O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 19 de Novembro de 2017

Eu sei, Senhor,
que não mereço
que me visites,
que entres na minha casa,
que te envolvas na minha vida.

Eu sei, Senhor,
que não sou digno
que deixes o Teu aconchego,
que experimentes o frio e o desconforto,
que Te sujeites à intempérie do abandono e da ingratidão.

Eu sei, Senhor,
que não tenho direito
a exigir tanto despojamento
nem a esperar tamanha disponibilidade.

Eu sei, Senhor,
que não mereço nada,
que não sou digno de nada,
que não tenho direito a nada.

Mas é por isso que Te agradeço,
é por isso que me comovo
e é por isso que fico sem palavras.

Obrigado, Senhor,
obrigado, bom Deus.
Tu és tudo
e vens ao meu nada.
Tu és tanto
e cabes em tão pouco
que sou eu.

Ensina-me, Senhor,
a ser humilde,
a olhar para todos
não com os meus óculos
mas com os Teus olhos,
que são olhos de afecto,
olhos de esperança,
olhos de amor.

Ensina-me, Senhor,
a compreender a lição da Tua vinda:
lição de humanidade,
de simplicidade,
de singeleza.

Ensina-me, Senhor,
a ver-Te
não apenas nas Tuas imagens de barro,
mas nas Tuas imagens de carne e osso
(algumas mais de osso que carne).

Ensina-me, Senhor,
a sentir
que a Tua morada é no Homem,
em todo o ser humano.

Ensina-me, Senhor,
a venerar-Te nas crianças, nos idosos,
nos pobres,
nos famintos,
nos sofredores e nos desalentados.

Que eu possa perceber
que sempre que estou com alguém
é conTigo que me encontro.

Aquece, Senhor, o nosso coração.
Não deixes que ele gele
com a arrogância, a frieza e a indiferença.

Fica connosco, Senhor!

publicado por Theosfera às 10:57

A. Só ganha quem se dispõe a perder

  1. O que fazemos com o que recebemos? O que estamos dispostos a realizar com o que Deus nas nossas mãos está sempre a colocar? Estamos disponíveis para com os outros crescer? Ou só queremos o que para nós possa render? O que Deus nos dá é para multiplicar, não para enterrar.

Deus não quer que joguemos à defesa, a pensar unicamente na nossa segurança. Deus quer que arrisquemos e que inundemos a vida com torrentes de esperança. Quem arrisca pode perder. Mas quem se arrisca por Deus, ainda que perca, acaba sempre por vencer.

 

  1. Para Deus, só ganha quem se dispõe a perder. Para Deus, só recebe quem dá, quem se dá. Jesus tanto elogia o que obteve dois como o que alcançou cinco. Só censurou o que se escondeu com o que tinha. Jesus não exige que consigamos muito; o que Ele quer é que demos tudo e que nos demos totalmente.

Os talentos, de que fala o Evangelho, começaram por ser uma unidade de peso, usada sobretudo para medir metais preciosos. Por exemplo, na Babilónia, um talento equivalia a 60 quilos. Com o passar do tempo, o valor baixou, situando-se entre 35 e 26 quilos. Mesmo assim, um talento equivalia a 6000 denários. Se pensarmos que o denário era o salário de um dia de trabalho, então concluiremos que um talento — ou seja, 6000 denários — era o equivalente a uma vida inteira de trabalho.

 

B. Nada é propriedade nossa, tudo é dom para nós

 

  1. Eis a grande lição deste Domingo: nada é propriedade nossa, tudo é dom para nós. Se Deus nos entrega a vida, então a vida que temos não é nossa; é dom de Deus para nós e para os outros. A esta luz, podemos não só dizer que «circular é viver», mas também que «viver é circular». Ou seja, viver é fazer circular a vida que Deus nos dá.

É com este espírito que somos convidados a celebrar o Dia Mundial dos Pobres, instituído pelo Papa Francisco. Se a nossa vida deve circular por todas as vidas, ela há-de circular especialmente pelas vidas mais desprotegidas. Foi neste sentido que um dos primeiros (e mais eloquentes) sinais da presença dos cristãos no mundo consistiu «no serviço aos mais pobres». E se foi assim no princípio, há-de ser sempre assim, até ao fim. É por isso que também hoje «somos chamados a estender a mão aos pobres, a encontrá-los, a fixá-los nos olhos e a abraçá-los, para lhes fazer sentir o calor do amor que rompe o círculo da solidão».

 

  1. Acresce que a nossa vocação à partilha com os pobres é inseparável da nossa vocação à pobreza. A pobreza desponta, pois, como uma realidade e como uma vocação. E assumir a vocação à pobreza é o melhor meio para ajudar a combater a realidade da pobreza. Tudo isto pode parecer paradoxal e até contraditório, mas é uma bela e luminosa verdade. Enquanto a realidade da pobreza consiste na carência de bens, a vocação à pobreza consiste na superabundância de bem. Enquanto a pobreza material consiste em não ter, a pobreza espiritual consiste em partilhar o que se tem. Foi este o exemplo de Jesus que, como notou São Paulo, nos tornou ricos com o Seu ser pobre (cf. 2 Cor 8, 9).

E se Jesus foi pobre, os Seus discípulos, para O seguirem, terão (também) de ser pobres. É por isso que, como alerta o Santo Padre, «para os discípulos de Cristo, a pobreza é, antes de tudo, uma vocação a seguir Jesus pobre».

 

C. A realidade da pobreza e a vocação à pobreza

 

  1. A pobreza está mais no coração do que no bolso. De facto, a pobreza – prossegue o Sumo Pontífice - «significa ter um coração humilde, que sabe acolher a condição de criatura limitada e pecadora, vencendo a tentação de omnipotência que cria em nós a ilusão de sermos imortais. A pobreza é uma atitude do coração que nos impede de conceber como objectivo de vida o dinheiro, a carreira e o luxo».

Indo mais longe, dir-se-ia que é esta pobreza «que cria as condições para assumirmos livremente as nossas responsabilidades pessoais e sociais, confiando na proximidade de Deus e vivendo apoiados pela Sua graça. Assim entendida, a pobreza é o padrão que permite avaliar o correcto uso dos bens materiais».

 

  1. É, portanto (e sobretudo) na partilha com os mais necessitados que se concretiza esta aplicação dos talentos com que Deus nos presenteou. Deus é, sem dúvida, muito pródigo e infinitamente generoso para connosco. Se um único talento equivale a uma vida de trabalho, cinco talentos corresponderão a cinco vidas de actividade. Trata-se, portanto, de um imenso dom, que nos há-de levar a fazer sempre o que é bom.

Aquilo que Deus nos entrega não é para conservar, mas para repartir. Neste caso, Deus não quer que sejamos conservadores, mas ousados. O que Ele nos deu é para ser dado, o que Ele nos doou é para ser doado. Quanto mais se divide o que nos foi entregue, mais se multiplica o que nos foi dado.

 

D. Que fazemos com o que Deus nos entrega?

 

  1. Os dois primeiros servos descritos na parábola não perderam tempo. Partiram «logo» (cf. Mt 25,15.17). A missão não pode ser adiada e, como dizia o saudoso (e querido) Bispo do Porto, «os pobres não podem esperar». A missão é urgente porque a vida é breve e o tempo é veloz. Assim sendo, na missão não nos podemos atrasar.

Jesus tem palavras de elogio para quem não se atrasou e para quem arriscou (cf. Mt 25,20.22). E não repreende o terceiro servo por não conseguido. Repreende-o por não ter tentado. Martin Luther King disse à família que não queria ser recordado como o homem que conseguiu, mas como o homem que tentou.

 

  1. Às vezes, não tão poucas vezes assim, assemelhamo-nos a este terceiro servo. Arranjamos pretextos e multiplicamos desculpas. Não foi em vão que São João Paulo II nos pediu para não termos medo. Ele sabia que o medo nos tolhe e nos aprisiona. Daí que fiquemos paralisados, adormecidos e amortecidos sem perceber que os dons de Deus são despertadores e motivadores. É preciso perceber que, se o medo está em nós, o Deus que vence o medo tem muito mais força dentro de nós.

Já o cardeal Stephan Wyszynski reconhecia que «o pior defeito de um apóstolo é o medo». Se não podemos impedir que o medo apareça, temos de impedir que ele nos assalte e devore.

 

E. Nunca perdemos quando nos perdemos pelo Evangelho

 

  1. Aliás, o texto que escutámos é redigido numa altura em que o medo começava a sobrevoar o ambiente entre os cristãos. Algumas divisões e a possibilidade de algumas perseguições desencadeavam algum desalento e não pouca desmotivação. Recorde-se que estávamos no final do século I, aí pela década de 80. Os cristãos, talvez já cansados de esperar a segunda vinda de Jesus, perderam muito do seu entusiasmo inicial. Estavam como o terceiro servo da parábola: sem vontade de arriscar e de pôr ao serviço dos outros os talentos que Deus lhes deu.

Tal como hoje, era fundamental redespertar a fé, reaquecer o espírito e renovar o compromisso com o Evangelho. Tal como hoje, era urgente perceber que viver em Cristo é ser ousado, é não deixar correr, é não desistir. Viver em Cristo é nunca começar a desistir e nunca desistir de começar.

 

  1. Na missão, é normal — e até desejável — que percamos alguma coisa. É bom, com efeito, que percamos calculismo, que percamos falsas seguranças, falsas certezas e falsas defesas. O caminho de Jesus é um caminho de ousadia, um caminho de risco. Por conseguinte, é preciso arriscar.

Não tenhamos medo de proclamar o que recebemos de Jesus: o Seu Evangelho, a Sua mensagem, a Sua doutrina. Não tenhamos medo de levar Jesus a todos. Não tenhamos medo de rezar. Não tenhamos medo de ajoelhar. Não tenhamos medo de nos confessar. Não tenhamos medo de testemunhar. Deus está ao lado dos que se inquietam, dos que inquietam.

Guardemos, pois, o Evangelho, mas não nos resguardemos de arriscar tudo pelo Evangelho. Quando arriscamos, podemos perder. Mas quando arriscamos tudo pelo Evangelho, nunca nos perderemos!

publicado por Theosfera às 05:07

Hoje, 19 de Novembro (33º Domingo do Tempo Comum, Conclusão da Semana dos Seminários e Dia Mundial dos Pobres), é dia de Sta. Matilde, S. Rafael Kalinowski e Sta. Inês de Assis.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 18 de Novembro de 2017

Hoje, 18 de Novembro, é dia da Dedicação das Basílicas de S. Pedro e S. Paulo, Sta. Carolina Kózka, Sto. Odo de Cluny, S. Domingos Jorge, Sta. Isabel Fernandes, Sto. Inácio e Sta. Salomé de Cracóvia.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017

Hoje, 17 de Novembro, é dia de Sta. Isabel da Hungria, Sta. Filipa Duchesne, Sto. Aniano, Sta. Hilda, S. Gregório de Tours e S. Hugo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 16 de Novembro de 2017

Hoje, 16 de Novembro, é dia de Nossa Senhora da Saúde, Sta. Margarida da Escócia, Sta. Gertrudes, S. Roque González, Sto. Afonso Rodríguez e S. João del Castillo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:08

Quarta-feira, 15 de Novembro de 2017

Hoje, 15 de Novembro, é dia de Sto. Alberto Magno, Sta. Madalena Morano e Sta. Maria da Paixão.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 14 de Novembro de 2017

 

  1. O volume de mudanças na nossa época leva não poucos a perguntar: estaremos numa época de mudanças ou no limiar de uma mudança de época?

A pergunta não é retórica.

 

  1. De há uns tempos para cá, tem crescido a percepção de que já não estamos onde estivemos sem que saibamos muito bem onde nos encontramos. Nem para onde vamos.

Daí a tendência para tipificar a nossa época como uma espécie de «época póstica».

 

  1. Se repararmos, as caracterizações epocais são, geralmente, abertas pelo inevitável «pós». É assim que ouvimos falar de uma época «pós-moderna», «pós-religiosa» (mas também «pós-secular), «pós-cultural», etc.

Nada surge como sólido. Tudo se afigura «líquido» (Zigmunt Bauman) e, portanto, inseguro, movediço, transitório, efémero.

 

  1. Há quem fique deslumbrado ante a expectativa da próxima novidade.

Mas não falta igualmente quem se mostre assustado perante a dissolução do que, ainda há pouco, parecia duradouramente novo.

 

 

  1. Neste tempo «super-hiper-mega» (onde predominam os «supermercados», as «hiperpromoções» e o «megaconsumo»), vamos perdendo a última réstia de autodomínio.

É particularmente no recurso às novas tecnologias que revelamos uma cada vez maior dificuldade em perceber os limites.

 

  1. A nossa propensão é para um uso ilimitado.

A todas as horas e em praticamente todos os locais, estamos acompanhados (pelo menos) de um telemóvel.

 

  1. Em casa, a viajar, a comer, a estudar e até a rezar, ele surge como o omnipresente companheiro.

Já mal nos imaginamos sem ele. É uma espécie de aditivo da nossa personalidade. Não vemos quase nada directamente. Já nos habituamos a ver quase tudo através do telemóvel.

 

  1. Não espanta, pois, que, há dias, o Santo Padre tenha sentido necessidade de recordar que o celebrante, na Missa, diz «corações ao alto» e não «telemóveis ao alto».

Concretizando, não escondeu o seu desconforto por ver tantos telemóveis no ar durante as celebrações. E «não são só os fiéis; são também alguns sacerdotes e até bispos».

 

  1. É hora de reflectir e (também) de inflectir. Será que o excesso de progresso não pode redundar num retrocesso?

A fé não tem de estar ausente do telemóvel. Mas o telemóvel terá de estar sempre presente na vivência da fé?

 

  1. Na vida, nem tudo é para fotografar.

E, na fé, há momentos em que, só fechando os olhos, conseguimos (verdadeiramente) ver!

publicado por Theosfera às 10:00

Hoje, 14 de Novembro, é dia de S. Nicolau de Tavelic, S. José de Pignatelli e S. Serapião.

Um santo e abençoado dia para todos.

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 13 de Novembro de 2017

Hoje, 13 de Novembro (1663º aniversário do nascimento de Sto. Agostinho e 88º aniversário do nascimento de minha Mãe), é dia de Sto. Estanislau Kostka, Sta. Agostinha Lívia Pietrantoni, S. Diogo de Alcalá, Sto. Homembom, Sto. Eugénio Bossinok e Sto. Artémis Zatti.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 12 de Novembro de 2017

Tudo sobe para cima.
Tudo caminha para o alto.
Tudo tende para o fim.

 

E, na verdade, o que importa é o fim,
o fim para o qual nos chamas.

 

Tu, Senhor, chamas-nos para a felicidade,
para a alegria, para a justiça, para a paz.

Tu, Senhor, chamas-nos para Ti.

A vida é cheia de sinais.
É importante estar atento a eles.
É fundamental deixarmo-nos guiar por eles.

 

Neste mundo, tudo passa.
Nesta vida, tudo corre.
Neste tempo, tudo avança.
Só a Tua Palavra permanece, Senhor.

 

Obrigado por nos reunires,
por nos congregares,
por nos juntares.

 

De toda a parte Tu chamas,
Tu convocas,
Tu reúnes.

Obrigado, Senhor, pela esperança
e pelo ânimo,
Pelo vigor e pela presença.

 

O importante não é saber a hora do fim.
O fundamental é estar pronto, preparado, disponível.

 

Para Ti, Senhor, o fim não é destruição nem dissolução.
ConTigo, Senhor, o fim é plenitude, realização, felicidade.

Em Ti já sabemos o que nos espera.

Tu, Senhor, és a esperança e a certeza da esperança.

Tu já abriste as portas.
Tu já inauguraste os tempos últimos, os tempos novos.

 

ConTigo nada envelhece.
Em Ti tudo se renova.
Renova sempre a nossa vida,
JESUS!

publicado por Theosfera às 11:04

A. Deus gosta de surpreender

 

  1. Que estamos a fazer das nossas lâmpadas (cf. Mt 25, 8)? Será que as nossas lâmpadas estão acesas? Ou não será que as deixamos fundir? Mas com as lâmpadas fundidas como podemos ver o Novo e o Noivo? Na vida, estamos sempre à espera do que é novo. Cansados da rotina, achamos que é a novidade que nos ilumina. Para nós, o novo é o Noivo. E o Noivo, que vem ao nosso encontro, é o Senhor (cf. Mt 25, 6). O Senhor é o Noivo que vem desposar a humanidade, por quem dá a vida, por quem oferece o Seu sangue. O Senhor é o Noivo que vem selar, com a entrega do Seu ser, uma aliança de amor com o mundo.

Nem sempre nos encontra preparados, porém. Nem sempre estamos atentos ou disponíveis. Não cuidamos do «azeite» (cf. Mt 25, 3), que é a escuta do Cristo do Evangelho e o seguimento do Evangelho de Cristo. Pensamos que controlamos o dia e a hora da vinda do Senhor. Só que, quanto a isto, somos cabalmente prevenidos. Não sabemos o dia nem a hora. O Senhor gosta de surpreender. Aliás, a Sua vinda está sempre a acontecer. O Senhor está sempre a vir ao nosso encontro. Nós é que nem sempre cuidamos de ir ao encontro d’Ele.

 

  1. Muitas vezes, deixamos que as nossas «lâmpadas» se apaguem (cf. Mt 25, 8). Muitas vezes, dormitamos e até adormecemos (cf. Mt 25, 5). Somos dominados pelo instante e pelo instinto. Faltam-nos horizontes largos e raízes fortes. Quando olhamos para o futuro, limitamo-nos ao nosso futuro, ao futuro neste mundo. Falta-nos, cada vez mais, o sentido da eternidade.

Trabalhamos para o curto prazo, para as conquistas imediatas. Esquecemos que, como decorre do Credo, somos feitos para a eternidade. Há um hino da Liturgia que nos aconselha a «trocar o instante pelo eterno». Mas nós, quase sempre, trocamos o eterno pelo instante.

 

B. Que atenção dispensamos à eternidade?

 

  1. Do credo cristão faz parte a vida eterna. Com o Símbolo dos Apóstolos, confessamos crer «na ressurreição da carne [e] na vida eterna». E, ao recitar o chamado Símbolo Niceno-Constantinopolitano, assumimos que esperamos «a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há-de vir». É por isso que não falta quem pense que a eternidade é o que mais distingue o crente do não-crente. Crente é quem acredita na eternidade e não-crente é quem não acredita na eternidade. E, no entanto, que lugar costumamos dar à eternidade?

Há quem não se iniba de proclamar que tudo se resume ao que se passa na terra. Afinal, que atenção damos ao Novo e aos Novíssimos? Será que nos comportamos como pessoas cujo horizonte é a eternidade? Ou não será que, à semelhança de muitos, investimos (quase) tudo no tempo da vida terrena?

 

  1. Eis um (flagrante) caso onde parece que abdicamos de ser alternativa, para nos limitarmos a ser redundância. Eis também uma situação que põe a descoberto um perigoso esvaziamento da nossa fé. Os nossos critérios aparentam ser os mesmos do mundo. O nosso limite parece ser o futuro, não a eternidade. Cuidamos do futuro e preparamos a nossa vida no futuro. Mas que cuidado dispensamos à vida eterna? Que fazemos para nos preparar para a vida eterna?

Há, entretanto, uma pergunta que deveríamos fazer. Que seria o futuro sem a eternidade? Seria um futuro encolhido. Sem eternidade, até o futuro passa, até o futuro (rapidamente) se torna passado. Não é no mundo que encontramos «cidade permanente» (Heb 13, 14). Neste mundo, tudo é breve. É preciso oferecer eternidade ao tempo e conduzir o tempo até à eternidade, que é o tempo para lá do tempo. Ou seja, estamos aqui, mas não somos daqui. Nem a morte é capaz de fechar o que a eternidade não se cansa de abrir. A «Jerusalém do Alto» também espera por nós (cf. Gál 4, 26).

 

C. O Novo e os Novíssimos

 

  1. É esta espera que fortalece a esperança. O Novo é fundamental para agir nos Novíssimos. É em Cristo, o sempre Novo, que, na Morte e no Juízo, nos ajudará a vencer o Inferno e a entrar no Paraíso. As «coisas últimas» são, assim, iluminados pelo «Último». É o «Último» (Jesus Cristo) que nos conduz até às «coisas últimas». A Escatologia, enquanto tratado das «coisas últimas», é, antes de mais e acima de tudo, encontro com o «Último». Na Escatologia, é o «éschaton» (Cristo) que ilumina as «éschata» (realidades últimas).

É para as «coisas últimas» que somos chamados e é pelo «Último» que somos conduzidos. Quando dizemos que o Cristianismo é, por natureza, escatológico, queremos vincar que somos convidados para habitar um mundo para lá deste modo e para viver num tempo para lá deste tempo.

 

  1. Daí que o fim deva ser visto não como destruição, mas como finalidade. É para o fim (como repetia Gandhi) que nós somos chamados. Isto nada tem de assustador. Isto tem tudo de motivador. Quando professamos que Cristo é o Alfa e o Ómega (cf. Ap 1, 8), afirmamos que Ele é o Primeiro e o Último. Assumimos que tudo foi feito por Ele e que tudo caminha para Ele.

Nesta época de vistas curtas e olhares embaciados, é vital que nos deixemos guiar por Cristo. É Ele que abre o que permanece fechado e que rasga o que mantemos entupido. Tudo é, pois, Novo com o Noivo. Vamos faltar às «núpcias» que Ele vem celebrar connosco?

 

D. Colheremos conforme semearmos

 

  1. A Igreja não quer deixar-nos na ignorância acerca do nosso fim. São Paulo, como ouvimos na Segunda Leitura, torna muito claro o que, à partida, nos parece mais obscuro. O que ele nos garante pode resumir-se nisto: quem com Cristo vive no tempo, em Cristo viverá na eternidade. O Último é como que o desabrochamento do que vivemos até ao penúltimo. Colheremos conforme semearmos.

Tal como ressuscitou Jesus, Deus também levará com Jesus os que tiverem morrido em união com Jesus (cf. 1Tes 4, 14). Por conseguinte, não há que ter medo. Deus é mais forte que a própria morte. Nem a morte mata quem vive em Cristo. Viver tem de ser, portanto, «cristoviver». Se «cristovivermos», «cristosobreviveremos», isto é, viveremos para sempre em Cristo.

 

  1. Cristo, que está sempre connosco, há-de vir para concluir a história humana. Ele veio (há muito tempo) e há-de vir (no fim dos tempos). A Parusia há-de ser, pois, fonte de esperança e de alegria. A última vinda de Cristo é a consumação da nossa terrena peregrinação. Quem estiver com Cristo encontrará a salvação (cf. 1Tes 4, 14).

Daí a importância da vigilância. A vigilância, vista com virtude escatológica, ajuda-nos a estar preparados para toda e qualquer vinda do Senhor. A preparação é como que uma acção antes da própria acção. Assim, sempre que Cristo vier, encontrar-nos-á atentos, vigilantes, em missão. A missão é a melhor preparação. Levar Cristo aos outros e trazer os outros para Cristo são as formas mais adequadas de prepararmos a Sua vinda. Levar Cristo e trazer para Cristo significa torná-Lo presente e vincar a urgência da Sua presença.

 

E. Não nos amedrontemos com o fim

 

  1. O Evangelho compara a vinda definitiva de Cristo a uma grande festa, à festa nupcial. O noivo que está para chegar é Cristo. As dez jovens representam a Igreja que, por entre consolações e perseguições, anseia pela Sua chegada. Acontece que, dentro da Igreja, há ainda quem não esteja atento nem preparado, apostando tudo neste mundo.

Não podemos afrouxar a vigilância nem enfraquecer o nosso compromisso. Cuidado, pois, com o comodismo, o adormecimento e o desleixo. É preciso renovar, em cada dia, o nosso compromisso com Cristo. A certeza de que Ele há-de vir é um estímulo para prosseguir.

 

  1. Não nos amedrontemos com o fim. É nele que acontece o grande festim. Para esse festim somos chamados. Para esse definitivo encontro estamos convidados. Nunca esqueçamos isto e sigamos sempre os passos de Jesus Cristo.

Até a morte Ele venceu. Por nós a Sua vida Ele deu. Na Sua morte, as portas da eternidade foram-nos abertas. Por isso, as razões da nossa esperança não são incertas. Nós somos portadores da mais bela certeza. Deus quer-nos ao Seu lado, à Sua mesa. No tempo e na eternidade, o nosso destino é (sempre) a felicidade!

publicado por Theosfera às 05:36

Hoje, 12 de Novembro (32º Domingo do Tempo Comum e 26º aniversário do massacre de Santa Cruz, em Díli), é dia de S. Josafat de Kuncevicz, S. Teodoro Studita e S. Cristiano e companheiros calmadulenses.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:08

Sábado, 11 de Novembro de 2017

Hoje, 11 de Novembro, é dia de S. Martinho de Tours e de S. Menas.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 10 de Novembro de 2017

Hoje, 10 de Novembro, é dia de S. Leão Magno, Sto. André Avelino e Sta. Natalena.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 09 de Novembro de 2017

Hoje, 09 de Novembro, é dia da Dedicação da Basílica de S. João de Latrão (sé catedral do Papa enquanto Bispo de Roma), S. Teodoro e S. Luís Morbióli.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 08 de Novembro de 2017

Hoje, 08 de Novembro, é dia de S. Carpo, S. Papilo, Sta. Agatónica, S. Severo, S. Severiano, S. Carpóforo, S. Vitorino, Sta. Isabel da Trindade e S. João Duns Escoto.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 07 de Novembro de 2017

 

  1. Fugir é abandonar e o Padre Benjamim não abandonou: nem o seu lugar de residência nem a sua condição de padre.

Daí que «Senhor Bispo, o pároco fugiu» seja um título que não se adequa totalmente à ficção. Nem tão-pouco à realidade.

 

  1. Os padres têm as suas dificuldades. Muitos se apressam a apontá-las. Quem, porém, os ajuda a vencê-las?

Que apoios damos, hoje, aos padres? Quem se dispõe a estender-lhes a mão em vez de lhes apontar o dedo?

 

  1. O padre está vestido de Cristo. Mas nem por isso fica despido da sua humanidade.

Que cuidados nos merece a humanidade dos padres? Não espanta que muitos se confessem «redline», nos limites da saturação. Nem que alguns cedam à «síndrome de burnout», o chamado «desgaste profissional».

 

  1. Muitos padres não se sentem integrados no mundo por causa do seu compromisso com a Igreja.

E nem sempre se sentem acolhidos na Igreja por causa dos seus compromissos no mundo e das suas opções dentro da própria Igreja. Em qualquer lugar, parece que não têm lugar.

 

  1. O Padre Benjamim está plenamente identificado com o seu trabalho. O que o penaliza é a onda de incompreensão por ser fiel à sua missão.

Até o censuram (e denunciam) pela sua seriedade na Catequese, pelo seu aprumo na Liturgia e pela sua insistência na Confissão.

 

  1. O seu problema não é não fazer o que quer, mas ver-se impedido de fazer o que deve.

Resolve, então, desaparecer. Muitos pensaram que ele tinha fugido e especularam logo com quem.

 

  1. Rapidamente transformaram conjecturas em certezas e converteram suspeitas em acusações.

Só que o Padre Benjamim não fugiu. Recolheu-se no jardim da Casa Paroquial, onde improvisou um pequeno ermitério.

 

  1. Isto mostra, por um lado, que nem em casa se sentia em casa. Mas insinua, por outro lado, que, apesar de não se sentir em casa, aquela continuava a ser a sua casa.

Por isso, desapareceu «na» paróquia, mas não fugiu «da» paróquia.

 

  1. Deixaram de o ver, mas muitos começaram a ouvi-lo. Foi quando o ouviram rezar que tudo acabou por mudar.

Decidiram resgatá-lo do seu retiro. Sucede que, durante as operações de resgate, ficou paralisado nas pernas. O seu destino (com pouco mais de 50 anos) era o lar dos padres idosos.

 

  1. Ali estava quando o telefone tocou. Vinham comunicar-lhe que o Papa queria nomeá-lo Bispo. No fundo, ele estava em condições únicas para compreender aqueles que se sentiam incompreendidos.

E foi assim que um pastor que não podia andar se viu escolhido para ajudar (tantos) outros a caminhar!

publicado por Theosfera às 09:55

Hoje, 07 de Novembro, é dia de Sto. Herculano, S, Vicente Grassi, S. Vilibrordo, Sto. Ernesto, Sta. Catarina de Cattaro e S. Francisco de Palau e Quer.

Um santo e abençoado dia para todos.

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 06 de Novembro de 2017

Hoje, 06 de Novembro, é dia de S. Nuno de Santa Maria (D. Nuno Álvares Pereira), Sto. Inácio Delgado, S. Francisco Capillos, Sto. Afonso de Navarette e S. Leonardo de Noblat.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 05 de Novembro de 2017

A. Tudo é novo em Cristo

 

  1. Andamos tão afanosamente à procura de novidades e nem sequer reparamos na novidade perene que nos foi entregue. Jesus é o portador dessa novidade. N’Ele nada é velho. N’Ele nada envelhece. Com Ele tudo rejuvenesce. Com Ele tudo é novo. Com Jesus, é nova a vida e são novos os comportamentos. Em Jesus, há uma atmosfera de leveza, de beleza, de simplicidade, de autenticidade. É tudo tão diferente no caminho de toda a gente.

Jesus é o anunciador desta vida nova e o pregoeiro deste mundo verdadeiramente novo. Mas não deixa de denunciar as velharias, verberando aquilo que está gasto e nos desgasta.

 

  1. É por isso que Jesus censura fortemente os que mandam e não cumprem, os que impõem e não vivem, os que dizem e não fazem e, às vezes, nem sequer dizem. De facto, estamos num tempo de «sobre-ruído» e «sub-comunicação». Falamos muito, mas chegamos a dizer alguma coisa? Afinal, que comunicamos quando falamos? De facto, neste mundo, há os que, a cada passo, demonstram nada ter para dizer. Mesmo quando dizem. Sobretudo quando dizem, quando não param de dizer!

Tudo isto faz-me pensar num episódio em que alguém, não entendendo a língua de pessoas que falavam com muito entusiasmo, perguntou acerca do que estariam elas a dizer. Resposta pronta: «Não estão a dizer nada, estão só a falar». Este é um retrato fiel, embora um pouco caricatural, do que acontece nos tempos que correm: falamos muito, mas (no fundo) não dizemos nada.

 

B. Não ao «dizer sem fazer»

 

  1. O problema dos escribas e dos fariseus nem era bem este. Eles falavam e sabiam o que diziam. Eram doutos, mas não eram coerentes. É por isso que Jesus diz para fazerem o que eles dizem, mas não fazem (cf. Mt 23, 3). Não basta dizer. O importante é fazer. É preciso fazer o que se diz. Não chega dizer o que se faz. Aliás, nem é preciso dizer o que se faz. O melhor discurso é o nosso percurso. É a nossa acção (e a nossa inacção) que fala por nós.

É por isso que, como bem notou Paulo VI, o mundo escuta mais as testemunhas que os mestres. O mundo escutará os mestres se também forem testemunhas. A nossa missão não consiste em impor com palavras, mas em testemunhar com a vida. Mais do que falar «ex-cathedra», o apóstolo deve falar «ex-vita», a partir da vida.

 

  1. É neste sentido que a liturgia deste Domingo nos convida à seriedade, à verdade e à coerência do nosso compromisso com Deus e com o Evangelho. Na Primeira Leitura, os sacerdotes de Israel são interpelados. Convocados para serem «mensageiros do Senhor do universo», eles deixaram-se dominar por interesses egoístas, negligenciando os seus deveres.

A Segunda Leitura, em contraste com a primeira, apresenta-nos o exemplo de Paulo, Silvano e Timóteo, enquanto evangelizadores de Tessalónica. Do esforço feito com amor, humildade e simplicidade nasceu uma comunidade que acolheu o Evangelho como dom de Deus.

 

C. O que Jesus censura no comportamento dos fariseus

 

  1. O texto do Evangelho divide-se em duas partes. Na primeira, Jesus faz um retrato psico-teológico dos fariseus (cf. Mt 23, 1-7). Na segunda, oferece alguns conselhos aos discípulos para que não os imitem (cf. Mt, 23, 8-12).

Dos fariseus Jesus diz, em primeiro lugar, que eles se sentavam na «cadeira de Moisés» (cf. Mt 23, 2). Esta expressão refere-se à pretensão desmedida e à vaidade insaciável que os dominava. Com efeito, os fariseus atribuíam a si próprios a autoridade máxima (e exclusiva) para interpretar a Lei de Moisés. Em vez de servirem a Palavra de Deus, apropriam-se da Palavra de Deus, distorcendo-a. Desvirtuam-na com regras pesadas e imposições impraticáveis, que não favoreciam (longe disso) o encontro com Deus.

 

  1. Em segundo lugar, Jesus acusa os fariseus de serem incoerentes (cf. Mt 23, 3). O que mais impressiona é que eles «dizem e não fazem» (Mt 23, 3). As suas palavras não condizem com as suas obras. Os seus comportamentos não se conformam com os seus ensinamentos. Os seus ensinamentos devem ser escutados, mas o seu exemplo não deve ser seguido.

Mas o que Jesus mais critica nos fariseus é o peso dos fardos com que sobrecarregam os outros (cf. Mt 23, 4). Na verdade, as exigências dos fariseus tornavam a vida impossível, tantas eram as obrigações, as proibições e o controlo que eles faziam derivar da Lei. No fundo, era inviável conhecer todos os preceitos, quanto mais praticá-los. Acresce que (outra incoerência) o peso que colocavam sobre os outros não era carregado por eles. Coisas difíceis não eram para eles; eram só para os outros.

 

D. No meio de tantas diferenças, em que somos iguais?

 

  1. Finalmente, Jesus não deixa de denunciar o exibicionismo dos fariseus. Estes, na verdade, eram peritos em fazer da fé um espectáculo à procura de aplauso. Faziam as coisas para que todos vissem e aplaudissem. Por vaidade, alargavam as «filactérias» e ampliavam as «borlas» (cf. Mt 23, 5).

Já agora, «filactérias» eram caixinhas de couro com trechos da Lei, que os israelitas usavam, a partir dos 13 anos, durante as orações matinais. Quanto às «borlas», tratava-se de franjas colocadas nas quatro extremidades do manto – o «tallît» – que o judeu piedoso punha aos ombros durante a oração. Ou seja, os fariseus eram especialistas em trabalhar para a imagem, apenas para a imagem. Não será que esta tentação ainda nos afecta? Não andamos nós, muitas vezes, preocupados com as aparências, com cargos e com honrarias?

 

  1. Perante isto, como devem viver os cristãos? Qual é o projecto alternativo que lhes é dado testemunhar? O que, acima de tudo, Jesus quer é que formemos uma fraternidade, é que nos sintamos como irmãos. É tão fácil de dizer e tão belo de sentir. Porque é, então, tão difícil de viver?

Jesus pretende vincar uma igualdade por cima de tantas diferenças. Mais do que salientar as relações de pais e filhos, de mestres e discípulos, de doutores e aprendizes (cf. Mt 23, 7-10), Jesus faz sobressair a comum (e primordial) condição de irmãos. Na fraternidade inaugurada por Jesus, até os pais são «irmãos» dos filhos e até os filhos são «irmãos» dos pais. Deus é Pai de todos: é Pai dos que são pais e Pai dos que são filhos. «Um só é o vosso Pai, aquele que está no Céu» (Mt 23, 9).

 

E. Não sejamos humildes (só) diante dos grandes

 

  1. Do mesmo modo, se os mestres e os doutores ensinam os discípulos, também podem aprender com os discípulos. Na vida, os mestres também aprendem e os discípulos também ensinam. E, em conjunto, mestres e discípulos estão sempre a aprender com o único Doutor, o Messias (cf. Mt 23, 10). Só Ele é verdadeiramente Mestre. Só Ele é portador da verdade definitiva, que salva e liberta.

É por isso que, na Igreja de Jesus, não pode haver quem esteja em cima e quem esteja em baixo. Nem, muito menos, pode haver quem esteja por cima dos que estão em baixo. Se alguns preferidos existem que sejam os habitualmente preteridos. Que não andemos, pois, a replicar o tratamento diferenciado e estratificado que estamos habituados a ver no mundo. Não sejamos bajuladores dos grandes e espezinhadores dos pequenos. Não sejamos só humildes diante dos grandes nem nos armemos em grandes diante dos humildes. Deus não gosta disso. Deus não gosta que façamos isso. Sejamos correctos com todos prestando uma especial atenção aos mais esquecidos e marginalizados.

 

  1. Na Igreja de Jesus, se alguém quer ser primeiro entre todos, que seja o servidor de todos. É este o preceito do Mestre: servir: «O maior entre vós será o vosso servo» (Mt 23, 11). Deus não eleva os (que se julgam) grandes. Deus prefere elevar os humildes: «Quem se eleva será humilhado e quem se humilha será elevado» (Mt 23, 12).

Deus inverte tudo. Deus vê as coisas ao contrário de nós. Porque é que havemos de teimar nós em ver as coisas ao contrário de Deus? Para caminhar para o alto, acostumemo-nos a olhar para baixo. Os humildes merecem a nossa atenção. Deus está no seu coração. Façamos, pois, como Deus e nunca desprezemos nenhum dos filhos Seus. Sirvamos os humildes e vivamos na humildade. Só na humildade alcançaremos (e ajudaremos a alcançar) a desejada felicidade!

publicado por Theosfera às 13:29

É tanto o que dás, Senhor.

Tudo em Ti é dom, tudo em Ti é dádiva.

 

Tu dás o Pão, Tu dás a Palavra.

Tu és o Pão, Tu és a Palavra,

Pão que alimenta, Palavra que salva.

 

 

Há muita gente que só olha para os grandes.

Mas são os mais pequenos que têm os gestos grandes,

os gestos maiores, os gestos de maior generosidade.

 

Ensina-nos, Senhor, a dividir

e ajuda-nos a saber multiplicar.

 

Afasta de nós todo o fingimento,

toda a duplicidade.

 

Ajuda-nos a sermos autênticos, sinceros, inteiros.

Faz de nós pessoas transparentes e serviçais.

 

Que não olhemos para as aparências nem para a posição social.

Que só queiramos fazer o bem e dizer a verdade.

 

 

Que não disputemos os primeiros lugares

e que saibamos abrir os lugares para os outros.

 

Que não queiramos tudo só para nós.

Que saibamos repartir com quem se aproxima de nós.

 

Que não queiramos convencer com as palavras dos lábios

e que apostemos sobretudo no testemunho de vida.

 

Que não queiramos ser os melhores.

Que aprendamos a dar o nosso melhor.

 

Que tudo em nós não seja só para nós.

Que tudo em nós seja para os outros.

Como a pobre viúva do Evangelho.

Como Tu, JESUS!

publicado por Theosfera às 10:42

A. Tudo é novo em Cristo

 

  1. Andamos tão afanosamente à procura de novidades e nem sequer reparamos na novidade perene que nos foi entregue. Jesus é o portador dessa novidade. N’Ele nada é velho. N’Ele nada envelhece. Com Ele tudo rejuvenesce. Com Ele tudo é novo. Com Jesus, é nova a vida e são novos os comportamentos. Em Jesus, há uma atmosfera de leveza, de beleza, de simplicidade, de autenticidade. É tudo tão diferente no caminho de toda a gente.

Jesus é o anunciador desta vida nova e o pregoeiro deste mundo verdadeiramente novo. Mas não deixa de denunciar as velharias, verberando aquilo que está gasto e nos desgasta.

 

  1. É por isso que Jesus censura fortemente os que mandam e não cumprem, os que impõem e não vivem, os que dizem e não fazem e, às vezes, nem sequer dizem. De facto, estamos num tempo de «sobre-ruído» e «sub-comunicação». Falamos muito, mas chegamos a dizer alguma coisa? Afinal, que comunicamos quando falamos? De facto, neste mundo, há os que, a cada passo, demonstram nada ter para dizer. Mesmo quando dizem. Sobretudo quando dizem, quando não param de dizer!

Tudo isto faz-me pensar num episódio em que alguém, não entendendo a língua de pessoas que falavam com muito entusiasmo, perguntou acerca do que estariam elas a dizer. Resposta pronta: «Não estão a dizer nada, estão só a falar». Este é um retrato fiel, embora um pouco caricatural, do que acontece nos tempos que correm: falamos muito, mas (no fundo) não dizemos nada.

 

B. Não ao «dizer sem fazer»

 

  1. O problema dos escribas e dos fariseus nem era bem este. Eles falavam e sabiam o que diziam. Eram doutos, mas não eram coerentes. É por isso que Jesus diz para fazerem o que eles dizem, mas não fazem (cf. Mt 23, 3). Não basta dizer. O importante é fazer. É preciso fazer o que se diz. Não chega dizer o que se faz. Aliás, nem é preciso dizer o que se faz. O melhor discurso é o nosso percurso. É a nossa acção (e a nossa inacção) que fala por nós.

É por isso que, como bem notou Paulo VI, o mundo escuta mais as testemunhas que os mestres. O mundo escutará os mestres se também forem testemunhas. A nossa missão não consiste em impor com palavras, mas em testemunhar com a vida. Mais do que falar «ex-cathedra», o apóstolo deve falar «ex-vita», a partir da vida.

 

  1. É neste sentido que a liturgia deste Domingo nos convida à seriedade, à verdade e à coerência do nosso compromisso com Deus e com o Evangelho. Na Primeira Leitura, os sacerdotes de Israel são interpelados. Convocados para serem «mensageiros do Senhor do universo», eles deixaram-se dominar por interesses egoístas, negligenciando os seus deveres.

A Segunda Leitura, em contraste com a primeira, apresenta-nos o exemplo de Paulo, Silvano e Timóteo, enquanto evangelizadores de Tessalónica. Do esforço feito com amor, humildade e simplicidade nasceu uma comunidade que acolheu o Evangelho como dom de Deus.

 

C. O que Jesus censura no comportamento dos fariseus

 

  1. O texto do Evangelho divide-se em duas partes. Na primeira, Jesus faz um retrato psico-teológico dos fariseus (cf. Mt 23, 1-7). Na segunda, oferece alguns conselhos aos discípulos para que não os imitem (cf. Mt, 23, 8-12).

Dos fariseus Jesus diz, em primeiro lugar, que eles se sentavam na «cadeira de Moisés» (cf. Mt 23, 2). Esta expressão refere-se à pretensão desmedida e à vaidade insaciável que os dominava. Com efeito, os fariseus atribuíam a si próprios a autoridade máxima (e exclusiva) para interpretar a Lei de Moisés. Em vez de servirem a Palavra de Deus, apropriam-se da Palavra de Deus, distorcendo-a. Desvirtuam-na com regras pesadas e imposições impraticáveis, que não favoreciam (longe disso) o encontro com Deus.

 

  1. Em segundo lugar, Jesus acusa os fariseus de serem incoerentes (cf. Mt 23, 3). O que mais impressiona é que eles «dizem e não fazem» (Mt 23, 3). As suas palavras não condizem com as suas obras. Os seus comportamentos não se conformam com os seus ensinamentos. Os seus ensinamentos devem ser escutados, mas o seu exemplo não deve ser seguido.

Mas o que Jesus mais critica nos fariseus é o peso dos fardos com que sobrecarregam os outros (cf. Mt 23, 4). Na verdade, as exigências dos fariseus tornavam a vida impossível, tantas eram as obrigações, as proibições e o controlo que eles faziam derivar da Lei. No fundo, era inviável conhecer todos os preceitos, quanto mais praticá-los. Acresce que (outra incoerência) o peso que colocavam sobre os outros não era carregado por eles. Coisas difíceis não eram para eles; eram só para os outros.

 

D. No meio de tantas diferenças, em que somos iguais?

 

  1. Finalmente, Jesus não deixa de denunciar o exibicionismo dos fariseus. Estes, na verdade, eram peritos em fazer da fé um espectáculo à procura de aplauso. Faziam as coisas para que todos vissem e aplaudissem. Por vaidade, alargavam as «filactérias» e ampliavam as «borlas» (cf. Mt 23, 5).

Já agora, «filactérias» eram caixinhas de couro com trechos da Lei, que os israelitas usavam, a partir dos 13 anos, durante as orações matinais. Quanto às «borlas», tratava-se de franjas colocadas nas quatro extremidades do manto – o «tallît» – que o judeu piedoso punha aos ombros durante a oração. Ou seja, os fariseus eram especialistas em trabalhar para a imagem, apenas para a imagem. Não será que esta tentação ainda nos afecta? Não andamos nós, muitas vezes, preocupados com as aparências, com cargos e com honrarias?

 

  1. Perante isto, como devem viver os cristãos? Qual é o projecto alternativo que lhes é dado testemunhar? O que, acima de tudo, Jesus quer é que formemos uma fraternidade, é que nos sintamos como irmãos. É tão fácil de dizer e tão belo de sentir. Porque é, então, tão difícil de viver?

Jesus pretende vincar uma igualdade por cima de tantas diferenças. Mais do que salientar as relações de pais e filhos, de mestres e discípulos, de doutores e aprendizes (cf. Mt 23, 7-10), Jesus faz sobressair a comum (e primordial) condição de irmãos. Na fraternidade inaugurada por Jesus, até os pais são «irmãos» dos filhos e até os filhos são «irmãos» dos pais. Deus é Pai de todos: é Pai dos que são pais e Pai dos que são filhos. «Um só é o vosso Pai, aquele que está no Céu» (Mt 23, 9).

 

E. Não sejamos humildes (só) diante dos grandes

 

  1. Do mesmo modo, se os mestres e os doutores ensinam os discípulos, também podem aprender com os discípulos. Na vida, os mestres também aprendem e os discípulos também ensinam. E, em conjunto, mestres e discípulos estão sempre a aprender com o único Doutor, o Messias (cf. Mt 23, 10). Só Ele é verdadeiramente Mestre. Só Ele é portador da verdade definitiva, que salva e liberta.

É por isso que, na Igreja de Jesus, não pode haver quem esteja em cima e quem esteja em baixo. Nem, muito menos, pode haver quem esteja por cima dos que estão em baixo. Se alguns preferidos existem que sejam os habitualmente preteridos. Que não andemos, pois, a replicar o tratamento diferenciado e estratificado que estamos habituados a ver no mundo. Não sejamos bajuladores dos grandes e espezinhadores dos pequenos. Não sejamos só humildes diante dos grandes nem nos armemos em grandes diante dos humildes. Deus não gosta disso. Deus não gosta que façamos isso. Sejamos correctos com todos prestando uma especial atenção aos mais esquecidos e marginalizados.

 

  1. Na Igreja de Jesus, se alguém quer ser primeiro entre todos, que seja o servidor de todos. É este o preceito do Mestre: servir: «O maior entre vós será o vosso servo» (Mt 23, 11). Deus não eleva os (que se julgam) grandes. Deus prefere elevar os humildes: «Quem se eleva será humilhado e quem se humilha será elevado» (Mt 23, 12).

Deus inverte tudo. Deus vê as coisas ao contrário de nós. Porque é que havemos de teimar nós em ver as coisas ao contrário de Deus? Para caminhar para o alto, acostumemo-nos a olhar para baixo. Os humildes merecem a nossa atenção. Deus está no seu coração. Façamos, pois, como Deus e nunca desprezemos nenhum dos filhos Seus. Sirvamos os humildes e vivamos na humildade. Só na humildade alcançaremos (e ajudaremos a alcançar) a desejada felicidade!

publicado por Theosfera às 05:17

Hoje, 05 de Novembro, é dia de S. Zacarias, Sta. Isabel, Sta. Francisca Amboise e S. Caio Coreone. Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 04 de Novembro de 2017

Hoje, 04 de Novembro, é dia de S. Carlos Borromeu, S. Vital e Sto. Agrícola.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 03 de Novembro de 2017

Hoje, 03 de Novembro, é dia de S. Martinho de Porres, S. Huberto, S. Tito de Brandsma e S. Roberto Meyer.

Um santo e abençoado dia para todos

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 02 de Novembro de 2017

Que estranha (e dolorosa) sensação.

Percorremos a lista de contactos e deparamos com nomes de pessoas que já não podem responder.

Já não estão do outro lado da linha. Mas continuam (bem presentes) neste lado da vida.

Afinal, os que partiram não nos deixaram.

Nunca se apaga em nós quem se apegou a nós.

Nem tudo acaba com a morte. Há muita coisa que recomeça a partir da morte!

publicado por Theosfera às 20:45

  1. Hoje, 2 de Novembro, não é dia de «finados».

«Finado» vem de «fim», indicando que alguém se finou, que alguém acabou.

 

  1. Nós acreditamos que a morte não é o fim da vida, mas a transformação da vida.

É por isso que chamamos a este dia, dia dos «fiéis defuntos».

 

  1. «Defunto» vem do latim «fungor», que quer dizer «cumprir».

«Defunto» é o que cumpriu a etapa temporal da vida e já sobrevive na dimensão intemporal da existência.

 

  1. Quem participa na Missa exequial habitua-se a ouvir dizer que «a vida não acaba, apenas se transforma» («vita non tollitur, sed mutatur»).

O que talvez não se saiba é a origem desta expressão, que remonta ao século III.

 

  1. Foi a mãe de São Sinforiano que, perante a condenação do filho pelo «crime» de ser cristão, o confortou com estas palavras: «Renova a tua constância. Não podemos temer uma morte que nos leva, com certeza, à vida. A vida não acaba, apenas se transforma».

Já no século VII, havia um dia de oração pelos defuntos nos mosteiros e não só.

 

  1. Mais tarde, um liturgista chamado Amalário Simpósio promoveu ofícios pelos mortos logo a seguir aos ofícios dos santos.

Foi, entretanto, o abade de Cluny Santo Odilon quem decidiu colocar, talvez no ano 998, a comemoração dos fiéis defuntos a 2 de Novembro.

 

  1. Este é um tempo em que suspendemos o tempo para nos fixarmos para lá do tempo.

Daí que este seja o tempo em que o tempo se senta. Só a eternidade parece voar. O tempo aloja-se na eternidade e a eternidade como que decide acampar no tempo.

 

  1. Numa lápide, foi encontrado este verso: «Ó tu mortal que me vês/ repara bem como estou./ Eu já fui o que tu és/ e tu serás o que eu sou».

Assim sendo, aproveitemos estes dias também — e sobretudo — para rezar. Os outros necessitam e nós também precisamos. Os outros necessitam de sufrágio e nós precisamos de conversão.

 

  1. Os vivos como que se enlaçam nos mortos e os mortos como que se entrelaçam com os vivos.

Na oração, os mortos permanecem vivos sem que os vivos se sintam antecipadamente mortos.

 

  1. Aparentemente, vivemos para morrer. Em Cristo, porém, morremos para viver.

Aqueles que choramos nestes dias, do princípio ao fim, estão à nossa espera para a grande festa. No dia que não tem fim!

publicado por Theosfera às 10:40

Hoje, 02 de Novembro, é dia da Comemoração dos Fiéis Defuntos, de S. Malaquias e de S. Pio Campidelli.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 01 de Novembro de 2017

Santo és Tu, Senhor,
 
 
 
Santo é o Teu ser,
 
 
 
Santo é o Teu amor,
 
 
 
Santa é a Tua generosidade.
 
 
 
Santos são os Teus gestos.
 
 
 
Tudo é santo em Ti, Senhor.
 
 
 
 
 
Hoje é, pois, o Teu dia,
 
 
 
Como Teus, Senhor, são todos os dias.
 
 
 
Mas Tu queres que também nós sejamos santos.
 
 
 
A nós parece-nos um sonho impossível.
 
 
 
Mas para Ti, Senhor, é tarefa realizável, é missão que está ao nosso alcance.
 
 
 
Não estás aí, no alto, à nossa espera.
 
 
 
Está connosco, aqui, ao nosso lado, dentro de cada um de nós.
 
 
 
 
 
Ser santo é, afinal, ser (ou procurar ser) como Tu:
 
 
 
Manso, humilde, despojado, puro, pacífico.
 
 
 
Ser santo não é deixar a vida: é colocar a Tua vida no centro da vida.
 
 
 
Ser santo não é deixar o mundo: é depositar o Teu amor no coração do mundo.
 
 
 
Ser santo não é ser desumano: pelo contrário, é ser autenticamente humano, inteiramente humano, plenamente humano.
 
 
 
Ser santo é ser irmão, é ser fraterno, é estender a mão, é abrir o coração.
 
 
 
 
 
A santidade está no Céu, mas não está ausente da terra.

Ajuda-nos no caminho,
 
 
 
Acompanha-nos na viagem.
 
 
 
Apoia-nos quando cairmos.
 
 
 
Enxuga as nossas lágrimas.
 
 
 
Dá-nos a Tu mão, agora,
 
 
 
E recebe-nos no Teu coração, depois, na eternidade.
 
 
 
Que sejamos santos
 
 
 
E, por isso, felizes.
 
 
 
E, por isso, cada vez mais amigos,
 
 
 
Cada vez mais unidos,
 
 
 
Cada vez mais irmãos!

publicado por Theosfera às 10:39

A. Um dia em que se respira felicidade

  1. Que dia belo, este! Tanta coisa bela para celebrar, hoje! Tanta coisa bela para agradecer, hoje! Tanta coisa bela para aprender, hoje! Celebramos, hoje, a santidade. Celebramos, hoje, todos os santos. Os santos, como notou Jacques Maritain, «são os melhores educadores». Porque não se limitaram a apontar. Os santos são os melhores educadores porque viviam o que diziam. Os santos são os melhores educadores porque deixaram de ser para passar a ser: deixaram de ser eles próprios para que Deus fosse neles.

Na sua prolixa variedade, os santos mostram-nos Deus em forma de palavra, em forma de presença, em forma de vida. Quando olhamos para os santos, olhamos para Deus. Os santos são espelhos que deixam ver e convidam a ser. A sua transparência é um convite para a nossa vivência.

 

  1. É por tudo isto que neste dia se respira felicidade. A santidade, com efeito, irradia sempre felicidade. Toda a santidade é feliz e toda a felicidade pode ser santa. O nosso problema, aliás, começa logo nesta espécie de colisão entre o nosso desejo e o nosso caminho. Queremos todos ser felizes, mas andamos por caminhos que não levam à felicidade.

Se estivermos atentos, a vida de muitos santos não foi uma vida feliz para os nossos padrões habituais de felicidade. Será importante, então, olhar para os santos e reparar no modo como eles conseguiram ser felizes.

 

B. Mestres de felicidade, os santos

 

3. Desde logo, salta à vista que a preocupação dos santos não foi a felicidade deles. Os santos começaram por se libertar deles mesmos. Os santos conseguiram libertar-se dessa «teia» torturante que se chama egoísmo. O egoísmo exige tudo e não aceita oferecer nada. É por isso que o egoísta nunca está satisfeito, nunca está saciado. Enfim, é por isso que o egoísta nunca consegue ser feliz.

Nunca como hoje falamos tanto de felicidade. E, paradoxalmente, nunca como hoje teremos ouvido tantas confissões de infelicidade. Mais que uma aspiração, a felicidade tornou-se quase uma obsessão. Tanto a queremos obter que até nos esquecemos de percorrer o caminho para a alcançar.

 

  1. Só seremos felizes quando procurarmos a felicidade onde ela se encontra. Para Jesus, os geradores de felicidade são a pobreza, a compaixão, o empenhamento na justiça, a mansidão, a misericórdia, a paz e a lisura do coração. Ou seja, tudo ao contrário daquilo a que estamos habituados. Mas porque não experimentar? Que cada um comece, então, por querer ser «pobre de espírito» (Mt 5, 3), por chorar com quem chora (cf. Mt 5, 4), por ter «fome e sede de justiça» (Mt 5, 6). Que cada um queira ser manso, misericordioso, construtor da paz e «limpo de coração» (Mt 5, 7-9).

A felicidade não pode ser desligada nem solteirizada. Não é possível ser feliz sem os outros, sobre os outros ou contra os outros. O Mestre tornou bem claro que «há mais felicidade em dar do que em receber» (Act 20, 35). Em suma, é preciso sair de nós para ver a felicidade entrar em nós!

 

C. Também na felicidade, necessitamos de conversão

 

5. Também na felicidade, há uma grande necessidade da conversão. Ainda estamos longe da felicidade oferecida por Deus. É mediante o apelo à conversão que, segundo São Marcos, Jesus começa a Sua missão: «Arrependei-vos e acreditai no Evangelho»(Mc 1, 15).

A felicidade passa por um processo de conversão, de transformação e de transfiguração. É no âmbito de tal processo que vamos passando da vida velha à vida nova, do pecado à graça. Quando perceberemos que só há felicidade na santidade?

 

  1. Não é fácil ser santo, mas até nas dificuldades é muito belo ser santo. A santidade é uma prova de resistência e um caminho de persistência. Hoje, celebramos tantos que demonstraram que ser santo é possível, apesar de todas as dificuldades.

Muitos já conseguiram o que nós também podemos alcançar. É que a santidade não é só a meta, há-de ser também o caminho. Aliás, só pode chegar à meta da santidade quem se esforça por percorrer caminhos de santidade.

 

D. Os santos do céu começaram a ser santos na terra

 

7. Desde sempre, houve cristãos que acolheram este desafio. Não admira, por exemplo, que o Livro dos Actos dos Apóstolos chame «santos» aos cristãos que estavam em Lida (cf. Act 9, 32). Ser cristão era ser santo e, como nos primeiros tempos havia perseguições, então ser cristão e ser santo era ser mártir.

Por tal motivo, a Igreja, desde muito cedo, teve um dia para assinalar todos os mártires. Curiosamente, esse dia chegou a ser o dia 13 de Maio. Foi em Roma, depois de o Papa Bonifácio IV ter convertido o panteão do Campo de Marte num templo dedicado à Virgem Santíssima e a todos os mártires. No século VIII, o Papa Gregório III erigiu, na Basílica de S. Pedro, uma capela ao Divino Salvador, a Nossa Senhora, aos Apóstolos e a todos os mártires e confessores. Foi, entretanto, o Papa Gregório IV quem, no século IX, fixou esta festa no dia 1 de Novembro.

 

  1. A festa de Todos os Santos é a festa da santidade, é a festa da santidade viva, é a festa da santidade em vida. Nos santos, não celebramos apenas uma morte santa. Em cada santo, celebramos toda uma vida santa. É vital perceber que, embora celebremos os santos depois da morte, eles foram santos durante a vida. Não é a vida que nos impede de sermos santos. O santo não é extraterrestre. Não é sobre-humano. Os santos do céu começaram a ser santos na terra.

O santo é da nossa terra. Pertence à nossa condição. Tantos são os santos que foram da nossa família. Ser santo é ser verdadeiramente humano, é participar na construção de um mundo melhor. Ser santo é intervir na transformação da humanidade. É não pactuar com a injustiça. É falar com os lábios e testemunhar com a vida. A santidade está ao alcance de todos. É o que há de mais democrático e invasivo.

 

E. Ser santo é felicitar

 

9. A santidade faz de nós irmãos. A santidade não é indiferença; é diferença. Santo não é aquele que se mostra indiferente ao que ocorre à sua volta. A santidade é a surpresa da paz no meio da tempestade. A santidade não é estrepitosa. Muitas vezes, até é silenciosa, mas sempre interveniente, interpelante. A santidade acontece em casa, na estrada, no trabalho.

Os santos não estão apenas no altar nem figuram somente nos andores. Não há só santos de barro. Há muitos santos de carne e osso, às vezes, mais osso que carne. Há muitos santos com fome. Há muitos santos na rua. Há muitos santos de enxada na mão. Há muitos santos com lágrimas no rosto e rugas na face. É neste contexto que Jesus nos dirige várias felicitações que são outras tantas provocações. A felicidade não está onde costumamos pensar que ela esteja. As Bem-Aventuranças são provocações de felicidade.

 

  1. A santidade não é um passeio; é um testemunho exigente. Pode não implicar derramamento de sangue, mas requer imperativamente a oferta da vida. Toda a santidade é feliz e toda a felicidade pode ser santa.

O céu está cheio de santos. Não deixemos que o mundo fique vazio de santos. Cultivemos uma santidade feliz e uma felicidade santa. Não tenhamos medo de ser santos. Ser santo é felicitar e semear felicidade!

publicado por Theosfera às 05:34

Hoje, 01 de Novembro, é dia da Solenidade de Todos os Santos e de S. Benigno.
Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 31 de Outubro de 2017

A vida, na sua moldura superlativamente paradoxal, é tecida de oportunidades e bloqueios.

Por norma, gostamos de criticar os que não agem, esquecendo-nos de reparar nos bloqueios que lhes erguemos para os impedir de agir.

Colocamos bloqueios à acção para, depois, cominarmos responsabilidades pela superveniente inacção.

Como esperar frutos se não cuidamos da semente?

Anatole France verbalizou o que, no fundo, todos sentimos: «É acreditando nas rosas que as fazemos florir».

Se não acreditamos nas pessoas, se espezinhamos as pessoas, que autoridade temos para lhes exigir o que quer que seja?

Não cortemos asas a ninguém. Abramos caminhos para todos!

publicado por Theosfera às 09:46

Hoje, 31 de Outubro, é dia de Sto. Afonso Rodrigues, Sto. Ângelo de Acri, S. Quintino (invocado contra a tosse), S. Wolfang e Sta. Joana Delanoue.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 30 de Outubro de 2017

Hoje, 30 de Outubro, é dia de S. Marcelo, S. Cláudio, Sta. Doroteia Swartz e S. Domingos Collins.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:08

Domingo, 29 de Outubro de 2017

Em cada dia, a cada instante,

Tu nos surpreendes, Senhor.

Estás sempre a surpreender-nos.

 

Em cada dia, a cada instante,

vens ao nosso mundo, vens à nossa terra, vens à nossa casa

e levas tanta gente.

 

Para nós, é tudo inopinado e desconcertante.

Estamos sempre impreparados

para acolher a notícia.

Mas, afinal, alguma vez estaríamos preparados?

A morte chega sempre cedo para os nossos desejos.

 

Mas Tu, Senhor,

sabes bem o que fazes.

Se vens chamar, é porque assim o entendes.

 

Sabemos que não retiras ninguém do nosso convívio.

Sentimos a falta,

choramos a partida,

mas contamos sempre com a presença de quem parte.

 

Em Ti, todos continuam connosco.

ConTigo, todos permanecem ao nosso lado.

 

Obrigado, Senhor, pela vida dos que já partiram,

obrigado pelo seu testemunho,

pela sua ilimitada dedicação.

publicado por Theosfera às 10:56

A. O que queriam os «profissionais da rasteira»?

 

  1. Armadilhas não são coisa de agora. Jesus pisou, frequentemente, terrenos armadilhados. Sucede que Ele desembaraçou-Se sempre dos «profissionais da rasteira», daqueles que gostam de fazer cair os outros nas suas armadilhas. Tendo feito calar os saduceus (cf. Mt 22, 34), é compreensível que os fariseus também quisessem experimentar Jesus, para ver se conseguiria fazer-lhes o mesmo. Sendo especialistas em leis, achavam que não lhes custaria muito arrastar Jesus para alguma resposta equívoca ou, pelo menos, imprecisa.

No entanto, a pergunta não parecia ser das mais difíceis: «Qual é o maior mandamento que há na Lei?» (Mt 22, 36). O Decálogo é muito claro e conciso. Sucede que a Lei (Thora) compreendia não só os Dez Mandamentos, mas tudo quanto está nos cinco primeiros livros da Bíblia: Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio. Foi a partir deles que os doutores da Lei chegaram a contabilizar 613 preceitos: 365 negativos, que estipulavam o que não se podia fazer, e 248 positivos, que apontavam o que se devia realizar. Uma coisa é escolher o maior entre dez e outra coisa (bem diferente e bem mais difícil) é seleccionar o mais importante no meio de 613.

 

  1. Suspeito, porém, que pode ter havido um outro motivo para esta rasteira. Além da óbvia dificuldade em seleccionar o preceito mais importante no meio de 613 preceitos (todos eles) importantes, é possível que alguém achasse que, para Jesus, o amor ao próximo estava acima do próprio amor a Deus. Apesar de Jesus tratar Deus por Pai — o que muito irritava os «profissionais da rasteira» —, Ele amava tanto as pessoas que alguns poderiam ter dúvidas acerca da Sua ortodoxia.

Será que Jesus iria ser apanhado em falso? É muito fácil ver onde estava a rasteira. Se Jesus dissesse que o mandamento mais importante era o amor ao próximo, imediatamente O acusariam de heresia. Nada pode estar antes — nem acima — de Deus.

 

B. Dois mandamentos em «pacote»

 

  1. Só que Jesus desmontou, com genial mestria, toda esta armadilha. Ou seja, não foi arrastado pelos «profissionais da rasteira». Jesus não deixou subsistir qualquer dúvida de que o amor a Deus está acima de tudo. Mas Jesus fez mais: colocou o amor ao próximo em estreitíssima ligação com o amor a Deus. Foi como se dissesse que é impossível amar a Deus não amando o próximo.

É assim que Jesus desarma, completa e brilhantemente, quem se preparava para lhe montar uma armadilha, à partida complicada. Na verdade, Jesus surpreende de tal modo o auditório que não somente indica com destreza o primeiro mandamento («o amor a Deus») como aponta, logo a seguir, o segundo («o amor ao próximo»). É como se os dois mandamentos só pudessem ser apresentados — e vividos — em «pacote». Isto é, só consegue amar a Deus quem se dispuser a amar o próximo.

 

  1. É espantoso verificar como a acção contida neste duplo mandamento é o amor. Ou seja, o que Jesus espera de nós — para com Deus e para com o próximo — é o mesmo, é o amor. Não é o conhecimento, não é sequer o trabalho; é o amor. No fundo, o amor é a lei; no fundo, a lei é o amor. Que temos feito nós desta lei? Que estamos nós dispostos a fazer desta lei?

Se repararmos, o amor foi a lei que Jesus nos deixou pois foi a lei que Jesus sempre viveu. Trata-se de uma lei que se encontra esculpida no Mandamento Novo: «Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei» (Jo 13, 34). Só que a lentidão com que nós, cristãos, vivemos essa lei é exasperante. Nos começos, notava-se um grande entusiasmo à volta desta lei. Tertuliano dá-nos conta de que os outros, olhando para os cristãos, exclamavam: «Vede como eles se amam!» Ou seja, «vede como eles fazem o que dizem»; «vede como eles cumprem a sua lei».

 

C. A lei do amor consegue mais que o amor da lei

 

  1. Se a lei do amor fosse mais observada, as outras leis quase poderiam ser dispensadas. Já dizia Disraeli: «Quando os homens são puros, as leis são desnecessárias; quando são corruptos, as leis são inúteis». Com efeito, um homem honesto não precisa da lei. Já um homem desonesto nem com a lei melhora.

Tudo isto mostra que obtemos mais com a lei do amor do que com o amor da lei. O mero amor da lei esquece, quase sempre, que a lei é um instrumento, não uma finalidade. A lei existe para proteger as pessoas, nunca podendo servir de pretexto para destruir pessoas. Importa ter presente que, como lembrou Luther King, «tudo o que Hitler fez na Alemanha foi legal». Arrepia, mas é verdade: há sempre vidas que vão sendo degoladas à luz da lei, na escuridão de certas leis.

 

  1. Jesus não veio revogar as leis, mas aperfeiçoar a Lei (cf. Mt 5, 17). E o critério de Jesus para aperfeiçoar a Lei foi sempre o amor. O amor deve ser vivido junto dos que pensam como nós e não deve esquecido junto dos que pensam diferente de nós.

Parafraseando Pedro Laín Entralgo, diria que é preciso ser «consensuante» mesmo com quem se mostra «discrepante». Assim, o crente amará os que merecem ser amados e não deixará de amar os que, não merecendo, também precisam de ser amados.

 

D. É impossível amar a Deus não amando o próximo

 

  1. É sob este pano de fundo que Jesus faz sabiamente rebentar a armadilha que Lhe prepararam: «Qual é o maior mandamento que há na Lei?» (Mt 22, 36). Jesus começa por responder citando a própria Lei, mais concretamente o Livro do Deuteronómio 6, 5: «Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças».

Acontece que Jesus vai mais longe. Diz não apenas qual é o primeiro mandamento, mas aponta logo o segundo, qualificando-o como semelhante ao primeiro: «Amarás o próximo como a ti mesmo». Aqui, cita uma outra passagem da Lei, consignada no Livro do Levítico 19, 18.

 

  1. Se este segundo mandamento é semelhante ao primeiro, podemos concluir que ele não é apenas segundo, pois faz parte do primeiro. Sendo assim, o amor a Deus é realizado no amor ao próximo. É impossível amar a Deus não amando o próximo. Só amando o próximo mostraremos que amamos a Deus.

Aliás, já São João perguntava: «Quem não ama o irmão que vê, como pode amar a Deus que não vê?» (1Jo 4, 20). Por isso — prossegue o mesmo apóstolo — «quem ama a Deus, ame também o seu irmão» (1Jo 4, 21).

 

E. Sem amor, não há nada; nem sequer há fé

 

  1. A ligação entre o amor a Deus e o amor ao próximo é tão estreita que São Gregório Magno entreviu aqui uma razão simbólica para Jesus mandar os discípulos em missão dois a dois. Mandou-os dois a dois porque «dois são os mandamentos, a saber, o amor a Deus e o amor ao próximo». No amor está tudo: está a Lei e estão os Profetas (cf. Mt 22, 40), isto é, está toda a Sagrada Escritura.

Por aqui se vê como Jesus, na resposta que dá, vai muito mais além da pergunta que Lhe tinha sido feita. Ele deixa bem claro que é toda a Bíblia que está perfumada pelo amor: pelo amor a Deus e pelo amor ao próximo. A qualidade do nosso amor a Deus mede-se pela intensidade do nosso amor ao próximo. Se não há amor, não há nada, nem sequer há fé.

 

  1. É por isso que quem mais sabe a Lei não é quem mais a conhece, mas quem melhor a vive. É preciso viver o amor a partir da nascente, a partir de Deus. E Deus, como nos diz a Primeira Leitura, tem um amor de predilecção pelos mais necessitados: os pobres, os órfãos, as viúvas, os estrangeiros, isto é, todos os que passam privações (cf. Ex 22, 20-26). Também São Paulo dá testemunho do amor divino ao pôr à frente dos seus interesses os interesses dos outros (cf. 1Tes 1, 5).

Afinal e como garante Jesus, «há mais alegria em dar do que em receber» (Act 20, 35). Até porque quando damos, somos presenteados com a alegria de quem recebe. Nunca recebemos tanto como quando damos tudo. Nunca recebemos tanto como quando nos damos totalmente!

publicado por Theosfera às 05:53

Hoje, 29 de Outubro (30º Domingo do Tempo Comum), é dia de S. Narciso, Sta. Ermelinda e S. Miguel Rua.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 28 de Outubro de 2017

Hoje, 28 de Outubro, é dia de S. Simão, S. Judas e S. Malchion.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 27 de Outubro de 2017

Hoje, 27 de Outubro, é dia de Nossa Senhora das Vitórias, S. Gonçalo de Lagos, S. Vicente, Sta. Sabina e Sta. Cristeta.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:13

Quinta-feira, 26 de Outubro de 2017

Se não fosse este acontecimento, eu não estaria aqui, neste momento.

Foi neste dia 26 de Outubro que, há 54 anos, meus queridos Pais uniram as suas vidas para gerarem as nossas vidas: a minha e a do meu Irmão.

Minha Mãe continua connosco. E meu Pai está sempre em nós.

Ele nunca nos deixou, mesmo quando a morte o (e)levou.

Quem está em Deus continua a estar com todos.

Aqui, com minha Mãe, e na eternidade, com meu Pai, unidos estamos.

E cada vez mais unidos estaremos!

publicado por Theosfera às 00:01

Hoje, 26 de Outubro, é dia de Sto. Evaristo e S. Boaventura de Potenza.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 25 de Outubro de 2017

Hoje, 25 de Outubro, é dia de S. Crispim, S. Crispiniano, S. Crisanto, Sta. Daria, S. João Stone e Sta. Maria Jesus Masiá Ferragut.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:38

Terça-feira, 24 de Outubro de 2017

 

  1. O mundo vive das vitórias do cosmos sobre o caos e dos triunfos da ordem sobre a desordem.

Mas a vida no mundo fica em perigo com as ameaças do caos contra o cosmos e com os atropelos da desordem contra a ordem.

 

  1. Tais ameaças e atropelos, não sendo contínuos, têm-se tornado cada vez mais frequentes e devastadores.

Os últimos dias mostraram-nos até onde pode chegar a (explosiva) combinação entre fúria e incúria: entre a fúria da natureza e a incúria do homem.

 

  1. O mais intrigante é sentir que, em muitos casos, a fúria da natureza é exponenciada pela incúria do homem.

Como admitir que se faça queimar aquilo que já tem uma descontrolada predisposição para arder? Como entender que, quando a temperatura é alta, a responsabilidade seja tão baixa?

 

  1. O pior é que, tal como sucede com muitos homens, também a natureza anda com falta de autodomínio.

Quando se «sente» provocada, «revolta-se» e ninguém a detém. Na sua sanha devoradora, leva tudo na frente. Nem a vida humana é poupada.

 

  1. É sabido que a natureza tanto nos abriga como nos agride. Pelo que o risco é constante e as cautelas serão sempre poucas.

Esta não é a hora de «imaginar mundos melhores». Como alertou Tony Judt, este é o momento de «prevenir mundos piores».

 

  1. Só que é precisamente aqui — na prevenção — que mais temos vindo a falhar.

Temos falhado na prevenção sobre as flutuações da natureza. E temos falhado na prevenção sobre os comportamentos humanos.

 

  1. De facto, é estranho que, revelando-se o homem impotente para melhorar a natureza, se mostre tão «potente» a destruir a natureza.

Sucede que, ao destruir a natureza, o homem está a destruir-se a si mesmo.

 

  1. Em causa não está só a manutenção da floresta. Está, desde logo, a existência da própria floresta.

Quem quiser desencadear um incêndio, poderá fazê-lo mesmo que as florestas estejam limpas.

 

  1. Sem recriminações, há que apostar em efectivas soluções. Quando as temperaturas aumentam, têm de aumentar também as formas de vigilância: postos de vigia, aeronaves e satélites.

E se as forças de segurança costumam actuar nos locais de maior perigo, há que lhes dar condições para que possam operar onde, actualmente, nascem os maiores perigos: nas matas e nos arvoredos.

 

  1. Um Ministério da Floresta e de Combate aos Incêndios merecia ter lugar em todos os governos. E um pelouro com as mesmas atribuições deveria também ser criado em todas as autarquias.

O que tem sido tão dramático tem de começar a ser — definitivamente —prioritário!

 

N.B. Curvo-me respeitosamente perante os que morreram e os que sobreviveram.

Façamos luto e continuemos a luta: luto pelos mortos e luta por uma maior protecção aos vivos!

 

publicado por Theosfera às 10:51

Hoje, 24 de Outubro, é dia de Sto. António Maria Claret, S. Proclo, S. José Baldo e S. Luís Guanella.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 23 de Outubro de 2017

Hoje, 23 de Outubro, é dia de S. João de Capistrano, S. Servando, S. Germano e Sto. Arnulfo Reche.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 22 de Outubro de 2017

Precisamos de ver

e só Tu és a luz.

 

Precisamos de ver

por fora e por dentro.

 

Precisamos de ver a vida,

o passado, o presente e o futuro.

 

 

A fé salvou o cego.

A fé salva-nos a nós,

tantas vezes cegados pela mentira, pela insinuação e pela inveja.

 

A fé salva na esperança e no amor.

A fé é luz que ilumina e brilha.

A fé é luz que liberta e redime.

 

Hoje também,

Tu, Senhor, continuas a chamar,

a chamar por nós nesta situação difícil.

 

 

Ouve, Senhor,

o clamor dos pobres, dos aflitos e dos famintos.

 

Ouve, Senhor,

o grito dos sem-abrigo e dos sem-amor.

 

Ouve, Senhor,

a súplica dos desempregados e dos que têm salários em atraso.

 

Ouve, Senhor,

o pedido dos que querem dar pão aos seus filhos e não têm conseguem encontrar esse pão.

 

As prateleiras até estão cheias,

mas há corações que permanecem vazios.

 

Mas Tu, Senhor, fazes maravilhas.

Tu, Senhor, és a constante maravilha.

 

 

Por isso continuamos a soltar brados de alegria.

Apesar da crise,

apesar do sufuco e da tempestade,

nós sabemos que, neste tempo de fome,

nós dás o alimento.

 

 

Tu, Senhor, és o alimento,

o pão da Palavra e o pão da vida.

 

Vem connosco saciar a fome deste mundo:

a fome de pão,

a fome de justiça

e a fome de paz.

 

Há nuvens por debaixo do sol.

Mas há sol por cima das nuvens.

 

Obrigado, Senhor, por este pão.

Que ele chegue a todas as casas.

Que ele entre em todos os corações.

 

Obrigado, Senhor, pelos sonhos.

Um dia, as lágrimas hão-de regar as avenidas da vida.

E o sonho de um mundo melhor há-de sorrir para todos.

 

Tu, Senhor, és esse sonho,

um sonho que se realiza em cada instante.

 

O sonho és Tu,

JESUS!

publicado por Theosfera às 10:45

Na vida, temos de encontrar o nosso caminho. E temos de estar atentos aos que se cruzam connosco no caminho.

Afinal, o nosso caminho não é só nosso. O nosso caminho é percorrido por muitos caminhantes.

Não podemos ficar condicionados pelos outros, mas também não devemos ser indiferentes aos outros.

Jean-Paul Sartre, num fecundo jogo de palavras, alertou: «O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós fazemos do que os outros fizeram de nós».

No fundo, os outros também nos pertencem. E nós também pertencemos aos outros.

Todos somos, literalmente, «com+vivas». Ou seja, todos vivemos com os outros, para os outros e nos outros.

Viver é sempre «com+viver»!

publicado por Theosfera às 08:30

A. Ele fica em nós quando saímos de nós

  1. Por hábito, todos gostamos de levar e trazer. Mas, por norma, não gostamos de quem leva e traz. O povo diz que «quem leva e traz não faz a paz». Levar e trazer é o pantanoso terreno da intriga, da insinuação e de toda a maledicência.

Acontece que, se pensarmos bem, a missão consiste, antes de mais, em levar e trazer. Levar e trazer é o que faz a missão acontecer. O missionário é o que leva e traz: é o que leva Cristo e é o que traz para Cristo; é o que leva Cristo às pessoas e é o que traz as pessoas para Cristo.

 

  1. Foi, aliás, o próprio Jesus que lançou as bases da missão. Antes de voltar para o Pai, ofereceu-nos uma certeza e deixou-nos uma ordem. A certeza é que Ele iria ficar (cf. Mt. 28, 20). E a ordem era que nós saíssemos (cf. Mt. 28, 19). Concretizando, Jesus fica quando nós saímos; Jesus fica em nós quando nós saímos de nós.

O Papa Francisco lembra que, «hoje, ainda há muita gente que não conhece Jesus Cristo». De facto, há muita gente que não conhece Jesus Cristo porque nunca ouviu falar d’Ele. E há muita gente que não conhece Jesus Cristo mesmo tendo ouvido falar d’Ele. É por isso que «a missão da Igreja é animada por uma espiritualidade de êxodo contínuo»Trata-se, como assinala o Santo Padre, de «sair da própria comodidade e de ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho».

 

B. Evangelizar não é o primeiro passo; é o segundo

 

  1. Evangelizar é converter-se ao Jesus do Evangelho e anunciar o Evangelho de Jesus. Assim sendo, o primeiro passo do evangelizador não é evangelizar. Evangelizar será o segundo passo. O primeiro passo do evangelizador é deixar-se evangelizar.

Com efeito, como pode evangelizar quem não está evangelizado? Como pode evangelizar quem não se deixa evangelizar? Mas como poderá deixar-se evangelizar quem pensa que já está evangelizado? Nunca percamos de vista que a evangelização não é uma coisa feita; é um constante fazer-se. Alguma vez poderá ser dada por concluída a evangelização?

 

  1. Só está em condições de evangelizar quem se deixa evangelizar. Será que toda a evangelização sabe a Evangelho? Sem Evangelho na vida, será lícito falar de evangelização? Sem oração, haverá evangelização? Sem Eucaristia, haverá evangelização? Sem formação, haverá evangelização? Sem amor ao próximo, haverá evangelização?

Para haver Evangelho, não pode haver apenas conhecimento do Evangelho; tem de haver sobretudo vivência do Evangelho: uma vivência despojada, uma vivência constante, uma vivência alegre, uma vivência autenticamente felicitante.

 

C. O evangelizador também tem de ser evangelizado

 

  1. Como muito bem explica D. António Couto, o problema da evangelização «não reside nos destinatários» (…); «reside no sujeito evangelizador que, para o ser, terá também de ser fruto de evangelização». O nosso mal é que continuamos a achar que a responsabilidade do insucesso nosso é culpa de outros.

Será que nós não damos motivos para recusar? Será que nós nos dispomos a sair? E, quando saímos, que levamos? Não basta ir a todos os lugares. Não é suficiente chegar a todas as pessoas. É preciso ir a toda a parte com o Evangelho. É urgente chegar a toda a gente com o Evangelho. A chegada do evangelizador tem de ser a chegada do Evangelho. Mas só pode levar Evangelho quem procura converter-se ao Evangelho.

 

  1. «Quem não precisa de conversão?», perguntava o saudoso D. Hélder Câmara. O evangelizador também de ser evangelizado. Só pode ajudar a converter a Cristo quem se deixa converter por Cristo. Quem não assume as suas falhas, como pode ajudar os outros a reconhecer os seus erros? A conversão a Cristo e ao Evangelho de Cristo é o ponto de partida para atrair os outros para Cristo.

Para isso, não chega trazer o Evangelho na mente e nos lábios; é fundamental trazer o Evangelho no coração e na vida. Só a partir da vida se pode chegar à vida. Aliás, o Evangelho está escrito no livro para ser (permanentemente) inscrito na vida. Entende-se, assim, que São João de Calábria, que clamava por um «regresso ao Evangelho», insistisse para que fôssemos «Evangelhos vivos».

 

D. Ser cristão é ser missionário

 

  1. O Evangelho é mais da ordem do testemunho do que do mero conhecimento. O Bem-Aventurado Paulo VI percebeu que «o homem contemporâneo escuta com maior boa vontade as testemunhas do que os mestres». Se escuta os mestres, é «porque os mestres são testemunhas». De resto, o referido Pontífice tinha já identificado, como sendo um dos grandes males do nosso tempo, o divórcio entre a fé e a vida. E é notório que, não poucas vezes, a fé parece estar com pouca vida e a vida parece estar com pouca fé. É preciso, portanto, pôr mais vida na fé e colocar mais fé na vida.

Perante a magnitude deste cenário, a missão não é só para alguns nem para alguns momentos. A missão é para todos e é para sempre. Ela não começa com o sacramento da Ordem nem com a consagração religiosa. A missão começa com o sacramento do Baptismo. Foi por isso que o Vaticano II recordou que «a Igreja é, por natureza, missionária». Não se pode ser cristão sem ser missionário. Onde está o cristão, aí tem de estar a missão.

 

  1. Porque, como recorda o Santo Padre, a missão está no coração da fé, então a missão incumbe a todos. Por conseguinte, vós sois tão missionários como eu. Eu sou missionário para vós e convosco, vós sois missionários para mim e comigo. Eu também preciso de ser evangelizado por vós. Os padres, os bispos e os religiosos também precisam de ser evangelizados pelo povo. Cada um tem a sua missão e cada um tem muito a crescer com a missão dos outros. O Evangelho não é privilégio de ninguém nem exclusivo de alguns; é dom para cada um e responsabilidade para todos.

Este é, pois, um dia para tomarmos consciência do que devemos ser todos os dias: enviados, apóstolos, evangelizadores. Neste dia, somos convidados a oferecer alguma coisa para as missões. Em cada dia, somos interpelados para que nos ofereçamos a nós mesmos em missão. Ninguém se pode sentir demissionário; cada um deve sentir-se sempre missionário. Somos chamados a viver sempre em estado de missão e jamais em estado de demissão.

 

E. Sempre em missão, nunca em demissão

 

  1. O mundo tem necessidade do Evangelho, do Evangelho inteiro, do Evangelho sem glosas e sem pausa. Como adverte São Paulo, o Evangelho não se anuncia apenas com palavras (cf. 1Tes 1, 5); há-de anunciar-se sobretudo com o testemunho da vida, sob «a acção do Espírito Santo e com profunda convicção» (1Tes 1, 5).

Neste sentido e voltando às fecundas expressões de D. António Couto, diria que é urgente implementar uma «evangelização non-stop», sem pausas, sem recuos e «sem andaimes». O Evangelho tem de estar no começo, no meio e no fim de tudo, sem equívocos nem confusões: o que pertence a César deve ser entregue (ou devolvido) a César; o que pertence a Deus deve ser entregue (ou devolvido) a Deus (cf. Mt 22, 21). E o que é que pertence a Deus? A Deus pertence o ser humano, pertencemos nós. É por isso que, como notava Santo Agostinho, o nosso coração anda inquieto enquanto não repousar em Deus.

 

  1. A evangelização existe para chegar a todo o homem, para lhe dizer que Deus o ama e para lhe assegurar que só será feliz em Deus. Deus é o maior investidor na felicidade do homem: apostou o melhor que tinha — o próprio Filho (cf. Jo 3, 16) — na felicidade de todos os homens.

Evangelizar é, pois, felicitar, é semear felicidade. Não é o Evangelho que nos afasta de ninguém. O Evangelho é o que mais nos aproximará de todos!

publicado por Theosfera às 05:57

Hoje, 22 de Outubro (29º Domingo do Tempo Comum e Dia Mundial das Missões), é dia de Sta. Josefina Léroux e suas Companheiras mártires, Sto. Abércio, Sta. Salomé, Sta. Nunilona e Sta. Alódia, S. Tiago Giaccardi e S. João Paulo II.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 21 de Outubro de 2017

Hoje, 21 de Outubro, é dia de Sto. Hilarião, Sta. Úrsula e S. Gaspar del Búfalo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 20 de Outubro de 2017

Hoje, 20 de Outubro, é dia de S. Maria Bertila Boscardin, S. Contardo Ferrini, Sta. Iria, S. Caprásio e Sta. Madadelena de Nagasaky.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 19 de Outubro de 2017

Hoje, 19 de Outubro, é dia de S. João Brebeuf, Sto. Isaac Jogues, S. Pedro de Alcântara e S. Paulo da Cruz.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:39

Quarta-feira, 18 de Outubro de 2017

Hoje, 18 de Outubro, é dia de S. Lucas e S. Monon, eremita.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:21

Terça-feira, 17 de Outubro de 2017

 

 

  1. Na «era dos extremos» (Eric Hobsbawm), estamos a assistir ao excruciante combate entre um fundamentalismo e um fanatismo.

Em campos opostos encontramos um «fundamentalismo religioso» (que quase todos denunciam) e um «fanatismo anti-religioso» (em que praticamente ninguém repara).

 

  1. Os dois querelam, permanentemente, no espírito humano e no espaço público.

De um lado há quem imponha determinadas concepções de Deus. Do outro lado não falta quem implante uma completa ausência de Deus.

 

  1. Há locais onde os sinais religiosos surgem em toda a parte. E há lugares onde a menor referência espiritual é repelida a todo o custo.

Os regimes «teocráticos» convivem, deste modo, com comportamentos cada vez mais «teofóbicos». Ambos conflituam, flagrantemente, com a liberdade.

 

  1. É óbvio que a presença de Deus não pode ser forçada. Mas será que a Sua ausência deverá ser imposta?

Ninguém pode obrigar alguém a ter fé. Mas será legítimo impedir quem quer que seja de assumir a fé que possa ter?

 

  1. Todos aceitamos que, numa sociedade livre, os cidadãos podem manifestar publicamente as suas opções políticas, culturais e desportivas.

Porque é que os mesmos cidadãos não hão-de poder manifestar publicamente a sua vivência religiosa? Será que, no espaço público, temos todos de nos comportar de uma maneira não-religiosa?

 

  1. De facto, há quem se incomode com actos religiosos em âmbitos não especificamente religiosos.

Mas parece que poucos se preocupam com atitudes claramente não religiosas em ambientes religiosos.

 

  1. É cada vez mais frequente conversar, telefonar, beber e até fumar nas igrejas.

Em muitos templos, é mais fácil ver um telemóvel do que um terço nas mãos das pessoas.

 

  1. Para muitos, a fé é um assunto meramente privado, do foro íntimo. Paradoxalmente, esta restrição é determinada em nome da liberdade, da liberdade de não ser perturbado.

E a liberdade de intervir? A liberdade constrói-se não abafando o diferente, mas aceitando as diferenças.

 

  1. Que oportunidade estamos dispostos a dar ao discurso crente em debates sobre temas como a eutanásia, o aborto ou a justiça social?

Somos todos livres. Mas, na hora que passa, parece que uns são mais livres que outros.

 

  1. Num tempo de «filias» e «fobias», muitos dão sinal de estar afectados por uma estranha «teofobia».

Nesta época crescentemente «teofóbica», quem se disporá a ser coerentemente «teófilo»? Onde estão os «amigos de Deus»?

publicado por Theosfera às 10:58

Hoje, 17 de Outubro, é dia de Sto. Inácio de Antioquia (que gostava de se apresentar como «Teóforo», aquele que traz Deus), Sta. Zélia, S. Balduíno e S. Gilberto.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:39

Segunda-feira, 16 de Outubro de 2017

O egoísmo é a maior doença do nosso tempo.

E o pior do egoísmo é que ele não consiste em cada um viver sobre si mesmo.

O pior do egoísmo é cada um pretender que os outros vivam à sua volta.

Para Oscar Wilde, «egoísmo não é tanto viver à nossa maneira, mas desejar que os outros vivam como nós queremos».

Além de egoísmo, isso é prepotência. Só que, infelizmente, é o que mais estamos habituados a ver!

publicado por Theosfera às 09:34

Hoje, 16 de Outubro, é dia de Sta. Hedwiges, Sta. Margarida Maria Alacoque, Sta. Josefa Vanini e S. Gerardo Majela.

Faz também 39 anos que foi eleito o Papa São João Paulo II.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 15 de Outubro de 2017

Tu sabes tanto.

Tu sabes tudo, Senhor.

Mas não sabes conjugar o verbo «mandar».

Tudo só sabes conjugar o verbo «servir».

 

Tu ficaste triste e desapontado

quando os Teus discípulos se mostravam preocupados pelo poder,

pela ambição de mandar,

pelo desejo de possuir.

 

O Teu Reino, Senhor, não é de poder,

é de amor, esperança e paz.

 

Nestes tempos convulsos e incertos,

Tu és a bússola e o sentido,

o horizonte e a paz,

 

 

Obrigado, Senhor,

por estares sempre connosco

e por nos ensinares a servir.

 

 

 

Ajuda-nos a constituir uma Igreja do serviço,

da ajuda e da solidariedade.

 

Ajuda-nos a crescer na disponibilidade

e na mansidão.

 

Tu estás no meio de nós como quem serve.

Tu não vens para ser servido, mas para servir

e dar a vida por todos.

 

Que nós aprendamos conTigo.

Que nós queiramos servir.

 

Tu experimentaste a dor

e toda a espécie de provações.

 

Tu és, pois, o nosso Cireneu,

aquele que condivide a nossa Cruz.

 

Obrigado, Senhor, pela Tua bondade,

pelo Teu infinito amor

e pela Tua intensa paz.

 

Que tudo em nós faça ressoar

a beleza da vida que vem de Ti,

JESUS!

publicado por Theosfera às 10:40

A. A única «guerra» que vale a pena travar

  1. Dolorosa não é só a fome de muitos; é também — e bastante — o contraste com a opulência de tantos. De facto e como notou Eduardo Lourenço, o drama da fome «coexiste com o espectáculo de uma civilização aparentemente dotada de todos os meios, de todos os poderes para a abolir». Não dá para acreditar, mas importa saber que as 85 pessoas mais ricas do mundo possuem tanto como cerca de 3 mil milhões de pessoas do mesmo mundo. Ou seja, poucos com tanto e tantos com tão pouco!

Será que não podemos eliminar a fome ou será que não queremos eliminar a fome? Será que já reparamos na súbita emergência de um novo continente — o «continente da fome» —, que consegue até a assustadora proeza de ser mais populoso que a Oceania, a África e a América Latina?

 

  1. O trágico é notar como muita gente tem mais acesso ao armamento do que ao pão. Com efeito, nunca vimos ninguém a mendigar armas. Estas parecem estar ao alcance de todos. Mas as pessoas continuam a estender a mão para mendigar pão! É caso para dizer — para gritar — aos partidários da guerra: «Se querem lutar, lutem contra a fome»!

Este é um dos poucos «adversários» que vale a pena enfrentar, um dos raros «inimigos» que vale a pena combater e a única «guerra» que vale a pena travar. Aliás, a vitória nesta «guerra» não acarreta baixas nem danos colaterais: todos são vencedores, ninguém sai a perder. Habitualmente, os inimigos dos povos são outros povos. Nestas guerras, todos perdem, até os que (presuntivamente) ganham.

 

B. Quem olha para o «Cristo faminto»?

 

3. Os povos e as pessoas não deviam ter inimigos. Todos os povos e todas as pessoas deviam unir-se contra os reais inimigos da humanidade. Que inimigos são esses? São principalmente quatro: a doença, a ignorância, a violência e a fome. A «guerra» contra a doença é crucial. A «guerra» contra a ignorância é determinante. A «guerra» contra a violência é decisiva. E a «guerra» contra a fome é urgente.

Enquanto não vencermos estas quatro «guerras», não teremos paz e arriscamo-nos a nem sequer ter vida. Se, como disse o Papa Paulo VI, o clamor dos povos da fome chegou até Deus, como é que pode não chegar até nós?

 

  1. Não esqueçamos que Cristo também está presente no irmão que passa fome. Tantas vezes, o Cristo faminto é um Cristo ignorado. Tantas vezes Ele passa por nós e nós nem sequer reparamos. Mas, um dia, esse mesmo Cristo faminto poderá dizer-nos: «Tive fome e não Me destes de comer» (Mt 25, 42). É que «tudo o que não fizestes ao mais pequeno dos Meus irmãos foi a Mim que o deixaste de fazer» (Mt 25, 45).

Daí que São João Crisóstomo dirija um apelo a cada um de nós: «Enquanto adornas o templo, não esqueças o teu irmão que sofre, porque este templo é mais precioso que o outro». Se alguém quiser honrar a Cristo, «não permita que Ele seja desprezado nos Seus membros, isto é, nos pobres», nos que passam fome. Afinal, «de que serviria adornar a mesa de Cristo com vasos de ouro se Ele morre de fome na pessoa dos pobres?». É assim que se compreende que, numa visita que fez ao Peru, São João Paulo II tenha atordoado a humanidade com uma exclamação interpelante: «Fome de Deus sempre! Fome de pão nunca!»

 

C. Deus convida-nos para um «banquete»

 

5. Deus também é pão. Deus também Se faz pão. Os textos que escutámos neste Domingo são atravessados por um convite. Deus convida-nos para uma refeição, para um banquete «com manjares suculentos, um banquete com excelentes vinhos, comidas de boa gordura e vinhos puríssimos» (Is 25, 6).

Durante tal banquete, Deus vai «retirar o luto» (Is 25, 7) e «destruir a morte» (Is 25, 8). Vai, por isso, «enxugar todas as lágrimas» (Is 25, 8) e acabar com «a vergonha do Seu povo» (Is 25, 8). Tudo isto acontecerá nos tempos últimos, inaugurados por Jesus Cristo. Ele é o Último, o Definitivo e o Perene. Ele é o eco de todos os nossos anseios e o horizonte de todos os nossos caminhos.

 

  1. O Evangelho garante que «o banquete está pronto» (Mt 22, 8). De facto, é em Jesus Cristo que Deus Se faz pão. Cristo é pão para que ninguém tenha mais fome de pão. Quem come deste pão, vive e vivifica. Ou seja, alimenta-se para alimentar os outros.

Aliás, é esse o mandato do próprio Jesus: «Dai-lhes vós de comer» (Lc 9, 13). Por conseguinte, somos nós que temos de dar o pão. E que pão? Toda a espécie de pão: o pão que vem da terra e o pão que vem do Céu (cf. Jo 6, 32).

 

D. O Pão da Vida e o pão para cada dia

 

7. O pão que vem do Céu é Jesus Cristo. É Ele o Pão da Vida (cf. Jo 6, 35). É por isso que o homem não vive só do pão que vem da terra (cf. Mt 4, 4). Assim sendo, o pão que somos chamados a distribuir é sobretudo Cristo. Cristo alimenta-nos na mesa da Palavra e na mesa da Eucaristia. É pela Palavra que o pão da terra se transforma no Corpo de Cristo (cf. 1Cor 11, 23). A Eucaristia é uma refeição servida em duas mesas: na Mesa da Palavra e na Mesa do Pão.

Quanto mais nos alimentarmos com o Pão da Palavra e da Eucaristia, tanto melhor alimentaremos os outros com o pão de cada dia. É por este motivo que a Missa não tem fim. Termina a Missa, começa a Missão. E a Missão consiste, basicamente, na distribuição do Pão: do Pão que vem de Deus e do pão que vem da terra pela graça de Deus.

 

  1. Deus está sempre a convidar. Mas há quem recuse, há quem não queira vir (cf. Mt, 22, 3). São muitos os que vêm, mas continuam a ser muitos mais os que não querem vir. Eis, pois, um compromisso para todos nós: fazer eco do divino convite. Vamos convidar outros (em casa, na escola, na rua, no trabalho e até no café) para virem no próximo Domingo. E se os que estão perto persistirem em não vir, convidemos os que estão longe, nas periferias, os que se encontram nas «encruzilhadas dos caminhos» (Mt 22, 9).

A Igreja é para todos, embora não seja para tudo. Quando o banquete se inicia, o rei apercebe-se de que um convidado «não vestira o traje de cerimónia» (Mt 22, 11). O traje é essencial. É o que se coloca por cima de nós, é o que nos reveste e que, nessa medida, nos identifica.

 

E. Cristo é Pão para todos

 

  1. As pessoas, quando nos vêem, olham para aquilo que vestimos. Que traje devemos trazer, então, para este banquete que é a Eucaristia? Só pode ser o traje de uma vida nova, de uma vida transformada. Não se pode ir para um banquete com o traje habitual. Isto é, não se pode ir para o sacramento da vida nova com a vida que se tem. É preciso mudar de vida. É por isso que a Eucaristia começa com a confissão. É por isso que nos devemos confessar com frequência. A graça de Deus é a vida nova, a vida renovada.

Deus não falta nem nos falta. Aliás, foi o que reconhecemos no Salmo Responsorial: «O Senhor é meu pastor, nada me falta» (Sal 22, 1). N’Ele encontramos o que precisamos e o que desejamos. Sem Ele, nada; com Ele, tudo. São Paulo o atesta com grande ênfase: «Tudo posso em Cristo que me dá força» (Fil 4, 13).

 

  1. Em Cristo, estamos à espera do melhor e sentimo-nos preparados para enfrentar o pior. Em Cristo, sabemos viver na abundância e saberemos viver na pobreza (cf. Fil 4, 12). Em Cristo, conseguimos viver modestamente na prosperidade e não deixaremos de viver dignamente na penúria. É que, em Cristo, somos capazes de relativizar os bens em função do bem que é contribuir para o bem dos outros.

Em Cristo, nunca descansaremos enquanto alguém passar fome. Cristo é pão para todos. Sejamos nós os distribuidores de pão junto de todos. Se todos tiverem fome de Deus, ninguém terá fome de pão!

 

publicado por Theosfera às 05:34

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