O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 31 de Março de 2010

D. Hélder da Câmara percebeu muito bem o sentido profundo do Evangelho e, particularmente, a identificação de Cristo com os pobres.

 

Para o bispo brasileiro, os pobres eram a sua família. E tomava esta convicção a peito. Até às últimas consequências.

 

Quando ouvia dizer que algum pobre era injustamente preso, telefonava logo para a polícia: «Ouvi dizer que prenderam o meu irmão».

 

Aparecia logo um polícia a desfazer-se em mil desculpas: «Lamentamos muito, senhor bispo. Não sabíamos que era seu irmão. Pode vir buscá-lo quando quiser».

 

Ao chegar à prisão, alguém interpelava D. Hélder. «Mas, senhor bispo, ele não tem um apelido igual ao seu».

 

E D. Hélder replicava que todos os pobres eram seus irmãos!

 

Neste mesmo espírito, há outro episódio deveras comovente que atesta bem o espírito deste homem de Deus.

 

Quando apareceu o filme ET, D. Hélder convidou duas crianças da rua para irem com ele ao cinema.

 

No final, perguntou-lhes se tinham gostado. Um deles respondeu pressuroso e, na sua óptica, agradecido: «Aquele boneco é tão bonzinho e tão feiinho como o senhor»!

publicado por Theosfera às 16:02

«A coincidência é a forma que Deus tem de permanecer anónimo».

Assim escreveu (subtil e magnificamente) Albert Einstein.

publicado por Theosfera às 15:03

«A nossa vida é muito definida pelos bons e pelos maus encontros».

Assim disse (pertinente e magnificamente) Margarida Marante.

publicado por Theosfera às 15:00

Reduzir o problema do mundo à economia,  à gestão ou à política é pouco. Não identifica o problema e não ajuda na resolução do problema.

 

André Comte-Sponville oferece uma analítica muito pertinente a este respeito.

 

Há uns quarenta anos reduzia-se tudo à política e à questão do justo e do injusto. A moral e a religião não contavam para nada.

 

Há uns vinte anos tudo começou a concentrar-se em torno da moral, do bem e do mal. A política começou a entrar em descrédito, mas a religião permanecia na penumbra.

 

Hoje, a grande questão é espiritual, a questão do sentido. Esta é a busca do momento, a prioridade da hora presente.

 

A busca espiritual não é, porém, um universo à parte. Ela envolve e mobiliza o humano desde a base, desde o fundo, desde a raiz.

 

Há aqui, portanto, um universo de possibilidades a explorar. E, já agora, de preconceitos a vencer.

publicado por Theosfera às 11:12

Terça-feira, 30 de Março de 2010

Espírito Santo, amor do Pai e do Filho, inspirai-me sempre o que devo pensar, o que devo dizer, o que devo calar, o que devo escrever, como devo agir, o que devo fazer para melhor glorificar o Vosso nome, para obter o bem das almas e a minha própria santificação.

publicado por Theosfera às 19:34

Karl Rahner morreu neste dia há 26 anos: 30 de Março de 1984.

 

Um teólogo enorme merece uma atenção dilatada.

 

O Homem é, como ele bem anotou, o ouvinte da Palavra.

 

Ouçamo-la. Ouçamo-lo.

publicado por Theosfera às 11:26

Foi Thomas Merton um dos espíritos mais vibrantes do século passado.

 

Luminosamente inteligente e desconcertantemente místico, teve a arte de dizer o que não é óbvio, mas de uma forma que poucos questionarão.

 

Monge trapista, faleceu já em 1968, mas estes mais de quarenta anos não lhe subtraíram actualidade. Ao invés, acrescentaram-lhe pertinência.

 

Eis o que ele escreveu sobre o que considerava ser um dos maiores paradoxos do cristianismo.

 

«O maior paradoxo da Igreja é que ela é, ao mesmo tempo, essencialmente tradicional e essencialmente revolucionária. Mas, no entanto, o paradoxo não é tão grande como parece, porque a tradição cristã, ao contrário de outras, é uma revolução viva e perpétua.

 

As tradições humanas tendem todas à estagnação e à decadência. Procuram perpetuar coisas que não podem ser perpetuadas. Prendem-se a objectos e a valores que o tempo destrói impiedosamente. Estão ligadas a uma série de coisas contingentes e materiais que mudam inevitavelmente e dão lugar a outras tantas.

 

A presença, na Igreja, de um forte elemento conservador não impede que a tradição cristã, sobrenatural na sua origem, seja uma realidade totalmente oposta ao tradicionalismo humano.

 

A tradição viva do catolicismo é como a respiração do corpo: renova a vida impedindo a estagnação. É uma revolução constante, serena e pacífica contra a morte».

publicado por Theosfera às 11:14

Uma rápida viagem pela imprensa de hoje deixa-nos desapontados com o estado do país e do mundo.

 

O desemprego afecta sobretudo quem aufere salários mais baixos. Não basta ganhar menos, como ainda há quem se sujeite ao desemprego. Tudo corre mal a quem é pobre.

 

A Amnistia Internacional publica um pavoroso relatório acerca da pena de morte. Só no ano transacto, os Estados Unidos executaram dezenas de pessoas. Ao nível do...Iraque!

 

Não vem qualquer número sobre a China, porque este país faz tudo no maior secretismo. Mais uma vez, a praga do encobrimento.

 

Ainda bem (e esta é a única notícia positiva desta manhã chuvosa) que há empresas que destinam verbas avultadas para causas sociais.

 

Quando muito se perde, sempre é bom saber que nem tudo está perdido.

publicado por Theosfera às 11:09

Alertava Rui Tavares, na sua crónica de ontem, para aquilo que considera ser o triunfo da mediocridade.

 

Nomeava alguns líderes mundiais e, por contraponto com os líderes de gerações anteriores, não ocultava um forte desapontamento.

 

Refira-se que esta percepção vai-se tornando cada vez mais recorrente.

 

Até parece que a lei da evolução se inverte e que, agora, são os medíocres que eliminam os melhores.

 

Havia um tempo em que a televisão era uma espécie de filtro da qualidade. Só apareciam os melhores.

 

Hoje, se quisermos conviver com os melhores, temos de privilegiar o relacionamento humano, pessoal.

 

Não me reporto apenas à vertente académica ou à competência profissional. Refiro-me sobretudo à dignidade, à hombridade, aos valores.

 

A pergunta que muitos fazem é: porque é que estas pessoas não aparecem? Será por comodismo? Ou será porque lhes barram o caminho?

 

Mas o (des)caminho que estamos a trilhar não nos conduzirá a bom porto.

 

Urge reflectir. E, acima de tudo, inflectir.

publicado por Theosfera às 10:54

Segunda-feira, 29 de Março de 2010

«Em nenhuma circunstância devemos responder à violência com a violência. Eu sei que é um conselho difícil de seguir. Mas este é o caminho de Cristo. É este o caminho da Cruz. Temos de ser capazes de acreditar que o sofrimento injusto é redentor».

Assim escreveu (sublime e magnificamente) Martin Luther King.

publicado por Theosfera às 21:28

O início da Semana Santa coincide com o fim das actividades lectivas em muitas escolas, que, deste modo, se mantêm abertas assegurando vários serviços.

 

O Colégio da Imaculada Conceição não dispensou mais uma celebração eucarística, marcada por uma grande fé e pautada por vivência muito intensa e fraterna.

 

Uma feliz Páscoa.

publicado por Theosfera às 21:24

Concede-nos, Senhor, a humildade de reconhecer o erro,

 

de pedir perdão,

 

de mudar de rumo,

 

de acolher os outros,

 

de não atacar ninguém.

 

 

Que a Tua Igreja, Jesus,

 

seja a Tua transparência.

 

 

Que ela não abandone os pobres e os pequenos.

 

Que ela seja sinal do Teu amor,

 

eco fiel da Tua esperança

 

e vislumbre epifânico da Tua paz.

 

 

Que a Tua Igreja, Jesus,

 

aprenda conTigo

 

a servir,

 

a ser serva,

 

a não se importar com o poder.

 

 

Que a Tua Igreja, Jesus,

 

esteja sempre com todas as vítimas.

 

 

Que ela se disponha a levar a cruz

 

de todos os injustiçados.

 

 

Cobre-nos, Jesus,

 

com o manto da Tua humildade e mansidão.

publicado por Theosfera às 14:40

Compreendo o trabalho da imprensa e penso sobretudo no sofrimento amordaçado de muitas vítimas da pedofilia.

 

Mas, sinceramente, não sei se o melhor trabalho será lançar nomes e fotos a esmo, com periodicidade cadenciada e precisão cirúrgica. Em cada dia, aparece um caso, ou melhor, um possível caso.

 

E se não for verdade? E se estivermos a culpar um inocente?

 

Colocar um endereço para que se denunciem casos terá um bom propósito, mas pode permitir que se culpem inocentes e que se acabe por inocentar os verdadeiros culpados.

 

O silêncio ajuda a encobrir crimes. Mas certas palavras não poderão também contribuir para expor possíveis inocentes?

 

A comunicação social exerceu uma missão profiláctica. O sinal está dado e o alerta foi feito.

 

A imprensa terá cumprido o seu papel. Deixem agora que a justiça funcione.

publicado por Theosfera às 14:33

1. Pode parecer despropositado, nesta época do ano, trazer à colação o tema da descristianização.

 

Praticamente não há casa onde não entre a Cruz. As ruas enchem-se de gente e continuam a abundar os sinais de fé.

 

E, no entanto, não falta quem, de forma recorrente e com intensidade crescente, alerte para a descristianização da sociedade.

 

Começando por um esboço do conceito, descristianização será um movimento de negação ou apagamento das referências a Cristo.

 

Será que se pode falar com acerto de um apagamento de Cristo na vida das pessoas e na própria sociedade?

 

Retenha-se, desde já, que a relação com Jesus Cristo se estabelece a partir de uma procura e com base num encontro.

 

Alguém poderá dizer que não existe essa procura ou que terminou esse encontro?

 

Não é, seguramente, o que resulta dos estudos de opinião e da abordagem mais elementar que possamos fazer.

 

 

2. O que se vai desenhando é um movimento muito nítido no sentido de uma distinção cada vez mais pronunciada entre Cristo e Igreja.

 

 

As pessoas, de uma maneira geral, conservam um encanto por Cristo e, ao mesmo tempo, denunciam um desencanto pela Igreja.

 

O que sucede, o mais das vezes, é que quando se fala de descristianização da sociedade, estamos a pensar no afastamento da Igreja.

 

Este é, sem dúvida, um facto notório e um dado marcante. As pessoas vão menos à Igreja. Ou, quando vão, vão de uma forma pouco regular.

 

E, pormenor nada despiciendo, vão cada vez mais quando as igrejas estão vazias, quando não há celebrações.

 

Acontece que a análise tem de contemplar o sentido inverso. As pessoas vão menos ao encontro da Igreja. Mas não será que a Igreja também vai menos ao encontro das pessoas?

 

Se as pessoas dizem procurar Cristo e, não obstante, vão menos à Igreja, não será porque, no seu entender, têm dificuldade em encontrar Cristo na Igreja?

 

No limite, não poderemos fugir à pergunta, por muito inquietante que seja: será que a Igreja é uma oportunidade ou um obstáculo para encontrar Cristo?

 

 

3. O certo é que proliferam estudos que apontam no sentido de uma clivagem entre Cristo e a Igreja.

 

Quem não se recorda de um slogan que, há décadas, fez fortuna: «Cristo sim, Igreja não»?

 

Juan Martin Velasco refere que estamos num tempo que o Cristianismo rejuvenesce e a Igreja envelhece.

 

A este ponto chegados, temos de ter presente que estamos a ir por um caminho perigoso.

 

É que a Igreja vem de Cristo. Mais, a Igreja é Cristo. É o Seu novo corpo. Ele usou o possessivo quando falou da Igreja: «a minha Igreja» (Mt  16, 18).

 

Isto significa que a Igreja é d’Ele, é de Cristo. Esta é, pois, a sua identidade. Mas será que é esta também a sua configuração?

 

Jesus teve uma grande preocupação com a transparência. Ele apresentou-Se como sendo a transparência do Pai (cf. Jo 14, 9). Será que a Igreja procura ser a transparência de Cristo?

 

Por entre a hesitação e no meio da tormenta, avulta a certeza que Pedro Mexia recentemente anotava: «A Igreja nunca erra quando é fiel ao Evangelho».

 

 

É claro que essa fidelidade nunca será total. Mas não será possível que seja um pouco mais reluzente?

 

Sabemos, já nos primeiros tempos, existia uma tensão entre Cristo e a Igreja, representada pelos Apóstolos.

 

Várias foram as vezes em que tentaram distorcer a Sua mensagem. Anote-se a discussão, deveras sintomática, entre o poder e o serviço. Havia quem quisesse o poder (cf. Mt 20, 20-28). Jesus assume-Se sempre como quem serve (cf. Lc 22, 26).

 

 

4. Por aqui se vê como não é só na sociedade que existe o perigo da descristianização.

 

Não é só a sociedade que corre o risco de se afastar de Cristo. A própria Igreja de Cristo não está isenta dessa possibilidade.

 

Numa sociedade videocêntrica, o que mais se deseja é ver. Os antigos, como informa Tertuliano, viam amor entre os cristãos. Percebiam que o amor era a súmula da mensagem de Cristo.

 

Se, como alertava Fernando Pessoa, «morrer é só não ser visto», tenhamos presente que a Igreja só sobrevive se ela tornar visível o amor. Onde há amor, há Cristo.

 

Acredito que Cristo está na Igreja. O problema é que muitos não O vêem nela...

 

publicado por Theosfera às 11:59

A vocação é sempre um pacto entre liberdades: a liberdade de Deus que chama e a liberdade do ser humano que responde.

 

Não há pressões, castigos ou chantagens.

 

Há uma proposta. E há todo um horizonte de possibilidades para decidir.

 

Mas Deus é único a persuadir. Cedo ou tarde, a pessoa acaba por (re)redescobrir que só n'Ele e a partir d'Ele é feliz, é ela própria.

 

Deus é chamante e poderosamente convincente!

publicado por Theosfera às 10:34

Domingo, 28 de Março de 2010

Cada ser humano transporta consigo um lado desconhecido, cheio de potencialidades maravilhosas.

 

Há, pois, que nunca capitular diante do já feito, do já conhecido.

 

Desânimo jamais. O melhor da vida está sempre para chegar.

 

Importante é estar aberto, à procura.

 

O Homem é sempre desconhecido para si mesmo, dizia Nietzsche. Por isso é que Sócrates exortava ao conhecimento de si mesmo.

 

Mas esta chave está em Cristo. Quanto mais n'Ele, mais em nós.

 

No fundo, temos de sair de nós para entrar em nós.

publicado por Theosfera às 14:33

Sábado, 27 de Março de 2010

Foi um dos Seus que O traiu. Foram os do Seu povo que O condenaram. Foi um estrangeiro que O defendeu: «Este homem era justo».

 

A história de Jesus não é pontual; é referencial. Não é apenas para o passado. Ela ocorre em cada presente.

 

Hoje como ontem, são os de longe que, muitas vezes, se aproximam. E são os de perto que, não raramente, se distanciam.

 

A narração da paixão de Jesus é um estendal de ensinamentos. A não perder. A não esquecer.

publicado por Theosfera às 18:50

Tem 17 anos e o seu dilema é o seguinte: optar entre o PSD e o Bloco de Esquerda.

 

Entre o PSD e o Bloco de Esquerda!

 

A situação vem reportada na imprensa e na blogosfera e, pelos vistos, ela é recorrente entre gente nova.

 

À partida, pensar-se-ia que, para uns, a opção fosse entre o Bloco e o PCP ou, quando muito, o PS e, para outros, entre o PSD e o PP.

 

Hesitar entre o PSD e o Bloco dá, no mínimo, que pensar.

 

As ideologias estarão mesmo em erosão?

publicado por Theosfera às 18:45

Um artigo inquietante com uma conclusão (deveras) pertinente: «A Igreja nunca erra quando é fiel ao Evangelho».

 

Não o subscreverei na íntegra, mas reconheço bastante acutilância ao que Pedro Mexia hoje diz no Público.

 

Urge reflectir bastante. E inflectir depressa.

publicado por Theosfera às 14:30

Aquilo que sonhamos pode nunca se realizar.

 

Aquilo que esperamos pode jamais se concretizar.

 

Mas se aquilo que semearmos, no coração das pessoas, se traduzir em bondade, paz e honestidade, poderemos dar o nosso trabalho por perdido?

 

Só perde quem desiste.

 

Eu continuo a acreditar que o bem floresce sempre.

 

Estou confiante: ainda é possível fazer do mundo um jardim, no qual a Igreja de Jesus Cristo possa ser uma janela de esperança.

publicado por Theosfera às 11:13

Sexta-feira, 26 de Março de 2010

«Loucura é tudo aquilo que não deixa a razão apodrecer».

Assim escreveu (magnífica e não loucamente) Roger Garaudy.

publicado por Theosfera às 21:38

Deus, envia-nos loucos
que se comprometam a fundo,
que se esqueçam, que amem mais do que em palavras,
que se dêem pela verdade e até ao fim.
 
Precisamos de loucos,
de insensatos, de apaixonados,
capazes de saltar para a insegurança:
para o desconhecido, cada vez mais escancarado, da pobreza.
 
Precisamos de loucos do presente,
apaixonados pela vida simples,
amantes da paz,
decididos a nunca trair,
que desprezem a vida,
capazes de aceitar seja qual for a tarefa,
a partir para qualquer lado:
simultaneamente livres e obedientes,
espontâneos e tenazes,
afáveis e fortes.
 
Ó Deus, envia-nos loucos!
 
Anónimo
(via O Banquete da Palavra)
 
publicado por Theosfera às 21:29

Talvez seja por desespero, por um forte sentimento de injustiça, por sentirem que a vida não lhes tem dado o que merecem.

 

Não sei quem são. Nunca os vi.

 

Mas, ainda assim, queria dizer-lhes que tentem pensar nas pessoas. Visitem-nas de dia e não de noite. Falem com elas na sua presença e não frequentem as suas casas na sua ausência.

 

Pensem no incómodo que causam e nos incalculáveis prejuízos que provocam.

 

Pensem também neles mesmos, nas suas famílias.

 

E, acima de tudo, pensem que a vida vale a pena quando é vivida com paz, quando se partilha e acolhe a paz.

 

O nosso mundo é belo e a nossa terra é pequena. Não a pejemos de insegurança. Semeemos nela o fermento da paz!

publicado por Theosfera às 10:11

Domingo, 28 de Março, faz duzentos anos que nasceu Alexandre Herculano.

 

Parece que, oficialmente, nada será feito.

 

Estranho.

publicado por Theosfera às 10:09

Em cada dia, há 84 vítimas de violência doméstica.

publicado por Theosfera às 10:08

Continuamos a ser inundados com notícias de casos de pedofilia na Igreja.

 

Há quem especule sobre a intencionalidade do volume destas notícias.

 

Multiplicam-se as mais diversas conjecturas.

 

Penso que isso é secundário. Até porque toda e qualquer notícia pode esconder uma intenção. Por esse caminho não haveria imprensa.

 

A questão principal tem de ser: é verdade ou é mentira?

 

Se tudo isto for mentira, estamos perante uma monstruosidade.

 

Mas se tudo isto (ou muito disto) for verdade, estamos perante uma monstruosidade maior.

 

O mal não está na notícia. O mal está, acima de tudo, nos factos.

 

Ninguém julgue ninguém. Mas pensemos, antes de mais, nas vítimas.

 

E não deixemos de pensar na confiança que se rompe.

 

A única atitude a ter é a humildade. Tantas vezes, entoamos o Te Deum. Este é o momento de recitarmos (com os lábios, mas sobretudo com a vida) o Confiteor.

 

Há momentos para o louvor. Este é o tempo da penitência.

 

Penitência pelo que se faz, pelo que se não faz, pelo encobrimento, pela protecção que se dá a uns e pela desprotecção a que condenamos outros.

 

Há que olhar em frente de modo diferente.

 

Palpita-me que, por muito que nos doa, ainda temos de agradecer à comunicação social.

 

Custa-me ver tanta dor na praça pública.

 

Sobretudo porque essa dor foi amordaçada ao longo de anos.

 

Não façamos processos de intenção.

 

É claro que me preocupa se algum inocente está a ser devassado na sua reputação.

 

Uma coisa é certa. Cristo sofredor está em todas essas crianças. A quem foi roubado o mais precioso: o sorriso cândido de uma infância que devia ser como uma manhã tingida de azul, ridente de esperança...

publicado por Theosfera às 09:53

Quinta-feira, 25 de Março de 2010

«Educação é ter a habilidade de tudo saber ouvir sem perder a compostura».

Assim escreveu (notável e magnificamente) Robert Frost.

publicado por Theosfera às 22:21

Hoje, é a Solenidade da Anunciação do Senhor!

publicado por Theosfera às 11:48

«Tornamo-nos odiados tanto fazendo o mal como fazendo o bem».
Assim escreveu (subtil e magnificamente) Nicolau Maquiavel.

publicado por Theosfera às 11:47

Não esqueçamos Hegel («a verdade é o todo») nem von Balthasar («a verdade é a totalidade»).

 

Mantenhamos, por isso, a indispensável coerência nos princípios e não desleixemos o inadiável compromisso com a misericórdia.

 

Não podemos aceitar que a ortopraxia seja incompatível com a ortodoxia. Só há ortodoxia quando há ortopraxia. Quem não ama o próximo como pode pretender amar a Deus?

 

Não separemos o que Deus uniu. Foi Deus que uniu a verdade e o amor, a doutrina e a pastoral.

 

Querer menos que tudo é querer nada.

publicado por Theosfera às 11:46

«Os homens que odeiam continuam em vida; os conciliadores morrem».

Assim reza (acutilante e magnificamente) um provérbio africano.

publicado por Theosfera às 11:45

Educadora do meu silêncio, condutora da minha alma, ensina-me a acolher a Palavra que Se fez vida no Teu seio.

 

Maria, dá-me a paz do silêncio para que saiba digerir o sentido das palavras.

 

Que as minhas palavras não saibam a mim, não sejam de mim, mas eco da Palavra que habitou Teu ser, Jesus!

publicado por Theosfera às 11:36

Chama-se Lígia Santos e ganhou o Prémio Pedro Nunes.

 

Foi a melhor aluna a Matemática no Secundário em 2009. Estudou na Escola Secundária Latino Coelho, em Lamego.

 

Neste momento, está no primeiro ano de Medicina no Hospital de São João, no Porto.

 

Sempre jogou voleibol no desporto escolar e habitualmente tinha dois treinos por semana. O importante, sublinha, é estar com bastante atenção nas aulas. «Não existem segredos. O essencial é acompanhar a matéria e não decorar fórmulas de resolver os exercícios porque isso é um erro», refere.

Outro aspecto importante: não ir para casa com dúvidas na cabeça. «É fundamental perceber a matéria e se há dúvidas é preciso tirá-las. É preciso ter essa humildade», defende.

 

Sempre foi boa aluna e rejeita que a Matemática seja a má da fita das disciplinas.

 

Um bicho-de-sete-cabeças? Nada disso. «O importante é não deixar que esse preconceito se apodere de nós, não podemos ver a Matemática como um bichinho». 

 

Vinte valores no 11.º e 12.º anos. Dezanove no 10.º. «Não sou sobredotada», alerta. Apenas uma aluna aplicada, que desfaz as dúvidas na hora e que tenta perceber toda a dinâmica dos números. Os cinco mil euros do prémio ainda não têm destino traçado.

publicado por Theosfera às 11:30

Quarta-feira, 24 de Março de 2010

O Evangelho foi escrito em forma de livro para ser, permanentemente, reescrito em forma de vida.

 

Hoje, ouvimos Jesus vaticinar que O querem matar porque sempre disse a verdade, a verdade de Deus.

 

A verdade incomoda sempre.

 

D. Óscar Romero é um certificado vivo, tingido de sangue, do incómodo provocado pela verdade.

publicado por Theosfera às 20:54

A crise não é só (nem principalmente) exterior. É também (e sobretudo) interior.

 

Não sei até que ponto haverá uma relação de causa-efeito entre a crise económica e a debilidade psíquica dos portugueses.

 

O certo é que os mais recentes dados apontam para um crescimento galopante de patologias psíquicas.

 

Assim, um quinto da população portuguesa tem doença mental.

 

À cabeça encontram-se perturbações de ansiedade, perturbações depressivas, perturbações de controlo de impulsos e outras relacionadas com o álcool.

 

Acresce que as pessoas têm dificuldade em recorrer a tratamento e, como asseveram os especialistas, há cada vez menos factores de suporte às pessoas vulneráveis.

 

Eis, por isso, um sinal a que temos de estar atentos.

 

Há que pensar, cada vez mais, no outro. No seu bem. Na sua saúde.

 

O outro também faz parte de mim. Não pode, por isso, ser visto como adversário nem olhado com sobranceria ou indiferença. O outro é sempre único. É meu irmão.

publicado por Theosfera às 11:42

Pode Barack Obama ser acusado de muita coisa. E já tornei público que há muitos aspectos em que divirjo do seu pensamento e da sua actuação.

 

Mas a insistência na reforma da saúde leva-me a expender uma veemente palavra de admiração.

 

É preciso ter presente que mais de 30 milhões de cidadãos do país mais poderoso do mundo não tinham acesso aos cuidados mais elementares de saúde.

 

É igualmente conhecido que, por razões de natureza ideológica, há uma oposição muito forte (mesmo no Partido Democrata) a esta medida.

 

Os mais pobres são, pois, os mais beneficiados.

 

Já Trumann havia intentado esta reforma. Não conseguiu. Foi preciso esperar pelo século XXI.

publicado por Theosfera às 10:17

Hoje é o Dia Mundial da Tuberculose.

 

Oportunidade para saber que, neste mesmo dia, 4500 pessoas vão morrer por causa desta doença.

 

Indiferentes?

publicado por Theosfera às 10:15

Foi uma figura que me marcou bastante depois de morto.

 

Pois foi só depois da sua morte que o conheci. D. Óscar Romero, intrépido defensor dos mais pobres em El Salvador, foi assassinado neste dia, em 1980, quando celebrava a Eucaristia.

 

D. Óscar foi morto por causa da sua verticalidade. Porque nunca tergiversou.

 

Recebeu ameaças sucessivas para que se calasse. Mas não se calou. Humilde, considerava não ser digno da «graça do martírio».

 

Só que as balas surgiram e irromperam, cruéis, pela Igreja em que oficiava.

 

O seu exemplo marcou-me bastante. Na minha vida de padre, o seu testemunho interpela-me constantemente.

 

Um Homem de Deus é sempre um Homem para os Homens.

 

D. Óscar Romero levou a Eucaristia à vida e à morte.

 

Foi alguém que leu o Evangelho nos livros e o reescreveu na vida.

 

Morreu com um tiro no coração. Porque era o seu coração que mais incomadava.

 

Curiosamente é no coração das pessoas que D. Óscar sobrevive.

 

E é no coração de Deus que D. Óscar se mantém vivo e vivificante.

 

Vale a pena viver assim. Vale a pena morrer assim. Tanto mais que quem assim morre nunca falece. Permanece para sempre!

 

publicado por Theosfera às 09:47

Terça-feira, 23 de Março de 2010

Foi sempre uma das referências da minha vida.

 

Só ouvi falar dele quando o mataram, enquanto celebrava a Santa Missa.

 

Nessa altura, 24 de Março de 1980, estava eu, sensivelmente, a meio do meu caminho de formação.

 

D. Óscar Romero foi um apóstolo da verdade e um mártir da justiça.

 

Os seus preferidos eram os preteridos do poder.

 

Ergueu a voz em favor dos sem voz, dos sem pão, dos sem terra e dos sem amor.

 

Só as armas o calaram. Mas nem as armas o extinguiram.

 

Acerca das circunstâncias da sua morte, alguma coisa se vai esclarecendo. Nada que nos espante, aliás. Veja aqui.

 

O seu testemunho perdura. O seu exemplo permanece. A sua coragem frutificará.

 

A humanidade e a Igreja precisam de pessoas assim.

 

Cada vez mais!

publicado por Theosfera às 16:28

«A solidão é essencial à fraternidade».
Assim escreveu (notável e magnificamente) Gabriel Marcel.

publicado por Theosfera às 09:33

Silêncio! Não vês? – Repara:

A manhã fez-se mais clara…

 

Silêncio! Devagarinho…

Cuidado com as pedras do caminho…

 

Silêncio! Não fales…Não…

Deixa-me ouvir bater o coração…

 

Silêncio! Todo o Universo

Está ali – dentro de um berço!

 

Além… Não vês que dorme uma criança?

Silêncio!

      É Deus que descansa.

 

          Miguel Trigueiros

publicado por Theosfera às 09:28

A morte do Filho de Deus mostra que o crente não está isento de dramas nem de dúvidas. Claro que não estaciona na dúvida, abrindo-se constantemente à presença de Deus, tantas vezes manifesta de forma oculta.

 

É o paradoxo da fé: a presença na ausência, a força na fragilidade, o eterno no tempo, a vida na morte.

 

Nem o próprio Senhor Jesus passou ao lado deste drama. A Carta aos Hebreus afiança que Ele morreu no meio de grandes clamores e lágrimas.

 

Manteve, até ao fim, a consciência de que era Filho (Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito), mas nem isso impediu que gritasse usando uma expressão do Salmo 21 que, ainda hoje, dá que fazer à exegese (Meu Deus, Meu Deus, porque Me abandonaste?).

 

A fé não é alienante. Não nos retira da vida. Atira-nos para as profundezas (mais obscuras) do mistério da vida.

 

Os escritos de Madre Teresa levam-nos para esse mar insondável da escuridão: «Não se pense que a minha vida espiritual é um mar de rosas - que é flor que raramente encontro no meu caminho. Bem pelo contrário, o mais frequente é ter como companheira a escuridão». Ao seu director espiritual confidencia: «No meu coração não há fé nem amor nem confiança. Há tanta dor, a dor da ânsia, a dor de não ser querida».

 

Neste tempo, em que somos confrontados com a dor do mundo na dor do Filho de Deus, fique a baloiçar no nosso interior esta palavra de Dietrich Bonhoeffer: «O Homem está chamado a sofrer com Deus no sofrimento que o mundo sem Deus inflige a Deus».

 

Em Cristo, Deus sofre connosco, em nós. Mesmo que não O sintamos.

 

O Senhor Jesus continua a entregar-Se. É o verbo que Ele, hoje ainda, continua a conjugar. Conjuga-o com os lábios. Conjuga-o com o sangue. Conjuga-o com a vida.

publicado por Theosfera às 09:22

Segunda-feira, 22 de Março de 2010

Era uma senhora de idade que tinha muita dificuldade em ver.

 

Precisava de aplicar umas gotas nos olhos. Mas precisava, ainda mais, de afecto, de carinho, de atenção.

 

Quando ia comungar na Missa, perguntava sempre pelo nome do padre: «É o padre N.?»

 

Ao ouvir a resposta, tomava a direcção da sacristia para que, no final da Santa Missa, o sacerdote lhe colocasse as gotas nos olhos.

 

Não seria aquele o mais belo sermão?

publicado por Theosfera às 22:41

O problema maior, hoje, é a desvalorização do outro.

«Na nossa sociedade, há muitas pessoas que são oprimidas e humilhadas em dois contextos importantes: no trabalho e na escola».

Esta é uma das ideias acutilantes da entrevista de fundo que o Prof. António Coimbra de Matos concede à Tabu.

O que mais lhe custa «é a violência contra quem tem menos força».

Refira-se que, apesar dos seus 80 anos, continua a trabalhar cerca de dez horas por dia.

Este psiquiatra é oriundo de Galafura, embora tendo nascido na Lixa, e tem uma obra extensa.

Devo dizer que tudo o que tem que ver com a Psicologia e Psiquiatria sempre me interessou. O perscrutamento da alma humana é sempre importante e traz sempre novidades.

Coimbra de Matos tem um pensamento original, às vezes provocador. Assume que aprendeu mais com os seus pacientes do que com os seus mestres.

Denuncia o anonimato da sociedade contemporânea. «Sou do tempo em que, se encontrávamos um indivíduo caído na estrada, parávamos o automovel e íamos ajudar». Actualmente, faz-se vista grossa. Ninguém está para se incomodar.

 

Considera que o nível dos alunos é melhor nos tempos que correm: «mais cultos, mais abertos, mais capazes de se interrogar. O grave é a ratio professores/alunos. No ISPA dei aulas para 200 alunos. Isto é um disparate».

 

Freud não lhe desperta interesse. «Na ciência, o que tem interesse é aquilo que se observa com os pacientes».

 

Assume que «a ciência não é um credo, é uma investigação; portanto, o conhecimento é sempre provisório e incerto».

 

Um alerta final: «a sociedade contemporânea está a deprimir as pessoas».

 

Enfim, matéria vasta para reflectir. E, se possível, inflectir.

publicado por Theosfera às 22:37

 

1. É com o coração despedaçado que, como toda a gente, olho para a tragédia da pedofilia na Igreja.
 
Como padre, tenho de perceber que o compromisso com a Verdade há-de estar antes de mais e acima de tudo.
 
Não foi Jesus, o fundador da Igreja e o perene fundamento do sacerdócio, que Se apresentou como sendo a Verdade (cf. Jo 14, 6)?
 
Não foi pela Verdade que Ele foi condenado? Não foi pela Verdade que Ele derramou o sangue e deu a vida? Será, então, lícito esconder a Verdade?
 
Será que já demos conta de que esconder não ajuda a regenerar o agressor e, pior, contribui para prolongar o sofrimento da vítima?
 
Admitamos não ser fácil lidar com situações de sumo embaraço e tumultuosa delicadeza.
 
As palavras não resolverão tudo, mas o silêncio curará alguma coisa?
 
Certos silêncios atiram-nos para o lado dos agressores e afastam-nos das suas vítimas. Ou seja, além da verdade, ferimos a justiça. Haverá algo mais contrário a Cristo?
 
2. E, no entanto, é mais frequente incomodarmo-nos com quem chama a atenção para um problema do que com quem provoca esse mesmo problema.
  
Já o Antigo Testamento reporta casos em que os que avisam (os profetas, por exemplo) são censurados, perseguidos ou, então, ignorados.
 
 René Laurentin, num livro muito inquietante saído já nos anos 80 do século passado, advertia para o drama da pedofilia.
 
Conta que, por duas vezes, informou um determinado bispo. A resposta que recebeu terá sido a mesma: «Ignoramos»!
 
Como acontece a tantos outros, também ele teve razão antes do tempo e reconhecimento (só) depois do tempo.
 
É preciso dizer que a Igreja sempre lamentou estas tragédias. Mas a tendência era para encobrir.
 
Fazia-o certamente com o melhor propósito, mas o tempo provou que os resultados não foram satisfatórios.
 
Os autores das agressões mudavam de local. Só que a transferência das pessoas acarretava a transferência do problema que transportavam.
 
 Hoje, temos presente que a tragédia não se resume aos actos. Ela envolve também o encobrimento dos mesmos.
 
 
3. Um problema assumido nem sempre é um problema solucionado. Mas um problema abafado é que nunca será um problema resolvido.
 
É certo que este não é um exclusivo da Igreja Católica. Esta até será a instituição que mais está a fazer no sentido de não branquear os actos e de assumir as suas responsabilidades.
 
Só que as responsabilidades da Igreja são maiores. As pessoas tendem (tendiam?) a confiar muito mais num padre do que noutra pessoa ou instituição.
 
Como reagir à quebra da confiança, o vínculo mais nobre  que perfuma a convivência humana?
 
 A Igreja tem feito uma revisão muito séria de factos do passado. Tem pedido perdão por aquilo que, ao longo dos tempos, não correu bem.
 
 Mas é bom que a autocrítica não se circunscreva ao passado. O encontro com a Verdade (sobretudo com a verdade que dói e incomoda) não pode demorar tanto tempo.
 
Há quem morra sem uma palavra de conforto, sem um gesto de alento, sem um vislumbre de esperança.
 
 
4. É claro que todos temos soluções depois de os problemas acontecerem. Nem sempre na madrugada se sabe o que vai acontecer pela tarde.
 
 É impossível detectar a personalidade de uma pessoa, em toda a sua extensão, no seu período de formação.
 
 Mas há valores que despontam cedo e debilidades que emergem depressa. Penso, particularmente, no carácter ou na falta dele, na autenticidade ou na duplicidade.
 
Toda a construção depende, em muito, dos seus alicerces. Sem uma forte espiritualidade é muito difícil resistir, é muito fácil claudicar.
 
Todos temos, por isso, muito a aprender em matéria de verdade e de justiça. É fundamental não chegar tarde aos acontecimentos.
 
A gravidade de um acto não está em que ele seja conhecido. Está em que ele seja cometido.
 
É imperioso escutar quem nos adverte na altura própria. Mesmo que se torne (insuportavelmente) incómodo.
 
Mas não é esse o destino dos profetas?
 
publicado por Theosfera às 11:41

Cada vez estou mais convencido de que, na vida, é com calma, serenidade e muita paz que se atingem os objectivos.

 

Por isso, não te irrites, Irmão.

 

«Devagar que tenho pressa» é o melhor que te posso dizer, usando sábias palavras do povo.

 

Há nuvens por debaixo do sol?

 

 Mas olha que há sol por cima das nuvens!

 

publicado por Theosfera às 09:39

Domingo, 21 de Março de 2010

Na mão de Deus, na sua mão direita,
Descansou afinal meu coração.
Do palácio encantado da Ilusão
Desci a passo e passo a escada estreita.

 

Como as flores mortais, com que se enfeita
A ignorância infantil, despojo vão,
Depus do Ideal e da Paixão
A forma transitória e imperfeita.

 

Como criança, em lôbrega jornada,
Que a mãe leva ao colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,

 

Selvas, mares, areias do deserto...
Dorme o teu sono, coração liberto,
Dorme na mão de Deus eternamente!

 

Antero de Quental

publicado por Theosfera às 13:52

Eu escrevo versos ao meio-dia
e a morte ao sol é uma cabeleira
que passa em fios frescos sobre a minha cara de vivo
Estou vivo e escrevo sol
Se as minhas lágrimas e os meus dentes cantam
no vazio fresco
é porque aboli todas as mentiras
e não sou mais que este momento puro
a coincidência perfeita
no acto de escrever e sol
A vertigem única da verdade em riste
a nulidade de todas as próximas paragens
navego para o cimo
tombo na claridade simples
e os objectos atiram suas faces
e na minha língua o sol trepida
Melhor que beber vinho é mais claro
ser no olhar o próprio olhar
a maraviha é este espaço aberto
a rua
um grito
a grande toalha do silêncio verde

 

António Ramos Rosa

publicado por Theosfera às 13:49

A poesia também tem um dia. Mas a poesia visita-nos a cada instante.

 

Um poeta é um perscrutador. Capta melhor que nós a palavra que paira sobre a existência.

 

Há quem pense que a poesia nos abstrai da vida. Mas é a poesia que nos transporta para o grande mistério do existir.

 

A poesia é o silêncio fecundado, que fermenta em palavras os sentimentos fundos e as emoções fortes.

 

A poesia é uma ausência que o instante torna presente.

 

A poesia não está só nos livros. Encontra-se na vida. Cada ser humano é um artífice do poema que Deus compõe. Connosco, em nós.

publicado por Theosfera às 13:43

Os Homens têm vencimento maior que as Mulheres em cerca de 9%.

 

É uma injustiça que nem este limiar de um tempo novo consegue corrigir.

 

Esperava que a tão propalada paridade atingisse o essencial: a justiça.

 

Não sou feminista, mas preocupa-me sobremaneira a situação de muitas senhoras.

 

Se fosse pelo trabalho e pela dedicação, teriam uma fortuna. Assim também a têm: a fortuna do seu exemplo imaculado!

 

publicado por Theosfera às 13:18

Muitos queriam que uma única pessoa fosse condenada.

 

Jesus não condenou a condenada. Condenou, sim, (e com que veemência) quem condenou.

 

No momento decisivo, a mulher ficou só. Com Jesus.

 

Ele é o alento de todos os condenados. De todos os abandonados.

 

Eis o que ressoa do Evangelho deste Domingo, o quinto da Quaresma.

publicado por Theosfera às 13:14

Sábado, 20 de Março de 2010

Não se pode ser justo sem se assumir de que lado se está.

 

A justiça não é híbrida.

 

A justiça resulta de um compromisso. Desde logo com as vítimas da injustiça.

 

Jesus, neste Domingo, diz-nos claramente o partido que toma: o da vítima.

 

Não diz que a mulher procedeu bem. Mas recusa, terminantemente, ser conivente com o mal.

 

E era tão fácil sair ou dizer: cumpra-se a lei.

 

Viver é optar. E ser justo é optar mais intensamente, mais fundamente.

publicado por Theosfera às 13:47

 

São, sem dúvida, muitos os caminhos que conduzem a Deus.Mas o mais seguro é, inquestionavelmente, o da bondade, o do amor, o da amizade, o do perdão.
 
Dizia Agostinho da Silva: «O supremo entender é a bondade».
 
Eis o logos que nunca envelhece nem envilece. É a partir da bondade que faz sentido mergulhar no estudo e cimentar o serviço diaconal.
 
O segredo: pensar menos em si, pensar mais nos outros.
 
A Igreja nunca é eclesiocêntrica. Será sempre teocêntrica eantropocêntrica. Como Jesus.
 
irmão de todos. Sentir-te-ás filho de Deus!
publicado por Theosfera às 11:47

O futebol sempre me despertou alguma curiosidade sobretudo pelo que se passa à volta dele.

 

Anda por aí uma tumultuosa discussão por causa do jogador Izmailov. Alegadamente, terá recusado jogar na passada quinta-feira.

 

Invocou limitações. O médico disse que não viu qualquer agravamenfo do estado físico do atleta.

 

O recém-nomeado director desportivo terá dito que o referido jogador não joga mais no clube. E terá acrescentado que o nós tem de estar acima do eu.

 

É aqui que eu queria parar. Aparentemente nada a opor a este axioma. Cada um tem de estar ao serviço dos outros.

 

Mas será que cada pessoa tem de ser dissolvida no todo? A comunidade não é a mera soma das partes. É o que resulta da interacção entre todos.

 

A comunidade não pode asfixiar a pessoa. Sem pessoa não há comunidade.

 

No caso vertente, aliás, até estamos diante de alguém que, no longo tempo em que esteve parado, abdicou de receber o salário a que tinha direito. Haverá muita gente que faça o mesmo?

 

Se calhar, uma boa conversa dentro resolveria tudo. Muito ruído para fora é que não resolve nada.

publicado por Theosfera às 11:40

Penso que se devia pensar no que ocorreu, ontem, no Parlamento. Sobetudo no que foi amplamente difundido pelas televisões.

 

Parecia uma aula. Um secretário de Estado foi advertido para a ausência da fórmula regimental.

 

Começou por falar sentado. Levantou-se. Mas esqueceu-se de saudar o presidente da Assembleia. Este repreendeu-o. E ameaçou-o de que não o deixava falar ao verificar que a segunda tentativa também falhou.

 

Depois, foi a queixa do deputado que viu o ecrâ do computador ser fotografado. O presidente diz que o computador não é pessoal, é oficial. Mas será que tudo o que lá se escreve tem de ser conhecido? Onde estão os limites para a privacidade? Onde estão as fronteiras com o que é público?

 

Impressionante achei a reacção à explicação do Dr. Jaime Gama. Muitos deputados fecharam o computador com força, com um estrondo enorme.

 

Se os alunos reagirem assim numa aula, que pensaremos? O certo é que muitos jovens viram estas imagens.

 

O Dr. Jaime Gama, pessoa que muito admiro, poderá ter tido algum excesso de zelo. Mas não há dúvida de que alguma compostura é necessária. Sobretudo na casa-mãe da democracia.

publicado por Theosfera às 11:34

A primeira leitura dá o tópico: o incómodo tem de ser eliminado, seja por que meio for.

 

O Evangelho aponta o que é habitual nestes casos: dissecar sobre coisas laterais (como saber se Jesus é da Galileia).

 

Sucede que em causa está o essencial. E o essencial é que, como refere o mesmo Evangelho deste dia, nunca houve ninguém como Jesus.

 

Isso é que é perturbador. Ontem. E hoje.

publicado por Theosfera às 11:26

Sexta-feira, 19 de Março de 2010

Neste dia de S. José, é pertinente reflectir, maduramente, sobre o drama por que passou.

 

O Evangelho aponta-o como homem justo.

 

Título apropriado, sem dúvida, para quem pôs a justiça acima da lei.

 

Não sei se já pensamos alguma vez no seguinte. Se José seguisse, de forma estrita, os ditames da lei, Jesus não teria nascido.

 

É que (como iremos ouvir no próximo Domingo) a lei preceituava que a mulher apanhada em adultério devia ser apedrejada até à morte.

 

É óbvio que Maria não praticou adultério. O que nela se passou foi obra do Espírito Santo.

 

Só que José não sabia. E o que ele via pouca margem dava para dúvidas.

 

Ainda não viviam em comum e Maria estava grávida. Um verdadeiro drama, o drama de José!

 

Aparece, aqui, o crédito da confiança. Embora não sabendo o que se tinha passado, José sabia que Maria era incapaz de o trair.

 

Dada, porém, a situação, estava disposto a fazer tudo em segredo, em afastar-se. Denunciá-la é que jamais.

 

As pessoas não são todas iguais. Ainda há quem seja diferente. E as aparências também iludem. Oh se iludem!

 

Foi nesta situação que Deus veio em seu auxílio. E também José ficou cônscio do que acontecera.

 

Nem sempre a justiça está na lei. A justiça é maior que a lei. Em caso de colisão, não há que hesitar.

 

Jesus viria a dizer: «Procurai, antes de mais, o Reino de Deus e a Sua justiça» (Mt 6, 33).

 

Jesus foi muito claro na primazia dada à justiça. Fê-lo com desassombro.

 

José também fez o mesmo. De um modo mais contido, quase imperceptível. Mas igualmente eficaz. E prodigamente coerente.

publicado por Theosfera às 19:23

A bondade comove-me.

 

A humildade convence-me.

publicado por Theosfera às 13:43

 

A família deve ser uma escola. Felizmente, ainda há escolas que conseguem ser uma família.
 
Foi gratificante e deveras comovente a forma como o Colégio da Imaculada Conceição assinalou o Dia do Pai, que serviu também de Comunhão Pascal.
 
A Eucaristia foi seriamente preparada e belamente participada. Notou-se um grande entrelaçamento entre todos à volta da fé, à volta de Cristo.
 
Os valores têm um cimento forte e uma estrutura funda quando apontam para Deus.
 
Muitos parabéns!
publicado por Theosfera às 13:16

Meu Pai já está está no Céu.

 

Meu Pai continua em mim.

 

Neste dia de S. José, Pai (adoptivo) de Jesus, recordo meu querido Pai, oro por todos os pais.

publicado por Theosfera às 01:03

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