O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 31 de Outubro de 2010

Os jornais assinalam que estamos na véspera do dia de finados.

 

Sem querer entrar em preciosismos, queria só pontuar uma dupla imprecisão. Quanto ao dia e quanto ao conteúdo do dia.

 

O dia em causa não é 1 de Novembro, mas 2 de Novembro.

 

Amanhã, é dia de Todos os Santos. Como o dia 2 não é feriado, as pessoas habituaram-se a ir aos cemitérios no dia 1. Este ano, já começaram a ir até no dia 31, por ser domingo. Em muitos locais, vão pela madrugada do dia 2.

 

E, depois, no dia 2 comemora-se os fiéis defuntos. Em alguns locais, diz-se apenas fiéis.

 

Finado vem de fim. Ou seja, indica aquele que se finou, acabou. Ora, nós acreditamos que quem morre continua vivo, na felicidade eterna.

 

Defunto vem do verbo fungor, que quer dizer cumprir.

 

Defunto é o que cumpriu. O que cumpriu a etapa terrena da vida. E está na fase eterna da existência.

 

No meio disto tudo, reconheçamos que as palavras são o que menos importa. Mas podem ajudar a perceber o que está em causa.

 

Nós sentimos que os nossos mortos não estão mortos. Eles sobrevivem. Em Deus. E em nós.

publicado por Theosfera às 16:04

Qualquer ideia ou instituição terão, como critério de valorização, a forma como ajudam as pessoas a serem melhores.

 

 Isto significa ser mais recto, mais verdadeiro, mais justo, mais bondoso.

 

 Sem rectidão, sem verdade, sem justiça e sem bondade, a vida torna-se impossível e a terra um lugar dificilmente habitável.

 

 Uma das críticas que, mais amiúde, se faz às religiões é que elas são capazes de produzir o melhor e o pior.

 

 Nenhuma delas tem o privilégio da paz nem o exclusivo da guerra. Em todas, há o sonho da paz e, ao mesmo tempo, o drama da guerra, da violência e da agressividade.

 

 O problema é que, muitas vezes, as falhas não são atribuíveis à religião. Elas procedem, quase sempre, do seu desfiguramento, da sua adulteração.

 

 A questão é se esse desfiguramento não será elevado, frequentemente, à categoria de pauta, de norma.

 

publicado por Theosfera às 13:30

Sábado, 30 de Outubro de 2010

Esta noite, os relógios vão atrasar.

 

Eis uma realidade e um sinal. Pertinente.

 

Atrasados é como, amiúde, nos sentimos.

 

Há que dar um abanão no real.

 

Depois da noite, o dia voltará.

publicado por Theosfera às 21:06

Não falta talento nas novas gerações. Mas o deslumbramento umbiguista pode deitar tudo a perder.

 

Há comentadores nos jornais e nos blogs cujo brilho está muito ofuscado pela preocupação em projectar o próprio eu.

 

Pelo caminho, lançam-se insinuações, humilham-se os mais avançados em anos e não se contribui para o bem comum.

 

Lamenta-se um articulista por, quase a chegar aos 40 anos, ter de suportar o mesmo político.

 

Não se trata de discordar. Eu próprio não me revejo em muita coisa do seu pensamento e da sua acção.

 

O que impressiona é o enfoque colocado na situação pessoal.

 

Se pensar bem, contudo, verificará que, ao menos, ele pode contribuir para eleger outras figuras.

 

Será que pensa na situação de tanta gente que, por esse mundo fora, nasce, vive e morre ofuscado por ditaduras?

 

A propósito, devia ser obrigatório ler as crónicas de José Manuel dos Santos. Hoje trata do caso de José Mestre, o chamado homem sem rosto. Simplesmente sublime.

 

O autor não é muito conhecido, mas, para mim, é o melhor. O que coloca as palavras certas no sítio adequado.

 

O arquivo destas crónicas pode ser consultado aqui.

publicado por Theosfera às 20:56

Adolfo Nicolás lastimava, há dias, a globalização da superficialidade.

 

Esta parece ser, de facto, uma tendência que não deixa ninguém imune.

 

Henrique Villa-Matas assinalava, concretamente, a situação dos intelectuais. Estes, para terem um auditório vasto e uma popularidade farta, têm de comentar assuntos fúteis.

 

O contágio da cultura do superficial atinge qualquer um. E, pelos vistos, sem que nos apercebamos devidamente.

 

O que aconteceu nestas negociações do orçamento é revelador.

 

Tantas coisas laterais para um assunto tão sério. Parecia um espectáculo, um reality show.

 

A cerimónia desta manhã, pelos vistos, não era para assinar nada. Que, aliás, já estava assinado. Era para ter uma fotografia.

 

A esta hora, estamos a ouvir o circunspecto ministro das finanças lamentar não ter sido possível uma fotografia.

 

Mas, no fundo, até havia. Eduardo Catroga registou o acto no seu telemóvel. E até fez questão de dar conta das horas e dos minutos.

 

Novembro está a chegar. Recolhamo-nos um pouco. Olhemos em frente. E deixemo-nos destas coisas.

publicado por Theosfera às 20:46

Neste dia de turbulência, regado de chuva e abanado com vento, as ruas estão cheias.

 

Há flores nas mãos e lágrimas no rosto.

 

Novembro está à porta.

 

Os mortos como que ficam um pouco mais vivos. Na lembrança. Na prece.

 

É muito forte a dor perante o sorriso que não volta, a palavra que não regressa.

 

A fé tem a resposta. A morte não é o fim.

 

Mas custa sentir a presença percebida em forma de ausência.

 

Somos humanos.

publicado por Theosfera às 12:08

O que tem de ser tem muita força.

 

Uma vez mais, o princípio enunciado por Almeida Garrett no imortal (embora, hoje, quase esquecido) livro Viagens na minha terra obtém cabal confirmação.

 

O acordo para a viabilização do orçamento foi mais imposição das circunstâncias do que produto da vontade.

 

A saída está encontrada, mas o incómodo salta à vista.

 

Fechado o referido acordo esta noite, disseram que ele ia ser assinado esta manhã.

 

Chegada a hora e com tudo preparado na Assembleia da República, vem uma indicação de que, afinal, o acordo já tinha sido assinado. Em privado.

 

Parece que Governo e PSD não querem aparecer um ao pé do outro.

 

Neste tempo de falências, até as certezas mais imediatas faliram. Quanto às incertezas, essas aparentam já ter nascido falidas.

 

Quem olha para os termos do acordo, fica na dúvida: quem é mais de esquerda? Terá sido o PSD a conseguir que algumas deduções na saúde e educação não fossem extintas. E foi o Governo a não abdicar da taxa de IVA a 23%.

 

Já ninguém entende nada, mas há coisas que também não são para entender.

 

Quero pensar que, pelo rumo que a situação está a tomar, o melhor que o Estado faria era não intervir tanto. Que, ao menos, não estorve. Há muitas energias tolhidas que têm muito para dar.

 

Há um Portugal empreendedor, capaz de dar um rumo novo ao futuro. Há muita coisa boa a surgir.

publicado por Theosfera às 11:56

Em Cristo está tudo. Ele é o universal concreto.

 

Ele é o rosto de Deus e a face do Homem. Ele é o caminho para o Céu e é o sentido da terra.

 

 Ele está na vida e também na morte. Ele encontra-Se na Cruz e igualmente na Glória.

 

 Como é óbvio, ninguém consegue imitá-Lo na plenitude. Apesar de sermos chamados à imitação de Cristo, sabemos de antemão que acabamos por acentuar aspectos, dimensões. Mas sabemos também que é para a totalidade que devemos tender.

 

 Em Jesus estava unida a autoridade e a verdade. Ele apresentou-Se como sendo a verdade (cf. Jo 14, 6) e foi em nome da verdade que Ele corporizou a autoridade (cf. Mc 1, 22).

 

 Isto significa que, em Jesus, há uma profunda circularidade entre a verdade e a autoridade: a autoridade dimana da verdade e a verdade certifica a autoridade.

 

 Nem sempre, porém, esta interacção se tem mantido ao longo dos tempos. Não raramente, apela-se para a autoridade sacrificando-se, desse modo, a verdade.

 

 São muitos os casos em que se prescinde da comum procura da verdade (que é Cristo) optando-se por se decidir unilateralmente em função da autoridade.

 

 Uma autoridade que dispense a verdade é credível? Na fé, a autoridade só é credível no âmbito da verdade, em nome da verdade. Não basta a credentidade. É fundamental a credibilidade.

 

 Em Cristo, salta à vista que a autoridade é filha da verdade. Será aceitável uma verdade que seja meramente filha da autoridade?

 

 É que a autoridade também está sob o escrutínio da verdade. Sendo a Igreja, como lembra Walter Kasper, a «casa da verdade», a autoridade tem de procurar ser sempre o eco da verdade.

publicado por Theosfera às 10:51

Sexta-feira, 29 de Outubro de 2010

Parece que, enquanto o Conselho de Estado se reunia, Teixeira dos Santos e Eduardo Catroga reencontravam-se.

 

Desta vez, os holofotes estavam longe. A discreção sempre é melhor conselheira.

 

É natural que o Conselho Europeu de hoje tenha acentuado a pressão e feito saber o desconforto.

 

O presidente da república vai falar e um acordo vai nascer.

 

Não é o paraíso, mas ao menos escapa-se ao pesadelo.

 

Ainda não será desta que vamos sair do fundo, mas talvez não nos afundemos ainda mais.

 

Em si mesmo, um acordo é sempre de saudar.

 

Vamos olhar em frente e, de uma vez para sempre, concentremo-nos na comunidade e não nos interesses.

publicado por Theosfera às 21:17

Habituei-me a respeitar todos os pontos de vista. Mas há palavras que dói ler e sentimentos impossíveis de aceitar.

 

Não lamentar a morte de alguém ou dar até a entender que se fica contente com um falecimento é algo que me choca.

 

Não é preciso ser crente para ter um mínimo de comedimento nestas horas. Basta ser humano.

 

Se não é possível dizer bem, sobretudo de quem morre, que nos calemos.

 

Os antigos avisavam que a morte pertence ao silêncio. Não é muito. É o mínimo.

 

É por isso que o vi aqui me feriu deveras.

 

Não tenho palavras.

publicado por Theosfera às 16:25

1. Denunciar a injustiça, mas nunca perder a compostura mesmo quando somos injustiçados;

 

2. Nunca elevar o tom de voz; quando a voz é alta, a razão é baixa;

 

 3. Nunca querer mal, mesmo a quem provoca o mal;

 

 4. Nunca simular os pensamentos ou dissimular os sentimentos;

 

 5. Meditar no silêncio aquilo que há-de ser dito em público;

 

 6. Manter sempre a urbanidade mesmo (ou sobretudo) em situações difíceis;

 

7. Ser sempre cordial mesmo (ou sobretudo) com quem é indelicado;

 

 8. Ser sempre autêntico e sincero;

 

 9. Persistir na defesa das convicções;

 

 10. Acreditar que, embora não pareça, a esperança tem sentido e que o bem acabará por vencer.

publicado por Theosfera às 10:39

O adolescente é conhecido por Bruma. E, pelos vistos, o seu futuro mais próximo é por uma bruma que está envolvido.

 

Trata-se de uma bruma de interesses e disputas a que já ninguém reage. E diante da qual já poucos se indignarão.

 

Há um jogador nascido na Guiné e que, com 16 anos, já é desejado pelos maiores clubes do mundo.

 

Nada de especial.

 

O normal, nestes casos, é que se fale com o clube que representa e com ele próprio. Uma vez que se estamos perante um menor, deverá falar-se com os seus pais.

 

Mas isto é o que nós pensamos e consideramos minimamente decente.

 

Ao que parece, há dois empresários (ou agentes FIFA, como agora se diz) que estão a pressionar o jogador, os pais biológicos (que estão na Guiné) e os encarregados de educação (que o acompanham em Lisboa) para que assine um contrato com um clube inglês. Uns asseguram que é o Chelsea. Outros atestam que é o Manchester City.

 

Aqui chegados, confesso que não entendo qual é a necessidade de haver estes intermediários.

 

Os clubes mais ricos não terão dificuldade em contratar os melhores jogadores. O dinheiro é sempre convincente. O problema é que, além da contratação, terão de compensar os tais empresários.

 

Dizem alguns jogadores que, se não fossem os empresários, não teriam chegado tão longe na carreira.

 

Este é um argumento praticamente indigerível. Num mundo globalizado, qualquer jogador, mesmo no país mais recôndito, se torna facilmente conhecido.

 

Não consigo perceber, pois, a necessidade de haver empresários.

 

Mas isto nem sequer é o mais arrepiante.

 

O mais arrepiante é sentir que o futebol, que já tinha a aparência de um comércio, está a transformar-se mum puro negócio. Nele, fala-se de vendas e compras com uma gula assolapada.

 

Acontece que estas transacções incidem sobre seres humanos.

 

É verdade que a imprensa, por vezes, exagera. Mas fica no ar, até pela recorrência do fenómeno, a possibilidade de ser verdade.

 

E, aspecto a reter, veicula-se a informação de forma despojada. Sem qualquer apreciação crítica. Sem o menor apontamento ético. Sem a mais leve demarcação.

 

Assim nos vamos habituando à desumanidade. Com muitos milhões pelo meio...

publicado por Theosfera às 10:22

Porque é que reconhecemos, mais facilmente, o mal que se faz do que o bem que se pratica?

 

E, pior, porque é que propendemos a qualificar como bem o que é mal e a desqualificar como mal o que é bem?

publicado por Theosfera às 10:20

Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

Andrés Torres Queiruga está a ser homenageado, entre hoje e sábado, em Santiago de Compostela.

 

Há quem o considere o maior teólogo espanhol vivo.

 

Como pessoa, é dos seres humanos com maiores índices de bondade que conheci.

 

O seu doutoramento foi sobre Ruibal e Zubiri. Convidei-o, por isso, para ser um dos orientadores nos meus estudos.

 

Aprendi imenso com ele. Como professor e como pessoa.

 

Muitos parabéns.

publicado por Theosfera às 23:47

Religião e diálogo é uma relação que tem tudo para dar certo. Só que nem sempre o que se mostra promissor à partida pode ser dado por garantido à chegada.

 

Há muitos tropeços no percurso e o fluxo das origens fica, amiúde, ofuscado pelas tormentas da caminhada. A impressão que dá é que, não raramente, quando avançamos no tempo, vamo-nos afastando da fonte.

 

A experiência atesta que, muitas vezes, uma coisa é a identidade e outra coisa, bem diferente, acaba por ser a realidade.

 

Pela sua natureza, religião é ligação. As portas para o diálogo parecem, por isso, abertas. Só que os atalhos da história parecem transformar uma combinação natural numa articulação quase impossível.

 

E se algum défice tem havido neste campo é precisamente quanto à substância. Existem hábitos de encontro, mas ainda estamos longe de uma verdadeira cultura do diálogo: do diálogo entre religiões e, já agora, do diálogo no interior de cada religião.

 

Daí a pertinência de um livro que acaba de aparecer. Não é um livro grande, mas é, sem dúvida, um grande livro.

 

Religião e diálogo inter-religioso é o título da mais recente publicação de Anselmo Borges, que mãos amigas me fizeram chegar e que, agora mesmo, acabei de ler.

 

É um texto com densidade, espessura e alma. Transporta com ele a vibração de alguém que milita no que apresenta. É obra de um homem culto e, coisa nada despicienda, de um homem livre.

 

Antes de mais, o Autor cumpre uma missão semelhante à que Zubiri atribuía a Ortega em finais do século XIX e princípios do século XX. Trata-se de uma missão ressoadora em relação ao melhor que se vai pensando e dizendo pelo mundo acerca desta temática.

 

Com efeito, Anselmo Borges faz ressoar um conjunto de preocupações e propostas que têm vindo a fazer caminho nos últimos tempos.

 

Por estas páginas desfilam assim as questões mais inquietantes (como a multiforme tipologia do fenómeno religioso) e as interpelações mais aliciantes (designadamente o problema da violência, do fundamentalismo, o lugar do religioso na escola pública, a verdade em todas as religiões, a complementaridade entre elas e o lugar dos ateus em toda esta discussão).

 

Foi sempre difícil (e continua a não ser fácil) conciliar a religião com o diálogo. E, no entanto, esta articulação é fundamental. Ainda sobram muitos preconceitos que facilmente desaguam numa combustão e delapidam os melhores esforços.

 

Partindo da referência ao tempo-eixo na introdução, podemos dizer que, de certa forma, vivemos uma época também ela axial para o diálogo e, consequentemente, para a paz.

 

A tese de Hans Küng (por muitos assumida) é recordada: não haverá paz no mundo enquanto não houver paz entre as religiões.

 

 O diálogo não amortece as convicções. Pelo contrário, fortalece o testemunho. Ver cada religião no conjunto não obscurece a sua força intrínseca, antes empresta um novo vigor à sua identidade.

 

Este é um domínio em que o todo tende a ser visto a partir das partes. É importante que nos habituemos a ver também cada parte a partir do todo. As sementes do Verbo, de que já falava S. Justino, não deixam ninguém de fora. Não professamos nós que o Espírito sopra onde quer?

 

Numa altura em que a política é atravessada pela adversidade, seria de esperar que a religião fosse olhada como oportunidade.

 

Infelizmente, o panorama não é entusiasmante e nem sempre as diversas configurações religiosas têm sabido responder às aspirações mais fundas da hora presente.

 

No fundo, as religiões ainda não conseguiram constituir a alternativa de que a humanidade precisa. Continuam a portar-se como a redundância que a humanidade lamenta. Também as religiões, de facto, são trucidadas por conflitos e por uma legião interminável de vítimas. No fundo, também a religião certifica que o ser humano tem dificuldade em conviver com o diferente.

 

Tudo isto toca um problema decisivo, que as religiões transportam em si e que nem sempre sabem gerir entre si: o Absoluto.

 

Esta é, sem dúvida, uma aspiração a que a religião dá um horizonte de sentido. Mas é preciso perceber que o Absoluto transcende todas as configurações. O Absoluto está presente (mas não prisioneiro) nas instituições.

 

Tem havido muitas tentativas de diálogo. Mas ainda não se obteve uma plataforma de encontro permanente.

 

É preciso, como assinala o livro, passar do multi para o inter. A multiculturalidade, que se observa, há-de assumir a forma de uma interculturalidade, que importa consolidar. 

 

Eis, portanto, um livro precioso para a compreensão do presente. E que certamente se vai transformar numa referência indispensável durante muito muito tempo no futuro.

 

Portugal carecia de um livro destes. Parabéns a Anselmo Borges, que soube suprir esta carência e dar corpo a esta urgência.

 

O religioso resplandece aqui como questão humana. Uma questão humana básica. E uma questão humana decisiva. Porque abrangente. Porque mostra como tudo (a começar por Deus) tem que ver com tudo!

publicado por Theosfera às 16:17

Falta perceber, na hora presente, que a parte só faz sentido no todo.

 

Daí que conceber a política económica de um país como uma questão de números seja sumamente redutor.

 

É preciso, acima de tudo, saber integrar: outras dimensões, outras perspectivas, outras pessoas.

 

Em toda esta discussão. nota-se como se está apegado como lapa às posições de cada um. Há uma falta de abertura que redunda em quebra de horizontes.

 

Foi a pensar neste cenário labiríntico que me voltei para a sabedoria budista e para as suas propostas diante do caos.

 

Apresenta três métodos para lidar com ele: acabar com a luta, usar o veneno como remédio e ver tudo o que surge como iluminação.

 

De facto, na hora que passa, do que mais precisamos é de calma e bom senso, os dois grandes parturientes da tão necessária lucidez.

 

Não se trata de ver quem grita mais alto, mas de concertar vozes e unir esforços. Será impossível?

 

Quanto ao veneno como remédio, o que se prentende é que se lide com a adversidade como oportunidade. Era melhor que não houvesse crise. Mas, já que ela existe, tentemos encará-la de frente. E procuremos superá-la. Não agravá-la.

 

O terceiro método ensina a olhar para tudo como uma manifestação de energia desperta. Não entremos em pânico nas horas difíceis. Há-de brilhar uma luz na escuridão.

 

Não entremos em dualismos nem segmentemos as situações entre o suposto lado bom e o putativo lado mau. Todas os pontos de vista são legítimos. Todos os contributos são necessários. A luz há-de ressurgir.

 

Os partidos não são trincheiras. Em toda a parte pode ser divisado um complemento ao que nos falta. O todo não está numa única parte.

publicado por Theosfera às 11:14

Daquela vez, o Prof. Cavaco Silva terá sido demasiado contundente e talvez injusto. Mas não será que teve razão?

 

No célebre artigo sobre a Lei de Gresham, recordou que a má moeda acaba por expulsar a boa moeda.

 

Trata-se não só de um princípio económico, mas de uma tendência geral: a mediocridade revolta-se contra a qualidade e, no limite, acaba por eliminá-la.

 

Em toda esta discussão sobre o Orçamento do Estado, sente-se uma ausência de horizontes e uma falta de grandeza que faz pensar. E penar.

 

Há uma falta da lastro humanista que faz com que a imolação das pessoas no altar dos números seja tida como normal, inevitável.

 

Quem lê as crónicas de economia do Dr. Nicolau Santos, repara como ele insere sempre, em lugar de destaque, um texto de um escritor, geralmente um poeta.

 

À partida, nenhuma afinidade existirá entre a economia e a poesia.

 

Mas, a bem dizer, esta é uma proximidade muito necessária e cada vez mais urgente.

 

O que mais tem impressionado é todo este desfile de números, brandidos de um modo quase imperceptível ao cidadão comum, sem se descortinar um horizonte de sentido.

 

É esta economia descordializada (isto é, sem coração) que leva a impor sacrifícios sem fim aos mais pequenos.

 

Não será possível uma economia com alma?

 

A pressão dos acontecimentos é grande. Mas a ausência de alma é ainda maior, mais gritante.

 

Esta é uma questão transversal, que envolve as famílias e afecta as esciolas.

 

O processo educativo tem desguarnecido a dimensão humanista. Tudo se subordina aos ditames do mercado e às regras da competição.

 

Todos querem ser primeiros. Só que o importante é (tentar) ser melhor. Melhor na capacidade. Melhor no coração. Melhor na solidariedade.

 

As especialidades não podem abrir mão da globalidade. A verdade, como ensinava Hegel, está na totalidade.

 

A economia tem de ser mais do que contabilidade.

 

Sei que há economistas com um apurado sentido humanista. Não lhes cortem a palavra. Nem lhes fechem as portas.

publicado por Theosfera às 10:48

Eis «um país arruinado, dividido, convulso, desorientado, descrente nos seus destinos, intoxicado por uma política estéril».

 

É possível que qualquer analista subscreva estas palavras, demasiado contundentes.

 

Mas elas não são de agora. São de 1970 (proferidas por Marcelo Caetano) e referem-se ao estado de Portugal em 1928.

 

Toda a gente sabe o que aconteceu a seguir.

 

As ditaduras prosperam na desordem.

 

Hoje em dia, não estaremos na iminência de uma ditadura política, embora, aqui e ali, o cerceamento da liberdade e a imposição de um pensamento único (ainda por cima medíocre) se venham a notar.

 

Mas um totalitarismo económico pode estar a chega, vindo de fora. A Europa e o FMI vão dando sinais de inquietação.

 

As nuvens começam a aparecer. Pressente-se clima de tempestade. Acredito, no entanto, que, na hora da verdade, o sol vencerá as resistências.

 

Ainda temos tudo. Menos uma coisa: tempo.

publicado por Theosfera às 10:38

«O que mais me aborrece na morte é que ela dura muito tempo».

Assim disse (sibilina e magnificamente) António Lobo Antunes.

publicado por Theosfera às 10:36

Jesus não ensinou apenas com os lábios. Ensinou também (e sempre) com a vida. D'Ele vêm-nos palavras imortais. D'Ele chegam-nos atitudes imperecíveis.

 

Foi Ele que proclamou felizes os mansos. Foi Ele que nos legou a mansidão. Ele foi sempre manso e humilde de coração.

 

A mansidão não é, porém, sinal de impassividade, nem de indiferença. Pelo contrário, é sintoma de empenho, de militância e de compromisso.

 

Ser manso não é ser ingénuo. É militar de outra forma nas grandes causas.

 

Poderá haver quem questione e pergunte acerca do que se ganha com a mansidão. Seria bom que pensássemos, sim, no que temos perdido com a violência.

 

Os violentos têm conseguido alguma coisa?

publicado por Theosfera às 10:35

«Há uma hora de partida, mesmo quando não há lugar certo para ir».

Assim escreveu (pertinente e magnificamente) Tennessee Williams.

publicado por Theosfera às 10:32

Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010

Eis a carta que um pai do século XIX escreveu ao professor do seu filho. Há quem a atribua a Abraham Lincoln. Há quem conteste tal atribuição. Mas isso também é o que menos interessa. O que interessa mesmo é o seu (espantoso) conteúdo.

 

Caro professor, o meu filho terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, por cada vilão há um herói, que por cada egoísta, há também um líder dedicado, ensine-lhe por favor que por cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso, faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros do céu, as flores do campo, os montes e os vales.
 

Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos. Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.

 

Ensine-o a ouvir a todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando está triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram. Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.

 

Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.

 

Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.

 

Eu sei que estou a pedir muito, mas veja o que pode fazer, caro professor.

publicado por Theosfera às 20:23

O PSD resolveu dar substância ao debate parlamentar sobre o Orçamento do Estado.

 

Se anunciasse, hoje, a sua posição, o suspense teria terminado.

 

Assim, segundo o Dr. Miguel Relvas, só na véspera da votação se saberá a decisão.

 

Isto significa que ainda não se perdeu a esperança num entendimento.

 

Mas, por outro lado, esta indefinição só prejudica o país.

 

É um jogo perigoso que não traz nada de bom.

 

Ao menos que haja comedimento.

 

O efeito borboleta já se está a fazer sentir.

 

As declarações de hoje, anunciando a ruptura das negociações, tiveram logo efeitos negativos. Os juros da dívida pública terão aumentado ao longo do dia.

 

Daqui até terça-feira, impõe-se reflexão. Receio, porém, que continue o ruído.

 

Para quem está preocupado com tácticas, sexta-feira pode ser um dia aliciante. Se o Conselho de Estado vier a contribuir para a viabilização do Orçamento, uma figura emergirá: Cavaco Silva.

 

Haverá quem não goste. Mas não faltará quem assinale o facto. Só que tudo isto é secundário. O importante é que o interesse nacional prevaleça.

 

 Daqui a dois dias, há um Conselho Europeu. Portugal é, porventura, o único líder que vai aparecer sem o Orçamento assegurado. Que posição podemos ter?

 

 

 Continuo a acreditar numa solução. Até porque a situação que se desenha não interessa ao país. Nem tão-pouco à oposição. Mas não pensem em quem pode ganhar agora. Pensem em quem não pode perder nunca: o país!

 

Os partidos são necessários. Mas importante é o país.

 

 

publicado por Theosfera às 20:13

Penso que ninguém contava com esta indefinição que o país está a atravessar.

 

Uma coisa é certa. Aconteça o que acontecer, os que nada fizeram para que esta crise surgisse são os que mais vão pagar por causa dela: os pobres.

 

As negociações entre o Governo e o PSD falharam.

 

O próximo passo é ouvir o líder do PSD (que, por sinal, se chama Passos) após a reunião do seu partido, ainda hoje.

 

O presidente da república convocou também, para sexta-feira, o Conselho de Estado.

 

Imaginemos, entretanto, que o orçamento é chumbado.

 

Parece estar fora de hipótese que o Governo apresente um outro já que faz tanta questão na aprovação deste.

 

Nesse caso, o Parlamento poderia propor um alternativo. Mas alguém acha possível um acordo, sobre esta matéria, entre PSD e CDS de um lado e PCP e BE do outro?

 

Caindo o Governo e não podendo haver eleições, não se afigura viável um novo Governo do PS pois é este partido que insiste tanto nesta política orçamental.

 

Uma alternativa no actual quadro parlamentar também aparenta ser totalmente irrealizável pois seria preciso que todos os outros partidos se entendessem. E entendimento é coisa que, pelos vistos, nos falta.

 

Esperemos que, logo à noite ou sexta-feira, se faça alguma luz.

 

Seria bom que pensássemos na máxima de Raymond Aron segundo a qual «a democracia é obra comum de partidos iguais».

 

O entendimento nunca é impossível quando, abdicando do interesse próprio, nos concentramos no interesse comum.

 

E se alguém há-de ser alvo de atenção especial, que o sejam os mais desfavorecidos.

 

Não percamos (de vez) a esperança. 

publicado por Theosfera às 16:22

Depois de muitas reuniões, o país ficou a saber que não há acordo quanto ao Orçamento de Estado.

 

Dobrada a questão técnica, sobra agora espaço para a decisão política.

 

O CDS, o PCP e o BE já disseram que iam votar contra.

 

Rompidas as negociações, o PSD também terá tendência para ir pelo mesmo caminho.

 

Palpita-me, porém, que a abstenção acabará por ser a opção.

 

Tratar-se-á de viabilizar sem concordar.

 

Não há acordo. Irá haver orçamento.

 

Caso contrário, haverá crise. Ou, melhor, haverá mais crise. Ou não?

 

Será que Miguel Cadinlhe tem mesmo razão quando diz que «uma justa crise é melhor que um mau orçamento?»

 

E se pensássemos, de uma vez para sempre, no país, nos mais pobres?

 

Quando falam, parece que todos têm razão.

 

Quando agem, parece que ninguém tem a solução.

publicado por Theosfera às 12:00

Não te julgues o único. Num coral pode haver solistas. Mas é fundamental que o conjunto funcione harmoniosamente.

 

Não imponhas a tua vontade a qualquer preço. Não faças valer os teus pontos de vista a todo o custo.

 

Procura saber acolher. Tenta dar uma oportunidade a que outros se manifestem.

publicado por Theosfera às 10:52

A ideia que paira, até pela referência que fez à falta de jeito para a exposição mediática, é que, por ele, as eleições podiam já ser hoje.

 

Para um presidente em funções, qual a diferença entre o mandato e a campanha?

 

As pessoas olharão sempre para o mandato.

 

Daí a ausência de cartazes e o anúncio de gastos contidos.

 

De uma certa forma, a campanha de Cavaco Silva terminou ontem.

publicado por Theosfera às 10:49

«Os ausentes fazem sempre mal em voltar».

Assim escreveu (avisada e magnificamente) Jules Renard.

publicado por Theosfera às 10:47

Terça-feira, 26 de Outubro de 2010

Num tempo em que há tanta coisa importante a reclamar a nossa acção (e atenção), eis que hoje somos atordoados com a notícia da morte de um...polvo!

 

Ainda por cima, dizem que tinha dotes de adivinho!

 

Eis o típico caso em que o fútil ocupa o lugar do útil.

 

Sinal dos tempos!

publicado por Theosfera às 20:51

Assumo que não esperava nenhuma novidade no discurso de anúncio de recandidatura do Prof. Cavaco Silva à presidência da república.

 

Viu-se o esforço em demarcar-se de qualquer quadrante político-partidário. E chegou mesmo a dizer que o seu partido é Portugal.

 

Tentou colocar-se acima das discussões. Ensaiou um discurso de Estado, mais próprio de um presidente já reeleito do que de um recandidato.

 

Reclamou uma grande parte da responsabilidade pela situação do país não se ter degradado ainda mais. «Em que situação estaria o país se eu não fosse presidente da república?» Mas será que ainda poderíamos estar pior?

 

Disse que tentará ajudar a melhorar a vida dos mais desfavorecidos. O problema é que não se sabe muito bem com que meios.

 

Assume que fugirá a uma demasiada exposição mediática.

 

As maiores novidades têm que ver com a sobriedade da campanha.

 

Anuncia que os gastos totais serão metade do permitido.

 

E a melhor notícia é mesmo que não haverá cartazes na rua.

 

Refira-se que, até agora, são já seis os candidatos que se perfilam à suprema chefia do Estado: o Prof. Cavaco Silva, o Dr. Manuel Alegre, o Dr. Fernando Nobre, o Dr. Defensor Moura, o Eng. Francisco Lopes e o Prof. Luís Botelho Ribeiro (este, estranhamente, quase ignorado pela imprensa).

 

 

publicado por Theosfera às 20:35

Confesso que nada sabia acerca de Tarek Aziz, uma das figuras mais proeminentes do regime nefando de Saddam Hussein.

 

Acabo de tomar conhecimento de que foi condenado à morte.

 

Lamento.

 

A morte nunca é solução.

 

É preciso não confundir justiça com vingança.

 

Precisamos de alternativa. Não de redundância.

publicado por Theosfera às 20:32

A situação que se segue aconteceu num voo da British Airways, entre Joanesburgo (África do Sul) e Londres.

 
Uma mulher branca, de aproximadamente 50 anos, chegou ao seu lugar em classe económica e viu que estava ao lado de um passageiro negro.
 
Visivelmente perturbada, chamou a hospedeira de bordo.
 
- «Algum problema, minha senhora?» - perguntou a hospedeira.
 
- «Não vê?» - respondeu a senhora, «Vocês colocaram-me ao lado de um negro. Não posso ficar aqui. Tem de me arranjar outro lugar».
 
- «Por favor, acalme-se!» - disse a hospedeira, «Infelizmente, todos os lugares estão ocupados.
Porém, vou ver se ainda temos algum disponível».
 
A hospedeira afasta-se e volta alguns minutos depois.
 
- «Senhora, como eu disse, não há nenhum outro lugar livre em classe económica. Falei com o comandante e ele confirmou que temos apenas um lugar em primeira classe».
 
E, antes que a mulher fizesse algum comentário, a hospedeira continua:
 
Veja, não é comum que a nossa companhia permita que um passageiro da classe económica se sente na primeira classe. Porém, dadas as circunstâncias, o comandante pensa que seria escandaloso obrigar um passageiro a viajar ao lado de uma pessoa desagradável».
 
E, dirigindo-se ao senhor negro, a comissária prosseguiu:
 
- «Portanto, senhor, caso queira, por favor pegue na sua bagagem de mão, pois reservámos para si um lugar em primeira classe».
 
Todos os passageiros que, estupefactos assistiam à cena, começaram a aplaudir, alguns de pé.
 
(via O BANQUETE DA PALAVRA)
publicado por Theosfera às 11:57

A Deus nada é impossível?

 

A Bíblia diz que sim.

 

Clemente Romano, porém, objecta que há uma coisa impossível a Deus: a mentira.

 

E a mentira não está só (nem principalmente) em dizer o contrário do que se vê.

 

A maior mentira está na contradição entre o que se diz e o que se vive.

 

A maior mentira não ocorre no plano lógico, mas no plano ético, existencial.

 

Jesus apelou sempre para a sintonia entre as Suas palavras e os Seus gestos.

 

Não temos falta de bons discursos e belas exortações. O problema é que, depois, se vive em sentido contrário. Que credibilidade?

publicado por Theosfera às 11:51

Oscila hoje a relação entre dois extremos: o insulto e a bajulação.

 

Há quem diga ser frontal como pretexto para ser rude e insolente.

 

Ou seja, há quem pense ser frontal quando, no fundo, não passa de um mal-educado.

 

E também há quem aparente ser cortês quando, a bem dizer, se limita a ser bajulador.

 

Com os grandes usa-se de bajulação. Com os pequenos de rudeza.

 

É a amizade selectiva. Que varia conforme o lugar dos destinatários e a posição dos interlocutores.

 

Não falta quem use e abuse da lisonja com o único fito de obter proveitos, realizar interesses e materializar ambições.

 

Nada melhor, por isso, do que seguir a recomendação de S. Paulo.

 

Para todos devemos ser correctos. Para ninguém indelicado ou bajulador.

publicado por Theosfera às 11:50

«Toda a grande obra supõe um sacrifício. E no próprio sacrifício se encontra a mais bela e mais valiosa das recompensas».

Assim escreveu (notável e magnificamente) Agostinho da Silva.

publicado por Theosfera às 11:45

Nunca a linguagem de Marcelo Rebelo de Sousa foi meramente informativa ou analítica. Mas jamais terá sido tão performativa como no passado dia 17.

 

O que disse, no seu comentário semanal, interferiu decisivamente com a realidade. A bem dizer, nem sequer foi um comentário. Foi a notícia. A notícia que muitos esperavam e que surgiu de modo inesperado. E bastante solene.

 

Tudo indica que terá havido uma articulação com o Prof. Cavaco Silva. É claro que tal articulação nunca poderá ser assumida. Fica, assim, escrito mais um capítulo da vida política em Portugal: um comentador que, pelo menos uma vez, foi porta-voz!

 

O normal seria que, na véspera do anúncio da recandidatura, houvesse uma informação aos órgãos de comunicação social.

 

Acontece que há um orçamento para garantir, mesmo ainda antes de ser formalmente discutido ou aprovado.

 

E, no mesmo plano formal, é muito diferente ter um orçamento com um presidente ainda não candidato ou com um presidente já candidato.

 

Não havendo garantia de aprovação para o orçamento, a intervenção de um presidente recandidato abre pretexto para todas as interpretações. Desde logo, acerca de uma putativa falta de parcialidade.

 

Daí a importância de anunciar o anúncio com aquela antecedência. Os principais partidos perceberam a mensagem, como aliás o mensageiro fez questão de explicar.

 

As negociações começaram e tem havido reuniões todos os dias. O cálculo apontava, naquela altura, para que hoje, dia 26, tudo estivesse decidido. 

 

O líder do PSD, ontem à noite, mostrava bastas reservas. A esta hora, não sabemos como as coisas estão. Mas palpita que o fumo branco sobre o orçamento vai surgir antes das oito da noite.

 

Sucede que, com tudo isto, o élan do anúncio da recandidatura do presidente já foi retirado. No palno comunicacional, o verdadeiro anúncio foi no dia 17. Pela boca do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa...

publicado por Theosfera às 11:32

Nada pior que soluções radicais para fazer frente a problemas vitais.

 

Como todo o mundo, também os Estados Unidos estão a viver um momento difícil.

 

O efeito Obama parece já ter passado e proliferam movimentos radicais.

 

O mais recente é o Tea Party que, recorrendo aos meios mais modernos de comunicação, tem uma agenda bastante extremista.

 

Feroz opositor da reforma operada no sistema de saúde, o discurso deste grupo é bastante incisivo. As eleições de 2 de Novembro para o Congresso mostrarão até onde chega o seu verdadeiro impacto.

 

A cultura da tolerância e da moderação terá de esperar por melhores dias...

publicado por Theosfera às 11:26

Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010

1. O nosso ar, por estes dias, parece mais sorumbático e não é só por causa da crise.

 

A nossa pose é mais inclinada e os nossos olhos andam mais voltados para o chão. Há lembranças que se reacendem e pessoas que se recordam.

 

Esta é, assim, uma época que convida ao recolhimento. Para ele somos atraídos por aquele que Hans Küng denominou o grande tabu do nosso tempo: a morte.

 

Por muito que nos doa, a morte é a determinação maior da nossa vida.

 

Não foi, por isso, em vão que Xavier Zubiri sustentou que viver «é existir estruturalmente frente à morte».

 

E se a filosofia se detém sobre o mais importante, então percebe-se que Montaigne tenha defendido que, no fundo, «filosofar é aprender a morrer».

 

Está a morte conectada com o sentido e a finalidade da nossa existência. Para Gandhi, «o que importa é o fim para o qual eu sou chamado».

 

E não há dúvida de que a morte sinaliza não só o termo de um percurso, mas também o sentido de uma caminhada.

 

 

2. A morte é o problema central da vida porque ela a questiona como nenhuma outra.

 

É ela que ilustra o paradoxo humano em toda a sua crueza. Como reconhece Bruno Forte, «o homem é o paradoxo de alguém que luta pela vida e que, afinal, vai em direcção à morte».

 

O mais que conseguimos é adiá-la. Mas, por muito que tentemos, somos incapazes de lhe escapar.

 

À primeira vista, a morte é o grande certificado da caducidade de todas as coisas: não só das mais pequenas e imperceptíveis, mas também das que aparentam ser invencíveis, inexpugnáveis.

 

Tudo acaba. Tudo morre. Tudo desce à terra.

 

A hora que estamos a atravessar convida-nos, com extremos de acutilância, a sentir como tudo é perecível.

 

 

3. Numa altura em que a palavra crise desata a massacrar os nossos ouvidos, damos connosco a verificar que, de facto, este é um tempo de falências.

 

É tétrico, mas parece que só a morte não entrou em falência. Essa vem e chega sempre antes do tempo. Quanto ao resto…

 

Estão a falir empresas. Estão a falir fábricas. Estão a falir projectos. Estão a falir famílias. Estão a falir ideologias.

 

Faliu o colectivismo estalinista. Faliu o liberalismo capitalista. Faliu o totalitalismo. Faliu a partidocracia vigente. Faliu a alternativa, que não se vislumbra.

 

Faliu o Ocidente, que manda no mundo e não consegue orientar-se a si mesmo. Faliu a convivência, travestida em domínio de uns sobre os outros.

 

Estão a falir os relacionamentos entre as pessoas, cada vez mais fluidos, cada vez mais fúteis, cada vez menos duradouros.

 

Faliram os pobres. Faliram os ricos, mesmo que continuem ricos. Não faliram como ricos. Mas mostram falir como seres humanos. Não faliram na competência. Mas estão a falir na justiça, na partilha.

 

Os sonhos de há décadas parecem falir como amargas desilusões. Quem sofria continua a sofrer. O mundo melhor dá sinais de estar adiado. Para sempre?

 

Ângela Merkel veio dizer que o multiculturalismo também faliu. Os povos aprestam-se para voltarem a ser guetos. Os que chegam não conseguem integrar-se. Mas será que os que já cá moram sabem acolher?

 

O multiculturalismo não é possível em determinados países. Será viável em algum lugar?

 

Em toda a parte, há sempre quem domine, há sempre quem imponha. O pensamento único ameaça estender-se à escala planetária. Será que o diferente só tem lugar como revolta, como rebelião?

 

 

4. Estão, pois, a falir as pontes. Mas já tinham falido os muros, que agridem e afastam.

 

Estamos todos mais perto. Será que nos sentimos mais próximos?

 

A maior crise não será a de um mundo que ainda não aprendeu a ser mundo e a de um homem que tarda a aprender a ser homem?

 

 Falidas as expectativas, ainda não terá falido a esperança. Nunca consintamos que ela entre em falência.

 

 O desastre é grande. Não deixemos que seja total.

 

 A esperança tem muito de fénix. Acordará ainda que pareça adormecer. Ressurgirá mesmo quando ameace cair.  

 

 

publicado por Theosfera às 14:04

É um caso em que tendemos a separar o que Deus uniu.

 

Deus une a fé ao amor e o amor à fé. Nós, porém, gostamos de estabelecer fracturas e cisões.

 

Hoje, é cada vez mais frequente ouvirmos dizer que o importante é amar e que acreditar é secundário.

 

Mas também não basta acreditar. Acreditar sem amar não é evangélico. É coisa impossível a fé sem o amor. S. Paulo, de resto, já alertou que a fé actua pelo amor (cf. Gál 5, 6).

 

Amar é, por isso, fundamental e decisivo. Mas a fé é que inspira e enforma o amor. Longe da fé, tudo é oco, vazio e inane.

 

Amor sem fé seria como um invólucro sem conteúdo. Mas fé sem amor seria como um discurso sem acção. É o amor que dá crédito à fé.

 

A fé não precisa de se dizer quando existe amor. O amor, em si mesmo, já diz a fé. Onde há amor, flui a fé.

 

Deixa pois que Deus ame dentro de ti. Os outros terão um lugar central no teu ser.

 

Com fé, o amor brilha. Sem fé, o amor fenecerá. Mas, sem amor, a fé também murcha.

 

Um dia, talvez haja, na Santa Sé, uma sagrada Congregação para a vivência do Amor, tal como existe uma sagrada Congregação para a Doutrina da Fé.

 

Será uma forma de tornar visível o vínculo entre a fé  e o amor. Tudo sob a égide da esperança. A tal que, como alvitra Charles Péguy, «espanta o próprio Deus».

publicado por Theosfera às 11:00

José Mattoso é uma das pessoas que mais admiro. Não apenas pelo seu saber, que é muito, mas também pela sua humildade, que é ainda maior.

 

Ontem, deu uma entrevista sobre o seu percurso de vida, onde transparece toda uma panóplia de valores que cativam o mais desatento.

 

Assume-se como aluno de 13, 14 e não tem rebuço em qualificar-se como sofrível.

 

Isto dá logo que pensar. Como é que alguém excelente se apresenta como sofrível em contraste com tanta gente sofrível que se pavoneia como excelente?

 

Fala das suas opções, da sua entrada e da sua saída do mosteiro e do sacerdócio. No ar, fica uma necessidade de melhor se encontrar com Deus.

 

Há uma busca de pureza e autenticidade muito grande, que nem sempre é compreendida nem acolhida.

 

Evoca, com pesar, uma vida religiosa barroca, formal, assente nas exterioridades.

 

O que mais me toca é a referência a S. Francisco de Assis e à sua pureza que consiste em viver «o Evangelho sem glosa». Trata-se do «Evangelho despojado das derivas que foram acontecendo ao longo dos tempos». Trata-se, enfim, de uma procura da «autenticidade inicial».  

publicado por Theosfera às 10:50

Domingo, 24 de Outubro de 2010

A lógica que mais prevalece hoje no mundo é a da vingança. A Lei de Talião parece ter mais seguidores que a Lei de Cristo.

 

Quem faz o mal tem de o pagar — assim se raciocina habitualmente. Quem bate tem de apanhar — assim se fala geralmente.

 

Cristo apresenta-nos uma lógica completamente diferente. Ele não apenas leva o bem a quem merece o bem. Ele faz o bem a quem faz o mal.

 

S. Francisco segue de perto os passos do Mestre. Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão. Onde houver discórdia, que eu leve a união.

 

S. Francisco seguiu o Senhor. Nós também temos de O seguir.

 

Não há outro caminho. Para quem quiser ostentar o nome de cristão.

publicado por Theosfera às 22:01

Os dualismos são perigosos, mas a dialéctica é inevitável.

 

O Evangelho deste Domingo apresenta uma tensão entre duas formas de orar, no fundo entre dois modos de estar na vida.

 

Cristo revê-se apenas num: no que é pautado pela humildade, pela autenticidade.

 

Há que estar de sobreaviso ante uma religiosidade de fachada, que só pensa no escaparate e que, ainda por cima, humilha os demais.

 

Está tentação não pode dar-se por totalmente superada à partida.

 

Há que estar atento.

 

Deus olha com predilecção para os humildes.

 

Ai dos que humilham. Ai dos que oprimem e espezinham.

publicado por Theosfera às 21:56

O acordo é importante. Mas a ruptura também é necessária.

 

O mundo avança por consensos. Mas também progride por rupturas.

 

O problema é que, no nosso país, não se vê quem possa corporizar uma ruptura positiva.

 

Daí que o consenso tenha de emergir.

 

Não é o melhor que se possa desejar. Mas será o menos mau possível.

 

 

publicado por Theosfera às 21:52

Sábado, 23 de Outubro de 2010

Pergunto não ao vento que passa, mas à imprensa que chega notícias do meu país.

 

E o que vem estampado não é entusiasmante.

 

O sol parece tolhido pelo cinzento da crise.

 

Mas, embora não saiba como, tenho a certeza de que uma luz há-de brilhar.

 

Há-de haver uma saída. Há-de aparecer uma solução.

 

No fundo, há oito séculos que andamos sob o efeito da crise.

 

Se até agora soubemos resistir, por que razão haveríamos de desistir?

publicado por Theosfera às 13:46

A Casa dos Segredos é coisa que não me incomoda.

 

Simplesmente não vejo.

 

publicado por Theosfera às 13:44

Maradona foi grande (apesar da estatura), mas Pelé foi mesmo o maior.

 

E, talvez por patriotismo, Eusébio vem logo a seguir.

 

E em Eusébio sempre admirei a humildade, que a excelência não obscurecia.

 

Já agora, juntamente com Eusébio veio de Moçambique outro jogador cujo nome não me ocorre.

 

Tal jogador era defesa e veio para o Sporting, como aliás Eusébio era para vir.

 

O referido jogador, entretanto, deixou os relvados e foi para a Cartuxa. Encontra-se em Nápoles.

 

No dia em que perfaz 70 anos, parabéns a Pelé.

 

Foi quem melhor fez com os pés o mesmo que o artista faz com as mãos: beleza, magia, encantamento.

publicado por Theosfera às 13:40

A crise da humanidade não é uma crise de fazer. É uma crise de ser.

 

Regra geral, fazemos coisas por rivalidade. Para mostrarmos aos outros que somos tão bons como eles. Ou até melhores que eles.

 

Outras vezes, agimos simplesmente para nos mostrarmos. Para sermos aplaudidos e vitoriados.

 

Quem se dispõe a fazer não a pensar em si, mas a pensar nos outros?

 

Quem procura uma existência verdadeiramente solidária?

publicado por Theosfera às 13:37

Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010

Hoje em dia, pode faltar união. Mas o que não faltam são reuniões.

 

Conta-se até que o patriarca de Lisboa terá ironizado que, quando Jesus voltar, pode não nos encontrar unidos. Mas, muito provavelmente, encontrar-nos-á reunidos!

 

É claro que as reuniões são necessárias, mas estão a tornar-se excessivas e, sobretudo, infecundas.

 

O mais sintomático é que, quanto mais estéreis, tanto mais se repetem. De facto, quando uma reunião é inconclusiva, o mais normal é...marcar-se outra reunião.

 

Parece que no Japão já descobriram o logro de muitas reuniões. E, nesse sentido, a tendência é para que as reuniões decorram de pé.

 

Pelo menos, há uma probabilidade muito maior de serem mais breves!

publicado por Theosfera às 11:22

Não sei o que se passa. Só sei que me dói o que vejo.

 

Às vezes, tento resistir. Mas acabo sempre por desistir.

 

A televisão, nos seus diversos canais, tem-se desmultiplicado em entrevistas e debates com dirigentes políticos. Alguns deles têm pouca idade.

 

A expectativa é grande. Mas, volvidos os primeiros minutos, a desolação é maior.

 

Não se descortina uma linha de pensamento. O uso da língua é pobre.

 

Divisa-se um deslumbramento com a própria imagem. Os gestos são enfatuados.

 

Repete-se uma cartilha gasta. Eleva-se o tom de voz.

 

Não há uma estrutura. Há frases feitas.

 

Tudo é vulgar.

 

Parece que há um guião que alguém fez e todos se preocupam com a sua execução.

 

Invariavelmente, o botão desliga-se.

 

E o íntimo do cidadão fica desalentado com o que vê.

 

Não haverá melhor para mostrar?

publicado por Theosfera às 11:13

Não é só com os olhos que se vê. É sobretudo com a alma que se contempla. E com o pensamento que se medita.

 

Grave é, pois, quando nos limitamos a accionar os olhos do corpo, abafando os olhos do espírito. Aqueles que nos permitem ver mais longe. E mais longe.

 

É por isso que há muita gente com os olhos abertos que nada enxerga. E que há muita gente com os olhos fechados que tudo vê.

 

Deus não quer obviamente o pensar distante dos sentidos. Mas o que não deseja mesmo é que os sentidos ofusquem o pensar.

 

A sabedoria não está apenas em ver. Está sobretudo em reparar longamente.

 

E isso vincula — indelevelmente — os olhos do corpo aos olhos do…pensamento!

publicado por Theosfera às 10:31

Quinta-feira, 21 de Outubro de 2010

«Há duas coisas que ninguém perdoa: as nossas vitórias e os nossos fracassos».

Assim escreveu (subtil e magnificamente) Millôr Fernandes.

publicado por Theosfera às 10:50

Confesso que me tem marcado bastante o caso de José Mestre.

 

O seu tumor no rosto pesava mais de cinco quilos!

 

Como é que este ser humano conseguia viver?

 

Finalmente, foi erradicado numa sequência de quatro intervenções.

 

O seu rosto estava tapado. O rosto de muitos também está escondido pela violência, pela duplicidade.

 

José Mestre sofreu não apenas com o tumor. Também sofreu com a insensibilidade de muitos circunstantes, que se metiam com ele.

 

Como é possível?

 

Este caso é uma realidade e funciona como um sinal. Como um sinal do nosso ser e sentir, da nossa decadência, da nossa insensibilidade.

 

O rosto do nosso mundo também tem de extirpar o tumor que o afecta.

publicado por Theosfera às 10:16

Vai longa e promete arrastar-se a conversa sobre o orçamento.

 

A crispação dilata-se e empobrece o diálogo.

 

Regra geral, é sempre assim: quando a voz é alta, a razão é baixa.

 

Os cidadãos começam a interrogar-se sobre o papel do Estado nas suas vidas.

 

É claro que não cabe ao Estado substituir-se às pessoas. Mas o que não pode é asfixiá-las com uma intromissão desmedida.

 

Há uma espécie de contrato em que o cidadão contribui com algo do que recebe e o Estado assegura-lhe muito do que necessita.

 

Sucede que, na hora que passa, o Estado exige cada vez mais e oferece cada vez menos.

 

Ao contrário do que acontece na França, em que as pessoas se revoltam em conjunto, nós, portugueses, vamo-nos desmobilizando nas teias do torpor e do desencanto.

 

Mas esta atitude até pode ser mais pedagógica. Com efeito, mais importante do que explodir (a violência nunca resolve nada) é reflectir.

 

É fundamental que se dê vez às capacidades de tantos. E que dê voz às necessidades de muitos.

 

O Estado está mais magro na sua despesa. Mas, mesmo assim, ainda se encontra bastante obeso na sua estrutura, no seu funcionamento.

 

Magras começam a estar muitas pessoas. O pão começa a escassear em muitos lares.

 

Enquanto não houver o essencial em todas as casas, escusado será entoar loas a qualquer política.

publicado por Theosfera às 10:04

Um quinto das nossas crianças (sobre)vive em condições de pobreza. Pior, há crianças que são abandonadas pelas próprias mães nos hospitais!

 

As relações familiares estão em acelerada mudança, em perturbadora combustão e em perigosa erosão.

 

 Filhos abandonados pelos pais. Pais abandonados pelos filhos. A família está em desestruturação galopante.

 

 Não radicará a desestruturação do mundo na desestruturação da família? Como pensar em resolver as situações mundiais se não nos debruçamos sobre a família?

 

 Já os Sete Sábios diziam que tudo depende do pequeno, inclusive o grande. O macro depende do micro.

 

 Se olharmos para a família como um pequeno mundo, estaremos a contribuir para que o mundo se torne uma grande família.

publicado por Theosfera às 10:03

Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010

Ele veio sob o signo da esperança. Cavalgou a onda que passava.

 

É ainda com esperança que o mundo olha para Obama. Os americanos, porém, parece que já a perderam.

 

E, daqui a duas semanas, nas eleições intercalares, preparam-se para certificar o seu descontentamento.

 

O problema é que a esperança não vai dirigida para mais ninguém.

 

O problema é que, provavelmente, irão ser engrossadas as vozes que se fazem eco da desesperança.

 

Os extremismos preparam-se para sair da clandestinidade.

 

Que o bom senso consiga fazer frente às sombras que vão escurecendo os espíritos.

publicado por Theosfera às 11:36

Andamos, cada vez mais, formatados por estereótipos.

 

Numa aldeia global, é natural que se fale a mesma língua. O inglês tem o mesmo estatuo que o latim de antanho.

 

Mas há algo que nos empobrece.

 

Primeiro, não é por falarmos a mesma língua que nos entendemos melhor. O entendimento é algo que decresce cada vez mais.

 

E, em segundo lugar, das seis mil línguas que existem no mundo metade estão em vias de extinção.

 

É pena.

publicado por Theosfera às 11:34

É, consabidamente, o tempo uma das nossas principais carências, mas também um dos nossos mais frequentes pretextos.

 

Todos dizem não ter tempo. Mas é um facto que também é bastante cómodo dizer que não há tempo.

 

Trata-se de uma espécie de narcótico, que passa uma esponja sobre qualquer incursão da autocrítica.

 

Este é um campo onde dá para ver as verdadeiras prioridades que norteiam o nosso caminhar e pautam o nosso agir.

 

Raramente há tempo para o que devemos fazer. Mas arranja-se sempre tempo para o que apetece fazer.

 

Tempo para estar com Deus? Bem gostaríamos de dispor dele, mas facilmente nos desculpamos com a sua falta.

 

Será, no entanto, falta de tempo? Não será, antes, uma tremenda falta de amor?

publicado por Theosfera às 10:51

Também o Evangelho nos fala de tempestade.

 

Aliás, já o Antigo Testamento referia que Deus fala até na tempestade (Job 38, 1).

 

É que, mesmo na tempestade em que a vida amiúde se transforma, há sempre Alguém que nos acompanha.

 

 Parece que dorme. Mas, ainda que durma, Ele acalma todas as nossas intempéries. Tenhamos fé. N'Ele.

 

 Cristo é a calma de todas as nossas tormentas. Entreguemo-nos a Ele, à paz da permanente inquietação.

publicado por Theosfera às 10:49

Terça-feira, 19 de Outubro de 2010

Muito ganharia a construção do futuro com uma maior atenção ao que nos chega do passado.

 

Lastimo que, por exemplo, um intelectual da estirpe de António Sérgio seja, hoje em dia, um ignorado.

 

Quem perde não é ele. Quem perde somos nós.

 

A sua concepção de cultura e de moral impõem-se, na actualidade, com uma pertinência assombrosa.

 

Para Sérgio, a cultura não remete só para a estética. Aponta, antes de mais, para a ética. Ela é assimilada à civilização.

 

Daí que a cultura tenha que ver com os valores e, especialmente, com o bem.

 

Por sua vez, a moral tem uma componente psicológica que não pode ser desguarnecida.

 

A consciência dos valores é inseperável da vivência daqueles que os incorporam.

 

«A vida moral é um processo psicológico a que as imagens de certas pessoas que se impõem ao nosso espírito, que veneramos e imitamos, dão força impulsora e norteante. A personalidade da criança cresce por imitação dos outros eus».

 

A importância do testemunho e do exemplo é determinante. Se aqueles que os mais jovens imitam primam por comportamentos negativos, como exigir aos mais novos valores positivos?

 

Convenhamos que o futuro que os mais adultos estão a oferecer não é propriamente promissor.

 

Há, pois, que reflectir. E inflectir.

publicado por Theosfera às 21:20

Primeiro, foi por telefone. Precisava de uma consulta. Não forneceu muitos dados.

 

Depois, foi já no consultório. O laconismo manteve-se. Apenas dizia chamar-se Gabriel. O dado mais relevante que adiantou foi o seu interesse pela inteligência artificial.

 

O psicólogo ficou apreensivo e envolvido por uma ansiedade crescentemente tremebunda.

 

A páginas tantas, perguntou: «O que o traz por cá?».

 

«Sou Deus e estou aqui para desabafar».

 

O resto fica para a leitura do livro que Michael Adamse publicou em 2007 e cuja versão portuguesa acaba de aparecer.

publicado por Theosfera às 20:54

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