ao século IV, os cristãos dirigiam-se às pessoas. Estas ficavam a conhecer a mensagem de Jesus. Se aderissem, procuravam reproduzi-la na sua vida.
As pessoas, como disse Tertuliano, não nasciam cristãs; tornavam-se cristãs.
A partir do século IV, a religião do rei passou a ser a religião do povo («cujus regio, ejus religio»).
Em muitos casos, as pessoas não conheciam o que praticavam. Eram cristãs por causa do rei. Foi assim com Constantino em Roma. Foi assim com Clóvis na Gália.
O que havia era não uma opção clara, mas uma justaposição difusa. Ou seja, as pessoas iam à Missa, mas não deixavam de ir à bruxa e de manter hábitos pagãos ou até práticas cruéis como duelos e guerras.
Os reis ofereciam liberdade de acção, mas exerciam também alguma tutela. Por isso, apareceram sempre teólogos a justificar o injustificável.
Os efeitos desta situação de indeterminação ou sincretismo ainda se mantêm. Há quem se diga cristão por causa do seu nascimento, não por causa do seu testemunho de vida.
Será impossível voltar à clareza dos começos?
publicado por Theosfera às 11:10

«É a capacidade do homem para a justiça que torna a democracia possível, mas é a inclinação do homem para a injustiça que torna a democracia necessária».

Reinhold Niebuhr verteu uma grande (enorme) verdade.

A necessidade da democracia está também (e bastante) na sua força correctiva.

Quando a democracia não evita a injustiça será democrática?

publicado por Theosfera às 10:23

Admiro a competência. Mas o deslumbramento preocupa-me, a vaidade entedia-me e a arrogância deprime-me.

Corre por aí que temos a geração mais bem formada de sempre.

Prudentemente, digo que não sei. Gostaria que fosse verdade.

Uma coisa é certa: temos a geração mais diplomada da história. Mas do diploma nem sempre decorre uma formação de qualidade.

Há minutos, ouvi um jovem publicitar a sua licenciatura, mostrando vontade de ir para o estrangeiro. A justificação? Somos «cidadões do mundo»!

publicado por Theosfera às 10:22

Os grandes cometimentos não dependem só do talento. Dependem, acima de tudo, da persistência, da vontade, da determinação, da coerência.

Thomas Atkinson asseverou: «Não é um notável talento o que se exige para assegurar o êxito em qualquer empreendimento; mas sim um firme propósito».

Quando não se sabe o que quer nem para onde se quer ir é o caos!

publicado por Theosfera às 10:21

Bernard Shaw, qual atalaia, deixou-nos de prevenção: «Imaginamos o que desejamos, queremos o que imaginamos e, por fim, acreditamos no que queremos».

Tudo somado, isto resultado num comatoso contecioso com a realidade.

É bom acreditar que se pode alterar a realidade.

Mas, para isso, é mister conhecê-la. E, regra geral, entre o que está na vida e o que perpassa pela nossa imaginação vai uma distância muito grande. Intransponível?

publicado por Theosfera às 10:20

A facilidade seduz, mas não ajuda. O facilitismo ilude, mas prejudica.

E, no entanto, passa-nos pela cabeça que ajudar é tornar tudo mais fácil. Ajudar tem de ser tornar tudo (mais) possível.

Como querer um ensino fácil se a vida, para que ele prepara, é difícil?

O ensino será bom se introduzir nas dificuldades, se estimular a sua superação. O ensino será nocivo se tentar passar ao lado das dificuldades.

A falta de dificuldades nem sequer estimula o desenvolvimento das capacidades. Como referia Mao-Tsé-Tung, «um caminho demasiado plano não desenvolve os músculos das pernas».

O que vale custa. O que custa vale!

publicado por Theosfera às 10:18

Há já muitos anos, Badaró lamentava que os políticos ocupassem, por vezes, o lugar dos comediantes.

Beppe Grillo está a mostrar que é possível aos comediantes ocupar o lugar dos políticos.

Este humorista italiano lançou um blogue, que alicerçou um movimento de pendor radical.

O certo é que, nas eleições municipais italianas, o movimento teve um grande êxito e ganhou a câmara de Parma!

Um sinal dos tempos!

publicado por Theosfera às 10:17

A sabedoria de Lula, confesso, sempre me surpreendeu. O que ele tem dito parece ter a força de um oráculo.

Nesta altura, assume-se «preocupado com a falta de liderança no mundo».

Quanto à crise, defende que «a Europa não pode destruir a União Europeia. A Europa é património da humanidade».

O mundo é global, mas não pensa nem age de forma globalizada. Cada país está muito voltado para si próprio. Cada líder está muito preocupado consigo mesmo.

Para Lula, governar «é fácil quando se sabe para quem, de onde veio e para onde vai voltar».

Apesar de tudo, «acredita cegamente na bondade do ser humano»!

publicado por Theosfera às 10:15

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