O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 26 de Março de 2012

 1. Para muitos, a Páscoa é mais o ruído do que a calma. É mais a palavra do que a escuta. É mais a acção do que a meditação. É mais o movimento do que o recolhimento.

 

O ruído, as palavras, a acção e o movimento dão um grande colorido às nossas terras. Mas a falta de calma, de escuta, de meditação e de recolhimento deixa um profundo vazio nas nossas almas.

 

Quando falamos de Páscoa, pensamos no que, a propósito dela, se diz e se faz. Mas era bom que se captasse o sentido da Páscoa também a partir do que, nela, não se diz e não se faz.

 

A Páscoa não se reduz às procissões de Sexta-feira e às celebrações de Domingo. Entre o grito da Cruz e a alegria da Ressurreição, há o silêncio da sepultura.

 

É também por esse silêncio que nos devíamos envolver. Porque é nesse silêncio, que parece nada trazer, que germina a novidade plena, a surpresa maior, o reencontro total.

 

 

2. De facto, o silêncio não é necessariamente mutismo, ausência ou distância.

 

Há um silêncio pelo qual tudo nos chega. É o silêncio da semente lançada à terra. É do fundo que se cresce. E é de trás que se caminha.

 

No silêncio, verificamos que ainda há muita semente para desabrochar. É o silêncio exterior que nos põe alerta. É o silêncio interior que nos põe à escuta.

 

É um silêncio, ao mesmo tempo, afónico e atónito. É um silêncio que tanto nos deixa sem palavras como nos preenche com uma paz inquieta.

 

Afinal, as palavras costumam morrer nos lábios e os pensamentos acabam por se ofuscar na mente.

 

É, por isso, o silêncio que nos permite acolher o grande murmúrio que Deus faz ecoar no mundo.

 

E há-de ser a fraternidade a levar-nos a estender a mão àqueles que vão caindo nas estradas do mundo.

 

Às vezes, queremos cobrir de palavras o que escapa a toda a palavra. Se as palavras já são débeis para dizer a vida, como não são frágeis para (des)dizer a morte!

 

E, não obstante, multiplicamos explicações. No tempo, atrevemo-nos a cartografar a eternidade e a mapear com minúcia cada um dos seus momentos.

 

 

3. A Páscoa é oportunidade para cantar, para louvar. Mas será ainda mais bela se for aproveitada para colher, para captar.

 

O silêncio não nos afasta dos problemas, mas abre-nos muitos caminhos no meio dos próprios problemas.

 

Jesus foi tão eloquente quando falou como quando calou. E disse-nos tanto no grito da Cruz como no silêncio do sepulcro.

 

O silêncio é o nada donde vem tudo. Não é esse, aliás, o transe da criação?

 

Deixemos, pois, falar a Páscoa no tempo! E façamos ressoar a Páscoa na vida!

 

 

4.  A Páscoa é, sem dúvida, uma festa. Mas é uma festa que começa num fracasso.

 

Eis a lição jamais apreendida num tempo que cultua o êxito como desígnio supremo. E que tende a encarar qualquer adversidade como um obstáculo intransponível.

 

O fracasso de Jesus parecia ser total, definitivo, irrecuperável.

 

Neste sentido, a Páscoa significa que nem a morte é o fim. A Páscoa assinala o começo depois do próprio fim.

 

Tudo está em aberto. E o que conta não são apenas os conceitos já pensados e as soluções já tentadas. O que conta é o novo, aquilo que ninguém (ainda) conhece, aquilo que (ainda) está para acontecer.

 

Adormecida, no nosso interior, está a esperança. Dorme o prolongado sono da resignação, do desalento.

 

É tempo de despertar a esperança. É hora de despertarmos para a esperança!

publicado por Theosfera às 13:59

Não é só de agora o ruído.
 
É claro que, nos tempos que correm, o ruído tornou-se uma enfermidade.
 
Mas outrora também muita coisa se fazia ouvir.
 
Nesta época do ano, na Quaresma, até o silêncio se fazia escutar.
 
Tão suave ele era. Tão humanizante se mostrava. Tanta falta ele faz!
publicado por Theosfera às 11:32

Volta e meia, acabamos por pensar: não tenho tempo.
 
Há muito tempo que não tenho tempo!
 
Estranho. Há tempo para não ter tempo!
publicado por Theosfera às 11:32

Haverá amigos hoje?
 
A inquietação não é de agora. E o cepticismo vem de há muito.
 
Zenão de Eleia, que viveu no século V a.C, era de opinião que só um outro eu poderia ser nosso amigo.
 
Percebe-se o enquadramento, mas entrevê-se também o logro.
 
A desilusão é o mais frequente no campo da amizade. Mas, voltado sobre si, o eu não se reproduz. Quanto mais aumenta, mais encalha.
 
Ainda acredito na amizade do tu.
 
Ainda há quem saiba honrar essa nobre condição de amigo.
 
Quem não falta na hora difícil não falta nunca!
publicado por Theosfera às 11:30

Percebe-se que, ocasionalmente, a transgressão seja vista como uma necessidade.
 
Mas fazer dela uma norma pode ser um logro mortal.
 
Cuidado com certos frentismos vanguardistas. Acabam sempre por nos atirar para o fundo!
publicado por Theosfera às 11:30

Investigadores americanos entendem que a intuição é melhor que o conhecimento analítico.
 
É o chamado efeito do «oráculo emocional».
 
E há uma certa lógica. Se o futuro é diferente, o natural é que não seja repetição.
 
Sucede que as previsões do futuro são feitas a partir do presente.
 
A tendência é para projectar no amanhã o que se vive no hoje.
 
Daí que a (ante)visão faça a diferença.
 
Numa linguagem pascaliana, dir-se-ia que o «espírito de finesse» é tão importante como o «espírito de geometria»!
publicado por Theosfera às 11:28

Há uma nova doença infecto-contagiosa.
 
Chama-se desemprego.
 
Em si mesmo, já custa muito a suportar.
 
Mas o que acarreta acaba por ser ainda mais difícil de digerir. Com o desemprego, pode vir a depressão, podem afastar-se os amigos, pode desmembrar-se a família.
 
Está tudo estudado. E nada parece estar a ser feito.
 
A «doença» ainda está em fase de propagação. Acelerada!
publicado por Theosfera às 11:27

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Profundo e belo!
Simplesmente sublime!
Só o bem faz bem! Concordo.
Sem o que fomos não somos nem seremos.
Nunca nos renovaremos interiormente,sem aperfeiçoa...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
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Lindo e profundo texto, Senhor Doutor. Obrigada pe...
É bem verdade.
linda reflexão!
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