O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010

Agora, que a noite já começa a cair, há uma neblina que, mansamente, se apodera da alma. Esconjura o desespero, mas não afasta a melancolia.

 

Há uma correria pelas ruas e uma mulitdão de viaturas pelas estradas.

 

Esta é uma noite que antecipa a grande tempestade que se prepara.

 

Há sorrisos que timidamente se desenham nos rostos, embora não cheguem a cair na profundidade da alma.

 

A tristeza, por hoje, fica à porta. Ela tem muito tempo para nos embalar.

 

Ainda temos de lhe agradecer, à tristeza, porque, ao menos, ela nos acompanha. Já a alegria parece que nos abandonou.

 

Creio, porém, que um raio de sol há-de vencer a espessura das nuvens.

 

Uma noite serena que consiga alavancar um tempo de paz, condimentado com muita saúde e sempre temperado com bondade.

 

Eis o que desejo. Para todos. Para si.

publicado por Theosfera às 16:42

Portugal está na situação em que se encontra por causa da classe política ou por causa dos cidadãos?

 

Salomonicamente, a resposta é imediata.

 

Porém, o ano que amanhã começa poderá ajudar a perceber um pouco mais a interacção entre estes dois pólos.

 

Conseguirá a classe política melhorar a vida dos cidadãos? E conseguirão os cidadãos ajudar a melhorar a qualidade da classe política?

 

A classe política é como é por causa dos cidadãos? Os cidadãos são como são por causa da classe política?

 

É certo que a classe política emerge da sociedade. Funciona, pois, como um seu espelho.

 

Mas também é verdade que a sociedade está muito condicionada pela classe política.

 

A crise actual deve-se muito à forma como o país tem sido conduzido.

 

E o pior é que se pressente uma anemia e uma espécie de torpor em todos os sectores da sociedade.

 

Há uma mudança preambular a incrementar: a mudança de mentalidades, de cultura, de ética.

 

Uma sociedade madura produzirá uma classe política diferente.

 

O panorama actual não é animador. Mas há caminhos. Não desistamos do país. Não abdiquemos de nós.

 

 

publicado por Theosfera às 11:58

O novo ano pode não ser o melhor. Mas nós podemos ser melhores no ano novo.

 

O ano será novo não porque o tempo avança, mas porque a vida pode mudar.

 

A sua amizade é um tesouro que muito prezo e que transporto para o novo ano e para toda a vida.

 

Muita paz para todos.

 

Abraço amigo. Do fundo do coração.

publicado por Theosfera às 10:59

Politólogos, psicólogos e sociólogos estão desconcertados.

 

Como é que a situação que o país vive não está a provocar manifestações em massa, greves com força e protestos em série?

 

É por demais sabido que as realizações que ainda se vêem são tudo menos espontâneas. São organizadas por instituições, designadamente sindicatos. Têm de ser preparadas com muita antecedência. O impacto é, notoriamente, inferior ao de antanho.

 

Por muito menos já se promoveram acções muito mais ruidosas.

 

Que se passa, então? Porque é que, com uma situação pior, o povo se mostra tão desmobilizado?

 

Há muitas explicações doutas e, sem dúvida, pertinentes.

 

Subsistem, quanto a mim, três leituras.

 

A primeira, e a mais optimista, é que a população está mais madura e prefere o diálogo ao protesto. Não creio, porém, que seja aquilo que se está a verificar.

 

A segunda hipótese, que será a mais pertinente, é que as pessoas estão tão desalentadas que já nem para protestar encontram forças. Não acreditam no poder nem na oposição. Sentem-se a colapsar a partir do fundo.

 

Sobra, entretanto, uma terceira leitura, porventura a mais emergente.

 

Se repararmos bem, a pequena criminalidade está a aumentar. Os assaltos estão a crescer. Já não só de noite. Também de dia, a qualquer hora, haja ou não vigilância. O desespero dá boleia à anarquia. É impossível ignorar o significado de tudo isto.

 

O desnorte é tal que as pessoas já não se juntam para denunciar. O outro não é para convocar. É, crescentemente, para eliminar.

 

O problema é que o alvo já não é sequer o potencial culpado. Começa a ser, cada vez mais, o inocente.

 

Eis o sintoma que esta contracultura está a pôr a descoberto.

 

A tendência já não é sequer para actuar contra o outro. É, cada vez mais, para viver sem o outro.

 

Devíamos pensar nisto. É importante reflectir. E urgente inflectir.

 

Quando o egoísmo insufla a violência, o resultado não pode ser animador.

 

A ausência de acções de rua não nos devia, pois, deixar tranquilos. Há muito desespero alojado nas almas. Quando explodir, os danos poderão ser devastadores. Os estilhaços já se fazem ouvir. Com estrondo! 

 

 

publicado por Theosfera às 10:45

A vida, queiramo-lo ou não, é uma permanente interlocução com a morte.

 

Afinal, já sabemos o desfecho. A morte não convence, mas vence.

 

Além da imortalidade para quem parte, subsiste o rasto para quem fica.

 

Há quem se dê por inteiro e tenha de esperar pela morte para ter o reconhecimento devido.

 

Há quem experimente a mais cruel das solidões: a da ausência, a da ingratidão.

 

Ainda bem que Deus vê o que muitos teimam em não olhar.

 

O bem compensa por si mesmo. Mas aquela presença que não chega na hora própria abre uma ferida na alma que dificilmente cicatriza.

 

Porquê guardar para tarde o que deveria ser oferecido mais cedo?

publicado por Theosfera às 10:44

Confesso que não é este o género de passagem de ano que mais me agrada.

 

Tanto desperdício e folguedo. Tanto ruído e tanta agitação.

 

Chamam a isto alegria e diversão. Mas receio que tudo não passe de uma monumental evasão.

 

Não há ambiente de meditação. Não há clima de oração. Deus é o grande esquecido nestes momentos.  

 

Uma grande noite de oração tinha todo o sentido.

 

 Penaliza-me ver tanta futilidade numa altura tão significativa para as pessoas.

 

Estamo-nos a demitir de ser sal, fermento e luz?

publicado por Theosfera às 00:02

Neste dia, é habitual, à guisa de balanço, indicar qual terá sido o acontecimento do ano.

 

Pois, pela minha modesta parte, queria dizer que o acontecimento do ano é o facto de tanta gente (sobre)viver com tão poucos recursos e com tão reduzidos apoios.

 

Com escolas longe de casa e com hospitais distantes da terra, ainda haver gente (e alegria, apesar de tudo) neste interior é de realçar.

 

Para mim, é o acontecimento do ano. Mais que um acontecimento, é um verdadeiro milagre.

 

Daí que a figura do ano seja o cidadão anónimo, esquecido e abandonado deste interior.

 

Amanhã será melhor. Não por ser ano novo, mas pela vitalidade renovada que as pessoas mostram.

 

Já agora, ao receberes o novo ano, não te embriagues com vinho; embebeda-te, antes, de esperança!

 

Que o Senhor te abençoe, Irmão. Obrigado pela tua vida. Obrigado pelo teu testemunho. Tu és um dom de Deus.

 

Muita paz! Até sempre!

publicado por Theosfera às 00:01

Pressinto que a festa de logo à noite tem mais sabor a evasão do que a celebração.

 

As pessoas querem, sobretudo, esquecer por instantes as agruras de um quotidiano inclemente.

 

A paisagem das almas ressuma abatimento. O esgar dos rostos denuncia melancolia.

 

O meu coração fica apertado e condoído, solidário e impotente.

 

Nestas últimas horas do ano, parece que está a haver mais uma vaga de despedimentos.

 

As pessoas já sabiam que os salários iriam baixar e o custo de vida subir. Agora, muitas são confrontadas com o desemprego.

 

Não se vislumbra bonança para os próximos tempos.

 

A tempestade pode ter feito uma pausa no exterior, mas há temporal com fartura no interior.

 

O poder sufoca as empresas. As empresas não aguentam e despedem.

 

2010 vai-se embora. Não deixa saudades. Deixa, sim, uma herança. Uma herança pesada. Quase insuportável.

 

Mas não esganemos a esperança.

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010

Vou tentar cultivar mais o silêncio, a solidão, o recolhimento, a interioridade.

 

E vou tentar pensar mais na (sapiente) recomendação de Raul Brandão: «É por dentro que as coisas são!».

publicado por Theosfera às 21:47

Pensava eu, Senhor,

que o Teu nascimento era uma questão do passado,

arrumado nas arcas bafientas da História

e remetido para as estantes quilométricas das bibliotecas.


Pensava eu, Senhor,

que tudo estava conhecido,

que tudo era sabido,

que tudo estava finalizado.


Pensava eu, Senhor,

que Tu já tinhas sido e nascido

e que nada mais restava que uma piedosa evocação

da Tua passagem por este nosso mundo.


Esqueci, Senhor,

que Tu não Te limitaste a nascer há dois mil anos.

Esqueci, Senhor,

que Tu continuas a nascer e a renascer hoje também.


Nós vemos-Te nascer

na criança linda,

no jovem viçoso,

no adulto pujante,

no idoso caído

e até no moribundo sofrente.


Nós vemos-Te, Senhor,

neste campo infindo que é o mundo,

nesta pátria imensa que é o tempo

e neste território enorme que é o coração da cada homem.


Semeia, Senhor, em nós

o Teu permanente advento e o Teu perene Natal

nas vidas que Tu chamas a serem eco da Tua vida.



Inunda cada ser humano com o fogo da Tua paixão

e com o manto da Tua humildade e mansidão.


Que a Tua bondade a todos chegue

e em todos penetre.


Humaniza os nossos corações

e fraterniza os nossos sentimentos.


Torna-nos parecidos conTigo

e faz de nós mensageiros

da tua infinita paz.

publicado por Theosfera às 21:35

O Natal é belo quando é sonhado.

O Natal é lindo quando é cantado.

O Natal é encantador quando é tingido de frio e regado de neve.

O Natal é importante quando não é esquecido.

O Natal é bom quando é celebrado.

Mas o Natal é melhor quando é vivido,
partilhado,
abraçado,
chorado,
humanizado,
fraternizado,
assumido
e projectado no mundo inteiro.

publicado por Theosfera às 21:34

Ele veio por causa do amor. E nós, tantas vezes em Seu nome, lutamos pelo poder.

 

Ele deixou-nos um mandamento. E nós, em vez de nos ocuparmos com o conteúdo do mandamento (o amor), ficamo-nos pela forma: pelo acto de mandar!

 

É triste. É pouco.

 

Sim, Deus é todo-poderoso, mas todo-poderoso no amor.

 

Como dizia sapientemente Paul Ricoeur, Deus é o todo-amoroso.

publicado por Theosfera às 21:33

1. A nossa época não é (seguramente) a primeira nem será (provavelmente) a última da História. Pelo menos, não é a primeira que pensou ser a última.

 

Não se justificam, por isso, os alarmismos que costumam pontuar as passagens de ano e que ecoaram com particular incidência na recente transição de milénio.

 

As teses de Francis Fukuyama sobre o fim da História e o último Homem pecam por precipitadas e, aliás, o próprio autor já procedeu à respectiva correcção.

Mas um voltar de página na contagem do tempo também não é um acidente, um registo cronológico totalmente inócuo. Costuma ser tingido de alegria e vir carregado de esperança.

 

É essa alegria que importa prolongar e é essa esperança que nos cabe esticar e estender ao longo do ano.

 

 

2. A humanidade sempre foi marcada pela «nostalgia do futuro» de que fala Raymond Ruyer.

 

A História do Mundo também pode ser descrita como sendo a História do Fim. As perguntas acerca do para onde? e do para quê? ocuparam mentes e encheram páginas no decurso dos séculos.

 

O ser humano sempre teve o seu olhar dirigido para a frente, para o futuro, para o fim. É natural que, na proximidade do fim do ano, esse olhar se intensifique, embora nem sempre venha emoldurado com o desejado entusiasmo.

 

Usando duas conhecidas expressões de Jacques Séguy, dá a impressão de que os «paraísos encontrados» pelo coração facilmente se transformam em «paraísos perdidos» na realidade quotidiana.

 

É por isso que o pensamento do fim assusta um pouco o comum das pessoas. O terreno em que aparece o amanhã surge demasiado movediço. O fim desponta mais como destruição do que como plenitude.

 

Como sintetiza Jean Delumeau, há um contraste entre «dois sentimentos que se opõem. Por um lado, assistimos aos progressos contínuos da ciência e da técnica e apreciamos o conforto que nos trazem. Por outro, constatamos com melancolia que a ciência e a técnica não deram os resultados com que muitos dos nossos antepassados contavam. A verdade é que a felicidade continua a fugir diante de nós e de nada parece servir corrermos cada vez mais velozmente atrás dela».

 

 

3. Dir-se-ia que ao encanto da utopia sucedeu o impacto da contra-utopia.

 

A «invasão do pessimismo», a que alude Jean Delumeau, teve em Karl Krauss uma das mais arrepiantes formulações: «A cultura já não tem qualquer possibilidade de respirar. Há uma humanidade morta deitada ao lado das suas obras, que lhe custaram tanto espírito a inventar que já não lhe resta nenhum para se servir delas. Fomos complicados quanto baste para construirmos a máquina e somos demasiado primitivos para a pormos ao nosso serviço».

 

Também Oswald Spengler considera que «os mundos científicos são mundos superficiais, práticos, sem alma, meramente extensivos». Jacques Bouveresse entende que este é o preço que temos de pagar pelo progresso: «O que perdemos em sonho ganhámos em realidade; a nossa época é uma época de realizações e as realizações são sempre decepções»!

 

Nem sempre, responderemos. Mas é um facto que a decepção é o sentimento dominante em muitos espíritos.

 

2010 não fugiu à regra. Houve instabilidade, manteve-se a incerteza, prosperou a insegurança. O país não está bem. O resto do mundo não se sente melhor.

 

A justiça está longe. A paz permanece distante. As perspectivas não são muito animadoras.

 

 

4. É nestas alturas que temos de convocar as energias da esperança.

 

Não podemos descrer nem capitular. Os problemas existem não para nos vencerem mas para serem vencidos por nós.

 

Há que empreender na busca da nossa verdadeira vocação: enquanto pessoas e enquanto humanidade. «A humanidade inteira — escreve Jean Delumeau — tem

uma vocação e cada um de nós é chamado a um destino que deve levá-lo até Deus».

 

No fundo, trata-se, na linha do que defendia Teilhard de Chardin, de «pancristianizar o universo». É esta, como recomenda John Eccles, a nossa autêntica natureza: «Procurar a esperança na busca do amor, da verdade e da beleza».

 

Feliz ano novo!

publicado por Theosfera às 21:32

Um ida ao cemitério da nossa terra natal começa a ser, a partir de certa altura, mais que uma romagem de saudade.

 

É, cada vez mais, uma amostra do nosso percurso e uma antecipação do nosso futuro. No fundo, vou descobrindo que já comecei a morrer há muito.

 

Muitas das pessoas que estimei (e que me estimaram) já desceram á terra. Como podia não ter descido com elas?

 

Lá se encontram sepultados tantos corpos. Lá acabam por estar também muitas das nossas confidências, muitos dos nossos sonhos.

 

As pessoas que já estão depositadas na terra abriram-nos portas e acenderam-nos luzes.

 

Outros foram fechando o que eles abriram e apagando o que eles acenderam.

 

É possível que seja nostalgia, mas é uma sensação muito forte: o melhor que conheci já desceu à terra. Voltará a ressurgir?

 

Não se descortinam ideias mobilizadores, afogam-se os ideais de esperança, estigmatizam-se e aprisionam-se as alvoradas ridentes.

 

Tudo parece soturno neste fim de ano.

 

Os dias estão tristes, como a alma.

 

As pessoas de bem não ocultam a preocupação diante do futuro.

 

O calculismo e a ambição tomam conta do palco e pautam a agenda.

 

A inveja alia-se à mediocridade e asfixia toda e qualquer tentativa de diferença.

 

Não sei como nem quando, mas sei que uma aurora feliz há-de irromper dos escombros.

 

Acredito na réstia de pureza e autenticidade que povoam vidas de excepção.

 

Não há manhã sem haver noite.

 

Ainda não vemos a alvorada, mas o melhor acabará por (re)surgir.

 

Perdoemos aos que destroem e demos as mãos aos que estão a (re)construir.

 

Acredito num futuro melhor. Sobretudo porque o parto, a partir do presente, é doloroso.

 

Mas haverá algo de bom e de belo que sobrevenha sem dor?

 

Afinal, até as rosas têm espinhos. E não são os espinhos que ofuscam a beleza das rosas...

publicado por Theosfera às 15:21

Chamava-se Isaura. Era minha Avó, Mãe da minha Mãe. A única Avó que conheci.

 

 

Tinha eu 9 anos e ela 74 quando, a 1 de Novembro de 1974 (já Portugal se tinha reencontrado com a liberdade e a democracia), fomos ao cemitério. Fomos, não. Foram meus Pais e meu Irmão. Eu fiquei no carro com a minha Avó.

 

 

Nunca mais esqueço o que ela me disse a certa altura: Olha, meu neto, se calhar daqui a um ano também já me vens visitar aqui, ao cemitério! Não liguei, mas não esqueci.

 

 

A 30 de Dezembro daquele ano, manhã cedo, andava com meus Pais a apanhar azeitona, quando alguém vem dizer que minha Avó tinha tido uma trombose.

 

Imediatamente se chamou o Médico, que prontamente apareceu. Mas não houve nada a fazer. Minha querida Avó partiu para Deus, após uma vida sacrificada.

 

 

Todos a conheciam por Isaurinha de Porto de Rei, o lugar onde viveu. Aliás, na minha terra havia quem me identificasse a mim e ao meu Irmão como os netos da Isaurinha de Porto de Rei.

 

 

Sei que chorei bastante com as saudades. Foi a primeira vez que senti a morte de muito perto. Há 36 anos. Completam-se hoje.

 

 

Nunca deixei de rezar por ela. Sei que está junto de Deus. E conservo a imagem de uma pessoa de bem no meu coração.

publicado por Theosfera às 15:20

Tornou-se uma frase feita, um cliché: a família está em crise.

 

Mas o importante não é tanto o diagnóstico. É a terapia, a alternativa, a vontade.

 

Que queremos fazer para revitalizar a família?

 

Uma coisa é certa: o mundo será o que for a família.

 

A família é um pequeno mundo. O mundo deve ser uma grande família.

 

A família reproduz o que se passa no mundo. O mundo amplifica o que se passa na família.

 

Família tornou-se uma palavra polissémica.

 

Nela cabe o mais desencontrado.

 

É bom realçar a sua pluralidade. Mas é importante destacar também a sua singularidade.

 

Explico-me.

 

Família deve ser tudo: a família de sangue, a família de fé, a família do local de trabalho, a família humana.

 

Só que é necessário fazer sentir que a família tem algo de único e muito de irrepetível.

 

Defender a estabilidade do conceito de família é fundamental para estabilizar.

 

Apostemos na família. O mundo sentirá a diferença.

publicado por Theosfera às 10:27

Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2010

«Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles forem meus, não seus. Se o criador o tivesse querido juntar a mim não teríamos talvez dois corpos ou duas cabeças também distintas. Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição venha a pensar o mesmo que eu; mas nessa altura já o pensamento lhe pertence. São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem».

Assim escreveu (primorosa e magnificamente) Agostinho da Silva.

publicado por Theosfera às 21:23

Percebe-se que, por vezes, haja necessidade de advertir. Mas haverá alguma legitimidade para condenar?

 

A liberdade, pela sua própria natureza, preceitua a pluralidade e acolhe a diferença.

 

No quadro desta diferença, é admissível que haja alguém que funcione como alerta. O diálogo é tecido de fluência, influência e refluência. Em relação à verdade, ninguém é dono. Todos somos peregrinos na sua busca.

 

É por isso que, na liberdade, a descoberta não exclui a possibilidade do erro. Mas alguma vez será lícito o castigo por errar?

 

Só não erra quem não busca. Só não cai quem não caminha.

 

Hoje, graças a Deus, já não há execuções na fogueira. Mas, infelizmente, ainda sobram algumas imposições ao silêncio.

 

Aceita-se que nem tudo o que Leonardo Boff e Bernhard Häring escreveram esteja concorde com a ortodoxia. Percebe-se que, fraternalmente, se chame a atenção. Mas será que punir pelo que se pensa é uma atitude cristã?

 

Confesso que Leonardo Boff nunca fez perigar a minha fé. Pelo contrário, até acrescentou entusiasmo ao meu crer de adolescente e jovem.

 

Jesus Cristo LibertadorA Trindade é a melhor comunidade, A Graça libertadora no mundo ou A vida para além da morte mostram, para lá de recursos conceptuais, uma vibração enorme.

 

São livros que trouxeram o tesouro de sempre para o tempo de hoje. Mais: conseguiram arriscar, tomar uma posição. Os preteridos passaram a preferidos, a protagonistas. Quem? Os pobres.

 

O que Boff assinala em A Igreja, carisma e poder estará atravessado por algum excesso. Mas isso é o preço de quem não fica de braços cruzados.

 

Que houvesse um diálogo fraterno aceita-se. Mas que se imponha silêncio a quem faz da palavra forma de vida e instrumento de serviço é algo que deixa um desconforto na alma.

 

Reconheço que, embora caladamente, o acompanhamento do processo movido a Leonardo Boff foi das primeiras grandes decepções que tive na vida.

 

Entre cristãos, entre discípulos do mesmo Jesus, as coisas não poderiam ser resolvidas de outra maneira?

 

Será que um teólogo também não recebe inspiração?

 

Foi Paulo que disse que Jesus Cristo nos libertou para a liberdade.

 

É importante habituarmo-nos à largueza de horizontes de Cristo. E o próprio Cristo fala não apenas pela voz da autoridade.

 

Aliás, se a autoridade em nome de Cristo é um serviço, é como irmãos (e jamais como senhores) que temos de nos ver e como servos que temos sempre de nos comportar.

 

Um servo serve. Avisa. Mas nunca condena.

 

 

publicado por Theosfera às 14:05

A liberdade é, sem dúvida, um caminho para a paz. Aliás, a ausência de liberdade acarreta, quase sempre, a asfixia da paz e, consequentemente, o desencadear das guerras.

 

No Egipto, os judeus prosperavam. Tinham tudo. Excepto liberdade. Não aguentaram. Rebelaram-se e empreenderam os caminhos do êxodo, guiados por um Deus (Ele mesmo) libertador.

 

A liberdade pertence, pois, à natureza constitutiva do Homem. «Só presto para ser livre», afirmou Miguel Torga.

 

A liberdade religiosa inscreve-se aqui, no horizonte da liberdade humana.

 

A liberdade de crer (ou não crer) tem de ser integralmente respeitada.

 

Sabemos, porém, que este é um direito que está longe de ser adquirido.

 

Nos últimos tempos, têm-se multiplicado atentados e ceifado vidas.

 

Há quem não aceite o diferente. Há quem não suporte a crença diferente. A paz fica ameaçada.

 

Mas há outro ângulo do problema que importa contemplar.

 

A liberdade religiosa, para ser um direito, tem de constituir um dever.

 

É fundamental proclamá-la, mas é urgente, acima de tudo, cultivá-la.

 

A liberdade religiosa inclui a liberdade em cada religião.

 

A liberdade de cada crente há-de ser incrementada nas religiões.

 

É preciso ter presente que não são apenas os sistemas políticos que se demitem de promover a liberdade religiosa. As próprias religiões, que invocam a liberdade para si, nem sempre a estimam com a intensidade devida.

 

A conjugação entre liberdade e paz não resplandece com a transparência esperada no universo das religiões.

 

As religiões não mostram ter uma relação muito livre com a paz nem uma relação muito pacificada com a liberdade.

 

De facto, a paz é muito condicionada e, por vezes, assimilada até à submissão pura e simples. No fundo, só quem aceitar não ser totalmente livre parece ser deixado em paz. Mas será paz esta paz?

 

Por aqui se vê que a relação das religiões com a liberdade não é muito pacífica. Não raramente, até é bastante atribulada. A diferença é, quase sempre, estigmatizada. O outro nem sempre é bem-vindo. A crítica dificilmente é tolerada. Como pode haver uma relação pacífica com a liberdade se a diferença é rejeitada? 

 

Afinal, a consciência de cada um é uma instância de revelação do próprio Deus. Como é possível atentar, então, contra a liberdade?

 

Há, nas religiões, quem seja ameaçado, marginalizado. Há quem sofra processos. Há quem seja condenado a não publicar e a não falar.

 

A coerência impõe, como preceito elementar de decência, que pratiquemos o que, justamente, reivindicamos.

 

A liberdade religiosa é um bem inestimável. E tem de despontar como uma prioridade para todos. A começar pelas próprias religiões.

 

Nem sempre as religiões convivem facilmente com a liberdade.

 

Se Deus nos criou livres, como é que podemos, em nome de Deus, ferir a liberdade? 

publicado por Theosfera às 00:02

A História do Mundo também pode ser descrita como sendo a História do Fim. As perguntas acerca do para onde? e do para quê? ocuparam mentes e encheram páginas no decurso dos séculos.

 

O ser humano sempre teve o seu olhar dirigido para a frente, para o futuro, para o fim. É natural que, na proximidade do fim do ano, esse olhar se intensifique, embora nem sempre venha emoldurado com o desejado entusiasmo.

 

Usando duas conhecidas expressões de Jacques Séguy, dá a impressão de que os «paraísos encontrados» pelo coração facilmente se transformam em «paraísos perdidos» na realidade quotidiana.

 

É por isso que o pensamento do fim assusta um pouco o comum das pessoas. O terreno em que aparece o amanhã surge demasiado movediço. O fim desponta mais como destruição do que como plenitude.

 

Como sintetiza Jean Delumeau, há um contraste entre «dois sentimentos que se opõem. Por um lado, assistimos aos progressos contínuos da ciência e da técnica e apreciamos o conforto que nos trazem. Por outro, constatamos com melancolia que a ciência e a técnica não deram os resultados com que muitos dos nossos antepassados contavam. A verdade é que a felicidade continua a fugir diante de nós e de nada parece servir corrermos cada vez mais velozmente atrás dela».

 

 É nestas alturas que temos de convocar as energias da esperança.

 

Não podemos descrer nem capitular. Os problemas existem não para nos vencerem mas para serem vencidos por nós.

 

Há que empreender na busca da nossa verdadeira vocação: enquanto pessoas e enquanto humanidade. «A humanidade inteira — escreve Jean Delumeau — tem uma vocação e cada um de nós é chamado a um destino que deve levá-lo até Deus».

 

No fundo, trata-se, na linha do que defendia Teilhard de Chardin, de «pancristianizar o universo». É esta, como recomenda John Eccles, a nossa autêntica natureza: «Procurar a esperança na busca do amor, da verdade e da beleza».

publicado por Theosfera às 00:01

É sempre fecundo e estimulante o encontro com os sábios.

 

Num tempo em que abundam os especialistas, faz sempre bem escutar aqueles que aprofundam os temas e rasgam horizontes.

 

Confesso que não sei até onde chega o tesouro de Xavier Zubiri.

 

Falecido há quase 30 anos, continuam a ser publicados livros inéditos com uma cadência impressionante.

 

Neste ano, quase a terminar, vieram a público o segundo volume dos cursos universitários (que abrem com uma espantosa análise das Confissões de Santo Agostinho) e Acerca del mundo.

 

A amplitude de recursos fica bem patente nestas páginas. A abrangência de perspectivas é, na verdade, avassaladora.

 

O mundo é a totalidade e, sobretudo, a humanidade.

 

Destaque para o tratamento dispensado à evolução e à história.

 

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 28 de Dezembro de 2010

Estes tempos, marcados pela egolatria, propendem a colocar o outro atrás e por baixo.

 

Ora, o segredo da convivência e o alicerce da amizade não vão por este (des)caminho.

 

O outro não pode ser visto atrás e por baixo. Nem sequer ao lado. O outro deve estar dentro.

 

Devo sentir o outro como fazendo parte de mim.

 

O outro não é inferior a mim. O outro é essencial para mim.

 

Só quando olhar o outro como uma parte de mim caminharemos na direcção de uma existência verdadeiramente solidária.

 

Só então o sonho de uma filadélfia (povo de amigos e de irmãos) poderá ganhar contornos de realidade.

publicado por Theosfera às 16:37

Na proximidade do fim do ano, há muitos corações timoratos com o fim do mundo.

 

Mas medo porquê? Era bom que houvesse um fim de mundo, um fim deste mundo, deste mundo de ódio, violência e vingança.

 

E que sobreviesse um outro mundo, de paz, concórdia e justiça.

 

Está nas nossas mãos acabar com este mundo e fazer nascer o mundo novo!

 

Formula desejos para o próximo ano. Sim.

 

Mas não deixes de formular desejos para o próximo dia, para a próxima hora, para o próximo instante.

 

Aposta tudo (e em plenitude) no momento que te é dado viver!

publicado por Theosfera às 11:28

Creio que terá sido Churchill, homem de língua afiada e pensamento fulminante, a dizer que as condecorações não se pedem, não se recusam e não se usam.

 

Há, no entanto, quem, além de não as pedir e usar, tenha a coragem de as recusar. E à frente de quem as atribui.

 

O caso passou-se no Brasil e dá que pensar.

 

O Bispo emérito de Limoeiro do Norte, D. Manuel Edmilson da Cruz, de 86 anos, recusou a Comenda de Direitos Humanos D. Hélder Câmara, entregue, no Senado Federal, a pessoas que se destacaram na defesa dos Direitos Humanos.

 

D. Edmilson disse que receber a Comenda seria «um desrespeito aos direitos humanos do contribuinte» por causa do aumento de 61% do salário que os parlamentares deram a si mesmos na semana passada.

 

«A condecoração hoje outorgada não representa a pessoa do grande D. Hélder Câmara. Desfigura-a. Sem ressentimentos e agindo por amor e por respeito a todos os Senhores e Senhoras, pelos quais oro todos os dias, só me resta uma atitude: recusá-la!», disse o bispo.

Para D. Edmilson, o aumento do salário recebido pelos parlamentares deveria ser na mesma proporção do aumento do salário mínimo e do aposentado.

 

«O aumento deveria observar sempre a mesma proporção que o aumento do salário mínimo e da aposentadoria. Isto não acontece. O que acontece, repito, é um atentado contra os Direitos Humanos do nosso povo».

Trata-se, sem dúvida, de um gesto de grande densidade profética e com um profundo alcance natalício. Ele respeita a iconografia do presépio pois está em linha com a simplicidade de Jesus.

 

Este bispo merecia a distinção. Contudo, recusou-a.

 

Ficou, porém, com a melhor condecoração: a do dever cumprido.

 

Como é refrescante a atitude de um homem livre!

publicado por Theosfera às 10:56

Segunda-feira, 27 de Dezembro de 2010

1. O presépio ainda está montado, mas a lição do presépio há muito foi esquecida. Alguma vez terá sido apreendida?

 

Até parece que a manjedoura ficou, para sempre, em Belém. É certo que, nesta altura, podemos vê-la em muitas igrejas, mas será que a podemos encontrar no dia-a-dia da Igreja? Que é feito da simplicidade dos começos?

 

É muito pertinente, por isso, a observação de Juan Laboa Gallego. Às vezes — diz — «dá a impressão de que em Jerusalém ficou a coroa de espinhos e em Roma a tiara». 

 

É claro que há sempre o risco de subsistir algum simplismo nestas sínteses.

 

Pedro e Paulo não foram para Roma à procura de qualquer poder. Eles mantiveram-se pobres e foram até martirizados. O problema veio depois.

 

Sem entrar em polémicas, é sabido que o facto de a Igreja ser dirigida a partir de um Estado causa alguma perplexidade. Como sustentar o Estado do Vaticano sob o ponto de vista bíblico e teológico?

 

 

2. Hoje em dia, já não estão em jogo as pretensões de outrora. Tratar-se-á de uma forma de agilizar uma presença que se deseja universal, junto de todos.

 

 Mas não há dúvida de que a figura de um Estado é difícil de articular com o princípio que alicerça a Igreja.

 

 Não esqueçamos que o Fundador (e perene Fundamento) da Igreja deixou bem claro que recusava qualquer poder deste mundo.

 

 Ao estender-se pela terra, a Igreja foi assimilando as formas de ser e de estar de cada ambiente. Em Roma, assimilou o império.

 

Talvez impressione que, volvidos tantos séculos, ainda não se tenha optado por um desprendimento maior.

 

 Ninguém estará à espera de que, nos próximos tempos, apareça um papa Cirilo (personagem central de As sandálias do pescador, de Morris West) a desfazer-se por completo do Vaticano.

 

 Mas não há dúvida de que era tempo de, também neste ponto, nos aproximarmos mais de Jesus.

 

 

3. Não convencemos apenas pelas palavras. Aliás, ninguém será convencido pelas palavras se os gestos não estiverem em conformidade com elas.

 

Como Jesus foi sempre a transparência do Pai — «quem Me vê, vê o Pai» (Jo 14, 9) —, não deveria a Igreja procurar ser a transparência de Jesus?

 

Para tal, não basta ser o eco das Suas palavras. É fundamental procurar ser a reprodução das Suas atitudes, dos Seus gestos.

 

Daí que falar em nome de Jesus Cristo num ambiente de pompa crie uma profunda sensação de desconforto. A credibilidade fica, imediatamente, ferida.

 

A este propósito, vem-me à lembrança a alusão que, entre o desapontamento e a ironia, faz Sören Kierkegaard ao bispo de Copenhaga.

 

Revestido de paramentos com filamentos de ouro e um báculo e uma mitra debruados de pedras preciosas, avança o prelado pela catedral, com todo o seu séquito em esplendor.

 

Senta-se, então, num cadeirão de prata e dá início à sua homilia sobre a pobreza. E ninguém se ri!

 

Se calhar, o melhor seria chorar. É que, sem a ressonância da vida, a palavra não passa de ornamento retórico.

 

 

4. Jesus é a Palavra feita vida e a vida feita Palavra. Palavra e vida estão unidas em Jesus.

 

Num tempo em que se gritam tantas palavras, faz pena que a Palavra de Jesus seja remetida ao silêncio e atirada para o esquecimento.

 

Se a memória a guarda, a prática, muitas vezes, parece que não a acolhe.

 

A Igreja tem de procurar ser espelho e jamais pode ser muro.

 

Assim, quando arrumarmos as peças do presépio, não atiremos para longe a manjedoura.

 

Retenhamos a sua permanente lição. A manjedoura é o certificado da humildade de Deus e o convite ao despojamento da Igreja.

 

Deus não está no mundo pela pompa. Deus vem pela simplicidade e pela pobreza.

 

Uma Igreja pobre será (sempre) a maior riqueza que teremos para oferecer.

publicado por Theosfera às 11:08

Foi há apenas dois dias.
 
Foi. Quer dizer que já não é.
 
Parece aliás que foi há muito tempo e que passou por nós como uma seta.
 
Que fizemos do Natal?
 
Onde escondemos o seu encanto?
 
Para onde despachámos o seu conteúdo? A sua mensagem? Os seus apelos?
 
O dia de Natal deveria ser o dia do grande encontro. Do permanente advento. Da perene celebração da chegada de Deus ao mundo, o maior presente que o céu ofereceu a terra e a melhor prenda que a terra ofereceu ao céu.
 
A qualidade do Natal não se vê nas coisas. Vê-se — ou deveria ver-se — nas atitudes. Nas decisões. Nos comportamentos. Nos gestos.
 
O dia de Natal deveria ser, portanto, um estímulo para que todos os dias fossem dias de Natal. Isto é, dias de nascer para Aquele que nasce em nós.
 
Porque Natal foi quando Deus quis.
 
E porque Ele quis fazer Natal, haverá Natal quando nós quisermos. Eu e tu.
publicado por Theosfera às 11:06

Hoje é dia de S. João Evangelista, o Homem da Palavra, o Homem do Amor. A grande Palavra é o Amor. O Amor é a maior Palavra.

 

O seu Evangelho começa pela exaltação da Palavra que está em Deus, da Palavra que é Deus e da Palavra que Se faz carne.

 

A sua vida termina com a apologia do amor. Além do que diz nas Cartas (Deus é amor), consta que, já idoso, sendo muito requisitado para falar aos cristãos, limitava-se a repetir: «Meus filhos, amai-vos uns aos outros».

 

Os ouvintes, a determinada altura, resolveram questioná-lo: «Tudo bem, João, mas nada mais tens para nos dizer?» 

 

E o Apóstolo respondia: «Nada mais tenho para vos dizer, porque nada mais é necessário dizer, só o amor basta».

 

Só o amor, viria a dizer muitos séculos depois von Balthasar, é digno de fé!

publicado por Theosfera às 10:59

Domingo, 26 de Dezembro de 2010

«Leio o teu nome
Na página da noite:
Menino Deus…
E fico a meditar
No milagre dobrado
De ser Deus e menino.
Em Deus não acredito.
Mas de ti como posso duvidar?»

Assim poetou (meditativa e magnificamente) Miguel Torga.

publicado por Theosfera às 15:00

A encarnação não foi. A encarnação é. Joahnnes Mölher, o célebre teólogo de Tübingen do século XIX, olhava para a Igreja como a encarnação permanente.

 

A questão que se coloca, então, tem que ver com o modo como estamos a concretizar, ou não, o perfil, a mensagem e a pessoa de Jesus Cristo.

 

A Igreja está em Cristo. Cristo está na Sua Igreja. É essa a vontade Sua. Mas será sempre essa a realidade nossa? É óbvio que estaremos sempre longe da plenitude, mas que esforço estaremos a fazer para nos aproximarmos do centro?

 

Cristo está na Sua Igreja, sem dúvida. Este é o alicerce. Olhemos, entretanto, para o quotidiano.

 

Está na Igreja a Sua oração? Está na Igreja a Sua coragem? Está na Igreja a Sua simplicidade? Está na Igreja o Seu amor? Está na Igreja a Sua pobreza?

 

Está na Igreja a Sua dedicação pelos pobres? Está na Igreja a Sua paixão pelo humano? Está na Igreja a Sua prioridade em relação ao Pai? Está na Igreja a Sua inquietação?

 

Está na Igreja a Sua humildade? Está na Igreja a Sua paz? Está na Igreja o Seu despojamento?

 

Por aqui se vê como a mudança é necessária e, além de necessária, urgente.

 

Mas mudança rima com esperança. A encarnação, além de acontecimento perene, é urgência actual.

 

É sempre Natal da Igreja. Ela é chamada a renascer constantemente para Cristo.

 

publicado por Theosfera às 14:58

Há dois mil anos, Jesus nasceu no tempo.

 

Na Eucaristia, Ele renasce na nossa vida.

 

No templo e na vida, continua a ser Natal.

 

Na palavra e no pão é Jesus que, de novo, vem ao nosso encontro.

 

Na palavra e no pão, hoje nasce, de novo, o nosso Salvador, Jesus Cristo Senhor.

 

Nasce na humildade, convida-nos ao despojamento, incita-nos à esperança, convoca-nos para a mudança.

 

Alegremo-nos no Senhor. Inundemos de alegria esta noite. «Não pode haver tristeza quando nasce a vida».

 

Enchamos de paz a nossa vida. «O nascimento de Cristo é o nascimento da paz».

 

No princípio, era a Paz. A Paz estava com Deus. A Paz era Deus.

 

Em Cristo, a Paz fez-se carne. E habitou entre nós.

publicado por Theosfera às 14:56

Sábado, 25 de Dezembro de 2010

Hoje é dia de ser bom.

É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,

de falar e de ouvir com mavioso tom,

de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros. coitadinhos. nos que padecem,

de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,

de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,

de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.

É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,

como se de anjos fosse,

numa toada doce,

de violas e banjos,

entoa gravemente um hino ao Criador.

E mal se extinguem os clamores plangentes,

a voz do locutor

anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu

e as vozes crescem num fervor patético.

(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?

Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.

Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.

Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas

e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,

com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,

cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,

as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,

ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.

É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,

como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.

Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.

E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento

e compra. louvado seja o Senhor!. o que nunca tinha pensado comprado.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.

Naquela véspera santa

a sua comoção é tanta, tanta, tanta,

que nem dorme serena.

Cada menino

abre um olhinho

na noite incerta

para ver se a aurora

já está desperta.

De manhãzinha,

salta da cama,

corre à cozinha

mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza

da matutina luz

aguarda-o a surpresa

do Menino Jesus.

Jesus

o doce Jesus,

o mesmo que nasceu na manjedoura,

veio pôr no sapatinho

do Pedrinho

uma metralhadora.

Que alegria

reinou naquela casa em todo o santo dia!

O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,

fuzilava tudo com devastadoras rajadas

e obrigava as criadas

a caírem no chão como se fossem mortas:

Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Já está!

E fazia-as erguer para de novo matá-las.

E até mesmo a mamã e o sisudo papá

fingiam

que caíam

crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,

Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,

de Sonhos e Venturas.

É dia de Natal.

Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.

Glória a Deus nas Alturas.

Assim poetou (sublime e magnificamente) António Gedeão.

publicado por Theosfera às 01:23

Sexta-feira, 24 de Dezembro de 2010

Eis um dia que devia pretextar alguma meditação e muito encantamento.

 

Deus entra na nossa história não pela via da opulência, mas pela via da humildade.

 

O sinal de Deus não está num palácio. Está numa manjedoura.

 

Eis a lição jamais devidamente apreendida. É tão frequente, nestes dois mil anos, ouvir falar do presépio num ambiente de pompa, com vestes sumptuosas.

 

Divino (eis a permanente interpelação) não é o grande caber no grande. Isso qualquer humano consegue. Divino é o infinitamente grande caber no infinitamente pequeno.

 

Vale a pena recordar, a este propósito, o aforismo de Hölderlin: «Non coerceri maximo, contineri tamen a minimo, divinum est» («Não ser abarcado pelo máximo, mas deixar-se abarcar pelo mínimo, isso é que é divino»).

 

Há, aqui, uma inversão de valores, reconhecida, aliás, por Maria no Magnificat: humilhação dos soberbos e exaltação dos humildes (cf. Lc 1, 52).

 

De facto, Deus inverte o máximo e o mínimo, o maior e o menor, o grande e o pequeno.

 

O máximo é o que parece mínimo. O maior é o que se apresenta como menor. O verdadeiramente grande é o que nos surge como pequeno.

 

Quando aprenderemos a lição da manjedoura? 

publicado por Theosfera às 00:06

1. Dizer que o Natal é uma portentosa lição de humanidade pode soar a trivialidade. Não é por isso, porém, que deixa de ser uma grande verdade.
 
O Natal mostra-nos que Deus aparece no Homem, que Deus também assume forma humana. Aparece não a partir do topo, mas a partir da base. Aparece não como rei poderoso, mas como criança indefesa.
 
Eis um dos principais motivos do ateísmo: porque uns se recusam a fazer o movimento de Deus até ao Homem, não falta quem se recuse a percorrer o caminho do Homem até Deus.
 
A tragédia do nosso tempo é a desumanidade entre os homens. E para esse pecado concorrem não somente os não crentes. Nem os crentes lhe são imunes. Não são capazes de ver Deus no Homem. Não se mostram disponíveis para ver o Homem no Homem. 
 
Às vezes, chego a pensar que muitos de nós, crentes, conseguem a proeza de serem menos humanos que o próprio Deus. Basta olhar para Jesus. Basta olhar para nós. Quem é mais humano?
 
Em Jesus, Deus humaniza-Se. Ele não nos retira humanidade. Pelo contrário, acrescenta-nos humanidade. Faz-Se o que nós somos. E, como adverte Ireneu, oferece-nos a possibilidade de sermos o que Ele é.
 
 
2. Reconduzir, por conseguinte, o Natal a Jesus não nos leva a perder nada. Só nos leva a ganhar, a ganhar-nos.
 
Não tenhamos medo de dizer que o Natal é o nascimento de Jesus. Isso não nos desvia de nós. Jesus é a revelação da humanidade renovada. Ele encarna o humano na sua pureza, na simplicidade, na humildade, no amor, na proximidade, na alegria, na paz.
 
Importante é projectar o espírito do Natal a todo o ano, a toda a vida. Há muita gente que se deprime (ainda) mais pelo Natal. E não é só pela recordação dos familiares e amigos que faleceram. É sobretudo pela certificação de que se fica pela superfície, pela fachada, pela aparência.
 
Damos muita coisa, mas não nos queremos dar a nós. Há pessoas que estão cada vez mais sozinhas, abandonadas. Os pobres estão cada vez mais pobres. As injustiças aumentam. A desesperança dispara.
 
Praticamos alguma caridade nesta altura para massajar o ego e preencher algum currículo. No resto do ano, avulta a atitude de sempre: indiferença.
 
 
3. Dói, de facto, ver tanta hipocrisia e tamanha ligeireza por estes dias. Falta parar. Falta contemplar. Falta olhar. Falta cumprimentar. Falta abraçar.
 
Há um défice espiritual muito entranhado na nossa cultura. É preciso reaprender o que nos chega de Belém e, mais profundamente, do seio de Deus. Crentes ou não crentes, todos os seres humanos são o que estão destinados a ser: imagem de Deus.
 
Porque é tão difícil ver como Deus? Se não conseguimos ver como Deus, peçamos os olhos de Deus. Vejamos com os Seus olhos.
 
O presépio ensina-nos que Ele está em todo o ser humano. Até os que se pensam longe d'Ele ostentam traços da Sua presença.
 
Ao contrário do que ainda se insinua, Deus não é inimigo do Homem nem o travão das suas esperanças. Deus é aliado do Homem. Como sublinhava Ruiz de la Peña, «é paixão pelo humano». Não sufraga acriticamente a ordem social vigente. Antes a questiona e transforma. «Deus faz dos últimos primeiros, dos pequenos grandes, dos pecadores justos e dos que choram bem-aventurados».
 
 
4. O Natal mostra que nos podemos reencantar incessantemente. Deus, quando veio até nós, não foi correr atrás dos poderosos. Mandou dizer aos trabalhadores (no caso, aos pastores) que já Se encontrava no nosso meio.
 
Está disponível para todos, mas não alimenta dúvidas acerca de quem está mais próximo: dos pequenos. Tudo o que for feito a eles é feito a Ele (cf. Mt 25, 40).
 
A Igreja só pode estar onde Cristo esteve, onde Cristo está. Aberta a todos, mas ao lado dos pobres.
 
Há uma nova ordem que se inaugura. Na base não está o poder, está o amor. Não está o mando, está o serviço.
 
Que haja Natal em toda a humanidade. Que nunca deixe de haver humanidade em cada Natal! 
publicado por Theosfera às 00:04

Nesta véspera de Natal, penso em todos: nos crentes e nos não crentes.

 

Deus veio e continua a vir para todos.

 

Que esta seja uma noite de reconciliação e de bonança, de verdade e de luz, de fé e de festa, de amor e de esperança, de alento e de paz.

 

Que ninguém se sinta só. Que o amor impere.

 

Deixemos que o Menino nasça. Deixemos que o Menino tome conta de nós!

 

Que a Paz de Deus a todos visite e em todos se instale.

 

Que a Paz de Deus não seja afastada de nenhum coração.

 

Que seja Natal esta noite, amanhã, todos os dias.

  

Um abraço muito grande para todos.

 

Mas, nesta noite santa, permite que me dirija particularmente a ti, Irmão.

 

 Nesta noite santa, sinto-me particularmente perto de Deus Criança, perto de Deus Pequeno, perto de Deus Pobre, perto de Deus Amor. Ou seja, sinto-me muito perto de ti. Perto de ti porque vejo Deus reluzindo na tua vida, transparecendo nos teus gestos.

 

Penso nas dificuldades da tua vida.  Penso nas injustiças que tens recebido. Penso nos contratempos que tens encontrado. Penso nas amarguras que tens coleccionado.

 

Nesta noite santa, estou (ainda mais) contigo. Não tenho palavras para te dizer. Tenho tão-somente uma comunhão para te assegurar.

 

Nesta época, acumulamos muitas lembranças. Mas somamos também bastantes esquecimentos.

 

Não trago soluções. Partilho a esperança que irradia do presépio.

 

 Queria dizer-te que, esta noite, vou celebrar a chamada Missa do Galo a pensar especialmente em ti que sofres.

 

 Sei que esta noite, para ti, ainda é mais sofrida, mais chorada. Sinto muito. Não leves a mal que pegue num dos pregões do Maio de 68 (evento que não me é especialmente benquisto) e te faça uma proposta: «Sejamos realistas; peçamos o impossível»!

 

 Sim, peçamos o impossível. Sei que, nesta hora, não lobrigas luz, Sei que, nesta hora, só te pesam trevas como breu.

 

 Mas o dia há-de chegar. E o sol brilhará. Crê-me muito a teu lado. Aliás, é meu estrito dever.

publicado por Theosfera às 00:03

Parabéns a Jesus

nesta data querida,

muitas felicidades,

muito amor sem medida.

 

Hoje é dia de festa,

dentro das nossas almas,

para Vós, Deus Menino,

uma salva de palmas!

publicado por Theosfera às 00:02

Sente-se paz, hoje.

 

Respira-se paz, hoje.

 

Se, amanhã, chover justiça, a mudança acontecerá.

publicado por Theosfera às 00:01

A tarefa está concluída. A lista está pronta. As entregas estão feitas. As prendas estão dadas.
 
Mas…já me dei a mim? Já me entreguei a Ti? A Ti, que vieste — e continuas a vir sempre — até mim?
publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2010
1. É possível que, a esta hora, o vá encontrar, estimado leitor, em viagem, a caminho de casa ou de algum supermercado. Provavelmente, ter-se-á lembrado de que ainda faltava alguma compra de última hora.
 
A azáfama é grande e as despesas já são muitas. Mas, lá no fundo, sente que vale a pena todos os sacrifícios para ter a casa cheia, a mesa farta e a família reunida.
 
É bonito — muito bonito — ver os mais pequenos felizes e os mais idosos a brincar com eles.
 
E como é reconfortante ter um intervalo de serenidade no meio do bulício desenfreado em que se transformou a rotina da nossa vida!
 
Vai correr tudo bem, estou certo disso. A noite de Natal possui, de facto, um encantamento único, intraduzível em palavras.
 
 
2. Não tenha problema em assumir que o Natal é a festa de Jesus. É a festa do Seu nascimento, embora não saibamos, ao certo, a data em que Ele nasceu.
 
Às vezes, o Natal parece um aniversário sem aniversariante. Pensamos em todos e cuidamos de tudo. Parece que só nos esquecemos d’Ele. Logo d’Ele que é a razão última desta festa.
 
Até foi preciso lançar uma campanha de estandartes com o Menino Jesus para que nos lembremos do verdadeiro sentido do Natal.
 
Para muitos, com efeito, quando se fala de Natal, a primeira figura que vem à mente já não é o Menino, mas o Pai Natal.
 
Há quem leve o escrúpulo a tal ponto que, em vez de desejar bom Natal, se limita a escrever o genérico boas festas ou até a optar pelo estranhíssimo felizes festas de Inverno! Porquê?
 
 
3. Fixe, por isso, o seu olhar em Jesus. Não arrume o Pai Natal num canto, se o tiver em casa, mas faça um presépio.
 
Se achar bem, ponha lá a árvore de Natal. Ponha lá os presentes para os seus filhos, mas, já agora, acrescente também qualquer coisa para dar aos mais pobres.
 
Não deixe, porém, de colocar bem no centro o Menino, o Menino Jesus. E, antes de começar a consoada, convide toda a sua família para contemplar um pouco este quadro,o quadro de um Deus que Se faz Menino e de um Menino que se faz Deus.
 
Se lhe for possível, vá à Missa do Galo. Porventura, está a pensar ir no dia de Natal. E faz muito bem. Mas, se puder, vá também na noite anterior. Não se arrependerá.
 
É certo que está frio e sabe bem estar em casa. Mas faça um esforço. Alargue a sua família à família dos outros.
 
O frio desta noite é um frio saboroso, é um frio que aquece. Quando faz anos alguém que nós estimamos, passamos por sua casa. Pois a igreja é a casa de Jesus.
 
Eu sei que está bastante desencantado com o que se passa na Igreja. Mas o estimado leitor irá por causa de Jesus. Que, aliás, também não estará totalmente contente com o que na Igreja acontece. E quem sabe se Ele, Jesus, não estará à sua espera para a mudança que Ele deseja?
 
 
4. Penso sobretudo em si que está afectado pela pobreza. Pois olhe que Jesus também nasceu pobre.
 
Penso particularmente em si que se sente diminuído por levar uma vida simples. Lembre-se que Jesus foi sempre simples.
 
Penso especialmente em si que se vê cercado de injustiças. Não esqueça que Jesus também foi vítima da injustiça.
 
Ele é a pessoa mais identificada consigo e mais próxima de si. Ele pensa em si, mesmo quando não tem tempo de pensar n’Ele.
 
O meu coração vai nomeadamente ao encontro de si que foi posto na rua, no desemprego. Olhe que é na rua que Jesus Se encontra.
 
Ele tornou-Se um de nós. Ele veio para nos reconciliar, para nos aproximar.
 
O sinal de que estamos com Ele é a bondade, a tolerância, a opção preferencial pelos pobres.
 
Que a paz de Jesus esteja consigo, estimado leitor. Seja feliz neste Natal. Seja feliz sempre.
 
O nascimento é de Jesus. O Natal é para si. Por isso, alegre-se. Comova-se. Chore. Sorria. Cumprimente. Abrace. E tente fazer do Natal um dia com 365 dias.
 
Difícil? Sem dúvida. Mas não impossível. Há muitos escolhos. Mas tem um aliado de peso: o próprio Jesus.
 
Ele veio também para si. Ele está dentro de si. E tenha a certeza de que Ele conta consigo para mudar o mundo!
publicado por Theosfera às 15:18

Corre muito vento. Ameaça muita chuva. Insinua-se alguma neve.

 

A natureza parece querer dizer: pára; recolhe-te.

 

Mas a vida não se compadece com muitos destes apelos.

 

E lá nos fazemos às estradas. Nestes dias, muitos estão retidos em aeroportos e estações.

 

Viver é ultrapassar-se. É uma permanente lide com as dificuldades.

 

É preciso não descrer. É fundamental não desesperar.

 

A luz continua a espreitar. O seu brilho não desiste de descer à nossa alma.

publicado por Theosfera às 15:16

... e foi por Tua causa, meu Jesus Menino.

 

Aliás, muitos dos Teus primeiros seguidores foram mortos sob a acusação de ateísmo.

 

Recusavam-se a venerar os deuses do império.

 

Só adoravam o Pai. Só adoravam o Espírito Santo. Só Te adoravam a Ti.

 

Havia quem enciumasse. Por isso, derramaram o sangue.

 

Acontece que, volvidos estes séculos todos, há quem construa imagens de Deus que nada têm que ver com aquilo que Tu mesmo nos mostraste de Deus.

 

Como bem notou González Faus, Tu, Senhor, falaste de Deus não tanto falando sobre Ele, mas tornando-O transparente.

 

O Deus que Tu, Jesus Menino, nos mostraste só tem um nome: Pai. E possui apenas um rosto: misericórdia.

 

Tanta violência em nome de Deus. Tanta arrogância em nome de Deus. Tanta apropriação de Deus.

 

Em relação a tantos discursos teístas, até Deus é o primeiro ateu.

 

Tentam impor-nos um Deus que não sorri, um Deus que não ama, um Deus que não chora, um Deus que não sofre, um Deus que não Se encanta, um Deus que castiga, um Deus que condena.

 

Tentam levar-nos por caminhos ínvios de condenações no tempo e na eternidade.

 

E não olham para o presépio. Ou, se olham, parecem não (querer) ver.

 

O Deus que Tu, Jesus, nos revelas é a paz, a simplicidade, a autenticidade.

 

Apetece, por vezes, repetir o pedido de Eckhart: «Meu Deus, livra-nos de "Deus"».

 

O Natal é oportunidade de purificar imagens de Deus que persistem em determinados discursos e não poucas atitudes.

 

O ateísmo não é, em primeira instância, negação de Deus. É negação de um certo ateísmo.

 

A sociedade não anda longe de Ti. Porque Tu, Jesus, não estás longe da sociedade.

 

Vejo este tempo excruciante como uma possibilidade que nos é oferecida.

 

Ensina-nos, Senhor, a optar por um certo ateísmo. Por um ateísmo que nos afaste de falsas imagens de Deus e que nos aproxime de Deus, do Deus que Tu nos mostras na simplicidade de Belém.

 

O Deus das pompas e das cátedras não é o Teu Deus. Como poderia ser o meu?

 

O sinal que os Teus enviados indicaram aos pastores é eloquente. É a simplicidadade de uma manjedoura.

 

Limpa-nos, Jesus, da presunção de sabermos muito sobre Ti. Só saberemos o suficiente quando nos voltarmos para a humildade em que Tu Te deixas envolver sempre que nos vens visitar.

publicado por Theosfera às 14:31

Andamos todos (e com razão) preocupados com o progressivo esvaziamento do Natal.

 

Para muitos, o Natal é tudo menos o que está destinado a ser: festa do nascimento de Jesus, uma espécie de aniversário sem aniversariante.

 

Para superar este esvaziamento, não basta, porém, insistir nos conteúdos; é preciso também investir nas atitudes.

 

O Natal é Jesus e, nessa medida, é bondade, é amor, é perdão, é harmonia, é aceitação, é paz.

 

Confesso que, quando noto a maldade, o ressentimento ou o rancor apoderarem-se de uma ou outra pessoa, nem sequer consigo advertir. Retiro-me, desapareço. Creio sempre que isso é um momento apenas.

 

Deus semeou tanto bem no Homem. Como é que nós somos capazes de alojar o mal? Falamos melhor de Cristo com um coração bom do que com discursos sumptuosos e adornados. Deus é amor. Não deixes, Irmão, que o ódio te possua. Sejamos Natal.

publicado por Theosfera às 14:30

Terça-feira, 21 de Dezembro de 2010

Triste está o tempo. Triste parece a vida. Tristes já ameaçam ser os sonhos. Triste até aparenta ser o que triste não é: o Natal.

 

Pressinto um Natal triste. E não é só pela crise.

 

A crise maior, que espoleta a crise, é a dos sentimentos, cada vez mais fluidos e manietados por interesses, aparatos e aparências.

 

O Natal é acontecimento de alegria. Mas não conseguimos incorporá-la no fundo.

 

É certo que não falta quem exiba alegria. Mas dá para ver que se trata de uma alegria foto e telegénica, sem substrato nem substância.

 

Parece que, afogados no consumismo, andamos a fingir que estamos contentes.

 

Importante é ser autêntico. Admiro quem é honesto em tudo, mesmo no que sente.

 

Triste confessou-se sempre Rómulo de Carvalho.

 

Pertence-lhe, como sabemos, um dos poemas mais bonitos de Natal. Enquanto António Gedeão, não se esqueceu de alertar para o imperativo de «ser bom».

 

Rómulo de Carvalho não se reconhecia como crente nem se via como ateu. Sentia-se agnóstico.

 

As suas memórias escaparam à própria família, que só as descobriu depois da morte.

 

Vão ser apresentadas hoje. Valerá a pena lê-las e retê-las.

 

Os homens grandes e bons nunca morrem. Mesmo na morte sobrevivem.

 

O rasto que deixam é uma luz imortal, inextinguível.

publicado por Theosfera às 11:18

Já disse, várias vezes, que sou a favor da descentralização e, nessa medida, da regionalização.

 

Não porque seja contra o centro, mas, pelo contrário, porque acredito que não deve haver um único centro. Deve haver vários centros e muitos pólos.

 

O que me intriga é a contradição que afecta o discurso e a prática de muitos que dizem defender a regionalização.

 

Parece que se limitam a querer uma reprodução de estruturas. Será que a regionalização é a multiplicação de parlamentos e governos?

 

Ora, isso não resolve nenhuma situação. Só agravará os problemas.

 

Eu entendo a regionalização como uma distribuição não de estruturas, mas de serviços.

 

Do que as pessoas precisam não é de mais estruturas. É de mais (e melhores) serviços.

 

Sucede que não é isso o que está a acontecer. É mesmo o contrário disso que está a ocorrer.

 

Fala-se de regionalização como um processo de proximidade e estão a retirar-se serviços nomeadamente nos campos da saúde e da educação.

 

Os hospitais e as escolas estão cada vez mais longe das pessoas.

 

Será bom recordar que Salazar, apesar de não ser democrata, descentralizou mais do que muitos democratas.

 

No seu tempo, havia hospitais em quase todos os concelhos e escolas em praticamente todas as aldeias.

 

Com as vias de comunicação mais apuradas, talvez não seja necessário chegar tão perto das pessoas. A questão é que estamos a desenraizar perigosamente os cidadãos.

 

Eis mais uma incoerência flagrante. Fala-se tanto de descentralização. E centraliza-se cada vez mais.

 

Assim, a democracia não avança. Há que repensar, de vez, a nossa vida comunitária.

 

As eleições presidenciais poderiam ser uma oportunidade. Mas, na poeira dos ataques, estão a ser uma oportunidade...perdida! 

 

 

publicado por Theosfera às 00:01

Maria,

Tu és a serva do Senhor,

a Mãe da disponibilidade,

o farol da nossa esperança.

 

Na Tua humildade,

encontramos a verdade.

 

Na Tua fidelidade,

reencontramos o sentido.

 

Com o Teu sim,

tudo mudou,

tudo continua a mudar.

 

Que o Teu sim

nos mude.

 

Que o Teu sim

mude a nossa vida.

 

Faz do nosso ser

um novo presépio,

igual ao Teu.

 

Que o Teu Filho

nasça em nós.

 

Maria, Mãe,

semeia em nós

o Teu Natal,

o Natal do Teu (e do nosso) Jesus!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2010

Pelos vistos, nem no Natal a luta política amortece. Continuam as insinuações, os ataques, as insídias, as tropelias.

 

Façamos, ao menos, um compasso de espera. Não para desistir. Mas para reflectir, inflectir.

 

Muita paz no Senhor.

publicado por Theosfera às 22:53

Creio, Senhor, que vieste ao mundo

e que no mundo permaneces.

Tu estás em toda a parte,

estás no Homem,

estás na Vida,

estás na História,

estás no Pequeno,

estás no Pobre.

 

Hoje como ontem,

permaneces quase imperceptível.

Há quem continue a procurar-Te no fausto,

na ostentação,

na majestade.

 

Tu desconcertas-nos completamente

e surpreendes-nos a cada instante.

És inesperado

e estás sempre à nossa espera.

 

Os momentos podem ser duros.

O abandono pode chegar

e a rejeição pode asfixiar-nos.

 

Tu, porém, não faltas.

Estás sempre presente.

Estás simplesmente.

 

Creio, Senhor,

que é na simplicidade que nos visitas

e na humildade que nos encontras.

 

Converte-nos à Tua bondade,

inunda-nos com o Teu amor,

afaga-nos na Tua paz.

 

Obrigado, Senhor, pelo Teu constante Advento.

Parabéns, Senhor, pelo Teu eterno Natal!

publicado por Theosfera às 22:50

«Nunca é demasiado tarde para seres aquilo que deverias ter sido».

Assim escreveu (pertinente e magnificamente) George Sand.

publicado por Theosfera às 22:48

«A Terra é apenas um país e o género humano os seus cidadãos».

 

********************************************************************************************************

 

«Oh Deus, refresca e alegra o meu espírito. Purifica o meu coração. Ilumina os meus poderes. Em Tuas mãos confio todos os meus interesses. És o meu guia e o meu refúgio. Não mais se apossarão de mim a tristeza e ansiedade e sim o contentamento e a alegria».
publicado por Theosfera às 22:42

É belo o rosto de Deus nas imagens que os homens tecem.

 

É mais belo ainda a imagem de Deus na face das próprias pessoas. Cada ser humano é um oásis divino!

publicado por Theosfera às 22:33

Vejo a palavra. Vejo os presentes. Vejo as luzes. Vejo as correrias. Vejo a chuva. E vejo o frio. Só não vejo o Natal.

 

Às vezes, até sou tentado a esquecer que é Natal.

 

Falta justiça. Falta carácter. Falta autenticidade. Falta encanto.

 

Há muita hipocrisia. Há demasiada superficialidade. Há excessivos interesses. E há não pequenas instrumentalizações.

 

Não sei porquê. Há qualquer coisa que se vai apagando. E há muita coisa que vai doendo.

 

O Natal é, sem dúvida, contagiante. Mas a palavra Natal em certos lábios provoca um calafrio mais frio que o próprio frio. É que há vidas que não sabem a Natal. Há vidas que negam o Natal.

 

Falar sobre o Natal não custa. Viver o Natal é que é importante.

 

O Natal não se diz com os lábios. O Natal é um poema que se declama com a vida.

 

É nos pequenos, nas pessoas verdadeiras e nos corações puros que eu vejo brilhar a estrela de Natal.

 

 

 

publicado por Theosfera às 22:24

1. Eu sei que está exausto e apressado. A crise não dá tréguas e as preocupações não permitem qualquer descanso.

  

Sei que a sua vida não tem sido fácil nos últimos anos. E sei também que os problemas se têm avolumado nos últimos tempos.

 

Sei ainda que não fez todas as compras de Natal e o dinheiro já escasseia, mesmo contando com o subsídio extra.

 

Dá para ver que continua sensível ao encanto desta quadra, mas o seu pensamento já está voltado para as dificuldades que se avizinham.

 

Não quer refrear a alegria dos seus familiares, mas é impossível passar ao lado do ambiente que se vive. O seu rosto deixa antever um certo pesar. E, no fundo, o seu coração está um pouco só.

 

Peço-lhe, por isso, apenas dois ou três minutos de atenção.

 

 

2. Queria que pensasse em alguém que veio ter consigo. Que veio há muito tempo, mesmo antes de o caro leitor ter nascido.

 

Esse alguém nunca deixou de pensar em si, no seu bem-estar, na sua tranquilidade, na sua felicidade.

 

Apareceu no mundo na mais absoluta humildade e no mais comovente despojamento.

 

Não teve palácios, não ambicionou poder nem coleccionou glórias humanas.

 

Preocupou-se somente com os outros. Consigo também.

 

Foi alguém muito humano. Ensinou-nos a magna lição da bondade e deixou-nos, como imperativo indelével, o mandamento do amor.

 

Chamou-lhe mandamento novo certamente porque poucos o tinham experimentado.

 

Hoje continua a não ser velho porque muitos continuam a esquecer-se de o pôr em prática.

 

Esse alguém só fez bem. Mesmo assim, não foi poupado a incompreensões.

 

Também às pessoas boas acontecem coisas más. É triste. É injusto. Mas é verdade.

 

 

3. Ele veio para ficar. Ele foi de ontem, é de hoje e será de sempre.

 

Não perde actualidade. Está no seu coração, na nossa vida, no nosso mundo, no nosso tempo.

 

A sua imagem está esculpida em todo o ser humano. A sua cátedra é a humildade.

 

 A sua permanente lição é a de uma humanidade sem limites. Ele vem em cada Homem.

   

Ele mantém-se no nosso coração. Ele quer transformar o nosso destino pessoal e a nossa história colectiva.

 

 

4. Já sabe de quem se trata. É Ele mesmo. É de Jesus que lhe falo.

 

Mas o seu nome é também o seu nome.

 

Ele nasceu há dois mil anos. Numa noite muito fria. Numa noite muito bela.

 

Ele continua, porém, a renascer. Permanece na nossa história. E habita na nossa vida. Na sua também.

 

Na noite de sexta para sábado não deixe de pensar nisto.

 

Seja feliz. Procure fazer alguém feliz.

 

E tenha um feliz Natal!

 

publicado por Theosfera às 14:48

Era importante que a nossa aproximação ao Natal não se quedasse pela superfície. Era mesmo necessário que aterrasse na profundidade.

 

O Natal encerra uma força enorme e transporta uma energia imensa. Ele mostra que é possível conjugar o que há de mais diferente. Se o céu e a terra se tocam, se o divino assume o humano até às suas entranhas, há que retirar todas as ilações.

 

Urge integrar as diferenças, assumir a identidade do outro até à sua espessura mais íntima. O Natal é incompatível com uma cultura da distância. Se Deus vem até ao Homem, é fundamental que nos disponhamos a ir ao encontro do outro, a acolhê-lo.

 

A paz é mesmo possível. A reconciliação não será impossível.

publicado por Theosfera às 11:05

É mau, muito mau, que se aproveite a pobreza (e, pior, a pessoa dos pobres) para qualquer género de aproveitamento. Mas não é menos mau ignorar o problema.

 

A pobreza existe. É fundamental trazê-la para o centro do debate.

 

O que me parece bastante grave é que se faça dos pobres arma de arremesso e instrumento de ataque político.

 

É certo que, a fazer fé na máxima de Clausewitz, a política é uma forma de guerra, embora uma forma não sangrenta.

 

Mas há limites.

 

Acresce que nunca podemos julgar ninguém. Se as pessoas fazem algo pelos pobres, é natural que a comunicação social se faça eco dessas acções.

 

Se há exibicionismo, é péssimo. A pobreza já é suficientemente estigmatizante para que alguém se arrogue no direito de subir à custa de quem é massacrado por ela.

 

Às vezes, o despudor não tem limites.

 

Não nos vangloriemos do que se faz. Mas também não ataquemos quem faz ou tenta fazer.

 

E a erradicação da pobreza faz-se pelo apoio directo às suas vítimas e também pela denúnica das situações que a provocam.

 

Como alguém escreveu, «mais grave que aproveitar a pobreza para fazer política é aproveitar a política para fazer pobreza».

 

Uma coisa é certa. A pobreza não nos pode mobilizar apenas no Natal.

 

O Natal acontece todos os dias. A pobreza também.

publicado por Theosfera às 10:55

Aproveitemos este ano para nos despedirmos do Português. Pelo menos do Português tal como o conhecemos e fomos cultivando. A partir de Setembro, parece que vamos ter de nos habituar ao Brasileiro.

 

Eu sei que isto pode ser um simplismo, quiçá uma boutade. Mas que a mudança em curso na nossa língua é muito diferente das mudanças anteriores, é uma evidência que salta à vista.

 

Não vou repetir o que aqui já escrevi. Creio que não houve debate antes da decisão. Vamos ter de usar, sem consentimento nosso, uma nova língua. No fundo, é isso.

publicado por Theosfera às 10:51

Domingo, 19 de Dezembro de 2010

Os grandes sinais messiânicos são a mansidão e a humildade.

 

Deus em Cristo surpreende-nos maximamente. Não é no fausto, no esplendor ou na majestade que Ele vem ao nosso encontro.

 

Ele vem até nós na humildade, na mansidão, no amor.

 

Quando Jesus diz vinde a Mim, indica logo o caminho: mansidão e humildade. O que com Ele aprendemos é a sermos mansos e humildes.

 

A arrogância, a presunção e a prepotência não se compaginam de modo algum com o seguimento de Cristo.

 

O presépio que importa confeccionar dentro de nós tem de ser edificado com a humildade e a mansidão. Sempre. Apenas.

publicado por Theosfera às 16:15

Sábado, 18 de Dezembro de 2010
Há presépios lindos.
 
Há presépios engenhosos.
 
Há presépios deslumbrantes.
 
Há presépios originais.
 
Há presépios interessantes.
 
Há presépios surpreendentes.
 
E até há presépios ao vivo.
 
Faltam, contudo, presépios vivos.
 
Que, a bem dizer, são os únicos presépios necessários.
 
Aqueles que são construídos não nas ruas ou nas casas. Mas no coração humano.
No meu. No teu. No nosso.
É aí, irmão, que Ele — o Senhor — quer (re)nascer hoje.
Vais consentir que Ele seja atirado novamente para um estábulo, como há dois mil anos?
Não tardes, meu Deus!
Acorda-nos da sonolência que nos envolve!
publicado por Theosfera às 00:01

O Natal inocula nas pessoas sentimentos de paz e concórdia que jamais se haveriam de extinguir.

 

Convertamo-nos à Boa Nova, ao Menino que veio trazer ao mundo a mensagem da simplicidade e da reconciliação.

 

Convertamo-nos à justiça e à verdade, sem as quais não é possível uma vida sadia.

 

Convertamo-nos aos pobres e sofredores e assumamos como nossas as suas dores.

 

Presepielizemos o nosso coração. Façamos dele o presépio vivo onde Cristo possa renascer em forma de amor universal.

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 17 de Dezembro de 2010

Daqui a uma semana, na noite de Natal, quando tiveres a tua casa cheia e a tua mesa farta, não esqueças que, de sete em sete segundos(!), uma criança com menos de dez anos morre no mundo.

 

Motivo? A fome! Só este ano terão morrido seis milhões de pessoas por causa da fome! Alguém poderá dormir descansado? 

 

O Menino que para nós nasceu, há mais de dois mil anos, agoniza, cheio de fome, nessa multitudinária legião de irmãos nossos!

 

Se Ele é, de facto, diferente, quem pode permanecer indiferente?

publicado por Theosfera às 10:25

O campo de trabalho do educador não é uma parte da pessoa do educando. Não é apenas o cérebro. É a totalidade, a partir da profundidade.

 

É, pois, pelo perscrutamento da alma que tudo tem de começar.

 

Como reza um antigo adágio chinês, «se há luz na alma, haverá beleza na pessoa; se há beleza na pessoa, haverá harmonia na casa; se há harmonia na casa, haverá ordem no país; se há ordem no país, haverá paz no mundo».

 

Se queremos o maior, comecemos pelo mais pequeno. Na alma humana está o fermento da humanidade.

 

É por isso que o professor tem de ser visto como um mestre. O professor transmite conhecimentos e chega ao entendimento. Já o mestre oferece valores e aloja-se na alma.

 

Para poder atingir as alturas, o ser humano tem de ser conduzido às profundezas. É por isso que, como defende Holding Carter, os dois melhores legados que podemos deixar aos mais novos são as raízes e as asas.

publicado por Theosfera às 10:19

O mais difícil na vida é ver um sonho desfeito, um sonho desfeiteado, um sonho arrumado e encardido pela erosão do tempo.

 

Em princípio, sentimo-nos realizados quando o sonho deixa de ser sonho, quando o sonho se transforma em realidade.

 

Só que a realidade raramente corresponde ao sonho.

 

A realidade comporta-se, muitas vezes, como devoradora dos sonhos.

 

Mas, ainda assim, mantenhamos o sonho.

 

Nem que os sonhos se evaporem num ápice, a vida jamais triturará o sonho. Até porque, como alvitrava o poeta, é o sonho que comanda a vida.

publicado por Theosfera às 10:12

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