O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 24 de Março de 2017

Hoje, 24 de Março, é dia de Sta. Catarina da Suécia, Sto. Agapito e S. Diogo José de Cádiz.

Faltam 23 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 23 de Março de 2017

Hoje, 23 de Março, é dia de S. Nícon e seus Companheiros, S. Turíbio de Mongrovejo, S. Vitoriano e Sta. Raquel Ay-Rayés.

Faltam 24 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 22 de Março de 2017

O mundo é obra de Deus. Mas a situação do mundo está, quase sempre, em oposição a Deus.

É por isso que o melhor serviço ao mundo não consiste em aplaudir o mundo, mas em contribuir para a transformação do mundo.

Quando o Cristianismo é aplaudido pelo mundo, o melhor é ficar preocupado.

Olhando para o testemunho de Santa Leia (que se assinala neste dia), São Jerónimo fazia um apelo aos cristãos para que não se conformassem ao mundo: «Peço-vos, com lágrimas nos olhos, que não procureis os favores do mundo. Em vão se procurará seguir ao mesmo tempo o mundo e Jesus».

Jesus nunca Se conformou com o mundo. Jesus foi sempre pela transformação do mundo!

publicado por Theosfera às 12:14

Todos os caminhos estão abertos. Mas nem todos os caminhantes estarão (igualmente) preparados.

Já Goethe notava que «nem todos os caminhos são para todos os caminhantes».

Os que optam pelos caminhos mais duros são os mais resistentes.

Nem sempre chegarão ao fim. Mas mostram que sabem por (e para) onde ir!

publicado por Theosfera às 09:46

Hoje, 22 de Março, é dia de S. Deográcias, Sta. Leia e S. Zacarias.

Faltam 25 dias para a Páscoa da Ressurreição. 

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 21 de Março de 2017
  1. O Cristianismo tem marcas do mundo e o mundo tem marcas do Cristianismo.

Até certo ponto, é natural que o Cristianismo se mundanize. Mas não deveria ser prioridade trabalhar para que o mundo se cristianize?

 

  1. Estamos distantes de um mundo cristão.

Mas consta que, apesar das sucessivas advertências do Santo Padre, nem sempre andamos longe de um Cristianismo mundano.

 

  1. Estará a falhar a resposta do mundo? Ou não estará a vacilar sobretudo a proposta cristã?

Às vezes, parece que, em lugar de intervir no mundo com os critérios do Cristianismo, optamos por intervir no Cristianismo com os critérios do mundo.

 

  1. Será que uma crescente igualização produz maior proximidade?

Se o Cristianismo não se diferencia do mundo, que necessidade sentirá o mundo de se aproximar do Cristianismo?

 

  1. É possível que se tenham cavado distâncias para salvaguardar as diferenças.

Segundo Yves Congar, passamos do ideal de um Deus sem mundo para o ideal de um mundo sem Deus.

 

  1. Para neutralizar as distâncias, será necessário amortecer as diferenças?

    O problema, entretanto, não deixará de persistir. Se não avulta a diferença cristã, para quê tornar-se cristão?

 

  1. Se nos resignamos a ser como os outros, que motivação terão os outros para ser como nós? Se não se nota Cristo em nós, que subsistirá de diferente em nós?

Cristianizar não é dissolver o Evangelho no mundo; é transformar o mundo com o Evangelho.

 

  1. Não travemos o mandato missionário.

Jesus não Se limitou a enviar-nos ao mundo (cf. Mc 16, 15). Acrescentou logo o imperativo de levar o Evangelho a toda a gente que há no mundo (cf. Mc 16, 15).

 

  1. O Evangelho é o que há de mais diferente. E, nessa medida, é o que sobressai como mais urgente.

Será que a nossa presença faz ressoar esta diferença? Não é para que tudo fique igual que Jesus nos quer como fermento, luz e sal (cf. Mt 5, 13-14; 13, 33).

 

  1. É para o mundo mudar que Jesus não cessa de nos convocar. É esta inquietação que alimenta permanentemente a missão.

É inevitável que vamos mudando com o mundo. Mas o que Jesus espera é que contribuamos para mudar — definitivamente — o mundo!

publicado por Theosfera às 10:48

Hoje, 21 de Março, é dia do Trânsito de S. Bento (ocorrido, neste dia, em 543), S. Nicolau de Flue, Mártires de Alexandria e Sta. Benedita Cambiagio Frassinello.

Faltam 26 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 20 de Março de 2017

André Maurois confidenciou: «A felicidade é uma flor que não se deve colher».

O problema é que muita gente quer colher a felicidade antes de a semear ou até sem a semear.

A felicidade colhe-se no momento em que se semeia.

Quando se colhe, encolhe.

Semeemos felicidade fora de nós. E ela se encarregará de entrar dentro de nós!

publicado por Theosfera às 20:49

A «neofilia» é uma espécie de irmã gémea da «paleofobia».

O culto do novo é feito, quase sempre, à custa do desprezo pelo antigo.

É claro que a história não é para repetir.

Mas alguém nega que é com as lições da história que mais aprendemos?

Ovídio tinha razão quando afirmou que, «amanhã, não seremos o que fomos nem o que somos».

Mas se não fôssemos o que fomos, não seríamos o que somos. Nem o que seremos!

publicado por Theosfera às 09:20

Hoje, 20 de Março, é dia de S. José (diferido), Sta. Fotina, Sta. Eufémia, S. Remígio de Estrasburgo, S. Francisco de Palau e Quer e Sta. Maria Josefina do Coração de Jesus.

Faltam 27 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 19 de Março de 2017

Nós acreditamos, Senhor,

que Tu estás no templo,

mas cremos que estás mais ainda

em cada pessoa.

 

O verdadeiro culto

não está ligado a um lugar.

O verdadeiro culto é uma Pessoa,

és Tu, Senhor.

 

É em Ti que adoramos o Pai,

em espírito e verdade.

 

Mas também Te encontramos no Templo.

Por isso queremos que esta seja uma casa de oração.

 

Na casa de oração

deve haver respeito, silêncio,

um ambiente propício para escutar a Tua voz

e acolher a Tua presença.

 

Tu, Senhor, ficaste triste

pelo comportamento de muitos no Templo de Jerusalém.

O zelo pela casa do Pai devorava-Te, Senhor.

E marcaste uma posição firme

na defesa da dignidade da Casa de Deus.

 

Mas também disseste que não é no monte da Samaria nem em Jerusalém

que estarão os verdadeiros adoradores.

O verdadeiros adoradores são os que adoram em espírito e verdade. 

 

Que nós saibamos respeitar

todos os lugares sagrados.

 

Que aqui escutemos a Tua Palavra.

Que nos sintamos bem conTigo.

 

E que saiamos daqui mais inundados com o Teu amor e a Tua Paz,

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:01

A. Uma bela — e profunda — catequese baptismal

  1. Também hoje, Jesus continua a vir a Sicar. Também hoje, Jesus está cansado de caminhar para chegar a Sicar. Ele vem ao nosso encontro e fica sempre à nossa espera. Está na fonte aguardando pela nossa chegada. Aliás, Ele mesmo é a fonte donde jorra água para a nossa caminhada.

O cansaço de Jesus é o sinal da insistência de Jesus. Ele derruba fronteiras. Apesar de as relações dos judeus com os samaritanos não serem as mais amistosas, Ele não fica aprisionado por quaisquer barreiras. Jesus pede água com vontade de oferecer água viva. Eis, portanto, à nossa frente uma bela — e profunda — catequese baptismal.

 

  1. Recorde-se que, no Terceiro Domingo da Quaresma, os catecúmenos começam a fazer os chamados «escrutínios» em ordem ao Baptismo, na Vigília Pascal. A este propósito, é bom não esquecer que a estruturação do tempo da Quaresma, dirigida para a celebração anual da Páscoa, está também ligada à celebração do Baptismo.

Nunca é demais insistir. O Baptismo é um sacramento genuinamente pascal e a Páscoa — pode dizer-se — é um acontecimento verdadeiramente baptismal. De facto, no Baptismo existe uma «peshah», isto é, uma passagem, uma páscoa. No Baptismo, também nós passamos da morte à vida. Na Páscoa, Cristo vence a morte que é o pecado. Na Páscoa, Cristo dá a vida para que nós tenhamos vida (cf. Jo 10, 10).

 

B. Estamos sempre a ser «escrutinados»

 

3. Como se depreende da própria palavra, com os escrutínios pretende-se conferir as disposições dos que se preparam para o Baptismo. É nesse sentido que, ao longo de três domingos, a comunidade ajuda os catecúmenos a «escrutinar» a sua debilidade e, ao mesmo tempo, a sua disponibilidade para receber a vida nova de Cristo.

A finalidade destes escrutínios é, portanto, purificar os corações, conseguir um sério conhecimento de si mesmo e promover a vontade de seguir, fielmente, a Cristo. Estes escrutínios são feitos aos que são baptizados na idade adulta e às crianças em idade escolar que ainda não estão baptizadas.

 

  1. Tendo, entretanto, em conta que o Baptismo é um sacramento que tem princípio mas não tem fim, podemos depreender que estamos sempre a ser «escrutinados». Estamos sempre sob «escrutínio». Tal «escrutínio» continua a ser feito por Jesus, que, através da Sua Igreja, vem ter connosco, à Sicar das nossas vidas.

Já agora, não é claro se Sicar era uma localidade perto de Siquém ou se seria a própria Siquém. O texto simplesmente chama a atenção para um local perto da  terra que  Jacob deu a seu filho José.

 

C. Onde fica o «poço de Jacob»?

 

5. O poço-fonte de Jacob foi enquadrado dentro de várias igrejas construídas naquele lugar ao longo do tempo. Até 330, costumava ser identificado como o sítio onde Jesus conversou com a Samaritana. Provavelmente, foi utilizado para a celebração de baptismos cristãos.Por volta de 384, foi construída uma igreja cruciforme, que terá sido destruída durante as revoltas de 484 ou 529. Mais tarde, foi reconstruída por Justiniano. Esta segunda igreja ainda estava de pé em 720, e, possivelmente, no início do século IX.

É quase certo que esta nova igreja também terá entrado em ruínas pois, no início do século XII, os peregrinos mencionam o poço sem mencionar qualquer igreja. Mas, pouco tempo depois, já se refere uma outra igreja recém-construída. Esta igreja parece ter sido destruída após a vitória de Saladino sobre os cruzados em 1187.

 

  1. Em meados do século XIX, havia descrições dos «restos da antiga igreja». Os cristãos locais continuavam a venerar o lugar, mesmo quando nele não havia igreja. Em 1860, o local foi adquirido pelo Patriarcado Ortodoxo Grego e uma nova igreja, dedicada a Santa Fotina, foi edificada. Em 1927, um terramoto veio destruir o templo. Foi então que um padre ortodoxo grego liderou um ambicioso projecto de reconstrução.

O poço-fonte de Jacob já foi restaurado e uma nova igreja foi construída de acordo com o antigo plano da igreja da época dos Cruzados, abrigando o poço numa cripta. Este conjunto está situado a 76 metros de Tell Balata, na parte oriental da cidade de Nablus. 

 

D. Era preciso passar por este lugar

 

7. Como muito bem nota D. António Couto, Jesus quis mesmo passar por este lugar. De facto, não estamos perante um percurso habitual entre a Judeia e a Galileia. Quem, naquele tempo, fazia essa viagem, evitava passar pela Samaria. Primeiro, porque a estrada era montanhosa e, depois, porque eram as relações entre judeus e samaritanos estavam longe de ser as melhores.

A viagem habitual fazia-se de Jerusalém para Jericó, atravessando depois o Jordão para Oriente. Seguia-se pelo Além-Jordão, na actual Jordânia, para voltar a atravessar o Jordão, na direcção do Ocidente. Chegava-se, assim, à Galileia. É por isso que, se São João coloca Jesus a percorrer o caminho montanhoso da Samaria, é porque estamos perante uma opção deliberada. De resto, o versículo 4 deste capítulo 4 observa que «era preciso atravessar a Samaria».

 

  1. Jesus quer vir mesmo a este local, onde Se senta, à beira do poço, por volta do meio-dia (cf. Jo 4, 6). Refira-se que, já no Antigo Testamento, o poço é um cenário de noivado. Basta pensar que é junto de um poço que se trata do casamento de Isaac com Rebeca (cf. Gén 24), de Jacob com Raquel (cf. Gén 29) e de Moisés com Séfora (cff. Êx 2). Jesus vem celebrar um noivado com a humanidade sem qualquer constrangimento ou condicionalismos. Em Cristo, Deus desposa a humanidade, entregando-Se a cada pessoa numa oblação de amor total.

Tudo isto acontece ao meio-dia, quando a luz ilumina a terra com o máximo brilho. Jesus é, pois, a máxima luz para o mundo. Trata-se de uma luz que acende no mundo a Lei Nova do Amor.

 

E. Jesus «pede de beber para dar de beber»

 

9. Era preciso vir aqui porque o que aqui se passa tem uma força simbólica muito grande. Esta mulher samaritana é, segundo Santo Agostinho, figura da Igreja na sua universalidade. A Igreja não é só de um povo; é para todos os povos. É a toda a Igreja, figurada nesta mulher, que Jesus pede água para oferecer água. É a toda a Igreja, figurada nesta mulher, que Jesus «pede de beber para dar de beber» (Santo Agostinho).

«Se tu conhecesses o dom de Deus», diz Jesus (Jo 4, 10). Qual é este dom? Como Santo Agostinho percebeu, «o dom de Deus é o Espírito Santo». Aliás, o Espírito Santo começa a entrar na vida desta mulher, que vai entendendo o que Jesus lhe diz, o que Jesus lhe desvenda. Os cinco maridos que ela teve (cf. Jo 4, 18) são talvez uma alusão subtil aos cinco deuses dos samaritanos de que se fala no segundo Livro dos Reis (cf. 2 Rs 17, 24-41).

 

  1. A Samaritana vai-se apercebendo de que estas ofertas de sentido são insuficientes. Só Jesus traz a novidade plena. Só a água que Ele traz sacia completamente a nossa sede (cf. Jo 4, 13). Só Jesus traz o novo e definitivo culto, mais importante que o culto de Garizim e até do que o culto do Templo de Jerusalém (cf. Jo 4, 21). Depois de ouvir a revelação de Jesus — «sou Eu que falo contigo» (Jo 4, 26 —, a mulher deixa o que trazia — o cântaro (cf. Jo 4, 28) e vai anunciar que encontrou Jesus (cf. Jo 4, 29). E as pessoas daquela terra foram ter com Jesus (cf. Jo 4, 30).

Eis o que importa fazer: deixar os «cântaros» das nossas coisas e dizer que encontramos Jesus. Quantos não estarão à espera de um anúncio assim! Não fechemos, então, o nosso coração a Deus (cf. Sal 95, 7). Escutemos sempre a Sua voz. E a vida será bem diferente para todos nós!

publicado por Theosfera às 05:26

Hoje, 19 de Março (Terceiro Domingo da Quaresma), é dia S. Marcello Callo e S. João de Parrano.

Faltam 28 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 18 de Março de 2017

Hoje, 18 de Março, é dia de S. Cirilo de Jerusalém, Sto. Alexandre de Jerusalém, Sto. Eduardo e Sta. Maria Amada de Bouteiller.

Faltam 29 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 17 de Março de 2017

Um dos nossos grandes problemas foi, magistralmente, identificado por Pepetela: «Queremos transformar o mundo, mas somos incapazes de nos transformarmos a nós mesmos».

Negligenciamos, assim, a única mudança que depende de nós: a mudança de nós mesmos.

Pertinente era, pois, o conselho de Gandhi: «Sê tu mesmo a mudança que queres para o mundo».

Transformemo-nos, então. Se possível, para melhor!

publicado por Theosfera às 15:46

Hoje, 17 de Março (abstinência), é dia de S. Patrício (padroeiro dos mineiros), S. José de Arimateia e Sto. Ambrósio de Alexandria.

Faltam 30 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 16 de Março de 2017

Em que consiste a honra?

Para Camilo Castelo Branco, «é-se honrado sendo para os outros o que desejamos que eles sejam para nós».

A honra faz muito mais falta que a fortuna. Há quem tenha fortuna, mas não tenha honra.

E, graças a Deus, há quem tenha honra, mesmo não tendo fortuna.

No fundo, haverá alguém mais afortunado que a pessoa honrada?

publicado por Theosfera às 05:46

Hoje, 16 de Março, é dia de Sta. Eusébia, Sto. Heriberto (invocado para pedir a chuva) e Sto. Abraão, solitário.

Faltam 31 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 15 de Março de 2017

Hoje, 15 de Março, é dia de S. Raimundo de Calatrava, Sta. Luísa de Marillac, Sta. Lucrécia, S. Plácido Riccardi e S. Clemente Hofbauer.

Faltam 32 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:16

Terça-feira, 14 de Março de 2017

 

 

  1. Um dos nossos erros mais graves foi identificado pelo Concílio Vaticano II. Trata-se do «divórcio entre a fé e a vida».

Nem sempre conseguimos envolver a fé na vida. E mostramos uma teimosa dificuldade na hora de abraçar a vida com a fé.

 

  1. Quem não sente necessidade de uma vida mais fidelizada e de uma fé mais vitalizada?

Não basta, com efeito, uma fé professada. É fundamental testemunhar uma fé inteiramente vivida.

 

  1. Do credo cristão faz parte a vida eterna.

Com o Símbolo dos Apóstolos, confessamos crer «na ressurreição da carne [e] na vida eterna». 

 

  1. E, ao recitar o chamado Símbolo Niceno-Constantinopolitano, assumimos que esperamos «a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há-de vir».

Não falta, aliás, quem pense que a eternidade é o que mais distingue o crente do não-crente. Crente é quem acredita na eternidade e não-crente é quem não acredita na eternidade.

 

  1. E, no entanto, que lugar costumamos dar à eternidade?

Será que nos comportamos como pessoas cujo horizonte é a eternidade? Ou não será que, à semelhança de muitos, investimos (quase) tudo no tempo da vida terrena?

 

  1. Eis um (flagrante) caso onde parece que abdicamos de ser alternativa, para nos limitarmos a ser redundância.

Eis também uma situação que põe a descoberto um perigoso esvaziamento da nossa fé.

 

  1. Os nossos critérios aparentam ser os mesmos do mundo. Pensamos no futuro, falamos do futuro e olhamos para o futuro.

Cuidamos do futuro e preparamos a nossa vida no futuro. Mas que cuidado dispensamos à vida eterna? Que fazemos para nos preparar para a vida eterna?

 

  1. Que seria o futuro sem a eternidade? Seria um futuro encolhido.

Sem eternidade, até o futuro passa, até o futuro (rapidamente) se torna passado.

 

  1. Não é no mundo que encontramos «cidade permanente» (Heb 13, 14). Neste mundo, tudo é breve. O nosso horizonte só pode ser a «cidade futura» (Heb 13, 14).

É preciso oferecer eternidade ao tempo e conduzir o tempo até à eternidade. Que é o tempo para lá do tempo.

 

  1. Estamos aqui, mas não somos daqui. Nem a morte é capaz de fechar o que a eternidade não se cansa de abrir.

A «Jerusalém do Alto» também espera por nós (cf. Gál 4, 26)!

publicado por Theosfera às 10:27

Hoje, 14 de Março, é dia de Sta. Matilde, Sta. Florentina e S. Giácommo Cusmáno.

Faltam 33 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 13 de Março de 2017

Hoje, 13 de Março, é dia de S. Rodrigo, S. Salomão, Sta. Eufrásia e S. Nicéforo.

Faltam 34 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 12 de Março de 2017

Hoje também, Senhor,

na manhã deste Domingo belo,

Tu nos levas ao monte,

a um monte muito alto,

a um monte que és Tu.

 

Hoje de novo,

Tu realizas o mistério da transfiguração.

Transfiguras a vida.

Transfiguras a humanidade.

Transfiguras cada pessoa.

Transfiguras o mundo.

 

A fé é uma contínua transfiguração.

Junto de Ti, somos os mesmos e somos outros.

 

Somos diferentes,

somos melhores,

mais felizes,

mais fraternos,

mais humanos,

mais descentrados de nós,

mais recentrados em Ti.

 

Transfigura-nos, Senhor.

Torna-nos mais amáveis,

mais abertos, solidários e serviçais.

Faz de nós arautos da Boa Nova,

portadores da Esperança

e mensageiros do Amor e da Paz.

 

Como Pedro, dizemos:

«Que bom é estarmos aqui»!

Que bom é estar conTigo, Senhor.

Que bom é sentir a Tua presença.

 

Também hoje, ouvimos a voz do Pai:

«Tu és o Filho muito amado».

Que nós Te escutemos

e que escutemos aqueles que são amordaçados.

 

Que, ao descermos o monte,

não percamos a energia.

 

Que, lá em baixo, em cada dia,

nós sejamos missionários do Teu amor.

 

Que participemos na transfiguração deste mundo.

Que não desanimemos perante as dificuldades

e que a todos levemos o eco da Tua paz,

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:07

A. O mais vivido é (também) o mais sofrido

  1. Da Liturgia da Palavra deste segundo Domingo da Quaresma vem um convite dirigido a um discípulo de São Paulo e que acaba por ser também endereçado a cada um de nós. «Sofre comigo pelo Evangelho» (2Tim 1, 8). Eis o que foi dito a Timóteo, eis o que nunca deixa de ser dito a cada um de nós. Mas será que nós estamos dispostos a sofrer pelo Evangelho?

Muitas vezes, já pouco caso fazemos de o ouvir e de o anunciar. Que disposição teremos para sofrer por ele? Que disponibilidade teremos para sofrer com quem sofre pelo Evangelho? Na era do conforto, gostamos de tudo o que é fácil. Mas esquecemos que o mais vivido acaba por ser sempre o mais sofrido. Quem não está disposto a sofrer será que está disposto a viver?

 

  1. Acontece que não estamos sós. Estamos sempre «apoiados na força de Deus» (1Tim 1, 8). É Ele que nos salva. É Ele que nos chama a sermos santos (cf. 1Tim 1, 9): não por aquilo que nós possamos fazer, mas unicamente por Sua graça (cf. 1Tim 1, 9). Esta graça foi-nos dada pelo Filho de Deus, por Jesus Cristo. Foi Ele que, na Sua morte, destruiu a morte. Foi Ele que, na Sua morte, fez brilhar a vida (cf. 1 Tim 1, 10).

O paradoxo nunca nos deixa: nem como pessoas nem como discípulos de Cristo. É preciso dar a vida para ganhar a vida. É preciso morrer para ressuscitar. No fundo, é preciso olhar para a vida a partir de Deus e não a partir de nós. Será que estamos dispostos a deixar-nos desassossegar por Deus?

 

B. Falta-nos a ousadia de deixar antes de partir

 

3. Abraão é o primeiro grande modelo bíblico de quem se deixa desassossegar por Deus. É de Deus a voz que o manda deixar a sua terra e a sua família (cf. Gén 12, 1). Nem sequer lhe é dito para onde ir: «Parte para o país que Eu te indicar» (Gén 12, 1). O que vale é a garantia de Deus. A única segurança é a Palavra de Deus.

O nosso problema é que andamos, afanosamente, à procura de todo o género de seguranças. Falta-nos a ousadia de deixar antes de partir. Às vezes, até nos dispomos a partir, mas levando tudo o que é nosso. Esquecemos que Deus começa por pedir a Abraão que «deixe».

 

  1. Ao iniciar esta segunda semana da Quaresma, será que já nos dispusemos a «deixar» a nossa vida passada? Edmund Burke avisava que «nunca se pode construir o futuro pelo passado». Por muito importante que seja o passado — e é —, é para o futuro que caminhamos. Ou, melhor, é para o futuro que Deus nos encaminha.

A Páscoa é a celebração da vida nova, da vida que corta com muito do nosso passado. Corta sobretudo com aquele passado que nos escraviza, que nos aprisiona. A novidade da Páscoa em nós tem o nome de Baptismo e o sobrenome de Reconciliação. Quando notamos que nos perdemos da novidade do Baptismo, temos o Sacramento da Reconciliação, essa «segunda tábua de salvação depois do Baptismo». Não desperdicemos mais aquilo que Deus põe à nossa disposição.

 

C. A que monte nos quer levar Jesus?

 

5. Deixemo-nos, então, «tomar» por Jesus como por Jesus se deixaram «tomar» Pedro, Tiago e João (cf. Mt 17, 1). Também hoje, Ele quer conduzir-nos a um alto monte (cf. Mt 17, 1). Como é sabido, no universo bíblico, o monte sempre foi um local teofânico de primeira grandeza. O monte nunca deixou de ser encarado como espaço privilegiado de encontro com Deus.

O monte é o lugar de revelação por excelência (cf. Ex, 3, 1.). É lá que ocorre o dom da Lei (cf. Ex 24, 12-18) e onde se experimenta a glória de Deus (cf. Ex 24, 16). No monte, parece que o Céu toca a Terra. É por isso que o monte é sagrado (cf. Ex 3, 14), uma vez que, nele, Deus convive com o homem (cf. Ex 20, 1-17; Mc 9, 2-10).

 

  1. Ao longo das páginas bíblicas, abundam os montes sagrados, pontuando as grandes etapas da história e da fé do Povo de Deus. De facto, é para o monte que Abraão se dirige a fim de executar o sacrifício de Isaac (Gén 22,1-19). É também no monte que Moisés se encontra com Deus pela primeira vez (Ex 3,5). Após a saída do Egipto, o povo de Israel foi ao encontro de Deus no monte Sinai (Ex 19,3). Aquando do combate com os amalecitas, Moisés reza no alto do monte (Ex 17,19). É igualmente no alto do monte que Elias entra em oração (1Rs 18,42).

Não espanta, por isso, que o monte ocupe um lugar relevante na vida e na missão de Jesus. Foi no monte que, segundo São Mateus, Jesus fez o Seu sermão inaugural, conhecido precisamente como «Sermão da Montanha» (cf. Mt 5-7). Foi também no monte — num monte muito alto — que Jesus foi tentado (cf. Mt 4, 8). Era especialmente no monte que Jesus gostava de Se recolher em oração (cf. Mt 14, 23). Foi no monte que Jesus Se transfigurou (cf. Mt 17, 1ss). Foi no monte que Jesus multiplicou os pães e os peixes, mandando-os dividir pela multidão (cf. Jo 6, 3). E foi no monte que Jesus enviou os discípulos em missão (cf. Mt 28, 16-20).

 

D. A nuvem não deixa ver, mas não impede de ouvir

 

7. Jesus transfigura-Se para nos transfigurar. A Sua figura transforma-se para que toda a nossa vida se transforme. Há todo um envolvimento de Jesus com os discípulos e há todo um comprometimento dos discípulos com Jesus. Este envolvimento e este comprometimento não prescrevem nunca. Também para nós é bom estar com Jesus. Estar com Jesus transfigura a nossa vida e transforma a nossa história. Agora, já não contam os nossos planos; a partir de agora, só deve contar a vontade de Jesus.

Ele é o Messias anunciado pela Lei (figurada em Moisés) e pelos Profetas (representados por Elias). Ele é o novo Moisés, aquele que vai guiar o povo para a verdadeira libertação, não já pelas águas do Mar Vermelho, mas pelas águas do Baptismo. E Ele é o definitivo profeta, que transfigura o nosso ser e nos encaminha para a Verdade e para a Vida (cf. Jo 14, 6). Desta acção libertadora de Jesus irá nascer um novo homem e um novo povo. É com este homem e com este povo que, em Jesus, Deus vai fazer uma nova Aliança.

 

  1. Não é em vão que a voz de Deus se faz ouvir através de uma nuvem. A nuvem é o que não deixa ver ou não deixa ver bem. Acontece que se a nuvem não nos deixa ver, não nos impede de escutar. É da nuvem que o Pai fala (cf. Mt 17, 5). É na nuvem que devemos escutar o Pai que fala. Enfim, não devemos andar nas nuvens, mas é fundamental que escutemos o se diz através da nuvem.

E o que se diz através da nuvem é uma afirmação determinante para a nossa fé e para a nossa vida. Jesus é o Filho, o Filho muito amado. É, pois, o Filho que devemos escutar. É o Filho que, depois de escutar, havemos de anunciar.

 

E. O evangelizador é indissociável do Evangelho

 

9. Evangelizar é — tão-somente — fazer isto: levar a todos Jesus Cristo. Tudo o resto, embora importante, do Evangelho fica sempre distante. É prioritário não esquecer que o evangelizador é indissociável do Evangelho. É natural que o primeiro impacto do alcance da missão nos faça cair. Os três apóstolos também caíram naquele monte, aqueles três apóstolos também se assustaram (cf. Mt 17, 6).

Mas, como aconteceu com eles, também nós somos tocados por Jesus. Também de nós Jesus Se aproxima para nos levantar e ajudar a vencer o medo. Também a nós Jesus ordena: «Levantai-vos e não temais» (Mt 17, 7). Jesus vem ter connosco ao chão e estende-nos sempre a Sua mão. Ele é o nosso aconchego; por isso, não tenhamos qualquer medo.

 

  1. Com Abraão, que cada um de nós diga: «Aqui estou» (Gén 22, 1). Que cada um de nós esteja acolhedor quando Deus nos visita. Que cada um de nós esteja atento quando Deus nos fala.

Deus oferece-nos o melhor que tem: o Seu próprio Filho. Se Deus dá o melhor por nós, como é que nós não havemos de dar o melhor a Deus?

 

publicado por Theosfera às 05:27

Hoje, 12 de Março (Segundo Domingo da Quaresma), é dia de S. Luís Orione, Sta. Josefina, Sto. Inocêncio I e Sta. Ângela Salawa.

Faltam 35 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 11 de Março de 2017

Jesus não é pastor só dos que estão dentro.

Ele é pastor também (quiçá, ainda mais) dos que andam perdidos lá fora.

E nem sequer fica à espera do regresso dos que se perderam; lança-se à sua procura (cf. Lc 15, 4).

Quando encontra alguma ovelha perdida, Jesus, como notou Astério de Amaseia, «não lhe bate nem a repele violentamente; pelo contrário, pondo-a aos ombros e tratando-a com doçura, recondu-la ao rebanho».

Maravilhoso é Jesus. Como Ele fez, façamos nós também.

Ou seja, «nunca julguemos os perdidos sem remédio nem deixemos de ajudar os que se encontram em perigo».

Esforcemo-nos por reconduzir «ao bom caminho os que se extraviaram e alegremo-nos com o seu regresso à comunhão»!

publicado por Theosfera às 11:34

Hoje, 11 de Março, é dia de Sto. Eulógio, S. Vicente Abade, S. Ramiro, S. Trófimo e S. Tales.

Faltam 36 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 10 de Março de 2017

Hoje, 10 de Março (abstinência), é dia dos Santos Mártires de Sebaste, S. Macário de Jerusalém e Sta. Maria Eugénia Milleret.

Faltam 37 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 09 de Março de 2017

Hoje, 09 de Março, é dia de S. Domingos Sávio, Sta. Francisca Romana e S. Gregório de Nissa.

Faltam 38 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 08 de Março de 2017

Hoje, 08 de Março, é dia de S. João de Ávila e S. João de Deus, padroeiro dos doentes e moribundos e protector dos enfermeiros católicos e respectivas associações.

Faltam 39 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 07 de Março de 2017

 

  1. Com que legitimidade se julga alguém pelo que fez debaixo de chantagens ou sob o fogo cruzado de coacções e ameaças?

Se é cruel ter de agir sem vontade, torna-se sumamente penoso ser acusado pelo que se faz contra a vontade.

 

  1. O drama do Padre Cristóvão Ferreira, no Japão do século XVII, passa essencialmente por aqui.

Violentamente compelido a apostatar, viu-se cercado entre a perda de confiança dos seus e uma persistente desconfiança dos outros.

 

  1. Os primeiros censuravam o seu afastamento, os segundos suspeitavam que não se tivesse afastado totalmente.

Cristóvão Ferreira nunca terá deixado de ser cristão. E há quem pense que morreu como mártir no mesmo local onde, anteriormente, suspendera o martírio.

 

  1. A tragédia do Padre Sebastião Rodrigues, o protagonista (que não chegou a herói) do livro de Shusaku Endo e do filme de Martin Scorsese, é semelhante.

A determinação de «expiar a apostasia de Ferreira» não evita que também ele naufrague na apostasia de Ferreira.

 

  1. A hesitação inicial foi estigmatizada como sintoma de fraqueza.

E nem a cedência final terá sido sinalizada como grandeza.

 

  1. A fidelidade a Cristo era depreciada como um simples «medo de trair a Igreja».

Mas nem a posterior mudança atraiu qualquer reconhecimento. Aos olhos dos que o pressionaram, Rodrigues limitou-se a «encobrir a sua fraqueza».

 

  1. A sua atitude foi ditada por ponderosas razões humanitárias. Mas será que aqueles — tantos — que não recuaram eram portadores de menor humanismo?

A não-condenação do comportamento de Rodrigues impedirá que valorizemos a opção de quantos não retrocederam?

 

  1. Era menos humanista o Padre Sebastião Vieira (natural de Castro Daire) que, em 1634, foi imolado pelo fogo?

Teria menos humanismo São Paulo Miki, o primeiro padre japonês, que, em 1597, avançou para o martírio num grupo onde havia várias crianças?

 

  1. Será que tinham um menor apreço pela vida humana? Ou não será que, para eles, a vida está emoldurada por um forte sentido de eternidade?

A alegria que irradiavam na iminência do martírio era o certificado de que, a seus olhos, nem a morte interrompe a vida.

 

  1. Os que enfrentam a «grande tribulação» (Ap 7, 14) não levam a vida a esbarrar na morte.

Pelo contrário, conseguem transformar a própria morte em nascentes de (mais) vida!

publicado por Theosfera às 10:40

Há cerca de dois mil anos, houve Alguém que veio ao mundo «para dar testemunho da Verdade» (Jo 18, 37). E por causa da verdade foi morto.

É pena que continue a ser assim. É pena que muitos continuem a ser incompreendidos por causa da verdade.

Já São Tomás de Aquino tinha notado que «quem diz verdades perde amizades».

Mas se alguma amizade é perdida por causa da verdade seria amizade?

Não é, porém, a verdade que está em contencioso com a amizade.

São algumas «amizades» que estão em permanente contencioso com a verdade!

publicado por Theosfera às 09:45

Hoje, 07 de Março, é dia de Sta. Perpétua, Sta. Felicidade e S. Paulo, o Simples.

Faltam 40 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:18

Segunda-feira, 06 de Março de 2017

Gostamos muito de definir.

E nem sequer pensamos que tentar definir é tentar pôr um fim.

Será possível definir a vida?

Não têm faltado tentativas (quiçá, tentações) de a definir.

Gabriel García Márquez achava que «a vida não é mais que uma contínua sucessão de oportunidades para sobreviver».

Curiosamente, Edgar Morin era de opinião que «sobreviver não é viver».

Mas a sobrevida acaba por ser a vida que construímos na vida.

Essa vida tem o nome de eternidade. No fundo, viver é ser eterno!

publicado por Theosfera às 09:32

Hoje, 06 de Março, é dia de S. Cónon, o Jardineiro, e Sto. Olegário.

Faltam 41 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 05 de Março de 2017

 

Eis-nos chegados, uma vez mais,

ao tempo da conversão,

ao tempo da mudança,

ao tempo da transformação.



Quaresma é tempo de penitência,

mas não é tempo de tristeza.



É oportunidade de sermos diferentes,

de nos abrirmos a Deus

e de pensarmos mais nos outros.



É convite a vencermos o egoísmo

e a partilharmos o que somos e o que temos

com os que mais sofrem.



É sermos o sorriso de Deus na penumbra triste do mundo.

É sermos o ombro onde repousam as mágoas de tantos corações.

É sermos o rosto onde desagua o pranto de tantas vidas.



A Quaresma não nos rouba a alegria

e até nos pode acrescentar felicidade.



Vamos fazer jejum e abstinência da comida e da bebida,

mas também das palavras agressivas e dos sentimos violentos.



Vamo-nos abster da superficialidade e do egoísmo,

dos juízos apressados e dos julgamentos implacáveis.



Vamos acompanhar Jesus pelo deserto e pelas ruas de Jerusalém.

Ele acompanha-nos em cada instante da nossa vida.



Vamos acolher o dom.

Vamos ser dom.

Vamos ser a ressonância do grande dom, do único dom:

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:42

Jesus tomou sobre Si a nossa morte para que nós pudéssemos ficar com a Sua vida.

Esta ideia, magistralmente desenvolvida por Santo Agostinho, mostra o alcance e a profundidade do mistério que celebramos.

Em Deus, o amor não é mera intenção; é uma permanente acção.

Ele está sempre a vir e a chamar. Estaremos nós disponíveis para O acolher e seguir?

publicado por Theosfera às 07:00

A. Precisamos de muito tempo para acordar

  1. Eis-nos chegados, uma vez mais, ao tempo santo da Quaresma. Eis-nos chegados, uma vez mais, a este tempo de graça e de luz, a este tempo totalmente centrado em Jesus. Eis-nos chegados, uma vez mais, a este tempo de conversão, que há-de começar a partir do nosso coração. Com efeito, não é para que tudo fique igual que vamos percorrer o itinerário quaresmal. É para que tudo possa ser diferente que o apelo à mudança se torna mais presente.

A Quaresma tornou-se um tempo demorado porque o nosso coração nem sempre está acordado. Precisamos de um longo despertar para a nossa vida transformar. Por isso, necessitamos de um prolongado caminho de purificação porque ainda estamos muito distantes de Deus e do nosso irmão.

 

  1. Nos primeiros tempos, a celebração da Páscoa não precisava de um grande período de preparação porque toda a vida cristã era acolhida como uma contínua via de purificação. Nessa altura, a Páscoa era antecedida apenas de dois dias de jejum. Tratava-se, porém, de um jejum absoluto.

No século III, começou a observar-se o jejum, embora de um modo menos rigoroso, também nos restantes dias da semana anterior à Páscoa. Até Quinta-Feira Santa, podia comer-se pão e beber-se alguma água. Na Sexta-Feira Santa e no Sábado Santo, o jejum era total.

 

B. Jejum frequente e penitência constante

 

3. Como sabemos, este era um tempo em que o jejum era frequente e a penitência era constante. Estávamos numa época em que os cristãos viviam tão entranhadamente a vida cristã — a que nem faltava o martírio —, que não havia necessidade de acrescentar um tempo especial para corresponder ao apelo à conversão. Todo o tempo era considerado especial. Nem a iminência da morte amortecia a eminência da fé.

Foi após a Paz de Constantino, no século IV, que as perseguições terminaram e que parece ter afrouxado um pouco a radicalidade na vivência do Evangelho. Então, a Igreja achou por bem introduzir um tempo para ajudar os cristãos a promoverem uma vida de maior coerência com o Baptismo.

 

  1. A primeira referência a um período de 40 dias de preparação para a Páscoa aparece no Concílio de Niceia (325). No final do século IV, tal costume já se tinha difundido amplamente, tanto no Oriente como no Ocidente. Este tempo de 40 dias de jejum e oração procura ser uma reprodução do tempo — igualmente de 40 dias — que Jesus fez de jejum antes de começar a Sua vida pública (cf. Mt 4, 2).

Entre o Ocidente e o Oriente, havia ligeiras oscilações na contagem dos dias da Quaresma. No Ocidente, a Quaresma durava seis semanas, o que dava um total de 42 dias. Acontece que, aos domingos, os cristãos estavam isentos de jejuar, embora, na prática, observassem um jejum um pouco menos rigoroso que nos outros dias. Como havia seis domingos antes da Páscoa, restavam, assim, 36 dias de penitência.

 

C. Quantos dias de Quaresma, afinal?

 

5. Foi no século VII que se acrescentaram mais quatro dias. A Quaresma começou a ter o seu início na quarta-feira anterior ao primeiro Domingo. Terá sido o Papa Urbano II que, em 1099, determinou que essa quarta-feira seria chamada «Quarta-Feira de Cinzas».

É por isso que, se repararmos bem, entre a Quarta-Feira de Cinzas e o Domingo da Páscoa da Ressurreição, contamos 46 dias. Descontando os seis domingos, ficamos com 40. Uma vez que os domingos não eram dias de jejum tão rigoroso, havia até quem usasse de um preciosismo extremo ao dizer «domingos “na” Quaresma» e não «domingos “da” Quaresma». Actualmente, a Quaresma termina na Quinta-Feira Santa. Com a Missa Vespertina da Ceia do Senhor, na tarde dessa mesma Quinta-Feira, inicia-se o denominado «Tríduo Pascal», que termina com as Vésperas do Domingo da Páscoa.

 

  1. As regras do jejum foram redifinidas no século V. Em cada um dos dias da Quaresma, só era permitida uma refeição, ao final da tarde. A carne nunca era permitida, nem sequer aos domingos. Também o peixe e, em muitos lugares, os ovos e os produtos lácteos eram absolutamente proibidos.

Entretanto, as normas foram mudando. O peixe passou a ser aceite e a abstinência de carne circunscreveu-se apenas à Quarta-Feira de Cinzas e às sextas-feiras. Do mesmo modo, os produtos lácteos começaram a ser permitidos. Actualmente, o jejum e a abstinência estão preceituados somente para a Quarta-Feira de Cinzas e para a Sexta-Feira Santa. A abstinência deve ser observada em todas as sextas-feiras.

 

D. Porquê 40 dias?

 

7. O número 40 tem uma força simbólica muito grande. Na verdade, 40 foram os dias e as noites do dilúvio (cf. Gén 7, 4-12); 40 foram os dias de jejum de Moisés no Sinai (cf. Ex. 34, 28); 40 foram os anos de peregrinação do povo eleito pelo deserto (cf. Ex 16. 35); 40 foram os dias de jejum do Elias (cf. 1Rs 19, 8); e, como sabemos, 40 foram os dias de tentação e jejum de Jesus no deserto (cf. Mt 4, 2).

Santo Agostinho viu no número 40 um símbolo do tempo deste mundo. Trata-se, essencialmente, de um tempo de preparação para algo novo que vai acontecer. Nem Jesus Se privou de um tempo de preparação para a Sua pregação e ministério. Daí que o mesmo Santo Agostinho tenha estabelecido um paralelismo entre os 40 dias antes da Páscoa e os 50 dias depois da Páscoa, que simbolizam a novidade da ressurreição. É para esta vida nova que nos preparamos antes: pela oração, pela penitência e pela partilha.

 

  1. Tendo em conta o alerta do Papa Francisco — «o Cristianismo ou é concreto ou não é Cristianismo» —, gostaria de deixar aqui algumas propostas muito concretas para a vivência deste tempo santo. Diria que são os «5 mais» e os «5 menos» para esta Quaresma.

Assim, propunha que, a partir de hoje, procurássemos mais interioridade, mais participação na Santa Missa, mais procura da Confissão, mais despojamento e mais atenção aos outros. Ao mesmo tempo, era bom que começasse a haver menos distracção, menos murmuração, menos poluição, menos consumo e menos velocidade.

 

E. Propostas muito concretas

 

9. É verdade que a nossa vida já está muito ocupada. Mas onde há generosidade, não falta iniciativa. Assim sendo, permitia-me fazer-vos mais cinco sugestões muito simples: cinco minutos por dia para visitar o Santíssimo Sacramento; cinco minutos por dia de meditação; leitura de cinco versículos por dia da Bíblia; participação na Via-Sacra e visita aos doentes, idosos e abandonados.

Permiti que insista particularmente no Sacramento da Reconciliação. O objectivo é precisamente para que nos voltemos a conciliar com a vida nova recebida no Baptismo. Se o pecado é grande, a graça que vence o pecado é muito maior. Se o assédio do pecado é contínuo, a presença da graça é ainda mais constante. A Confissão é, para usar uma expressão da Liturgia, uma «segunda tábua de salvação depois do Baptismo». Com muita propriedade, os escritores cristãos antigos chamavam-lhe «Baptismo laborioso». A Confissão devolve a graça que o Baptismo nos oferece e que o nosso pecado obscurece.

 

  1. Vivamos, então, esta Quaresma com seriedade, o que muito nos ajudará a celebrar a Páscoa com alegria. Despojemo-nos da carne e do peixe caro, levando um pouco de pão a quem nada tem para comer. Façamos também, de vez em quando, jejum do automóvel desanuviando o ambiente. Façamos igualmente jejum do cigarro, contribuindo para a nossa saúde e para a saúde dos nossos semelhantes. E façamos total jejum das intrigas, das insinuações e das calúnias. Façamos total jejum dos juízos precipitados, das acções agressivas e dos sentimentos violentos.

Deixemos que a bondade brilhe, que a paz reluza, que a justiça floresça e que o amor vença. O tempo de Deus chegou. O tempo de Deus chegou. Convertamo-nos à Boa Nova!

publicado por Theosfera às 05:25

Hoje, 05 de Março (Primeiro Domingo da Quaresma), é dia de S. João José da Cruz, S. Teófilo e Sto. Adriano.

Faltam 42 dias para a Páscoa da Ressurreição. 

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 04 de Março de 2017

Os homens evocam a Paixão de Cristo, mas costumam andar ocupados com as suas próprias paixões.

A Paixão de Cristo é um sofrimento que oferece sentido.

Já as paixões humanas são buscas de sentido que, quase sempre, provocam sofrimento.

Nikolai Gogui notava que «as paixões humanas não têm conta; são tantas, tantas como as areias do mar».

É esta a realidade e é este (também) o problema.

Será que já nos apercebemos da Paixão que Deus tem por cada um dos Seus filhos?

publicado por Theosfera às 11:01

Hoje, 04 de Março, é dia de S. Lúcio I, S. Casimiro e Sto. Humberto III de Sabóia.

Faltam 43 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 03 de Março de 2017

Orar é mais que pedir. Orar é sobretudo respirar.

Até Gandhi percebeu que «orar é a respiração da alma».

Assim sendo, «tal como o corpo que se lava não fica sujo, sem oração torna-se impuro».

Falta-nos, hoje, muita leveza, muita ousadia e muita liberdade porque deixamos que nos falte espiritualidade.

Ponhamo-nos à escuta e coloquemo-nos à espera.

Quem sabe se o inesperado não nos visitará?

publicado por Theosfera às 10:31

Hoje, 03 de Março (Abstinência), é dia de Marino, Sto. Astério, S. Frederico de Hallam, S. Liberto, S. Samuel, S. Miguel Pio e Sta. Catarina Maria Drexel.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:26

Quinta-feira, 02 de Março de 2017

Errar é sinal de que não somos tão fortes como pensamos.

Mas o erro não é sinal de que sejamos tão fracos como tememos.

Reconhecer o erro, como notou Mikhail Gorbachev, «é um sinal de força, não de fraqueza».

Fraqueza é não dar conta do erro ou «travestir» o erro em presumida força.

Por isso, sejamos fortes e não tenhamos medo de reconhecer o erro.

Reconhecer o erro é o primeiro — e decisivo — passo para o vencer!

publicado por Theosfera às 09:38

Hoje, 02 de Março, é dia dos Mártires dos Lombrados, Sta. Inês da Boémia e Sta. Ângela da Cruz Guerrero González.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 01 de Março de 2017

Este ano, a Solenidade de São José é a 20 de Março.

A razão desta alteração prende-se com o facto de, em 2017, 19 de Março ser o Terceiro Domingo de Quaresma.

Como é sabido, o Domingo é sempre o dia de festa primordial.

Só cede a sua celebração às solenidades e às festas do Senhor.

Mas os domingos do Advento, da Quaresma e do Tempo Pascal têm precedência sobre as próprias solenidades e festas do Senhor.

Por exemplo, quando alguma solenidade coincide com um Domingo da Quaresma passa para a segunda-feira seguinte.

É o que acontece desta vez com a Solenidade de São José.

Assim, dia 19 celebramos o Terceiro Domingo da Quaresma e, no dia 20, São José!

publicado por Theosfera às 20:38

Numa época que não se cansa de adornos e enfeites, faria bem pensar no aviso de Chopin: «A simplicidade é a realização máxima».

Os adornos e os enfeites contribuem para mostrar o que habitualmente não somos.

O maior adorno e o mais belo enfeite é ser o que se é.

Se quisermos ser diferentes, transformemo-nos, em vez de parecer que nos transformamos.

A simplicidade é o enlevo da transparência.

Uma vida simples é uma vida limpa. Haverá vida mais bela?

publicado por Theosfera às 10:10

Talvez tenha chegado o momento de refazer algumas frases feitas.

Pensemos no célebre dito atribuído a Philippe Destouches, segundo o qual «os ausentes nunca têm razão».

Inteiramente de acordo.

Resta, porém, saber quem está mais ausente: se os ausentes em relação aos «presentes», se os «presentes» em relação aos ausentes.

Se os ausentes não procuram os «presentes», será que os «presentes» procuram sempre os ausentes?

Quem já não sofreu com a ausência dos que, em tudo, gostam de estar «presentes»?

Não falta quem esteja presente quando é conveniente. Mas sente-se a falta de quem esteja presente quando é necessário.

De facto, a ausência não é boa, mas a que mais faz sofrer é a ausência que muitos mostram até quando estão presentes.

Se os «presentes» procurassem mais os ausentes, não haveria menos ausência? 

Enfim, saiamos de nós: julguemo-nos menos e escutemo-nos mais!

publicado por Theosfera às 09:44

Hoje, 01 de Março (Quarta-Feira de Cinzas, de Jejum e Abstinência), é dia de S. Rosendo, Sto. Albino e Sta. Eudóxia.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2017

O que fazemos acaba por mostrar o que somos.

É por isso que, quando não estamos, estamos através daquilo que fazemos.

Respeitar o que fazemos é respeitar o que somos. E é deste modo que a ausência se torna presente.

Era assim que pensava Santo Isidoro, ao escrever a São Bráulio: «Quando receberes algum escrito do teu amigo, abraça-o como se fosse o próprio amigo, pois esta é a única consolação entre os ausentes. Envio-te um anel e um manto que sirva como que para proteger a nossa amizade».

No fundo, o que vem da parte de alguém é sempre a pessoa desse alguém!

publicado por Theosfera às 12:08

 

  1. Sofremos pela ausência, mas conspiramos contra o silêncio.

O livro de Shusaku Endo, levado ao cinema por Martin Scorsese, surge atravessado pela identificação entre o silêncio e a ausência.

 

  1. Deus é directamente interpelado: «Senhor, porque Te calas?»

Os clamores são «atirados ao Céu». Todavia, paira «a sensação de que Deus Se mantém de braços cruzados».

 

  1. Deus aparece como o supremo responsável pelo sofrimento.

É especialmente para Ele que, nas horas de tormenta, são encaminhadas as culpas: «Porque é que Deus nos impõe o sofrimento?»

 

  1. Só que a Sua presumida responsabilidade não está no que faz, mas no facto de não impedir que outros façam.

Quem faz sofrer são os homens. E, contudo, o questionado acaba por ser Deus. Questiona-se mais Deus por (alegadamente) deixar que se sofra do que os homens pelo que (notoriamente) fazem sofrer.

 

  1. A suposta inacção divina é mais perturbadora do que a manifesta intervenção humana.

Em permanente conspiração contra o silêncio, temos dificuldade em reconhecer nele não uma ausência, mas uma presença alternativa. Que nem sempre é menos efectiva e que até pode ser mais afectiva.

 

  1. Deus não precisa de ruidar para falar. Como percebeu Kierkegaard, Ele «fala mesmo quando Se cala».

O próprio Sushaku Endo conclui que Deus não está em silêncio; sofre ao nosso lado.

 

  1. A Sua linguagem não é necessariamente uma linguagem vocal. É sobretudo uma linguagem cordial.

O que Deus diz vem pelo coração sofredor de Seu Filho (cf. Jo 19, 34) até ao coração sofrido de tantos Seus filhos.

 

  1. Na Cruz, Deus faz Seu o que é nosso.

A paixão de Cristo revela a com-paixão de Deus pelo nosso sofrimento. Não o evita, mas assume-O.

 

  1. Como bem notou São Bernardo, Deus é impassível, mas não quer ser incompassível.

Enquanto impassível, não está sujeito ao padecer. Recusando ser incompassível, mostra que não é incapaz de Se compadecer (cf. Heb 4, 15).

 

  1. Em «A Noite», Elie Wiesel avista Deus nos sofredores. O que é feito a eles é o que continua a ser feito a Ele (cf. Mt 25, 40).

Esta é a beleza maior, a única que salvará o mundo. Deus está com os últimos tornando-os primeiros. Os que subvivem na dor sobreviverão, para sempre, no Seu amor!

publicado por Theosfera às 10:21

Hoje, 28 de Fevereiro (último dia antes da Quaresma), é dia de S. Torcato, S. Romão, S, Lupiccino, Bem-Aventurado Daniel Brottier e Bem-Aventurado Augusto Chapdelaine.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2017

O enigma acompanha o ser humano. E não é o avanço do conhecimento que o mitiga.

Pelo contrário, muito conhecimento pode significar muita dificuldade em conhecer verdadeiramente.

John Steinbeck, de uma forma subtil, deu conta de uma singularidade: «De todos os animais da criação, o homem é o único que bebe sem ter sede, come sem ter fome e fala sem ter nada para dizer».

Mas o que é mais estranho é que o homem é capaz de também cometer a proeza contrária.

Ou seja, também é capaz de calar quando não há nenhum motivo para ficar calado!

publicado por Theosfera às 09:37

Hoje, 27 de Fevereiro, é dia de S. Gabriel das Dores, S. Leandro, Sta. Maria Deluil-Martigny e Sta. Francisca Ana das Dores de Maria.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 26 de Fevereiro de 2017

Tu, Senhor, és vida.

Tu, Senhor, és fonte de vida.

Tu, Senhor, és recomeço de vida.

 

Obrigado, Senhor, por nos tocares.

Por te aproximares de nós com tanto afecto,

com tanto amor.

 

Obrigado por Te fazeres um de nós

e por nos devolveres à vida

mesmo depois de todas as nossas quedas.

 

É tão admirável o Teu procedimento

que, mesmo quando nós não damos conta de Ti,

 

Tu já estás connosco,

Tu já estás em nós.

 

É tão maravilhosa a Tua presença.

É tão intensa a Tua paz.

É tão imenso o Teu amor.

 

Vivemos um tempo de desânimos e desalentos,

de tristezas muitas e angústias mil.

 

Mas Tu, Senhor, não desistes de nós,

mesmo quando algum de nós desiste de Ti.

 

Tu estás sempre a presentear-nos com as Tuas oportunidades.

Tu és vida antes da vida.

Tu és vida depois da vida.

Tu és sempre vida,

vida sem fim.

 

Obrigado, Senhor, por tanto.

Obrigado, Senhor, por tudo.

 

Cura-nos por dentro.

Transforma-nos a partir do fundo.

 

Dá-nos um novo coração,

um coração como o Teu,

JESUS!

publicado por Theosfera às 10:38

Que será mais difícil: agir ou decidir?

À partida, uma acção decorre de uma decisão. Mas, pela(s) amostra(s), há muitas acções que parecem veicular indecisões.

Por vezes, a sensação que paira é que não se avança nem se recua: estaciona-se, paralisa-se.

Não é fácil decidir. Já Napoleão o reconhecia: «Nada é mais difícil, e por isso mais precioso, do que ser capaz de decidir».

Decidir implica romper e, quase sempre, desagradar. E

nquanto não se decide, todos clamam pelas decisões. Quando se decide, aparecem não poucos a reclamar das decisões.

É por isso que muitos optam apenas por procrastinar.

Mas procrastinar resolve?

publicado por Theosfera às 07:39

A. Será que Deus nos abandona?

  1. Quantas vezes já não passaram pela nossa cabeça — e pelos nossos lábios — as palavras de Sião reproduzidas por Isaías: «O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-me» (Is 49, 14)! Até Jesus terá experimentado o abandono de Deus. Quem não tem presente o (lancinante) grito da Cruz: «Meu Deus, Meu Deus, porque Me abandonaste?» cf. Mc 15, 34. 37; Mt 27, 46. 50).

Nós, seres humanos, sentimo-nos, quase sempre, representados por este grito de Cristo. Quem já não fez as perguntas que, em 2006, o Papa Bento XVI fez no Campo de Concentração de Auschwitz: «Senhor, porque é que Te silenciaste? Porque é que toleraste tudo isto?»

 

  1. É preciso, porém, perceber que o grito de abandono de Cristo na Cruz ocorre numa paradoxal situação de profunda união com Deus. O Filho que Se confessa abandonado é o mesmo que Se disponibiliza para ser entregue (cf. Mc 14, 41). Se quem vê o Filho vê o Pai (cf. Jo 14, 6), então quem vê o sofrimento do Filho não pode deixar de entrever o sofrimento do próprio Pai.

Parafraseando Santo Ireneu de Lyon, dir-se-ia que a realidade invisível que se vê no sofrimento do Filho é o sofrimento do Pai e a realidade visível em que se vê o sofrimento do Pai é o sofrimento do Filho. O grito de abandono desponta, por conseguinte, como um alerta para a presença silenciosa, mas não passiva, de Deus no sofrimento.

 

B. Deus é impassível, mas não incompassível

 

3. O silêncio de Deus não é mutismo nem indiferença; é uma forma sofrida de presença. Deus não precisa de ruidar para falar. Como notou Kierkegard, Deus fala mesmo quando (Se) cala. Deus fala sobretudo por gestos, por atitudes. Deus fala sobretudo pelo amor, pela doação, pela entrega.

No fundo, na Cruz, Cristo assume-Se como representante de todos os abandonados do mundo. O que Se confessa abandonado é, pois, o rosto — e a voz — de todos os que se sentem afastados. A dor que estes sentem só é aceitável «com Jesus e perto de Jesus que a sofreu por todos nós e connosco» (Joseph Ratzinger). A todos Deus quer dizer que, afinal, não estão abandonados porque Ele lhes entregou o Seu Filho como o Irmão de todos eles.

 

  1. Como bem notou São Bernardo, «Deus é impassível, mas não incompassível». Ou seja, Deus não estando sujeito ao padecer, não é incapaz de Se compadecer. Acresce que este compadecimento não é mais leve que o padecimento. Ao sofrer por nós e connosco, Deus sofre verdadeiramente e até mais intensamente. Hans Urs von Balthasar sublinhou que «Deus “sofre” connosco e bem mais do que nós; e não deixará de sofrer enquanto houver sofrimento no mundo».

Deus não sofre por debilidade da Sua natureza, mas pela força do Seu amor. Dir-se-ia que o amor leva Deus a ir mais longe que a Sua própria natureza. Em Deus, o poder é sempre amoroso e o amor é sempre poderoso. O amor consegue tudo e, como notou Dostoiévski, «salva tudo». Daí que, na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, não estejamos perante uma força frágil, mas perante uma fragilidade forte (cf. 2Cor 12, 9).

 

C. Somos chamados à «teolatria», não à «dinheirolatria»

 

5. Torna-se, assim, claro que Deus nunca nos esquece. Ainda que uma mãe possa esquecer o seu filho, Deus nunca nos esquece (cf. Is 49, 15). Ao longo da história, Deus desvela-Se como um Pai que nos ama com amor de mãe. Deus é um pai maternal, que nos envolve permanentemente com o Seu amor. É o Seu coração que vitamina o nosso coração.

Deixemo-nos conduzir por Deus. Se estivermos atentos, facilmente concluiremos que a Liturgia deste Domingo incide não sobre o abandono, mas sobre a providência de Deus. Para connosco, Deus está costuma mais prover do que (nos) provar. E, mesmo quando nos põe à prova, nunca deixa de nos prover. É em Deus — e só em Deus — que conseguimos enfrentar todas as provas e vencer todas as provações.

 

  1. É claro que temos de nos preocupar um pouco com o dia-a-dia, mas não nos inquietemos excessivamente com o sentido da vida. Como reconheceu o historiador Pierre Pierrard, «a vida tem sentido porque Deus lhe dá sentido». Diria mesmo mais: a vida só tem sentido quando descobrimos o sentido que Deus lhe dá. É Deus quem nos alenta, é Deus quem nos alimenta. Trabalhemos e, acima de tudo, confiemos. Confiemos enquanto trabalhamos e trabalhemos enquanto confiamos. É a confiança em Deus que nos levará a não desistir do mundo e do homem.

Os bens materiais são para usar, não para idolatrar. Não é neles que havemos de confiar. Não são eles que dão sentido à vida. Às vezes, até contribuem para pôr em causa o sentido da vida. Nós somos chamados à «teolatria» e não à «dinheirolatria». Não é o dinheiro que devemos adorar. Adorar sempre — e só — a Deus.

 

D. Só em Deus descansa quem se cansa

 

7. O dinheiro não dá descanso, o dinheiro, muitas vezes, só cansa. Quem o não tem, não descansa enquanto não o possui. Quem já o tem, parece que não descansa enquanto não o aumenta. É bem verdade, por isso, o que diz o Salmista: «Só em Deus descansa a minha alma» (Sal 62, 6). Só n’Ele alentamos a nossa esperança.

Não admira, portanto, que Santo Agostinho tenha andado inquieto até repousar em Deus. E até o nosso Antero de Quental confessou que foi «na mão de Deus, na Sua mão direita, que repousou, afinal, o seu coração». Enfim, só em Deus descansa quem se cansa.

 

  1. Olhemos para a natureza e fixemo-nos na sua beleza. Jesus convida-nos a olhar para os «lírios do campo: não trabalham nem fiam» (Mt 6, 28). E «nem Salomão, em toda a sua magnificência, se vestiu como qualquer deles» (Mt 6, 29). Onde está a diferença? Está em Deus. É Deus quem cuida da natureza. É Deus quem cuida de nós. «Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, como não fará muito mais por nós» (Mt 6, 30)?

Assim sendo, na nossa vida coloquemos Deus no lugar que Lhe cabe: o primeiro. «Procuremos primeiro o Reino de Deus e a Sua justiça, e tudo o mais virá por acréscimo» (Mt 6, 33). É isto o que falta, é isto o que urge. Sabemos que Deus está em primeiro, mas será que damos o primeiro lugar a Deus? Ou não será que para Deus só nos viramos depois de tudo o resto?

 

E. Só encontra alegria quem Deus tem por companhia

 

9. Não esqueçamos, entretanto, o que Jesus jamais esqueceu: a justiça. O Reino de Deus é indissociável da justiça. Enquanto a justiça não vier, não virá o Reino de Deus; enquanto o Reino de Deus não chegar, a justiça não chegará. Somos indiferentes à injustiça porque ainda não estamos totalmente comprometidos com o Reino de Deus, com o projecto de Deus revelado em Jesus Cristo.

Sem o Deus da justiça e sem a justiça de Deus, haverá alegria? Nestes dias, à nossa volta, nota-se muita folia, mas será que, dentro de nós, existe uma verdadeira alegria? Ou não será que toda esta euforia por fora serve para disfarçar tantas lágrimas que chovem, convulsas, por dentro?

 

  1. É curioso que, no entender de muitos estudiosos, o Carnaval surgiu como um tempo de diversão que antecede um longo tempo de conversão. Ele surge antes da Quaresma, que era vivida com extremos de rigor. Como em toda a Quaresma não se comia carne, mais carne era comida antes da Quaresma. Daí que, segundo alguns, Carnaval venha de «carnevale», que significa «adeus, carne» ou «adeus à carne». Aliás, a relação deste tempo com o tempo seguinte pode ser conferida na outra designação destes festejos: «Entrudo», que significa «entrada», isto é, «entrada na Quaresma».

Não fiquemos à margem da alegria. Mas, acima de tudo, busquemo-la na sua fonte. Só encontra alegria quem Deus tem por companhia. No meio de todo este consumo, no meio de toda esta febre, só Deus torna o nosso coração alegre. A Sua alegria, que vem do fundo, é a única que tornará feliz o nosso mundo!

publicado por Theosfera às 05:53

Hoje, 26 de Fevereiro (Oitavo Domingo do Tempo Comum), é dia de S. Porfírio de Gaza, S. Nestor e S. Vítor de Arcis.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 25 de Fevereiro de 2017

Hoje, 25 de Fevereiro, é dia de Sto. Avertano, S. Romeu, S. Sebastião de Aparício, Bem-Aventurado Luís Versiglia e Bem-Aventurado Calisto Caravário.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2017

Será possível listar todas as ordens, congregações e institutos de vida consagrada?

Há muitos que se tornaram conhecidos, mas há outros tantos de que talvez nunca tenhamos ouvido falar.

É o caso do Instituto dos Santos Anjos da Guarda. Surgiu na Espanha, no século XIX para acolher jovens pobres.

Foi sua fundadora a Bem-Aventurada Rafaela Ibarra, que era rica em bens e ainda mais rica em generosidade.

O seu lema era «Firmeza nos fins, doçura nos meios».

É que estava convencida de que «aquilo que não se obtém com delicadeza também não se alcança com dureza».

E dava um exemplo pessoal.

Um dia, foi agredida à bofetada por uma reclusa que tinha ido visitar. Eis a sua resposta: «Não me fizeste mal, minha filha! A partir de agora, vou gostar ainda mais de ti».

Sempre a surpreender-nos, os santos!

publicado por Theosfera às 11:49

mais sobre mim
pesquisar
 
Março 2017
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4

5
6
7
8
9


25

26
27
28
29
30
31


Últ. comentários
Lindo e profundo texto, Senhor Doutor. Obrigada pe...
É bem verdade.
linda reflexão!
Defendo e partilho 😊
Obviamente que é... sobretudo em períodos de crise...
MANOSTAXXMapa Europeu dos Salarios por Paíshttps:/...
Concordo plenamente, Sr Padre João ! São esses trê...
Acho que hoje em dia tem é que existir um dia para...
Obrigada por esse texto!!!!!!!!
Parece que já aceitou!
online
Number of online users in last 3 minutes
vacation rentals
citação do dia
citações variáveis
visitantes
hora
Relogio com Javascript
contador
relógio
pela vida


petição

blogs SAPO


Universidade de Aveiro