ao encontro d'Aquele que, quando parece mais ausente, mais está presente

Segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

 

Qualquer escândalo tem um tempo de antena desmedido.
 
Os operadores televisivos sabem que o público consome e que, portanto, a audiência está assegurada e o êxito garantido.
 
Neste clima de anomia ética e de anemia cívica, não espanta que as pessoas se espantem com a denúncia de alguns comportamentos. Os truísmos sucedem-se. Se toda a gente faz assim, porque é que eu não hei-de fazer assim? E se há anos se procede desta forma, que mal há em que eu também proceda?
 
Os valores valem pouco. Os princípios parecem contar cada vez menos. Desde que me interesse e me agrade, tudo bem. Nada é mal se me dá prazer. Nem que falte à palavra e aos compromissos. Nem que ofenda a honra. Nem que passe por cima das pessoas.
 
Mas será que nós, cristãos, ainda dá voz aos grandes mandamentos?
publicado por theosfera às 11:20

Domingo, 22 de Novembro de 2009

A questão da verdade aparece, muito intensa, no Evangelho deste domingo.

 

Aprendemos que a verdade é a adequação do pensamento à realidade.

 

Ora, para Cristo, a verdade não está na adequação, mas na transformação.

 

O conformismo não se compagina com Cristo porque não se compagina com a Verdade.

 

Onde está verdade nos seguidores de Cristo?

publicado por theosfera às 16:19

Há quem não queira dar lugar a Deus na sociedade.

 

E que lugar estamos a dar a Deus na Igreja?

 

Esta segunda interrogação é muito mais pertinente e dramática.

 

Não será que Deus é muito mais silenciado cá dentro do que lá fora?

 

publicado por theosfera às 16:17

 

Nas trevas que se adensam na história, há uma Luz que (teimosamente) brilha e uma Palavra que se quer fazer ouvir.
 
Só que, muitas vezes, as trevas não querem acolher a Luz nem consentem que a Palavra ecoe e Se faça carne na nossa vida (Jo 1, 14).
 
É que, ao contrário de tempos idos, o que está em causa hoje já não é tanto o silêncio da Palavra. É sobretudo o compulsivo silenciamento do Verbo.
 
Deus não está em silêncio. Está é a ser (violentamente) silenciado. Mas, ainda assim, continua a ser possível escutar a Sua voz.
 
«Senhor — assim rezava Sören Kierkegaard —, Tu falas, mesmo quando Te calas. Calas-Te por amor e por amor falas. Tanto és no silêncio como na palavra. Tu és sempre o mesmo Pai: guias-nos com a Tua voz e elevas-nos com o Teu silêncio»…
publicado por theosfera às 16:14

O Papa Bento XVI disse este domingo que escolher Cristo assegura a paz e a felicidade.

«Para qualquer tomada de consciência é preciso fazer uma escolha: a quem seguir, Deus ou o Maligno, a verdade ou a mentira? Escolher Cristo não garante o êxito segundo os critérios mundanos, mas assegura a paz e a felicidade que só ele pode proporcionar».


 

publicado por theosfera às 16:10

Sábado, 21 de Novembro de 2009

«Escreve as tuas mágoas no pó e as tuas conquistas no mármore».

Assim escreveu (subtil e magnificamente) Benjamim Franklin.

publicado por theosfera às 11:10

 

Há dois mil anos, houve quem não quisesse acolher Cristo.
 
Hoje em dia, continua a haver quem O rejeite.
 
O diagnóstico do prólogo do quarto Evangelho mantém assim total acuidade: «O Verbo veio para o que era Seu e os Seus não O receberam» (Jo 1, 11).
 
Não falta quem insista em afastar Deus da vida pública. Se, no passado, os homens Lhe disponibilizaram um espaço para nascer, no presente, não mostram especial interesse em reservar-Lhe um lugar para permanecer. Ou seja, o tempo passa, mas a atitude persiste.
 
O problema é que, ao cortar com Deus, o homem não fica só sem Deus; arrisca-se a ficar também sem mundo e sem…ele mesmo. Como escreveu Xavier Zubiri, «é a solidão absoluta».
publicado por theosfera às 11:06

Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

«Testemunhar o nascimento de uma criança é a nossa melhor oportunidade de experimentar a palavra milagre».

Assim escreveu (sublime e magnificamente) Paul Carvel.  
publicado por theosfera às 22:33

 

O ritual da Universidade de Salamanca, tanto a estatal como a Pontifícia, têm o acto de juramento no final do acto de nomeação de doutores honoris causa.
Ritual a que se submeteu Saramago  
Juramento.
Durante el juramento todos los asistentes permanecen en pie y descubiertos.
El Rector indica al padrino que lea al nuevo doctor el juramento que se va a prestar ante el Claustro.
    Rector.-Lege iuramentum novo doctori.
   
Lee su juramento al nuevo doctor.
    Padrino: - Iuras ad crucem et ad Sancta Dei Evangelia per te tacta, semper ubicumque fueris iura el privilegia, honorem Studii huius Universitatis conservare, semper eam iuvare et in negotiis Universitatis et factis consilium, auxilium et favorem praestare quotiens eris requisitus?
    ¿Juras ante la Cruz y sus Santos Evangelios que estás tocando, siempre y donde quiera que estuvieres, guardar los derechos y privilegios y el honor de esta Universidad y siempre ayudar, prestar apoyo y consejo, en las obras y asuntos de la misma, cuantas veces fueres requerido?.
El nuevo doctor pone su mano sobre el Evangelio y dice:
    Doctor.- Sic iuro et volo.
    Así lo juro y así lo quiero.
    Rector.-Sit te Deus adiuvet et Sancta Dei Evangelia. Amen
    Así Dios te ayude y sus Santos Evangelios.
Amén.
 
publicado por theosfera às 22:18

Quantos ateus foram gerados por um ateu?

Quantos ateus foram gerados pelos crentes?

 

Esta é uma pergunta que se podia fazer e um inquérito que se devia realizar.

publicado por theosfera às 20:14

Uma eminente figura da Igreja disse, hoje mesmo, que «nunca, como hoje, as forças ateisantes, que se apresentam como defensoras da autonomia e da grandeza do homem, procuram neutralizar a influência da religião e dos crentes nos dinamismos construtores da sociedade».

 

Percebo o que se quer dizer e, à primeira vista, assim é. Mas, com todo o respeito, continuo a pensar que o ateísmo é sempre reactivo. E tenho para mim que quem mais neutraliza o efeito da presença da religião na sociedade são muitos membros das religiões.

 

Enquanto não tivermos a humildade de reconhecermos isto, os lamentos continuarão. Apenas lamentos.

publicado por theosfera às 19:34

Confesso.

 

O que mais me preocupa não é o mal que alguns fazem.

 

É o bem que muitos deixam de praticar.

publicado por theosfera às 16:07

«A gratidão é um fruto de grande cultura; não se encontra em gente vulgar».

Assim escreveu (esplendorosa e magnificamente) Samuel Johnson.

publicado por theosfera às 16:05

Ainda não tinha pensado nisso, mas uma leitora do Público toca numa questão elementar.

 

Desde o dia 1 do corrente, aquele diário tem uma directora, Bárbara Reis.

 

Então, porque é que mantém uma secção com o título de Cartas ao Director?

publicado por theosfera às 16:02

30 por cento das crianças têm excesso de peso. Será que as outras 70 por cento têm falta de peso?

Realmente, estamos num mundo de contrastes...

publicado por theosfera às 16:00

Bento XVI nomeou o arcebispo D. Manuel Monteiro de Castro consultor da Congregação para a Doutrina da Fé, segundo informou ontem a Sala de Imprensa da Santa Sé.

 

D. Manuel Monteiro assumiu o cargo de secretário da Congregação para os Bispos em 3 de Julho de 2009. Em Outubro foi designado pelo Papa como secretário do Colégio dos Cardeais.

 

Nascido em Guimarães no ano de 1938, é licenciado em Direito Canónico. Entrou para o serviço diplomático do Vaticano em 1967.

 

D. Manuel Monteiro de Castro tem uma longa experiência diplomática ao serviço da Santa Sé, que o fez passar pelo Panamá, Guatemala, Vietname, Austrália, México, Bélgica, Trinidad e Tobago, África do Sul e Espanha, onde permaneceu entre 2000 e 2009. Foi também observador permanente do Vaticano na Organização Mundial do Turismo.

publicado por theosfera às 15:59

Porque é que tudo parece correr bem a quem faz o mal?

E porque é que tudo parece correr mal a quem tenta fazer o bem?

 

Eis uma inquietante pergunta que muita gente me faz.

Costumo apontar para Cristo: ninguém como Ele fez tanto bem; ninguém como Ele recebeu tanto mal.

 

É mesmo um mistério.

Mas antes receber mal por causa do bem do que receber o bem por causa do mal...

publicado por theosfera às 12:39

Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

«Só damos pelo envelhecimento dos outros».

Assim escreveu (notável e magnificamente) André Malraux.

publicado por theosfera às 16:11

Já disse que gosto muito do Alentejo e dos alentejanos.

 

Sofro ao saber que o Alentejo poderá estar a enfrentar a maior seca de sempre.

publicado por theosfera às 16:10

«A nossa vida é o que os nossos pensamentos fazem dela. O valor de cada um é relacionado com o valor das coisas».

Assim escreveu (magistral e magnificamente) Marco Aurélio.

publicado por theosfera às 16:08

As multas na A25 já renderam 7,7 milhões de euros.

 

Prevaricar é connosco.

publicado por theosfera às 16:07

O Professor de Psiquiatria Wolfgang Speiling estabelece uma relação, que julgaríamos improvável, entre a Gripe A e a crise económica.

 

Chama, particularmente, a atenção para a onda de alarmismo e para a responsabilidade da comunicação social.

 

O ambiente de pânico é tal que já nem certezas há quanto ao efeito da vacina: se ajuda ou se complica.

 

Três fetos perderam a vida após as mães terem sido vacinadas. Causa ou mera coincidência?

 

Isto está tudo muito nebuloso.

 

Amigos meus que vivem noutros países atestam que a Gripe A tem maior incidência e a comunicação social é muito mais parcimoniosa na notícia.

publicado por theosfera às 16:03

 

A fome é o único adversário que vale a pena enfrentar, o único inimigo que vale a pena combater e a única guerra que vale a pena travar.
 
A estratégia até é fácil de enunciar, embora se mostre difícil de executar. Já Frei Amador Arrais, no século XVI, dava conta de que «o medicamento para a fome é o comer».
 
Aliás, está (mais que) demonstrado que o nosso défice não é de alimentos, nem de riqueza, mas de justiça e de solidariedade. Bastava que investíssemos uma ínfima parte das energias, que esbanjamos nas guerras, na luta contra a fome para que a situação fosse rapidamente resolvida.
 
A paz não nasce das bombas preventivas ou dos ataques retaliatórios, mas da construção da justiça. Isto é, quando, como diz belamente Jürgen Moltmann, «puxamos o futuro de Deus para o presente do mundo».
publicado por theosfera às 06:22

A Igreja teme o disparo da prostituição na África do Sul durante o Mundial de 2010, o que facilitaria a propagação da SIDA.

 

O senhor arcebispo de Durban, cardeal Wilfrid Fox Napier, que se encontra em Roma por motivo da assembleia plenária da Congregação para a Evangelização dos Povos, demonstrou à agência Fides a sua preocupação.

 

«A maior preocupação é quanto a uma possível explosão do fenmeno da prostituição. ´Parece-me que a FIFA (Federação Internacional de Futebol) está a pressionar o governo sul-africano para despenalizar a prostituição».

 

«Se isso sucedesse, teríamos um forte aumento da propagação do vírus HIV e da SIDA», advertiu.

publicado por theosfera às 06:18

Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Mesmo que a crise perdure e o desemprego aumente, a confiança dos portugueses tenderá a aumentar no próximo ano, pelo menos até Junho.

 

Portugal acaba de carimbar o passaporte para o Mundial. E, diga-se, até jogou bem, muito bem. Foi pena ter pecado na finalização. Porque apresentou argumentos para uma goleada. Bastou, porém, um golo.

 

Não se pense que a Bósnia foi um oponente fácil. Não. Tem uma selecção muito forte, com um futebol deveras acutilante. Há ali futuro.

publicado por theosfera às 22:25

Às vezes, é dentro da Igreja que mais acontece o que é mais contrário à fé.

A superstição encobre-se, aqui e ali, sob a capa da fé.

Quem tem fé acrecita em Deus. Não vai em mezinhas. Muito menos não as leva para a casa de Deus.

Sei que não é por mal. Mas não é bem. É tempo de demarcar os campos!

publicado por theosfera às 15:28

Já me aconteceu proferir conferências sobre a oração e, no tempo de diálogo, havia dois tipos de questões: os leigos e até não crentes mostravam curiosidade, interesse e apetência; já alguns dos meus queridos irmãos padres revelavam uma certa reticência e até resistência.

 

Sempre respeitei, como é óbvio, mas tudo isso me deixava pensativo.

 

Se um padre não se sente professo em oração, fica afectado na sua identidade essencial.

 

Poderá tratar-se de uma vontade de ser progressista.

 

A este propósito, deixo duas afirmações insofismáveis.

 

O Padre Mário de Oliveira, vulgo Padre Mário da Lixa, disse há pouco: «Mais do que de Pão, mais do que de Emprego, mais do que de Saúde, precisamos de Espiritualidade. Tudo o mais - Pão, Emprego, Saúde - é importante, imprescindível, até, mas tudo pode tornar-se perverso sem Espiritualidade».

 

E Leonardo Boff, que abandonou o sacerdócio e a ordem franciscana, confessa em livro: «A oração é a alma e a respiração de toda a religião».

 

Para terminar, não esqueçamos que até Zeca Afonso (que nasceu há precisamente 80 anos) morreu com os livros de Santa Teresa e S. João da Cruz na cabeceira!

 

A oração não é bafienta nem retrógrada. Ela é soberanamente vanguardista e revolucionária. Muda a vida. Muda-nos a nós.

 

Será que que, numa altura em que a espirtualidade explode por toda a parte, está a implodir na Igreja?

publicado por theosfera às 15:00

O desemprego está a aumentar cada vez mais.

 

São já 670 mil as pessoas que não têm trabalho.

 

Pode haver sossego?

publicado por theosfera às 14:58

«Aos 20 anos, a vontade é soberana; aos 30, o espírito; aos 40, a razão».

Assim escreveu (aguda e magnificamente) Benjamin Franklin.

publicado por theosfera às 14:56

Parece que faltam, pelo menos, dez palavras à língua inglesa. Uma delas é, retintamente, portuguesa: desencaranço.

Não está mal visto.

 

Entretanto, sabemos hoje que a palavra mais usada, este ano, é unfriend. Parece que nasceu nas chamadas redes sociais.

 

À letra, significa algo como desamigar e, na prática, equivale a desligar, interromper, retirar.

 

Isto é sintomático: os blogues, o hi-five, o twitter e quejandos tão depressa arranjam amigos como acabam com eles!

publicado por theosfera às 14:35

 

Que lugar tem Cristo num mundo que tolera que os 20% mais poderosos detenham 80% da riqueza e os 20% mais pobres se contentem com 1, 49% dos recursos?
 
Que lugar tem Cristo num mundo que consente que 14 milhões de crianças morram antes de completarem…cinco dias de vida?
 
Que lugar tem Cristo num mundo que admite que 800 milhões dos seus habitantes passem fome?
 
Será que já reparamos na súbita emergência de um novo continente — o «continente da fome» —, que consegue até a estranha proeza de ser mais populoso que a Oceania, a África e a América Latina?
 
O caricato é notar como muita gente tem mais acesso ao armamento do que ao pão. Nunca, com efeito, vimos ninguém, nas ruas, a mendigar armas. Estas parecem estar ao alcance de todos! Mas as pessoas continuam a estender a mão para mendigar…pão! Trágica ironia, esta: oferecemos mais depressa meios para matar a vida do que para matar a fome!
 
Um grito, por isso, urge lançar na direcção de quem aparenta conceber a existência (apenas) como uma luta, vendo adversários em todo o tempo e inimigos em toda a parte: se querem lutar, lutem a fome!
publicado por theosfera às 06:24

Tu sabes, Senhor, como é duro permanecer quando nos querem afastar, como é doloroso insistir quando não nos querem compreender, como é complicado insistir quando não nos querem aceitar.

Mas tudo por Ti, Senhor. Todo o sofrimento, toda a incompreensão. Tudo até aos limifes do impossível...

publicado por theosfera às 06:22

Terça-feira, 17 de Novembro de 2009

 

1. O conceito é importante quando retrata a vida. Mas torna-se perturbador quando se sobrepõe à vida, quando condiciona a vida. Em tal caso, o conceito degenera em preconceito.
 
Preconceito é um conceito formado por antecipação. Nem sempre ver antes é ver melhor. Só se vê o que acontece. Caso contrário, estamo-nos a ver a nós e a não ver a realidade.
 
Trata-se, por isso, de um problema que urge encarar e importa vencer. Quantas injustiças à conta do preconceito! Quantos projectos abortados por causa do preconceito!
 
 
2. Há, na Igreja, quem desvalorize o património doutrinal, litúrgico, espiritual e canónico, olhando com assolapado desdém para quem o difunde e defende.
 
É com espanto que se verifica que quem se mostra mais afeiçoado à doutrina e à espiritualidade acaba por ser mais marginalizado dentro da própria Igreja.
 
Outrora, quem tinha problemas era quem contestava o Papa. Hoje em dia, quem enfrenta dificuldades é quem, modestamente, procura seguir o Papa.
 
Scott Hahn assinala que, sendo o único protestante a frequentar uma universidade católica, era também o único estudante a defender o Papa João Paulo II!
 
«De repente — confessa —, dei comigo a explicar a sacerdotes como certas crenças católicas tinham o seu fundamento na Bíblia».
 
Enfim, um protestante mostra a padres católicos a verdade do Catolicismo…que os próprios padres aparentavam não aceitar!
 
 
3. De facto e como nota Ruiz de la Peña, este movimento de afastamento da doutrina não é encimado por fiéis leigos. Ele «é encabeçado por clérigos e teólogos, ou seja, por pessoas que surgem diante dos crentes revestidas de uma certa relevância institucional».
 
Resultado: «A Igreja é a única entidade no mundo que se dá ao luxo de incluir membros cuja principal função parece ser desacreditá-la».
 
Seria uma situação cómica esta, se não fosse calamitosa. «Nenhuma organização civil admitiria este estado de coisas porque tal equivaleria a uma espécie de suicídio premeditado».
 
Tudo isto acaba por certificar, a contrario, a «inesgotável vitalidade» da própria Igreja, mas convirá não abusar. Uma «proliferação da dissidência bloqueará os esforços dos melhores e exercerá um efeito paralisante sobre as bases eclesiais».
 
 
 4. Há sobretudo dois preconceitos que assomam à superfície com acidulada nitidez: o preconceito quanto à doutrina e o preconceito quanto à oração.
 
Às vezes, basta pronunciar uma destas palavras para irromper uma chuva de impropérios e doestos de toda a espécie.
 
Questiona-se a doutrina por não ter lógica e deprecia-se a oração por não aparentar interesse.
 
O que a razão não compreende põe-se de lado como se, na fé, a razão fosse a base da existência e não um instrumento de explicação.
 
A Santíssima Trindade ou a ressurreição dos mortos não têm alicerce na razão. Se tivessem, não seria preciso haver a fé.
 
A fé não nasce da razão, o que não quer dizer que seja excluída pela razão. Já dizia Blaise Pascal que «é um acto de razão reconhecer que há uma infinidade de coisas que a ultrapassam».
 
 
5. A fé tem de ser alimentada. O alimento da fé é a oração. Todo o crente tem de ser um orante.
 
Por vezes, alega-se que o fundamental é fazer o bem e ajudar os pobres. Mas será a oração que nos impede de militar na causa dos pobres?
 
Leonardo Boff, que é consabidamente um defensor da opção preferencial pelos pobres, sustenta que «a oração é a alma e a respiração de toda a religião».
 
Aliás, uma das grandes formas de pobreza, hoje, é a pobreza espiritual. Nem os pastores da Igreja estão imunes a ela.
 
Já Eça de Queiroz se apercebia de que, «até nos templos, a religião entrara em descrédito». E o povo? «O povo, esse, reza, que é a única coisa que faz além de pagar».
 
Pode ser uma farpa injusta (porque demasiado generalista), mas não deixa de ser um alerta acutilante. Não é a oração que afasta os pastores do rebanho. O que afasta é a ausência de mensagem e a superficialidade do testemunho.
 
Porquê não dar o que os outros até querem receber?
publicado por theosfera às 23:30

Fez ontem vinte anos que o reitor da Universidade Centro-Americana foi assassinado juntamente com outros colegas.

 

O Padre Ignacio Ellacuría foi um dos discípulos dilectos de Zubiri e o primeiro a fazer uma tese de doutoramento sobre a sua obra.

 

Deixando uma carreira descansada na Europa, foi para a América Latina pugnar pela justiça em nome do Evangelho.

 

Vidas assim sobrevivem, mesmo depois da morte.

 

Clique aqui.

publicado por theosfera às 16:34

publicado por theosfera às 16:28

Estive uma única vez na vida com o Dr. Pina Moura. Sabem onde?

Numa Igreja.

 

Estive uma única vez na vida com o Dr. Jaime Gama. Sabem onde?

Numa Igreja.

 

Estive uma única vez na vida com o Doutor Francisco Louçã. Sabem onde?

Numa Igreja.

 

Deus é o maior traço de união entre os homens. Mesmo entre aqueles que dizem não acreditar, mas que, no fundo, não apagam os elos que os vinculam ao divino.

 

No fundo, no fundo, no fundo, Deus mora em todo o ser humano.

 

Por falar em Francisco Louçã, a sua biografia conta um episódio que já ouvira reportar quando estive em Lisboa.

 

Um dia, um colega (uma figura pública de um quadrante político oposto ao dele) ofereceu-lhe 20 escudos para Louçã pronunciar um palavrão que começa por m.

 

Pois o jovem Francisco, inflexível no seu bom comportamento, não se deixou subornar.

 

Bom aluno, sempre foi do contra. Mas alguém com inteligência pode não ser do contra?

publicado por theosfera às 14:05

«A melhor resposta às calúnias é o silêncio».
Assim escreveu (superior e magnificamente) Benjamim Jonson.

publicado por theosfera às 11:34

 

Ao contrário do que parece, por vezes temos medo da diversidade e convivemos mal com a diferença.
 
É preciso perceber que, num tempo em que fervilham as pluralidades mais díspares, emergem também pulsões monolíticas preocupantes.
 
Há quem não oculte a tentação autoritária e a inclinação para o pensamento único, para a atitude uniforme e, nessa medida, para a estigmatização das diferenças.
 
Quem diverge é afastado, hostilizado ou, pura e simplesmente, esquecido.
 
Alguém falou de uma inquisição laica que ameaça determinados povos. As convicções, sobretudo se forem de natureza religiosa, têm de ficar no recôndito da pessoa. Quem as assumir, arrisca-se a ser posto de lado e a ficar de fora.
 
Deus é a convivência perfeita entre a maior diversidade e a maior unidade. A unidade não tolhe a diversidade e a diversidade não ofusca a unidade.
 
Quando compreenderemos isto e, de uma vez para sempre, daremos as mãos? Será que é tão difícil aproximarmo-nos não só através daquilo que nos une, mas também através daquilo que nos distingue?
 
Afinal, as diferenças são uma riqueza ou não?
publicado por theosfera às 11:32

Neste dia, dê uma prenda a si mesmo: deixe de fumar. Com serenidade.

publicado por theosfera às 11:32

Saramago dessacraliza o livro sagrado. Pilar del Río (sabia que ela foi freira?) ressacraliza a obra do dessacralizador. E invectiva com palavrões os que ousam criticar Caim.

Mas, no meio de tudo, diz coisas interessantes. Sobre o valor da amizade, por exemplo: «A amizade é o que mais defendo, acima do amor».

 

publicado por theosfera às 11:31

Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Esta é a semana da compaixão.

 

Eis uma prioridade, uma ausência, uma urgência.

publicado por theosfera às 11:32

«Quem troca princípios por poder acaba sem nenhum».

Assim escreveu (lúciida e magnificamente) Pedro Marques Lopes.

publicado por theosfera às 11:29

A cada seis segundos, morre uma criança no mundo por falta de alimentos.

 

Neste momento, são mil milhões os que passam fome.

 

O número não cessa de aumentar.

 

Como é que dormimos descansados?

publicado por theosfera às 11:26

Será o segredo uma alavanca para facilitar o trabalho da justiça ou não passará de um pretexto para impedir o seu avanço? 

publicado por theosfera às 11:24

Porque é que a alguns são dadas todas as facilidades para fazer o mal?

 

E porque é que a outros não é concedida nem uma oportunidade para fazer o bem?

publicado por theosfera às 11:22

O mal não está só em quem o pratica.

 

Está também em quem, mesmo não o praticando, o aplaude.

 

Está também em quem, mesmo não o praticando nem aplaudindo, o consente.

 

Está também em quem, mesmo não o praticando nem aplaudindo nem consentindo, nada faz para o vencer!

publicado por theosfera às 11:19

O Santo Padre pediu responsabilidade às pessoas que viajam e usam as estradas e rezou pelas vítimas dos acidentes de trânsito.

Ele o fez este domingo, após a oração do Ângelus na Praça de São Pedro, por ocasião do Dia Mundial de Recordação das Vítimas de Acidentes de Trânsito: «Animo todos os que percorrem as estradas do mundo à prudência, no espírito de responsabilidade pelo dom da saúde e da vida própria e dos demais», disse.

publicado por theosfera às 06:06

Domingo, 15 de Novembro de 2009

Senhor, aceita o meu amor.

 

E dá-me a Tua  dor!

 

(O que não deves sofrer com o que vês na Tua amada Igreja!)

publicado por theosfera às 13:59

 

Precisamos de purificação na existência.
 
Andamos envolvidos em problemas, aflições e ansiedades que nem damos espaço à necessidade de mudança, conversão.
 
A água pura que o Senhor nos oferece é a Sua palavra, o Seu pão, a Sua Igreja, os Seus sacramentos.
 
Não há falta de sinais divinos. Assim nós queiramos abeirar-nos deles.
 
Deus nunca falta.
 
Não faltemos nós a Ele.
 
publicado por theosfera às 06:24

Sábado, 14 de Novembro de 2009

Edward Schillebeeckx completou, anteontem,  a pulcra idade de 94 anos já que nasceu a 12 de Novembro de 1914. É possivel que o segredo da sua longevidade esteja na confissão que ele transportou para um dos seus últimos livros: Sou um teólogo feliz.

 

Nascido em Amberes (Bélgica), entrou para os dominicanos em 1934. Estudou Filosofia e Teologia em Lovaina, no Studium Generale dominicano de Saulchoir e na Sorbonne, onde foi aluno do célebre historiador da Teologia Pierre Dominique Chenu.

 

Em 1951 doutorou-se em Teologia. Depois do doutoramento com a monumental tese A Economia Sacramental da Salvação, publicada em 1952, ensinou Teologia no convento dos dominicanos de Lovaina e na Universidade de Nimega.

 

Conselheiro teológico do episcopado holandês, participou no Concílio Vaticano II de forma muito activa. É autor de uma vasta e muito original produção teológica, traduzida em muitas línguas.

Algumas das suas obras: A economia sacramental da salvação (1952); Maria, Mãe da redenção (1954); Cristo, sacramento do encontro com Deus (1958); Deus, futuro do Homem (1965); Mundo e Igreja (1966); Compreensão da fé: interpretação e crítica (1972); Jesus. Uma tentativa de cristologia (1974). Sou um teólogo feliz (1994) e História dos homens, relato de Deus (1995).

 

Nem tudo o que escreveu foi aprovado pela Santa Igreja. Mas verdade seja dita que o teólogo holandês foi sempre humilde, acatando as objecções que lhe foram colocadas. A humildade é, afinal, o grande certificado da sabedoria.

 

Parabéns. Que Nosso Senhor o abençoe.

publicado por theosfera às 11:40

«Para ter vida longa é preciso viver devagar».

Assim escreveu (sábia e magnificamente) Marco Túlio Cícero.

publicado por theosfera às 11:36

 

Embora não pareça, o que é certo é que, hoje em dia, se respira uma nova sede de Deus.
 
Trata-se de uma sede que se manifesta de muitos modos.
 
O ser humano bate a muitas portas, espartilha-se por muitas correntes na ânsia de se encontrar com Deus.
 
Porque é que, muitas vezes, não O encontram em nós?
 
O que se passa nos nossos lábios, nos nossos gestos, enfim, na nossa vida, para que nos posicionemos, muitas vezes, mais como obstáculo do que como eco da presença de Deus no mundo?
 
Se as nossas portas se fecham, outras portas se abrirão.
 
Deus é único, mas os homens encontram muitos caminhos para a Ele chegar…
publicado por theosfera às 11:30

É pena que, numa altura altura em que tanta gente procura a espiritualidade, haja, na Igreja, quem desvalorize a oração.

 

Fazem-no, amiúde, em nome de um putativo vanguardismo. Era bom que se reflectisse nesta frase daquele que é, porventura, o teólogo mais vanguardista da presente centúria, Leonardo Boff: «A oração é a alma e a respiração de toda a religião».

 

Alguém consegue viver sem respirar? É curioso que também Karl Rahner comparava a oração ao ar que se respira.

 

Recorde-se que, na Bíblia, o Espírito é designado por ar, por vento (ruah).

 

Voltando a Boff, a frase citada insere-se num comentário ao Salmo 23 que acaba de sair. O título do livro é O Senhor é meu Pastor. Consolo divino para o desamparo humano. A edição é da Vozes.

publicado por theosfera às 11:21

Há viagens com roteiros improváveis.

 

Para chegar à Africa do Sul é preciso passar pela Bósnia?

 

Se pensarmos no Mundial de 2010, é mesmo verdade.

 

Logo à tarde, teremos a primeira etapa do percurso!

publicado por theosfera às 11:16

Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Hoje tirei parte do dia para oferecer um passeio à minha querida Mãe.

 

Fomos até Viseu e lá regrupámos parte da restante família.

 

Minha querida Mãe merece tudo. Neste dia dos seus 80 anos, está redobradamente de parabéns.

 

Este último ano foi particularmente doloroso (também) para Ela. Deus bem sabe porquê.

 

A ferida passou. Mas as marcas não pedem licença para vir nem recebem ordem para ir.

 

A quantos têm feito chegar as suas mensagens e os seus telefonemas o meu comovido reconhecimento.

 

Deus providencia o Seu amor.

 

Deus também está de parabéns pela vida de minha querida Mãe.

 

Ele sabe que preciso dela.

 

Obrigado, Senhor!

publicado por theosfera às 16:28

Do Governo acenam-nos com bonança.

 

Da oposição advertem-nos para tempestades.

 

O futuro certificará.

publicado por theosfera às 16:27

Neste dia também faz anos Santo Agostinho. Foi, com efeito, a 13 de Novembro de 354 que este grande génio viu a luz do dia em Tagaste.

 

 

É uma coincidência feliz a minha querida Mãe ter nascido nesta data.

publicado por theosfera às 06:28

«A minha mais bela invenção, diz Deus, é minha Mãe.

Sentia falta dela e então a fiz».

Assim escreveu (vibrante e magnificamente) Michel Quoist

publicado por theosfera às 06:26

Quisera compor-te um poema, o mais belo. Quisera obsequiar-te com uma flor, a mais deslumbrante. Quisera oferecer-te um presente, o melhor.

 

Mas como tudo isto é pouco para o que mereces, deixo-te o meu amor, a minha gratidão, a minha prece. Devolvo-te o meu coração, o coração que me deste, que moldaste.

 

Parabéns, querida Mãe, pelos teus 80 anos. Obrigado por permaneceres a meu lado. Preciso cada vez mais de ti. Sinto-te cada vez mais forte. E vejo-te sempre linda, sempre pura, sempre jovem, sempre tu, sempre Mãe!

publicado por theosfera às 06:26

 

Uma tentação que nos pode envolver é a que desvaloriza a doutrina.
 
Pensa-se que basta amar. E é verdade. O amor é tudo na vida.
 
Só que o amor não é somente fazer o bem. É também anunciar a verdade. Apontar caminhos. E denunciar equívocos.
 
O amor inclui a correcção fraterna, a chamada de atenção.
 
A nossa fidelidade não dispensa, por isso, a proclamação da mensagem. Tal como ela nos vem da boca de Deus através da Escritura e do incessante peregrinar da Igreja.
publicado por theosfera às 06:23

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