O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 30 de Abril de 2010

O alarmismo nunca resolveu nenhum problema. Mas o cuidado também nunca tolheu qualquer optimismo.

 

É um facto que a situação de Portugal ainda não chegou aos níveis da Grécia.

 

A dívida da Grécia (113% do PIB) é superior à nossa (77% do PIB).

 

E até pode ser que nunca nos aproximemos desse patamar. O ciclo pode alterar-se e a situação inverter-se.

 

Mas algum cuidado é preciso ter.

 

É que o crescimento da economia é mais lento em Portugal (1,5% do PIB) do que na Grécia (3,9%).

 

Isto significa que, com o fraco desempenho da nossa economia, o mais provável é que a dívida se agrave.

 

A Grécia sofre um grave problema de finanças. Mas nós estamos a padecer de um enorme de problema de economia.

 

É preciso gastar menos. É urgente produzir mais. É fundamental que nos entendamos. E é decisivo que nos unamos.

 

E, acima de tudo, a justiça. 

 

Não se pode ter tudo, certo. Mas que os mais pobres, nesta hora difícil, não sejam (ainda mais) sacrificados. 

publicado por Theosfera às 16:04

Greves nos resíduos sólidos, nos correios, nos mineiros, na emergência médica, nos enfermeiros, na transtejo, nos camionistas.

 

A crise provoca conflitualidade.

 

Mas palpita-me que a resposta à crise irá agravá-la.

 

Compreende-se a revolta. Mas só na paz que se conseguem as respostas.

publicado por Theosfera às 11:44

As discussões dos últimos dias vão, certamente, ter um efeito.

 

A austeridade vem aí.

 

Há benefícios que vão ser retirados.

 

A dor vai ser grande.

 

E os pobres, como sempre, são quem mais a vai sentir.

 

Alguém os escutará?

publicado por Theosfera às 11:27

Há quem o acuse de ser o maior responsável pela crise actual.

 

O seu mal terá sido o de pensar muito nos outros, sobretudo nos mais desfavorecidos.

 

Sucede que o pior mal é haver muitos que só pensam em si.

 

Isto, sim, é o que provoca todas as crises.

 

No dia em que completa 61 anos de vida, deixo esta evocação acerca do Eng. António Guterres.

 

Faço-o com a independência que sempre mantive em matéria política.

 

Mas Guterres, que está a fazer um trabalho magnífico junto dos refugiados, é, acima de tudo, um homem bom, com um grande coração.

 

É isto que falta hoje. É disto que precisamos agora. De coração!

publicado por Theosfera às 11:22

O homem mais influente do mundo fala português.

 

Quem o reconhece é uma revista que fala inglês.

 

O mérito é do próprio, de Lula da Silva.

 

Mas o lastro também não pode ser totalmente ignorado.

 

O Brasil é um vulcão prestes a explodir.

 

Que o seu desenvolvimento traduza justiça para os mais desfavorecidos.

publicado por Theosfera às 11:17

Devia morar no silêncio, mas eis-me a habitar no meio das palavras.

 

Espero que as palavras sejam o sopro do silêncio.

 

Que a minha habitação não se afaste da minha morada.

 

E, acima de tudo, que não desmereça a confiança que depositam neste pobre servidor.

 

O silêncio nunca me desamparou, nunca me desiludiu, nunca me esqueceu.

 

Nunca me arrependi do que falei. Mas sempre me desvaneci com o que consegui calar.

 

Somos donos do que calamos e escravos do que dizemos.

 

Mas temos de falar. Sobretudo falar do que colhemos nas arcas do silêncio...

publicado por Theosfera às 11:13

Faltam milhões.

 

Aqui, faltam milhões de euros. A dívida é grande. As consequências ainda não são conhecidas, mas há quem vá sofrer muito.

 

Só que, em muitas latitudes, já há quem esteja a sofrer.

 

No Níger, por exemplo, dois milhões de pessoas não têm pão. Estão ameaçados de morte. Pela fome!

publicado por Theosfera às 11:11

É de manhã que começa o dia. Mas é pela tarde que se vislumbra o brilho da manhã.

 

No Colégio da Imaculada Conceição, no final de mais um dia de trabalho, conjuga-se um ambiente de muita serenidade para a Eucaristia.

 

 

À intensidade da fé junta-se a solicitude na escuta e a vibração na presença.

 

O meu testemunho de gratidão. 

 

publicado por Theosfera às 09:48

Quinta-feira, 29 de Abril de 2010

Admiro, cada vez mais, a humildade e a paz.

 

É o caminho de Deus. É o caminho para Deus.

publicado por Theosfera às 10:43

Quarta-feira, 28 de Abril de 2010

As crises acontecem quando os problemas ultrapassam as lideranças.

 

As crises são vencidas quando as lideranças ultrapassam os problemas.

 

É claro que situações como a que estamos a viver requerem um envolvimento comunitário. Mas até para que este surja, é fundamental que apareça alguém que determine, que aponte e que seja escutado.

 

Não se trata de soluções providenciais. Trata-se da permanente lição da história.

 

Nos grandes momentos, têm de aparecer grandes homens.

 

Grandes no saber. Grandes na honestidade. Grandes na ética. Grandes na capacidade de mobilizar. E de mudar.

publicado por Theosfera às 22:37

O director-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, afirmou hoje que «não se devia acreditar demais» no que dizem as agências de notação financeira [rating].

 

As declarações de Strauss-Kahn ocorrem quando Grécia, Portugal e Espanha acabaram de ver revistas em baixa as notas atribuídas às suas dívidas públicas.

 

Interrogado sobre o papel das agências de notação e o crédito que merecem as suas opiniões, Strauss-Kahn respondeu que «reflectem o que recolhem [como informações] sobre o mercado. Não se deve acreditar demasiado no que dizem, apesar de terem alguma utilidade».

 

Uma das três principais agências de notação, a Standard and Poor's [as outras são a Moody's e a Fitch], reduziu na terça-feira a nota da Grécia, relegando o investimento nos seus títulos de dívida pública para a categoria de 'investimento especulativo'.

 

No mesmo dia, a agência degradou também a nota atribuída a Portugal e hoje fez o mesmo a Espanha.

publicado por Theosfera às 22:14

Água mole em pedra dura, tanto bate que...nem sempre fura.

 

Assim se poderia resumir a partida entre o Barcelona e o Inter.

 

É um prazer ver jogar a equipa da Catalunha. A bola é adornada com requintes de arte supina.

 

O Inter praticamente viu jogar.

 

Mas conseguiu os seus intentos.

 

Mérito para um português: José Mourinho.

 

Sem engenho e arte, incutiu níveis enormes de resistência.

 

Não foi fácil. Mas conseguiu.

 

Este jogo fez-me lembrar o Mundial de 1982, em Espanha.

 

O Brasil tinha uma selecção sublime. Mas a Itália venceu-a.

 

Nem sempre os melhores conseguem levar a melhor.

 

Uma vez mais, a força travou a arte.

 

 

publicado por Theosfera às 22:09

Logo no dia em que o ranking da FIFA nos coloca quase no topo do futebol, eis que as agências de rating nos avisam de que estamos quase no fundo.

 

No futebol, no limiar da excelência. No resto, à beira da falência.

 

 

Neste balanço de pesos e contrapesos, as sensações são díspares. Mas não vai ser o futebol a dar-nos pão.

 

Há que unir forças.

 

Louvo, pois, a conjugação de esforços entre a oposição e o governo. Todos não somos demais para inverter o ciclo.

 

Custou-me foi ouvir que as prestações sociais poderão vir a sofrer uma redução. Ou seja, os pobres vão ser os mais prejudicados. Isto dói.

 

Do que menos precisamos é de apurar, à guisa de uma catarse, de quem é a culpa.

 

Do que necessitamos é de ver a quem pertence a maior energia para seguir em frente.

 

Volto a Vergílio Ferreira: «Quando a situação é mais dura, a esperança tem de ser mais forte».

 

Havemos de conseguir!

 

publicado por Theosfera às 16:16

Aqueles que nos avisam são, habitualmente, acoimados de padecerem de pessimismo.

 

O problema é que a realidade, muitas vezes, dá-lhes razão.

 

Ainda iremos a tempo de evitar a queda?

 

Ou será que este pânico é infundado?

 

Quando os grandes economistas e as agências de referência colocam Portugal em situação de perigo, estarão a ver mal?

 

Como vamos sair desta situação?

 

Como pagar a dívida que o país tem?

 

Acresce que tal dívida pouco (ou nada) se repercutiu na melhoria da vida de muitos.

 

E, agora, para saldar as contas, os mais pobres vão ser chamados a colaborar. Ou seja, vão ser intimados a ficarem (ainda) mais pobres!

publicado por Theosfera às 11:39

Portugal, afinal, está a aproximar-se da Grécia.

 

Não se trata de uma qualquer deslocação geográfica, mas de uma perigosa proximidade na crise.

 

O líder da oposição vai reunir-se de emergência (a ênfase é sempre assinalada) com o primeiro-ministro.

 

A edição alemã do Financial Times abre hoje com um retrato negro da crise nacional.

 

Com o título Portugal também já arde, o jornal económico escreve que os piores receios parecem ter-se concretizado depois de a agência Standard & Poor's ter cortado dois níveis no rating de longo prazo do país, de A+ para A-, e do principal índice da bolsa portuguesa, o PSI 20, ter registado a maior queda desde Outubro de 2008 quando ontem fechou a perder 5,36%.

 

«Temendo a falência do país mais pobre da Europa Ocidental, os investidores fugiram em massa dos títulos portugueses», escreve o Financial Times.

 

O diário sublinha que a disseminação do risco de falência a Portugal e a países maiores como Espanha e Irlanda foi sempre considerado o pior cenário, e que se deve agora às hesitações quanto ao pacote de apoios à Grécia.

 

Os economistas Thomas Meissner e Kenneth Rogoff falam de círculo vicioso e efeito dominó, sublinha o diário, que vê ainda um problema suplementar em Portugal: «A economia portuguesa está a crescer mais devagar que a grega».

 

Será que isto é mesmo verdade? Que, ao menos, não nos escondam a verdade.

publicado por Theosfera às 10:53

 

Onde há mais justiça: na igualdade ou na diferença?

 

Quando tendemos a nivelar tudo e todos, não estamos a homenagear a igualdade, cujo advento à contemporaneidade remonta à Revolução Francesa.

 

A maior igualdade está precisamente na diferença. Aquilo que mais nos iguala é o facto de sermos diferentes, é o facto de ninguém reproduzir exactamente ninguém.

 

O princípio da igualdade determina, pois, que respeitemos todo o ser humano na sua diferença.

 

Nenhum ser humano é reprodução de outro ser humano. Todos somos outros.

 

Assumamos as diferenças. Alegremo-nos com as diferenças. Ser pessoa vem de per-sonare: soar através de.

 

Através de cada ser humano ressoa uma mensagem única, irrepetível. Escutemo-la.

publicado por Theosfera às 10:31

Terça-feira, 27 de Abril de 2010

A cidade e a região estão tingidas de dor e ungidas de perturbação. Várias pessoas têm colocado termo à vida. Porquê?

 

Preocupamo-nos com o que vai acontecendo aos outros. E inquietamo-nos com que nos possa acontecer a nós.

 

A recorrência insistente de situações-limite, que atiram não poucos para o altar da dor e para o patíbulo do desespero, causa um caudaloso fluxo de perplexidade.

 

Porquê? É o que mais se pergunta.

 

As respostas é que teimam em não vir.

 

Não se encontram justificações. Nem se lobrigam explicações.

 

Augusto Cury costuma falar do fenómeno RAM.

 

Trata-se do Registo Automático da Memória.

 

Tudo o que acontece no exterior aloja-se no interior, inscreve-se na alma.

 

Tudo isso determina o nosso comportameto e vai configurando a nossa identidade.

 

O positivo constrói-nos. O negativo vai-nos corroendo, destruindo. Pode haver um limite.

 

Hoje em dia, todos temos a alma ferida.

 

Quando nos espantamos com determinadas situações, temos noção de que o perigo não anda longe.

 

Apesar de tudo, é possível vencer. Há uma energia que nos invade. A energia da paz, acompanhada da vitamina da esperança.

 

Deus está com todos os que a perderam: a esperança.

 

Ele ajuda-nos a reencontrá-la.

publicado por Theosfera às 11:45

A frieza entre as pessoas deixa-nos cada vez mais estarrecidos.

 

Já não somos apenas um mistério para nós. Somos também um perigo para os outros.

 

Os jornais parecem uns autênticos anais de terror.

 

Que tal pôr os olhos na natureza?

 

Sabiam que os chimpanzés não largam os filhos que morrem durante semanas?

 

O afecto está inscrito na natureza. Como é possível largá-lo com tamanha facilidade?

publicado por Theosfera às 11:30

«A liberdade é um bem tão apreciado que queremos ser donos até da alheia».

Assim escreveu (notável e magnificamente) Montesquieu.

publicado por Theosfera às 11:24

Nesta semana de greves, há quem proteste: como é que o país pode estar parado?

 

Mas, nesta mesma semana de greves, não falta quem opte por pensar: porque é que tanta gente, no país, está tão descrente?

 

Esta paralisia é ainda mais preocupante.

 

Muitos estão descrentes. Até no Parlamento vai haver greve.

 

O desnorte é aflitivo. Há quem conteste as greves mesmo que já as tenha feito.

 

Precisamos de nos reencontrar como um todo.

 

É urgente que voltemos a acreditar. 

publicado por Theosfera às 11:03

Nestes tempos de vertigem mediática, em que quem não aparece é como se não existisse, faz bem evocar a concepção que Hannah Arendt tinha da filosofia: «A actividade do pensamento é não só uma actividade invisível, mas também uma actividade que não tem necessidade de aparecer ou sequer de um impulso mínimo orientado para a comunicação com os outros. A filosofia é uma ocupação solitária. Talvez Hegel tivesse razão: "A coruja só levanta voo ao anoitecer"».

 

Só que há um problema: se o pensamento foge da comunicação e a comunicação foge do pensamento, vamos comunicar o quê?

 

Não será este o drama da actual comunicação social? A comunicação do vazio, do non-sense?

 

Pensemos. E, tanto quanto possível, não deixemos de comunicar.

publicado por Theosfera às 10:55

1. O ideal do 25 de Abril é belo, é cristão. Não o deixemos amordaçar. Nem adiar.

 

 A liberdade é um tema essencialmente bíblico e marcadamente cristão. Se amputássemos da Sagrada Escritura o vocabulário relativo à liberdade ficaríamos, seguramente, com menos de metade do texto sagrado.

 

 Cristo é o paradigma da liberdade porque é o paradigma da verdade. Só na verdade há liberdade (cf. Jo 8, 32)

 

Uma vida de mentira não é uma vida livre. Pelo contrário, é uma vida oprimida e opressora.

 

Jesus pagou um alto preço por causa do Seu compromisso com a verdade. Nunca seguiu a corrente. Nunca pactuou com interesses. Era verdadeiro. Era livre.

 

 

2. Em nome de Cristo, a Igreja nunca se pode calar quando a liberdade está em risco.

 

A Igreja nunca pode estar do lado dos opressores. E o silêncio, como é óbvio, pode ser interpretado como conivência com os opressores.

 

A liberdade está ameaçada quando os direitos não são respeitados e quando as injustiças são promovidas.

 

Não havia liberdade em Portugal antes do 25 de Abril. Mas será que, hoje, há liberdade?

 

Haverá liberdade quando uma parte significativa da população é impedida de aceder ao trabalho, à saúde e à educação?

 

Haverá liberdade quando o delito de opinião dá sinais de ter regressado, quando uma pessoa é estigmatizada por assumir o que pensa e por dizer o que sente? Não será, por isso, altura de, também em Portugal, libertar a liberdade?

 

 

3. Em nome de Cristo, a Igreja não se pode limitar a dar o pão aos famintos. Tem de ser também a voz dos espezinhados, dos explorados.

 

A Igreja não pode ter medo das reacções. Só há reacção perante uma acção. Antes a crítica por causa da intervenção corajosa do que a censura por causa do silêncio cúmplice.

 

Em nome de Cristo, a Igreja não pode pairar sobre a vida. Tem de aterrar na vida. Na vida das pessoas, especialmente das pessoas pobres.

 

Na hora que passa, a Igreja tem o dever de ajudar a reconduzir a liberdade ao seu ambiente natural.

 

É preciso recolocar a liberdade na verdade, na justiça e no desenvolvimento.

 

Necessitamos de liberdade para procurarmos a verdade. E necessitamos da verdade para crescermos em liberdade. Sem liberdade não há verdade. Sem verdade não há liberdade.

 

Enquanto esta associação não estiver bem assimilada, a corrupção continuará a crescer. Por muitas leis que se façam, só quando a consciência estiver predisposta para a verdade é que a vida será lisa, limpa.

 

A justiça é, porventura, o domínio onde mais temos falhado. Falo da justiça processual e sobretudo da justiça existencial.

 

A nossa justiça é lenta, não estimula o cumprimento do dever. Pior, quase incentiva o seu incumprimento.

 

Quem tem princípios, parece não prosperar. Há que apostar na transparência de métodos e na equidade de tratamentos.

 

Hoje em dia, Portugal é um país muito injusto. As assimetrias entre o litoral e o interior são mais que muitas. O desnível entre classes é aflitivo. A disparidade de salários é chocante. Um país injusto é um país livre?

 

 

4. O desenvolvimento é visto numa perspectiva prioritariamente física, estrutural. Há, de facto, obra feita: estradas, edifícios, serviços.

 

É importante, mas não basta. É imperioso apostar nas pessoas, na sua qualificação.

 

O desenvolvimento é, sobretudo, abrir oportunidades. Que desenvolvimento há num país onde o salário médio é tão baixo, onde as listas de espera na saúde são tão extensas, onde ainda há pessoas que não sabem ler, onde o consumo de jornais e de livros é tão reduzido?

 

O 25 de Abril não está concluído. É preciso que todos peguemos nele. 

publicado por Theosfera às 10:52

Segunda-feira, 26 de Abril de 2010

1. Aproxima-se a visita do Papa a Portugal.

 

Que se pode esperar quando uma instituição em crise vem ao encontro de um povo em dificuldades?

 

À primeira vista, o clima tem tudo para ser depressivo. Mas também é verdade que este pode ser um chão fecundo e um terreno propício para fazer fermentar a esperança.

 

O que se passa na política, na economia, na sociedade, na criminalidade e no desemprego é um poderoso sintoma de uma profunda crise de valores.

 

A esta crise não escapa nada nem ninguém. Já nos finais da década de 80 do século passado, Gilles Lipovetsky alertava para a emergência de uma crise em todas as instituições, mencionando também a Igreja.

 

E, diga-se, o actual Papa, já enquanto cardeal, não mostrava qualquer receio no emprego da palavra crise.

 

Aliás, ainda muito antes de se conhecer o vendaval noticioso acerca da pedofilia, Joseph Ratzinger chegou a dizer que, na Igreja, a crise ainda mal começou.

 

Ora, se nem o Papa tem medo da palavra crise, não há razão para que tal medo exista em nós. Tanto mais que o problema não está no uso da palavra. O problema está naquilo que motiva o seu uso.

 

 

2. É bom que se tenha presente que, a bem dizer, a Igreja nunca deixou de estar em crise.

 

Ao longo dos seus mais de vinte séculos de história, a Igreja parece ter uma espécie de contrato firmado com a adversidade.

 

O que determina a qualidade de vida da Igreja é a atitude perante a referida adversidade.

 

E a experiência demonstra à saciedade que quando a Igreja se inquietou, ela cresceu. Pelo contrário, quando a Igreja se aquietou, ela estagnou.

 

Pensando na tragédia da pedofilia, verdade seja dita que o Santo Padre, já desde os tempos de cardeal, nunca se conformou com a realidade.

 

E não há dúvida de que são abundantes os sinais de que está determinado a fazer tudo para combater este mal. Pelo menos, quanto ao encobrimento, dificilmente alguém poderá voltar a contar com a cumplicidade da autoridade máxima da Igreja.

 

 

3. Noutro plano, vieram a lume números que põem a descoberto a sensação de desconforto diante da falta de vocações à vida consagrada.

 

Quando pensamos nos números de seminaristas por diocese e nas ordenações (em comparação com as necessidades), temos de reconhecer que ainda estamos muito distantes de um superamento da crise.

 

Estamos melhor do que há uns anos. Mas já estaremos bem? A crise não se deve apenas à falta de generosidade das pessoas.

 

Não tem que ver somente com a debilidade da resposta. Tem que ver, antes de mais, com uma certa fragilidade da proposta. É o testemunho que tem de mudar se queremos incrementar um maior dinamismo vocacional.

 

Ainda vivemos em crise, digamo-lo sem depressões e com esperança. Uma crise é uma situação que tem tanto de perigoso como de decisivo. Trata-se, portanto, de uma realidade e de uma oportunidade.

 

Uma crise pode, portanto, ser encarada com esperança. Aliás, para um cristão, só pode ser encarada com esperança.

 

 

4. É esta esperança que Bento XVI vai certamente transportar nos dias que vai passar entre nós.

 

É importante que nos centremos na mensagem que nos vai deixar. Daremos conta de que estamos perante alguém que não fecha os olhos à realidade. É tão vigoroso na denúncia como insistente no anúncio.

 

Sendo alguém com um pensamento muito estruturado, é natural que as suas palavras nem sempre sejam de assimilação fácil.

 

Temos de ter presente que grande parte da sua vida teve como cenário principal a sala de aula. Mas o essencial permanece.

 

E o essencial é uma contínua abertura entre a religião e a razão, entre a fé e a cultura, entre o Evangelho e a vida.

 

Muito tem Bento XVI apelado para a centralidade do logos. E, como não se tem cansado de lembrar, logos não é apenas palavra. É também sentido. É igualmente amor.

 

Possamos todos sentir o eco deste amor nos próximos dias. Que sejam dias de reconciliação, de harmonia, de tolerância e, se possível, de alegria!

publicado por Theosfera às 12:03

O projecto da filosofia (e o desígnio da vida humana) é o oráculo de Delfos acolhido por Sócrates: «Conhece-te a ti mesmo».

 

Andamos uma vida à procura de uma resposta que, minimamente, nos preencha e satisfaça. Será possível?

 

Nietzsche sentenciou que «o Homem é o ser mais distante de si mesmo». E, mais moderadamente, Hannah Arendt não deixa de confidenciar que «ninguém pode conhecer-se a si próprio, uma vez que ninguém aparece a si próprio do mesmo modo que aparece diante dos outros».

 

Tem razão o Salmista. Só na luz de Deus encontramos a nossa luz (Sal 35, 10).

 

O Vaticano II, no nº 22 da Gaudium et Spes, apresenta-nos a chave do autoconhecimento: «Cristo, o Verbo Encarnado, revela o Homem ao Homem».

Em Cristo, nós!

publicado por Theosfera às 10:49

Domingo, 25 de Abril de 2010

Outrora, as ditaduras eram fruto da imposição de alguns. Hoje, correm o risco de ser fruto da desistência de muitos.

 

Não se pode exaltar a liberdade e, depois, não aceitar a crítica.Mas também não é possível praticar a maledicência e a ofensa como expressão de liberdade.

 

A liberdade tem custos. O diálogo tem regras. Pelo menos, as da decência.

 

Haverá um fundamento teológico da democracia?

 

Eis o que nos diz António Sérgio que, não sendo teólogo, faz teologia neste campo: «A criação é como é porque o Criador Se quis obrigar a respeitar a liberdade da criatura. Deus enunciou a lei; não instituiu, porém, a censura; deixou-nos a liberdade de proceder, com a responsabilidade pelos nossos actos. É blasfémia para todo o cristão o colocar-se um homem acima de Deus negando-se a respeitar o que Deus respeitou. O verdadeiro religioso não pode ser senão democrata».

 

Eis, entretanto, as razões que ele apresenta para que seja tão difícil viver sob este regime: «O que mais dificulta que a boa semente democrática germine é a terrível falta constante de autodomínio e de "assessego", de esforço para a objectividade e para a ordenação do espírito. Expressamo-nos de maneira cálida e explosiva, com muita impetuosidade e em voz alta, sem querer ouvir quem nos fala, sem rebates de consciência quanto à exactidão do que afirmamos».

 

publicado por Theosfera às 19:20

Sábado, 24 de Abril de 2010

Tornar-se desconhecido.

 

Não ser lembrado.

 

Ser incógnito.

 

Passar por invisível.

 

Apagar o (seu) rasto.

 

Emigrar para um lugar distante, ainda que permanendo nos sítios em que sempre viveu.

 

 

Winston Park morreu acreditando que, na manhã a seguir ao entardecer da sua vida, haveriam de ecoar de novo os sonhos do seu próprio amanhecer.

 

A semente tem mesmo de morrer para dar fruto?

 

Bem-aventurados os que não desistem de acreditar. Mesmo que não vejam os frutos dos seus sonhos.

publicado por Theosfera às 16:10

A economia é, de facto, uma ciência muito estranha. Só a entendem mesmo os especialistas.

 

Então, agora que foi decretado o fim da crise global, começam a multiplicar-se os avisos de falência?

 

A Grécia parece já não escapar. A seguir, será a nossa vez.

 

Sempre achei que a nossa adesão ao euro tinha a feição de um passo maior que a perna.

 

A convergência com o resto da Europa (era bom de ver) quedava-se pelo plano nominal. Ainda estamos longe de uma convergência real.

 

Acreditemos na palavra do nosso Presidente. Segundo ele, seriam precisos demasiados erros para o país entrar em bancarrota.

 

Praza a Deus que eles não sejam cometidos. Ou, se o forem, que não sejam em demasia.

 

Sempre nos contentamos com pouco, não é verdade?

publicado por Theosfera às 15:54

O que é a liberdade para um seguidor de Jesus Cristo?

 

Escutemos Karl Rahner:

 

«A liberdade, no fundo, consiste na abertura para tudo, sem excepções: a abertura para a verdade absoluta, para o amor absoluto, para a infinitude absoluta da vida humana na imediatez para com Deus.

 

Esta liberdade não é a ausência de forças que determinem a nossa existência. Para nós, não existe liberdade directa que consista na ausência de qualquer força a codeterminar a nossa existência. Mas o cristão crê que, no meio dessa catividade, existe uma porta que se abre para a liberdade, que não atingimos pela força, mas nos é dada por Deus na medida em que Ele Se dá a Si próprio».

publicado por Theosfera às 12:03

Não é só o facto negativo que perturba. É também a resistência a que se faça alguma coisa para que ele não se repita.

 

À vezes, até parece que estamos mais incomodados com a denúncia dos factos do que com os factos denunciados.

 

Como é possível, meu Deus?

 

Não sei exactamente o quê, mas tenho plena consciência de que algo tem de ser feito: na vida de cada um e na vida comunitária, institucional.

 

É a realidade que o demonstra. É o sofrimento das vítimas que o reclama. E, last but not least, é o Espírito que o exige.

 

Não pretendamos condicionar o Espírito de Deus. Deixemo-nos conduzir por Ele.

 

Custa ouvir que sempre foi assim. Que sempre assim será. Que a Igreja é (será?) a única instituição que é acusada pelo que aconteceu há décadas, há séculos.

 

Mas não é a própria Igreja que afirma que está sempre em estado de reforma? Porquê, então, esta tendência para jogar para os lados?

 

Se não é a nossa vontade a requerer a mudança, que, ao menos, não fechemos os olhos aos acontecimentos.

 

Alguma coisa tem de ser feita. Não muito tarde.

 

Não fechemos os olhos. Não cerremos os ouvidos. Não abafemos o clamor. Não obscureçamos a alma. Não endureçamos o coração.

 

Há qualquer coisa que tem de acontecer.

publicado por Theosfera às 11:51

Afinal, não herdamos exactamente 50% da nossa informação genética de cada progenitor.

 

É verdade, pelo menos para já, que no núcleo as porções são equitativas, mas as mitocôndrias (as baterias de energia das nossas células) também contêm ADN e só da mãe.

 

Diz o Prof. Alexandre Quintanilha: «São só uns pozinhos, cerca de 0,01%, mas é relevante, porque há doenças genéticas gravíssimas com mutações do ADN mitocondrial, o que significa que são herdadas da mãe», explica.

 

Assim sendo, afiança, «somos mais filhos da mãe do que do pai».

publicado por Theosfera às 11:38

Sexta-feira, 23 de Abril de 2010

 Se eu aprender inglês, alemão e chinês, e dezenas de outros idiomas, mas não souber me comunicar como pessoa, de nada valem as minhas palavras!
 
Se eu concluir um curso superior, andar de anel no dedo, frequentar cursos e mais cursos de atualização, mas viver distante dos problemas do povo, minha cultura não passa de inútil erudição.
 
Se eu morar no Nordeste, mas desconhecer os problemas e sofrimento de minha região e fugir para férias no Sul, até na América ou Europa, e nada fizer pela promoção do homem, não sou cristão.
 
Se eu possuísse a melhor casa de minha rua, a roupa mais avançada da moda, e não me lembrar que sou responsável por aqueles que moram na minha cidade e andam de pé nos chãos, e se cobre de molambo, sou apenas um manequim colorido.
 
Se eu passar os finais de semana em festa e programas, sem ver a fome, o desemprego, o analfabetismo e a doença, sem escutar o grito abafado do povo que se arrasta à margem da história, não sirvo para nada.
 
O Cristão não foge dos desafios de sua época. Não fica de braços cruzados, de boca fechada, de cabeça vazia; não tolera a injustiça, nem diante das desigualdades gritantes de nosso mundo; luta pela verdade e pela justiça, com as armas do AMOR.
 
O Cristão não desanima, nem se desespera diante das derrotas e dificuldades, porque sabe que a única coisa, que vai sobrar de tudo isso, é o AMOR.

publicado por Theosfera às 22:42

Se, como dizem muitos, a realidade é o que está na comunicação, então teremos de concluir que nem a Igreja nos oferece uma janela de esperança.

 

A cada dia, vão caindo nas redacções notícias de mais um caso. Ora um padre, ora um bispo. É um sufoco que nos faz sentir mal.

 

Um caso que seja recebe uma amplitude tal que afecta toda uma instituição.

 

Mas também quando nos dói o estômago, é só um órgão do nosso corpo. No entanto, ninguém diz que o estômago está doente. Diz, simplesmente, que está doente.

 

Mas, apesar de tudo, há muita esperança a fluir na Igreja.

 

Há Cristo. Há o Evangelho. Há o amor. Há o povo humilde.

 

Cristo conseguiu mudar um coração empedernido como o de Paulo.

 

Nada é impossível.

 

E, quando tudo está escuro, há sempre uma luz que acaba por brilhar.

 

Vamos assumir a escuridão. Vamos à procura da luz.

 

Sejamos humildes. E não percamos a esperança.

 

Ela, hoje como sempre, é a semente da mudança.

publicado por Theosfera às 16:43

Os sábios conseguem as palavras certas (até) para as atitudes erradas.

 

O que vou contar refere-se a um ilustre professor universitário, falecido no início deste ano.

 

Trata-se do Padre Manuel Barbosa da Costa Freitas e a evocação pertence a José Rosa, na revista da Sociedade Científica da Universidade Católica, cuja edição de Abril me chegou, ontem, às mãos.

 

Diz o articulista que, na personalidade do mestre, coexistiam uma inteligência fulgurante e uma inocência pura. Estes são, de facto, os maiores ingredientes da sabedoria.

 

Sem bondade, que por vezes aparenta rasar a ingenuidade, é a própria inteligência que fica obscurecida.

 

Era com este espírito que o Padre Costa Freitas costumava repetir quando sentia aproximar-se o ocaso da sua peregrinação terrena: «As pessoas perdoam-nos facilmente o mal que fazemos; mas algumas nunca perdoam o bem que lhes fizemos».

 

Porquê? Aí é que está a dificuldade. Não há qualquer vislumbre de explicação. Nem os sábios a lobrigam. Será que tal resposta existe?

 

Trata-se de um facto que está na vida. Inexplicável. Mas presente. Há,pois, que contar com ele.

 

Há que pense que isto é uma simples boutade. Mas trata-se de uma enorme verdade. Há quem nunca perdoe o bem...

publicado por Theosfera às 11:30

É preciso ter paciência na construção da unidade. A unidade nunca pode ser contra ninguém, muito menos contra a verdade.

 

Daí que, volto a Christian Duquoc, «a divisão não seja, necessariamente, um processo negativo».

 

Acresce que as divisões não são um desejo, são uma realidade inevitável. Elas podem fazer parte de um caminho, obrigatoriamente doloroso, rumo à unidade na verdade.

 

O espírito de grupo é certamente saudável. Mas será correcto que se sobreponha ao espírito da verdade?

 

Não se pode sacrificar nunca a prioridade da verdade. Esta tem de ser urgida a todo o custo.

 

Em Igreja, trabalhamos para muitos. Mas em nome de Um. O consenso não é critério de verdade. Critério de verdade é o Único. É Ele. É Cristo.

publicado por Theosfera às 11:06

Hoje é o dia mundial do livro. A melhor forma de o celebrar é ler.

 

É bom que se leia.

 

Podemos ler o jornal, ler pela net. Mas confesso que ler o livro conserva um sortilégio indescritível.

 

A leitura de um livro é uma emanação que replica a leitura da vida.

 

Num livro palpita a vida.

 

É preciso tempo e também paciência para escrever e para ler.

 

Um livro anda, muitas vezes, na vida antes de aparecer em livro.

 

Sucede igualmente que, ao folhearmos um livro, ficamos com a sensação de que era aquilo mesmo que nós gostaríamos de escrever. Só que houve alguém que o captou primeiro.

 

Um livro tem de ser um acto de sinceridade. Tem de ter alma. Isso é muito mais importante que ter estilo.

 

É com pesar que leio a notícia de um possível plágio numa tese de doutoramento.

 

Espero que seja mentira.

 

Citar é uma coisa, é pedir e é reconhecer o mérito a quem nos facultou a ideia.

 

Plagiar é outra coisa, é furtar e é tentar iludir. É dar a entender que uma coisa nos pertence quando ela foi subtraída a outrem.

 

Reconheço que, hoje em dia, não é fácil ser original.

 

Às vezes, em nome de uma pretensa originalidade, cometem-se os maiores dislates.

 

O importante é ser autêntico. É que se vislumbre a alma daquele que, sob uma palavra, quis estar perto de nós.  

publicado por Theosfera às 10:52

Há quem, nos Estados Unidos, queira processar o Papa por causa da pedofilia na Igreja.

 

Com todo o respeito, este é o género de notícia a que nem vale a pena dispensar grande atenção. Sobretudo porque desfoca totalmente o problema.

 

No fundo, equivale a tomar por adversário quem é aliado.

 

A pedofilia é crime. Tem de ser tratada como tal. Quem a pratica deverá assumir as respectivas consequências.

 

No que concerne ao encobrimento, o Cardeal Joseph Ratzinger e o actual Papa Bento XVI figuram entre as pessoas que mais fizeram para que nada se ocultasse.

 

Há que fazer justiça. Em nome da verdade.

 

Sobra, entretanto, um enorme trabalho pela frente: a nível retrospectivo e no plano prospectivo.

 

Não bastam, como é óbvio, medidas punitivas, já previstas aliás.

 

É importante que se reflicta sobre um aspecto que vai avultando por entre os meandros miasmáticos de toda esta tormenta: porque é que a sexualidade é, tão frequentemente, remetida para a esfera de uma clandestinidade prolongada, asquerosa e violenta?

 

Porque é que, em muitos casos, se torna tão difícil viver o celibato de modo equilibrado e feliz?

 

O que levará a que se abuse de uma criança?

 

Será tudo uma mera questão de distúrbios pessoais? Mas como entender que eles sejam tantos?

 

Que fazer para tudo isto seja, o mais possível, evitado?

publicado por Theosfera às 10:42

A Santa Sé divulgou nesta quinta-feira as estatísticas da Igreja Católica em Portugal, números que contextualizam a visita de Bento XVI ao país de 11 a 14 de Maio.

 

Numa população de 10,6 milhões de habitantes, a porcentagem de católicos é de 88,3%, segundo referem os dados datados de Dezembro de 2008.

 

Os sacerdotes diocesanos são 2.825. Já os religiosos, 972. Os bispos – em dados de 15 de abril de 2010 – são 52. Os seminaristas de filosofia e teologia são 444.

 

Segundo refere a Agência Ecclesia, o Recenseamento da Prática Dominical, datado de 2001, mostrava que o número total de praticantes não chegava, contudo, aos 2 milhões de fiéis.

 

A Igreja Católica em Portugal conta com 3.797 padres, 212 diáconos permanentes, 312 religiosos e 5.965 religiosas, além de 594 membros de Institutos seculares.

 

O número de catequistas é de 63.906, num total de 4.380 paróquias e 2.878 outros centros pastorais, espalhados por 21 Dioceses.

 

O Vaticano elenca também os centros escolares que são propriedade da Igreja ou são dirigidos pelos seus membros: há 793 estabelecimentos até à primária, 80 secundários e 26 institutos superiores e a UCP, servindo um total de quase 130 mil alunos.

 

Quanto a centros caritativos e sociais, são contabilizados 43 hospitais, 155 ambulatórios, 799 casas para idosos, 663 orfanatos ou asilos, 55 consultórios familiares e centros para a proteção da vida, 462 centros educativos especiais e 168 outras instituições.

publicado por Theosfera às 10:39

Quinta-feira, 22 de Abril de 2010

As nuvens não pairam apenas no firmamento. Passeiam também pelo nosso quotidiano, escurecendo a paisagem das nossas vidas.

 

No Parlamento, prosseguem as audições a conhecidas figuras públicas.

 

O que era para ser um esclarecimento redunda numa tempestade de palavras e num vendaval de insinuações.

 

Parece que o espectáculo justifica tudo. É pena que mingue a serenidade e vá desaparecendo o discernimento.

 

Em quem acreditar?

 

Uma palavra para a morte de Juan Antonio Samaranch. Os jogos olímpicos devem-lhe muito. A convivência humana também.

 

Guardo dele a imagem de um homem bom. Paz à sua alma.

publicado por Theosfera às 16:25

Hoje em dia, tudo é intempestivo, repentino, quase irracional.

 

Pensa-se pouco e, quando se pensa, já é tarde.

 

Dizem que George Bush (Pai) era conhecido não só pelo que fazia, mas também pelo que não fazia, pelo tempo que levava a fazer.

 

Isso criava, por vezes, uma reacção exasperada, mas gerava também um sentimento de expectativa, próximo do respeito.

 

Em Portugal, temos o caso de Cavaco Silva, cuja popularidade sobe sempre que fala menos.

 

Veja-se o que aconteceu com o caso das escutas. A taxa de popularidade desceu imenso.

 

Agora, que voltou a dosear as intervenções limitando-se a opinar sobre economia, a popularidade volta a destacar-se.

 

Para Cavaco, dir-se-ia que o ideal é que as eleições não precisassem de campanha. O comedimento é o seu mundo, onde se sente bem. E as pessoas percebem isso.

 

Há uma tendência para confundir, amiúde, acção com mero frenesim, com simples agitação.

 

A História é tecida também com pormenores, muitas vezes imperceptíveis.

 

Até uma célebre canção de Frank Sinatra figura nos anais da Política Contemporânea.

 

Para fazer frente à teoria da soberania limitada no leste da Europa, a chegada de Mikhail Gorbachev foi o começo da doutrina Sinatra.

 

Isto por causa da conhecida música My way. Cada povo era, finalmente, soberano para escolher o seu caminho.

 

Consta que, contido como era, George Bush (Pai) tinha ciúmes de Gorbachev pois, numa ida deste aos Estados Unidos, foi efusivamente recebido pela multidão. Coisa que o presidente norte-americano não conseguia.

 

O problema é que Gorbachev era mais popular no ocidente do que no seu próprio país.

 

Actualmente, Barack Obama está a passar pelo mesmo. No mundo, é quase idolatrado. Nos Estados Unidos, está a ser fortemente contestado.

 

Como entender esta discrepância?

publicado por Theosfera às 15:58

«Os verdadeiros amigos são os solitários juntos».
Assim escreveu (pertinente e magnificamente) Abel Bonnard.

publicado por Theosfera às 11:19

«Não é a resposta que nos ilumina, mas sim a pergunta».

Assim escreveu (atenta e magnificamente) Eugène Ionesco.

publicado por Theosfera às 11:17

Que fique bem claro: a unidade é um valor inestimável e um bem altíssimo. Mas não pode ser obtida a qualquer preço.

 

A unidade não há-de, por exemplo, ser alcançada à custa da verdade ou em prejuízo das convicções.

 

Já S. Paulo avisava que «nada podemos contra a verdade, mas só a favor da verdade»(2 Cor 3, 18).

 

Paulo VI reconhecia que um dos grandes problemas do nosso tempo era a falta de convicções. E João Paulo II, no início deste milénio, chamava a atenção para a associação entre o «minimalismo ético» e a «religiosidade superficial».

 

É que, frequentemente, para salvaguardarmos uma caricatura de unidade deixamos de afirmar e de viver aquilo que é verdadeiramente importante, perene e definitivo.

publicado por Theosfera às 10:38

Quarta-feira, 21 de Abril de 2010

Jesus nunca vacilou mesmo no limite da Sua reputação e da Sua coerência.

 

Ele, que tanto rezou pela unidade da Igreja, não teve medo de vaticinar divisões. Ou seja, a unidade só faz sentido se for assente n’Ele. Mais vale, portanto, a divisão por causa d’Ele do que a unidade sem Ele ou contra Ele.

 

Para nossa surpresa (e quase para nosso escândalo), Ele chega a dizer que não veio trazer a paz, mas a separação (cf. Lc 12, 51-53).

 

Christian Duquoc, num registo igualmente provocatório, assinala que «a divisão não se opõe, inevitavelmente, à comunhão».

 

Às vezes, o que nos parece comunhão pode não passar de um minimalismo agregador de interesses que, no limite, conflituam com a verdade.

publicado por Theosfera às 10:18

Terça-feira, 20 de Abril de 2010

Jesus foi muito claro na definição da hierarquia de prioridades. Não recorreu a qualquer subterfúgio.

 

Nós, muitas vezes, persistimos numa inversão dessa hierarquia de prioridades. Ou seja, em nome de Jesus, optamos por fazer o contrário de Jesus!

 

Para Jesus, Deus só pode estar num lugar: o primeiro. Por causa disso, até aparentou subestimar as próprias relações familiares (cf. Lc 2, 49).

 

Por causa disso, por causa da prioridade de Deus, foi ao ponto de pôr em causa a Sua condição de portador de paz, ao expulsar, de forma intempestiva, os vendilhões do Templo (cf. Jo 2, 13-25).

publicado por Theosfera às 10:24

Segunda-feira, 19 de Abril de 2010

As viagens mais apelativas não são apenas aquelas que nos levam aos mais diferentes lugares. São, antes de mais, aquelas que, em cada instante, realizamos pelo tempo.

 

São estas últimas que constituem o mais belo itinerário. Por vezes, têm a feição de uma errância interminável, labiríntica.

 

No tempo, somos sempre nómadas. Nunca estacionamos. Cada momento transporta-nos para outro.

 

E acaba por ser o tempo que nos devolve ao ser e nos (re)conduz a nós.

 

Aos 84 anos, Júlio Pomar assume manter a mesma motivação para pintar. A viagem pelo tempo não o desgastou nem esgotou. Continua a persistir em ser ele mesmo.

 

Eis o princípio da reconciliação. E a vértebra da paz interior. 

publicado por Theosfera às 16:22

1. Em horas difíceis, como são as que estamos a viver, é fundamental que não desperdicemos duas atitudes fundamentais: humildade e coragem.

 

Precisamos, antes de mais, de humildade para reconhecer a debilidade da nossa natureza e a fragilidade dos nossos percursos.

 

A humildade, de resto, nada retira à grandeza. Já dizia Séneca, na antiguidade, que «um homem grande, mesmo quando cai, continua a ser grande ».

 

Mais próximo de nós, Rabindranath Tagore avisava com profunda sapiência: «Quanto maiores somos em humildade, tanto mais próximos estamos da grandeza».

 

E  Emanuel Lévinas advertiu-nos com enorme pertinência: «Mais alta que a grandeza é a humildade».

 

2. A vida ensina-nos que nem sempre há humildade na grandeza. Mas ela mostra-nos também que há sempre grandeza na humildade.

 

É que a humildade, irmã gémea da verdade, faz-nos ver o que somos, sem artifícios nem rebuscamentos.

 

Ela é, pois, aliada da transparência. Faz parte do edifício que alicerça uma conduta pautada pela autenticidade.

 

Jesus, quando aponta para o Seu ensinamento, não esquece a humildade, fazendo-a acompanhar da mansidão. «Aprendi de Mim, que sou manso e humilde de coração» (Mt 11, 29).

 

É sabido que Nietzsche não gostou deste perfil. Achava que se tratava da base de uma moral de fracos. Optou por uma deslumbramento próximo da arrogância.

 

Mas, infelizmente, não é só Nietzsche que tem dificuldade em deixar-se acolher pelo manto da humildade. As resistências proliferam igualmente entre os discípulos do próprio Jesus.

 

3. Nos últimos dias, voltamos a ouvir de falar de ataques contra a Igreja.

 

E não há dúvida de que fortes ataques têm sido desferidos. Não, porém, a partir de fora.

 

Mesmo que haja algum ataque a partir de fora, ele não se compara à gravidade dos ataques que a Igreja tem sofrido a partir de dentro.

 

Estes é que são os ataques mais hostis, mais prejudiciais e com efeitos mais devastadores.

 

Não são as notícias sobre determinados factos que maculam a Igreja de Cristo. São os factos que estão na origem das notícias que a infectam.

 

São eles que ofuscam o brilho da luz que lhe vem de Cristo. De fora vêm as interpelações. Mas é de dentro que estão a vir os maiores obstáculos.

 

Aliás, o próprio Papa é o primeiro a reconhecer o seu pesar e a não ocultar sequer a sua vergonha por aquilo que se tem passado.

 

Nunca é demais recordar, por outro lado, que, pouco tempo antes de ser eleito, Bento XVI denunciou com inusitado vigor: «Quanta porcaria existe na Igreja! A Igreja parece uma barca que mete água por todos os lados. As vestes e os rostos da Igreja estão sujos. E somos nós mesmos a sujá-los».

 

Não são os outros.

 

4. É claro que, como já Henri de Lubac notava, «a Igreja não é uma academia de sábios, nem um cenáculo de intelectuais sublimes, nem uma assembleia de super-homens».

 

Por isso mesmo, ela tem de ser humilde, de aceitar os seus erros e, sobretudo, de não pactuar com a desumanidade.

 

Ninguém é forte por negar a fraqueza. Como escreve Tommy Hellsten, «a humildade é a força que não nega a fraqueza».

 

Mais. Se pensarmos bem, «a verdadeira força nasce da fraqueza, pois exige uma confissão de fraqueza».

 

Daí que «a verdadeira força seja a humildade, que consiste em enfrentar a nossa fraqueza». Por aqui se vê como a humildade mora tão perto da coragem.

 

Há muitas lições que o fracasso encerra. A primeira é, sem dúvida, não encobrir a realidade por muito dolorosa que seja.

 

A segunda é ter mais cuidado no carácter, na rectidão. É certo que a vida nem sempre se apresenta em linha recta. Mas será que ela tem de ter tantas curvas?

 

Como é possível pregar uma coisa aos outros e passar o tempo a negá-la com tamanha descontracção?

 

A comunicação social exagera nas informações? Talvez.

 

Mas o pior mal não está no que aparece escrito. O pior mal está no que acontece.

 

É a realidade (e não a sua notícia) que dói…

publicado por Theosfera às 11:54

Em qualquer actividade, é fundamental estabelecer prioridades.

 

Poderemos fazer muitas coisas, mas se deixarmos de lado aquilo que é prioritário, o êxito ficará comprometido e a coerência estará ameaçada.

 

No discernimento acerca do valor de qualquer instituição, tem de entrar, pois, esta pergunta: será que estamos a fazer o que é mais importante?

 

É que, hoje em dia, há uma tendência cada vez maior para essencializar o que é relativo e para relativizar o que é essencial. Nem a própria Igreja escapa a esta propensão.

 

Jesus, o Fundador e o perene Fundamento da Igreja, estabeleceu o Reino de Deus e a Justiça como absolutamente prioritários.

 

Assim O ouvimos no discurso inaugural do Seu ministério: «Procurai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça e tudo o resto vos será dado por acréscimo» (Mt 6, 33).

 

Sendo a Igreja, como avisa S. Paulo, a nova corporeidade de Cristo, é de esperar que a prioridade de Cristo seja a prioridade da Igreja.

 

Isto significa que o que está em primeiro lugar para Cristo tem de estar em primeiro lugar para a Igreja.

 

Não raramente, salta à vista a impressão de que chegamos ao ponto de inverter a prioridade preceituada por Jesus.

 

Glosando o supracitado princípio, parece que procuramos tudo o resto em primeiro lugar e, só depois e se sobrar tempo e disposição, é que dedicamos algum tempo ao Reino de Deus e à sua Justiça.

publicado por Theosfera às 10:39

Hoje, faz cinco anos que o Espírito Santo escolheu D. Joseph Ratzinger para sucessor de Pedro.

 

Neste dia, a nossa oração, o nosso tributo, a nossa fidelidade.

 

Bento XVI está a dar um extraordinário testemunho de dedicação à Igreja e à Humanidade.

 

Ele é o timoneiro visível de uma barca que, como diziam os antigos, vacila mas não cai.

 

Porquê? Porque, repetiam os mesmos escritores de antanho, o seu piloto é Cristo e o seu mastro é a Cruz.

 

Como escreveu Peter Seewald, Sua Santidade «está a arranjar um novo som como Papa. Trabalha numa melodia para o novo século. O novo tom que ele encontrou lembra, apesar do carácter decidido da sua doutrina na Fé, a mansidão do Evangelho. Não quer o pormenor, quer o todo».

publicado por Theosfera às 10:32

Nem todo aquele que é grande sabe ser humilde. Mas o humilde consegue sempre ser grande.

 

Nem sempre há humildade na grandeza. Mas há sempre grandeza na humildade.

publicado por Theosfera às 10:29

Confesso que não sou grande apreciador da obra de Pedro Abrunhosa.

Mas esta sua composição é muito mais que uma música.

É uma verdadeira chamada de atenção. É um apelo. Um alerta. Um despertador.

publicado por Theosfera às 10:26

«Imita o sábio que, mesmo na opulência, permanece modesto».
Assim escreveu (atenta e magnificamente) Muslah-Al-Din Saadi.

publicado por Theosfera às 10:16

Domingo, 18 de Abril de 2010

O papa Bento XVI terá chorado durante o encontro que, este domingo, teve com oito vítimas de abusos sexuais cometidos por membros da Igreja Católica, de acordo com o relato de um dos participantes na reunião.

«Estou impressionado pela humildade do Papa. Ele assumiu para ele o embaraço causado pelos outros. É muito corajoso. Ouviu-nos individualmente  e abençoou uma cruz que eu levava comigo», descreveu Lawrence Grech, uma das oito vítimas que hoje tiveram ocasião de estar com o Sumo Pontífice. 

 

O Vaticano afirmou que Bento XVI expressou a sua vergonha e tristeza pela dor que os homens sofreram.  

 

Este foi o primeiro encontro com vítimas de padres pedófilos desde os  que foram realizados em 2008 na Austrália e nos Estados Unidos.   

 

Segundo revelações recentes, 45 processos de pedofilia foram comunicados à Cúria de Malta desde 1999, dos quais mais de metade (26) foram considerados fundamentados por uma comissão especial criada para o efeito. 

publicado por Theosfera às 18:54

Fascinante foi o título. Fascinante foi o texto. Fascinante foi o cenário. Fascinante foi a interpretação. E também o ambiente. E, acima de tudo, a mensagem.

 

O Colégio da Imaculada Conceição levou ao palco, em Vila Real, O lago fascinante.

 

Fascinante, de acordo com a sua etimologia, quererá dizer dominar com o olhar.

 

E, na verdade, o olhar de todos estava (literalmente!) fascinado com o que era oferecido, de uma forma expedita e desenvolta.

 

Sublinhe-se que nada foi importado. Tudo foi construído de raiz.

 

O texto é da autoria de uma docente e de várias alunas.

 

Fascinante é, sem dúvida, o sonho e a vontade que o realiza e expande.

 

Foi uma bela homenagem às mães. E uma óptima promoção dos valores da paz e da união.

 

Estes momentos ficam gravados para sempre na alma de todos.

 

Para os alunos, é um marco imperecível no seu crescimento.

 

Destaque para a harmonia que enlaçava as vozes e que se espraiava nos gestos.

 

Há um trabalho de base muito meritório cujos frutos vão sendo colhidos agora. E que o serão, ainda mais, no futuro. Que, pela amostra, auspicia continuar a ser fascinante.

 

Muitos parabéns.

 

publicado por Theosfera às 00:09

Mais um encontro de Jesus com os discípulos após a ressurreição.

 

Continua próximo. Quer comer com eles.

 

João é o primeiro a reconhecer o Senhor. O amor é sempre mais célere.

 

Depois, a tríplice confissão de Pedro.

 

Três vezes negara o Mestre. Três vezes, confessa que O ama.

 

Jesus confia-lhe o encargo de conduzir o Seu rebanho.

 

Ou seja, a autoridade vem na sequência do amor.

 

Lição apreendida? 

publicado por Theosfera às 00:04

Sábado, 17 de Abril de 2010

Um dia, perguntaram a Galeano o que era a utopia.

 

Ele respondeu: é o horizonte.

 

Depois, explicou.

 

Dás um passo e ela afasta-se na mesma medida. Dás dois passos e ela volta a afastar-se igual. E assim sucessivamente.

 

Nesse caso, objectou alguém, a utopia não serve para nada.

 

Como não? - replica Galeano - Serve para caminhar!

 

É mesmo assim. A utopia não vale só quando se realiza. Vale, antes de mais e acima de tudo, quando se procura. Vale pela procura.

 

A utopia não está no resultado. Está na construção. No esforço. No sonho. Na insistência. Na não desistência...

publicado por Theosfera às 15:57

Não sei se ao estimado leitor já aconteceu o que mesmo que a mim: emprestar dinheiro e não se lembrar de nada.

 

Mais. O dinheiro foi emprestado sem sequer terem falado comigo! 

 

O mais curioso é que não aconteceu só a mim. Também lhe aconteceu a si. Pelo menos, é o que nos dizem, o que não cessam de nos dizer.

 

Cada português vai emprestar à Grécia 77 euros para obviar à crise que assola aquele país.

 

Mas se o leitor não deu conta, prepare-se porque vai aperceber-se dentro de pouco tempo.

 

O custo de vida não pára de subir. E os salários não cessam de encolher.

 

Mas também não há volta a dar. Mesmo que o nosso contributo para ajudar a Grécia não seja de boa vontade, é muito provável que, dentro de pouco tempo, sejamos nós a necessitar de ajuda.

 

Aliás, ainda ontem, o nosso Ministro das Finanças se esforçou por desmentir as notícias que dão conta de uma falência iminente. Pode haver exagero. Mas porque é que se insiste tanto?

 

O próprio Presidente da República Checa, numa tirada pouco diplomática, disse ao nosso Chefe de Estado que via muitas nuvens no nosso futuro.

 

Ainda por cima, há quem teime em incluir Portugal num grupo de países cujas iniciais compõem uma palavra inglesa que significa...porcos: P(Portugal)I(Italy)G(Greace)S(Spain)!

 

Estaremos já no fundo ou, parafraseando Ernst Hemingway, a notícia da nossa falência é ligeiramente exagerada?

 

Numa época de excessos, praza a Deus que alguma moderação impere.

publicado por Theosfera às 15:44

O título e a cor da capa sugerem uma atmosfera flamejante para a urdidura que tece as páginas do livro.

 

Trata-se da última obra do Padre Dr. Joaquim Correia Duarte que vai ser apresentada em Resende no próximo sábado, dia 24 de Abril, às 21h.

 

Com uma cadência bastante intensa, este autor tem-nos oferecido vivências com uma moldura ficcional que retratam a realidade das nossas terras.

 

Há, pois, um pronunciado fundo telúrico nos seus textos e uma ressonância idiossincrática na respectiva leitura.

 

Parabéns.

publicado por Theosfera às 12:06

A noite deste sábado vai ser fortemente cultural entre nós.

 

No Teatro Ribeiro da Conceição, a Orquestra do Norte vai levar ao palco música para a revolução de António e Ariana. O ponto de partida é o mais recente livro do Dr. Joaquim Sarmento.

 

Já em Vila Real, o Colégio da Imaculada Conçeição oferece um momento de teatro sob o título O Lago fascinante.

 

Tem a (notável) particularidade de ter sido escrito e interpretado por membros da comunidade educativa.

 

É uma homenagem às mães e uma forma de envolver as pessoas nos valores da união mundial.

 

Dois momentos a não perder.

publicado por Theosfera às 12:02

Os especialistas são, de facto, pessoas muito especiais.

 

Conseguem prodígios que o comum dos mortais não alcança sequer em pensamento. Até para o inexplicável lobrigam uma explicação.

 

Vem, hoje, um especialista (que, aliás, muito respeito e admiro) dizer que o vultuoso salário de um determinado gestor, afinal, até é vantajoso para o Estado. Este arrecada mais em receita fiscal.

 

É pena, porém, que não ocorra a ninguém que o problema não é económico. É ético. É moral.

 

Não se trata, como é bom de ver, de uma questão de eficácia. Trata-se. como toda a gente vê, de uma questão de justiça.

 

É que, numa altura em que o desemprego grassa e os salários não progridem, custa ver como há alguém que ganha mais de três milhões de euros num só ano.

 

Não é inveja. É injustiça.

 

Estamos perante alguém que não ganha mais, nem sequer muito mais que o comum das pessoas. Estamos perante alguém que aufere (diria) infinitamente mais que a maioria do povo.

 

A legislação até pode prever tudo isto. Mas não ficaria bem um gesto de contenção?

 

Quando muitos têm de abdicar do que lhes faz falta, não seria altura de alguns tomarem a iniciativa de abdicar do que sobeja?

 

E, já agora, se o gestor da EDP pode ter um vencimento destes, porque não ponderar uma redução dos custos da electricidade?

 

Porque não condividir os benefícios? Só se lembram do povo para pagar a crise?

publicado por Theosfera às 11:42

Os lugares-comuns têm o (perigoso) condão de nos demitirem de pensar. Repetimo-los e, quase sempre, conformamo-nos.

 

Um dos lugares-comuns mais repetidos debita que perdoar é esquecer

 

Habitualmente, repetimo-lo para os outros.

 

As pessoas sérias, com propensão para o escrúpulo, ficam incomodadas quando não conseguem esquecer a ofensa recebida e a mágoa alojada.

 

Ora, isso não contende com o perdão.

 

Lembrar ou esquecer não pertence à vontade. É uma emanação do conhecimento. O perdão, sim, decorre da vontade.

 

E para perdoar é preciso lembrar. Vamos perdoar o que não recordamos?

 

Acresce que, ainda recentemente, a tragédia que vitimou o presidente da Polónia veio alertar para esta questão.

 

Ele e a sua comitiva iam assinalar o aniversário de um massacre cometido contra o seu povo. Mas iam também com um propósito de reconciliação.

 

Mesmo em relação à segunda guerra mundial, a reconciliação anda de mãos dadas com o memorial.

 

Recordar não serve, necessariamente, para agravar a ferida.

 

Como Bronislav Geremek, «sou contra o espírito de vingança, mas penso que jamais se deve propor o esquecimento. A memória faz parte da paz civil».

 

Até porque só recordando o mal, há condições de evitar que ele se repita.

 

O esquecimento não é boa solução. Para nada!

publicado por Theosfera às 11:33

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E como iremos sentir a sua falta... Alguém tão bom...
Profundo e belo!
Simplesmente sublime!
Só o bem faz bem! Concordo.
Sem o que fomos não somos nem seremos.
Nunca nos renovaremos interiormente,sem aperfeiçoa...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
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