S. João Esmoler nasceu em Chipre, foi funcionário do imperador, enviuvou e veio a ser patriarca de Alexandria por volta de 610. Espantou toda a gente com uma pergunta que fez à chegada: «Quantos são aqui os meus senhores?»
Como ninguém percebeu o alcance, ele descodificou: «Quero saber quantos pobres temos. Eles são os meus senhores, pois representam na terra Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Mt 25, 34-46). Dependerá deles que eu venha a entrar no Seu reino».
Fizeram o apuramento. Havia 7500 pobres, que ficaram a receber, todos os dias, uma boa esmola. É claro que as críticas não demoraram. Que havia alguns que não eram pobres, antes mandriões.
Réplica do bispo: «Se não fôsseis não curiosos, não o saberíeis. Curai-vos da vossa intriga e curiosidade e deixai-me em paz. Prefiro ser enganado dez vezes a violar, uma vez que seja, a lei do amor».
Diz a história que o cofre nunca se esvaziou. A quem lhe agradecia ele respondia: «Agradece-me só quando eu derramar o meu sangue por ti; até lá, agradeçamos, os dois juntos, a Nosso Senhor Jesus Cristo».
Ninguém tinha coragem de lhe negar nada. Só que alguns costumavam sair, furtivamente, da igreja antes do fim da Santa Missa.
Sucede que o bispo saía também e, de báculo na mão, juntava-se a eles cá fora e intimava-os: «Meus filhos, um pastor deve estar com o seu rebanho; por isso, venho ter convosco. Mas não posso ficar aqui e não me posso cortar em dois; que iria ser das minhas ovelhas que estão lá dentro?» Desde então, toda a gente esperava pelo fim da Santa Missa para sair.
Que nobre exemplo de pastor, de pai. Muito mais tarde, também Bossuet repetia: «Nossos senhores, os pobres».
O pobre é sempre uma surpreendente aparição de Deus.
E vens Tu, Senhor,
falar-nos do mais difícil,
do que quase todos defendem,
mas quase ninguém pratica.
Vens Tu, Senhor,
falar-nos do arrependimento
e da mudança,
daquilo que todos dizem querer,
mas que quase ninguém se dispõe a fazer.
É preciso mudar.
É importante que tudo mude.
Mas nós falamos da mudança para fora
quando o importante é que mudemos por dentro,
pelo fundo.
A mudança és Tu, Senhor,
a mudança temos de ser nós.
Só conTigo tudo será diferente.
Só conTigo em nós tudo começará a ser melhor.
Ajuda-nos, Senhor,
a acreditar na Boa Nova,
nessa bela notícia que é a Tua Palavra,
o Teu Evangelho,
a Tua mensagem,
a Tua pessoa.
A Boa Nova és Tu, Senhor
e Tu estás connosco.
Nunca deixas de ser o Emanuel da esperança,
o Deus connosco nestes tempos de turbulência.
Ajuda-nos a semear no mundo
a Tua presença de amor,
de paz, de tolerância,
de justiça e de solidariedade.
A mudança necessária
tem um nome e possui um rosto:
o Teu rosto,
JESUS!