O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sábado, 20 de Janeiro de 2018

Hoje, 20 de Janeiro (3º dia do Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos), é dia de S. Fabião, S. Sebastião (padroeiro principal da Diocese de Lamego), Sto. Eustóquio Calafato e S. José Freinademetz.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2018

Hoje, 19 de Janeiro (2º dia do Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos), é dia de S. Germânico, S. Canuto, S. Mário, S. Tiago Sales e seus Companheiros e S. Marcelo Spínola Maestre.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Quinta-feira, 18 de Janeiro de 2018

Hoje, 18 de Janeiro (1º dia do Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos), é dia de Sta. Margarida da Hungria, S. Liberto ou Leobardo, Sta. Prisca ou Priscilla e S. Jaime Cosán.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018

Hoje, 17 de Janeiro, é dia de Sto. Antão e Sta. Rosalina de Villeneuve.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Terça-feira, 16 de Janeiro de 2018
  1. Quem não se lembra do «Cristo partido»?

Pessoalmente, tenho dado comigo a pensar se nós, cristãos, não andamos, muitas vezes, a «partir» Cristo.

 

  1. O «Cristo partido» era uma imagem. Já o Cristo que nós (frequentemente) «partimos» é o Seu corpo.

Ao «Cristo partido» (celebrizado num conhecido livro de Ramón Cué) faltavam alguns membros. Ao Cristo que nós «partimos» não faltam «feridas» em muitos dos seus membros.

 

  1. Não esqueçamos que o Cristo total inclui também o corpo eclesial (cf. 1Cor 12, 12-31).

Fazendo nós parte de Cristo, não estaremos — com as nossas divisões — a concorrer para «partir» o Seu corpo?

 

  1. Em vez de oferecermos ao mundo o Cristo inteiro, parece que nos entretemos a apresentar um Cristo «quebrado», em «parcelas».

As nossas representações «hemiplégicas» acabam por exibir um Cristo «mutilado», «encolhido», «fragmentado».

 

  1. Será que um Cristo parcial tem alguma coisa que ver com o Cristo real?

O certo é que muitas discussões absolutizam tanto um determinado aspecto de Cristo que praticamente excluem outras dimensões do mesmo Cristo.

 

  1. Uns agarram-se a um Cristo só divino, que quase não é humano. Outros exaltam um Jesus apenas humano, que quase não é divino.

Ouvindo uns, Cristo é justiça sem perdão. Escutando outros, Cristo é perdão sem justiça. Uns acham que Cristo é lei. Outros entendem que Cristo é a anulação de todas as leis.

 

  1. Para uns, Cristo é somente passado, sem a menor abertura à renovação.

Para outros, Cristo é unicamente futuro, sem qualquer lugar para a tradição.

 

  1. Enquanto uns consideram que somos uma «Igreja apressada», outros preocupam-se por, supostamente, continuarmos a ser uma «Igreja adiada».

Para uns, Cristo é só liturgia, sem intervenção social. Para outros, Cristo é exclusivamente intervenção social, sem liturgia.

 

  1. Os últimos tempos mostram que a divisão é o grande «tópico», pelo que a unidade se afigura cada vez mais «utópica».

Como facilmente se pode depreender, o mal não está no que se afirma, mas no que se rejeita.

 

  1. Não é bonito que um cristão fale de outro cristão como se de um adversário (ou inimigo) se tratasse. Belo é acolher a diferença como um dom, não como um estigma.

Afinal, Cristo conta com cada um de nós. Todos temos o dever de O «repartir». O que ninguém jamais terá é o direito de O «partir»!

publicado por Theosfera às 10:32

Hoje, 16 de Janeiro, é dia de S. Berardo e seus Companheiros, S. Marcelo e S. José Vaz.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Segunda-feira, 15 de Janeiro de 2018

Hoje, 15 de Janeiro, é dia de Sto. Amaro, S. Plácido, S. Luís Variara, Sto. Arnaldo Jansen, S. Paulo Eremita, S. Remígio e S. Macário o antigo.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Domingo, 14 de Janeiro de 2018

Neste momento de louvor
— de louvor porque estamos em Eucaristia
e de louvor porque, dentro da Eucaristia, estamos em acção de graças —
nós Te bendizemos, Senhor,
por esta tocante celebração
que, mais uma vez, presencializa a Tua presença no mundo,
que, mais uma vez, actualiza a Tua entrega na história
e que, mais uma vez, sinaliza o Teu imenso amor no coração de cada homem.

Mas não queremos, Senhor,
que a Eucaristia seja um momento com princípio e fim.
Queremos, sim, que a Eucaristia envolva toda a nossa vida:
do princípio até ao fim.
Queremos que a Missa gere Missão,
modelando todas as fibras do nosso interior
e lubrificando todas as vértebras da nossa alma.
Por conseguinte, que à Eucaristia sacramental suceda sempre a Eucaristia existencial,
para que nada no nosso ser fique à margem desta grande celebração.

Neste dia, o nosso coração entoa um canto de louvor a Ti, Pai,
que, pelo Teu Filho e pelo Teu Espírito,
nos tocas permanentemente
como se fossem as Tuas mãos delicadas a afagar-nos com carícias etéreas.


Faz de nós testemunhas do Evangelho,
com a mesma intrepidez,
com igual disponibilidade
e sobretudo com idêntica generosidade.


Que nos disponhamos a ser pão
que os outros possam comer.
Que o «ide em paz» ressoe, para nós,
não como uma despedida,
mas como um incessante envio.

Que, pelo nosso testemunho e pela nossa humildade,
todos tenham acesso ao Pão da Vida,
ao Pão do Amor,
ao Pão da Solidariedade,
ao Pão da Paz e da Esperança,
ao Pão que és Tu, Senhor,
e que, através de nós, chegue ao mundo inteiro!

publicado por Theosfera às 11:24

A. Deus também é peregrino do homem

  1. Deus vem. Deus fala. Deus permanece. Vem, fala e permanece desde o princípio. Deus, em Si mesmo, é um mistério de presença, de comunicação e de encontro. É certo que esta clareza nem sempre anula toda a obscuridade. Nem sempre estamos em nós quando Deus vem até nós. Ou talvez estejamos demasiado em nós quando Ele vem até nós.

Muito se tem falado, nos últimos tempos, no silêncio de Deus. São, de facto, muitas as vezes em que Deus está em silêncio. Mas isso não quer dizer que Deus não fale. Deus fala, quase sempre, em silêncio. Pelo que só em silêncio poderemos escutá-Lo. O problema não é, pois, Deus ser silencioso. O problema é Deus estar a ser (por nós) silenciado.

 

2. A contínua atenção de Deus esbarra, quase sempre, com a permanente desatenção do homem. O nosso Deus é um «Deus falante» e, mais concretamente, um «Deus chamante». Deus vem sempre ao nosso encontro e nunca deixa de nos interpelar.

Deus vem quando estamos acordados e vem — ainda mais — para nos acordar quando, como sucedeu a Samuel, estamos a dormir (cf. 1Sam 5, 3). Deus é o despertador da sonolência em que, tantas vezes, nos deixamos cair. Quando procuramos Deus, verificamos que já Deus nos tinha procurado. Quando vamos ao encontro de Deus, notamos que já Deus nos tinha encontrado. No fundo, não é apenas o homem que se torna peregrino de Deus. Deus também Se torna peregrino do homem.

 

B. Que espaço damos a Deus?

 

  1. Na peregrinação que faz pela interioridade humana, Deus não desiste. Deus persiste. Deus é persistente. Como aconteceu com Samuel, também junto de nós Deus chama uma vez, chama duas vezes, chama três vezes, enfim, chama-nos sempre. Nesta procura, não devemos ter medo de pedir ajuda e não devemos hesitar em oferecer ajuda. Samuel recorreu à ajuda de Eli e Eli não negou a sua ajuda a Samuel. Deus serve-Se do homem para chegar ao próprio homem.

Como notou Edward Schillebeeckx, «o homem é a palavra de que Deus Se serve para escrever a Sua história». De dia ou de noite, importa estar atento. Um crente não pode ter as portas fechadas. As portas de um crente têm de estar sempre abertas.

 

  1. A história da salvação não está sobreposta à história da humanidade. A história da salvação acontece na história da humanidade. Como alertou Xavier Zubiri, nem sequer é preciso trazer Deus para dentro do homem porque Deus já lá está. É urgente acolher esta presença e escutar esta voz. O primeiro passo é, pois, deixar Deus falar: «Falai, Senhor, que o Vosso servo escuta» (1Sam 3, 9).

Hoje, as pessoas sentem necessidade de falar, mas não têm grande vontade de escutar. Como todos estão ocupados a falar, como há-de haver disponibilidade para escutar? Resultado: nunca se falou tanto, mas nunca se terá comunicado tão pouco.

 

C. O primeiro passo: escutar

 

  1. A escuta é a primeira atitude do servidor. A oração é o grande alento — e o principal alimento — da missão. Como pode falar de Deus quem não está habituado a escutar Deus? Como pode fazer a vontade de Deus quem não conhece a vontade de Deus?

A missão de Samuel nasce da oração de Samuel, da escuta de Samuel. Os nossos lábios até repetem muitas vezes «seja feita a Vossa vontade» (Mt 6, 10). Mas até que ponto nos disponibilizamos como o salmista: «Aqui estou, Senhor, para fazer a Vossa vontade» (Sal 40, 7)?

 

  1. O nosso fazer é a epifania do nosso ser. E o nosso fazer revela que o nosso ser ainda está muito cheio de nós. O nosso ser ainda permanece muito «egocentrado», muito «ego-sentado». Precisamos de converter o nosso ser para transformar o nosso fazer. É preciso que estejamos mais à escuta e mais alerta. A oração não é um desperdício, é um investimento, um poderoso — e precioso — investimento. É na oração que aprendemos a não agir em nosso nome, mas em nome de Deus.

O Deus que vem e que fala é também um Deus que mostra, um Deus que Se mostra. Jesus é a mostração de Deus. Muitos já tinham escutado Deus, mas ainda ninguém O tinha visto (cf. Jo 1, 18). Jesus é Aquele que deixa ver Deus. Por isso, ao ver passar Jesus, João Baptista encaminha para Jesus, o «Cordeiro de Deus»(Jo 1, 36). Dois dos discípulos de João seguem logo Jesus e querem entrar imediatamente na Sua intimidade.

 

D. Deus não Se fecha a quem se abre

 

  1. Encontramos aqui o verdadeiro significado de discípulo. Discípulo é mais que aluno. Aluno é aquele que ouve o mestre; discípulo é aquele que vive com o mestre. Daí a preocupação de Jesus em escolher doze para andarem com Ele, para viverem com Ele (cf. Mc 3, 14). Estes dois discípulos de João querem conhecer a morada de Jesus como passaporte para conhecerem a vida de Jesus.

Deus nunca Se fecha a quem se abre. Os discípulos perguntam: «Mestre, onde moras?» (Jo 1, 38). E Jesus responde de imediato: «Vinde ver» (Jo 1, 39). Abrir as portas da casa é abrir as portas da vida. Ficar com Jesus é ficar com Deus, donde vem a vida de Jesus. Daí o uso de um verbo que é típico de São João: o verbo «permanecer». Em Jesus, Deus permanece em nós e nós permanecemos em Deus.

 

  1. O Tempo Comum é o tempo para estar com Jesus e o tempo para, em Jesus, estar com Deus. Sucede que o novo corpo de Jesus tem o nome de Igreja, da qual Ele é a cabeça e nós somos membros. A Igreja é a morada de Jesus hoje. Foi Ele quem o garantiu: «Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20). Pertencer à Igreja não é fazer parte de uma organização qualquer. A Igreja não tem luz própria nem vida específica. A luz da Igreja é Cristo. A vida da Igreja só pode ser Cristo. Pelo que pertencer à Igreja é pertencer a Cristo. E, neste sentido, convidar as pessoas para pertencer à Igreja é convidar as pessoas para pertencer a Cristo.

Foi, aliás, o que fez André, um dos discípulos de João que seguiu Jesus. Apesar do relativo adiantado da hora — eram quatro horas da tarde —, foi logo ter com seu irmão Simão e trouxe-o até Jesus (cf. Jo 1, 42). E é tal o impacto do encontro de Jesus com Simão que até o nome é mudado para Cefas, que quer dizer Pedro (cf. Jo 1, 42). Nasce assim uma pessoa nova, prenúncio da missão totalmente nova que iria ter num tempo, também ele, inteiramente novo.

 

E. Nunca em «part-time», sempre em «full-time»

 

  1. A missão é, fundamentalmente, isto: quem se deixa encontrar por Jesus é chamado a levar outros até Jesus. Tal é o segredo na Nova Evangelização: sair para convidar outros a entrar.

Ninguém é obrigado a vir. Mas nós temos a obrigação de ir. Não vamos impor, vamos propor. A evangelização é uma proposta que anela por uma resposta. A proposta tem de chegar a todos: aos de perto, que tantas vezes se sentem longe, e aos longe que anseiam ficar mais perto.

 

  1. São Paulo indica que a evangelização não pode ser feita de qualquer maneira. Afinal, a evangelização é para todos, mas não é para tudo. Paulo convida os cristãos a viverem de uma forma consentânea com o chamamento que Deus lhes fez. Um discípulo não pode sê-lo em «part-time», mas sempre em «full-time». Tal como Deus não Se dá parcialmente, mas inteiramente, também nós somos chamados a dar-nos não parcialmente, mas inteiramente.

A vida de um cristão tem de respirar Cristo, tem de saber a Cristo. Se a nossa vida não souber a Cristo, as nossas palavras não atrairão para Cristo. Não tenhamos medo de nos entregar totalmente a Cristo. Quem por Cristo se perde nunca se perderá. E a todos conquistará!

publicado por Theosfera às 05:38

Hoje, 14 de Janeiro (2º Domingo do Tempo Comum), é dia de S. Félix de Nola, Sta. Macrina a Antiga e S. Pedro Donders.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Sábado, 13 de Janeiro de 2018

Hoje, 13 de Janeiro, é dia de Sto. Hilário de Poitiers (eminente Triadólogo e invocado contra as serpentes), S. Gumersindo e S. Serdieu.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2018

Hoje, 12 de Janeiro, é dia de S. Modesto, S. João de Ravena, S. Bento Biscop, Sto. António Maria Pucci e Sta. Margarida de Bourgeoys.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Quinta-feira, 11 de Janeiro de 2018

Hoje, 11 de Janeiro, é dia de Sto. Higino e S. Vital.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Quarta-feira, 10 de Janeiro de 2018

Hoje, 10 de Janeiro, é dia de S. Gonçalo de Amarante, S. Guilherme de Bourges, Sto. Agatão, Sta. Irmã Francisca de Sales Aviat e S. Gregório de Nissa.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Terça-feira, 09 de Janeiro de 2018
  1. Às vezes, parece que nos resignamos a ser meros «cristãos da tarde», caminhando soturnamente para o ocaso.

Quem nos ouve fica com a sensação de que a «noite» é o nosso inevitável (e único) destino. Não haverá lugar para novas «manhãs»?

 

  1. É certo que a Bíblia nidifica, frequentemente, a nossa existência na «tarde» e na «noite».

Mas sempre com vista para a «manhã».

 

  1. Segundo alguns relatos da criação, o mundo não viaja da manhã para a tarde, mas da tarde para a manhã (cf. Gén 1,1-2,4). É por isso que, para Isaías, a função da sentinela é — na noite — anunciar a chegada da manhã (cf. Is 21, 11-12).

Assim sendo, não será missão do crente proclamar que a «noite» vai adiantada e que o «dia» já reluz (cf. Rom 13, 13)?

 

  1. O nosso mal é que, como assinala Ruy Belo, «já não sabemos donde a luz mana».

Portamo-nos como quem perdeu «a luta da fé; não é que no mais fundo não creiamos, mas não lutamos já firmes e a pé».

 

  1. Precisamos, pois, não só de uma «reforma perene» (de que fala o Vaticano II), mas também de um «renascimento contínuo».

Para Christoph Theobald, não basta que a Igreja esteja «em reforma». É fundamental — e cada vez mais urgente — que constituamos uma «Igreja em nascente», uma «Igreja em permanente gestação».

 

  1. Mais do que a preocupação pelas estruturas, o que tem de avultar é a paixão pelo anúncio de Cristo e pela vida em Cristo.

Tendo em conta que muitos já não vêm à procura, é imperioso que nós vamos ao encontro.

 

  1. Christoph Theobald sugere que apostemos numa «pastoral da visitação». Que batamos às portas e que, em casa das pessoas, promovamos a leitura das Escrituras.

Essa será uma oportunidade para propor uma abertura «à dimensão sacramental da fé em Cristo».

 

  1. É vital recuperar a chama, o viço e o encanto dos começos.

Não podemos apresentar a Igreja como se de uma «carcúndia» entorpecida se tratasse.

 

  1. Há que ser original na transmissão da fé.

E tenhamos presente que ser original não é (necessariamente) afastar-se do que tantos fizeram; até pode ser trilhar o que muitos andaram.

 

  1. Afinal, ser original é ser fiel às origens. É transportar o entusiasmo das origens para o nosso tempo.

Nunca envelhecerá quem, em cada momento, for capaz de renascer!

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Segunda-feira, 08 de Janeiro de 2018

Hoje, 08 de Janeiro (Festa do Baptismo do Senhor e último dia do Tempo do Natal), é dia de S. Pedro Tomás e S. Severino.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Domingo, 07 de Janeiro de 2018

Ainda criança já todos Te procuram.

Até os grandes se ajoelham diante de Ti.

Porque sabem que, na Tua simplicidade,

és rei, rei de amor e de paz.



Como os magos, também nós aqui estamos

e diante de Ti nos prostramos.



Não trazemos ouro, incenso ou mirra.

Transportamos a pobreza da nossa vida,

a simplicidade dos nossos gestos,

a ternura do nosso amor

e a vontade de estarmos conTigo.



Aceita, pois, Jesus Menino,

os nossos presentes,

o presente da nossa presença.



Tu vieste para nós.

Nós nunca queremos afastar-nos de Ti,

de Ti, que és a luz e a paz.



Tu manifestas-Te a todos.

Vieste à Terra

para seres o salvador e irmão de todos os homens.



Em cada um de nós, Tu encontras uma habitação.

Que nós nunca Te esqueçamos.



Fica sempre connosco.

Nós queremos ficar sempre conTigo,

JESUS!

publicado por Theosfera às 10:41

 

A. Ser Deus é ser fiel

  1. Deus cumpre. Em Deus, tudo se cumpre. Podemos, pois, confiar sempre em Deus. De facto, ser Deus é ser fiel. E ser humano, à imagem de Deus, também devia equivaler a ser fiel. Mas mesmo que o homem não seja fiel, Deus permanece fiel «porque não pode negar-Se a Si mesmo»(2Tim 2, 13). O mistério da Encarnação é, por excelência, um mistério de fidelidade.

Ao longo deste tempo de Natal, ouvimos anunciar que «uma virgem conceberá»(Is 7, 14) e, de facto, a Virgem concebeu (cf. Lc 1, 31-38). Também ouvimos vaticinar que seria de Belém, terra de Judá, que iria sair o Pastor de Israel (cf, Miq 5, 1). E, na verdade, foi em Belém que Jesus nasceu (cf. Mt 5, 1). Acabamos de ouvir falar dos que haviam de vir de longe para cantar as glórias do Senhor (cf. Is 60, 1-6). E eis que o Evangelho nos reporta a vinda de pessoas que, efectivamente, vêm de muito longe procurar o Senhor (cf. Mt 2, 1).

 

  1. Afinal, o Deus que nos procura também Se deixa procurar, o Deus que nos visita também Se deixa visitar, o Deus que vem ao nosso encontro também Se deixa encontrar. Ele vem ao encontro de todos e todos são convidados a ir ao encontro d’Ele: os de perto, como os pastores (cf. Lc 2, 16) e os de longe, como os magos (cf. Mt 2, 1).

Como bem notou S. Paulo, todos, em Cristo Jesus, «pertencem ao mesmo Corpo e beneficiam da mesma Promessa»(Ef 3, 6). Caem pois os muros, só ficam as pontes. Todos estamos ligados a todos através do Pontífice, isto é, d’Aquele que faz as pontes: o próprio Jesus.

 

B. Número, nome e condição dos mago

 

3. O Evangelho, com extrema parcimónia, apresenta-nos «uns magos»(Mt 2, 1). Não refere nem o seu número nem o seu nome. Nem sequer diz que seriam reis, assim chamados talvez pela alusão que o Salmo 72 faz aos reis que viriam pagar tributo e oferecer presentes (cf. Sal 72, 10). A designação de magos não se reporta seguramente a artes mágicas, mas ao estudo dos astros.

Cedo, porém, a tradição entrou em campo. Quanto ao número, foi fácil chegar a três por causa dos presentes que levaram: ouro, incenso e mirra (cf. Mt 2, 11). Ouro porque aquele Menino era Rei, incenso porque aquele Menino era Deus e mirra porque aquele Menino iria ser Mártir. Remontará a esta oferta o costume de dar presentes nesta época natalícia. No que respeita à identidade dos magos, há um evangelho apócrifo arménio, datado do século VI, que refere o nome, a condição e a proveniência. Assim, Baltasar seria rei da Arábia, Gaspar seria rei da Índia e Melchior seria rei da Pérsia. Tal escrito também diz que seriam irmãos e que a viagem que fizeram teria demorado nove meses, chegando a Belém na altura do nascimento de Jesus.

 

  1. É claro que estes dados são fantasiosos, mas o certo é que se tornaram muito populares. Até um homem culto como S. Beda Venerável dá voz, no século VIII, a pormenores que já estariam muito difundidos. Segundo um dos seus escritos, «Melchior era velho de 70 anos, de cabelos e barbas brancas. Gaspar era jovem, de 20 anos, robusto. E Baltasar era mouro, de barba cerrada e com 40 anos».

De acordo com uma tradição medieval, os magos ter-se-iam reencontrado quase 50 anos depois de terem estado com Jesus, em Sewa, na Turquia, onde viriam a falecer. Mais tarde, os seus corpos teriam sido levados para Milão, onde teriam permanecido até ao século XII, quando o imperador alemão Frederico terá trasladado os seus restos mortais para Colónia.

 

C. Um mistério de mostração

 

5. Acerca da estrela que viram, também tem havido não poucos palpites. Muitos têm identificado aquela estrela com o cometa Halley, que foi visto por volta dos anos 12-11 a.C. Também poderia ser uma luz resultante da tríplice conjunção de Júpiter e Saturno na constelação de Peixes, ocorrida em 7 a.C. Há ainda quem fale de uma «nova» ou «supernova», visível por volta dos anos 5-4 a.C.

Esta estrela pode ser vista como um símbolo messiânico insinuado já no livro dos Números, quando o Balaão diz que «um astro procedente de Jacob se torna chefe»(Núm 24,17). Também Isaías garante que «o povo que andava nas trevas viu uma grande luz, uma luz raiou para os que habitavam uma terra sombria»(Is 9, 1).

 

  1. A verdadeira luz é o próprio Jesus. Ele mesmo Se apresentará como a luz do mundo (cf. Jo 8, 12). O Concílio Vaticano II proclama que «a luz dos povos é Cristo». Jesus é uma luz que nunca deixa de brilhar. Mas essa luz só é acessível a olhares lisos e limpos. Só quem for puro e transparente conseguirá ver esta luz. Herodes não viu esta luz porque não queria deixar-se iluminar: estava corroído pela inveja e dominado pelo poder (cf. Mat 2, 7-17).

A Epifania é, toda ela, uma festa de luz, de uma luz que ilumina toda a terra. Esta festa autentica a universalidade da missão de Jesus. Jesus manifesta-Se a todos, dá-Se a conhecer a todos. E a manifestação é essencialmente uma automanifestação. Em Jesus, Deus manifesta-Se a Si mesmo, dá-Se a conhecer a Si mesmo. A Epifania não é, portanto, um mistério de demonstração, mas de mostração. E Deus mostra-Se de uma forma disponível, despojada e encantadoramente humilde.

 

D. Uma festa que chegou a englobar o Natal

 

7. Aliás, é o que depreende do magnífico conto de Sophia de Mello Breyner. Baltasar, em nome dos outros magos, foi consultar os homens da ciência e da política para que lhes dissessem onde estava o «Rei dos Judeus» (cf. Mt 2, 2). Decepcionado com a resposta, virou-se para os homens da religião. É que encontrara um altar dedicado ao «deus dos poderosos», outro ao «deus da terra fértil» e outro ao «deus da sabedoria». Insatisfeito de novo, perguntou aos sacerdotes pelo «deus dos humilhados e dos oprimidos». Resposta dos sacerdotes: «Desse deus nada sabemos». Então Baltasar subiu ao terraço e «viu a carne do sofrimento, o rosto da humilhação». Deus estava ali, o Deus que os sacerdotes desconheciam.

Deus está, desde os começos, nos humilhados e oprimidos (cf. Mt 25, 40). E foram muitos os que, também desde os começos, O encontraram na humildade e entre as vítimas da opressão.

 

  1. Não espantará, assim, que esta seja uma festa muito antiga, mais antiga que o próprio Natal. Aliás, houve uma altura em que a Epifania englobava também a celebração do nascimento de Jesus. De facto, não há notícia de qualquer festa específica do Natal nos três primeiros séculos. A primeira vez que o Natal é mencionado no dia 25 de Dezembro é no ano 354.

Como sabemos, não é conhecido o dia exacto do nascimento de Jesus. S. Clemente de Alexandria indica que uns celebravam o Natal a 28 de Março, outros a 19 ou 20 de Abril, outros a 20 de Maio ou, então, na festa da Epifania. A opção por 25 de Dezembro deveu-se ao facto de, nessa altura, se celebrar em Roma a festa do «Sol invicto». Uma vez que o verdadeiro sol é Cristo, os cristãos optaram por cristianizar esta festa pagã, celebrando nela o nascimento do Salvador.

 

E. Um misto de aceitação, rejeição e indiferença

 

9. No Oriente, criou-se a 6 de Janeiro a festa da Epifania, cujo conteúdo era inicialmente variável conforme as regiões: nascimento de Jesus, bodas de Caná, Baptismo de Jesus. Muito depressa, ainda no século IV, o Ocidente acolheu a festa da Epifania, mas deu-lhe, sobretudo em Roma e no Norte de África, um conteúdo inteiramente novo: a adoração dos magos.

Foi esta evolução que ditou a actual estrutura do Tempo do Natal: Natal a 25 de Dezembro, Epifania a 6 de Janeiro e Baptismo do Senhor no Domingo depois da Epifania. No fundo, entre o Natal e a Epifania há um intercâmbio de significado. Celebra-se o mesmo em ambos os casos: a manifestação de Deus aos homens. No Natal e na Epifania, celebramos portanto a mesma Teofania.

 

  1. Mistério de luz e humildade, a Epifania envolve igualmente um misto de aceitação, indiferença e rejeição. Jesus começa, desde o início, a ser adorado e a ser rejeitado. Diante de Jesus, diferentes personalidades assumem diferentes atitudes, que vão desde a adoração (os magos), até à rejeição total (Herodes), passando pela indiferença. Esta última é a atitude dos sacerdotes e dos escribas, que não se preocupam em ir ao encontro desse Messias que eles bem conheciam dos textos sagrados.

Não basta, com efeito, conhecer Jesus, é fundamental ir ao encontro d’Ele para O anunciar. Uma vez que Ele Se dá totalmente, é de esperar que também nos demos inteiramente. Ele vem para mudar os nossos passos. Por isso é que os magos regressaram à sua terra por outro caminho (cf. Mt 2, 12). Quando nos encontramos com Jesus, que é o caminho (cf. Jo 14, 6), os nossos caminhos são outros. Transformemos, então, a nossa vida. Convertamo-nos Àquele que Se converteu a nós, Àquele que Se fez um de nós. Se Deus veio ao nosso encontro, não deixemos, também nós, de ir ao encontro de Deus. E, em Deus, procuremos ir ao encontro de todos!

publicado por Theosfera às 05:44

Hoje, 07 de Janeiro (Solenidade da Epifania do Senhor e Jornada Mundial da Infância Missionária), é dia de S. Luciano, S. Raimundo de Penhaforte e Sta. Maria Teresa Haze.

Um santo e abençoado dia para todos.

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Sábado, 06 de Janeiro de 2018

Hoje, 06 de Janeiro, é dia de Sto. André Bessette e Sta. Rafaela Maria.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Sexta-feira, 05 de Janeiro de 2018

Hoje, 05 de Janeiro, é dia de S. Simeão Estilita, S. Telésfero, S. João Neponucemo, Sta. Maria Repetto e S. Pedro Bonilli.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Quinta-feira, 04 de Janeiro de 2018

Hoje, 04 de Janeiro, é dia de Sta. Isabel Ana Seton e Sta. Ângela de Foligno.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Quarta-feira, 03 de Janeiro de 2018

Hoje, 03 de Janeiro, é dia do Santíssimo Nome de Jesus, S. Fulgêncio de Ruspas, Sta. Genoveva de Paris, Sto. Antero e S. Ciríaco Elias Chavara.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Terça-feira, 02 de Janeiro de 2018

 

    1. O país começa, finalmente, a descobrir os prejuízos trazidos pelo esquecimento do interior.

    Será que nós, cristãos, já estaremos disponíveis para reparar os malefícios provocados por um prolongado desinvestimento no nosso interior?

     

    1. A recente criação de um «Movimento pelo Interior» constitui, desde logo, uma poderosa chamada de atenção.

    Ele faz avultar a percepção de que, com o abandono do interior, não é só o interior que é afectado; é todo o país que se sente atingido.

     

    1. Daí que o «Movimento pelo Interior» tenha sido lançado a pensar não apenas no interior, mas na totalidade do país.

    Ele nasceu não para defender uma parcela territorial, mas — como, aliás, é dito na apresentação — para promover a «coesão» nacional.

     

    1. O país vai-se apercebendo de que não cresce quando a densidade do interior (sobretudo em população) é incomparavelmente menor que a do litoral. Os actuais residentes parecem ser os últimos «resistentes».

    Quando é que nós, cristãos, compreenderemos que a nossa densidade interior continua a ser assustadoramente baixa?

     

    1. Não terá chegado a hora de nós, cristãos, apostarmos também num «Movimento pelo Interior»?

    Já teremos advertido que, sem interior, estamos incompletos e, nessa medida, debilitados?

     

    1. Será que já tomamos consciência de que a missão tem início no Filho que está no interior do Pai (cf. Jo 1, 18)?

    A missão só é inteira quando nos eleva ao interior do Pai e nos leva ao interior dos irmãos.

     

    1. Acontece que a missão que realizamos estaciona, quase sempre, no exterior.

    Não entramos em nós, não entramos nos outros e acabamos por não contribuir para que os outros entrem em nós. Como havemos de ajudar a entrar em Deus?

     

    1. A acção exterior só faz sentido a partir de uma vivência interior.

    Não será que muito do que fazemos é expressão do que não vivemos nem ajudamos a viver?

     

    1. Os nossos ajuntamentos conduzirão sempre ao encontro? A missão nunca é total quando não cuidamos da regeneração espiritual.

    Não correremos o risco de subtrair às pessoas o que as pessoas mais procuram, isto é, «o caminho da interioridade» (Christoph Theobald)?

     

    1. Como alertam Agnès de Matteo e Xavier Amherdt, não permitamos que a pastoral deixe escapar a espiritualidade.

    E tenhamos sempre presente que o mais importante não é o que levamos; é Aquele que ajudamos a encontrar!

publicado por Theosfera às 11:01

Hoje, 02 de Janeiro, é dia de S. Basílio Magno e S. Gregório Nazianzeno.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:39

Segunda-feira, 01 de Janeiro de 2018

Estamos a chegar ao fim do início de 2018.

O tempo é um enigma dificilmente decifrável.

O mais distante, afinal, está muito próximo.

O princípio e o fim tocam-se com uma intimidade (quase) intimidante.

Uma fracção de segundo nos trouxe de 2017 para 2018.

A primeira parcela das 365 fatias deste ano já está praticamente consumida.

Como diria Churchill, não é o fim nem o princípio do fim; é apenas o fim do princípio.

Em suma, o fim já começou. Desde o princípio!

publicado por Theosfera às 16:52

Ao colo está um Menino que para cada um sorri e a todos diz: «CoMigo tereis um ano inteiro feliz».

Feliz Ano Novo então. Sempre com Jesus no coração!

Ano Novo.jpg

 

publicado por Theosfera às 13:48

Que ao longo deste ano, que hoje começa

nós queiramos ser

construtores da paz,

peregrinos da esperança,

arautos da Boa Nova,

testemunhas da verdade,

promotores da justiça,

semeadores do perdão,

paladinos da liberdade

e anunciadores da salvação.

 

Que, ao longo deste ano, nos encontres, Senhor,

mais atentos à Tua presença,

mais comprometidos com a Tua Palavra,

mais iluminados pela Tua luz,

mais fortalecidos pelo Teu Espírito

e mais inundados — por dentro e por fora — pela Tua infinita paz!

 

Que tudo isto não seja só o nosso sonho, mas também o nosso projecto.

Não só o nosso desejo, mas também o nosso esforço.

Não só o nosso horizonte longínquo, mas também o nosso empenhamento constante.

 

Pedimos-Te, Senhor,

que a santidade seja o nosso objectivo,

que a fé seja a nossa prioridade,

que a oração seja o ar que absorvemos,

que o silêncio seja a atmosfera que aspiramos

e que o Mandamento Novo seja a nossa eterna Lei!

 

Concede-nos

que o Teu rosto ilumine os nossos olhos,

que a Tua Palavra resplandeça em nossos lábios,

que o Teu exemplo desinstale o nosso ser

e que a Tua Vida transforme a nossa própria vida!

 

A Ti, Senhor, queremos agradecer,

em Ti, Senhor, queremos permanecer,

conTigo, Senhor, queremos gritar:

 

«Nunca mais a guerra!

Nunca mais o ódio!

Nunca mais a violência e a injustiça!».

 

Contamos conTigo,

conta connosco também

para fazermos deste ano

um passo em frente

na construção de um mundo melhor,

de um mundo onde não haja grandes nem pequenos,

onde todos se sintam irmãos,

onde só Tu sejas Senhor,

pois o Teu senhorio

é a garantia mais segura

de que a humanidade

ainda pode ser uma única família,

um imenso povo de irmãos!

publicado por Theosfera às 11:39

Senhora do Ano Novo,

olha por este Teu povo.

Acompanha-nos a cada instante,

com o Teu amor fiel, constante.

 

Senhor do Ano Bom,

enche os nossos ouvidos com o Teu som,

com o som do Teu sim,

com o Teu amor sem fim.

 

Senhora de cada dia,

acende em nós a alegria.

Transforma-nos por inteiro

desde o início de Janeiro.

 

Todo o ano será diferente

na vida de toda a gente

se nos guiarmos pelo brilho

da luz que é Teu Filho.

 

Senhora da vida nova,

o nosso coração renova.

Que nunca de Te louvar nos cansemos

e que a Tua bondade imitemos.

 

Do corpo de Teu Filho

cada um de nós é membro.

Que o Seu Evangelho nos guie

dia a dia, até Dezembro.

 

Senhora do silêncio,

que tudo guardas no coração.

Ensina-nos a vencer o mal

e a crescer na mansidão.

  

Senhora que nos assistes

nas horas alegres e nos momentos tristes,

afaga-nos com a Tua mão,

sê para todos amparo e consolação.

 

Pedimos-Te não só saúde,

conforto e prosperidade.

Rogamos que a nossa vida mude

e que prospere sobretudo em santidade.

 

Senhora da compaixão,

Mãe do amor e do perdão,

aconchega os que estão sós,

os que, de tanto soluçar, ficam sem voz.

 

Senhora silenciosa,

ouve a nossa prece dolorosa:

que acabe de vez a guerra,

que venha a paz para toda a terra!

publicado por Theosfera às 11:35

 

 

A. Não comecemos a desistir e nunca desistamos de começar

  1. Nestas alturas, é praticamente impossível ser original. Como notava Terêncio, «não se diz nada que já não tenha sido dito». As palavras parecem sempre velhas, mesmo quando falam do que é novo. Que esperar, então, do ano novo?

Após os desejos habituais, eis que nos preparamos para as amargas desilusões de sempre. À primeira vista, já nenhum ano parece ser novo. A própria palavra «novo» é bem antiga. Há quantos séculos não anda a humanidade a desenhar promessas de novidade?

 

  1. Por vezes, a vontade de desistir é grande. Mas é precisamente por isso que a determinação de persistir tem de ser ainda maior. Afinal e como dizia Sto. Agostinho, «é quando parece que tudo acaba que tudo verdadeiramente começa». Na vida, são muitas as situações em que tudo parece que vai acabar. Na vida, são muitos os momentos em que temos de ganhar forças para recomeçar.

O início de um ano sinaliza que a vida é um recomeço constante. Há 12 meses, também estávamos a começar um ano. Há 24 e há 36 meses, estávamos igualmente a começar outros anos. O que jamais podemos é desistir: não comecemos a desistir e nunca desistamos de começar.

 

B. Um dia para Jesus, um dia com Maria

 

    1. Começamos cada ano com os ouvidos a captar os ecos do Natal. Aliás, hoje ainda é Dia de Natal. Como sabemos, cada dia tem 24 horas. Mas há um dia — em Outubro — com 25 e outro dia — em Março — com 23 horas. E, depois, há o dia de Páscoa e este dia de Natal, com 192 horas. Não é engano, é a verdade. O Natal, como a Páscoa, é um dia com 192 horas. É um dia que se estende por oito dias, até hoje, 01 de Janeiro. A este dia com oito dias chama-se Oitava. É por isso que nunca deveríamos perguntar, como certamente perguntamos nos últimos dias, «Como foi o teu Natal?» ou «Como foi esse Natal?». É que, de facto, o Natal não «foi», o Natal «é», o Natal nunca deixa de ser. O Natal é uma manhã sem ocaso, é um começo sem fim.
Como acabamos de escutar, foi na Oitava do Natal — ou seja, oito dias após o Seu nascimento — que o Menino recebeu o nome de Jesus (cf. Lc 2, 21). Daí que, durante muitos anos, este fosse também o dia da festa do Santíssimo Nome de Jesus. Entretanto, o Tempo Litúrgico do Natal não acaba nesta Oitava. Ele só termina com a festa do Baptismo do Senhor, que este ano ocorrerá a 08 de Janeiro. Mas, no fundo, é sempre tempo de Natal. O Natal está no tempo para que possa estar na vida, para que possa estar na nossa vida no tempo.

 

  1. É, então, a Jesus que entregamos este nosso novo percurso no tempo, que queremos percorrer também na companhia de Maria, que tudo — e a todos — guarda em Seu coração (cf. Lc 2, 19). Com D. António Couto, saudámo-La, hoje, como «Senhora e Mãe de Janeiro, do Dia Primeiro e do Ano inteiro». Diante d’Ela nos sentimos «tão cheios de coisas e tão vazios de nós mesmos e de humanidade e divindade» Apesar de nos faltar muita coisa, ainda temos bastante. Falta-nos, porém, o essencial: «a simplicidade e a alegria» de Maria. Mas Maria está connosco, está connosco como Mãe.

Hoje ocorre a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus. Sendo Mãe de Cristo e sendo Cristo o Filho de Deus, os cristãos cedo perceberam que Maria era Mãe de Deus. Não era só Mãe do homem Jesus, mas Mãe do Filho de Deus que encarnou em Jesus. O Concílio de Éfeso oficializou esta doutrina em 431. S. Cirilo de Alexandria já tinha tornado tudo muito claro: «Se Nosso Senhor Jesus Cristo é Deus e se a Virgem Santa O deu à luz, então Ela tornou-Se a Mãe de Deus».

 

C. A paz tem um nome: Jesus

 

5. Foi por Maria que Jesus veio até nós. Será sempre com Maria que nós iremos até Jesus. Aquela que nos dá Jesus é sempre a melhor condutora para irmos ao encontro de Jesus. Façamos, portanto, como os pastores. Como os pastores, corramos (cf. Lc 2, 16). Procuremos ir depressa, sem demora, ao encontro de Jesus. O encontro com Jesus terá de ser sempre a prioridade da nossa vida e o centro da missão na vida.

Em Jesus, oferecido por Maria, encontramos o que mais procuramos para nós e o que mais desejamos para o mundo: a paz. Jesus não é apenas o portador da paz. Ele próprio é a paz hipostasiada. Aliás, é assim que o Messias é descrito por Miqueias: «Ele será a paz»(Miq 5, 5). Isaías apresenta o Menino «que nos nasceu» como o «príncipe da paz»(Is 9, 6). Por sua vez, os salmos apontam os tempos messiânicos como sendo marcados por uma grande paz (cf. Sal 72, 7).

 

  1. Não espanta, por isso, que, no século V, S. Leão Magno tenha dito que «o nascimento de Cristo é o nascimento da paz». De facto e como reconhece S. Paulo, Cristo «é a nossa paz»(Ef 2, 14). É aquele que derruba todos os muros de separação e que de todos os povos faz um só povo (cf. Ef 2, 14). Trata-se de uma paz única, sem paralelo. O próprio Jesus viria a dizer que a Sua paz era diferente: «Deixo-vos a paz, dou-vos a Minha paz; não vo-la dou como o mundo a dá»(Jo 14, 27).

É neste sentido que o Concílio Vaticano II recorda que a paz é muito mais do que a mera ausência de guerra. De resto, a ausência de guerra é, muitas vezes, ocupada com a preparação para a guerra. A paz é mais do que «pax», que, segundo os antigos romanos, resultava da negociação entre as partes desavindas. As partes continuavam desavindas, apenas não entravam em conflito. Semelhante é o conceito veiculado pelo grego «eirene». A paz, para os gregos da antiguidade, é uma tentativa de harmonia entre forças contrárias. As forças permanecem contrárias, unicamente não avançam para o combate.

 

D. Para estar no mundo, a paz tem de estar em cada pessoa

 

7. O hebraico «shalom» contém muito mais. A paz, aqui, é anterior a qualquer esforço humano. É um dom de Deus que faz o homem sentir-se completo, integral. É por isso que a paz só estará no mundo se estiver em cada pessoa que há no mundo. Antes da negociação, é fundamental pugnar pela conversão à paz. Jesus, no Sermão da Montanha, considera felizes os construtores da paz. Só eles serão «chamados filhos de Deus»(Mt 5, 9).

Importa perceber que o primeiro sinal de Deus é a paz. Quando Deus vem à terra em forma de criança, os enviados celestes entoam um cântico que diz tudo: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra» (Lc 2, 14). A paz desponta, assim, como o grande indicador de que Deus já está entre nós.

 

  1. Desde 1968, o dia de ano novo tornou-se também o Dia Mundial da Paz. Pretendia Paulo VI colher inspiração na invocação que, neste dia, se faz de Jesus e de Maria: «Estas santas e suaves comemorações devem projectar a sua luz de bondade, de sabedoria e de esperança sobre o modo de pedirmos, de meditarmos e de promovermos o grande e desejado dom da paz, de que o mundo tem tanta necessidade». Com aquele grande Papa, pedimos para que «seja a paz, com o seu justo e benéfico equilíbrio, a dominar o processamento da história no futuro».

Para 2018, assinalando o 51º Dia Mundial da Paz, o Papa Francisco propõe um tema de suma pertinência: «Migrantes e refugiados, homens e mulheres em busca de paz». Não esqueçamos que a Sagrada Família também experimentou o desterro. Jesus, Maria e José também foram refugiados. É por isso que não podemos ser indiferentes à situação dos mais de 22 milhões de refugiados que há no mundo. Do mesmo modo, temos de olhar para os 250 milhões de migrantes espalhados pela terra. Muitos deles são portugueses. Ninguém pode ser considerado estrangeiro. Deus não entregou uma pátria aos seus cidadãos; Deus entregou a terra (toda a terra) aos homens (a todos os homens). Neste sentido e como recomenda o Santo Padre, é urgente que saibamos acolher, proteger, promover e integrar todas pessoas. Venham donde vierem, são nossos irmãos.

 

E. Antes de mais, importa atingir o zero

 

9. Afinal, ainda há aspectos onde nem sequer atingimos o «grau zero» de humanidade. Ainda há aspectos onde nos encontramos abaixo de zero. E abaixo de zero, tudo é negativo, tudo é negação. Como pode haver paz no mundo se no mundo não há justiça nem respeito pela dignidade humana? Temos, pois, um longo caminho a percorrer. Temos muito que fazer ou, como diria Sebastião da Gama, «temos muito que amar».

Diante dos que vaticinam o iminente fim da história, é importante começar com urgência uma história de re-humanização do mundo. Sim, porque a humanidade ainda consegue ser muito não-humana, muito desumana. Para re-humanizar o mundo, diria que duas são as coisas que têm de acabar já: a guerra e a fome. Consequentemente, duas têm de ser as coisas que importa assegurar desde já: paz para todos e pão para cada um. Para re-humanizar cada pessoa que há no mundo, duas são também as coisas a que urge pôr fim: egoísmo e violência. E duas serão igualmente as coisas que é imperioso introduzir: solidariedade e educação.

 

  1. Neste início de ano, acolhamos o olhar com que Deus nos presenteia e a paz que Ele benevolamente nos concede (cf. Núm 6, 26). Não esqueçamos que o lugar onde a paz mais se decide é o nosso interior. Se o nosso interior não for indiferente, o nosso exterior começará a ser diferente. E a verdadeira novidade descerá à terra.

O novo ano pode nem ser melhor, mas nós podemos ser melhores no ano novo. Não é o ano novo que faz a vida nova. Só uma vida nova fará o ano novo. Só uma vida nova trará o tempo novo, o mundo novo!

publicado por Theosfera às 05:47

Hoje, 01 de Janeiro (início de um novo ano e dia mundial da paz), é dia de Santa Maria, Mãe de Deus, S. Vicente Maria Strambi e S. José Maria Tomasi.

Um santo e abençoado dia de Natal para todos!

publicado por Theosfera às 01:05

Domingo, 31 de Dezembro de 2017

Natal é a noite, mas é também o dia.

 

Natal é o frio, mas é também o calor.

 

Natal é Jesus, Natal é a família,

Natal é a humanidade e Natal também és tu.

 

Não fiques à espera do Natal,

sê tu mesmo o melhor Natal para os outros.

 

O Natal não terminou no dia 25.

Constrói, por isso, um Natal para todo o ano,

para toda a vida.

 

Tu és o Natal

que Deus desenhou e soube construir.

 

É por ti que Deus hoje continua a vir ao mundo.

É em ti que Ele também renasce.

 

Sê, pois, um Natal de esperança,

de sorriso e de abraços,

de aconchego e doação.

 

Também podes ser um Natal com algumas lágrimas.

São elas que, tantas vezes, selam o reencontro e sinalizam a amizade.

 

Eu vejo o Natal no teu olhar, no teu rosto, no teu coração,

na tua alma, em toda a tua vida.

 

Há tanta coisa de bom e de belo em ti.

Tanta coisa que Deus semeou no teu ser.

 

Descobre essa riqueza, celebra tanta surpresa,

partilha com os outros o bem que está no fundo de ti.

 

Diz aos teus familiares que os amas,

aos teus amigos que gostas deles,

aos que te ajudam como lhes estás agradecido.

 

Não recuses ser Natal junto de ninguém. Procura fazer alguém feliz.

 

Não apagues a luz que Deus acendeu em ti.

Deixa brilhar em ti a estrela da bondade e deixa atrás de ti um rasto de paz.

 

Que continues a ter um bom Natal.

A partir de agora. Desde já. E para sempre!

publicado por Theosfera às 10:44

Hoje é o dia da Sagrada Família.
José, Maria e Jesus formaram uma família humilde.
O ambiente era de paz. Não se falava muito. Escutava-se bastante.
Havia uma sabedoria feita de subtileza e adornada pela simplicidade.
Uma oração por todas as famílias. Para que o mundo seja uma grande família. E para que cada família se capacite de que é um pequeno mund
Qual o segredo? Que cada um se assuma como é. Que todos sejam amados como são.
Que haja autenticidade e nunca traição. O brilho dos olhos de uma criança será sempre o melhor certificado do amor de seus pais!

Para a família, não há soluções prévias nem receitas impostas. Há caminhos.
Às vezes, falar é decisivo. Outras vezes, calar é fundamental.
Viver em família é uma arte, uma permanente descoberta.
Cada dia é uma novidade. É preciso saber admirar o outro. E é necessário também aprender a suportar o outro.
Não há escola para viver em família. A família é a melhor escola para si mesma.
O dia mais importante é hoje. Cada momento é uma etapa, sem a qual o caminho fica inconcluído e a obra interminada.
Um abraço de admiração a todas as famílias!

publicado por Theosfera às 10:41

 

A. Deus vem ao mundo através de uma família

  1. Dizem — e não é mentira — que o Natal é a Festa da Família. De facto, sendo a festa do nascimento de Jesus, o Natal é, por inerência, a festa da família de Jesus. E é, por extensão, a festa da nossa família com Jesus.

Curiosamente, houve uma altura em que se pretendeu sobrepor a Festa da Família à Festa do Nascimento de Jesus. Apenas uma semana após a revolução de 5 de Outubro de 1910, foi promulgado um decreto que estabelecia que o 25 de Dezembro deixasse de ser a comemoração do nascimento de Jesus para passar a ser somente o dia da Festa da Família. Só que o bom povo, na sua sábia coragem e na sua corajosa sabedoria, nunca deixou de celebrar — em família! — o nascimento de Jesus.

 

  1. A família não esvazia o Natal e o Natal não esvazia a família. A família oferece o ambiente natural para o Natal e o Natal oferece o sentido sobrenatural para a família. A família fica mais cheia na quadra do Natal e fica mais preenchida com o mistério do Natal. Afinal, que nos mostra o Natal? Essencialmente, mostra-nos Jesus, mostra-nos Maria e mostra-nos José. Ou seja, mostra-nos uma família.

Deus quis entrar no mundo através de uma família, através de uma família formada por um homem e por uma mulher. É esta a família que Deus quer, a família que Deus criou. Nos relatos da criação, diz-se expressamente que, quando Deus criou o homem à Sua imagem e semelhança, criou o homem e a mulher (cf. Gén 1, 26). É por tal motivo que o homem deixa pai e mãe para se unir à sua esposa passando os dois a ser uma só carne (cf. Gén 2, 24). Jesus retoma e confirma este desígnio primordial recomendando: «Não separe o homem o que Deus uniu»(Mc 10, 9). Estão aqui consignadas as propriedades essenciais do matrimónio: unidade e indissolubilidade com a consequente abertura à geração de vida.

 

B. A família é uma criação divina

 

3. A família não é, portanto, uma invenção humana, mas uma criação divina. Aliás, o próprio Deus é uma família composta pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo.

Tal como sucede na família divina, também na família humana não há — ou não devia haver — superiores nem inferiores. Tal como o Pai não é mais que o Filho e o Espírito Santo, também o marido não é mais que a esposa. Tal como os membros da família divina têm igual divindade, também os membros da família humana possuem igual humanidade.

 

  1. Jesus elevou a união entre o homem e a mulher à dignidade de Sacramento. Ou seja, deu a esta união um valor sagrado. Também no matrimónio, a iniciativa é de Deus. É Deus, que a todos chama à vida e à fé, que também chama alguns ao matrimónio.

Nós acreditamos que, sem obviamente contender com a liberdade de cada um, é Deus quem coloca este homem no caminho daquela mulher e esta mulher no caminho daquele homem. Na celebração do Matrimónio, os dois formalizam a sua resposta à proposta de Deus.

 

C. Os problemas existem para serem vencidos, não para (nos) vencerem

 

5. Não faltam, hoje em dia, atentados contra a família: atentados no exterior e atentados no interior. O Estado e a sociedade não apoiam devidamente a família, mas será que a família se apoia adequadamente a si mesma? O Estado e a sociedade não são amigos da família, mas será que a família é amiga da própria família?

Além do flagelo do desemprego, há ainda o drama por causa de muitos empregos. Há esposos que são obrigados a estar longe um do outro. Há pais que são obrigados a passar a maior parte do tempo fora dos filhos. Resultado: há famílias onde não há praticamente nenhuma vida familiar. E sem vida familiar poderá dizer-se que há família?

 

  1. Actualmente, por cada 100 famílias que se constituem, há cerca de 70 famílias que se desfazem. E antes de se desfazer, há muitas famílias que se vão destruindo. A violência doméstica não pára de crescer. Em vez de ser uma alternativa de paz aos conflitos que há no mundo, a família parece ser o rastilho que incendeia muitos desses conflitos.

Em relação à família, também parece haver partidários da «solução final». Há quem pense que a única maneira de acabar com os problemas na família é acabar com a própria família. Seria bom que percebêssemos que, às vezes, recuar é a maneira mais inteligente de avançar. Quando a situação é complicada, um irreflectido passo em frente pode ser um passo para o abismo. É preciso aprender a esperar para discernir. Às vezes, é quando parece que tudo acaba que tudo verdadeiramente (re)começa. Afinal, os problemas existem não para nos vencerem, mas para serem vencidos por nós…com a ajuda de Deus.

 

D. O dia mais importante para a família

 

7. Vou confiar-vos um segredo. O segredo para que uma família se fortaleça consiste em valorizar cada pessoa e cada momento da convivência entre as pessoas. O dia mais importante para a família não é só o dia do casamento. Esse foi o dia do início da família. Mas a família não tem importância só quando começa. Uma família é sempre importante. Por isso, o dia mais importante para a família é «hoje», o «hoje» de cada dia. Eu atrever-me-ia a dizer que nem a morte põe fim à família, nem a morte termina com os laços gerados em família. Um filho que vê morrer o seu pai considera-se sempre filho desse pai. E uma mãe que vê morrer a sua filha não se considera sempre mãe daquela filha?

Queridas famílias, valorizai o dom de cada dia. Ao acordar pela manhã, dizei uns aos outros: «Hoje é o dia mais importante da nossa vida». E, no dia seguinte, voltai a dizer: «Hoje é o dia mais importante para a nossa família».

 

  1. Em cada hoje, há coisas pequenas que podem ter um resultado muito grande. Procurai dar valor aos pequenos gestos, às pequenas palavras e até aos pequenos silêncios. Sim, a família é o espaço por excelência do diálogo, mas também deve ser um lugar privilegiado para o silêncio. Como reconheceu Paulo VI, a Sagrada Família de Nazaré oferece-nos uma interpelante lição de silêncio. Às vezes, ficar calado pode ajudar muito. Pelo menos, pode ajudar a não agravar certos problemas. Há palavras que não só não resolvem como ainda complicam. Há palavras que magoam e que chegam a agredir mais do que certas agressões. Perante alguém que diz muito e muito alto, não dizer nada pode ser o melhor contributo para restaurar a paz e repor a serenidade.

Todos gostam de ter razão, mas eu diria com S. Paulo que mais importante do que ter razão é ter «bondade, humildade, mansidão e paciência»(Col 3, 12). Quando tivermos de falar, não nos limitemos a repreender e a exigir. Procuremos saber também agradecer e elogiar. Como tem dito o Papa Francisco, expressões simples como «obrigado», «com licença», «faça o favor» ou «desculpe» podem ter um efeito extraordinário para o presente e para o futuro da família. Pedir perdão não é um acto de fraqueza. É uma demonstração de força que acaba por fortalecer a família.

 

E. A maior riqueza da família

 

9. É sabido que as famílias, hoje, não têm tempo. Gastam tempo para ter uma casa e depois acabam por não ter tempo para estar em casa. Mas, se não existe o tempo ideal, que a família, ao menos, aproveite o tempo real, o tempo possível, o tempo disponível: o tempo disponível para estar, para conviver, para rezar. Como bem disse S. João Paulo II, «família que reza unida permanece unida».

A oração é o grande alimento — e o maior cimento — da união. É desejável que a família comece e termine o dia com uma oração conjunta. A oração permite perceber que a maior riqueza não é o só o que existe em cada membro da família, mas o que existe entre todos os membros da família. Entre todos os membros da família encontra-se Deus, que sabe conjugar as diferenças numa comunhão indestrutível e fecunda.

 

  1. Que a família nunca deixe de ser família. Que a família não se destrua. E que a família seja um espaço para todos: para os que estão a começar e para os que já começaram há muito. Infelizmente, a tumultuosa agitação do dia-a-dia não deixa que as gerações convivam muito entre si. Primeiro, são os pais que não têm tempo para os filhos; depois, são os filhos que não têm tempo para os pais. E é assim que nascemos, crescemos e acabamos por morrer deslaçados, sem tempo para estar uns com os outros, sem tempo para dizermos quanto gostamos uns dos outros. Apesar de tudo, sinto que a família tem um belo futuro à sua frente, como tem um lindo passado atrás de si.

Queridas famílias, olhai para a Sagrada Família de Nazaré que a Oração Colecta desta Missa aponta como «um modelo de vida». Sobretudo vós, que vos sentis em maior dificuldade, olhai bem para Jesus, para Maria e para José. É bem verdade que, como cantava o Padre Zezinho, «tudo seria bem melhor se o Natal não fosse um dia, se as mães fossem Maria e se os pais fossem José; e se toda a gente se parecesse com Jesus de Nazaré». Tudo seria bem melhor, sem dúvida. Tudo há-de ser melhor apesar de todas as dúvidas. Tenho a certeza de que, como dizia o Concílio Vaticano II, «a família há-de continuar a ser «o berço da vida e do amor». No fundo, cada família é um pequeno mundo. Que o nosso mundo possa vir a ser uma grande família!

publicado por Theosfera às 05:44

Hoje, 31 de Dezembro (Domingo da Sagrada Família), é dia de Sta. Comba de Sens, Sta. Melânia, a Nova, S. Piniano, S. Silvestre I e Sto. Alão de Solominihac.

Um santo e abençoado dia de Natal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 30 de Dezembro de 2017

Hoje, 30 de Dezembro, é dia de Sto. Anísio, Sta. Margarida Colona e S. Sabino.

Um santo e abençoado dia de Natal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 29 de Dezembro de 2017

Hoje, 29 de Dezembro, é dia de S. Tomás Becket e S. Gerardo de Waindvrille.

Um santo e abençoado dia de Natal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 28 de Dezembro de 2017

Hoje, 28 de Dezembro, é dia dos Santos Inocentes, padroeiros dos meninos de coro e das crianças abandonadas.

Um santo e abençoado dia de Natal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 27 de Dezembro de 2017

Hoje, 27 de Dezembro, é dia de S. João Evangelista (padroeiro dos teólogos e invocado contra as queimaduras e venenos e ainda para obter a graça de uma boa amizade), Sta. Fabíola, S. Teodoro e S. Teófanes.

Um santo e abençoado dia de Natal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 26 de Dezembro de 2017

Em Dezembro, temos o Natal a 25 e Santo Estêvão a 26. Num dia, festeja-se o nascimento. No dia seguinte, assinala-se uma morte. Como notou São Fulgêncio de Ruspas, a 25, «celebramos o nascimento do nosso Rei eterno; a 26, celebramos o martírio do Seu soldado». 

Aparentemente, o contraste não pode ser maior. Mas só aparentemente. Na realidade, existe uma profunda — e muito subtil — ligação entre as duas celebrações. A proximidade entre o Natal e Santo Estêvão mostra, desde logo, que nascemos para morrer e morremos para viver.

Os antigos já entreviam a Cruz junto ao presépio: aquele Menino nasceu para ser mártir. E consideravam o dia da morte como o verdadeiro — e definitivo — dia do nascimento (dies natalis). Trata-se do nascimento para a vida eterna, para a vida sem fim.

Acresce que Estêvão foi o primeiro cristão a ser coroado — aliás, o seu nome significa precisamente coroa — com o martírio. Foi Jesus quem deu força a Estêvão para dar a vida por Ele. O Papa Francisco referiu que «Jesus transforma a morte dos que O amam em aurora de vida nova».

A Igreja, como reparou São Fulgêncio de Ruspas, sempre acreditou que o amor «que fez Cristo descer do Céu à Terra foi o mesmo que elevou Santo Estêvão da Terra ao Céu. O amor, que primeiro existia no Rei, resplandeceu a seguir no Seu soldado». 

Estêvão era o primeiro dos sete colaboradores dos Apóstolos, conhecidos como diáconos (cf. Act 6, 5). Rapidamente se destacou pela sua dedicação e pela sua sabedoria (cf. Act 6, 8-10).

Tudo isto acarretou a hostilidade de alguns que, não tendo argumentos, passaram para os insultos e para a hostilidade contra Estêvão. Não olharam a meios para o eliminar. Foram mesmo ao ponto de subornar pessoas (cf. Act 6, 11), mobilizando testemunhas falsas (cf. Act 6, 13-14).

A defesa de Santo Estêvão enfureceu ainda mais os seus adversários (cf. Act 7, 2-53), que o condenaram à morte por apedrejamento (cf. Act 7, 58). Um jovem chamado Saulo aprovou esta condenação (cf. Act 6, 58). Mais tarde, ele próprio iria converter-se, tornando-se no grande apóstolo São Paulo (cf. Act 9, 5-8).

E foi assim que, como observou São Fulgêncio de Ruspas, «aonde Estêvão chegou primeiro, martirizado pelas pedras de Paulo, chegou depois Paulo, ajudado pelas orações de Estêvão». Santo Agostinho sinalizou até que, se não fosse Estêvão, não haveria Paulo: «Se Estêvão não orasse, a Igreja não teria Paulo» («si Stephanus non orasset, ecclesia Paulum non haberet»).

Há muitas semelhanças entre as circunstâncias do martírio de Estêvão e a crucifixão de Jesus. As últimas palavras são praticamente iguais. Segundo São Lucas, Jesus entrega-Se completamente a Deus: «Pai, nas Vossas mãos entrego o Meu Espírito» (Lc 23, 46). Segundo o mesmo São Lucas, Estêvão oferece-se totalmente a Jesus: «Senhor Jesus, recebe o meu espírito» (Act 7, 59).

Ambos, Jesus e Estêvão, pedem clemência para quem os matou. As palavras de Estêvão — «Senhor, não lhes imputes este pecado» (Act 7, 60) — parecem decalcadas na súplica de Jesus: «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem» (Lc 23, 34).

Santo Estêvão chegou a ter dois dias de festa: a 26 de Dezembro[1] e a 3 de Agosto, o dia em que se comemorava a descoberta das suas relíquias.

Consta que, em 415, um sacerdote chamado Luciano soube, através de uma aparição de Gamaliel, onde estavam as relíquias de Santo Estêvão. Feitas as escavações, encontraram os restos mortais a 3 de Agosto daquele ano. A terra tremeu e um suave perfume inundou todo o local. Imediatamente, 73 doentes ficaram curados.

Os despojos foram colocados num relicário e transladados para a Igreja do Monte Sião. Aí permaneceram até 15 de Maio de 439, quando foram transferidas para uma Igreja erigida no lugar onde Estêvão tinha sido apedrejado.

Entretanto, um senador de Constantinopla foi enterrado ao seu lado. Quando a sua esposa regressou à terra natal, resolveu levar consigo o corpo do marido. Acontece que, por engano, ela levou o corpo do santo. Só no navio deu conta do equívoco. Daí que o corpo permanecesse em Constantinopla durante alguns anos.

Finalmente, foi sepultado na Basílica de São Lourenço Fora de Muros, em Roma, onde ainda hoje repousa.

A devoção a Santo Estêvão não tardou a espalhar-se por todo o mundo e depressa terá chegado a Portugal e à nossa região. A festa em honra do primeiro mártir terá sido usada para cristianizar a chamada «Festa dos Rapazes».

Esta festa decorria nas aldeias de Trás-os-Montes, integrada no ciclo de festividades do Solstício de Inverno, que decorre de 24 de Dezembro a 6 de Janeiro. Uma vez que estas festas eram dedicadas ao culto do Sol, a festa de Santo Estêvão servia para ajudar as pessoas a deixar o culto do Sol e a passar para o culto do verdadeiro Sol, que é Jesus Cristo.

Consta que um Bispo de Lamego, chamado D. Durando Lourenço, terá visto um clarão a brilhar neste monte. Esse clarão tê-lo-á levado a construir uma capela em honra do primeiro mártir, Santo Estêvão.

Curiosamente, na Espanha, dá-se uma explicação semelhante para o culto do primeiro apóstolo mártir, São Tiago. Um ermitão chamado Paio terá visto a luz uma estrela incidir sobre o local onde estaria sepultado o apóstolo. Daí que a localidade passasse a ter o nome de «Campus Stellae» (que significa «Campo da Estrela»), donde surgiu o topónimo Compostela.

A Capela em honra de Santo Estêvão foi inaugurada por D. Durando Lourenço, a 15 de Agosto de 1361.

O Cónego Fernão Martins ficava autorizado a colher esmolas em toda a Diocese para a conservação da Capela e respectivo culto.

Aos cónegos era pedido que ali passassem a ir em procissão duas vezes por ano: uma no dia de Santo Estêvão, 26 de Dezembro, e outra no dia da descoberta do seu corpo, a 3 de Agosto.

Mais tarde, porém, a primeira daquelas procissões do Cabido passou de 26 de Dezembro para o dia 02 de Janeiro, «o dia oitavo da festividade» do Santo pois este dia 26 de Dezembro começou a ser preenchido com «um grande mercado na devesa ou soutos que ficavam por detrás da Capela de Nossa Senhora dos Remédios».

Nessas procissões também deviam tomar parte os coreiros da Sé, os raçoeiros de Almacave e os frades de S. Francisco. Era a estes que incumbia a pregação. A Missa devia ser oferecida por alma de D. Durando, seus pais e demais obrigações. Para os encargos, o Bispo legava 12 libras anuais ao Cabido, quatro aos coreiros e 20 soldos a cada raçoeiro e frade.

Aliás, a devoção deste Bispo por Santo Estêvão era tão grande que há quem pense que ele morreu no dia da sua festa, ou seja, neste dia 26 de Dezembro de 1362.

Onde ficava exactamente a Capela de Santo Estêvão, também denominada Capela de Santo Estêvão do Campo? Pensa-se que ficava aqui, na zona da Capela-Mor do actual Santuário.

Também há quem pense que seria um pouco mais acima, no local onde desembocavam os caminhos pedestres de Penude e Arneirós. Aí existiram, em tempos, alguns pinheiros com cruzes gravadas nos seus troncos. Parece que era aqui que muitos romeiros se juntavam para, em procissão, seguirem para as festas de Santo Estêvão. A presença de tais cruzes terá constituído, para alguns, o indício de um antigo templo. Trata-se, porém, de uma hipótese sem grande consistência.

O mais certo é que a Capela de Santo Estêvão fosse mesmo aqui, na zona da Capela-Mor do Santuário. Tal Capela, entretanto, foi demolida a 06 de Novembro de 1564. Uma segunda Capela viria a ser inaugurada, no actual Largo dos Reis, a 03 de Agosto de 1565, dia da descoberta das relíquias do mártir. Como sabemos, essa segunda Capela de Santo Estêvão veio a tornar-se a primeira Capela de Nossa Senhora dos Remédios.

Segundo o inventário de 1867, a imagem de Santo Estevão que aqui se encontra é a mais antiga do Santuário e é aquela que D. Durando mandou fazer em 1361. É claro que ela não estaria como está agora, mas também sabemos que foi restaurada por diversas vezes. O mais importante restauro foi certamente o de 03 de Julho de 1857, pela mão do estucador portuense Bártolo Pires Zineu.

Presentemente, esta imagem, de madeira estofada, tem cerca de 75cm de altura, apresentando o Santo Estêvão revestido de alva, estola, manípulo e dalmática vermelha, com um livro na mão esquerda.

E o mais curioso é que, apesar da presença marcante de Nossa Senhora dos Remédios, o nome deste lugar é Monte de Santo Estêvão. Ninguém o conhece por Monte dos Fragões (a primeira designação deste sítio) nem por Monte dos Remédios (a mais recente proposta que fizeram para denominar este local).

É, pois, no Monte de Santo Estêvão que nos encontramos. E, hoje, é o mártir Santo Estêvão que celebramos. Com ele, entreguemo-nos por Jesus. E a nossa vida terá cada vez mais luz!

 

 

 

 

 

publicado por Theosfera às 11:21

 

  1. São muitos os peregrinos que, nesta altura, visitam o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios por causa do seu belo Presépio.

Executado no passado dia 5 de Dezembro, ele está à disposição de todos até 8 de Janeiro, em que termina o Tempo do Natal.

 

  1. Há, entretanto, mais cinco presépios que podem ser apreciados neste templo, com a particularidade de nunca serem desmontados.

Num deles quase todos reparam. Dos outros quatro quase ninguém se apercebe.

 

  1. Quando se entra no Santuário pela porta do fundo, surge-nos, do lado direito, o magnífico Presépio Barroco.

Atribuído à Escola de Machado de Castro, é considerado um exemplo raro — e valioso — do património nacional.

 

  1. Nossa Senhora aparece com uma coroa e São José com um resplendor.

Além do cenário habitual da manjedoura, deparamos com a representação da Fuga para o Egipto e da Matança dos Inocentes. Também se vêem músicos, dançarinos, taberneiros e outros.

 

  1. Entretanto, mais à frente, podemos contemplar outro presépio: um painel de azulejo que mostra Nossa Senhora num claustro ajardinado, com o Menino na manjedoura.

Maria expõe o Menino à luz natural após a estadia no estábulo onde ocorreu o parto (cf. Lc 2, 7). Alguns dos anjos que tinham festejado o nascimento de Jesus (cf. Lc 2, 10-14) vêm vê-Lo. Três deles estão dentro e um quarto irrompe da parte de fora do claustro.

 

  1. Mais acima, somos surpreendidos com um deslumbrante Presépio-Vitral que apresenta Nossa Senhora inclinada para o Menino na manjedoura.

A manjedoura está aconchegada com umas palhinhas, havendo uma pomba por perto. São José, com sereno enlevo, segura o seu bastão.

 

  1. Na Capela-Mor, encontramos mais dois presépios fixos, ambos em azulejo.

Um deles mostra a adoração dos Magos, com soldados à esquerda e outros adoradores à direita.

 

  1. O outro presépio da Capela-Mor coloca Nossa Senhora, São José e outras pessoas a adorar o Menino.

À esquerda, vemos o anúncio dos anjos aos pastores e, à direita, acompanhamos pessoas a vir de longe.

 

  1. Por tudo isto, pode dizer-se que o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios é — todo ele — uma «Igreja-presépio», uma «Igreja-Natal».

A beleza deste lugar ajusta-se na perfeição à lindeza desta quadra.

 

  1. Este é um local onde tudo sabe a Natal. Ali, há Natal e não apenas no Natal.

O Santuário está sempre vestido de Natal. No Santuário, é Natal todos os dias, é Natal todo o ano. Para que possa ser Natal toda a vida!

 

publicado por Theosfera às 10:05

Hoje, 26 de Dezembro (segundo dia da Oitava de Natal), é dia de Sto. Arquelau, Sto. Estevão (protomártir) e Sta. Vivência Lopes.

Um santo e abençoado dia de Natal para todos!

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Segunda-feira, 25 de Dezembro de 2017

A todos os Menino levou o Seu afecto.

De todos o Menino recebeu sentidas expressões de afecto.

Que o carinho pela imagem do Menino nos leve a seguir os passos do Menino da imagem.

Para todos os colaboradores e peregrinos do Santuário, continuação de um intenso (e imenso) dia com sabor a Natal!

Natal coro.jpg

 

publicado por Theosfera às 14:22

Entre mim e minha Mãe está um Menino.

Em nome desse Menino, que mudou o nosso destino, desejamos, nesta tarde fria, um Natal aquecido pela alegria.

Com muita gratidão, agradecemos tantos gestos calor e comunhão.

Que o Menino que minha Mãe está a beijar a todos conceda o que esperam alcançar.

Que seja especial este santo dia de Natal!

Menino a beijar Mãe.jpg

 

publicado por Theosfera às 14:06

 

Silêncio de Belém,

que no mundo acendes a chama da paz e do bem,

inspira o nosso coração também.

 

As nossas vidas de correria

nem sequer reparam na alegria

que destila tanta beleza

nos nossos passos carregados de tristeza.

 

Silêncio de Belém,

de Maria, de José e de Jesus,

faz brilhar em nós a tua luz,

para que percebamos que as trevas do egoísmo

só nos empurram, a todos, para o abismo.

 

Silêncio de Belém,

que acolheste a visita dos pastores,

alivia em tantos as dores,

ampara os que fazem luto

e choram a separação

em lágrimas sofridas de emoção.

 

Silêncio de Belém,

que abriste as portas aos Magos,

inunda este mundo com teus afagos

e faz-nos entender que não é a arrogância nem a violência

que vão melhorar o rumo da existência.

 

Silêncio de Belém,

ajuda-nos a respirar a paz que de ti nos vem.

Faz-nos sempre tão bem

respirar o silêncio que nos vem de Belém!

 

Que saibamos escutar e não apenas falar.

Que comprendamos que comunicar é mais que fazer ruído

e semear mágoas no nosso mundo, já dorido.

 

Silêncio de Belém,

obrigado pela tua eloquência

e por tanta intensidade de vivência.

 

Bastou uma palavra e nada ficou igual.

É essa a palavra que acolhemos no Natal.

 

Silêncio de Belém,

que nos ensinas tanto,

não deixes apagar em nós o encanto.

 

Que a paz da manjedoura

seja eterna, duradoura.

 

Silêncio de Belém,

que hoje sentimos bem perto, à nossa beira,

acompanha-nos sempre, a vida inteira!

 

 

 

publicado por Theosfera às 11:11

Deus da paz,
Vem conter a fúria das armas destruidoras.

Deus da justiça,
Vem libertar as vítimas da opressão.

Deus da fraternidade,
Vem fazer que todos os homens se sintam irmãos.

Deus da esperança,
Vem dar alento aos que se encontram abatidos.

Deus da santidade,
Vem transformar as nossas vidas.

Deus do amor,
Vem socorrer o nosso mundo inquieto.

Deus dos pobres,
Vem enriquecer-nos com a tua humildade.

Deus de todos os homens,
Vem nascer no nosso coração.

Vem, Senhor Jesus!
publicado por Theosfera às 10:41

A. Foi em silêncio que aconteceu o maior milagre

 

1. Afinal, que celebramos no Natal? Com tanta máscara que por aí anda do Pai Natal nem reparamos no rosto límpido e puro de um menino. O «pai do Natal» não é o Pai Natal; o «pai do Natal» é um menino: o Deus-Menino. É por isso que hoje, neste santo dia de Natal, celebramos o maior milagre de todos os tempos. Foi o milagre que transformou o mais distante no mais próximo. Foi o milagre que trouxe a eternidade para o tempo. Foi o milagre que levou o céu a descer à terra. Enfim, foi o milagre no qual Deus Se fez homem. Não há milagre maior. Não há sequer milagre igual. E, no entanto, este milagre — o maior milagre de sempre — foi realizado em silêncio. É espantoso como até o escritor angolano José Eduardo Agualusa notou que «os melhores milagres costumam ser discretos». De facto, assim acontece em Belém. É no silêncio de Belém que Deus ao nosso encontro vem.

Tendo em conta que «milagre» significa «maravilha», há que estar atento ao silêncio de tantas maravilhas e às maravilhas de tantos silêncios. É que tão preocupados andamos com os milagres que desejamos que nem nos apercebemos dos milagres que Deus realiza. Pedimos tantos milagres neste mundo que nem damos conta dos milagres que se realizam a cada segundo. Curiosamente, o referido escritor José Eduardo Agualusa alerta-nos para «os milagres que acontecem a cada segundo». E continuam a acontecer — quase sempre — em silêncio.

 

 

2. Foi em silêncio que Verbo Se fez carne (cf. Jo 1, 14) e que a Palavra chegou ao mundo. É no silêncio, aliás, que a Palavra habita desde sempre. No princípio, antes de o tempo começar a ser tempo, a Palavra estava em silêncio e o silêncio estava na Palavra. E quando, na «plenitude dos tempos» (Gál 4, 4), a Palavra chegou ao mundo, o silêncio também desceu à terra. Porquê? Porque só em silêncio é possível gerar a Palavra. Só em silêncio é possível acolher a Palavra da vida e mergulhar na vida da Palavra.

É este silêncio que, hoje, respiramos. É neste silêncio que, em cada dia, devíamos habitar. Foi o eterno silêncio de Deus que fecundou o eloquente silêncio de Maria. Tudo mudou quando o silêncio falou. As trevas sobressaltaram-se. A noite acordou. Toda a natureza — e não apenas o galo — cantou. A manhã despontou. E o Salvador chegou.

 

B. O Natal é uma explosão de amor

 

 

 

3. Foi assim que, como dizia Santo Agostinho, chegamos «ao dia feliz, em que o grande e eterno Dia, procedente do grande e eterno Dia, veio inserir-se neste nosso dia temporal e tão breve». Neste feliz dia, nasceu Jesus e nascemos nós para Jesus. Nós nascemos quando Ele nasceu. O nascimento de Jesus é o nascimento de todo o corpo de Jesus, do qual nós fazemos parte (cf. 1Cor 12). Assim sendo, o Natal também é nosso. Enfim, o Natal é a festa universal porque é o acontecimento total.

Como refere o Prefácio II da Missa de Natal, «o que foi gerado desde toda a eternidade começou a existir no tempo». O que foi gerado no seio do Pai veio até nós pelo seio de Maria. E foi assim que, como já notavam os escritores cristãos mais antigos, «Um da Trindade Se fez Um de nós». O amor de Deus, o amor que é Deus, não cabe em Deus e explode na criação.

 

 

4. É por tudo isto que este é o dia tão esperado, em que recebemos a visita do Inesperado. Deus não só vem ao encontro do homem, como Ele próprio Se faz homem. E não somente Se faz homem como Se faz homem pobre, homem simples, homem frágil. O sinal de Deus não é a opulência nem a ostentação. O sinal de Deus — dizem os enviados do Céu — é um Menino, «envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12).

Guilherme de Saint-Thierry dá uma explicação luminosa para tudo isto: «Deus viu que a Sua grandeza suscitava no homem resistência. Então, Deus escolheu um caminho novo. Tornou-Se um Menino. Tornou-Se dependente e frágil, necessitado do nosso amor. Agora — diz-nos aquele Deus que Se fez Menino — já não podeis ter medo de Mim, agora podeis apenas amar-Me».

 

C. O que habita lá no alto visita-nos cá em baixo

 

 

 

5. Deus, que habita no alto, visita-nos cá em baixo. É, pois, para baixo que devemos olhar. Deus está no alto (cf. Lc 2, 13), mas quer ser encontrado em baixo. É a partir de baixo que Deus nos olha. Deus não olha para nós, sobranceiramente, de cima para baixo. Deus olha para nós — divinamente — de baixo para cima. E é lá em baixo que continua à nossa espera: lá, nas profundidades da existência, onde a pobreza abunda, onde a injustiça avança, onde a solidão e o abandono não param de crescer.

Eis a lição de Belém. O silêncio de Deus, que falou em Belém, continua a clamar nos pobres também. Quem não os ouve a eles, como pode dizer que O escuta a Ele?

 

 

6. Aquele Menino é tão divino que até quer ser humano. Aquele Menino é tão humano que só pode ser divino. O Natal é uma explosão de divindade e, ao mesmo tempo, uma persistente lição de humanidade.

Não nos cansemos de fixar os olhos no presépio. Aquele Menino é tão santo que só consegue provocar encanto. É tão cheio de mansidão que os nossos joelhos caem logo em adoração. O Seu rosto destila tanta pureza que até os antípodas aspiram o perfume da Sua beleza. Enfim, a Sua imagem desperta tal ternura que nem há palavras para descrever tamanha formosura.

 

D. Não passemos ao lado do Natal

 

 

 

  1. A imagem do Menino está ali. Mas o Menino da imagem está sobretudo aqui. Vejo Jesus agora e não deixo de O rever lá fora. Ele está na rua, na minha história e também na sua. Está no sofredor, naquele que estende a mão e mendiga amor. Está no pobre, no que não tem pão. Está em quantos vão penando na solidão. O Seu tempo nunca é distante pois a Sua presença é constante. O Seu lugar não é só em Belém, é na nossa vida também. Ouçamos sempre a Sua voz. E nunca deixemos de O acolher em cada um de nós.

 

8. Este é o autêntico «dia inicial inteiro e limpo, onde emergimos da noite e do silêncio e, livres, habitamos a substância do tempo». Sophia tem mesmo razão: «A casa de Deus está assente no chão». Em Jesus, Ele veio para todos. Rejeitar alguém é rejeitar este Jesus, presente nesse alguém. É que os outros também são Seus, também são d’Ele. E, no entanto, há tanto Jesus rejeitado, há tanto Jesus esquecido.

Esquecemos Jesus nos pobres e não nos lembramos de Jesus, que foi sempre pobre. Até no Natal passamos ao lado do Natal. Para muitos, o Natal é um aniversário sem aniversariante. Pertinente é, sem dúvida, o lamento de Jesus pelas palavras poetadas de João Coelho dos Santos: «Senta-se a família/ À volta da mesa./ Não há sinal da cruz,/ Nem oração ou reza./ Tilintam copos e talheres./ Crianças, homens e mulheres/ Em eufórico ambiente./ “Lá fora tão frio, Cá dentro tão quente!”/ Algures esquecido,/ Ouve-se Jesus dorido:/ “Então e Eu,/ Toda a gente Me esqueceu?”».

 

E. Não desliguemos a luz que Deus acende em Jesus

 

 

 

9. Não esqueçamos quem nunca nos esquece. Não esqueçamos Jesus. Não esqueçamos o Seu nascimento nem a Sua morte e ressurreição. Não esqueçamos a Sua mensagem de conversão. Não ponhamos Jesus de lado. Nunca O deixemos abandonado.

Há presépios lindos. Há presépios originais. Há presépios surpreendentes. E até há presépios ao vivo. Faltam, contudo, presépios vivos, que, a bem dizer, são os únicos presépios necessários. São esses que são construídos não nas ruas ou nas casas, mas no coração humano: no meu, no seu, no nosso, enfim, no coração de todos os homens.

 

10. O Natal é belo quando é sonhado. O Natal é lindo quando é cantado. O Natal é encantador quando é tingido de frio e regado de neve. Mas o Natal é melhor quando é vivido, partilhado, abraçado, chorado, humanizado, fraternizado, assumido e derramado no mundo inteiro. Deus veio ao mundo. Acampou na terra para eliminar o ódio e acabar com a guerra. Trouxe, como única veste, a paz e é imensa a alegria que a todos nos traz. Veio em forma de criança. Haverá quem fique indiferente a tanta esperança? Naquele dia, colocaram-No numa manjedoura, perto do chão. Mas, desde então, a Sua morada passou a ser o nosso coração!

Não desliguemos a luz que Deus acende em Jesus. Deixemos brilhar a luz do Natal em cada dia. E nunca esqueçamos que, hoje em dia, o grande Natal é a Eucaristia. Um feliz Natal hoje. Um feliz Natal sempre. Para todos, um santo, luminoso e imensamente abençoado Natal!

 

publicado por Theosfera às 05:32

Hoje, 25 de Dezembro (solenidade do Natal do Senhor), é dia de S. Manuel, S, Natal, Sto. Alberto Chiewolski, Sta, Maria dos Apóstolos, Sta. Inês Fila e Sta. Lúcia.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 01:12

Domingo, 24 de Dezembro de 2017

Maria,

Tu és a serva do Senhor,

a Mãe da disponibilidade,

o farol da nossa esperança.


Na Tua humildade,

encontramos a verdade.



Na Tua fidelidade,

reencontramos o sentido.



Com o Teu sim,

tudo mudou,

tudo continua a mudar.



Que o Teu sim nos mude.



Que o Teu sim mude a nossa vida.



Faz do nosso ser

um novo presépio,

igual ao Teu.



Que o Teu Filho nasça em nós.



Que a paz brilhe.

Que a justiça apareça.

E que os sonhos das crianças não deixem de se realizar.



Obrigado, Senhor,

por vires até nós

e por ficares sempre connosco!





Maria, Mãe,

semeia em nós

o Teu Natal,

o Natal do Teu (e do nosso) Jesus!
publicado por Theosfera às 10:40

A. O Natal já está perto de nós. E nós já estaremos perto do Natal?

 

  1. Está quase. Está quase a chegar o momento. Está quase a chegar o momento do grande acontecimento. O Natal está perto de nós. Deus já fez tudo. Deus já preparou tudo e há muito tempo. Deus já nos enviou o Seu melhor presente. Deus já nos ofereceu o Seu Filho.

Mas onde está Jesus no Natal? Ou, melhor, onde estamos nós no Natal? O Natal já está perto de nós. Mas será que nós já estamos perto de Natal? Ou não será que, quanto mais o Natal se aproxima de nós, mais nós nos afastamos do Natal? Não terá chegado o momento de «renatalizar» o Natal?

 

  1. Estamos quase no Natal, mas, com tanta correria, até parece que já chegamos ao Carnaval. Já nem sequer falta o recurso às máscaras. Neste caso, a máscara dominante é a do Pai Natal. Onde está Jesus no Natal? Onde estamos nós no Natal? Jesus está presente no Natal. Nós é que, muitas vezes, nem no Natal estamos em modo de Natal.

Será que atravessamos o Advento? O Advento termina neste dia. Mas, para muitos, nem sequer terá chegado a começar. O Natal só começa logo à noite, mas alguns até dão a entender que o Natal acaba logo à noite.

 

B. Como chegar ao Natal sem atravessar o Advento?

 

  1. Há quem atravesse o Advento sem se aperceber do Advento. Mal finda o Verão e os sinais de Natal já cá estão. Mas que Natal será este, antes do Advento e sem Advento? Há quem atravesse o Advento saltando de festa em festa, sem parar, sem reflectir, sem mudar. O Advento não é, obviamente, ausência de alegria. Mas é o Natal que desponta como plenitude da alegria. Sucede que toda esta sofreguidão em torno do Natal tem vindo a obscurecer completamente o significado do Advento.

Até nós, cristãos, acabamos por embarcar na corrente.  Afinal, estamos «no» mundo e, por vezes, esquecemos que não somos «do» mundo (cf. Jo 15, 19). É certo que celebramos o Natal de Jesus. Mas será que nos lembramos de preparar o Natal com Jesus? Há muitas antecipações do Natal e pouca preparação para o Natal. Ou será que já não percebemos que o Advento não existe para antecipar o Natal, mas para preparar o Natal?

 

  1. A preparação para o Natal não devia ser feita só pelo estômago nem aos pulos. Não é com «festivais de comida» nem com espectáculos sem fim que nos preparamos para o nascimento de Jesus. Sem Advento, haverá Natal? Sem o silêncio do Advento, estaremos preparados para sorver o silêncio do Natal?

É raro pensarmos nisto, mas o Natal é um luminoso mistério de palavra e silêncio. Ao contrário de nós, que passamos a vida a falar no meio de ruído, Deus só falou uma vez e no meio do silêncio. Como notou São João da Cruz, Deus só pronunciou uma Palavra: o Seu Filho, o Seu Verbo. E pronunciou-A em silêncio. Tanto assim que nós nem A ouvimos. Para nós, a palavra é sobretudo som e quase sempre ruído. Mas, em Cristo, Deus ensina-nos que a palavra também pode ser dita (e não apenas ouvida) em silêncio.

 

C. Natal em modo Carnaval?

 

  1. Que lugar estamos a dar ao silêncio? Era bom que, entre nós, também pairasse algum silêncio (até) para podermos escutar o grande silêncio de Belém. De facto, tão simples — e tão belo — é escutar. Mas é cada vez mais raro calar. Nestes dias de agitação, parece que já espatifamos o silêncio da meditação. Desaprendemos totalmente de ouvir e já mal sabemos calar.

Acontece que a palavra é tão preciosa que nunca deveríamos desperdiçá-la. A palavra não é só para usar. Deveria ser também — e bastante — para guardar. Se as palavras estão constantemente a sair de nós, que se pode, de relevante, encontrar em nós? Só a palavra que não é banalizada merece atenção cuidada. O problema é que, nesta vida tão intensa, o silêncio não goza de boa imprensa. Só se fala de quem fala. Quem fala de quem (se) cala? Para muitos, calar é não ser, é quase não existir.

 

  1. Como vamos, então, chegar ao Natal? Com o estômago cheio e a alma vazia? Será que temos o direito de alterar o Natal? O Natal é que nos devia alterar, a nós. Deus enviou o Seu Filho, não para que tudo continue na mesma, mas para que tudo seja diferente.

O Natal é o dia em que nunca anoitece. No Natal, até de noite é dia. O Natal é o dia em que a luz nunca escurece e em que até a escuridão parece brilhar. É o dia em que o céu desce à terra e a terra sobe ao céu. É o dia em que os extremos se tocam e os contrários se abraçam. É o dia em que «o lobo habita com o cordeiro» (Is 11, 6); em que até «a criança de peito brinca na toca da víbora» (Is 11, 8). É o dia em que os poderosos não mandam. É o dia em que um «menino nos conduz» (Is 11, 6).

 

D. Deus só pronunciou uma palavra e em silêncio!

 

  1. O Natal inaugura o dia em que os mais estranhos se entranham. É o dia em que Deus vem morar com o homem. A Primeira Leitura fala-nos de uma casa (cf. 2Sam 7, 4). Maria foi a casa que Deus escolheu para habitar neste mundo. Cada um de nós, como Maria, é chamado a ser habitação de Deus nesta terra.

É por isso que aquilo que aconteceu em Maria foi obra de Deus, não de qualquer ser humano. Foi Deus que, em Maria, decidiu fazer-Se homem. Nenhum homem teria poder para tal.

 

  1. Tal como Maria deixou que o Filho de Deus Se fizesse carne na Sua carne (cf. Lc 1,31-33), é fundamental que também nós deixemos que o mesmo Filho de Deus Se faça vida na nossa vida. Maria serva é o modelo para uma Igreja que tem de ser (cada vez mais) serva. Maria é senhora porque aceitou ser serva. O seu «sim» faz de Maria inteiramente feliz até ao fim.

Está aqui o grande mistério, que por nós vela e que no Natal se desvela. São Paulo fala-nos de um mistério «mantido em silêncio por tempos sem fim» (Rom 16,25). E é no silêncio que, em Cristo, esse mistério se manifesta (cf. Rom 16,25-26).

 

E. Com uma (única) palavra, Deus tudo faz e a todos enche de paz

 

  1. Não desperdicemos o silêncio do Natal. Faz-nos tão bem respirar o silêncio de Belém. Faz-nos bem aprender que não falamos só com os lábios. Belém, com Jesus, Maria e José, ensina-nos a falar com a vida e com a fé. O Natal é a festa do silêncio que fala. A divina Palavra acampou no silêncio do Menino que nasceu, do Filho que nos foi dado (cf. Is 9, 6).

Não consta que os Magos abrissem a boca quando viram Jesus (cf. Mt 2, 11). Diante do silêncio que se faz Palavra, é bom que as nossas palavras façam um pouco mais de silêncio. Os nossos encontros ainda são demasiado palavrosos. Habituemo-nos também a estar com o Senhor sem abrir os lábios. Um pouco de silêncio com Deus consegue (infinitamente) mais do que muitas palavras sobre Deus. Não esqueçamos que é apenas com uma Palavra que Deus tudo faz e refaz. É com essa única Palavra que Deus nos enche de paz!

 

  1. Que a paz de Belém esteja convosco: não só nesta noite, mas especialmente nesta noite. Convidai a Sagrada Família para entrar na vossa família. Não vos esqueçais de rezar antes de começar o jantar. Queria muito estar convosco nesta noite tão especial: a noite de Natal. Mas, no Deus que vem até nós, sentir-me-ei perto de cada um de vós. Em Jesus Menino estarei perto de vós e sentir-vos-ei bem perto de mim.

Mas depois nos unirmos em casa de cada um, estaremos ainda mais unidos na casa de todos, a Casa de Jesus. A Missa da Noite de Natal é tão cheia de encanto que ninguém quererá ficar no seu canto. É claro que não deixaremos de sentir a presença dos que não possam vir. Mas não tenhamos medo do frio. Deus aquece esta noite, inundando-a de luz. Queria fazer-me especialmente próximo de quem está doente, de quem vive só, de quem experimenta a dor, a separação, o luto. Afinal e como notou Edith Stein, «a noite de Natal e a noite da Cruz são uma única noite».Há quem sinta o peso da Cruz na noite da Natal. Que todos possam sentir o brilho do Natal, mesmo quando sentem o peso da Cruz. Por todos peço. A todos envolvo num sentido abraço de santo, feliz e abençoado Natal.

publicado por Theosfera às 05:59

Hoje, 24 de Dezembro (Quarto Domingo do Advento), é dia de S. Charbel Makhlouf e S. Delfim.

Um santo, abençoado e já natalino dia para todos!

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Sábado, 23 de Dezembro de 2017

Hoje, 23 de Dezembro, é dia de S. João de Kenty, Sta Vitória, Sta. Anatólia, S. Sérvulo e Sta. Maria Margarida Dufrost de Lajemmerais.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Sexta-feira, 22 de Dezembro de 2017

Hoje, 22 de Dezembro, é dia de Sta. Francisca Xavier Cabríni e S. Graciano.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Quinta-feira, 21 de Dezembro de 2017

Hoje, 21 de Dezembro (início do Inverno, às 16h28), é dia de S. Pedro Friedhofen e S. Pedro Canísio.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Quarta-feira, 20 de Dezembro de 2017

Hoje, 20 de Dezembro, é dia de S. Teófilo de Alexandria, S. Zeferino e S. Domingos de Silos.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Terça-feira, 19 de Dezembro de 2017

 

 

  1. O Natal é um luminoso mistério de palavra e silêncio.

Foi no silêncio mais profundo que a Palavra desceu ao mundo.

 

  1. Deus diz tudo e parece que ninguém ouve nada.

Foi necessário que os céus falassem para que os homens despertassem (cf. Lc 2, 8-18).

 

  1. O nosso tempo tem separado o silêncio da palavra e não cessa de afastar a palavra do silêncio.

Não conseguimos gerar palavras no silêncio e não somos capazes de digerir em silêncio as palavras.

 

  1. Achamos que falar é apenas produzir sons. E é assim que nos descomedimos: em vez de falar, fazemos ruído.

Tantas palavras saem dos nossos lábios. Mas quantas palavras chegam aos nossos ouvidos e entram na nossa alma?

 

  1. Será que já olhamos para Maria como mestra da palavra? Maria foi alguém que falou muito: não com os lábios, mas com a vida.

Muitas palavras Maria guardou em Si (cf. Lc 2, 19). Mas bastou-Lhe uma palavra para que o mundo nunca mais se esquecesse de Si. Foi a Palavra que Se fez carne no Seu seio (cf. Jo 1, 14; Lc 1, 35).

 

  1. Para Maria, era mais importante deixar ressoar a Palavra do que fazer soar palavras (cf. Lc 1, 38).

Foi Deus quem falou no silêncio de Belém. É no silêncio que nós ouviremos Deus também.

 

  1. Maria compreendeu que a ouvir também se vê.

Ver é encontrar e há muita coisa que não encontramos com os olhos. Há muita coisa que só encontramos escutando. Mas quem escuta, hoje?

 

  1. Nós, que ocupamos o tempo a ver, vamos passando ao lado do mais belo que pode acontecer.

Portamo-nos como aquele homem a que alude Timothy Radcliffe.

 

  1. Sentado a uma mesa, ele olha na direcção de uma mulher que fala, à sua frente. A certa altura, ela diz, extasiada: «O que eu aprecio em ti é que és um ouvinte maravilhoso».

Nenhuma resposta, porém. De repente, ela dá conta de que, atrás de si, está um televisor, a emitir um jogo de futebol. Era para trás da mulher que aquele homem olhava. Não era a mulher que aquele homem escutava.

 

  1. É sobretudo a escutar que veremos tanta coisa bela na nossa vida entrar.

É por isso que nos faz sempre tão bem respirar o silêncio que vem de Belém!

 

publicado por Theosfera às 10:35

Hoje, 19 de Dezembro, é dia de Sta. Sametana, Sto. Urbano V e S. Ciríaco.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

Hoje, 18 de Dezembro, é dia da Expectação de Nossa Senhora ou Nossa Senhora do Ó, S. Gaciano e S. Flávio.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 17 de Dezembro de 2017

Natal é a mesa farta,

mas é sobretudo a alma cheia.



Natal é Jesus, Natal é a família,

Natal é a humanidade e Natal também és tu.



Não fiques à espera do Natal,

sê tu mesmo o melhor Natal para os outros.



Constrói um Natal para todo o ano,

para toda a vida.



Tu és o Natal

que Deus desenhou e soube construir.



É por ti que Deus hoje continua a vir ao mundo.

É em ti que Ele também renasce.



Sê, pois, um Natal de esperança,

de sorriso e de abraços,

de aconchego e doação.



Também podes ser um Natal com algumas lágrimas.

São elas que, tantas vezes, selam o reencontro e sinalizam a amizade.



Eu vejo o Natal no teu olhar, no teu rosto, no teu coração,

na tua alma, em toda a tua vida.



Há tanta coisa de bom e de belo em ti.

Tanta coisa que Deus semeou no teu ser.



Descobre essa riqueza, celebra tanta surpresa,

partilha com os outros o bem que está no fundo de ti.



Diz aos teus familiares que os amas,

aos teus amigos que gostas deles,

aos que te ajudam como lhes estás agradecido.



Não recuses ser Natal junto de ninguém. Procura fazer alguém feliz.



Não apagues a luz que Deus acendeu em ti.

Deixa brilhar em ti a estrela da bondade e deixa atrás de ti um rasto de paz.



Que tenhas um bom Natal.

A partir de agora. Desde já. E para sempre!

publicado por Theosfera às 10:44

A. Não é a euforia que nos traz a alegria

  1. Hoje é o Domingo da Alegria. E até o celebrante se (re)veste de rosa para assinalar época tão gozosa. É tempo de alegria no meio de toda esta aragem fria. É tempo de alegria porque Deus nos «aquece» quando do Céu à Terra desce.

Alegremo-nos, pois, mesmo (ou sobretudo) quando a tristeza nos visita e o desalento nos possui. A alegria é terapia que nos rejuvenesce nos piores momentos. Não há só alegria quando o rosto sorri. Até pode chover alegria quando as lágrimas pelo rosto (es)correm. Na vida, a alegria mais bela é quando Deus está nela. Deixemos entrar Deus na nossa alma e, mesmo na tempestade, não perderemos a paz. Nem a calma.

 

  1. Hoje em dia, há um grande défice de alegria. Recorremos à euforia para compensar a ausência de alegria. Mas não é a euforia que nos traz a alegria. O que a euforia consegue é, por uns momentos, esconder a tristeza que nos invade. Basta ouvir a espantosa voz de Ana Moura no seu — e nosso — «(des)fado»: «Ai que tristeza, esta minha alegria. Ai que alegria, esta tão grande tristeza».

Na verdade, aquilo a que, quase sempre, chamamos «alegria» não passa da euforia que encobre — e tenta esconder — uma avassaladora tristeza. A verdadeira — e única — alegria é aquela que vem com Deus. É Deus que verdadeiramente nos alegra, a nós, filhos Seus. E que bela é a alegria de, em cada momento, poder celebrar o divino nascimento!

 

B. Na vida, a alegria mais bela é quando Deus está nela

 

 

  1. É por isso que, no meio do Advento, este é o chamado «Domingo mediano», mais conhecido, porém, como «Domingo da Alegria». Trata-se do Domingo «Gaudete», fórmula verbal latina que significa «alegrai-vos».

É a ressonância de um convite feito por São Paulo na Carta aos Filipenses: «Alegrai-vos sempre no Senhor» (Fil 4, 4). Ou seja, o que nos dá alegria não é o que nos vem do exterior. O que nos dá alegria é, em nós, a presença do Senhor.

 

  1. Haja o que houver, nada pode roubar esta alegria que Deus nos está sempre a dar. No Sermão da Montanha, mesmo a finalizar o elenco das Bem-Aventuranças, Jesus faz um enfático convite à alegria: «Alegrai-vos e exultai pois é grande nos céus a vossa recompensa» (Mt 5, 12).

Quem tem Deus, ainda que nada mais tenha, tem tudo. Já Isaías, no Antigo Testamento, se faz eco desta convicção ao dizer: «Exulto de alegria no Senhor» (Is 61, 10). É em Deus — e não no dinheiro ou no poder — que está a nossa alegria. Daí que São Paulo insista: «Vivei sempre na alegria» (1Tes 5, 16).

 

C. A alegria do Evangelho e o Evangelho da alegria

 

 

  1. Foi esta a alegria que Maria experimentou, apesar das contrariedades por que passou. O Salmo Responsorial faz-se eco do cântico do «Magnificat», em que Maria «exulta de alegria em Deus, Seu [e nosso] Salvador» (Lc 1, 46). Maria está alegre porque, como bem observou São João da Cruz, está apaixonada por Deus e «todos os apaixonados cantam».

Não espanta que Sophia de Mello Breyner tenha considerado o «Magnificat» como «o mais belo poema que existe». Porquê? Porque «anuncia» um mundo novo. Recorde-se que foi este cântico que provocou a conversão de Paul Claudel. Ao entrar em Notre-Dame, quando o «Magnificat» era entoado, o seu coração comoveu-se «como nunca». A partir de então começou a «acreditar por dentro e com todas as forças»!

 

  1. Foi para vincar a alegria pela presença de Deus que, em 1975, o Papa Paulo VI escreveu a exortação apostólica «Gaudete in Domino». E, em 2013, o Papa Francisco também nos brindou com uma exortação apostólica sobre a alegria, ligada ao Evangelho. É que só no Evangelho, a mais bela notícia que existe, reencontraremos a alegria para esta vida (tantas vezes) triste.

Daí que o Santo Padre tenha dado à sua exortação o título de «A alegria do Evangelho». No fundo, ele está a convidar-nos a que nos reaproximemos do Evangelho da alegria: «A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus». É por tal motivo que «os cristãos têm o dever de anunciar o Evangelho: não como quem impõe uma nova obrigação, mas sim como quem partilha uma alegria».

 

D. A alegria até pode vir regada pelas lágrimas

 

  1. A alegria pode não vir pelo riso. A alegria até pode vir profusamente regada com lágrimas. Jesus considerou felizes os que choram (cf. Mt 5, 4). E não guardamos nós memória de tantas lágrimas de alegria? A maior alegria está na seriedade. Não estamos longe da alegria quando estamos perto da seriedade. A alegria é mesmo uma coisa muito séria. E não será a seriedade a coisa mais alegre?

Paul Claudel afirmou que «onde há mais alegria, há mais verdade». A seriedade é, sem dúvida, alegre. A seriedade é, definitivamente, a coisa mais alegre deste mundo. E, com o nosso Almada Negreiros, acrescentaria que «a alegria é a coisa mais séria desta vida». O sustento da alegria encontra-se num coração puro, numa alma transparente e numa vida limpa.

 

  1. É neste espírito que devemos olhar para João Baptista como um modelo de alegria. À partida, ouvindo o que ele diz e reparando no que ele faz, seríamos tentados a deduzir que se trata de um homem circunspecto, às vezes um pouco ríspido até. Mas essa seria uma visão superficial e uma apreciação injusta.

João Baptista é profundamente alegre porque é intrinsecamente sério. A sua seriedade é o sustento da sua alegria. Homem corajoso, nunca recuou perante os obstáculos nem vacilou diante das ameaças. Era um homem liso e limpo: dizia as coisas próprias nos momentos certos. Foi sempre oportuno, ainda que as circunstâncias o fizessem parecer inoportuno. O que ele jamais quis ser foi oportunista. Nunca agiu em proveito próprio. Nunca pretendeu cavalgar ondas de popularidade, mesmo que tal lhe fosse fácil, já que tinha muitos seguidores.

 

E. Mesmo na solidão, Deus plantará sempre alegria no nosso coração

 

 

  1. A palavra de João foi sempre cortante: «Eu não sou o Messias» (Jo 1, 20). João era a voz de quem «clama no deserto» (Jo 1, 23). Ele diz «voz» e não «palavra», porque a Palavra não é João; é Jesus. João estava ao serviço do Messias que havia de vir (cf. Jo 1, 27). E o importante, para João, é que o Messias cresça, mesmo que ele diminua (cf. Jo 3, 30). A sua humildade nasce da sua coragem.

João é, todo ele, um programa: desde o seu nome até à sua vida. João significa «Deus faz graça» e não há dúvida de que ele se comportou sempre como um agraciado, enviado por Deus, como diz o quarto Evangelho: «Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João» (Jo 1,6). Faz, pois, sentido com esta grande figura estar em sintonia no Domingo da alegria. Só há alegria quando há seriedade, quando há autenticidade, quando há verdade.

 

  1. Alegremo-nos, então, à maneira de João. E, com João, enchamo-nos de luz para receber Jesus. Ele já está no meio de nós. Já saboreamos a Sua paz. Vós, sobretudo os que sentis o coração tingido pela tristeza, tende a certeza de que Ele enche a vossa vida de beleza. Deixai que as vossas lágrimas escorram. Mas não deixeis que as vossas alegrias morram. Basta saber que Deus está no meio de nós para que nunca nos sintamos sós. E, mesmo na solidão, Deus plantará sempre alegria no nosso coração.

Tenhamos isto presente e digamo-lo a toda a gente: «Onde mais alegria, há mais seriedade. Onde há mais seriedade, há mais alegria». A alegria não é a euforia de uma noite divertida. A alegria vem pela seriedade de uma vida limpa, ainda que sofrida. A alegria da seriedade e a seriedade da alegria são os mais belos ornamentos para o nosso contínuo Advento. E para o nosso eterno Natal!

publicado por Theosfera às 05:55

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